Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2020 | 03h00

Economia

Derrama, não!

Das tentativas do presidente Jair Bolsonaro e seu ministro Paulo Guedes de criar mais impostos percebemos que vai longe o tempo em que havia um cidadão do porte do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que com seus companheiros de conspiração se revoltaram contra a derrama, os impostos escorchantes (então 20%) cobrados pela coroa portuguesa dos súditos brasileiros. Não tardou para que esse movimento de reação, a Inconfidência Mineira, se alastrasse pelo Brasil. Mas foi derrotado, com violência, pela Corte – Tiradentes foi enforcado e teve o corpo esquartejado e exposto para intimidar a população explorada. Desde a Proclamação da República, em 1889, os três Poderes, que se apresentam como republicanos, propiciaram, de um lado, o estabelecimento da classe privilegiada de servidores públicos, com seus inúmeros direitos adquiridos, e, de outro, uma distribuição de renda extremamente desigual, deixando a maioria da população em situação de pobreza, desemprego e sem acesso aos serviços essenciais básicos, apesar de ser ela pagadora dos muitos impostos que mantêm a privilegiatura. Lembro aos membros do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), guardião da Constituição, a divisa dos inconfidentes: “Libertas quae sera tamem”.

HERBERT SILVIO A. PINHO HALBSGUT

H.HALBSGUT@HOTMAIL.COM

RIO CLARO

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Liberal, mas nem tanto

O ministro Paulo Guedes diz-se liberal, mas cogitou de tirar recursos dos precatórios do governo federal para criar o Renda Cidadã. Sou amplamente a favor de medidas que reduzam a miséria e a pobreza do nosso povo, mas não sei de nenhum liberal que não pense em honrar seus compromissos. A imagem que esse tipo de ideia passa aos investidores externos é de que nosso governo é caloteiro. Qual investidor de fora se arriscaria a colocar seu dinheiro num país que prejudica a torto e direito os seus credores? A quem o governo pretende vender suas estatais? Guedes e nosso arremedo de presidente criaram uma grande jabuticaba nesse suposto liberalismo.

LEÃO MACHADO NETO

LNETO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Acrobacias cidadãs

O programa Renda Cidadã, pela forma como o governo busca alternativas de financiamento, equipara-se a uma pornochanchada criada de forma incompetente, oportunista e perversa. Há um sentimento de que o governo esteja funcionando em círculos e em looping (acrobacia). Reforma tributária e outras questões críticas estão paradas. Na Economia, e, aliás, em todos os outros ministérios, há sempre a tendência de fazer apenas o que já se sabe, nunca o que deve ser feito.

LUIZ A. BERNARDI

LUIZBERNARDI51@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Educação

Pasta dispensável

Excelente a coluna Ministro, peça desculpa aos professores, de Ignácio de Loyola Brandão, publicada em 30/9 no Estado. Como professora, fiquei perplexa com a entrevista do ministro Milton Ribeiro, mas nosso querido escritor araraquarense, que muito admiro, nos defendeu com veemência e conhecimento. Impressionou-me muito 0 sr. ministro dizer que o Ministério da Educação não tem nada que ver com... educação! Assim sendo, o ministério deveria ser extinto e suas verbas, distribuídas aos Estados e municípios. Quero agradecer as palavras de Loyola Brandão, faz muito bem saber que pessoas como ele valorizam o nosso trabalho. Obs.: Apesar das críticas por não querermos retornar às aulas presenciais, gostaria de esclarecer que, ao contrário do que muito pensam, estamos trabalhando muito mais horas durante esta pandemia, mesmo com grande carência de recursos.

LUCIANE LUTZ

LUCIANELUTZ@GMAIL.COM

NOVA EUROPA

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Pandemia

Volta à escola

A Prefeitura de São Paulo anunciou na semana passada a testagem prévia de todos os alunos e professores para a volta às aulas presenciais. Os já imunes terão ingresso preferencial. Podemos inferir que isso originará dois grupos, que terão atividades distintas: uma pequena parte presencial e a maioria, sem imunidade, não. Assim, pode-se prever longa espera para a volta às aulas presenciais de todos, o que ainda demandaria a realização de várias novas testagens. A cautela da Prefeitura baseia-se nas observações de que a intensa convivência, especialmente em ambientes fechados, aumenta a transmissão do coronavírus tanto no grupo como nos contactantes, como correu no time do Flamengo e na recente reunião no STF, episódios relatados pelo Estado. A postergação da volta às aulas presenciais é prudente, mas o plano em si é pouco produtivo, pois cria dois grupos e duas modalidades de ensino para as mesmas escolas. A testagem será extensa e onerosa, além de precisar ser repetida. O adiamento, na verdade, parece-me ter como sujeito oculto a bala de prata: a vacina.

BERNARDO EJZENBERG

BERNARDOEJZENBERG@YAHOO.COM

SÃO PAULO

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Feminicídio

Defesa da honra?

Estarrecedora a notícia STF acata decisão por ‘defesa da honra’ (30/9, A23) – sob a alegação de que decisão do Tribunal do Júri é soberana. E um réu que esfaqueou a mulher, alegando que ela o teria traído, foi absolvido. Sem palavras, fico com o argumento do ministro Luís Barroso: “Se chancelarmos a absolvição de um feminicídio grave como esse, pode parecer que estamos passando a mensagem de que um homem, ao se sentir traído, pode esfaquear sua mulher, em legítima defesa da honra”. É de pensar no episódio bíblico da mulher adúltera absolvida por Jesus: atire a primeira pedra quem não tiver pecado. Jesus perdoou-a, mas homens de presumível notório saber jurídico e dita reputação ilibada, com sua decisão, na verdade, acabaram por condenar a vítima! E em pleno século 21!

CLAUDIO BAPTISTA

CLABAP45@GMAIL.COM

SÃO PAULO


NOTÁVEL SABER?


Segundo claramente expresso na Constituição, a indicação para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) deve ser norteada pelas condições fundamentais de notável saber jurídico e reputação ilibada. É bem provável que o desembargador Kassio Nunes Marques, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro à vaga de Celso de Mello, cumpra plenamente estes requisitos e seja merecedor do cargo. Entretanto, no encontro que aconteceu entre Bolsonaro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, os ministros do STF Gilmar Mendes e Dias Toffoli e o próprio candidato, entre os vários assuntos que foram discutidos, o notável saber jurídico e a reputação ilibada de Marques seguramente não foram o tema principal da reunião.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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O SUCESSOR DE CELSO DE MELLO


Dois centímetros de hombridade e uma só pitada de brio e bom senso seriam suficientes para que Jair Bolsonaro, deixando de lado o orgulho e a jactância de imperador romano, cumprisse com a promessa de guindar à Suprema Corte o ex-juiz Sergio Moro. Seria uma forma honesta e digna de, a tempo e a contento, libar-se do sanhudo golpe aplicado àquele grande brasileiro, ao deixá-lo amargar o pó da estrada da vida. Some-se aqui outro pormenor, pois de cotio o Supremo é acusado como a sala de reunião de amigos, ou o bunker de estrutura pesada, reduto fortificado onde se arregimentam “ministros”, com o fim certo de blindar quem os indicou, como moeda de troca. Desta ignominiosa acusação Bolsonaro estaria absolvido por todos os brasileiros, com palmas pela nobreza do gesto, pela honestidade de caráter e grandiosidade de espírito, ao conduzir ao mais alto cargo do Judiciário pessoa capaz, proba, honesta e que reúne, melhor que qualquer outro, todas as condições para dignificar e elevar brilho e nome do Supremo Tribunal à altura que ele bem merece, como tempos atrás o próprio presidente reconheceu. Sr. presidente, ouvimos de sua boca “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”, pois abriram-se as cortinas para que suas palavras ganhem corpo, pois a Pátria, que são todos os brasileiros, levantaria hosanas à indicação de Sergio Moro, o que certamente, pela segunda vez, turbinaria sua reeleição a índices expressivos.


Antonio Bonival Camargo bonival@camargoecamargo.adv.br

São Paulo


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MAL MENOR


Tínhamos a chance ventilada por Bolsonaro de uma indicação “terrivelmente evangélica”, inclusive foi pensado – pasmem – no nome de Damares, depois em alguém que tomasse cerveja com o presidente; logo, a indicação de Kassio Nunes é um mal bem menor.


Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca


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PEC DA BENGALA


O Congresso Nacional deveria rever a PEC da Bengala e restituir a idade da aposentadoria compulsória aos 70 anos. Porém, não deveria se ater aos ministros do STF, tribunais superiores e tribunais de contas, mas contemplar de forma ampla todos os agentes públicos das três esferas de governo (federal, estadual e municipal) e dos Três Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário), inclusive políticos e militares. Seria uma forma de rejuvenescer este cenário caótico atual.


Jorge de Jesus Longato financeiro@cestadecompras.com.br

Mogi Mirim


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DE BOLSA EM BOLSA, BRASIL NÃO SAI DO LUGAR


A propósito do novo bate cabeça deste governo de batedores de cabeça, para definir as fontes de financiamento do tal Renda Cidadã, que até ontem era Renda Brasil, mas que continua a ser chamado de Bolsa Família, que por sua vez é filhote do Bolsa Escola. Programa social de transferência de renda mínima, direcionado, em tese, aos mais vulneráveis cidadãos brasileiros. Em tese porque nestes tempos ainda mais dramáticos de pandemia, e consequentemente de desemprego e queda de rendimentos de parcela significativa da sociedade, quando além do Bolsa Família somou-se também o auxílio emergencial de R$ 600,00 e de R$ 1.200,00 para mães solteiras, milhares de gatunos, espertalhões e sociopatas se aproveitaram para receber os valores indevidamente. Como diria o ainda ministro da Economia: “Uma festa danada”, só que não era naquela Disney do delirante. Foi no Brasil, onde já morreram mais de 140 mil pessoas, onde florestas e pântanos queimam, os preços disparam, e o presidente da República compra uma merreca de popularidade ao custo de R$ 50 bilhões ao mês. É evidente que os pobres precisam de ajuda, quanto mais numa situação de pandemia, isolamento social, empresas obrigadas a parar e fechar por períodos longos, desemprego recorde, etc. Porém, que não se perca de vista um fato: caso o País tivesse adotado medidas realmente rigorosas no início, sob a liderança do governo federal e cooperação de governos estaduais e municipais, todos com um só foco, talvez a crise tivesse sido menor e mais curta. Mas sabemos que foi tudo ao contrário, desde quando o principal líder do País, o presidente da República, resolveu duvidar da ciência, fazer chacota do vírus, brigar com todos os governadores e liderar somente sua tropa de fanáticos pela trilha insana do caos, que ainda vivemos diariamente. É um espanto que o sujeito ainda esteja no Palácio do Planalto, ao invés de ter sido levado sem delongas para um manicômio, preso numa camisa de força e medicado para todo o sempre. Mas estes tempos são terrivelmente desprovidos de qualquer sentido lógico. O planeta está sob a tutela do mal. Uma nuvem escura estacionou sobre o Brasil. Lá se foi mais uma década perdida. Até quando? De Bolsa Família a Bolsa Banqueiro, de Bolsa Deputado a Bolsa Empresário, de Bolsa Estatal a Bolsa Multinacional, de Bolsa Pastor a Bolsa Judiciário, o Brasil patina e não sai do lugar. A China nos últimos 30 anos tirou 700 milhões de pessoas da miséria sem nenhuma bolsa. Preferiu investir em educação básica e tecnologia. Hoje, colhe os frutos e se prepara para ser o país mais rico do mundo em breve. Não há segredo. A fórmula já foi testada e aprovada em vários outros países. Mas o Brasil continua a apostar no populismo barato. Perdão pelo clichê, mas, enquanto governantes se preocuparem somente com as próximas eleições, ao invés de investir nas próximas gerações, não iremos a lugar algum que não seja o abismo. Desse jeito jamais haverá o “país do futuro”.


Sandro Ferreira sandroferreira94@hotmail.com

Ponta Grossa (PR)


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A FONTE DE RECURSOS


O governo brasileiro continua a quebrar a cabeça para obter os recursos suficientes para o Renda Cidadã. O vice-presidente, o general Mourão, alegou que não tem de onde. Ele sabe de onde, só que é muito difícil: acabar com as mordomias dos políticos.


João Ernesto Varallo jevarallo@hotmail.com

São Paulo


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MAIA X GUEDES


Rodrigo Maia afirmou que “nem o ministro (Paulo Guedes) pode querer impor um imposto que a sociedade não quer”. Ele tem razão. Já o Congresso Nacional impõe à sociedade o que bem entende e a despeito dela querer ou não.


Marcelo Melgaço melgacocosta@gmail.com

Goiânia


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PANO PARA MANGA


Renda Cidadã ou Renda Brasil só está rendendo pano para manga na Fazenda Nacional. É o presidente da Câmara brigando com o ministro da Economia, que busca recursos para manter o auxílio emergencial, transformado em “bolsa” que renda por mais tempo a popularidade de Bolsonaro no bolso furado das famílias dos eleitores a serem embolsados. E, com a renda na Bolsa de Valores indo para o brejo, perde apoio do bolso dos farialimers...


Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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ERA DO POPULISMO


O nível em que se deu o debate entre os presidenciáveis norte-americanos esta semana só antecipa o que veremos aqui a partir de julho do ano que vem. Não se iludam, estamos numa era de populismos na política, em que o que menos interessa são propostas. Bolsonaro será novamente o Donald Trump da vez, e o que virmos acontecer nas urnas lá pode ser sim, em certa medida, uma antecipação do que teremos no Brasil, ainda que isso não seja uma regra. A política em torno dos populistas toma o oponente como inimigo, elege medidas de aparente resposta a demandas populares, mas que, na prática, não revertem em quase nada para a população, são nacionalistas extremos, radicais em sua xenofobia e em discursos contra diversidades e identidades étnicas, raciais e de gênero. Condenam movimentos migratórios, querem muros, em lugar de pontes, tanques de guerra e aviões supersônicos tendo mais reservas no orçamento do Estado do que recursos para livros e remédios, escolas e hospitais. Seus filhos estudam em instituições particulares e se internam em hospitais pagos. Não se importam com a coisa pública. A culpa de termos esta onda de políticos ascendendo ao poder é também bastante da esquerda, no caso do Brasil e dos democratas, no caso dos Estados Unidos, que fizeram da sua oportunidade no poder um somatório de erros, frustrando quem acreditou sempre na ética e que acabou dando um voto de confiança a quem prometia combater a corrupção e fazer deste outro país e da América de volta a primeira. Não vão conseguir uma coisa nem outra. É preciso reinventar a política, fazer reacender o amor pela coisa pública, o respeito à dignidade humana, a moral e a ética. Os debates mostram e continuarão mostrando que estamos muito longe disso. 


Geder Parzianello gederparzianello@yahoo.com.br

São Borja (RS)


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JOE BIDEN E A NOSSA FLORESTA


“Parem de demolir a floresta e, se não o fizerem, haverá consequências significativas.” Foi o que disse o candidato democrata, Joe Biden, no primeiro debate com o presidente Donald Trump. A quem está se dirigindo o sr. Biden? A quem está ameaçando? Ao seu próprio país, que devastou florestas? Ou ao continente europeu, que também devastou? Cínicos. Os países desenvolvidos devastaram florestas, poluíram o ar, se desenvolveram e, agora, ameaçam outros países. Take it easy, mr. Biden.


Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro


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NÃO É ASSIM


A Amazônia foi item de destaque na plataforma de Joe Biden para o clima do planeta, conforme revelado no debate de terça-feira: “Vou me unir a outros países, reunir recursos (US$ 20 bilhões) e oferecer ao Brasil dizendo (...) olha aqui, tem o dinheiro para você fazer o que queremos, caso contrário, haverá consequências.” É louvável a preocupação do Partido Democrata de Biden com o que resta das florestas no mundo; mas tem algo muito ruim explicitado nesse discurso. Não é desse jeito que um vizinho, que transformou suas florestas nativas em fazendas produtivas e riqueza, deve falar com aquele único país que – até agora, pelo menos – manteve quase toda sua floresta original em pé. A Amazônia precisa de parceiros beneficiários respeitosos, não de outros donos. O Brasil só tem a lamentar que a moda ambientalista entre chefes de Estado seja no mesmo estilo da antiga beligerância colonialista.


Olimpio Alvares olimpioa@uol.com.br

Cotia


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POBRE E ORGULHOSO


O Brasil é um país subdesenvolvido, de Terceiro Mundo, altamente endividado, com recorde de desemprego, há fome, falta de saneamento básico, o País enfrenta problemas gravíssimos, sem qualquer solução no horizonte. O provável futuro presidente dos Estados Unidos acenou para o Brasil com um bolo de dinheiro, mais precisamente US$ 20 bilhões, e foi destratado pelo presidente do Brasil. Com que direito o presidente Jair Bolsonaro esnoba o futuro colega americano? Joe Biden é um democrata, mas Bolsonaro o enxerga como um inimigo, de esquerda, quase um comunista. A suposta amizade de Bolsonaro com Trump só trouxe resultados positivos para o americano, Bolsonaro ficou chupando o dedo em várias ocasiões, Trump nunca ofereceu nada parecido com a proposta feita por Joe Biden. Jair Bolsonaro deveria ressarcir aos cofres públicos os US$ 20 bilhões que ele esnobou, sem nem sequer ouvir a proposta de Biden.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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SE BIDEN VENCER...


Bolsonaro deveria ficar preocupado. Se Joe Biden vencer as eleições nos EUA, os casos ambientais brasileiros poderão criar muitos outros problemas para a economia brasileira, com empresários sofrendo as consequências. As punições e outros remédios virão de diversas nações.


José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro


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PRESIDENTE, JÁ E TEMPO DE PARAR COM ISSO!


Quando o vice-presidente do Brasil disse que iria levar representantes de governos estrangeiros para ver como a Amazônia está preservada, ele mostrou, de forma clara e sincera, que este governo considera como Floresta Amazônica a área ainda intacta a oeste de Manaus e estendendo-se um pouco pelo norte do Pará, pela Colômbia e Peru. Para o governo, a área do Pará a sul do Rio Amazonas já está fora da Amazônia; e está sendo deixada para o “desenvolvimento” e o “aproveitamento econômico pelos milhões de habitantes que ali vivem”. Além das invasões, derrubadas de floresta estão sendo oficialmente autorizadas, a título de “distribuição de terras a colonos”. O caso do Amapá é emblemático para mostrar que o que se pretende é abater floresta e vender madeira. Embora todo o sudeste do Estado, bem próximo a Macapá e com razoável infraestrutura, seja coberto por cerrado similar ao do centro-oeste goiano e servido por boas drenagens, a distribuição de terras a colonos é feita exclusivamente em áreas de florestas ainda virgens, onde instalação de apoio logístico aos colonos será mais difícil. (Os olhos dos “combativos” senadores do Estado estão fechados para isso. Do governador, nem se fala.) Concluindo, o abate de florestas para a venda de madeira tem sido feito há décadas, mas sua velocidade tem aumentado ano a ano. Nesse interim, a percepção de que esse abate é nocivo se torna dia a dia mais forte, à medida que se conhecem melhor seus efeitos negativos na aceleração das nocivas mudanças climáticas que vêm afetando o País e o mundo. Presidente, já é tempo de parar com isso!


Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia


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O MINISTRO E O ESCRITOR


Oportuna e inadiável lição de moral ao ministro da Educação, Milton Ribeiro, o escritor e acadêmico Ignácio de Loyola de Brandão deu em sua crônica publicada no Estadão com título Ministro, peça desculpa aos professores (30/9, H3). Realmente, pela entrevista que o ministro concedeu a este jornal, falou só besteiras. Como, por exemplo, que a baixa qualidade na transferência de conhecimento aos alunos não é problema do MEC; chamou as famílias com membro gay de “desajustadas”; e se diz contra um professor homossexual em sala de aula. Corretamente, Loyola convida Riberio a sair de sua confortável poltrona no Ministério e visitar o interior do Brasil, para conhecer o trabalho elogiável dos professores que trabalham com muita dignidade, mesmo sem terem espaço físico e material ideal para conduzir as aulas – muitos até são agredidos por alunos e ofendidos pelos pais. E, encerrando sua crônica, Loyola sugere ao ministro: “Peça desculpas a essa gente, base da nação. Não misture alhos com bugalhos, libere-se dos preconceitos”. Bravo, brasileiríssimo Ignácio de Loyola de Brandão!


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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‘MINISTRO, PEÇA DESCULPAS AOS PROFESSORES’


Para bom entendedor, meia palavra bastaria... mas a cultura, a experiência e a sensibilidade de Ignácio de Loyola Brandão (30/9, H3) não farão marola neste desgoverno.


Maria Lucia Ruhnke Jorge mlucia.rjorge@gmail.com

Piracicaba


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LOYOLA


Sem fazer juízo de mérito nem de valor da coluna de Loyola na quarta-feira (30/9), triste ver escritor tão respeitado, no ocaso de sua intelectualidade, confundindo valores sobre manifestação de homens públicos.


Francisco José Sidoti fransidoti@gmail.com

São Paulo


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DIREITO NA UNIFESP


Venho repudiar atitude do governo. Mais um curso de Direito (Após quase 200 anos, Grande SP terá novo curso público de Direito, Estado, 30/9). O Brasil possui 1.240 cursos superiores de Direito. Com esse número, o País se consagra como a nação com mais cursos de Direito do mundo todo. A soma total de faculdades de Direito no mundo chega a 1.100 cursos. As informações foram divulgadas ontem, no blog Leis e Negócios do Portal IG. O número de advogados também é bastante alto, chegando a 800 mil. Mas, segundo o blog, poderiam existir muito mais. Conforme afirma a reportagem, se todos os bacharéis em Direito passassem no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – pré-requisito para poder advogar no Brasil –, o País computaria mais de 3 milhões de advogados. Nos países industrializados, o ensino de Engenharia é visto como assunto estratégico. Assim é a Coreia do Sul, dando um grande salto econômico depois que resolveu investir, maciçamente, na formação de engenheiros. Por aqui há um consenso de que para o Brasil se tornar uma nação plenamente desenvolvida também precisará seguir por este caminho. Mas como formar engenheiros em quantidade e com qualidade para enfrentar os desafios do século 21?  Aqui, no Brasil, por exemplo, apenas 6 em cada 1 mil que se formam são engenheiros, um número que reflete a dificuldade de concluir este tipo de curso. No Brasil, há uma relação de 4,8 graduados em Engenharia por 10 mil habitantes – proporção que vai para cerca de 16 em nações como Portugal e Chile; e para mais de 20 em países como Coreia do Sul, Rússia, Finlândia e Áustria. Não se dá valor à Engenharia. Na China, de cada 100 formados, 35 são engenheiros. Aí se vê o atraso do Brasil. Com tantos advogados, temos a Justiça mais injusta, pois a postergação ou o retardamento de sentenças causa imensa injustiça, o que é normal do País onde a maioria das sentenças chega quando a pessoa já faleceu. Fiz uma palestra num seminário de pós-graduação em Engenharia no Nordeste (várias faculdades) e o ideal dos bolsistas era fazer concursos públicos. Fiquei desanimado, aos 78 anos, pois fui pioneiro na Embraer e vi a diferença de pensamentos. Esquecem os nossos legisladores e professores que, quando o brasileiro larga tudo aqui em nosso país e vai para os EUA ou Europa, Austrália ou Nova Zelândia, eles vão, mesmo se sujeitando a profissões inferiores à sua formação, vão em busca de uma boa Engenharia, visto esta cuidar do externo do ser humano, enquanto o médico cuida do interior. Aqui não se dá valor ao engenheiro, mas sim aos advogados.


Ciro Bondesan dos Santos cirobond@hotmail.com

São José dos Campos


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JUSTIÇA


Justiça histórica sendo feita: mais de dez anos da idealização e há nove anos da fundação, a Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (Eppen) Unifesp Osasco recebe de volta seu Curso de Direito, constante do belíssimo projeto pedagógico original.


Ieda Verreschi ieda.verreschi@icloud.com

Vinhedo


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CORREIOS


Tantos problemas envolvendo políticos, meio ambiente, segurança e insegurança que parece aumentar todos os dias, e nos esquecemos de perguntar: o Correio ainda existe? Está funcionando? Há meses essa greve que não termina vem causando transtornos aos cidadãos comuns e, quero crer, às empresas também. Se demorar mais, acabaremos inventando meios e soluções paralelas que dispensarão os serviços cada vez mais precários dessa entidade que supostamente deveria ser de utilidade pública.


Vera Bertolucci veravailati@uol.com.br

São Paulo

 

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