Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2020 | 03h00

STF

Troca de comando

Congratulações ao ministro Luiz Fux pela posse como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e por sua eminente carreira. Esperamos que mostre a este país o lugar correto e determinante do Supremo Tribunal, colocando essa Corte tão somente como guardiã fiel da nossa Constituição. Em boa hora o STF passa a ter na sua presidência um juiz experiente.

Eugênio Iwankiw Junior iwankiwjr@hotmail.com

Curitiba 

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Dias melhores

O novo presidente do STF nos deu esperança de dias melhores. O ministro Luiz Fux prometeu agilidade, imparcialidade, modernização via informática e fortalecer o combate à corrupção. É preciso findar a perigosa tendência de bandido virar mocinho e mocinho virar bandido. Oxalá que com Fux prevaleça o bem, ele sobreviva e supere os contra-ataques a que se exporá.

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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Discurso de posse

Torço para um feliz desempenho do ministro Fux na presidência do STF. No discurso de posse fez citações muito expressivas, como “democracia não é silêncio, é debate construtivo”. Correto. Expressou que harmonia entre Poderes não significa subserviência – recado para o Executivo. Corretamente defendeu uma atuação “minimalista” e criticou a epidêmica “judicialização”. E ainda exaltou o combate severo à corrupção, elogiou a Lava Jato e quaisquer outras ações nessa luta, o que, conforme a Coluna do Estadão, preocupou gente graúda nos meios jurídicos – advogados trocaram mensagens apreensivas sobre o discurso – e políticos (todos sabemos quem são). Que o novo presidente possa restaurar a tão necessária confiança do povo na Justiça. Mas para realizar tudo a que se propõe, como pontuou, precisará da verdadeira harmonia entre os Poderes e da participação da sociedade. Boa sorte.

Claudio Baptista clabap45@gmail.com

São Paulo

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Agilidade nas ações

Se nossos ministros do STF deixassem a vaidade de apresentar imensos relatórios ao proferirem seus votos, com tempo de exposição que extrapola qualquer possibilidade de atenção dos colegas, coisa que poderia demorar não mais que 15 minutos, a velocidade dos julgamentos seria outra, dando à sociedade maior satisfação com a nossa Justiça. E aí, ministro Fux, essa poderia ser uma bandeira sua? A plebe agradeceria.

Geraldo Siffert Junior siffert18140@uol.com.br

Rio de Janeiro

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Impedimento

Proponho desde já que o juiz que for nomeado pelo presidente Bolsonaro seja impedido de participar do processo em que o presidente da República é réu. Bolsonaro não terá dificuldade para empurrar com a barriga o depoimento presencial no caso contra o ex-juiz Sergio Moro. Logo mais nomeará um bolsonarista radical no lugar do ministro Celso de Mello e, se nada for feito em contrário, o processo será arquivado.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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Desgoverno Bolsonaro

Cantando vitória

No momento em que o País passa dos 130 mil mortos pela covid-19, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, no interior da Bahia, que o Brasil está conseguindo vencer a pandemia! O capitão precisa ter cuidado, foi por essas e por outras que Napoleão perdeu a guerra.

Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo

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Meio Ambiente

Queimadas na Amazônia

São mesmo absurdos os desmentidos de certas autoridades ou entidades a respeito da devastação, por incêndios, da Amazônia. Acham que somos um bando de imbecis! Desta vez esses caricatos amadores se superaram: montaram um vídeo onde mostram um mico-leão dourado, encontradiço apenas em biomas de Mata Atlântica, como se estivesse na plácida e verdejante Amazônia. Certamente nos próximos desmentidos de agressões à natureza vão mostrar pinguins no Polo Norte e esquimós na Antártida. Isso se antes não demitirem nossos excelentes cientistas do Inpe, “culpados” que são pelas queimadas por este país. Esse é o Brasil que conhecemos bem.

Paulo Sérgio Pecchio Gonçalves ppecchio@terra.com.br

São Paulo

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Morte do sertanista

Divisa de Rondon

A morte, no cumprimento do dever, do notável indigenista Rieli Franciscato, no último dia 9/9, em Rondônia, mostra que a mensagem do marechal Rondon continua viva e atual entre os brasileiros abnegados e idealistas que, enfrentando toda sorte de dificuldades, se dedicam a preservar a vida e a dignidade dos povos indígenas: “Morrer se preciso for. Matar, nunca!

Luiz Eduardo Pesce de Arruda luizeduardoarruda@yahoo.com.br

São Paulo

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A falta que ele faz

Lembro-me de presenciar no Xingu um famoso e querido sertanista que, com febre de mais de 40 graus por um ataque de malária, delirava e repetia o definitivo e acertado lema de Rondon: “Morrer se preciso for. Matar, nunca”. Creio que está faltando malária na cabeça de muita gente de Brasília.

Luiz Philippe Westin Vasconcellos lpwcv4@gmail.com

Jundiaí

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Congresso Nacional

Reeleição

A respeito do editorial Alternância do poder no Congresso (10/9, A3), se for para resumir em poucas palavras, eu afirmo que não resta a menor dúvida de que os dois presidentes do Congresso, tanto o da Câmara dos Deputados quanto o do Senado, querem alterar as regras depois que o jogo começou. A situação até poderia ser amenizada se a reeleição valesse para os próximos presidentes e daí para a frente, embora essa questão seja discutível. Mas já valendo para os dois atuais nada mais é do que legislar em causa própria.

Eugenio de Araujo Silva eugenio-araujo@uol.com.br

Canela (RS)

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E AÍ, PRESIDENTE?

Até quando o senhor vai assistir ao Pantanal queimando, sem fazer nada?

Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz 

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BIOMAS EM CHAMAS

No meio da pandemia, quando milhares de pessoas perderam a vida, a natureza também sofre com os incêndios criminosos nos biomas do Cerrado, da Amazônia e do Pantanal. O governo ainda ironiza dizendo que se trata de pequenos focos, e o responsável pela Amazônia, o general Hamilton Mourão, vice-presidente da República, foi mais longe divulgando um vídeo dizendo que nada está acontecendo por lá, porque os mico-leões-dourados estão salvos. Vergonha o que fizeram, e ainda falam de integração. O habitat dos mico-leões é a Mata Atlântica. Vergonha. As imagens rodaram o mundo, mostrando o descaso pelos três biomas, pela biodiversidade e pela vida. Com tristeza, pelos milhões de animais que perderam a vida. Isto é o Brasil hoje, sem ação para reduzir os prejuízos.

Jose Pedro Naisser jpnaisser@hotmail.com

Curitiba

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O MICO DA AMAZÔNIA

Que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é um despreparado todo mundo sabe. Mas nos surpreende assistir ao vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que também é presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, se prestar ao papel ridículo de divulgar um vídeo contendo uma autêntica fake news, ao defender a região amazônica com a imagem de micos-leões-dourados, que não são de lá. Os dois mostram que, além das queimadas irregulares, estamos mal, mesmo, tendo duas “autoridades” que nada conhecem do assunto, de Floresta Amazônica, de meio ambiente e, possivelmente, dos principais problemas do País.

João Di Renna joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)

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GAFE IMPERDOÁVEL

O controverso ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, depois de afrontar, literalmente, os países que financiavam a Amazônia Legal, mais uma vez, e com a maior cara de pau, pediu ao Ministério da Economia singelos R$ 134 milhões, sob a ameaça de parar com o combate às queimadas – combate que nunca existiu. Além de tudo, ele e o responsável pelo Conselho da Amazônia, o vice-presidente da República Hamilton Mourão, cometeram uma gafe imperdoável: postaram um vídeo com imagens do mico-leão-dourado, muito saudável, para negar as queimadas na Amazônia. Ocorre que o animal, além de estar ameaçado de extinção, não é encontrado na Amazônia, mas sim na Mata Atlântica. Essa dupla trapalhada pagou o maior mico, hein?

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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BONITINHO

Nosso vice-presidente e nosso ministro do Meio Ambiente se esqueceram de incluir no filme sobre a Amazônia intocada, além do mico-leão-dourado, que só vive na Mata Atlântica, também alguns cangurus, ornitorrincos e pinguins. Ficaria bonitinho, tanto ninguém se preocupou com a verdade.

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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FROTA ANTI-INCÊNDIO

Considerando as matérias Governo quer os militares em ações de preservação da Amazônia até 2022 (Estado, 8/9, A12) e Taxa sobre carbono pode aliviar dívida (Economia, B4), e em face da brutal continuação dos incêndios extinguindo a vida natural em grandes extensões nos biomas da Amazônia, do Cerrado, do Pantanal mato-grossense, parques e reservas naturais, reitero aqui no Fórum dos Leitores minha proposta na carta Investidores anti-incêndio (Estado, 22/9/2019, A2) para a formação urgente de uma frota internacional de acesso rápido de aviões anti-incêndio, em apoio mútuo, respeitando a soberania dos países.  Oportunidade para o presidente Jair Bolsonaro, o vice-presidente general Hamilton Mourão – coordenador do Conselho Nacional da Amazônia Legal e da Força Nacional Ambiental –, o ministro Paulo Guedes, o ministro Ricardo Salles, empresários, governantes sul-americanos e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) protagonizarem, com o apoio solidário da chanceler alemã,  ngela Merkel, e de seus pares da União Europeia, a elaboração de um acordo vinculando a atuação dessa frota e redução da taxa de carbono a apoios financeiros aos países participantes. O planeta Terra e as gerações futuras agradecerão.

Herbert Halbsgut h.halbsgut@hotmail.com

São Paulo

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A POSSE DE LUIZ FUX

Felizmente, chegou ao fim o obscuro mandato de Dias Toffoli na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). E, desejando harmonia entre os poderes da República, sem que isso signifique “subserviência”, assume este honroso cargo o ministro Luiz Fux. Diferentemente de Toffoli, Fux promete que não vai tolerar recuos no combate à corrupção e elogiou a Operação Lava Jato – trabalho da força-tarefa que a população brasileira aprendeu a admirar. Jair Bolsonaro, presente na cerimônia de posse de Fux, ouviu isso, mas não deve ter gostado, porque, com filho e aliados investigados, o presidente da República faz de tudo para desconstruir a Lava Jato. Bolsonaro também não deve ter gostado do tributo prestado por Fux às quase 130 mil mortes causadas pela covid-19, na pandemia tão desprezada pelo presidente. Em outro recado ao Planalto, Fux salientou que é preciso respeitar as “diferentes ideias na sociedade”, criticou a “judicialização vulgar e epidêmica” de problemas do País que deveriam ser resolvidos pelos outros poderes. A posse de Luiz Fux é um sopro de esperança de que, nos próximos dois anos, vamos ter um Supremo Tribunal Federal exclusivamente alinhado com a Constituição.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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CERIMÔNIA NO STF

O desrespeito, entre os chefes dos Três Poderes constituídos, ficou estampado na cerimônia de passagem da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). O noblesse oblige sucumbiu à gestão da casa-da-mãe-Joana.

Antonio Manoel Vasques Gomes amavago@gmail.com

Rio de Janeiro

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DIAS TOFFOLI

Menos um petista na presidência do STF. Não vai deixar saudade.

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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REELEIÇÃO NO BRASIL

Pergunta 1: a reeleição seria questionada se um vulto da esquerda pretendente do poder permanente estivesse no governo atualmente? Pergunta 2: por que Fernando Henrique Cardoso se manifesta só agora (Reeleição e crises, Estado, 6/9, A2)? É muita desfaçatez! Pergunta 3: caso não houvesse a possibilidade de reeleição, os que se dizem “de oposição” ajudariam o governo a fazer uma boa gestão?

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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QUESTÃO MAL RESOLVIDA

A questão da reeleição é ainda uma questão muito mal resolvida em nosso meio. Afinal, os nossos políticos acham que a política é uma profissão vitalícia com direito, inclusive, a nababesca aposentadoria. Para a saúde da democracia, já está na hora de acabar com o regime da reeleição em todos os níveis, e não só no Executivo.

José Elias Laier joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos

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PIOR QUE A REELEIÇÃO

O instituto da reeleição não foi um erro, como afirmado pelo responsável pela criação do instituto, FHC. A reeleição é comum nos países desenvolvidos. O erro está nos eleitores, que, ao invés de avaliar o desempenho do político eleito, se iludem com o eleito que usa seu poder e a máquina pública e o ajudam a permanecer no cargo, recebendo e compartilhando fake news. Enfim, se aceitamos que seis permaneça no cargo como se fosse meia dúzia, a culpa não é do instituto da reeleição, dos políticos corruptos, mas, sim, dos eleitores, que são obrigados por lei a votar. Será que para salvar o País da falência o melhor é acabar com a reeleição ou com o voto obrigatório? Conhecendo os “nobres” congressistas e a mídia conivente, acredito que vão acabar com a reeleição e continuar com o voto obrigatório, e vamos seguir em frente com nossa republiqueta de bananas.

Maria Carmen Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

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CONFISSÃO DE ERROS

Antes tarde do que nunca. O mea culpa de Fernando Henrique Cardoso foi em relação à instituição da reeleição, mas ele nos deve, também, desculpas pela indicação de Gilmar Mendes para o STF, que só legisla contra o Brasil e a favor de corruptos.

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo 

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PORTAS ABERTAS

O maior erro de FHC não foi a reeleição, e sim a sua total alienação quanto à sua sucessão no 2.º mandato, deixando as portas abertas para Lula ganhar a eleição.

Luis F. Meirelles Carvalho meirelles@meirellescarvalho.com.br

São Paulo

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BOMBOU NAS REDES

O sr. Xico Graziano deve estar em retiro incomunicável e já há muito tempo, não só pela pandemia, senão saberia que desde sempre o sr. Fernando Henrique Cardoso lamenta ter aceitado o instituto da reeleição. Não foi a primeira vez.

Nelson De Martino Filho nelsondemartino@yahoo.com.br

São Paulo

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EX-PRESIDENTES

Para o bem ou para o mal, ex-presidentes deixam marcas indeléveis no imaginário popular. Entre erros, acertos e meas culpas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é e continuará sendo lembrado pela maioria da população que vivenciou sua gestão como verdadeiro exemplo de estadista. Já não se pode dizer o mesmo de seu sucessor, Lula, atolado em escândalos de corrupção e considerado o chefe da quadrilha que assaltou os cofres da Petrobrás. Não sabemos qual será a marca pela qual Jair Bolsonaro será lembrado no futuro, mas coisa boa certamente não será. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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ELEIÇÃO E REELEIÇÃO

Interessantes o editorial O presidente tem toda a razão (A3) e o artigo Reeleição e crises (A2), do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, publicados na edição de 6/9. As duas matérias são complementares, na minha visão. No artigo de FHC, ele afirma ao final: “Acabar com o instituto da reeleição e, quem sabe, propor uma forma mais ‘distritalizada’ de voto são mudanças a serem feitas. Esperemos...”. Gostaria de ler do ex-presidente um futuro artigo em que ele apresentaria, de forma sucinta, qual seria este modelo sugerido de “distritalização” da votação. Parabéns ao Estadão, pelo alto nível de discussão imposto em suas matérias. 

Andre Peggion andre.peggion@bol.com.br

São Paulo

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‘ESTE CARGO NÃO É PARA QUALQUER UM’

Com base nessa frase pronunciada pelo presidente da República Jair Bolsonaro, o editorial de 6/9 dá razão ao primeiro mandatário da Nação e passa a definir tudo o que um verdadeiro presidente não pode ser ou fazer, concluindo que “os incapazes de exercer o cargo continuem indefinidamente no poder”. As considerações desenvolvidas provam que o atual mandatário se enquadra em tudo o que não se admite na personalidade do presidente da República, motivo pelo qual merece ser afastado do poder, senão por decisão determinada pelo Legislativo, que seja por sua derrota em 2022. Esta última hipótese talvez seja a mais difícil de ocorrer, porque a opção pelo populismo escolhida por Jair Bolsonaro é o melhor caminho para conseguir sua reeleição. Infelizmente, não surgiu até agora alguém desprovido das virtudes negativas que caracterizam o atual mandatário e dificilmente aparecerá em nosso horizonte um candidato provido das qualidades necessárias para representar com dignidade nossa pátria. Para impedir que a Nação prossiga em rumo incerto e não sabido, nossa esperança reside na medida a ser adotada pelos atuais legisladores. Serão eles capazes de tomá-la?

Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com

São Paulo

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CORTINAS DE FUMAÇA

Tempos complicados de pandemia, num cenário de crise, com contexto político e econômico caótico em nosso país. As plataformas e as propostas eleitorais ou eleitoreiras do bolsonarismo em 2018 – abordando temas de corrupção, ética, segurança, economia, fim da velha política, entre outros, não planos de governo –, se aliaram compreensivelmente às expectativas e às esperanças que, combinadas com a revolta antipetista, consumaram a vitória. Sabíamos e sabemos da maldita herança petista e das amarras que surgiriam para dificultar uma refundação democrática do Brasil. Sabíamos, também, do pobre passado de realizações e atuações políticas do candidato, portanto sem surpresas. Hoje, verifica-se que, após tantos altos e baixos, mais do que altos, tudo se resume à sobrevivência política de um governo conflituoso, confuso, controvertido, acuado e comprometido, praticando tudo aquilo contrário ao “vendido” nas eleições. Houve, pelo menos, a iniciativa da reforma tributaria e da reforma administrativa, ambas, porém, muito aquém da proposta e da real necessidade do País. Posterga-se tudo para uma futura década. Em outra frente, trabalha o PR arduamente para as eleições de 2022. Tudo isso com as devidas cortinas de fumaça, propaganda e com o atual lema “o politicamente viável”. Sorrateiramente se tenta disfarçar o lapso do candidato x presidente. Mas o mito precisa ser preservado, e seus métodos básicos, que contemplam incertezas, desinformação, medo, anticomunismo e a desconstrução de reputações, estão a todo vapor. Acrescentem-se a isso o viés populista e o gosto pelo poder. Para quem não fazia questão da reeleição! Do ponto de vista classificatório dos fiéis seguidores, dentre aqueles que não participam cegamente do ideário bolsonarista, encontram-se os “bundões”, os isentões, os comunistas, esquerdopatas, entre outros inomináveis. Por um outro ângulo de observação busquei, melhor ou mais realisticamente, entender o perfil dos votantes bolsonaristas. Dos quase 58 milhões de votos na eleição, encontramos, decorridos quase dois anos, os seguintes perfis: os delirantes, os deludidos e os desiludidos. Delirantes, uma psicopatologia em que se encontram delírios crônicos, do tipo teoria da conspiração, teoria do extermínio em massa, vacinas com chips e mudanças no código genético, entre outros. Deludidos, outra psicopatologia e também considerada, no zen budismo, como uma afronta e a visão distorcida da realidade como ela é ou como a mente engana, em que, por exemplo, um missionário irá, por uma dádiva divina, resolver tudo, num passe de mágica. Técnicas alucinatórias impingindo a incerteza, a desinformação e o medo, principalmente do retorno da esquerda. Finalmente, o desiludido, que acredito seja a grande maioria dos votos então recebidos, o eleitor que se desencantou, e ainda não foi contaminado pela delusão e pelo delírio, não se encontra nas classificações dos bolsonaristas, e ainda acredita numa solução democrática e realista. Na percepção do desiludido, além do abismo entre propostas e rumos está o fato de haver muito barulho sem harmonia e sintonia, muita fumaça e pouco de concreto, muita coisa miúda e populista para tanta confusão. No interior costuma-se dizer que, quanto mais vazia a carroça, mais barulho faz.

Luiz A. Bernardi luizbernardi51@gmail.com

São Paulo 

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