Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2020 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Cooptação, não coalizão

Irretocável o editorial ‘É assim que funciona no Brasil’ (18/8, A3). Principalmente depois dos corruptos governos da era petista, o tal governo de coalizão se transformou em presidencialismo de cooptação. Ou seja, partidos aliados, sem privilegiar projetos para o País e assumindo ministérios na base da “porteira fechada”, se locupletam desviando recursos dos contribuintes. Com a promessa de campanha de que tudo seria diferente caso se elegesse, Jair Bolsonaro vendeu aos eleitores a ilusão de que inauguraria uma “nova política”, sem dialogar com o Congresso, os governos estaduais, etc., achando que tudo podia como presidente da República. Chegou até a enviar projetos inconstitucionais ao Legislativo, como se os demais Poderes se ajoelhassem a seus pés. Autoritário, apoiou bajuladores que pediam o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Parlamento; na caradura deixou claro odiar a imprensa livre e os opositores, mandou às favas a Amazônia, a educação, a saúde, a ciência. Mas bastou a ameaça concreta de impeachment para, apavorado, esquecer a farsa da “nova política” e se render ao velho Centrão, com membros investigados no mensalão e na Lava Jato. Que decadência! Para completar, como destaca o editorial, o novo líder de Bolsonaro na Câmara, deputado Ricardo Barros (Progressistas-PR), diz ser “absolutamente justo” que os partidos que apoiam o governo tenham em troca acesso a cargos na administração – na realidade, o que querem é acesso às milionárias verbas públicas –, pois “é assim que funciona no Brasil”. Bolsonaro, que já não governa – com filhos, mulher e ex-mulheres sob com suspeita de desviarem ou receberam recursos ilícitos das rachadinhas –, para manter seu mandato entregou-se ao presidencialismo de cooptação.

PAULO PANOSSIAN

PAULOPANOSSIAN@HOTMAIL.COM

SÃO CARLOS

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Presidencialismo de colisão

Falando do nosso “sistema” político, chego à conclusão de que o nosso presidencialismo é de colisão, não de coalizão. Se os interesses da sociedade colidirem com os interesses do funcionalismo público e das empresas estatais – que se privatizadas serão entregues aos ratos, nas palavras dos contrários a perder as tetas manteúdas e, enfim, a tudo o que possa representar uma melhora no imenso gasto público –, a sociedade será sempre confrontada. Quando os tigrões vão perceber que estamos fartos das mamatas e da péssima utilização dos recursos arrecadados via impostos? Reforma tributária é um arremedo, da administrativa o palanqueiro Messias não quer assumir o ônus político, e assim vamos sobrevivendo, sem a mínima esperança de dias melhores. Até um tribunal de São Paulo quer mais recursos para pagar a seus apadrinhados. E o nosso teórico “presidente” quer gastar mais com seus ex-colegas de farda do que com saúde e educação. Realmente, está cada dia pior a vida na nossa gloriosa Terra Brasilis.

RENATO AMARAL CAMARGO

NATUSCAMARGO@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

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TSE e religião

Perguntar não ofende

Quer dizer que o TSE considera legal os políticos abusarem do poder religioso?

EUCLYDES ROCCO JUNIOR

EMTEATROTECA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Corrupção

Garantia de vida

O País respira aliviado com as decisões dos ministros Luiz Fux e Celso de Mello, do STF, que evitaram por ora o afastamento do procurador Deltan Dallagnol da Operação Lava Jato (19/8, A4). A força-tarefa de Curitiba mudou a imagem do Brasil ao apurar a promiscuidade de governantes, servidores de alto escalão e empresários. Levou à prisão um ex-presidente da República, ex-governadores, ministros, parlamentares e megaempresários. Em março, ao completar seis anos, já havia produzido 70 fases, com 1.343 buscas e apreensões, 130 prisões preventivas, 163 prisões temporárias, 118 denúncias, 500 pessoas acusadas, 52 sentenças e 253 condenações, que, somadas, perfazem a 2.286 anos de pena. Fez R$ 14,3 bilhões roubados voltarem ao erário e ainda tem muito a apurar. Enfraquecer um trabalho desses é contrário ao interesse nacional. A corrupção mata, principalmente os mais pobres, porque os desvios de verbas levam à falta de saúde, educação, segurança... Daí que a continuidade da operação pode ser considerada uma garantia de vida para muitos brasileiros no presente e no futuro.

DIRCEU CARDOSO GONÇALVES

ASPOMILPM@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Em São Paulo

Desmonte da pesquisa

Está em jogo mais uma tentativa de desmonte institucional com o Projeto de Lei 529/2020, encaminhado pelo governo paulista à Assembleia Legislativa. João Doria revela-se alheio ao interesse público. O discurso de seguir a ciência na pandemia colou bem para se descolar do ex-aliado Bolsonaro, mas fez água logo no início da retomada das atividades econômicas, por pressões de vários setores. A tendência é que o governo volte atrás em alguns pontos desse estapafúrdio projeto, como mostra reportagem do Estado sobre as emendas já apresentadas. Lembremos que o único governador que oficializou a quebra da autonomia das universidades públicas paulistas foi o também tucano José Serra, mas teve de voltar atrás com um único e inusitado “decreto declaratório”, em 2007.

ADILSON ROBERTO GONÇALVES, pesquisador da Unesp

PRODOMOARG@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Pandemia

Jornadas diferenciadas

Além do aumento do trabalho remoto, forçado pela pandemia, há boas razões (ambientais, de tráfego urbano, cidadania, sobrevivência, etc.) para que as jornadas de trabalho, nas organizações públicas e privadas em que seja indispensável a presença física de trabalhadores, sejam diferenciadas. Por exemplo, escalonando-as com início às 7, 8, 9, 10 e 11 horas e término às 15, 16, 17, 18 e 19 horas.

EDIVAN BATISTA CARVALHO

EDIVANBATISTA@YAHOO.COM.BR

BRASÍLIA


FURAR O TETO?


É difícil de saber se a tensão na área econômica em Brasília é verdadeira ou jogo de cena. O ministro Paulo Guedes se posicionou contra aumentar os gastos, já que o governo gastou muito além do previsto. Essa opinião é compartilhada pelo vice-presidente Hamilton Mourão. Percebendo a relação direta entre a “bolsa corona” e sua popularidade, o presidente Jair Bolsonaro quer gastar mais. Se o presidente ganha, o ministro Guedes terá o motivo perfeito para introduzir um novo assalto aos bolsos dos contribuintes: imposto sobre pagamentos eletrônicos, ou eliminação dos descontos no Imposto de Renda da pessoa física. A demissão de Guedes não é problemática. Afinal, foi ele que declarou em março 2020 que a taxa do dólar alcançará R$ 5 “se muita besteira foi feita”; hoje, a taxa do dólar comercial está em R$ 5,4. Por outro lado, não será difícil de achar um economista autodidata militar para substitui-lo. Não foi isso o que aconteceu na Saúde, há três meses, no meio da pior crise da história do Brasil?


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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TODO MUNDO JÁ SABE


O presidente Jair Bolsonaro afirmou – só para se desculpar com Paulo Guedes – que não vai furar o teto dos gastos públicos, mas, ao mesmo tempo, pretende aprovar, por meio de medida provisória, singelos R$ 5 bilhões para obras. Na verdade, todo brasileiro está ciente de que tudo isso já está destinado ao seu projeto de reeleição. Mesmo com toda a evidência, ele pede, com a maior cara de pau, que os brasileiros sejam patriotas. Me engana que eu gosto!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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ESTULTICES BOLSONARIANAS


“A ideia de furar o teto existe, o pessoal debate. Qual o problema?” O problema é que quem vai pagar a conta do aumento do endividamento é o povo via aumento de impostos e juros. “Agora esse mercado tem que dar um tempinho também, né? Um pouquinho de patriotismo não faz mal a eles, né?” Eles quem? Patriotismo é uma característica que se espera de pessoas, é ficção exigir que o mercado, entendido como as relações comerciais baseadas na lei da oferta e da procura, seja patriota. E assim vamos...


Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião


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TETO DE GA$TO$


O compromisso do governo Bolsonaro com o teto de gastos deve ser levado ao pé da letra, caso contrário, vai virar teto solar, em que o céu é o limite.


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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PERPLEXIDADE


Perplexidade é um substantivo feminino que significa, entre várias outras coisas, hesitação, insegurança, arrepsia, dúvida, insegurança, etc. Pois bem, é a sensação de muitos com as recentes pesquisas mostrando aumento do apoio popular ao presidente da República. Em Arquibancada (J. R. Guzzo, Estado, 16/8, A8), mais uma vez brilhante, o jornalista diz: “Oposição a Bolsonaro é gritaria de arquibancada, que xinga o juiz, mas não muda o placar do jogo”. E olhem que xingamentos não faltam, como Guzzo destaca: é contra os negros, as mulheres, os índios, os gays, os quilombolas, os povos árabes, os estudantes, os professores, a ciência, a quarentena, contra a Amazônia, prega o ódio entre as pessoas, prejudica exportações de frango, condenado se faz ou não faz política, genocídio. Meu Deus, com todo esse currículo, deveria  estar com menos 10%... mas cresce. Já sei, foi o auxílio emergencial. Onde está a oposição? Se ela mantiver sempre este mesmo discurso, vai rodar e o outro, rolar. Permitam-me uma comparação, quem pensa com os argumentos supracitados somos “nós”, ao contrário são “eles” – já vi este filme. Vamos olhar o nosso rabo antes de criticar o do outro. Diz Guzzo, como em 2022 teremos um candidato com 70% dos votos? Simples nunca e por quê? Basta olharmos para as mazelas, a desunião e políticas em causas próprias que esta “oposição” (?) faz. Estão confiando nas mais destas irreparáveis 100 mil mortes da covid como um bom argumento, forte. Infelizmente, não o é (para 47% não). Tem mais culpados, dá um livro. Procurem um projeto amplo, social e responsável, respaldado na figura de um estadista sério e experiente. Mas, por favor, vamos correr, pois no momento não o vejo.


Claudio Baptista clabap45@gmail.com

São Paulo


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‘TORPOR MORAL’


O editorial Torpor moral (15/8, A3) permite tirarmos conclusões psicológicas: 37% dos brasileiros maiores de 18 anos aprovam Jair Bolsonaro, o que prova  que se identificam com seus padrões cognitivos,  morais e éticos. Fazendo as contas a partir dos dados do último Censo, chegamos à impressionante cifra de 54,9 milhões de Jairzinhos que concordam: com a prática das rachadinhas; que a Educação não precisa melhorar; que o meio ambiente está aí para os servir, e podem usá-lo a seu bel-prazer; que não precisam cumprir com o que prometem; que podem estourar o seu caixa com a gastança acima do teto; que o que falam de manhã não se escreve à noite; e por aí vai. Eu realmente gostaria de concordar com a ideia de que há um “torpor moral”, mas não consigo. Acho que essa aprovação mostra o caráter destes 37%, e sabemos que caráter é a própria estrutura do indivíduo, imutável.


Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo


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PROPEDÊUTICA


Agora o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin acha que a eleição de 2018 teria sido mais democrática com a presença do condenado Lula. Tem mais coisa contaminando o Supremo além da covid-19.


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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SUPREMA INCOERÊNCIA


Estadão noticiou, há alguns dias, que os ministros do STF Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski estão dispostos a votar pela anulação da sentença condenatória de Lula, proferida pelo ex-juiz Sérgio Moro, no caso do triplex do Guarujá, em virtude de suspeita de imparcialidade do juiz. Diante disso, surge, naturalmente, a seguinte e essencial dúvida: caberia também a alegada suspeita de imparcialidade dos ilustres três desembargadores e cinco ministros dos tribunais superiores que, em grau de recurso de Lula, confirmaram, de forma praticamente unânime, a sentença proferida por Moro? E mais, teriam se havido com a decantada imparcialidade estes mesmos excelsos ministros quando julgaram os recursos, por exemplo, do próprio Lula, de José Dirceu e de outras pessoas sabidamente de seu próximo relacionamento? A verdade é que eventual anulação da sentença de Moro seria um certeiro tiro no pé da nossa Justiça, já tão desacreditada pela nação brasileira.


Aurélio Quaranta relyo.quar@gmail.com

São Paulo


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IMPEDIMENTO


Pelo critério atual de nomeação dos ministros do STF, um ato personalíssimo do presidente da República, é fatal que o indicado tenha eterna gratidão por quem o indicou. Sendo assim, torna-se indispensável uma alteração constitucional (entre as que estão sendo apresentadas) prevendo o impedimento desses ministros quando tiverem de julgar processos envolvendo quem o nomeou. Por muito menos, isso já existe na lei ordinária.


Rosangela Delphino touligada@hotmail.com

São Paulo


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CIDADE MARAVILHOSA


O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) apresentou uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para devolver o status de capital federal à cidade do Rio de Janeiro. Pela proposta, o Rio seria considerado um Distrito Federal, assim como Brasília, mas passaria a ser sede do Congresso Nacional. Concordo plenamente com o deputado Daniel Silveira. Creio que a capital federal nunca deveria ter saído do Rio de Janeiro, porque o Rio é mais acessível por terra e por mar, mais próximo das grandes cidades, mais representativo da cultura e da paisagem brasileiras. A mudança de capital trouxe inúmeros problemas para o Rio de Janeiro, especialmente no aspecto social, econômico e de segurança.


Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo


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‘SEM DÓ NEM PIEDADE’


Gostaria de cumprimentar a jornalista Eliane Cantanhêde pela coluna do dia 18/8, intitulada Sem dó nem piedade. É realmente inacreditável assistir a um bando de ignorantes, vorazes e ensandecidos pelo mal, culpar uma criança e o médico que fez o aborto (autorizado pela Justiça brasileira). A divulgação do nome da criança, do hospital e do médico onde estava essa pobre criatura, de 10 anos de idade, é vil demais, pois a ética deveria preservar o sigilo das identidades. A resposta de Jesus aos fariseus que acusavam uma mulher adúltera foi: “Aquele que não tiver pecado, que atire a primeira pedra”. Será que estamos revivendo hoje os acontecimentos históricos bíblicos, a ponto de condenarem uma criança, que é vítima da sociedade desvirtuada e hipócrita?


Vera Lucia Lotufo Belardi Neto verabelardi@uol.com.br

São Paulo


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HUMILDADE E MISERICÓRDIA


Sobre o recente aborto praticado numa menina de 10 anos estuprada: sou cristão evangélico (batista) e, como tal, em princípio contrário ao aborto – afinal, trata-se de matar um ser humano, ainda mais inocente e indefeso. No entanto, aqui temos dois seres humanos inocentes e indefesos, e além disso a menina sofre conscientemente com a situação. Exigir que ela suporte aquilo é cruel. Trata-se de um dilema em que nenhuma alternativa satisfaz realmente, e em que qualquer posição genérica legalista e extrema revelará enorme arrogância dos “donos da verdade”. Aqui entra o que a Bíblia diz em Tiago 2.13: “A misericórdia triunfa sobre o juízo” e Jesus em Mateus 7.1: “Não julguem, para não serem julgados!”. Tenha-se, então, humildade e misericórdia da pobre menina, e respeite-se a difícil decisão de quem precisará assumir as consequências. Resta saber o que deveria ser feito com quem perpetrou essa atrocidade. Minha opinião é de que a pena padrão para qualquer estuprador deveria ser a castração, a bem da segurança pública. Aqui não há desculpa, salvo talvez comprovada incapacidade mental grave, mas também aí a segurança se impõe.


Roland Körber roland@korber.com.br

São Paulo


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QUE MUNDO É ESTE?


Não tenho palavras que nomeiem a desgraça pela qual passa a criança que só foi violada e exposta em sua vida. E, agora, me sinto envergonhada por viver num mundo em que um ser humano é tão desrespeitado e manipulado pela maldade humana. Antes, durante e agora. Eliane Cantanhêde, em Sem dó nem piedade, me fez refletir mais ainda com suas palavras tão bem colocadas e por sua lucidez.


María Inês Teixeira de Mendonça migmendonca1@gmail.com

São Paulo


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OBSCURANTISMO


Não existem adjetivos suficientes para caracterizar o comportamento deplorável de um bando de bolsonaristas que xingaram e chamaram de assassina a criança de 10 anos estuprada e engravidada pelo tio, por ter sido submetida a aborto por indicação médica e autorização legal. Fosse o presidente Jair Bolsonaro consciente, deveria vir a público pedir desculpas pelo comportamento ignorante de seus seguidores. E, para piorar, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) condenou o procedimento alegando que as vidas da mãe e do feto poderiam ter sido preservadas, ignorando acintosamente não só a lei vigente – que permite o aborto em certas condições –, como também os médicos que apontaram a gestação como sendo de altíssimo risco para a criança (mãe). Não são poucos os setores da sociedade que, infelizmente, ainda vivem sob a égide do obscurantismo.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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HUMANIDADE


Além da barbárie que sofreu, é agora a criança enxovalhada pelos perdigotos de um bispo. Que não é médico. Tampouco exerce qualquer função judiciária. Se houve crime, foi um só: o estupro de uma criança. Tentar criminalizar o procedimento médico-legal no caso e, mais ainda, comprometer toda a vida futura dessa criança já tão traumatizada imputando-lhe responsabilidades maternais  com risco da própria vida é indigno de um cristão. É inaceitável. No mínimo, desumano. O comentário do representante da CNBB equivale a tentar descriminalizar a mesma violência existente na Igreja fornecendo preservativos aos padres pedófilos.


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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RENASCIMENTO


Tomara que o canalha e covarde estuprador da menina de 10 anos apodreça na cadeia. Lá, pagará, como merece, pela atrocidade. Própria dos monstros que não deveriam ter nascido. Nessa linha, aplausos para o médico Olímpio Moraes, que operou a menina, enfrentando com coragem, sensibilidade e dignidade a ira torpe dos hipócritas e falsos defensores da vida. O caminho, a seguir, é cuidar da criança. Dando-lhe amor e carinho. Deus fez renascer um anjo de 10 anos.


Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília


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PÚBLICO X PRIVADO


Os profissionais de educação que operam as unidades particulares de ensino, muitas paradas há mais de cinco meses, com sérios problemas de caixa, clamam pela volta às aulas, pois temem a perda dos respectivos empregos e, para isso, reafirmam estarem prontos a reassumir, garantindo também que  precauções de higiene e distanciamento serão aplicadas. Por outro lado, os que trabalham no setor público se posicionam contrários à reabertura pois a consideram arriscada para a saúde das crianças e jovens, além de temerem o contágio dos mais velhos, do grupo de risco, muitas vezes responsáveis por essas crianças e jovens durante boa parte do tempo. No meio do debate estão os pais, divididos. Ambos os grupos têm suas razões, mas não há como negar que o segundo pondera a volta garantido pela não interrupção dos vencimentos, com manutenção da respectiva vaga. Assim, enquanto o setor privado teme a perda das ocupações, o público prefere esperar sem se esforçar muito para efetivar o retorno, atitude constatada também em outras áreas, como, por exemplo, no INSS, onde as agências estão fechadas desde março, sem atendimento à população. Já passou da hora de se pensar exclusivamente no problema paroquial e de passar a focar mais o bem comum.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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FESTA NA CHINA


Assistindo ao vídeo patético da grande festa aquática realizada estes dias na simbólica Wuhan, na China; e vendo a reação de apoio irrestrito da Organização Mundial da Saúde (OMS), não posso deixar de expressar alguns sentimentos e pensamentos que me atropelam, aqui confinado em casa. Primeiro, vejo a OMS simplesmente sendo a OMS. Quanto às imagens da festa “lambe-lambe”, anterior à vacina do vírus misterioso que veio daquelas bandas – um carnaval eletrônico fake copiado do ocidente –, me parecem seres alienígenas incontidos, comemorando acintosamente a quebradeira do resto do planeta. Desculpem-me os partidários do politicamente correto que eventualmente possam torcer o nariz com este comentário; se não for mesmo isso que ocorre por lá, permita-me a liberdade de sentir-me assim: ofendido.


Olimpio Alvares olimpioa@uol.com.br

Cotia


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NA PANDEMIA: DIREITO MAIS CÉLERE E MENOS HUMANO


Os juízes devem pautar sua franciscana atividade – em tese – pelo conhecimento do Direito, quanto mais profundo melhor, senso de justiça e, consequentemente, humanismo. Isso importa no diálogo, por vezes muito difícil, que devem estimular entre os litigantes e desenvolver entres ele os advogados e até mesmo diretamente com as partes. Esse é ponto mais próximo da sempre e inevitavelmente imperfeita justiça, mas o melhor que a humanidade conquistou até este momento na área jurídica. O trabalho em home-office dos juízes rendeu mais que o que era costumeiramente praticado. Os contatos não foram de todo suprimidos, mas por e-mails, e é incontestável uma significativa diferença, no plano da comunicação, entre os homens e a intervenção das máquinas. Assim como o céu se tornou mais azul, mas cobrindo a terra repleta de implacáveis mortes, os juízes acabaram produzindo mais neste tempo de apartamento social; porém, fica a dúvida sobre o preço pago pelo ideal de justiça sob seu céu também mais azul, considerando o incremento da celeridade da produção dos magistrados.


Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo


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INTERNET NO BRASIL


Não há país no mundo onde o acesso à internet seja tão precário como no Brasil. O acesso é lento ou impraticável em muitos locais. Falo da cidade de São Paulo, não de uma zona remota qualquer. Acredito que este assunto esteja vinculado à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), e isso explica tudo. Um órgão estatal que não funciona. Reclamações sobre operadoras de celular, por exemplo, conforme resposta que acabo de receber da agência vergonhosa, têm de ser resolvidas entre o cliente e a operadora, já que a Anatel não se envolve em casos particulares (?!). É de morrer de vergonha de ser brasileiro.


Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo

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