Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2020 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Carta de Pero Vaz Caminha

Departamento de obras sempre foi cabide de empregos para os amigos de el-rei desde o descobrimento do Brasil. A desfaçatez de Jair Bolsonaro, no entanto, supera qualquer avaliação. Em época de peste de covid-19, fazer corte bilionário em saúde e educação para elevar as verbas de obras públicas chega às raias da demência.

MARIZE CARVALHO VILELA

MARIZECARVALHOVILELA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Cartão vermelho

Não bastasse a interminável sucessão de desatinos, agora mais essa: tirar verbas da educação e de programas de assistência a crianças de até 3 anos de idade para turbinar projeto populista (para ensinar isso o PT serviu) visando à reeleição. O presidente deveria erguer o braço bem alto, para que todos vejam, e dar cartão vermelho para o fulano que aparece no espelho à sua frente.

RICARDO HANNA

RICARDOHANNA@BOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Mudança de cenário

Com o enfraquecimento do ministro Paulo Guedes, da Economia, e a mudança temporária de foco do governo Bolsonaro, quem começa a crescer é Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional, e Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, a dupla que trabalha para desfalcar as pastas da Educação, da Agricultura e da área social, a fim de investir em obras de grande visibilidade que possam render votos em 2022. Pelo visto, as mãos que manejam as finanças do governo estão mudando, o “posto Ipiranga” pode trocar de bandeira logo. Isso não é bom para o País.

TOSHIO ICIZUCA

TOSHIOICIZUCA@TERRA.COM.BR

PIRACICABA

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Estelionato

A elite brasileira assiste placidamente ao maior estelionato eleitoral da nossa História, com a defenestração vergonhosa de seus mais fortes apoiadores e objetivos declarados: Gustavo Bebianno, Luiz Henrique Mandetta, Sergio Moro e o combate à corrupção. Vai ficar assim?

ROBERTO HOLLNAGEL

ROLLNAGEL@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Projeto de poder

É bem possível que o ex-capitão que ora nos (des)governa já tivesse em mente há tempos seu ambicioso plano político. O ínclito pastor que, segundo noticiado está vendo o sol nascer quadrado, prestou-lhe excelente auxílio ao banhá-lo nas águas do Rio Jordão. Assim, com uma só paulada o ex-capitão matou dois coelhos: ganhou o apoio incondicional dos mercadores de milagres e conseguiu juntar seus prepostos políticos num grande bloco político suprapartidário, cujos interesses materiais não são ocultados nem por eles próprios. O cenário atual é ainda mais dramático porque o combate à pandemia, por seus múltiplos problemas ecológicos e socioeconômicos correlatos, cria ambiente propício para que ele, ajudado por políticos e empresários coniventes, trame a sua continuidade no poder.

ARNALDO AMADO FERREIRA FILHO

AMADO1930@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Qualquer um

A democracia dá oportunidade, de fato, para eleger qualquer um, como aponta Luis Fernando Verissimo (17/9, H6). Daí por que, além de Bolsonaro e dos demais apontados por ele, se elegeram Lula e Dilma. Democracia exige povo com educação e capacidade para votar.

DARIO JOSÉ DEL CARLO ROMANI

ORIDA@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Devastação ambiental

Amazônia maravilha

O vice-presidente Hamilton Mourão disse que levará embaixadores para a Amazônia a fim de provar que está tudo bem na região. Só não o fez até agora porque as aeronaves da Força Aérea Brasileira não podem decolar por falta de visibilidade em razão da fumaça das queimadas por lá... Também disse que o Brasil não pode perder o bonde da História, referindo-se à implantação da rede 5G. É verdade, os 48% da população que vivem sem tratamento de esgoto e os 35 milhões que não têm água tratada em suas casas não veem a hora de usufruir essa tecnologia indispensável à vida. Pobre pátria amada, Brasil.

LAURO BECKER

BYBECKER@GMAIL.COM

INDAIATUBA

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Reforma administrativa

Inclemência histórica

Cumprimento o Estado pela publicação do excelente artigo Reforma administrativa, realismo fantástico (17/9, A2), do nobre advogado Modesto Carvalhosa, que em seus 88 anos bem vividos demonstra uma lucidez rara no Brasil nestes tempos sombrios. O Centrão, ao qual o presidente da República se curva de maneira solenemente obsequiosa, passando recibo de otários aos eleitores que – como eu – confiaram nas suas falsas promessas, é o grande câncer do Brasil. Somam-se os servidores que se servem do Estado, ao invés de servirem a ele, firmemente agarrados nas tetas e nos penduricalhos criados por eles e pagos por todos nós, contribuintes. A História costuma ser inclemente com situações em que o povo é esmagado, como agora. A conta virá.

ARNALDO LUIZ CORRÊA

ARNALDOCORREA@HOTMAIL.COM

SANTOS

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Realismo fantástico

Ler Carvalhosa, ontem, permitiu-me “ler” o incessante vaivém nos pensamentos de Jair Bolsonaro de outra forma: nascido e criado nesta região do mundo onde os avanços tecnológicos convivem com um primitivismo atroz, sua mente é a do realismo mágico latino-americano. Não há um antes e um depois, um fato e uma fantasia, é tudo amalgamado e, portanto, nenhum progresso resulta, estamos sempre patinando na busca de um futuro imaginário que nos redimiria... E ai dos que não entram nessa mítica, são queimados em praça pública: Giordano Bruno pagou caro quando disse que a Terra era redonda. Antigos ministros e apoiadores deste governo, também. Até Lula está com medo e começou um discurso bolsonarista! Só o realismo fantástico latino-americano para explicar isso que, atônitos, observamos.

SANDRA MARIA GONÇALVES

SANDGON46@GMAIL.COM

SÃO PAULO

PLANO CONTRA O BRASIL


Governo quer tirar verbas da Educação, Cidadania e Agricultura para fazer obras (Estado, 17/9). Por que o governo não corta verbas do custo anual do STF, do Senado, da Câmara dos Deputados, do CNJ, da PGR e de outros tantos organismos cujos custos anuais são exorbitantes e fora da realidade? Vai tirar justamente da educação, que é a base do conhecimento e significa os alicerces de uma sociedade forte e sadia? Nunca seremos uma sociedade desenvolvida enquanto a educação for colocada em segundo plano.


Károly J. Gombert kjgombert@gmail.com

Vinhedo


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CADA DIA UMA AGONIA


“Governo quer tirar verbas.” E daí? São só R$ 430 milhões. E não é de todo mundo, né? Só da educação, cidadania e agricultura, pô! Deixa eles trabalha, pô!


Nelson Sampaio Jr. n.sampaio@hotmail.com

Curitiba


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BRASIL DO ‘FAZ DE CONTA’


Três frentes que o Brasil não leva a sério. É um autêntico “faz de conta” em reduzir a dispendiosa máquina pública, leve combate à corrupção com penas simbólicas e precária educação sem valorizar os mestres e melhores condições. Daí os eternos voos de galinha.


Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)


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A POSSE DE PAZUELLO


Após 122 dias como interino, no Brasil adoentado em meio à tenebrosa pandemia da covid-19, o general da ativa Eduardo Pazuello tomou posse como ministro da Saúde. Quando assumiu a pasta, em 15 de maio, logo após a saída de Nelson Teich, o número de mortos no País era de 14.817, e 218.223 casos confirmados. Em 16/9, apenas quatro meses depois, o número de óbitos cresceu nada menos que 9 vezes, alcançando 134.174, e cerca de 4,4 milhões de infectados. Certamente, sua efetivação no cargo pelo governo Bolsonaro não passa perto de meritocracia, pois não? Francamente!


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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NADA MUDA


Ao ser efetivado no cargo de ministro da Saúde, Eduardo Pazuello fez críticas às medidas determinadas pelos organismos da área da Saúde. Ou seja, ele confirma que faz parte do esquema e aceita as determinações do atual presidente da República, não aprovando o isolamento social, o uso de máscaras e a determinação de evitar aglomerações populares. Pelo visto, a pandemia não mudará o comportamento que está sendo adotado.


Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos


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MINISTÉRIO DA SAÚDE


Muito se critica que o atual ministro da Saúde não tem formação na área, isto é, não é médico. Alguns setores consideraram o economista José Serra, ex-ministro da Saúde no período de 1998 a 2002, como um dos melhores ministros da Saúde. Os que criticam a escolha do general Eduardo Pazuello sabem, por acaso, o número do CRM do sr. José Serra?


Carlos Alberto Duarte carlosadu@yahoo.com.br

São Paulo


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MINISTRO DEFINITIVO?


Considerando o passado recente da pasta, é bem provável que o eterno ministro interino da Saúde, agora efetivado, Eduardo Pazuello, se torne ministro definitivo temporário...


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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‘ORA, ARAS!’


O procurador (e talvez amigo) geral da República não vê crime do presidente Jair Bolsonaro quando este respondeu ao questionamento de um jornalista sobre o recebimento dos R$ 89 mil com a ameaça de “vontade de encher tua boca na porrada”. Antigamente, para mostrar enfado, desaprovação, desagravo e impaciência contra um interlocutor, dizíamos “ora, bolas”. Hoje, dá vontade de dizer “ora, Aras”.


Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo


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PATÉTICO


O procurador-geral Augusto Aras é patético e melancólico.  Achou pouco relevante a ofensa, em tom de ameaça, de Bolsonaro ao repórter do O Globo, e mandou sua deplorável decisão para o Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo vesgo, dócil  e servil  raciocínio de Aras, o valente  Bolsonaro só poderia ser processado e punido se partisse da teoria para a prática, quebrando os dentes do repórter com a covarde porrada. Francamente.


Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília


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#PORRADA


“Vontade que tenho é de encher sua boca de porrada”, disse Bolsonaro ao repórter, ao ser perguntado sobre os depósitos feitos por Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama. Creio que Bolsonaro é quem merece porrada por dizer asneiras como esta a um jornalista. Caso as eleições fossem hoje, Bolsonaro não seria eleito nem para síndico do Palácio do Planalto.


Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo


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ATÉ QUANDO?


Qual será o limite da subserviência do procurador-geral da República, Augusto Aras, em relação ao presidente Bolsonaro? E aproveito também para perguntar ao ministro da Economia, Paulo Guedes: qual o seu limite de dignidade para permanecer no cargo?


Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo


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FALTA DIÁLOGO


O presidente Bolsonaro desautorizou que seus colaboradores falem sobre o programa Renda Brasil até o fim de seu governo em 2022. Nas suas palavras, disse que, mesmo partindo da equipe econômica, seu autor receberia um cartão vermelho – como aconteceu em relação a Sergio Moro. Ora, pela enésima vez, o ministro Paulo Guedes é fritado, indiretamente, e mesmo assim permanece muito apegado ao cargo, esclarecendo que a referência à “expulsão” não era para ele. De qualquer maneira, no mínimo há uma imensa falta de diálogo no governo federal.


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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FUTEBOL POLÍTICO


Assumindo o papel de juiz de futebol, o presidente Jair (cloroquina) Bolsonaro aplicou “cartão vermelho” à sua equipe econômica, por deixar vazar a notícia de que está sob estudo o congelamento das aposentadorias e corte de benefícios sociais para idosos e deficientes. Nosso capitão já sonha com a prorrogação do jogo, ainda no primeiro tempo. Cometeu, e continua cometendo, faltas duras contra nossos parceiros naturais do Mercosul e da União Europeia. Anda ajudando a reeleição de Donald Trump (votando sempre com os Estados Unidos; importando arroz e até etanol), na esperança de que este o deixe jogar na primeira divisão. Xingou a plateia mundial por mostrar irritação com a falta de preservação da (já carbonizada) Amazônia. Sua reação para assuntos científicos, como os protocolos de proteção contra a covid-19, é chutar a bola para fora do campo. Como se percebe, sobram motivos para mostrar o mesmo cartão ao próprio presidente!


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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JAIR QUER SER REELEITO


O “juiz” Jair, logo após dar “cartão vermelho” para o programa Renda Brasil, já iniciou, no Senado, um outro projeto para apoio social. Dê jeito, vai ganhar mesmo...  Ah, que saudade do Lula!


Sérgio C. Rosa sergiorosa@uol.com.br

Belo Horizonte


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PALAVRA TEM DONO


No interior, conheci um político que dizia “a palavra é minha. Eu a dou e tiro quando quiser”. Parece o caso de Bolsonaro com o Renda Brasil. Primeiro, fala que está proibido falar em Renda Brasil no seu governo. Depois, no dia seguinte, determina a seus assessores a criação de um novo programa social. Afinal de contas, a palavra é dele, não é?


José C. de Carvalho Carneiro jcdecarvalhocarneiro@hotmail.com

Rio Claro


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CONTO DE FADAS


Adib Jatene, quando criou o monstro CPMF, queria custear a saúde. Não especificou, no entanto, qual tipo de saúde, e assim nossos espertos eleitos e nomeados “amigos do alheio” carrearam os recursos para a própria saúde financeira. Jatene, embora médico, desconhecia que nossa classe dirigente possui em seu DNA o gene recessivo da apropriação indébita, a compulsão por meter a mão no bolso alheio e o alto instinto de sobrevivência parasitária, do qual não é imune o atual ministro da Economia. Rotulado como Posto Ipiranga, seria a solução para todos os problemas. Ao longo destes 19 meses, mostrou-se apenas como uma birosca de meio de estrada com produtos e serviços de péssima qualidade. Para tentar sobreviver no mar revolto em que se meteu, transformou-se numa nova Sherazade e, assim, toda noite, conta ao sheik Messias um novo plano para salvar a economia do País e a sua reeleição no califado. Messias, que não tem memória (e, quando a tem, é seletiva), mas apenas vagas lembranças, não se dá conta (será?) de que o conto do vigário da nova CPMF, noite sim, noite não, lhe é contado. Sheraguedes é um disco de vinil arranhado e repete insistentemente esse conto, pois todos os seus outros são impraticáveis, ininteligíveis e não levam a lugar algum. Servem apenas para salvar temporariamente o seu pescoço. E assim, dia após dia, noite após noite, vivemos o nosso conto de fadas, com apenas uma alteração vocabular.


Renato Otto Ortlepp renatotto@hotmail.com

São Paulo


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REBANHOS E MANADAS


Ultimamente, a “imunidade de rebanho” está muito em voga e é aguardada ansiosamente por todos os seres humanos de todos os países, porque, quando ela for atingida, ou seja, quando cerca de 50% dos indivíduos já tiverem sido infectados pelo maldito vírus da covid-19, poderemos tirar as máscaras, voltar a nos abraçar, beijar livremente e respirar aliviados, pois a pandemia terá terminado. É o que dizem, mas não é o que quero aqui tratar. Para não confundir a exposição, vamos usar a expressão “passividade de manada” e compará-la ao comportamento da esmagadora maioria de nosso patrícios, que se encontra num vasto pasto (8,5 milhões de km²), com uma pequena parte ruminando ainda alguma vegetação verde e bebendo água escassa numa pequena lagoa, enquanto o restante busca desesperadamente o que comer e beber em terreno inóspito, tórrido e seco. E, na sua ignorância e/ou irracionalidade, não tem consciência de que no abatedouro situado no planalto central os carniceiros só fazem discutir a melhor forma de aumentar a eficiência do abate. Estes açougueiros, por sua vez, por insensibilidade ao sofrimento dos animais da manada, não percebem ou não acreditam que um dia possa ocorrer um avassalador “estouro da boiada”, que investirá sobre a sede do frigorífico onde eles comem churrasco do melhor corte, antecedido por filé de lagosta e tudo regado com renomados vinhos estrangeiros (ninguém é de ferro, claro) das melhores safras. Eles não acreditam que neste movimento violento do gado sofredor serão pisoteados com todos os que lá estão, não restando pedra sobre pedra do abatedouro. A única forma, no médio prazo, de estes insensíveis carniceiros evitarem o atropelo da manada será promovendo uma “reforma política já, com Constituinte, fim da partidarização obrigatória nas eleições municipais, voto distrital puro e recall de eleitos”.


José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo


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ELEIÇÃO EM SÃO PAULO


Seria Celso Ubirajara Russomanno o preferido do nosso presidente Jair Messias Bolsonaro para a Prefeitura de São Paulo, segundo a reportagem de 16/9/2020 no Estadão? Seria aquele mesmo deputado que foi denunciado pelo Estadão em 15/4/2016, de ter se locupletado indevidamente numa desapropriação pela Dersa? Seria o mesmo sujeito que tem uma extensa folha corrida no site do Tribunal de Justiça de São Paulo? Esquecendo essas perguntas, que derivam dos noticiários e sites judiciais, recordo que uma das bandeiras do nosso presidente era combater a corrupção, mas tudo tem lógica, combater a corrupção não é o mesmo que combater corruptos.


Jose Rubens de Macedo Soares joserubensms@gmail.com

São Paulo


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OBSESSÃO


Nas três entrevistas coletivas concedidas pelo governador de São Paulo e sua equipe todas as semanas desde o início da pandemia, chama a atenção a obsessão do ocupante (até 1 de janeiro de 2023, na pior das hipóteses) do Palácio dos Bandeirantes com o governo federal. Na sua fala introdutória, o governador João Doria invariavelmente cita, ainda que de maneira oblíqua, alguma notícia veiculada pela imprensa sobre o presidente Bolsonaro, colocando-se do lado oposto, seja qual for o tema. Algo curioso para quem foi eleito surfando na onda Bolsodoria. Impressiona como, de Brasília, o presidente consegue pautar a gestão do Estado mais rico da Federação. Da sua parte, o governador demonstra que seus pensamentos estão voltados unicamente para o sucessão presidencial. Definitivamente, São Paulo merece mais.


Hamilton Varela hamiltonvarela@gmail.com

São Carlos


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VENEZUELA


Que a Venezuela é um regime ditatorial, castrense, todos nós já sabíamos, menos o PT, diga-se. Agora, chega a notícia de mandar torturar e matar críticos, apenas corroborando o que todos já desconfiavam. Será que Lula e o PT irão pedir desculpas pelo apoio dado aos torturadores? Caso contrário, não terá diferença nenhuma de Bolsonaro, fã confesso da ditadura e da tortura.


Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca


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CHILE, ONTEM E HOJE


A polarização política e ideológica no Chile surgiu na eleição presidencial de 1970. O médico Salvador Allende exercia seu mandato de senador pelo Partido Socialista, desde 1945. Neste período, concorreu e perdeu nas eleições presidenciais de 1952, 1958 e 1964. Em outubro de 1970, Salvador Allende foi apoiado pela Unidade Popular, que integrava comunistas, socialistas, radicais e outras correntes populares. A coalizão de esquerda obteve 36,2% dos votos, contra 34,9% do ex-presidente Jorge Alessandri, o candidato de direita, e 27,8% do terceiro candidato, Radomiro Tomic, do Partido Democrata Cristão. A Constituição estabelecia que, não havendo vencedor por maioria absoluta de votos, ocorreria segundo turno de maneira indireta pelo Congresso Nacional. Este critério garante a legalidade do eleito, mas pode criar críticas à legitimidade por falta do voto popular nas urnas. Houve pressão diplomática dos Estados Unidos contra Salvador Allende. O grupo Pátria e Liberdade resolveu sequestrar o Comandante em Chefe das Forças Armadas para evitar a vitória do candidato socialista. O general René Schneider acabou sendo assassinado durante a tentativa de sequestro. A tragédia levou o Congresso Nacional a confirmar, dois dias depois, a vitória de Salvador Allende. Era a época da guerra fria, havia interferência das duas grandes potências. A URSS tinha enviado dinheiro diretamente para a campanha de Salvador Allende e canalizado fundos para o Partido Comunista do Chile. A interferência da KGB foi um fator decisivo para a vitória por estreita margem de 39 mil votos, num total de 3 milhões. O governo socialista adotou medidas de nacionalizações e estatizações que se chocavam contra os interesses americanos. Os Estados Unidos iniciaram um bloqueio econômico informal que impedia o Chile de obter empréstimos internacionais. A estratégia era sufocar gradualmente a economia chilena. Dependente de importações dos Estados Unidos, o Chile passou a ter suas indústrias e frotas paralisadas por falta de peças. Em setembro de 1972, houve uma greve de proprietários de caminhões que foi financiada pela CIA. A Confederação Nacional dos Transportes era presidida por um dos líderes do grupo Pátria e Liberdade. Esta greve impediu o plantio da safra agrícola 1972/73. A radicalização política e o clima de enfrentamento foram se acentuando tendo, de um lado, o Movimento de Esquerda Revolucionária (extrema-esquerda) que recebia armas soviéticas enviadas de Cuba e, do outro lado, o grupo Pátria e Liberdade (extrema-direita) que fazia treinamento de guerrilha e bombardeio nos Texas. Enquanto isso, a CIA financiava greves para paralisar o país. Além disso, havia atentados e assassinatos políticos. Neste período, a inflação subiu de 22,1%, em 1971, para 163,4%, em 1972, e 381,1%, em 1973. O PIB desabou de 9% positivo, em 1971, para 4,2% negativo, em 1973. Em junho de 1973, houve uma tentativa de golpe de Estado (El Tanquetazo) orquestrada por militares e pelo grupo Pátria e Liberdade. O Comandante em Chefe das Forças Armadas, general Carlos Prats, detectou a movimentação e conseguiu sufocar a rebelião. Mas a pressão contra ele era muito grande, o que acabou provocando sua renúncia em agosto de 1973. O general Augusto Pinochet assumiu o controle militar. Em 10 de setembro, os Estados Unidos iniciaram tradicionais exercícios navais com a armada chilena. No dia seguinte, Salvador Allende pretendia anunciar um referendo revocatório. Se ganhasse permaneceria no cargo até o final do mandato e se perdesse deixaria o poder. Não havia previsão legal, não havia clima político e tampouco haveria tempo. Uma esquadrilha de seis caças bombardeou o Palácio La Moneda. O presidente discursava pelo rádio, quando o sinal foi cortado. No fim da tarde de 11 de setembro, Salvador Allende suicidou-se na sede do governo. Repetiu-se a tragédia que abatera o presidente Balmaceda (1840-1891). Augusto Pinochet assumiu o poder e foi estabelecida nova Constituição em 1980. Após ser derrotado no referendo de 5 de outubro de 1988, ele ainda permaneceu governando o país até março de 1990. Após a redemocratização, houve estabilidade política e alternância de poder nestas últimas três décadas, com eleições presidenciais em dois turnos. A crise política do ano passado decorreu de vários fatores: o aumento do custo de vida, acentuadamente para o sul do país (região indígena onde vivem os mapuches) por causa da logística de abastecimento; baixos valores (por causa da capitalização) levam vários aposentados ao suicídio; aumentos previstos de metrô e de eletricidade cancelados após protestos; violência policial contra as manifestações com 20 mortes; hora do rush transformou-se em guerra de todos contra todos por lugar no transporte público. A prosperidade nos frios números macroeconômicos não levou em conta o calor social por mudanças no país.


Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

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