Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2020 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Desastre à vista

Mais uma vez comprovando seu descolamento da realidade e mostrando total alheamento do papel da ONU, Jair Bolsonaro prepara-se para, em seu discurso na abertura da Assembleia-Geral desse organismo, se defender de críticas que chovem de todo canto do mundo. Com certeza vai passar por cima de fatos como a destruição de boa parte do Pantanal e o aumento descontrolado dos focos de incêndio na Amazônia, bem como dos quase 140 mil óbitos na pandemia. Em seu surto psicótico confunde tribuna da ONU com palanque eleitoral e ignora que hoje em dia boa parte dos líderes mundiais conhece as mazelas brasileiras melhor do que ele. Ah, e duvido que explique ao mundo os R$ 89 mil na conta de sua esposa.

NELSON PENTEADO DE CASTRO

PENTECAS@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Mentiras

Novamente o sujeito vai à Assembleia-Geral da ONU falar para 200 países a mentira de que está tudo bem na Amazônia e no Pantanal, não estão pegando fogo e sendo desmatados e há recursos para combater eventuais problemas. E ainda há um bando de fanáticos que bate palmas para maluco.

JOSÉ CLAUDIO CANATO

JCCANATO@YAHOO.COM.BR

PORTO FERREIRA

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Reeleição

Mau uso

A não reeleição de um presidente que de qualquer forma se tenha revelado incompetente e/ou indigno em seu primeiro mandato deveria ser nada menos que óbvia. Mas o problema é que, pelo menos neste nosso Brasil, um líder com forte apelo populista consegue em seu primeiro mandato, e à custa do futuro, adquirir apoios suficientes para se reeleger. Nossa História ajuda a demonstrar que o Brasil, nas reeleições, muito mais perde do que ganha. E não só nas presidenciais, mas também nos demais cargos eletivos. Infelizmente, essa é a nossa realidade, que precisa ser aceita e corrigida.

LUIZ ANTONIO RIBEIRO PINTO

BRASILCAT@UOL.COM.BR

RIBEIRÃO PRETO

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Criar trabalho

A melhor agenda

Enquanto se busca, ainda sem resultado, uma solução para o problema do desemprego, o governo mantém sem resposta o desafio maior: como sustentar e fortalecer a retomada da economia. A solução responde pelo nome de reforma tributária ampla e profunda, que transfira carga tributária indireta sobre produtos para tributos diretos sobre a renda, não somente em nível federal, como também estadual. A solução mágica do “posto Ipiranga” de desonerar a folha de pagamento resultaria apenas em transformar empregos informais em formais, não criaria novos postos de trabalho, que só seriam gerados por aumento na demanda agregada e na produção. Uma redução relevante da tributação indireta sobre produtos teria como resultado um aumento real do poder de compra dos atuais salários, capaz não somente de reativar as máquinas da indústria, mas também de promover novos investimentos do setor. Reforma tributária ampla e profunda já! A bola está com o Congresso Nacional.

ELIE R. LEVY

ELIERLEVY@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Serviço público

Código de conduta

Não posso discordar do que se coloca no editorial Discrição, decoro e isenção (20/9, A3). Mas como avaliar sob esse ponto de vista o comportamento de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República?

LUIZ CALEJON

LUIZCALEJON@TERRA.COM.BR

CATANDUVA

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Eleição municipal

Em São Paulo

Como em eleições anteriores em que Celso Russomanno foi candidato a prefeito de São Paulo, mais uma vez nas primeiras pesquisas ele sai na frente. Mas nos pleitos anteriores o que se viu é que ele logo vai caindo e termina bem atrás – situação que ganhou o apelido de cavalo paraguaio. A ver.

MARCOS BARBOSA

MICABARBOSA@GMAIL.COM

CASA BRANCA

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Urbanismo

Anhangabaú

O novo Vale do Anhangabaú, em São Paulo, contará com uma fonte luminosa, antiga tradição da cidade, como também é tradição do poder público não realizar a manutenção, abandonar e deixar a obra se degradar. O mais recente exemplo são os jardins verticais ao longo do Minhocão. Conforme informou o Estado, os jardins serão retirados porque a Prefeitura não cumpriu seus acordos de manutenção. É assim: torra-se dinheiro com o cimentadão do Anhangabaú – futuro palco da cidade para comícios e pregações – e o restante do centro da cidade se transforma em sucata.

VALTER VICENTE SALES FILHO

VALTERSAOPAULO@YAHOO.COM

SÃO PAULO

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Retirada dos jardins

Tudo o que é bom em nossa cidade dura pouco. Querem demolir uma obra do porte do Minhocão, mas não conseguem sequer manter a conservação desses lindos jardins, que ajudavam a suavizar a dureza do concreto e dar à cidade um perfil mais acolhedor. Parece que só grandes obras de demolição e eventos que muitas vezes terminam em vandalismo e contribuem para agredir ainda mais a cidade despertam o interesse dos que deveriam ater-se mais aos detalhes cotidianos da urbe. Mas as razões por que não o fazem ainda permanece desconhecida pela maioria dos cidadãos que a habitam. Creio que continuaremos a reclamar e sonhando com uma São Paulo que apenas precisa ser restaurada, nunca demolida, já que temos aqui prédios e edificações repletos de História e assinados por arquitetos e engenheiros de renome mundial, que, abandonados, vão certamente se transformar em novos cortiços e ser destruídos pelo desrespeito e pela indiferença daqueles que têm o dever adquirido pelos nossos votos de zelar pela cidade onde moramos.

VERA BERTOLUCCI

VERAVAILATI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


BOLSONARO NA ONU


Primavera no Brasil e outono, com chuvas e trovoadas na ONU,       em Nova York, hoje, 22 de setembro, com Bolsonaro rebatendo criticas a seu desgoverno no combate à devastação na Amazônia e total falta de apoio no enfrentamento da pandemia do coronavírus, conforme noticiou o Estadão. Mais um vexame internacional, com explícita demonstração da falta de caráter de um presidente da República hipócrita e sem as mínimas condições de liderar uma nação, que abre uma sessão anual das Nações Unidas mentindo descaradamente, para vergonha do povo brasileiro.


Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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TUDO AZUL


Sob pressão ambiental pela segunda vez, Bolsonaro dirá na ONU que o Brasil foi bem no combate à pandemia da covid-19. Presumo que nosso mandatário acredita que na ONU eles desconhecem que o número de óbitos no Brasil já ultrapassa o número de 140 mil.


Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)


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DISCURSO


Pela tradição, o discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU é feito pelo presidente do Brasil. Em 2019, Jair Bolsonaro falou por alguns singelos minutos, haja vista que não tinha muito a esclarecer. Desta vez, apesar dos temas sempre desdenhados por Bolsonaro, como o combate à pandemia, o combate aos incêndios, desmatamento e de garimpos criminosos na Amazônia legal, certamente irá rebater as críticas dos países que investem no Brasil. O povo brasileiro espera que o presidente não se refira a esses problemas como “gripezinha” e “foguinho”, como já é de conhecimento da comunidade internacional. Na verdade, deveria se limitar a falar “bom dia e obrigado”. É mais prudente!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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MELHOR PREVENIR


“Sob pressão internacional, o presidente Jair Bolsonaro quer usar seu discurso na abertura da Assembleia-Geral da ONU, amanhã, para rebater críticas sobre a atuação de seu governo na área ambiental” (Estadão, 21/9). Recomendo ao nosso presidente que acione seus apoiadores para estarem na frente do prédio da ONU, pois lá estará toda a tropa esquerdista da pirralha sueca Greta Thunberg, a gritar palavras de ordem contra Bolsonaro. Que pelo menos se equilibrem as forças! Melhor prevenir que não ter remédio!


Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo


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A MENTIRA COMO ARMA


Agora, com dois dos maiores biomas extraordinários do planeta, a Amazônia e o Pantanal, sendo consumidos pelas chamas, com intensidades jamais vistas, os demais países encaminhando advertências e as críticas internas cada vez mais contundentes, o presidente Bolsonaro utiliza a última arma que lhe resta: a mentira. Esquece, contudo, que no mundo globalizado tal expediente não se sustenta, pior, acrescenta à política errática a ignomínia. Alia-se a essas tragédias a maior do nosso tempo, a pandemia, que vem ceifando a vida de brasileiros com um coeficiente per capita bem acima do da maioria dos demais países do planeta. Não por acaso, também por culpa do presidente Bolsonaro, que abraçou as teorias do achismo, em detrimento da ciência. E o fez de tal maneira esdrúxula, a ponto de colocar um general da intendência para comandar o Ministério da Saúde. Fico imaginando se, ante uma hipotética situação de conflito armado, ele colocaria como comandante das tropas em batalha um médico, teoricamente mais apropriado para cuidar dos feridos. O sério problema do aquecimento global e, principalmente, o da pandemia deixaram claro para mim que existe uma grande falha na nossa Constituição, ou seja, não prever a troca de um presidente em casos como o atual, em que o eleito se mostra totalmente inábil para exercer o cargo. Viajar até a região do Pantanal e ignorar o terrível incêndio devastador que ali grassa já seria um ultraje à população que lá habita. Dar ali parabéns ao Brasil por cuidar tão bem do meio ambiente, por si só, já é pior, é deboche. O Brasil sempre cuidou razoavelmente bem do meio ambiente, ainda que com ressalvas. Agora, não mais. É inaceitável o que vem ocorrendo. Não se trata de ideologia e muito menos de partidarismo. Os demais Poderes da República deveriam tomar providências urgentes, pois o Brasil está passando por um vexame inaceitável. Seria melhor adotarmos o regime parlamentarista, para não passarmos novamente por essa situação. 


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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A FUMAÇA PANTANEIRA


Na semana passada, a aeronave real de Bolsonaro I, o negacionista, foi obrigada a arremeter em razão da baixa visibilidade quando realizava turismo em mais um de seus passeios pelo país das maravilhas. Segundo Bolsonaro, incêndios e devastação não existem no País, sendo obra exclusiva das mentes doentias dos 200 milhões de comunistas que querem desestabilizar seu próspero governo. O que houve na realidade, naquele momento, deve ter sido apenas fumaça gerada por churrasco que estava sendo preparado em sua homenagem, e que em razão de correntes de ar comunistas alastrou-se pelo País.


Lauro Becker bozzo.dumm@gmail.com

Indaiatuba


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DITADO POPULAR


Enquanto o Brasil arde em chamas nas criminosas e condenáveis queimadas na Amazônia e no Pantanal, negadas até o último palito de fósforo, sem corar, pelo caradurismo irresponsável do governo Bolsonaro, cabe citar o velho dito popular e dizer: água morro abaixo e fogo (e fumaça) morro acima, quando começam, ninguém segura. Até quando?


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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A VEZ DOS PEIXES


O término das queimadas com a chegada das chuvas na primavera pode ainda não significar o fim do drama pantaneiro. Os peixes nos corixos (antigos leitos de rios) e baías (lagoas) de água rasa – aquecida pelo fogo e parada nesta época – estão mal e mal sobrevivendo, principalmente por insuficiência de oxigênio. Se as primeiras chuvas da primavera forem fracas, as cinzas penetram nas profundas rachaduras do solo esturricado juntamente com os dejetos anuais da fauna e o refertilizam. Mas, se acontecerem violentas a ponto de provocar enxurradas que arrastem esse mundo de cinzas das queimadas atuais para as escassas águas restantes, resultará que de repente os cursos de água amanheçam brancos, coalhados de milhares de peixes mortos boiando, desde os pequenos lambaris até os gigantescos jaús e pintados. É o fenômeno da decoada.


John Coningham Netto maria.coningham@gmail.com

Campinas


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A DESTRUIÇÃO DO PANTANAL


Não há, na história do Brasil, paralelo nem aproximado com o que está acontecendo no Pantanal, com uma séria de incêndios criminosos e o desmatamento desvairado de um bioma tão precioso. A perda de uma biodiversidade riquíssima, de uma fauna poderosa, destroçada por meios tão cruéis, das florestas e charcos e margens ribeirinhas de rios antes volumosos é tão grave que, mesmo um conjunto de atentados terroristas contra o território nacional não alcançaria o grau de destruição que esses incêndios estão conseguindo alcançar. Nunca imaginamos que poderíamos ver cenas tão horrendas dentro de nosso país, criadas por ações perversas motivadas pela ganância sem limites de um bando de desvairados. Já passou da hora de os Poderes sensatos desta República promoverem ação de impeachment deste desgoverno infeliz. Não é possível que tamanha desgraça possa ser aceita sem as medidas de recuperação e prevenção de maiores misérias que continuarão a ser cometidas se o atual desgoverno não for efetivamente removido.


Tomás Arruda tomasarruda@terra.com.br

São Paulo


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FUMAÇA


De acordo com a matéria Fumaça avança rumo a RJ e MG, de Fernanda Nunes (Estadão, 20/9, A13), um corredor de fumaça das queimadas do Pantanal e da Amazônia está caminhando para Rio de Janeiro e Minas Gerais. O calor em Belo Horizonte no fim de semana estava insuportável e a umidade estava abaixo da crítica. A irresponsabilidade do governo federal está atingido o Brasil como um todo. Este cara tem de sair!


Sérgio C. Rosa sergiorosa@uol.com.br

Belo Horizonte


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O SUMIÇO DE AGRICULTORES E PECUARISTAS


Salvo os aplausos na recepção ao presidente da República, os agricultores e pecuaristas do Pantanal – durante este período de intensas queimadas que arrasam não só as florestas, mas também todo tipo de vegetação e fauna silvestre – mantêm um intrigante distanciamento e pouco, ou quase nenhum, envolvimento no combate às chamas. Estamos a assistir a intensa e incessante participação do corpo de bombeiros, da defesa civil e do pessoal de organizações ambientais na defesa da floresta e dos animais, com recursos ordinários, número reduzido de homens e de equipamentos. Há que lamentar, também, o emprego de pequeno número de aviões agrícolas – em outro momento, na iminência de combater os gafanhotos, foram mobilizadas centenas de aeronaves – e reduzido número de maquinários. Em outros períodos, quer no das cheias de seus rios ou mesmo no de queimadas periódicas, a mídia exibia o desespero e a aflição dos pecuaristas na movimentação de seus rebanhos para salvá-los e, assim, evitar eventuais prejuízos pecuniários. Agora, quer antes ou no início das queimadas, não assistimos a qualquer movimentação de rebanhos, tampouco comoção dos grandes latifundiários plantadores na região, embora seja sabido que o Mato Grosso – tanto o do sul como do norte – ocupa a ponta na produção de cereais e carne do País. Nenhuma cobrança ao presidente da República, que fingia vistoriar o dano ambiental, que recepcionaram efusivamente. Fica o registro, para acrescentar este dado histórico para entender – penso ser possível – mais esta tragédia e destruição de importante santuário ambiental do País.


Noel Gonçalves Cerqueira noelcerqueira@gmail.com

Jacarezinho (PR)


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MUITO A APRENDER


O Brasil poderia aprender muito com o agronegócio europeu, poderia aprender a fazer presuntos que valem fortunas, poderia aprender a fazer maravilhas com o café, mas não, o Brasil não quer aprender nada. No lugar do caríssimo presunto europeu, o Brasil quer exportar boi vivo, vamos desmatar a Amazônia para podermos exportar cada vez mais bois vivos. O Brasil se recusa a fazer uma revolução industrial no campo, se recusa a aprender a agregar valor à sua gigantesca produção agropecuária, vamos continuar a exportar café em grãos e a assistir à Europa fazer fortuna com o café que ela importa do Brasil, agrega valor e revende no mundo inteiro, junto com as lindas máquinas de moer e fazer o café espresso. A Holanda poderia ensinar ao agronegócio brasileiro qual é o segredo para ganhar dinheiro com agricultura, afinal, a Holanda fatura mais que o Brasil com sua produção agrícola e tem uma área total comparável ao Estado de Sergipe. O agronegócio brasileiro vive um período pré-revolução industrial. Quando o Brasil finalmente acordar, vai-se dar conta de que não era preciso ter destruído o Pantanal, o Cerrado e a Amazônia, bastava aprender a trabalhar a produção como os europeus fazem há séculos.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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A IMAGEM DO JUDICIÁRIO


Agradeço ao professor Carlos Alberto Di Franco (Judiciário, imagem combalida, 21/9, A2) pelo incentivo dado ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luis Fux, augurando um retrocesso à loucura em que se meteu o Judiciário brasileiro. Distorcendo suas responsabilidades, politizando rasteiramente, corrompendo e soltando criminosos enquanto prende seus críticos, este monstrengo trouxe o desânimo a toda a população que dele depende nas suas piores horas.


Marcos Ficarelli ficareli@terra.com.br

São Paulo


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NOSSA CORTE SUPREMA


Sem dúvida acredito que temos algumas opções para ocupar a vaga que se abrirá com a aposentadoria do nosso atual decano no STF. Pedir demais seria alguém parecido com a recente falecida juíza da Suprema Corte dos EUA Ruth Bader Ginsburg, haja vista a comoção provocada no povo, principalmente entre os mais jovens. Muito difícil é termos no governo gente motivada e interessada em acertar a escolha para um posto importante como este, principalmente agora, quando mais necessitamos de princípios tão caros à nossa Justiça e à sociedade.


Itamar C. Trevisani itamartrevisani@gmail.com

Jaboticabal


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‘CANTO DO UIRAPURU’


Aos 87 anos, morreu Ruth Bader Ginsburg, a mais antiga juíza da enxuta Suprema Corte dos Estados Unidos. Por lá, os 9 (somente isso) juízes supremos, por serem vitalícios, ficam no cargo até a morte. Saúde à parte, legislando em causa própria, focado na cronologia para resguardar a boquinha estatal, quem sabe o retirante supremo Celso de Mello decida, de rompante e de ofício, que o lendário “canto do uirapuru” da Justiça norte-americana será agregado ao regimento do perdulário e adiposo STF, por paridade. Às favas a República e os demais Poderes, seguramente, levado o inusitado ordenamento ao plenário, os corporativos imperadores tupiniquins, por unanimidade e submissão de conveniência, acompanharão o relator, ampliando a validade de suas vidas funcionais, causando rubor e inveja à imortal Rainha da Inglaterra. Imagina quantas laudas e citações à Grécia Antiga terá o profético voto do sonolento decano Celso de Mello, expoente “mala erudita” da nossa magistratura!


Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


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JUSTIÇA CEGA?


No Brasil, alguém ainda tem coragem de dizer que a lei é igual para todos indistintamente? Vejam as filigranas jurídicas usadas para proteger a família Bolsonaro.


Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo


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ESTADO DE COMPADRIO


Em 2017, o então presidente Michel Temer, quando investigado por corrupção, obteve autorização do STF para responder por escrito aos questionamentos. Há alguns dias, o mesmo STF negou idêntico benefício ao presidente Jair Bolsonaro, determinando que ele preste depoimento pessoalmente em inquérito que investiga sua suposta intromissão na Polícia Federal. Lamentavelmente, em nosso país, a jurisprudência é mudada em função do réu, fazendo-o deixar de ser um Estado Democrático de Direito e tornar-se um Estado de compadrio. Aos amigos tudo!


Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro


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DEPOIMENTO


Só quem é fraco, medroso e “bundão” tem medo de depor pessoalmente à Polícia Federal!


Mario Miguel mmlimpeza@terra.com.br

Jundiaí


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OPA!


Não fosse o assunto da mais alta seriedade, o diálogo por WhatsApp entre o blogueiro de extrema-direita Allan dos Santos e o assessor do presidente Jair Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, além do depoimento deste à polícia no inquérito dos atos antidemocráticos, parecem mais um conto de comédia. Não bastasse o trecho em que o blogueiro afirma que as “Forças Armadas precisam entrar urgentemente”, ao que o tenente-coronel respondeu com um “opa!”, já ser por demais estapafúrdio, a justificativa de Barbosa Cid, de que este “opa” teve conotação de saudação (!) é realmente hilária. Para começar, se a conversa já estava em curso, é estranho “saudar” no meio de um diálogo. Além disso, não é difícil de perceber que a interjeição “opa!” foi usada com conotação de admiração e, portanto, o tenente-coronel concordava com a observação do blogueiro. Se o presidente Bolsonaro prezasse de fato os valores democráticos, o chefe da Ajudância seria imediatamente dispensado pela sua trapalhada.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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COBRANÇA


O blogueiro Allan dos Santos, divulgador das mentiras da família Bolsonaro, cobrou de assessor o uso das Forças Armadas, ou seja, crime contra a democracia. É preciso urgente investigar e, caso se comprove, punir exemplarmente.


Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca


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ATENDIMENTO NO INSS


Os direitos humanos deviam se manifestar contra o que os médicos do INSS estão fazendo neste país com quem precisa de perícia. Então, que larguem o INSS se eles não querem trabalhar. Povo nas filas, gente de idade aguardando, é aí que está o verdadeiro desrespeito aos direitos humanos.


Geder Parzianello Gederparzianello@yahoo.com.br

São Borja (RS)


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GESTÃO NA SAÚDE


Saúde é a prioridade para 33% dos paulistanos, diz Ibope (Estado, 21/9, A6). A própria matéria nos informa que já em 2016 eram 54%, e, portanto, não podemos atribuir somente à atual e séria pandemia tais resultados, já com milhares de mortes. Isso nos reflete a voltarmos sempre a cobrar gestão nesta área de uma forma mais eficiente e criativa. Em recente trabalho publicado na conceituada revista New England Journal (NEJ), Cardiovascular Telemedicine Program in Rural Australia (Adams C. Scott e col. agosto 27/2020), avaliaram populações nas zonas rurais e territórios indígenas, distantes, portanto, de centros maiores, e com acessos diferentes a serviços de saúde. Neste estudo, treinaram dois ou três agentes destas localidades na realização de testes ergométricos e Holter (gravação 24h dos batimentos do coração), e os resultados foram analisados durante 12 meses por equipe do Royal Brisbane and Women’s Hospital, através da telemedicina. Em 12 meses, aumentou em 42% o número de testes (516 para 734) e, na indígena, de 63 para 127. Outro objetivo extremamente importante foi uma redução de 502 km em viagens/paciente/ano, bem como no recebimento mais rápido dos resultados e condutas. Metodologia  simples, barata, ótimo custo-efetividade. Outros exames ou condutas existem em outros tantos campos. Austrália é um país com características territoriais muito semelhantes ao Brasil. Fica aí uma sugestão, de como gestão em saúde não são só verbas que resolvem, mas sim boas práticas e ideias.


Claudio Baptista clabap45@gmail.com

São Paulo


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COVID-19 E A VACINA


A disponibilização, já em outubro, dos primeiros 5 milhões de vacinas para a prevenção da covid-19, anunciada no domingo pelo governador João Doria, é fato relevante. Devolve aos paulistas a esperança de logo voltar à normalidade sem risco. Além da vacina chinesa – que o Instituto Butantã prevê fornecer 46 milhões de doses até dezembro –, temos em andamento a da Universidade de Oxford (Reino Unido), pela Fundação Oswaldo Cruz (Rio), e a russa Sputnik V, no Instituto de Tecnologia do Paraná (Curitiba). A vacina, somada à redução do número de infectados e de mortes, abre novas perspectivas. Espera-se que a distribuição do imunizante se faça na forma mais racional, sem a repetição dos arroubos e discussões políticas presentes na chegada e alastramento do coronavírus pelo País. Que as autoridades e especialistas – federais, estaduais e municipais – cumpram rigorosamente seus protocolos e jamais misturem esse trabalho com as eleições do presente ou do futuro. Se não tiverem outras razões, que seja pelo menos em respeito aos 136.895 brasileiros que já pereceram e aos outros que fatalmente ainda perderão a vida em decorrência do mal. E a população que continue tomando os cuidados até que a vacinação faça efeito e o risco tenha acabado.


Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo                                                                                           

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