Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S. Paulo

30 de agosto de 2020 | 03h00

CHANTAGEM

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, depois de servir ao governo tucano em São Paulo com algum rigor administrativo e eficiência, acredito eu, acabou encontrando no projeto bolsonarista a sua verdadeira razão de viver. Encantou-se com a possibilidade de fazer do meio ambiente e da defesa das nossas florestas uma terra arrasada. Vestiu como poucos o figurino bolsonarista: empunhando a bandeira do atraso, não hesitou em inibir e desautorizar os fiscais do Ibama e do Instituto Chico Mendes. Priorizou o diálogo com madeireiros, invasores de reservas indígenas, garimpeiros e outros tantos malfeitores que insistem em destruir nossas reservas legais. Nisso foi incentivado, elogiado e reconhecido, personificando o modelo bolsonarista de intervir no meio ambiente. Com a destruição de nossas matas e a situação sem controle diante da ausência de fiscalização, outra coisa não se poderia esperar senão a reprimenda da opinião pública e de parceiros comerciais do exterior. Na iminência de ver suas commodities vetadas por compradores internacionais – estes defensores da preservação ambiental –, o governo federal sinalizou com a criação do Pacto Amazônico e entregou sua coordenação ao estamento militar, por intermédio do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão. Evidentemente, como esse movimento, também esvaziou e tolheu a atuação do ministro Salles. O jovem ambicioso e voluntarioso, sentindo-se, nessa altura, peça indispensável para o projeto bolsonarista para a ocupação desenfreada da Amazônia, não se sentiu confortável com esse alijamento. E, num gesto até certo ponto temerário, emitiu destemperada nota sobre contingenciamento expressivo nos recursos dos principais órgãos de defesa ambiental do seu ministério e informando que, por isso, estava suspendendo todas as operações de combate a incêndios na área amazônica e do pantanal mato-grossense. O alarido foi geral, tanto dos defensores do meio ambiente como do agronegócio e do comércio exterior. Evidente que se tratava de uma violação de assunto estratégico do governo – nitidamente, uma chantagem –, já que o assunto ainda não havia alcançado as áreas decisórias. Diante da repercussão negativa, coube ao vice-presidente Mourão vir a público e desanuviar o ambiente esclarecendo que não haveria contingenciamento nos orçamentos do Ibama e do ICMBio e que o ministro Salles havia se precipitado com sua nota e, por certo, provocado desnecessária comoção na área ambiental. Não custa lembrar um ensinamento antigo: “se dormir com criança, você pode acordar molhado”. Não é, ministro?

Noel Gonçalves Cerqueira 

noelcerqueira@gmail.com

Jacarezinho (PR)

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O FIM DO MEIO AMBIENTE

O presidente Jair Bolsonaro sempre quis acabar com o Ministério do Meio Ambiente, transformou a pasta num puxadinho da bancada ruralista ao nomear Ricardo Salles ministro. A gritaria generalizada obrigou Bolsonaro a retroceder em algumas iniciativas para acabar com o meio ambiente. Ele teve de fingir que combate o desmatamento e as queimadas, quando, na verdade, Bolsonaro quer ver a Amazônia livre do “mato” pronta para receber as plantações de soja. O último lance do governo foi acabar com o dinheiro destinado ao combate ao fogo e ao desmatamento. O ministro Ricardo Salles reagiu e chegou a suspender completamente qualquer ação de preservação ambiental no meio da pior temporada de queimadas de todas. O ministro, assim como Bolsonaro, quer acabar com a floresta, mas não quer abrir mão das verbas, que não são usadas para combater o desmatamento. O recado não poderia ser mais claro para todos os criminosos da floresta: queimem, desmatem, ninguém será punido, ninguém será multado, queimem e a terra será de vocês. Não se ouve um pio em defesa da Amazônia, nem dos militares, nem da oposição. As ONGs ambientalistas já foram carimbadas como corruptas e acusadas sem provas de serem responsáveis pelas queimadas para arrecadar verbas. Apesar de alguns contratempos, Bolsonaro e Salles caminham para alcançar o objetivo de destruir a Amazônia, o Pantanal e o Cerrado.

Mário Barilá Filho 

mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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INSUSTENTÁVEL NO CARGO

O anúncio do ministrinho do Meio Ambiente, Ricardo Salles, da paralisação das operações do Ibama e do Instituto Chico Mendes na Amazônia e no Pantanal é a prova de que este homenzinho foi convidado para exercer este cargo por ser um serzinho que não tem nenhum interesse na proteção, conservação e muito menos na criação de políticas ambientais que protejam nossos biomas. É ridículo que ele ainda continue neste cargo, pois as suas atitudes são somente para prejudicar o nosso Brasil perante a comunidade mundial e, principalmente, prejudicando milhões de brasileiros que dependem destes recursos naturais de forma legal, demonstrando cada vez mais que as medidas impostas são para proteger aqueles que agem de forma ilegal, desmatando, incendiando a fauna, a flora e prejudicando indígenas, ribeirinhos e ambientalistas. Enfim, é uma pessoinha que não serve para nada, além de causar danos para todos nós, brasileiros, e para o nosso Brasil.

Darci Trabachin de Barros 

darci.trabachin@gmail.com

Limeira

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AFASTAMENTOS

“O Rio está pegando hoje”, diz Bolsonaro após afastamento de Witzel (Estado, 28/8). “O Brasil está pegando hoje”, direi eu após afastamento de Bolsonaro.

Cláudio Moschella 

arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo

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O AFASTAMENTO DE WILSON WITZEL

O governador Wilson Witzel foi afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). É o 6.º governador do Estado do Rio de Janeiro investigado. Este, por desvios em contratos emergenciais na Saúde em razão da pandemia de covid-19. Segundo procuradores, o escritório da primeira-dama, Helena Witzel, recebeu R$ 554 mil. Pois é. E os jornazistas preocupados com R$ 89 mil depositados na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro por Fabrício Queiroz. Não que isso não deva ser explicado, mas o tratamento e o comportamento dos jornazistas diante dos assuntos são bem mais light para o escritório da primeira-dama Helena Witzel.

Panayotis Poulis 

ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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PRIMEIRAS-DAMAS NA BERLINDA

R$ 554 mil da primeira-dama do Rio, R$ 89 mil da primeira-dama do Brasil. Qual das duas é mais pilantra?

Robert Haller 

robelisa1@terra.com.br

São Paulo

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POBRE RIO DE JANEIRO!

Pobre Rio de Janeiro! Por decisão do STJ, em razão de supostos desvios da Saúde do Estado e de outros malfeitos, o governador Wilson Witzel (PSC) foi afastado do cargo por 180 dias, a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão contra sua esposa, Helena Witzel, contra o vice-governador Claudio Castro (PSC), contra o desembargador Marcos Pinto da Cruz, contra o presidente da Alerj, André Ceciliano (PDT), entre outros marginais da lei, e também mandados de prisão do Pastor Everaldo, presidente nacional do PSC, de Lucas Tristão, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Witzel, e outros. Sabendo que quem sabe faz a hora, na mesma vibe, o povo quer saber: quando a PF chegará ao STF? Quem ordenará? Pobre Brasil!

Celso David de Oliveira 

david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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GOVERNO WITZEL

Teoricamente, Wilson Witzel tinha tudo para fazer um bom governo. Sendo juiz, esperava dar um jeito na corrupção generalizada que tomou conta do Rio de Janeiro, além de estabelecer a lei, a ordem, e a justiça. Deu no que deu! A pergunta é: por que o casal fez isso? Pressa para criar caixa 2 para a próxima eleição presidencial? No Rio de Janeiro não é possível fazer governo honesto, sem corrupção, violência, e convivo com o crime organizado? A última hipótese é assustadora, porque tal situação aplica-se, em menor ou maior grau, para o resto dos Estados da Federação. Estamos perdidos!

Omar El Seoud 

elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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CORRUPÇÃO NO RIO DE JANEIRO

Edmar Santos, que foi secretário da Saúde e perdeu seu cargo no governo Witzel, soube fazer tudo direitinho com relação aos contratos firmados contra a covid-19. Tinha nomes de seus participantes e sabia do envolvimento de cada um que dele se aproximou. Exonerado do cargo, Witzel tentou segurá-lo no seu governo nomeando-o secretário extraordinário das Ações Governamentais Integradas da Covid-19. Durou pouco no cargo, diante da visibilidade de suas falcatruas, Edmar pegou o boné. Mas a coisa não parou por aí. Convencido a fazer delação premiada, o homem de confiança de Witzel contou o que sabia. O surpreendente, um homem com um currículo respeitável, aparentemente, é chamado de canalha e vagabundo pelo ex-chefe.  Os fatos não deixam dúvidas. Resta saber como a Justiça vai se comportar. E se os cariocas terão seu dinheiro de volta.

Izabel Avallone 

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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BRIGA DE GALOS

A procuradora Lindôra mirou na cabeçona de Witzel e... fogo! Direita furiosa do clã federal versus direita furibunda carioca é briga de galos de rinha de compadres arruaceiros.

Paulo Sergio Arisi 

paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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UTI

Triste a situação do povo carioca, o Estado mais parece um cidadão que está na UTI e não consegue sair. Lamentável.

Eduardo Cavalcante da Silva 

cavalcante_1000@hotmail.com

São Paulo

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INTERVENÇÃO

Ninguém em sã consciência pode ser contra uma nova intervenção federal no Rio de Janeiro. Passou da hora de tirar a outrora cidade maravilhosa federal do medonho e humilhante descalabro da bandidagem e do câncer da avassaladora corrupção.  A população não pode permanecer refém do medo e da insegurança. Não se trata de politização, mas de bom senso. O combate aos barões das drogas é o ponto de partida. São os donos da desgraça que destrói famílias. É necessário enfraquecer e encurralar a indústria do crime.

Vicente Limongi Netto 

limonginetto@hotmail.com

Brasília

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O PERIGO DO VOTO ERRADO

O povo fluminense não sabe escolher o seu governador. Os eleitores colocaram no poder Witzel, Cabral, Garotinho, Rosinha, Pezão e tantos outros políticos corruptos, que deixaram a economia do Estado totalmente em frangalhos. Falta saneamento básico em todo o Estado e sobra pobreza. Rio de Janeiro, a capital, está largada nas mãos dos bandidos há décadas. A situação se agrava a cada dia, pois os hospitais públicos não têm recursos para se manter e as escolas também não. Enquanto isso, as autoridades colocam em seus bolsos o dinheiro da merenda escolar, dos medicamentos e equipamentos hospitalares. Quando é que o povo vai se cansar e aprender a votar com seriedade e responsabilidade?

José Carlos Saraiva da Costa 

jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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FOTOGRAFIA CARIOCA

A bandidagem não se faz presente apenas nas favelas e “comunidades”. Complacente, conivente, cooptado e beneficiário da corrupção, o poder institucional, em todas as esferas legais, induz pelo exemplo o apodrecimento do tecido social e o solapamento da frágil democracia, enquanto uma já debilitada nação agoniza na sarjeta, exaurida por irresponsabilidade e incompetência administrativas, malversação do dinheiro público, impunidade recursal infinita e privilégios inconfessáveis dos “direitos adquiridos”. É o tal “Estado Democrático de Direito”, onde “todas as instituições estão funcionando normalmente”. A realidade cotidiana brasileira é cuspida e escarrada em triste e melancólica rima. O Rio é o retrato do Brasil. Foto para documento. Tamanho 3x4. Branco e preto. Sem retoques...

A.Fernandes 

standyball@hotmail.com

São Paulo

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A SUSPEIÇÃO DE SERGIO MORO

Então, a facção criminosa questiona a parcialidade do juiz Sergio Moro nos processos que envolvem o maior ladrão da nossa história. Por outro lado, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, desafeto público do juiz Moro, e Ricardo Lewandowski, ex-advogado da facção, julgarão, pasmem, a parcialidade do juiz Moro, sem que tal fato constitua uma suspeita. É isso mesmo que eu entendi ou eu estou enganado? Não consigo imaginar o contorcionismo que o STF terá de fazer para buscar filigranas jurídicas para anular os crimes cometidos pelo biltre de São Bernardo.

Moacyr Rodrigues Nogueira 

Moaca14@hotmail.com

Salvador

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‘LULA LIVRE’

Quando do julgamento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro no caso da condenação do ex-presidente Lula no caso do tríplex, em três instâncias, proponho que a reunião da segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF) seja sem gravação de vídeo. Não dá mais para aguentar as ridículas justificativas dos ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Nem os advogados de Lula conseguem tanto. Uma vergonha para a Nação.

Luiz Frid 

luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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A SEGUNDA TURMA

A parte sadia da sociedade brasileira precisa se mobilizar com urgência contra as manobras da chamada segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF), atualmente composta por quatro ministros, número par que pode gerar, como se sabe, empates favorecedores a quem interpõe recurso contra acusações legalmente formuladas em outros âmbitos jurídicos. Com isso, dois deles, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, longe de estarem fazendo justiça, mas, ao contrário, sistematicamente praticando militância política, atuam em favor de condenados pela Operação Lava Jato e certamente destruirão o trabalho laboriosamente por ela edificado ao longo de anos de trabalho, no combate à alta corrupção. Emitem pareceres em cascata que resultam em anulações de delações já homologadas, além de, entre outros descalabros, confirmar suspeições em relação a sentenças legalmente exaradas, como a imposta, por exemplo, ao sr. Lula da Silva, o corrupto mais icônico da História contemporânea. Ou a população desperta e reage imediatamente contra a gravidade do que está sendo fermentado debaixo das togas, ou o Brasil e seu arcabouço legal, mergulhados no lodaçal da impunidade, serão alvos de velada chacota por parte das Cortes supremas mundo afora.

Paulo Roberto Gotaç 

pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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ELEIÇÃO NOS EUA

Ainda que de forma suave, o editorial Dois candidatos, muitas diferenças (29/8, A3) realça que, se fosse lógica, a escolha entre Joe Biden e Donald Trump não teria mistérios. Um trata a democracia com algumas imperfeições, é certo, mas o republicano a maltrata desavergonhadamente. Tal qual em nossa eleição de 2018, são duas candidaturas opostas, mas a decisão do eleitor não segue necessariamente essa lógica, ainda mais influenciada pelas mentiras do lado mais sombrio, como foi aqui com o beneplácito da Justiça e da imprensa. O resultado da sucessão de Trump sem dúvida será muito importante também para o Brasil e o resto do mundo, quiçá com uma retomada de uma visão mais globalista e multilateral das discussões sobre a humanidade.

Adilson Roberto Gonçalves 

prodomoarg@gmail.com

Campinas

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LUIZ CARLOS MESQUITA

Com efeito, o cinquentenário do precoce passamento do jornalista Luiz Carlos Mesquita, o “Carlão”, não poderia ter uma homenagem mais delicada e à altura de sua nobre figura do que o irretocável e primoroso artigo de Arnaldo Pedroso D’Horta, de 9/9/1970, novamente publicado (Estado, 29/8, A18).

J. S. Decol 

decoljs@gmail.com

São Paulo

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CARLÃO MESQUITA

Nos 50 anos da passagem do Carlão Mesquita, definitivamente estamos convencidos de que “já não se fazem mais homens como antigamente”!

Francisco José Sidoti

fransidoti@gmail.com

São Paulo

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