Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 03h00

Reforma administrativa

Direitos dos aspones

Finalmente parece que a coisa vai andar. Mas alto lá, a classe política precisa preservar as castas de funcionários públicos, civis e militares. Então, como tudo indica, a coisa só vai valer para os novos contratados. Aquela multidão de aspones que incham a máquina precisa ter os “direitos adquiridos” preservados. O que se diz à boca pequena é que a classe política tem medo do funcionalismo público. Mas, afinal, quantos são os funcionários públicos? Um, dois ou três milhões? Coloque-se mais um ou dois agregados em condição de votar e temos dois, quatro ou seis milhões de eleitores. A classe política devia ter medo é de nós, eleitores, que sustentamos essa farra de salários e penduricalhos de fazer corar monge de pedra. Alguém com capacidade de mobilização deveria iniciar um movimento de pressão para essa aberração ser considerada na reforma administrativa. Já!

RENATO FLAVIO FANTONI

RFFANTONI@IDENTIDADESEGURA.COM.BR

ITATIBA

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Chega de ‘mais iguais’

No momento em que se informa sobre reforma administrativa no Brasil, deve-se ter um cuidado importante: ela deve atingir todos os servidores, de todos os Poderes, de todos os entes federativos e de todas empresas públicas nacionais. Nada de exceções, como se viu com a chamada reforma de Previdência. Todos deverão estar incluídos: servidores do Executivo, do Legislativo, do Judiciário, militares, policiais, deputados, senadores, membros das Cortes superiores, etc. Afinal, pela Constituição da República, “todos são iguais perante a lei”. E todos eles são empregados do mesmo patrão, o povo brasileiro. E todos recebem do mesmo cofre. Chega de alguns serem “mais iguais” que os outros!

ÉLLIS A. OLIVEIRA

ELLISCNH@HOTMAIL.COM

CUNHA

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Pandemia

Vacinas

Inacreditável! Quando pensamos que o estoque de irresponsabilidades e o distanciamento da realidade científica chegou ao limite, o presidente da República ataca as vacinas, baseando-se num falso discurso libertário infectado de populismo raso. Quanto medo do futuro que nos espera... Que em 2022 possamos reagir!

CARLOS EDUARDO HILLS LOPES

CEHILLS@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Liberdade

Se a lógica proferida pelo ocupante atual da Presidência da República fosse verdadeira – no Brasil ninguém é obrigado a nada –, por que, então, se obriga a votar aqui, no Brasil? Se o voto fosse optativo, a qualidade dos eleitos seria muito melhor. E, com certeza, indivíduos despreparados, como ele, jamais seriam eleitos.

AMILTON MORENO

SAILOR1908@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Corrupção

Lava Jato

Durante cinco anos os brasileiros honestos exultaram com jovens magistrados federais de Curitiba que, unidos ao Ministério Público (MP) e à Polícia Federal (PF), em força uníssona investiram contra a corrupção desenfreada, a cabala da falsidade, a esterqueira virulenta onde se alimentam os corruptos – no dizer de Ives Gandra Martins, “a independência da PF e do MP tem desventrado, para espanto da Nação, a podridão dos Poderes”. Essa podridão que contamina à larga todos os recantos deste país, levando ao colapso a própria economia, continua e continuará a galopar à solta, solapando a esperança de quem acreditou que o Brasil teria jeito. Jair Bolsonaro jurou à Nação fazer da Lava Jato sua viga mestra. Eleito, chamou Sergio Moro para seu plantel, mas deu-lhe um inacreditável piparote, vergalhada que atingiu de pleno a Lava Jato. E agora Deltan Dallagnol, impotente e sozinho, deu-se por vencido, afastando-se da Procuradoria. Claro, não existem só Moro e Dallagnol, outros virão. Será? Os poderosos mergulhados na corrupção, mapeando todos os postos-chave do País, vão permitir? Doce quimera, essa em que mergulhamos. Lá se foram para o esquecimento Castelo de Areia, Boi Barrica, Pôr do Sol, etc., etc., e com elas se vai agora a Lava Jato. Os corruptos, leves e soltos, comemoram a vitória. E aos honestos o que resta, acreditar no Messias?

ANTONIO BONIVAL CAMARGO

BONIVAL@CAMARGOECAMARGO.ADV.BR

SÃO PAULO

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Flordelis

Adoção em massa

Tenho primos italianos que moram em Milão e tentaram adotar crianças no Brasil, mas não conseguiram porque na época se exigia que o casal permanecesse longo período aqui até ser aprovado. Para meu primo não teria sido possível ficar tanto tempo longe do trabalho. Acabaram adotando seus filhos na Bulgária. Gostaria de entender como a deputada conseguiu adotar 50 crianças, que na realidade se tornaram suas escravas.

ALDO BERTOLUCCI

ALDOBERTOLUCCI@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Em São Paulo

Ranking universitário THE

A matéria USP sobe em ranking global de universidades; Brasil é o 6.º país com mais representantes na lista traz a ótima notícia de que a USP subiu de posição na edição de 2021 do ranking universitário da Times Higher Education (THE), foi incluída na faixa das 201-250 melhores instituições de um total de 1.527, e é a universidade brasileira mais bem classificada. De 2017 a 2020 a USP apareceu no grupo 251-300. A evolução é consistente com outras classificações. Indubitavelmente, ainda há muito a melhorar e a USP vem trabalhando nesse sentido, com ações em diferentes níveis. O cenário atual, no entanto, é de grande apreensão e insegurança, com a ameaça à autonomia universitária e do corte de recursos pelo governo do Estado, via Projeto de Lei 529/2020, enviado à Assembleia Legislativa em agosto. O sistema de educação superior, pesquisa e desenvolvimento do Estado é um bem da sociedade e sua manutenção e seu aperfeiçoamento incluem a proteção contra mediocridade e populismo.

HAMILTON VARELA, professor titular da USP

HAMILTONVARELA@GMAIL.COM

SÃO CARLOS


A REFORMA DO GOVERNO


proposta de reforma administrativa do governo Bolsonaro deixou de fora os futuros membros do Legislativo, do Judiciário e do Ministério Público, como juízes, congressistas e procuradores. Novos militares também ficarão de fora. Porém, o governo Bolsonaro, ao bem lembrar que o Congresso Nacional pode mudar tal postura ideológica e política da sua proposta, de fundo democrático – e bota fundo nisso! –, mas de caráter aristocrático de quem deve e não tem como contrariar os interesses possíveis dos possíveis cobradores de plantão – (plantão judiciário?) –, colocou mais uma vez os privilegiados no mesmo saco de gatos e, assim, espera passar novamente pelo mocinho nesta terra de maniqueísmo histórico em que todo mocinho mete bala em tudo e em todos para o final feliz de mentirinha.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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REFORMA RUIM


Normalmente, quando direita e esquerda ficam descontentes com uma reforma, é sinal de que ela é equilibrada. Todos levaram alguma coisa, mas não tudo. A reforma administrativa proposta pelo governo federal será considerada ruim por outros motivos. A esquerda não vai gostar porque, como sempre, não a entendeu, e a direita não vai gostar porque a entendeu. Esta não é a reforma administrativa para a qual Bolsonaro foi eleito. Procura-se um estadista.


Oscar Thompson oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba


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A VERDADEIRA FERIDA


Sou defensor público estadual e, como cidadão, estou muito preocupado com a reforma administrativa. Meu medo não é de que haja prejuízo aos interesses corporativistas dos servidores, mas, ao contrário, de que nada seja feito onde realmente se precisa. Mas um dos pontos que a reforma precisa tratar é a fonte das rachadinhas e funcionários fantasmas. Já passou da hora de os parlamentares colocarem o dedo na verdadeira ferida, em nome dos brasileiros – inclusive cortando na própria carne. A verdade é que o excesso de cargos comissionados no próprio Congresso e nas assembleias legislativas acaba favorecendo desvios e a corrupção, pois a quantidade excessiva de cargos comissionados e a falta de controle – além do gasto excessivo – tornaram o Parlamento uma fábrica de escândalos. Basta comparar com outros países, a maioria não chega a mil cargos comissionados, enquanto aqui há mais de 20 mil. É preciso admitir que, muito além das rachadinhas, existe um sistema que utiliza tais cargos para cooptar base parlamentar, pagar cabos eleitorais e acomodar amigos e parentes recebendo pelo Estado sem que seus serviços sejam essenciais para o País. Em Goiás, só na Assembleia Legislativa, há inacreditáveis 3.500 comissionados e cerca de 350 concursados. Há um exagero também no Executivo, onde os cargos servem também de moeda de troca no Parlamento, o que compromete ainda mais a representação democrática e faz com que a qualidade do serviço prestado nunca melhore. É uma tragédia nacional. Uma jabuticaba que nos impede de nos tornamos um país melhor. Quando se descobre um caso de fantasma, a mídia e as autoridades focam no sintoma, e não na doença. Questiona-se se aquela pessoa em particular trabalha ou não e se aquele parlamentar em particular age mal ou não, pessoalizando aquele pequeno escândalo. Ora, a verdade é que o problema é sistêmico e tem origem na falta de controle. É preciso colocar um limite na Constituição, para cada ente, para cada caso, assim como aconteceu para os salários dos vereadores. Antes, cada Câmara Municipal podia fixar como quisesse os salários de seus vereadores – e era a farra do gasto público. Depois, o Congresso fixou limites vinculados à população e o problema foi resolvido. O mesmo precisa acontecer com os cargos comissionados. É preciso haver limites fixados na Constituição. A proposta encaminhada pelo governo é muito tímida, havendo a necessidade de o Congresso fazer emendas ao projeto. Assim, o inciso V do artigo 37 da Constituição teria sua redação alterada, como no exemplo a seguir: Redação atual: V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento; Nova redação: V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos com percentual mínimo de X% por servidores de carreira, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento e obedecerão às condições fixadas em lei e aos seguintes: a - na União, haverá o máximo de X cargos comissionados na Câmara dos Deputados, X cargos comissionados no Senado Federal, X cargos comissionados no Poder Executivo Federal, X cargos comissionados no Poder Judiciário da União, X cargos comissionados no Ministério Público da União, X cargos comissionados na Defensoria Pública da União e X cargos comissionados no Tribunal de Contas da União; b - nos Estados, o número máximo de cargos comissionados não ultrapassará X vezes sua representação na Câmara dos Deputados para o Poder Legislativo Estadual, X vezes para o Poder Executivo Estadual, X vezes… c - nos municípios, o número máximo de cargos comissionados não ultrapassará X vezes sua representação na câmara municipal para o Poder Executivo Municipal, X vezes para o Poder Legislativo Municipal…


Fabiano Barros fabianoprocurador@gmail.com

São Paulo


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BRASIL EM DEPRESSÃO


Com a queda vertiginosa de nada menos que 12,2% (!) do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no primeiro semestre deste ano, o V da frase do sempre otimista ministro da Economia, Paulo Poliana Guedes, de que “estamos decolando em V”, só pode ser de vergonha ou de vesguice, pois não? Francamente!


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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A NOTA DE R$ 200


A partir de 2/9, graças ao lançamento da nota de R$ 200, de Norte a Sul do País, rolarão imensas festas patrocinadas por corruptos e doleiros, que celebrarão uma nova era na transferência de fundos, pois suas cuecas e mochilas transportarão o dobro do valor desviado, normalmente sob as barbas da Receita Federal, que, ocupadíssima com o bolso dos trabalhadores e empregadores, pouco faz contra esta praga que continua com vigor assolando a “Pátria Amada”.


Lauro Becker bybecker@gmail.com

Indaiatuba


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R$ 200 E A LOGÍSTICA DO CRIME


Os fabricantes de malas, mochilas e sacolas lamentam. Os corruptos, traficantes e bandidos celebram.


Jorge Spunberg jspunberg@gmail.com

São Paulo


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GRATOS


Os corruptos agradecem penhoradamente o Banco Central pelo lançamento da nova nota de R$ 200, que irá reduzir pela metade o peso e tamanho das malas de dinheiro, facilitando-lhes muito a vida e permitindo-lhes um bom ganho de produtividade.


Luiz M. Leitão da Cunha luizmleitao@gmail.com

São Paulo


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PAVÃO


O lobo Guará será a imagem da nota de R$ 200, mas, para o momento, melhor seria a de um pavão.


Laércio Zanini spettro@uol.com.br

Garça


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ALIMENTANDO POLÊMICAS


O presidente Jair Bolsonaro mais uma vez dá uma demonstração de insensatez ao declarar que “ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”. Ele não leva em consideração a determinação de uma lei que ele assinou no mês de fevereiro. E mais, a vacinação é uma das formas de diminuir os riscos de contaminação. Como se conclui, mais uma vez o ocupante do cargo maior da República promove uma polêmica numa questão da maior importância que é a preservação da saúde dos brasileiros.


Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos


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IGNORÂNCIA


A ignorância genocida de Jair Bolsonaro ataca novamente, “ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”.


Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca


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‘O PERIGO DA IGNORÂNCIA’


O Brasil sob o domínio das trevas do governo da ignorância, analisado sob os aspectos jurídicos e éticos, em histórico editorial do Estadão de 3/9/2020 (O perigo da ignorância). A vida a perigo no Brasil. A frase inconsequente de um presidente ignorante, que despreza a vida dos brasileiros, é um desrespeito à humanidade. “Ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina” resume a falta de empatia e simpatia para com 211 milhões de brasileiros, em nome da liberdade dos egoístas, para quem o mundo gira em torno de seu narcisismo doentio. A nação, desprezada por tolos dirigentes, saberá agir de acordo com o bom senso das pessoas que amam a vida e vivem com sabedoria.


Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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ESTUPIDEZ


Existe vacina contra estupidez? Por que não se investe na criação de uma vacina contra isso? Começaria a ser aplicada no Palácio do Planalto e suas derivações.


Mauro Lacerda de Ávila lacerdaavila@uol.com.br

São Paulo


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VACINAÇÃO


A questão da obrigatoriedade da vacina contra o coronavírus deve ser colocada na sua devida perspectiva. Antes da pandemia o Brasil já vinha vivenciando um fenômeno inusitado: a recusa de parte considerável da população em vacinar os filhos, o que levou ao recrudescimento epidêmico de certas doenças infeciosas, principalmente o sarampo. Esta postura contra as vacinas tem várias explicações, entre elas desinformação e crença em teorias absurdas veiculadas pelas redes sociais. Na esteira das vacinas a experiência da pandemia desnudou o descrédito de não poucas pessoas (incluindo o presidente da República) na ciência e nos cientistas. A insistência no uso da cloroquina e da ivermectina – drogas que não demonstraram nenhuma eficácia contra o coronavírus em trabalhos sérios realizados em várias partes do mundo – é prova concreta desse desprezo. E com a eventual vacina contra o coronavírus não será diferente. Iniciativas como a do Estado, de aproximar a ciência do cidadão, são necessárias e louváveis. Mas tão ou mais necessário é o papel substancial do médico no esclarecimento detalhado, junto de seus pacientes, de como acontecem as doenças e a importância de preveni-las. Parafraseando o trecho da música Bailes da Vida, de Milton Nascimento, “o artista tem de ir aonde o povo esta”, o cientista também tem que ir aonde o povo está.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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MIMIMI


Secretaria de Comunicações da Presidência reproduziu frase de Bolsonaro que afirma que ninguém é obrigado a tomar vacina. Daí já começou o mimimi, afinal Bolsonaro, em fevereiro deste ano, no começo da pandemia, recomendou vacinação compulsória, num momento em que nem sinal de vacina existia e muito menos se sabia exatamente como lidar com este vírus da covid-19. Agora a situação é outra, e, realmente, sempre existiram campanhas de vacinação no Brasil com a recomendação aos pais de que se vacinassem e vacinassem seus filhos, porém obrigatoriedade jamais, pois este é um Estado que não impõe sua vontade ao povo, pois não é autoritário. Aqui não é a China, nem Venezuela, nem Cuba! Mas o start signal foi dado pela maneira como a matéria foi escrita, e nas cartas do Fórum dos Leitores vai haver uma predominância de cucos a repetir o tema, pois o que vale é manter o nome de Bolsonaro sob ataque.


Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo


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LULA


Quem se pretende minimamente informado e tem um cadinho de consciência social precisa de muita força de vontade para ler, sem revolta, a manifestação de completo alheamento da realidade demonstrada na alegação de um advogado do PT, Marco Aurélio Carvalho, na página A4 da edição do Estado do dia 2/9, de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin teria uma fixação, talvez induzida, em perseguir o ex-presidente Lula. Dou ciência ao valente rábula de que o País sofreu, entre outras injúrias, violento tombo econômico sob o atual presidente. E que Jair Bolsonaro, herança nefasta do lulismo, está também conduzindo a sociedade brasileira ao abismo da falta de caráter, de ética e de moral. Ao concluir que será tarefa para mais de uma geração consertar os estragos, entendo que fazer Luiz Inácio da Silva (Lula) pagar por sua voraz e estúpida ganância de bens e poder, que nos trouxe até aqui, é só obrigação de qualquer juiz que preze seu ofício.


Helio Divino de Carvalho helio.sg.go@gmail.com

São Paulo


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OPERAÇÃO DESMANCHE


desoneração voluntária dos procuradores da Operação Lava Jato em São Paulo tem razão clara: protesto contra aumento de pressão, motivado pelo fato de que as coisas foram longe demais. Afinal, foram 293 pessoas presas, e são 400 investigações em andamento, envolvendo políticos e seus respectivos partidos, e grandes empreiteiras nacionais e multinacionais que firmaram contratos com empresas estatais. Tudo profissional, com cobranças das devidas “taxas de sucesso”, movimentação de bastante dinheiro vivo, guardado até dentro de malas. Além de criticar o “lavajatismo”, a Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu cercear a liberdade de ação dos procuradores em Paraná e São Paulo, exigindo acesso a todos os dados sigilosos, independentemente se há ou não pessoas envolvidas com foro privilegiado. Centralizar tudo na PGR em Brasília, fica mais fácil de engavetar os inquéritos sobre os amigos e dar andamento àqueles que incomodam. É a tal estratégia de “rolo compressor” discutida abertamente na fatídica reunião ministerial de 22 de abril.


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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‘QUANDO OS JURISTAS DIFICULTAM’


O jurista Ives Gandra da Silva Martins expõe em seu artigo Quando os juristas dificultam (3/9, A2), com termos bem claros, que os mestres ensinam que a função da lei não é fazer justiça, mas sim não fazer injustiça! Sem dúvida, a sociedade, induzida pela referência ao termo justiça, nunca imaginaria dessa forma o funcionamento do Judiciário, especialmente em nosso meio onde a frustração ao verificar o extremo zelo no exame da defesa dos réus, especialmente dos réus poderosos. O Supremo Tribunal Federal (STF) parece, nestes casos, muito mais um tribunal de instrução de processos no exame dos reclamos de filigranas jurídicas formuladas pelos criminalistas famosos.


José Elias Laier joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos


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O EXERCÍCIO DO DIREITO


Cumprimentos efusivos ao professor Ives Gandra Martins pelo magistral artigo publicado no Estadão de 3/9/2020. A publicação que tem de ser lida, interpretada, entendida e aplicada por todos os profissionais do Direito em qualquer nível de sua carreira. Sempre me perguntei por que os profissionais de Direito distorcem a realidade e utilizam as leis para cometer injustiças. Comecemos pelo esclarecimento bastante claro de quando deve ser instituída a prisão preventiva. “A função da lei não é fazer justiça, mas sim não fazer injustiça” – a frase belíssima lança luz à finalidade das leis e cabe ao advogado sensu lato lutar para que a injustiça não se faça, o que geralmente é ignorado e invertido em sua finalidade. Inadequadamente, normalmente advogado lança mão de recursos impróprios e inadmissíveis em benefício de seus clientes, com os quais está cometendo a mais absurda das injustiças. O Judiciário é um Poder técnico, que não representa o povo, mas a lei; e não tem vocação política, pois esta cabe aos representantes do povo, o que não tem sido observado pelos profissionais do Direito no exercício de suas funções. Esclarece, com muita propriedade, que se o Poder Judiciário deixar de ser técnico para ser um Poder político com viés ideológico, a democracia corre riscos, podendo evoluir para uma ditadura da magistratura, tal como está acontecendo com o Poder Judiciário, infringindo o disposto na Constituição federal, fazendo normas constitucionais ou promovendo atos de competência do Poder Executivo, não respeitando suas atribuições. Reitero meus cumprimento ao professor Ives pelo brilhante artigo e desejo, ardentemente, que tudo o que ali está esclarecido seja o início de um reconhecimento dos direitos e deveres de cada profissional no exercício de sua função.


Sebastião Hetem sebahetem@gmail.com

Taiuva


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SIMPLIFICANDO


Ao ler o artigo do mestre Ives Gandra Quando os juristas dificultam, consigo entender como funciona o Poder Judiciário. Nas idas e vindas do mundo judiciário atual, sinto-me um Cro-Magnon ouvindo os “doutores da lei”. Dr. Ives, obrigado pela simplicidade e didática.


Jose Luiz Quinette jlpquinette@gmail.com

São Paulo


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SIMPLICIDADE E OBJETIVIDADE


Como leiga, o senhor Ives Gandra da Silva Martins não pode imaginar a satisfação que tive ao ler seu artigo (3/9, A2), pois muitos de nossos operadores do Direito, especialmente o Judiciário, travam longas discussões e palavreado mais para atender ao seu próprio ego, resultando em decisões que nem sempre atendem a justiça. Parabéns ao autor do artigo e ao seu professor, que defendem a justiça embasada na simplicidade e na objetividade.


Heloisa Helena Rosas M. Germanos heloisa@germanos.ws

Cravinhos


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125 ANOS DEPOIS


Decorridos 125 anos, em ação movida pela Princesa Isabel, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o Palácio Guanabara (RJ) pertence à União, e não à família Orleans e Bragança, confirmando decisão anterior do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ocorre que o antigo Paço Isabel (atual Palácio Guanabara) era a residência da Princesa e do Conde d’Eu, sendo que o casal comprou a casa de José Machado Coelho em 1864, com o dote dado pelo Estado para o casamento da princesa. Ou seja, o imóvel foi comprado pela Princesa Isabel. Entretanto, pouco depois da Proclamação da República, Marechal Deodoro, por meio do Decreto 447, de 18 de julho de 1891, pilhou os bens que constituíam o dote da ex-princesa Isabel, incorporando-os aos bens da União. Dito de forma direta, em 1891 a União roubou os bens da Princesa Isabel. Decidir e julgar um processo decorridos 125 anos depois de sua apresentação (1895) esbarra na seguinte questão fundamental: a decisão do STF e do STJ considerou e aplicou a legislação, jurisprudência e doutrina vigentes à época, ou seja, aquela existente ao final do século 19? Provavelmente não, pois decidiram que a família possuía o domínio do imóvel apenas para uso e habitação. Trata-se de decisão parcial, viciada, sendo mais uma decisão política que jurídica. O imóvel foi comprado pela princesa. Cabe, no mínimo, uma ação rescisória, sem prejuízo dos descendentes recorrerem a tribunais internacionais. Penso ser praticamente impossível que uma personalidade com a estirpe e caráter da Princesa Isabel tenha proposto uma ação dessa natureza, se não tivesse a plena convicção de seu direito e do senso de Justiça. Ela não se prestaria a uma aventura judicial. A história da vida do Imperador D. Pedro II e da Princesa Isabel traduz uma apologia à honradez, simplicidade, honestidade e integridade moral dessas personalidades que, inclusive, abriram mão de uma série de prerrogativas e privilégios que teriam direito ao longo do Império. Isso não foi uma decisão judicial; foi uma suprema encenação judicial.


Milton Córdova Junior milton.cordova@gmail.com

Vicente Pires (DF)


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MEIO SÉCULO SEM LUIZ CARLOS MESQUITA


Ao ler as matérias sobre os 50 anos de ausência de Luiz Carlos Mesquita, o Carlão, fui tomado por uma sensação de esperança há muito não experimentada. Os dois textos contidos na página A18 da edição de sábado (29/8) mostram como Carlão foi um ser humano iluminado, extraordinário. Isso nos alenta a esperança principalmente nesta era em que o ódio e a desinformação tomaram a sociedade de assalto. Que o jornal O Estado de S. Paulo e a família Mesquita, formada por tantos cânones do excelente jornalismo, continuem a nos alentar nestes dias sombrios, trazendo, como sempre, a informação exata, a postura ética inarredável e a crença de que, com esses elementos, um novo tempo poderá despontar no horizonte. 


Donizete dos Reis da Cruz donicruz@hotmail.com

Passos (MG)

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