Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2020 | 03h00

Arapongagem

Práticas antidemocráticas

Por 9 votos a 1, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu suspender os atos do Ministério da Justiça de produção e compartilhamento de informações sobre servidores públicos ditos antifascistas. Não poderia ter sido diferente. Todavia os ministros não atenderam ao pedido, no processo, de investigação para apurar responsabilidades, a fim de pouparem o ministro da Justiça. A ordem teria sido dada no intervalo entre a troca de titulares no Ministério da Justiça. Assim, nem o ex-ministro nem o atual teriam engendrado esse mostrengo. Entretanto, pela narrativa apresentada, o tal dossiê não deve ter saído nada barato para o Tesouro. Claro que alguém ordenou a operação irregular e como na administração pública o uso indevido de verbas deve ser ressarcido, caberá ao presidente ordenar que se identifique o autor da tramoia, obrigando-o a devolver o montante ao erário. Caso contrário, o Tribunal de Contas da União poderá não aprovar as contas do Ministério da Justiça, por irregularidades no uso de recursos públicos - e, por conseguinte, até as contas do próprio governo Bolsonaro poderão ser glosadas. Mas o que deveras vem preocupando, mesmo, é que no governo federal estão acontecendo fatos demais que claramente se afastam das práticas normais do regime democrático.

GILBERTO PACINI

BENETAZZOS@BOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Nada banal

Com uma goleada humilhante e didática, o STF condenou e mandou suspender a elaboração do dossiê sobre a vida política de funcionários públicos ligados aos movimentos antifascismo. As explicações dos representantes do governo, notadamente do ministro da Justiça, foram grotescas, mais pareciam um atentado à inteligência dos julgadores. Não importa se a qualidade do documento é muito ruim, como observaram ministros do Supremo, eis que não se podem perder de vista as manifestações recentes de apoiadores bolsonaristas pedindo a volta da ditadura, com a participação planejada e ativa daquele que, conforme escrito nas faixas exibidas, seria o comandante do golpe na democracia. Assim sendo, o dossiê não é tão ingênuo quanto alegam seus defensores.

ABEL PIRES RODRIGUES

ABLROD@TERRA.COM.BR

RIO DE JANEIRO

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Dossiês antifascistas

Ser antifascista é um dever e uma obrigação. É um elogio o que o Ministério da Justiça está fazendo aos analisados nesses dossiês. Aliás, qualquer democrata que se preze, com certeza, é um antifascista!

ELISABETH B. BUNY

BETHBUNY@UOL.COM.BR

COTIA

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Finanças públicas

Salários e penduricalhos

A Câmara dos Deputados manteve o veto do presidente Jair Bolsonaro à possibilidade de reajustes salariais para todas as categorias de funcionários públicos até o final de 2021, incluídos os servidores da área da saúde, que se têm desdobrado neste período de pandemia. Muito justo, tendo em vista o baque econômico que sofremos, principalmente a iniciativa privada, que tem de lutar para que reerguer. E é importante que essa medida seja estendida aos três Poderes. Aliás, já passou da hora de equiparar os salários dos três Poderes. Se todos são servidores públicos, os vencimentos deveriam ser equivalentes em tudo, incluídas verbas indenizatórias, mordomias, planos de saúde...

MARÍLIA CUSTÓDIO SANTOS

MARYLMARILIA@YAHOO.COM

VITÓRIA (ES)

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Assim não dá

Conforme nos informa a mídia, há pelo menos 13 milhões de desempregados no Brasil. Mas no funcionalismo público ninguém perdeu a boca - nem os concursados, nem os que conseguiram a vaga por QI. Aliás, nem deveriam existir cargos públicos ocupados por "indicados" - e outros criados para parentes, amigos e amigas, rachadinhas -, mas tão somente por concursados. Além dos altíssimos salários e adendos, eles ainda custam aluguéis de escritórios desnecessários, carros, combustível, manutenção, motoristas... Vamos mudar isso com urgência!

MARIO A. DENTE

ETICOTOTAL@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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O privilégio do seu voto

Ao longo da minha vida adulta tenho combatido os privilégios que algumas classes sociais ou profissionais têm e são consideradas "normais" e/ou "meritórias" até mesmo pelos mais desfavorecidos. Exemplo desses privilégios abusivos são as aposentadorias compulsórias com vencimentos de juízes que cometem delitos ou infrações à Lei Orgânica da Magistratura e a passagem para a reserva, com promoção, de militares que muitas vezes tentaram e atentaram contra a própria corporação ou contra a sociedade que os mantém. Além de os sustentarmos até a morte, ainda, por vezes, os elegemos para o Legislativo e o Executivo, onde muitos acabam por continuar a depredar o dinheiro público. Na iniciativa privada, ao cometer alguma infração ou um delito o empregado é despedido por justa causa, perde o direito ao saque do FGTS, ao seguro-desemprego e ainda está sujeito a sanções nas esferas cível e penal. Está na hora de o cidadão brasileiro acordar e acabar com a manutenção desses privilégios aviltantes, que consomem indevidamente o dinheiro dos brasileiros. A hora do "você sabe com quem está falando" é agora. É hora de o eleitor falar! Em novembro escolha seu representante de modo que ele efetivamente o represente, dê a alguém igual a você o privilégio do seu voto.

VALDOMIRO TRENTO

VALDOMIROTRENTO@HOTMAIL.COM

SANTOS

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Nação refém

O Brasil só começará a sair do Terceiro Mundo e caminhar para o Primeiro quando a casta do funcionalismo público começar a perder os seus privilégios e deixar de reter o País como seu refém.

ELY WEINSTEIN

ELYW@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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REAJUSTE SALARIAL NÃO

Após o Senado Federal aprovar o reajuste a servidores públicos (18/8), felizmente a Câmara dos Deputados - por 316 votos a favor e 165 contra -, sob o comando de Rodrigo Maia, manteve o veto do presidente Bolsonaro ao ajuste dos funcionários públicos, pois as despesas poderiam alcançar aproximadamente R$ 100 bilhões, diante da pandemia do coronavírus que assola o País. E mais: a sociedade brasileira assina embaixo da afirmação do ministro da Economia, Paulo Guedes. 

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Cam

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CRIME CONTRA A NAÇÃO

Como disse o ministro Paulo Guedes, reajuste para o funcionalismo neste momento seria um crime contra a Nação!

Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas

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ESQUEMAS

Para o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, realmente não existe o toma lá dá cá, e sim o dá cá toma lá. Será que o Senado estava querendo entrar neste esquema, e por isso derrubou o veto presidencial? Caíram do cavalo os senadores e ficaram mal com os eleitores conscientes da importância do teto dos gastos!

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

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TRISTE

O mais triste de ser brasileiro não é por causa dos problemas, que todos têm, mas é por causa da estatura de nossos homens públicos, pois nossos políticos, de tão baixa estatura, jamais se mostram à altura de verdadeiros estadistas, de legítimos patriotas e de ilibados e solidários missionários. São, quase todos, representantes de si mesmos, de suas famílias e amigos e de suas limitações morais.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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RESPEITO ÀS LEIS

 

O presidente Jair Bolsonaro, há mais de 20 meses no governo e com 27 anos vividos no Legislativo, como deputado federal, sabe que "lei não é o malido da lainha", como diria Hortelino Troca Letra, mas norma cogente e que precisa ser obedecida. Temos a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei do Teto de Gastos, devendo ambas ser cumpridas, porquanto delas depende a sobrevivência do Estado de forma adequada dentro do espaço econômico que lhe cabe. Alterar etapas ou criar subterfúgios no orçamento não são remédios satisfatórios para a consecução de objetivos do governo.

 

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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ORÇAMENTO ÀS ESCONDIDAS

Correto o editorial do Estado com título Orçamento sem truques (20/8, A3), quando diz que "não há outra explicação para o suspense em torno da proposta orçamentária" para 2021. A não ser que Jair Bolsonaro ache que governar dentro da lei é complicado... Mesmo porque, nos seus 20 meses de mandato, por várias vezes Bolsonaro tentou apresentar projetos fora das regras constitucionais, e se deu mal. Ora, se o Planalto será obrigado pela lei vigente a entregar o Orçamento de 2021 até o final deste mês, melhor seria para o governo ser transparente. E oferecer detalhes desta importante peça para que especialistas em contas públicas pudessem, inclusive, ajudar, por meio de um debate saudável e de alto nível. Como cita o jornal, o governo deveria responder com clareza a algumas questões importantes: como se cuidará do teto dos gastos? Como ficará o ajuste das contas públicas? Será suprimida a Lei de Responsabilidade Fiscal? O Planalto não pode preparar uma peça tão importante, como é o Orçamento da União, como se fosse uma questão secreta, ou fazê-lo às escondidas... Governar é, também, dar satisfação aos 212 milhões de brasileiros.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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'A POLÍTICA É DINÂMICA'

Sobre o artigo Nadando de braçada, de Zeina Latif (Estado, 20/8, B4), no final do ano, o auxílio emergencial vai ser reduzido & acabar. Eu espero que a aprovação do presidente Bolsonaro (hoje em 37% ótimo/bom) caia para um dígito em 2021. É como ele mesmo diz: "A política é dinâmica"...

Sérgio C. Rosa  sergiorosa@uol.com.br

Belo Horizonte 

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JAIR PAGODINHO

"A coisa não sai do jeito que eu quero também não me desespero... aos trancos e barrancos lá vou eu... Deixa a 'pesquisa' me levar ('pesquisa leva eu')."

Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo

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ELEITORES

E o Nordeste, que até ontem idolatrava cegamente o "padim Ciço" Lula, principalmente por causa do Bolsa Família, passou a venerar e acender vela nova para o coroné Jair Bolsonaro, depois que a providencial assistência financeira em decorrência da covid-19 passou a entrar em seu bolso. Parodiando o líder chinês Deng Xiaoping, cabe dizer que não importa o nome nem a cara do santo, desde que atenda aos pedidos e preces de seus fiéis. Sem querer polemizar, muitos eleitores agem como as prostitutas: deitam-se com quem paga o que pedem.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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O VENTO LEVOU

Enquanto ouço a discussão referente ao novo valor do auxílio emergencial, que o governo federal estuda, vem-me à mente a época em que eu trabalhava numa transportadora de valores. Numa estrega que faríamos no interior do Estado de São Paulo, o carro-forte veio a capotar, e, além de dois colegas feridos - e um deles faleceu no dia seguinte -, eu fiquei com várias fraturas pelo corpo e perdi quase todos os músculos do antebraço esquerdo, perda de clavícula. Após ficar por vários meses no hospital, quando melhorei, passei pela perícia do INSS, onde o perito me concedeu 90% do salário mínimo afirmando que aquele auxílio acidente eu receberia pelo resto de minha vida. Após recebê-lo por 40 anos, para minha surpresa, recebi uma carta daquele órgão me informando que aquele benefício não mais me seria concedido, e de fato faz seis meses que deixei de recebê-lo. Hoje, só não estou vivendo na rua da amargura porque, mesmo com o braço esquerdo inválido, ainda trabalhei na mesma firma por mais 29 anos e hoje recebo uma aposentadoria relativamente alta, porém meu auxílio acidente, que era um direito adquirido, o vento levou. Como é sabido que a lei não assiste os que dormem, eu viajei para a capital paulista e coloquei uma advogada previdenciária para rentar reverter esse impasse.

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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PARA NOSSO BRASIL NÃO MORRER

 

Para o Brasil não soçobrar numa vala de pobreza e mortes - uma sociedade e um país simplesmente inviáveis - tudo está nas mãos dos menos de 10% que empalmam todas as nossas riquezas. Saber renunciar ao patrimonialismo, ao egoísmo, à cultura patriarcal, que já não têm lugar neste século, para combater inimigos comuns avassaladores, como o vírus que, quando demanda uma hospedagem necessária à sua sobrevivência, não distingue entre hospedar-se numa rústica e mal arrumada pensão ou num resort, e a miséria igualmente mortífera. Por meio da superação da abismal desigualdade. Nesse sentido, paradoxalmente, à custa de infames mortes, a crise poderá ser educativa. Tudo depende de uma mudança de paradigmas, mas que deve partir dos poucos endinheirados, porque a imensa maioria sobrevivente de R$ 600,00 mensais como esmola não pensa em mudar coisa alguma, a não ser subir o óbulo para R$ 700,00 e passar o dia inteiro numa triste madraçaria de casebres e vida deplorável que consideram "experta".

 

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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PALANQUE & PRESIDÊNCIA

Bolsonaro já está em plena campanha eleitoral. Nada aprendeu. E esqueceu o que não sabia. Não tem a menor noção da responsabilidade institucional do cargo que ocupa. A Presidência não PODE (!) ser "palanquisada". Assim que um presidente é eleito, e ciente das reais necessidades da Nação, ele DEVE (!) estar à altura da função, ACIMA (!) disso que um Congresso de espertalhões chama de "política"...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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NÃO HÁ MAIS TEMPO

O cenário político para 2022 já está com duas bases definidas nos extremos, e não há mais tempo para o surgimento de um "terrível" líder, ainda desconhecido, que possa arrastar os votos dos que não desejam uma repetição desastrosa de 2018. A única alternativa ainda possível, é uma imediata união (não há tempo a perder!) encabeçada pelos mais renomados e até agora não políticos Luciano Huck e Sergio Moro, numa chapa única, aberta a todos os partidos e políticos desejosos de um Brasil livre da comprovada incompetência dos extremos. Essa união é a única esperança que nos resta.

Luiz Antonio Ribeiro Pinto brasilcat@uol.com.br

Ribeirão Preto

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PESQUISAS

Em seu texto de sexta-feira (A escolha dos pobres, 21/8, A2), Fernando Gabeira coloca certas questões importantes. Diz que a divulgação da pesquisa com aumento da popularidade de Bolsonaro não deveria surpreender, mas será sustentável? E faz análises corretas em pontos sociais importantes - educação, saúde e saneamento básico, que de longe, entre outras necessidades, afetam há muitos anos a vida dos mais pobres. Então o atual governo está conseguindo satisfazer essas necessidades? Evidente que até o momento não. Como informa Gabeira, Bolsonaro capitalizou o auxílio emergencial e até a negação da pandemia (47%). Sim, como, em comparação feliz, J. R. Guzzo em artigo pregresso referiu: estamos na arquibancada xingando o juiz, mas não mudamos o resultado do jogo. Na minha opinião, isso só acontecerá se uma oposição - se é que a temos - sair do discurso nós x eles ou esquerda x direita. Que venha com um programa de governo para os problemas acima mencionados, as tão esperadas reformas política, administrativa e outras. Que surja um estadista com visão de povo, não populista, que combata e persiga cegamente a imensa e histórica desigualdade social, que, aliás, a covid-19 mostrou tão escancaradamente. Que não seja dono de partido, que volte a morar na sua mesma casa ao terminar seu mandato, perceba que é o cargo servidor público mais importante, portanto sirva ao povo e se volte aos mais desiguais, não com promessas, e sim com ações. Vamos procurar, nem que seja com uma lanterna, e lutarmos para achá-lo. Se não? Continuaremos na arquibancada.

Cláudio Baptista clabap45@gmail.com

São Paulo

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O QUE O BRASIL ESPERA

O Brasil não espera nada de seus governantes, vivemos no império da ignorância, o País está há décadas sendo governado por pessoas completamente despreparadas e desqualificadas para governar a Nação. Lula sempre se orgulhou de ser um ignorante, sem estudo, semianalfabeto, foi eleito e reeleito líder máximo do País, deu no que deu. Dilma Rousseff participou de sequestros e assaltos a bancos, tinha antecedentes criminais gravíssimos que deveriam mantê-la bem longe dos cofres públicos, foi eleita e reeleita "presidenta" da República, deu no que deu. Jair Bolsonaro foi um péssimo militar, teve problemas gravíssimos de indisciplina, foi preso várias vezes no Exército, como deputado representou tudo o que há de pior na política brasileira, nunca fez nada de relevante na vida pública, roubou dinheiro público e ensinou os filhos a roubar também, sempre usando o patético esquema das rachadinhas. Uma vez eleito presidente da República, Bolsonaro tem se dedicado com afinco a destruir o País, literalmente. Nunca se desmatou e queimou tanta floresta como na gestão Bolsonaro, um entusiasta da ilegalidade, defensor ferrenho dos madeireiros e grileiros ilegais, um verdadeiro apaixonado pela mineração ilegal que está destruindo a Amazônia. Bolsonaro governa o País como se fosse o chefe da milícia carioca, ama a ilegalidade e esse amor é plenamente correspondido pelo crime organizado em todas as suas facetas.  Difícil saber o que o Brasil pretende elegendo elementos como Lula, Dilma e Bolsonaro. Certamente o País não almeja sair do Terceiro Mundo nem se desenvolver, parece que o País adora viver esta vida bandida, como a mulher que gosta de apanhar do marido, não vive sem as surras do canalha e morreria de tédio num casamento amoroso.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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UM GOVERNO ESTRAMBÓLICO

Desde o seu início, uma das características mais marcantes do governo Bolsonaro é que ele é estrambólico. Quando pensamos que o seu reportório se esgotou, ele sempre nos surpreende, das maneiras mais insólitas. Está sendo assim com o aumento criminoso dos desmatamentos e dos incêndios florestais. Agora, não só na Amazônia, como no Pantanal. À medida que as pressões internas e externas aumentam, ou acena com providências inúteis ou o presidente declara simplesmente que a Amazônia está preservada. Contudo, na ocasião da elaboração do Orçamento para 2021, o governo Bolsonaro desandou de vez, mostrando que ainda está preso à realidade do século passado. Vem ignorando teimosamente, na contramão dos demais países, a realidade do aquecimento global, a importância da preservação ambiental, a precariedade da nossa Educação e, pasmem, a pandemia que afeta todo o planeta e que já matou mais de 100 mil brasileiros. Diante de um cenário tão catastrófico, o governo quer priorizar verbas para a Defesa, em detrimento da Saúde e da Educação. Acompanho as notícias sobre o nosso país atentamente e sei que as nossas Forças Armadas estão defasadas em seus equipamentos. Faz-se necessário não só a sua modernização, como a ampliação dos aviões da Força Aérea, assim como as armas e os equipamentos do Exército e da Marinha. Entretanto, estamos numa situação anômala, em decorrência da pandemia. A Educação, seriamente prejudicada este ano, com um ano letivo praticamente perdido, terá de procurar recuperar-se no exercício seguinte, dentro do possível. A Saúde, sobrecarregada, ainda deverá enfrentar, no próximo ano, despesas extras para continuar combatendo a pandemia, principalmente com a obtenção da vacina específica. Agora, o governo pretende ainda adiar para mais um ano o Censo do IBGE, para desviar o dinheiro da pesquisa para a Defesa. Somente um governo que já demonstrou claramente que planejamento não é algo que conheça de perto poderia ter ideias tão absurdas. O planejamento, feito a partir dos dados obtidos pelo recenseamento, é fundamental para as três esferas de governo. Nós nem estamos sendo ameaçados por alguma nação e muito menos em guerra, para tamanha volúpia por verbas avantajadas para a Defesa.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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AMAZÔNIA

Quando o vice-presidente que é um dos responsáveis pela defesa da Amazônia faz um convite ao ator Leonardo Di Caprio para que ande com ele por oito horas pelas selva amazônica, sabemos que não tem outro argumento útil para a devastação da floresta. 

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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O CAPITÃO

Nós, que estamos tentando engolir a votação que fizemos em 2018, com a qual (para evitar o PT) consagramos o senhor capitão (oficial subalterno ou intermediário) Bolsonaro, temos de fazer algumas considerações sobre a qualidade das ordens que um subalterno pode exarar, que são quase que só operacionais. É conveniente lembrar que sua posição hierárquica (capitão) só estava afeita profissionalmente a dar ordens simples e seus inúmeros desacertos podem em parte ser creditados a este noviciado no universo de dar ordens acima de sua categoria. A nomeação do chanceler subserviente aos norte-americanos é um bom exemplo disso. Agora, que voltou a escancarar a sua ligação com o Centrão, ficamos no limite do arrependimento. Força, Bolsonaro, ainda temos alguma esperança em você.

  

Tarcisio de B. Bandeira tarcisiobbandeira@gmail.com

São Paulo

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JUSTIÇA

Mark David, assassino de John Lennon, está na cadeia há 39 anos, e teve agora, pela 10.ª vez, sua prisão preventiva negada. Nos EUA é assim que funciona, não tem ministros para proteger bandidos.

Carlos E. Barros Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo

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PANDEMIA

Na semana passada perdi minha filha mais velha e não foi por nenhuma morbidade de origem chinesa. Diante dessa dor sem limites, algo me chamou a atenção: como as pessoas estão contaminadas pela ideia de que morrer atualmente é ser infectado pela covid-19. Fico me perguntando quem será o responsável por isso.

Francisco José Sidoti  fransidoti@gmail.com

São Paulo

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