Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2020 | 03h00

Partidos políticos

Sem dono

Sabidamente, a questão partidária está muito mal resolvida em nosso meio. Afinal, como podem fazer parte da estrutura de regime democrático partidos que de democráticos internamente nada têm? As coisas ficaram ainda mais escancaradas com a montanha de dinheiro público dos Fundos Partidário e eleitoral, administrada a bel-prazer de meia dúzia de caciques, praticamente sem controle nem critérios legais, como bem exposto no editorial Partido não pode ter dono (15/8, A3). Sem contar que a contabilidade dos partidos, em geral, é recheada de notas frias e, pior, tem contado com entendimentos da Justiça de que isso não é indício de crime eleitoral!

JOSÉ ELIAS LAIER

JOSEELIASLAIER@GMAIL.COM

SÃO CARLOS

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Corrupção

Bom senso

Parabéns ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), pela bela defesa da independência, constitucional, do Ministério Público. Somente os regimes autocráticos, governantes ímprobos, cidadãos corruptos e autoridades impregnadas de vocações contra as ordens democráticas temem o Ministério Público independente, argumentou o decano. E suspendeu dois processos do Conselho Nacional do Ministério Público contra o procurador Deltan Dallagnol. Autores das ações: Renan Calheiros e Kátia Abreu, investigados pela Lava Jato. Está tudo dito.

TANIA TAVARES

TANIATMA@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Pandemia e sociedade

Despejo

A respeito da reportagem de domingo Despejo na pandemia causa dor de cabeça a inquilinos e proprietários, causou-me espanto o caso do operador de telemarketing Mário Stanisci, de 65 anos. Se ele desejava única e exclusivamente o despejo imediato para uso próprio do seu único imóvel na Vila São Pedro, deveria ter entrado com ação no Juizado Especial Cível, por causa da celeridade processual. A ação na Vara Cível, cumulada com cobrança, vai agora para a segunda instância do Tribunal de Justiça, em decorrência do recurso do inquilino e das contrarrazões dele. Infelizmente, o proprietário vai continuar pagando aluguel e morando num minúsculo quarto, como mostra a foto da reportagem. Enquanto isso o inquilino não sai do imóvel. Essa triste situação não é culpa do Judiciário, mas da escolha feita pela parte autora quando iniciou a tramitação da ação, em julho de 2019, e não foi orientada sobre as consequências de sua decisão e a demora por causa da discussão sobre o pagamento parcial de aluguel, mesmo após o término do contrato, para evitar a liminar de despejo.

LUIZ ROBERTO DA COSTA JR.

LRCOSTAJR@UOL.COM.BR

CAMPINAS

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Medida sem lógica

Nelson Rodrigues nos alertou sobre a dificuldade de se enxergar o óbvio ululante. A redução à metade do horário de abertura do comércio não aumenta a possibilidade da aglomeração de usuários, que se quer evitar?

ALBERTO SICKERT PEIXOTO DE MELO

VOVONUMERO1@HOTMAIL.COM

MARÍLIA

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Mesas na rua

Enquanto todos países desenvolvidos da Europa, América do Norte, etc., incentivam bares e restaurantes a colocarem mesas do lado de fora, onde há mais ventilação (circulação de ar), até ocupando total ou parcialmente as ruas, em São Paulo o nosso prefeito faz exatamente o contrário. Impede mesas na calçada e força os clientes a ficarem dentro de recintos fechados e de maior risco de contágio. Tem alguma explicação? Ou é apenas mais uma ação desastrada dos nossos políticos, que não sabem voltar atrás e corrigir enganos?

EDUARDO TESS

ECTESS@TESSLAW.COM

SÃO PAULO

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Economia x ciência

Falsa dicotomia

Num dos itens do Projeto de Lei 529/2020, encaminhado pelo governo paulista à Assembleia Legislativa, propõe-se que a receita do superávit financeiro de fundos e entidades seja transferida para o Tesouro estadual no final do ano. Trata-se de afronta aos princípios da autonomia universitária, um dos pilares que sustentam as universidades públicas paulistas e as torna tão relevantes. Impacto igualmente significativo será observado pela agência que financia a pesquisa e a tecnologia em São Paulo, a Fapesp. Nesse contexto, causa estranheza esse projeto de lei ser criado exatamente quando o governador insistentemente faz menção à importância da ciência na condução das ações para enfrentar a presente crise. Não se questiona o impacto da pandemia nas finanças do Estado, mas cortes na pesquisa num momento tão delicado só demonstram que o governo não entendeu ainda que a alocação de recursos para a ciência não deve ser vista como gasto, mas investimento para o futuro e o bem-estar da sociedade. No que diz respeito à educação, o governo cumpriria melhor seu papel agindo de forma positiva para a melhoria do ensino básico, em vez de intervir no ensino superior.

MAURO BERTOTTI

MBERTOTT@IQ.USP.BR

SÃO PAULO

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Violência contra menores

Proteção social

Na coluna Sem dó nem piedade (18/8, A10), Eliane Cantanhêde analisa uma situação extremamente grave e nos faz refletir acerca da falta de proteção social às crianças e aos adolescentes neste país. Ressalto também seu reconhecimento, e o nosso, dos serviços prestados pelo médico responsável e pela equipe assistencial, que não se atemorizaram com as manifestações de grupo contra a interrupção da gravidez numa menina de apenas 10 anos e cumpriram com êxito decisão judicial.

NILCE PIVA ADAMI

NPADAMI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Menina atacada

Expoente do submundo bolsonarista, Sara Geromini precisa conhecer o peso da lei justa.

CARLOS A. IDOETA

CARLOSIDOETA@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

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EDUCAÇÃO DESPREZADA

Quando você pensa que já viu tudo de ruim neste desastrado governo, surpresas estarrecedoras surgem do Planalto. Como divulgou o Estado esta semana, pela primeira vez em dez anos, no próximo ano a área da Educação, conforme orçamento que está sendo preparado pela equipe econômica do governo, vai perder verbas e, ainda, terá menos recursos do que a Defesa. Ou seja, no total, serão R$ 5,8 bilhões a menos para a Educação – e a mais para os militares. Um absurdo! Ora, se realmente os militares estiverem preocupados com os destinos da educação no País, que infelizmente Jair Bolsonaro abandonou, devem recusar essa benesse, afronta que leva a digital do presidente. Conforme informa o jornal, no orçamento de 2021 a Defesa, que é a menina dos olhos de Bolsonaro, será agraciada com mais 48,8% de recursos do que recebeu em 2020. Ou seja, de R$ 73 bilhões vai passar para astronômicos R$ 108,56 bilhões. E o setor da Educação, dos R$ 103,1 bilhões deste ano, terá sua verba reduzida para R$ 102,9 bilhões, ou menos R$ 5,8 bilhões, do que se estuda reservar para os militares. Na realidade, Bolsonaro, ao contrário do que prometeu na sua campanha eleitoral, quer virar o País de cabeça para baixo. O presidente se lixa para conviver harmonicamente com tradicionais parceiros comerciais do Brasil, para o desmatamento da Floresta Amazônica, para salvar vidas, como se viu com seu desprezo pela ciência na pandemia de covid-19 e por professores e estudantes filhos desta pátria, ao negar atenção para a área da Educação.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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ORÇAMENTO DE 2021

O orçamento proposto pelo Executivo para 2021 corta verba para a saúde e educação e aumenta os recursos para as Forças Armadas, que tem projetos como o desenvolvimento de submarinos e outros quetais. Está cada vez mais nítida a estratégia da milícia Bolsonaro: nomeou mais de 6 mil militares para postos-chave e bem remunerados, aumenta o dinheiro dos militares, notem, é o nosso dinheiro, de nossos impostos, para consolidar sua influência sobre as Forças Armadas e levar o nosso País para o mesmo caminho da Venezuela, que consegue manter o regime apesar do caos instalado naquele país. Se o Congresso não impedir esse golpe, podemos nos despedir de nossa democracia.

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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SEM SURPRESA

Com efeito, surpresa seria se no beligerante e militarizado desgoverno Bolsonaro os Ministérios da Educação e da Saúde recebessem verbas superiores às do da Defesa, pois não? Pobre Brasil doente, analfabeto e armado.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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O PAÍS EM MARCHA À RÉ

Muito triste a notícia de que o Ministério da Defesa terá mais recursos em 2021 que o Ministério da Educação. Pelo andar da carruagem, acredito que não será novidade se daqui a alguns dias Bolsonaro anunciar que os gastos com campanhas eleitorais será superior aos gastos com saúde pública.

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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EXPLICAÇÃO

O presidente Bolsonaro precisa explicar por que a Defesa gasta mais com pessoal do que a Educação. Sim, tem de explicar, assim como o Congresso tem de explicar muitas coisas, como, por exemplo, suas mordomias ou por que Saúde e Educação estão péssimos, etc. A explicação tem mão dupla. E, se se enveredar por este caminho, acho que o Legislativo tem muito mais a explicar.

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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BRASIL, MOSTRA A SUA CARA!

Como já dizia a letra do nosso saudoso Cazuza, “Brasil, mostra a tua cara / Quero ver quem paga pra gente ficar assim / Brasil, qual é teu negócio? / O nome do teu sócio / Confia em mim”. Me pergunto todos os dias após ler o jornal: aonde vamos parar? Fiquei estarrecida quando li a reportagem que fala sobre o orçamento destinado para a Defesa para o ano de 2021. Que absurdo destinar a maior verba financeira para um setor tão pouco essencial para o nosso país em meio ao colapso da saúde e da educação. Que país é este que destina um aumento de quase 50% para pagamento de pessoal (militares) da Defesa, ao invés de dar o maior aumento para a Saúde e a Educação? No meu entender, o brasileiro precisa é de saúde e educação, e não de despesas com pagamento de pessoal e pensões de militares. Como confiar num governo que dá como resposta, segundo a reportagem: “Sobra muito pouco e a briga é muito grande para que cada ministro consiga puxar um pouco mais desse orçamento para si para fazer alguma coisa.”? Quando é que o brasileiro vai mostrar a sua cara e deixar de colocar no governo pessoas que só têm um interesse: reeleição? E que não estão nem aí para o crescimento econômico, para a saúde e para a educação. Brasil, quem paga essa conta SOMOS NÓS. Acorde, povo brasileiro! É pelo voto que vamos ter um país melhor para todos, e não para uma minoria. Não sou de direita nem de esquerda – aliás, nem sei qual a diferença, porque isso não me interessa. O que me interessa, mesmo, é ver o meu país crescendo na economia, com saúde e educação para todos.

Fernanda Rocha de Souza fernandards170180@hotmail.com

São Paulo

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REELEIÇÃO, PARA QUÊ?!

O presidente Jair Bolsonaro, que saiu do PSL atirando – como de costume –, não poupou nem o seu presidente, Luciano Bivar. Na ocasião, perguntado sobre Bivar, Bolsonaro disse a todos pulmões que não queria se referir ao político para não “queimar o seu filme”. Mas, como a politicalha muda de posição, muito mais do que as nuvens, agora ambos fazem juras de amor, mas os brasileiros de bem sabem que há uma grande possibilidade de um divórcio litigioso nesse casamento. Na verdade, se Bolsonaro cumprisse com suas bandeiras e promessas eleitorais, poderia dormir sem mais essa humilhação presidencial, que só falta ficar de genuflexão ante Bivar. Afinal, para que reeleição, se a incapacidade de governar já é cristalina?

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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‘É ASSIM QUE FUNCIONA NO BRASIL’

O editorial ‘É assim que funciona no Brasil’ (18/8, A3) menciona duas formas últimas de governantes tentando governar. Lula, com sua estratégia de “cooptação”, e Bolsonaro, com a estratégia de “colisão”. Ambas com resultados nefastos para o País e criando um total desalento do povo quanto ao futuro. Meu argumento é de que nenhum presidente pode governar o Brasil com mais de 30 partidos políticos, fora os que estão sendo propostos. É impossível. Desde a Constituição de 1988 o Brasil é um país ingovernável e tende só a piorar. Só vejo dois caminhos: uma nova Constituição, com uma nova constituinte, com resultados sabe Deus quais, ou – que Deus não ouça – um Pinochetasso. Ambas possibilidades com enorme chance de não dar certo. Oremos.

Jorge Eduardo Gonella Zambra jorgegonella@hotmail.com

São Paulo

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POR QUE O BRASIL NÃO FUNCIONA

“É assim que o Brasil funciona”, palavras do novo líder do governo, deputado Ricardo Barros, e título do editorial do Estado (18/8). Governo de coalizão é uma coisa, governo de “corrupção” e “cooptação”, como define o editorial, é outra e real coisa. Com 33 partidos fisiológicos, cuja notória ideologia é o poder para enriquecer, não há Brasil que aguente. Reforma política, além da administrativa, são fundamentais e decisivas para tirar o Brasil do clube das republiquetas óperas bufas. Ou crescemos e nos tornamos um país adulto e sério ou devemos ser adotados por uma nação séria e adulta que nos ensine a viver como uma democracia de verdade com políticos estadistas.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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EDITORIAL DE 18/8

Em todas as esferas do poder institucional (Executivo, Legislativo e Judiciário), salta aos olhos que não se pode esperar que os beneficiados de um sistema o destruam...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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ATAQUE CONTRA DEFESA

Celso de Mello suspende processos que podem tirar Dallagnol da Lava Jato (Estado, 17/8). Deltan Dallagnol responde a três processos administrativos disciplinares no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), sendo que dois deles foram apresentados pelo honestíssimo senador Renan Calheiros e por Kátia Abreu, escudeira de Dilma Rousseff. O terceiro partiu do inocente Lula da Silva. Só gente boa acusando o procurador de Curitiba que, para o Equipo Especial de la República del Peru, órgão equivalente ao nosso Ministério Público Federal, é o pilar fundamental na cooperação internacional para combate à corrupção. Assim como no futebol, a melhor defesa é o ataque, então o caminho é defenestrar Dallagnol, e tudo continua como dantes no quartel de abrantes.

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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É ASSIM MESMO

Renan Calheiros processando Deltan Dallagnol! Parece título de filme cômico, do tipo todo mundo em pânico, mas não, é filme do tipo realismo sarcástico, ou fantástico, brasileiro, político e de terrível mau gosto. Mas o Brasil é assim mesmo, por aqui aquele que se bate contra corruptos de colarinho branco ou é suspeito ou é alvejado, por projétil ou processo, importando apenas o resultado perseguido, o fim das pretensões de mudança no sistema nacional de privilégios e corrupções.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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UMA CONTRADIÇÃO CHOCANTE

O País vive uma contradição chocante, mas comum, pois na desgraça de mais de 110 mil mortes sempre há um grande número de homens da corte, fiéis e arrivistas que, tendo enriquecido com as misérias do povo, vêm exibir sua arrogância e fausto em poder de manipular a Justiça, enquanto os oprimidos se escondem nas filas das Caixas Econômicas por todo o território nacional.                                         

Moacyr Forte moforte@globomail.com

São Paulo

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‘CUIDEM-SE’ E ‘É UMA GRIPEZINHA’

Duas frases muito faladas na pandemia: a primeira, me recomendando “cuide-se”, porque sou idoso, e a segunda todo mundo sabe quem falou. A primeira frase foi dita pelo fotógrafo Luis Crispino, sobrevivente da covid-19, cujo depoimento foi publicado no Caderno 2 do Estadão (18/8, H5). Ele passou dois meses no hospital e sabe que a covid-19 não é uma “gripezinha”. O autor da segunda frase deveria ler a matéria, para nunca mais dizer bobagens que o marcaram como homem insensível e leviano, para não dizer outras palavras.

Toshio Icizuca toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba

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HOMENAGEM

O Estado de ontem (18/8) publicou na primeira página, merecidamente, foto do mural em São Paulo que homenageia médicos e funcionários do Hospital das Clínicas, que, mesmo arriscando a vida, lutam contra a covid-19, doença terrivelmente contagiosa que já matou 108.536 pessoas no Brasil. Louvo todos os cidadãos acima referidos, principalmente os médicos que, na sua formatura, simbolicamente juraram agir como acima está dito, honrando sua profissão.

Antonio Brandileone abrandileone@uol.com.br

São Paulo

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DEBANDADA

Subsecretário de Guedes deixa Ministério da Economia. Quem vai ficar para apagar as luzes? Será o próprio?

Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo

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A POLÊMICA DO TETO

Fantásticas as ponderações de Ana Carla Abrão sobre o teto de gastos (Como furar o piso, 18/8, B4).

Cesar Eduardo Jacob cesared30@gmail.com

São Paulo

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PARA O INGLÊS VER

Na sua recente entrevista para a prestigiosa emissora britânica BBC, o vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, atribuiu o desastre da covid-19 à pouca disciplina do povo brasileiro e à impossibilidade de implantar sistema efetivo de distanciamento social. Deixou de lado, entretanto, as consequências do péssimo comportamento do presidente da República, que se distanciou tanto do problema, colocando um “autodidata” militar para tomar conta do Ministério da Saúde. Sobre o aumento das queimadas e desflorestamento da Amazônia, declarou que o governo está atento e vai interferir (quando?) para que a área afetada este ano (pasmem) não seja maior que a do ano passado! Pelo menos tentou, em bom inglês, o possível para justificar as atitudes irresponsáveis de Jair Bolsonaro.

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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TEMPOS MODERNOS EMPRESARIAIS

Vi um anúncio de oportunidade profissional numa empresa “líder de mercado”, em cujo site da internet dizia que ela não tinha restrições quanto à idade, sexo, cor, raça, religião, etc. Na sua ficha de inscrição, perguntava a data de seu nascimento, cor, raça, local de nascimento, sexo, etc. No meio do caminho, números de seus documentos como RG, CPF, NIT, perfis sociais. O anúncio pedia um candidato que fosse comunicativo, pró-ativo, resiliente, capaz de se reinventar, diligente, formador de opinião, agregador, líder de equipes, politicamente correto, culto, que dominasse tecnologias, falasse idiomas, que tivesse experiência, espírito jovem, etc., etc., etc., etc. Fiquei pensando: este profissional existe? É real ou a empresa quer contratar um super-herói? A empresa precisa de um colaborador ou de um salvador da Pátria? Os recrutadores sabem interpretar um currículo? Se o candidato tem de ser tudo isso, como é o seu chefe? Um deus do Olimpo? Ora, recrutadores recebem centenas de currículos por dia e mal têm tempo de lê-los. E, se o candidato tiver todos os requisitos, será eliminado, pois seu futuro chefe tem medo dele e não vai se arriscar. Saudade dos tempos em que numa empresa trabalhavam pessoas normais. Gente que sentia frio, medo e ansiedade. Cometia erros. Podia sorrir e ser alegre. Tinha vontade de aprender e vestia a camisa. A gente podia chamar um amigo de gorducho ou neguinho e sair abraçado para tomar cerveja, sem ser acusado e gordofóbico, racista ou qualquer porcaria do pensamento corrupto da esquerda. Podia dizer a uma colega de trabalho que ela estava linda com aquele vestido, sem ser acusado de assédio sexual pelas feminazis de plantão. Eram empresas com seres humanos, e não autômatos, formados pelas escolas de “primeira linha” e redes sociais. Empresas em que se fazia amizade, e hoje temos empresas com gente ficando maluca e frustrada. Nada promissor.

Andre Luis Coutinho arcouti@uol.com.br

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