Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2020 | 03h00

Finanças públicas

Déficit prolongado

Agora é oficial: o Brasil quebrou. Porque prever que o País ainda terá 13 anos de déficit fiscal, como noticiou o Estadão de ontem, é o mesmo que dizer que o Brasil quebrou. É mais do que sabido que a verdadeira herança maldita, aquela deixada pelo PT, de um Estado hiperinflado, é de lenta e difícil reversão. Essa é a mensagem subliminar do Orçamento que o governo acaba de enviar ao Congresso. Mas uma parte importante desse rombo poderia ser coberta com a venda de imóveis sem nenhum valor para o Estado e cuja avaliação é superior a R$ 1 trilhão. Note-se que eu não disse empresas estatais, mas imóveis. As estatais deveriam todas ir também e a lógica (rasa) é simples. A venda de imóveis traria recursos para o Estado e a venda das estatais estancaria uma das várias sangrias dos cofres públicos. Mas por ora seguimos com a política do possível. É isso ou quebramos. E quando esse momento chegar, teremos duas escolhas: virar uma Venezuela ou vender esses mesmos ativos do governo a preço de banana. Será, então, que não é melhor fazer isso agora? Procura-se um estadista.

OSCAR THOMPSON

OSCARTHOMPSON@HOTMAIL.COM

SANTANA DE PARNAÍBA

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Tudo pelo poder

Fala-se de bilhões destinados a despesas públicas sem se saber exatamente para quê ou por que razão. A imprensa informa que temos pouco dinheiro para investimento porque o grosso vai para pagamento da máquina pública. Ilógico. Mesmo assim, para o pouco também não parece haver plano algum. E os gastos continuam para garantir a manutenção do poder do governante da ocasião. Manietado, o cidadão fica à mercê de notícias do dia, de intenções, de estatísticas, sobre as quais não tem poder de ação. Uma frustração! Quando se pretende proclamar a República de fato neste país?

SERGIO HOLL LARA

JRMHOLL.IDT@TERRA.COM.BR

INDAIATUBA

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Gastança no Congresso

As verbas de custeio que servem para cobrir as despesas da atividade parlamentar, como gastos com combustíveis e lubrificantes, alimentação, hospedagem, locação de aeronaves e veículos, reembolsos de viagens aéreas, foram usadas normalmente pelos 513 deputados em plena pandemia e com a Câmara realizando sessões e votações online. Cada deputado dispõe de R$ 45,6 mil mensais para cobrir esses gastos. O deputado conhecido como Boca Aberta (Pros-PR), de abril a maio, até para justificar seu apelido, gastou a “insignificância” de R$ 133.487,76 de dinheiro público, enquanto milhões de brasileiros subsistiam com os R$ 600 “doados” pelo governo. É a exorbitante diferença social e a farra com dinheiro público.

J. A. MULLER

JOSEALCIDESMULLER@HOTMAIL.COM

AVARÉ

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Insensibilidade

Estarrece saber que o ministro Dias Toffoli determinou a conversão em dinheiro de um terço dos esplendorosos 60 dias de férias dos juízes federais. É muita insensibilidade diante de uma população desassistida, que não pode nem contar com creches para seus filhos enquanto no setor público, sem o menor constrangimento, encontramos privilegiados abiscoitando “salário creche”, apesar de terem ganhos mensais superiores a R$ 30 mil. Uma vergonha!

JOMAR AVENA BARBOSA

JOAVENA@TERRA.COM.BR

RIO DE JANEIRO

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Inflação real

Embora oficialmente a inflação no Brasil esteja controlada, nos supermercados e feiras livres a situação é completamente inversa. Quem frequenta esses locais sabe muito bem do que estou falando. Jamais se viu uma alta de preços nos produtos como agora, durante a pandemia. O arroz chegou a subir incríveis 90%; laticínios, 70%; óleos vegetais, 70%; produtos de higiene e limpeza, 60%. E assim por diante. Como explicar tais aumentos abusivos em tempos de inflação baixa? Por que não se comenta isso?

ELIAS SKAF

ESKAF@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Corrupção

Fim da Lava Jato

Triste a notícia da saída do dr. Deltan Dallagnol da Lava Jato. Encerra-se aquela que foi provavelmente a mais relevante e brilhante atuação da nossa combalida “Justiça”. A nós só resta dizer: parabéns, bandidos e corruptos, vocês venceram de novo. Para os cidadãos honestos, de bem, pagadores dos impostos mais escorchantes do mundo, com retorno zero, resta seguir vivendo neste Absurdistão.

PAULO SÉRGIO PECCHIO GONÇALVES

PPECCHIO@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Enrolado na rachadinha

R$ 7,2 milhões foram sacados por 24 funcionários de Flávio Bolsonaro, o equivalente a 60% de seus salários. Os saques realizados por Fabrício Queiroz não estão incluídos nesse montante. Pelo visto, esses assessores eram funcionários fantasmas da Alerj. Flávio está enrolado até o pescoço no escândalo da rachadinha. Mas é protegido pelo foro privilegiado e pelo papai presidente. Mas ele que se lembre de Lincoln: você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas não todas as pessoas o tempo todo. Um dia a casa cai.

JOSÉ CARLOS SARAIVA DA COSTA

JCSDC@UOL.COM.BR

BELO HORIZONTE

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Mineração

Gestão de rejeitos

A direção do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) enaltece a posição do Estado quanto ao que se espera das mineradoras que atuam no Brasil, ou seja, que façam sua adesão voluntária ao recentemente lançado Padrão Global para a Gestão de Rejeitos. O editorial Brumadinho nunca mais (26/8, A3) reflete exatamente o que defende o Ibram, que faz questão de evidenciar a frase final do texto: “Não há tributo maior a ser rendido às vítimas de Brumadinho que impedir que qualquer outra pessoa padeça o mesmo destino”. O mesmo vale para as vítimas de Mariana e demais atingidos pelas duas tragédias.

FLÁVIO OTTONI PENIDO, diretor-presidente

IBRAM@IBRAM.ORG.BR

BRASÍLIA


A ARMADILHA DE DEIXAR MUITOS PARA TRÁS


Entramos no sexto mês da pandemia no Brasil, ou seja, passaram 150 dias – melhor, desperdiçamos 150 preciosos dias – quando poderíamos ter mudado a história deste país. Neste período, muito se falou em saídas para a macroeconomia e proteção aos mais pobres, mas praticamente nada se falou sobre ensiná-los a pescar. Mesmo antes da pandemia, no pós-desastre econômico deixado por Dilma Rousseff e o PT, já se dizia que a confusão demoraria entre dois e três anos na macroeconomia, caso fosse feito tudo certinho, mais uns 20 anos no geral, dadas as distorções sociais que temos, principalmente a educacional, que faz com que nossa produtividade no geral seja muito baixa. A catástrofe não decorre só de nossa péssima educação formal, a das escolas, mas da educação informal, a educação social, civilizatória, que vem e contém valores coletivos, os mais diversos e até antagônicos, que apontam para um norte comum ou aproximado, aquele que leva um povo à coesão social, a entender, aceitar e aplicar a velha sabedoria do “unidos venceremos”. Nada que ver com patriotismos, moralismos, determinismos baratos, mas com um ponto futuro melhor. Quase 70% da população brasileira não tem condição de esperar pela melhora macro; mais, são dignos, altivos, querem fazer seu próprio futuro porque mais uma vez sentem, com razão, que estão sendo largados para trás. Tem razões de sobra para não confiar mais nos responsáveis pelo macro e traçam o próprio caminho, os números não mentem. Mesmo que tenhamos desperdiçado seis meses, nunca é tarde para estender a mão para esta massa. Em qualquer situação de perda de controle, como a que esta pandemia expõe, é dever dos mais preparados estender a mão, segurar o outro com firmeza, pés firmes no chão, e trazê-los para a segurança um passo por vez. A carência é tão grande que um pequeno conhecimento passado com boa vontade e respeito faz muita diferença. Não é quanto dar, nem simplesmente dar, mas como dar autonomia. “Não ajuda, não quero que me levantem do chão, quero que me ensinem a ficar em pé e sair caminhando com minhas próprias pernas.” A baixa renda não é só uma armadilha que pode aprisionar toda uma geração na renda básica e deixá-la sem perspectiva de progresso, como diz o excelente editorial do Estado em 30/8 (A armadilha da renda baixa). É a derrocada de um país que comodamente só soube olhar para o macro esquecendo de dois terços da realidade. Que macroeconomia é esta?


Arturo Alcorta arturoalcorta@uol.com.br

São Paulo


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ASSIM CAMINHA O BRASIL


Com o pagamento do auxílio emergencial, o governo brasileiro passa a ser o maior empregador do mundo, sem carteira assinada, sem benefícios sociais e garantias fundamentais. Nenhuma atividade será exigida dos beneficiados, nem que fiquem em casa ou usem máscara. Não podem exigir nada, mas precisam lembrar o nome do patrão e dos aliados quando forem às urnas. Os que não precisam do abono devem ajudar os que precisam e, de preferência, ficarem quietos no seu canto.


Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo


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INTERESSES DISCUTÍVEIS


Incrível como o presidente Bolsonaro coloca sua força política para continuar com o auxílio emergencial por causa da covid-19, com forte apelo eleitoral, mas dedicação às reformas estruturais do País, nem pensar. Pobre Brasil...


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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‘PRIVILÉGIOS ADQUIRIDOS’


Ana Carla Abrão é uma das colunistas mais corajosas do Estadão. Seus artigos demonstrando como somos reféns do Estado, notadamente do alto funcionalismo, são fundamentais para compreendermos este gigantesco sumidouro da arrecadação de tributos, que, somado à ineficiência e à corrupção, deixa apenas migalhas para investimentos e melhoria dos serviços públicos.


Herman Mendes hermanmendes@bol.com.br

Blumenau (SC)


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REFORMA ADMINISTRATIVA


Parabéns pelo artigo Privilégios adquiridos. Lembrei-me de artigo recente do respeitadíssimo professor José Pastore: Reforma tributária sem reforma administrativa? (27/8, B6). Tenho 77 anos e alguma experiência de vida. Admiro a sra. Ana Carla Abrão. Este assunto é frequentemente “esquecido” pela imprensa. É uma pena.


Cesar Eduardo Jacob cesared30@gmail.com

São Paulo


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MOBILIZAÇÕES


Os exemplos de mobilização nos Estados Unidos e na Bielo-Rússia deveriam estimular no Brasil mobilizações por: desflorestamento zero já; reforma administrativa imediata (eliminação de municípios não sustentáveis, corte dos penduricalhos, redução do número de servidores e de seus vencimentos); trabalho na base da pirâmide social, quer dizer para os pobres e menos instruídos; reformas nas cidades, reflorestamentos, saneamento básico de imediato e construção de ferrovias em seguida; reforma política (voto distrital, redução do número de senadores, deputados e vereadores). Os cortes nas despesas financiariam as novas ocupações – empregos. O aumento na ocupação causaria aumento do consumo, da produção, da receita fiscal.


Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo


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SERVIDORES CONTRA A REFORMA


A bancada que representa os servidores públicos federais dá um péssimo exemplo ao País. Preocupados com manter privilégios – diga-se, desleais em relação aos trabalhadores do setor privado –, esses deputados se articulam para impedir a aprovação da reforma administrativa. Infelizmente, não o projeto do governo que promete há 12 meses, e se acovarda a entregar, mas o que já está na Câmara e cujo debate Rodrigo Maia deseja retomar. A reforma é vital para o País, tal qual foi a da Previdência. É lamentável, porque são servidores com boa formação escolar e os melhores salários do País, que mesmo assim desejam mandar às favas as contas públicas e a justiça social. Oxalá com a pressão indispensável da sociedade o Congresso, diferentemente do Planalto, tenha coragem de aprovar esta reforma administrativa. Será um grande avanço para o desenvolvimento da Nação.


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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PANDEMIA DE CORRUPÇÃO


Muitos servidores do Estado, nas três esferas (federal, estadual e municipal), assim como nos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), amparados por leis que eles mesmos criaram e votaram para se proteger, atuam em quadrilhas organizadas com o único fim de limpar os cofres públicos em beneficio próprio, de seus familiares e asseclas. As leis, revestidas de pompa e erudição, são coniventes e dúbias de forma a permitir interpretações esdrúxulas por juízes coniventes, protegendo o que seriam criminosos em qualquer democracia séria do mundo, mas aqui apenas “investigados” e permitindo que continuem exercendo seus crimes, digo, suas funções, até condenação em quarta instancia, por décadas até sua prescrição. Os raríssimos casos em que alguém é condenado ainda em vida não cumprem a pena pois recebem indulto ou algum tipo de benefício e nem devolvem o que foi surrupiado, condenando cidadãos de bem à morte e à pobreza, por falta de hospitais e escolas. Basta! Devemos mudar este paradigma. Inverter a lógica, especialmente para os mencionados acima. Não mais inocentes até prova em contrário, mas suspeitos diante de indícios sólidos. Deveriam perder imediatamente seus cargos, remuneração e benefícios até condenados em segunda instância, quando deveriam cumprir as penas em regime fechado, ou inocentados em quarta instancia. Perda dos direitos políticos perpetuamente. Todos os membros do bando deveriam estar sujeitos à pena mais dura aplicada a qualquer dos seus membros. Perdido algum prazo no processo, por manobras de advogados espertalhões, este não caduca, mas a condenação é automática. Com certeza isso é uma subversão dos princípios mais básicos do Direito e do Estado Democrático. Acredito, no entanto, que já não estamos vivendo numa democracia de fato, mas numa ditadura das quadrilhas, dos servidores dos mais altos cargos. Estamos vivendo numa democracia de faz de conta, onde se dá o voto (pão) e a justiça (circo) enquanto se assaltam os cofres do Tesouro. Estamos vivendo numa pandemia de corrupção generalizada. E, infelizmente, para debelar uma pandemia, algumas liberdades devem morrer provisoriamente. A alternativa é a pandemia matar o País, visto que as vacinas e os remédios tentados nas últimas décadas fracassaram todos e só fortaleceram o vírus.


Ely Weinstein elyw@terra.com.br

São Paulo


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O DEVIDO PROCESSO LEGAL


É mais do que óbvio que o devido processo legal deve ser seguido e obedecido por todos os que militam na Justiça, desde os magistrados, desembargadores, ministros e advogados até membros do Ministério Público, porque a nossa Carta Magna assim o determina. Escamoteá-lo ou passar por cima da Lei Maior não traz honrarias ao Poder Judiciário, especialmente. Daí que a decisão de afastamento do governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel, sem antes possibilitar-lhe a defesa, merece ser nulificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), caso não o faça o órgão especial (pleno) do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Será a forma de se determinar o respeito à Carta Magna.


José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro


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OS ‘GUARDIÕES DO CRIVELLA’


MP vai investigar Crivella por ‘guardiões’; opositores pedem impeachment e CPI (Estado, 1/9). Paga com dinheiro público, a ação do bispo Crivella e seus brucutus da fé nos hospitais do Rio de Janeiro não vale um dízimo furado...


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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TUDO DE RUIM


Tudo de ruim que acontece neste Brasil está ligado à família Bolsonaro. Vejam estes “guardiões do Crivella”. O prefeito do Rio de Janeiro é do mesmo partido do senador das rachadinhas, Flávio (Republicanos-RJ). Estes caras vão pagar por todos esses crimes! Ah, se vão...


Sérgio C. Rosa sergiorosa@uol.com.br

Belo Horizonte


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OS ANTIBRASIL


Como eleitores puderam eleger um Bolsonaro presidente, um Witzel governador e um Crivella prefeito – os antitudo o que democracia, liberdade, progresso, ciência, cultura, fraternidade e civilização representam? Reacionários a todas as conquistas do mundo atual, são resquícios de épocas trágicas da humanidade, dominadas por crendices primitivas, medos ancestrais e ódios a inimigos imaginários. Autoritários por medo e insegurança, carregam as pesadas correntes do atraso e da ignorância, que marcaram um passado de perversidade e guerras sem fim. O maltratado povo brasileiro, dividido em castas econômicas e raciais, prescinde de paternalismos autoritários ou guias geniais dos povos. Resignados à eterna exploração, merecem dirigentes competentes, que proporcionem o básico de saúde, educação, segurança e oportunidade de trabalho, numa sociedade do bem-estar social, num Estado Democrático de Direito.

                

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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‘ASPONES’


Alguém acredita em gestores públicos e governos que, além de roubar, mentir, coagir, cometer nepotismo, são perdulários e ainda pagam – muitas vezes bem caro – “assessores” para ficarem nas redes sociais e nas ruas espalhando mentiras e impedindo a divulgação das verdades para defender seus “chefes”? O que a TV Globo acaba de revelar sobre os “guardiões” do prefeito do Rio, Marcello Crivella, acontece em todos os cantinhos do território nacional, há muito e em larga escala, em Brasília, onde também existem folhas de pagamento contendo mandriões, malandros, corruptos e mentirosos. Os verdadeiros aspones, capazes de fazer de tudo para omitir fatos, atrapalhar entrevistas, lançar fake news e qualquer outra coisa para ficar bem na fita e defender seus interesses.


João Di Renna joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)


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ELEIÇÃO EM SÃO PAULO


Com o início das convenções dos partidos para a escolha dos candidatos à Prefeitura de São Paulo, foi dada a largada para o que o cidadão paulistano está saturado de ver: serão os mesmos candidatos, propondo e prometendo as mesmas coisas, falando mal dos mesmos oponentes. Ou seja, mais do mesmo.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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PSL


É preciso ser muito alienado, ou idiota mesmo, para acreditar na candidatura de Joice Hasselmann. Ela não sabe nem onde fica direito a zona leste de São Paulo.


Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca


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MIDAS


Até o fim do ano, Jair Bolsonaro pretende inaugurar 33 obras de infraestrutura (duplicação e construção de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos), a maioria iniciada, paralisada e superfaturada no governo petista. Sem dúvida, por questões financeiras, é mais sensato concluir obras inacabadas do que dar inicio a novas construções, mas Flavio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, se manifestou dizendo que o presidente Bolsonaro está inaugurando obras alheias e que não criou nada de novo. O governo petista, responsável pelo maior esquema criminoso já visto, se caracterizou por transformar qualquer obra em ouro, só que para benefício próprio.


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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UM GOVERNO EM ROTA PERIGOSA


O governo Bolsonaro insiste em trafegar na contramão da ciência, preferindo acreditar em filosofias extravagantes, em lugar da maioria dos cientistas, incluindo os nossos. Não aceita a realidade do aquecimento global e insiste na exploração extrativista da Amazônia. O absurdo chega a tal ponto que o BNDES estuda um modelo para a concessão de florestas naquele bioma ao setor privado, objetivando ao desenvolvimento da região com a preservação ambiental. Seu diretor, ao lançar a dúvida sobre se alguém pagaria para manter a floresta em pé, demonstra não ter realizado nenhum estudo sobre aquela região, única no mundo. Tanto, que citou como parâmetro o Parque Ibirapuera, do qual a população continuou usufruindo após a concessão – como se pudessem ser comparáveis. Nem sequer lembrou que a Noruega e a Alemanha há anos vêm doando recursos para o Brasil, destinados à preservação da Amazônia. Também passou ao largo do problema do aquecimento global, assim como da importância que as nações do planeta dão ao Acordo de Paris, que tem por objetivo evitar que a temperatura média da Terra não aumente mais que 1,5°C até 2050, para evitarmos eventos climáticos catastróficos. A Floresta Amazônica tem inegável importância para tal fim, pois o seu gigantismo influencia o clima do planeta como um todo. Um estudo da Universidade de Leeds, no Reino Unido, ao analisar a paralisação da economia em razão do coronavírus, concluiu que houve redução das emissões globais de gases de carbono. Ainda existe o perigo de a temperatura média do planeta exceder o almejado +1,5°C até 2050. Apenas daqui a 30 anos. Os membros do governo brasileiro, pelas diversas declarações, a começar pelo presidente da República, não têm a mínima ideia do valor daquela floresta em pé. O vice-presidente acusou que entre os que criticam o governo estão aqueles que, como eu, acreditam ter a Amazônia influência sobre o clima do planeta. Desculpe, não é crendice, como o “terraplanismo”, mas a constatação de que os relatórios dos climatologistas têm lógica. As mudanças climáticas com as quais estamos convivendo comprovam isso. É a floresta em pé que trará divisas para o País, não o extrativismo, a pecuária, a agricultura e muito menos as usinas hidrelétricas. Balbina e Belo Monte foram erros crassos, apontados antes por engenheiros e climatologistas. O governo deveria respeitar a ciência.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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SELO VERDE OU SELO PÓS-PANDÊMICO


O otimismo de Paulo Hartung, infelizmente, não condiz com nossa realidade (A economia verde pode ter o selo ‘made in Brazil’, 1/9, A2). Creio que os europeus estão mais propensos a criar um “selo atendimento à quarentena” do que valorizar um eventual selo verde brasileiro, já que a propalada proteção ambiental está saindo da biologia e ficando apenas na história. Literalmente, estamos queimando nossas reservas, mas o pior governo que este país já teve continua sobrevivendo.


Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas


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MÁSCARA


Neste momento, seria adequado para o vice-presidente da República dar entrevista com uma máscara do Flamengo? Por favor...


Guto Pacheco jam.pacheco@uol.com.br

São Paulo


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TORCIDA E ELEIÇÕES


Por diversas vezes o vice-presidente, Hamilton Mourão, tem aparecido usando máscara com as cores e logotipo do Flamengo. Sabemos que Mourão é flamenguista roxo, mas sabemos também que o Flamengo tem a maior torcida do Brasil e que as eleições de 2022 estão se aproximando. Seria mera coincidência?


Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo


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QANON NO BRASIL


A respeito da preocupante matéria (30/8, A8) sobre a chegada do movimento de extrema-direita americano QAnon (“Q Anônimo”) ao Brasil, cujo símbolo é a letra Q e o lema “wwg1wga” (aonde vai um vamos todos), com laços estabelecidos com o bolsonarismo, cabe dizer que por trás de todo anonimato há um covarde escondido. Mostra a tua cara, QAnon!


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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‘MÍDIA EM TRANSE’


Gostaria de manifestar a minha discordância com a opinião do articulista J. R. Guzzo em seu artigo intitulado Mídia em transe (30/8). Com relação à apresentadora de TV que ele cita, o autor age de forma incompreensível, visto que ocultou o fato, que pode ser provado com som e imagem, de que a emissora, na edição seguinte, emitiu nota reconhecendo o erro, pois apurou que realmente houve uma manifestação em homenagem às 115 mil mortes. A contradição neste ponto do artigo demonstra um certo viés oportunista que denigre a atividade jornalística, o que paradoxalmente confirma que a mídia realmente está num transe generalizado e autofágico.


João Carlos dos S. Coutinho jc.coutinho@rocketmail.com

São Paulo


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‘A VIDA MENTIROSA DOS ADULTOS’


“Rectius”, dos homens, não das mulheres. Ao debruçar-me sobre a entrevista de O Estado (Na Quarentena) sobre a memorável escritora italiana Elena Ferrante, percebi aflorar o unilateralismo improcedente que compromete o movimento das mulheres e o faz ilusório ao desconsiderar a essência comum do ser humano. Não há nenhuma dúvida quanto à injustiça radical sofrida pelas mulheres ao longo da História. E que até hoje perdura sob o correto neologismo de feminicídio e as torpes agressões de quem agride por sentir-se fisicamente superior ao outro. Porém, se é para “girar” a faca na ferida, giremo-la de ambos os lados. Os sofrimentos de um pai que busca emprego, não o consegue e porta uma marmita vazia para despistar e chora antes de dormir, por não ter conseguido prover do elementar sua esposa e suas filhas ou filhos, não é menor que o sofrimento crônico de uma mulher e não dispensa a literatura de o descrever. Também não me parece de nossa comum essência desidratar o arquétipo da “mulher adocicada”. Homens têm de ser valentes e agressivos e mulheres, salgadas? A busca do melhor da essência comum e contrária a todo tipo de discriminação e injustiça, sob um céu estrelado, como diria Kant, deveria ser nossa bússola, a mais fiel companheira da monogamia.


Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo


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LIBERDADE FEMININA NO SÉCULO 21


Se não for completamente oligofrênico, qualquer brasileiro e brasileira com mais de 16 anos está ciente de que no Brasil a questão do aborto é ligada à educação e ao padrão econômico das mulheres. As classes alta e média, quando assim o desejam, fazem seus abortos nos bons hospitais com toda a segurança. Este direito deveria constar em lei e ser permitido a todas. As classes pobres e miseráveis, sobretudo com pouco acesso a educação sexual adequada, servem-se de parteiras, curandeiras e poções venenosas quando têm uma gravidez indesejada. O número de mulheres que morrem de complicações ginecológicas atesta uma realidade que só não vê quem não está interessado em conhecê-la. Manter qualquer lei restritiva ao abortamento é um resquício medieval inaceitável nos dias atuais. Aquelas que têm qualquer objeção de consciência que não o façam. Absurdo é manter leis que violam o direito das mulheres a seu próprio corpo e propiciam a multiplicação dos menores abandonados.


Marize Carvalho Vilela marizecarvalhovilela@gmail.com

São Paulo 

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