Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2020 | 03h00

O negócio da fé

Um bilhão!

Projeto de lei, com parecer contrário à aprovação do relator, é aprovado na Câmara dos Deputados perdoando R$ 1 bilhão das igrejas em geral, de compromissos não quitados com a Receita Federal e outros órgãos da União (7/9, A1). Com isso fica garantido o enriquecimento de autointitulados bispos, apóstolos e outros donos de “igrejas” que praticam a exploração da fé pública e transformam seus criadores em bilionários. Esse é o nosso Brasil de 2020.

JOÃO PAULO DE O. LEPPER

JP@SECULOVINTEUM.COM.BR

CABO FRIO (RJ)

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Proposta indecorosa

Como cidadão cristão evangélico (batista), manifesto meu repúdio ao projeto de perdão de dívidas tributárias das igrejas. Trata-se de uma proposta indecorosa e de interesse corporativo de quem não sabe distinguir entre o interesse público, para cuja defesa foi eleito, e seus interesses particulares. Por mais que concorde com a necessidade de alívio da carga tributária, este deve ser geral, e não particular. No mais, os princípios que regem a posição evangélica são os da Bíblia, que deverão antes de tudo ser levados em conta por quem se apresenta como evangélico. Refiro-me à passagem de Romanos 13.6-8, que cito em resumo: “Vocês pagam imposto, pois as autoridades estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho. Deem a cada um o que lhe é devido: se imposto, imposto, se tributo, tributo (...). Não devam nada a ninguém”. Seria bom que a autoridade conferida aos parlamentares pelo voto popular também fosse acompanhada de autoridade moral.

ROLAND KÖRBER

ROLAND@KORBER.COM.BR

SÃO PAULO

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Indecisão

Estou em dúvida, não sei se fundo um partido político ou uma igreja. Depois dos bancos, esses parecem ser os melhores negócios na Terra Brasilis. Que vergonha! Que tristeza!

RENATO AMARAL CAMARGO

NATUSCAMARGO@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

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Santas Casas

Como é fácil brincar com dinheiro alheio! A que ponto chega a irresponsabilidade desses congressistas, dando R$ 1 bilhão na mão de pessoas que nem sempre primam pela honestidade. Se essa dinheirama está sobrando, ajudem as Santas Casas, com certeza será muito mais bem aplicada. Os congressistas que ponham a mão na consciência e respeitem o atual momento, já muito conturbado com a pandemia.

ADALBERTO AMARAL ALLEGRINI

ADALBERTO.ALLEGRINI@GMAIL.COM

BRAGANÇA PAULISTA

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Desgoverno Bolsonaro

Está difícil

Brilhante o editorial O presidente tem toda a razão (6/9, A3). Difícil mesmo é para o cidadão que cumpre as suas obrigações viver num país onde 1) o presidente não atende aos requisitos citados no editorial; 2) os governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores têm legislação própria que os protege de punição pelas transgressões e a grande maioria dos legisladores só age em interesse próprio; 3) magistrados das diversas Cortes deliberam monocraticamente atendendo a interesses pessoais ou de grupos; 4) as decisões da Suprema Corte são previsíveis, pois já se sabe o comprometimento dos componentes; e 5) alguns ganham salários e aposentadorias fabulosas à custa de filigranas e chicanas preparadas pelos próprios.

JOÃO ISRAEL NEIVA

JNEIVA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Ideia fixa

“Só Deus sabe o que já passei e passo dentro desta sala, não queiram a minha cadeira”, diz o presidente (O presidente tem toda a razão). Mas, então, por que é que ele só pensa em reeleição? Tudo o que ele faz ou deixa de fazer está diretamente ligado à sua vontade ferrenha de ser reeleito. Ou ele é masoquista, gosta de sofrer, ou é porque todos os políticos sabem que, na verdade, os benefícios são muito maiores do que o custo do exercício da função. Seria muito melhor não haver reeleição para presidente, porque as decisões tão necessárias no presente não estariam comprometidas com o único objetivo político, que é ser reeleito.

KÁROLY J. GOMBERT

KJGOMBERT@GMAIL.COM

VINHEDO

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Males da reeleição

Parabéns ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pelo artigo Reeleição e crises (6/9, A2). Uma crítica – e ao mesmo tempo uma autocrítica – ao sistema eleitoral brasileiro. Sincera, serena, lúcida, imparcial, abrangente e isenta de acusações, apresenta uma análise nua e crua do que é o nosso cenário político. Apresenta também uma ideia simples e prática no que se refere à duração do mandato presidencial e à vedação da reeleição para o cargo. Ideia que se deveria aplicar não apenas à Presidência, mas a todos os cargos executivos e também a pelo menos dois terços da Câmara e do Senado: mandatos mais longos, de 5 ou 6 anos, sem direito à reeleição. Nem à recondução, no caso do Judiciário.

PEDRO M. PICCOLI

PEDROPICCOLI87@GMAIL.COM

CURITIBA

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Corrupção

Oligarquias e Justiça

Como é possível que a Justiça brasileira se deixe enrolar tanto por Flávio Bolsonaro e sua claque de advogados, que até agora conseguiram se safar simplesmente com firulas, sem enfrentar diretamente as acusações? Procrastina-se a decisão da Justiça ad aeternum, indicando que, de duas, uma: ou nosso sistema jurídico é inadequado ou os envolvidos são parciais e agem em função de interesses não republicanos. Arremedo de República, que de coisa do povo não tem nada, mas é repleta de oligarquias famélicas de poder e riqueza a qualquer custo.

FILIPPO PARDINI

FILIPPO@PARDINI.NET

SÃO SEBASTIÃO

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Pleito municipal

Candidato do PC do B

Com o anúncio da candidatura do ex-ministro dos Esportes, a recuperação da economia da cidade de São Paulo começará com vendedores de tapioca?

GUTO PACHECO

JAM.PACHECO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


‘REELEIÇÃO E CRISES’


Finalmente, Fernando Henrique Cardoso fez o mea culpa por ter lutado em causa própria pela emenda da reeleição (Reeleição e crises, 5/9, A2). Meio tentando disfarçar, meio tentando se justificar, mas confessou. Se o mandato fosse de cinco anos, como preferia, ele não teria agido da mesma forma? Claro que teria. O poder o seduzia, como a seus ancestrais desde sempre. Só não assumiu, pelo menos claramente, a responsabilidade por tudo de destrutivo que a reeleição causou e causa a nosso país, onde, como admite, o principal objetivo de um mandato é assegurar mais um período desfrutando das benesses difíceis (?!) do cargo.


Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo


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CONHECIMENTO DE CAUSA


Em seu artigo Reeleição e crises (6/9, A3), o ex-presidente FHC fala com conhecimento de causa e cinismo ao dizer que “é ingenuidade imaginar que os presidentes não farão o impossível para se reelegerem”. Afinal, o responsável por esse péssimo legado é ele mesmo, que fez de tudo para reintroduzir essa péssima prática no Brasil. Antes dele, José Sarney, mais modesto, lutou por mais um ano, e conseguiu estender seu mandato para cinco anos. Na história recente, à exceção de ditadores civis, como Vargas, os presidentes, inclusive os militares, governavam por apenas quatro anos.


Luiz M. Leitão da Cunha luizmleitao@gmail.com

São Paulo


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MEA LUCIDEZ


Nem é de espantar que FHC tenha levado 23 anos para reconhecer seu erro por instituir a reeleição, justamente agora que viu a possibilidade de reeleição de Bolsonaro. Perdeu a oportunidade, aí sim, histórica de ter também esse aparente lampejo de lucidez antes de sua suspeita batalha para conquistá-la, logo na reeleição de Lula em pleno mensalão, na reeleição e reeleição da Dilma.


Edison Ribeiro Pereira edisonribeiro@hotmail.com

São Paulo


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INDEFENSÁVEL


Em primeiro lugar, quero deixar claro que votei no sr. Fernando Henrique Cardoso, nas duas vezes em que concorreu à Presidência, e o faria de novo, sem hesitação. Porém o seu artigo de 5/9 (A2) comete uma omissão muito grave. FHC se esquece de que patrocinou uma mudança nas regras do jogo durante o jogo, o que é moralmente indefensável. Se houve ou não compra de votos – e essa compra não se faz só com dinheiro –, não posso afirmar, mas sei, quase com certeza, que entre os auxiliares diretos do então presidente muitos eram utilitaristas radicais, talvez pensassem realmente no melhor para o Brasil, mas rasgar a Constituição para fazê-lo nunca é um bom caminho.


Israel Aron Zylberman aronzylberman@gmail.com

Carapicuíba


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PRAGA


A tragédia implantada pelo governo FHC, da reeleição, nos três níveis do Executivo, deixou marcas profundas neste país. Eu diria que quase 100% dos governos reeleitos foram horríveis. Por conseguinte, neste movimento FHC deu de presente a eleição de Lula em 2002, depois de três derrotas. Nenhum candidato do PSDB nessas cinco derrotas sugeriu o fim desta praga. E é por isso que, quando alguém ganha, já fica pensando no que virá quatro anos depois, até a reeleição. É fácil FHC dizer que se arrepende, a tragédia está consumada. E, vamos falar a verdade, o que FHC queria era poder. Eu, seu eleitor em 1994, não aceito o seu mea culpa. Acabem com a reeleição já, ou ela vai acabar com este país.


Thadeu Castello Branco lecastello@uol.com.br

Curitiba


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REELEIÇÃO NO LEGISLATIVO


A matéria de domingo sobre a mudança de regras para permitir reeleição (Assembleias mudam regras para permitir reeleição, 6/9, A4) deixa dúvidas se a sua abordagem seria para buscar corrigir as distorções encontradas em 21 Estados e no Distrito Federal ou, aparentemente, se é para justificar o apoio do Supremo Tribunal Federal (STF) na “autorização” para que o Senado e a Câmara tenham sua prática também “apoiada” por aquela egrégia corte.


Marcelo Falsetti Cabral mfalsetti2002@yahoo.com.br

São Paulo


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DITADOR, EU?


Primeiro, foi a militarização do governo: quase a metade dos Ministérios é ocupada por militares da reserva ou ativa; já são 2,9 mil no governo. Os ministros cíveis são do calibre de Ricardo (boiada) Salles; Damares (das cores azul e rosa) Alves, e Ernesto Araújo, que classificou a pandemia como “um jogo comunista-globalista”. São ministros que seguem, no melhor estilo militar, as ordens do chefe. Em paralelo, tenta-se neutralizar o Judiciário com ameaças diretas, tipo botar “estes vagabundos todos na cadeia, começando no STF”, como declarou o saudoso Abraham Weintraub na fatídica reunião ministral de 22 de abril. Há, também, o desmanche da Operação Lava Jato, posto em curso pelo novo “engavetador-geral da República”, Augusto Aras. Enquanto isso, o presidente Jair (quem manda sou eu) Bolsonaro quer decidir tudo sozinho, desde prescrever receitas médicas para pacientes da covid-19 até a adoção do 5G no País. Depois alguns falam em ditador, oh, gente maldosa!


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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PONTE SOBRE O RUBICÃO


Está em projeto uma nova versão da ponte Bailey, supostamente adequada ao cruzamento do Rubicão. A lista de qualidades necessárias a um presidente da República, publicada pelo Estadão, coincide exatamente com a lista do que Jair Messias Bolsonaro vem demonstrando não possuir. A única alternativa que resta ao Brasil, para evitar uma catástrofe, seria os demais Poderes (especialmente o Legislativo) porem de lado os habituais interesses particulares e, olhando o futuro e com o apoio da imprensa e das cabeças ainda pensantes do País, barrarem a progressão deste presidente obcecado pelo poder. Antes que seja tarde demais.


Luiz Antonio Ribeiro Pinto brasilcat@uol.com.br

Ribeirão Preto


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DESMONTE


O ex-procurador regional da República Carlos Fernando do Santos Lima afirmou que há um desmonte da Operação Lava Jato num pacto nacional de estabilização política em que Executivo, Legislativo e Judiciário estão desmontando todo o combate à corrupção. Ou seja, afirmou o ex-procurador que a estabilização política no Brasil depende da conivência criminosa de todas as autoridades políticas dos três Poderes da República. Disse ainda que a eleição de Jair Bolsonaro está entre as causas desse processo, pois que o presidente jamais empunhou a bandeira efetiva do combate à corrupção. Pessoalmente, sinto-me muito mais traído por Bolsonaro que por Dilma Rousseff com suas mentiras descabidas durante o processo eleitoral de 2014, e isso porque Bolsonaro usou e descartou, sem cerimônias, aquele em quem mais o Brasil confiava, o ex-juiz Sergio Moro. No entanto, as carreatas de agora em todo o Brasil, em favor da Lava Jato, demonstram que muitos não engolem as fanfarronices da família Bolsonaro e de seus acólitos do Poder, mais chegados a chicanas de novelas de baixo calão que a enredos sérios, honestos e realmente probos e que deveriam recontar a história de um país.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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DESASTROSA EMPREITADA


Infelizmente, com o desmonte em curso da força-tarefa, a Lava Jato pode morrer. Graças ao paupérrimo governo de Jair Bolsonaro, que para livrar familiares de atos ilícitos cometidos propositalmente enfraqueceu o Ministério da Justiça. Nessa desastrosa empreitada, ele conta com ajuda do procurador-geral da República, Augusto Aras, que se mostra um autêntico serviçal do Planalto. E, também, de alguns renomados magistrados, que vêm favorecendo à luz do dia aqueles que fogem das garras das investigações por atos de corrupção contra as nossas instituições.   Se este enterro do combate à corrupção for consumado, o Brasil definitivamente se transformará numa terra de ninguém.


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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LAVA JATO – TORNIQUETE


Executivo, Legislativo e Judiciário fizeram eco a Romero Jucá no “é preciso estancar a sangria”. Conseguiram. Veneno de cobra é um ótimo coagulante...


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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PERDÃO DE DÍVIDAS


Congresso perdoa dívida de R$ 1 bi de igrejas (7/9, B1). O fundamentalismo por aqui faz escola, o Estado laico alijado. A César o que é de César (impostos), se não houver uma bancada evangélica no meio do caminho, claro. Enquanto isso, nos noticiários brasileiros, os beneficiados pelo lobby proporcionam comportamentos diabólicos. Não dão nada a César (impostos) e tampouco a Deus. Querem o dízimo, o lobby, os canais de TV e, claro, querem a nossa alma. Espero que o presidente Bolsonaro vete o pecado mortal numa “sagrada democracia”. O presidente tem até o dia 11 de setembro para sancionar ou vetar. Justo o 11, que transcende o decálogo, o 11, que para Santo Agostinho era o símbolo do pecado. Um pecado mortal para este povo levado a comprar um pedaço do céu. É bom que Cristo não volte tão cedo, se voltar, que o Mestre evite essas plagas (pragas), para não ver essa pouca vergonha.


Leandro Ferreira silvaaleandro619@gmail.com

Guarulhos


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LOBBY


Sobre a matéria Congresso perdoa dívidas de R$ 1 bi de igrejas, Bolsonaro precisa sancionar, de Idiana Tomazelli (Estadão, 7/9, B1), temos o seguinte: Jair nasceu católico; um pouco antes de ser eleito presidente do País, foi batizado pelo pastor Everaldo (preso), virou evangélico; diante de um projeto de lei aprovado pelo Congresso (perdão de R$ 1 bilhão em dívidas de igrejas), ele pode mudar de religião, de novo! Para tanto, sancionaria a lei... Ele iria, em seguida, ser devoto da Igreja Internacional da Graça de Deus, R. R. Soares é dono dela, cujo deputado federal David Soares (DEM-SP), seu filho, é o principal lobista. Isso é quanto vale um político “terrivelmente evangélico”!


Sérgio C. Rosa sergiorosa@uol.com.br

Belo Horizonte


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REVOLUÇÃO


Com a notícia do perdão de dívida das igrejas pelo Congresso, fica provada uma vez mais que os parlamentares brasileiros só trabalham em prol de suas causas pessoais. Esta coleção de charlatões que se intitulam “a voz de Deus” gostam de burla a fala bíblica do Novo Testamento: “A Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”. Agindo assim, estão nos dando forças para reeditarmos uma Revolução Francesa, com todos os requintes de crueldade que dela surgiram, quem viver verá, estamos cansados de sermos taxados como idiotas!


Carlos Ernesto Cabral de Melo Cabral.porto@uol.com.br

Jundiaí


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EMPREGOS OU VOTOS


Enquanto o Congresso perdoa R$ 1 bilhão em dívidas de igrejas e pseudoigrejas, as pessoas que mais geraram empregos e dividendos ao País, ou seja, o Turismo, vêm mendigando ao governo ajuda. Nada adianta falar que está liberando R$ 5 bilhões para o turismo, pois esse dinheiro nunca chega a quem realmente precisa (agências, operadoras, etc.). As agências que buscam nos bancos esse empréstimo encontram muitas dificuldades e acabam desistindo, ou seja, acabam não tendo recurso e acabam fechando suas atividades, mais desempregados. E as igrejas, quantas pessoas empregam? Não estou aqui dizendo que sou contra, mas que deveria ter mais facilidades para as pequenas agências conseguirem o famoso empréstimo do Ministério do Turismo, fazer propaganda é fácil, agora ser realidade é muito diferente. Minha conclusão: turismo dá dinheiro e emprego, igrejas dão votos, o que é mais importante para políticos?


Antenor Aparecido Stabile antenor.aparecido@gmail.com

Vinhedo


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INDULGÊNCIAS


Martinho Lutero, monge alemão, insurgiu-se contra a venda de indulgências pela Igreja Católica, fundando o protestantismo. Ou seja, protestava contra a possibilidade da compra do perdão dos pecados, receita substantiva naquela ocasião. Ora, afinal, ricos poderiam comprar o reino dos céus tendo seus pecados perdoados. Tudo evolui, e assim também a administração religiosa. As receitas provenientes de esmolas minguadas, aleatórias, de fiéis foram adicionadas às desonerações muito mais polpudas ofertadas pelo poder público. À religião desoneram-se: impostos de igrejas, abrem-se exceções em alvarás para construções das igrejas e – pasmem os senhores – dívidas bilionárias são perdoadas pelo nosso Congresso. Que culpa têm os cidadãos mortais se há falta de vocação religiosa a quem ministra a religião, se a administração é pródiga no gasto apostando que o déficit seja coberto por perdoes de dívidas e desonerações? Um incentivo à incompetência! Não há coerência em o poder público aumentar impostos para a população, arrochando-a, e em contrapartida ser magnânimo na oferta de benesses. Lamentável. Precisamos de modernos Martinhos Luteros, Calvinos, Zwinglios e outros mais para moralizar este descalabro sem pudor.  Enquanto isso, vamos seguindo as aulas de Maquiavel. Isso, sim, muito eficientemente.


Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba


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MUDAR DE VIDA E HONRAR MAMÃE DO CÉU


Exerci a profissão de professora da rede pública desde o início de minha vida adulta, sempre em sala de aula e contato direto com meus alunos. Ao longo desses anos colhi muita amizade e carinho tanto de meus alunos quanto dos colegas de magistério. Entretanto, todos os finais de mês foram mais ou menos periclitantes – o dinheiro sempre contado e miúdo. Lendo a parte de economia e negócios nos jornais, cada vez mais, me convenço como é lucrativa e bem conceituada a profissão de padres e pastores. Na bonança eles estão progredindo, nas épocas de desgraça estão melhores ainda. Ganham até perdão tributário. Neste ramo de negócios não há mal tempo. Estou pensando em abrir um templo para honrar “mamãe do céu”. Malgrado seja a genitora do salvador, não a vejo sendo contemplada nessa profusão de abertura de novas igrejas e seitas evangélicas. Acredito que atingirei um duplo alvo: ficarei rica e ajudarei as causas femininas.


Marize Carvalho Vilela marizecarvalhovilela@gmail.com

São Paulo


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REINÍCIO DAS AULAS PRESENCIAIS


Estão certos os pais que não querem arriscar a saúde dos seus filhos com a retomada precoce das aulas presenciais. Se, em virtude das precauções, “a educação e a aprendizagem estão sendo brutalmente afetadas”, como afirma a presidente executiva do Todos pela Educação (Estado, 6/9, A17), um planejamento inteligente possibilitará a superação do atraso em três ou quatro anos, zerando o prejuízo, sem a necessidade de correr riscos.


Tibor Rabóczkay trabocka@iq.usp.br

São Paulo


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LÓGICA POLÍTICA


A pergunta tem sido recorrente: por que crianças podem brincar com amigos, ir aos shoppings, às praças, e não para as escolas? A resposta é simples: a educação não é prioridade, nunca foi. Ela é usada politicamente, basta ver o que dizem os gestores, que não estão preparados para a volta. Algum dia estiveram? Motivados pelas eleições, prefeitos fazem o que os sindicatos querem. Os sindicatos das escolas públicas não querem a volta às aulas, o.k., então não volta, e a ameaça aos votos sai do foco, os bares e restaurantes pressionaram para abrir, abriram. Novamente, o foco da eleição se dissipa. Ouvi o prefeito Bruno Covas dizer que muitas crianças moram com avós e por isso não podem ir para as escolas, mas os pais dessas crianças não usam transporte público superlotados, e quando voltam não contaminam os que ficam em casa? Qual a lógica, a não ser política? Os gestores atendem a todos os sindicatos, de acordo com sua conveniência. Perde o Brasil, perde a sociedade, pois as medidas tomadas beneficiam quem quer se eleger.


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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O FUTURO DO TRABALHO


A pandemia, a exemplo de todos os fenômenos naturais e humanos, sempre de duas ou variadas faces, importa em intensificação do trabalho home office. Mas esse novo modo de trabalho não se instaura, com eficiência e segurança, automaticamente. Implica reavaliação e adequação do homem a um trabalho sem sair de casa, certamente de menores custos, como o de transporte e alimentação. Contudo, costumes e valores fundamentais serão postos em xeque. Adaptar-se-á o homem, se um de seus genes predominantes remonta à saída diária das cavernas, a permanecer em seu sítio doméstico? As relações conjugais e familiares serão mais propícias aos atritos ou às conformações dos hábitos? Os empregadores saberão lidar com a liberdade de seus empregados, acostumados ao mando e à obediência? Os empregados saberão lidar responsavelmente com a liberdade imposta pelo distanciamento? Há uma série enorme de interrogações que, de qualquer modo, uma dia seriam postas em pauta, como pontuou o maior especialista no tema, o italiano Domênico Di Masi (O futuro do trabalho). Foram simplesmente precipitadas por uma crise sanitária. A pauta do momento está com a sociologia e a psicologia do trabalho.


Amadeu Garrido amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

 

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