Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2020 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Tunga na classe média

Depois de assistirmos a uma grande encenação entre o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, o ministro Paulo Guedes e o ministro Rogério Marinho, agora eles se juntam para achar uma solução criativa para financiar a nova Bolsa Família. E a proposta é acabar com a dedução padrão da Declaração Simplificada do Imposto de Renda! Ou seja, pretendem jogar essa conta para a classe média pagar sozinha.

JORGE DE JESUS LONGATO

FINANCEIRO@CESTADECOMPRAS.COM.BR

MOGI MIRIM


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Mais uma canelada

Acabar com o desconto padrão na Declaração Simplificada de Imposto de Renda prejudicará milhões de brasileiros. Essa obsessão pela reeleição vai levar o País ao caos político. Do jeito que vai, o estrago que Bolsonaro está fazendo será bem maior e vai custar muito mais aos brasileiros de bem do que o deixado pelo condenado Lula da Silva e seu poste. Pobre Brasil!

JÚLIO ROBERTO AYRES BRISOLA

JROBRISOLA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Sem rumo

Esse vaivém de indefinições de projetos e anúncios em torno de um programa social só espelha quanto o governo está desorientado e sem rumo. Bolsonaro não tem conseguido a tal governabilidade, a ponto de o Congresso ficar adiando votações para evitar acumular derrotas para o governo. Temos um desgoverno com agenda focada apenas em estratégias de reeleição e quem paga o preço é a população. Um governo que nega as queimadas e negou a pandemia, nega agora o benefício do Bolsa Família e quer iludir o País com reformas que, na prática, não mudam muito. Já não consegue avançar nos projetos que idealiza e não se entende nem internamente quanto ao que quer e pode fazer. Patético. Mas finge que governa.

GEDER PARZIANELLO

GEDERPARZIANELLO@YAHOO.COM.BR

SÃO BORJA (RS)

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Só não vê quem não quer

Fernando Henrique Cardoso que me desculpe, mas não concordo quando diz que governar é escolher e que Bolsonaro não quer arcar com o custo das escolhas possíveis (Dias sombrios, 4/10, A2). Ora, durante um tempinho ele escondeu, mas agora já deixou claro de que lado está e esfrega isso na nossa cara: contra a Lava Jato, contra a saúde da população, contra a diversidade, contra o meio ambiente e a favor de pôr cabresto no Supremo Tribunal Federal (STF). Para espanto de milhões que votaram nele só para se livrarem da sórdida corrupção petista, sorrateiramente ele se aproxima do petismo de má qualidade, começando pelo abraço fraterno em Dias Toffoli, ex-ministro de Lula. E nós é que pagaremos o preço de tudo isso. Ainda veremos Bolsonaro e Lula de braços dados, unidos pelo ódio comum a Sergio Moro e a suas ações contra a corrupção.

SANDRA MARIA GONÇALVES

SANDGON46@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Corrupção

Ex-mulher

Uma hora são os filhos e a rachadinha. Depois é a atual mulher, Michelle, que teve R$ 89 mil depositados em sua conta e recebeu recentemente R$ 7,5 milhões para sua “entidade”. Agora vem a notícia de que uma ex-mulher pagou 65% a menor na compra de um imóvel. Está explicado por que Bolsonaro quer controlar a Polícia Federal e ter um ministro no STF para chamar de seu.

MARCOS BARBOSA

MICABARBOSA@GMAIL.COM

CASA BRANCA

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STF

Constituição e tubaína

Excelente e verdadeiro o recado que o editorial A Constituição e a tubaína (4/10, A3) dá ao presidente da República e, em especial, ao Congresso. Ser ministro do STF é função de Estado, não de governo, por isso o cargo é permanente. O recado vale também para alguns dos atuais ministros, que visivelmente julgam o réu não pelo que fez ou deixou de fazer, mas pelas amizades e alianças políticas.

RADOICO CÂMARA GUIMARÃES

RADOICO@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Impedimento

Simplesmente perfeita a análise, feita pelo Estado, das incríveis motivações de Bolsonaro que determinam a indicação para o preenchimento de vagas no STF. Como foi ressaltado, os ministros do Supremo estão lá para defender o interesse público, jamais interesses privados. Nosso presidente deu uma demonstração pública incontestável de como usa o poder em benefício próprio. Não seria caso de impedimento?

LUIZ ANTONIO RIBEIRO PINTO

BRASILCAT@UOL.COM.BR

RIBEIRÃO PRETO

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Bola fora

Convenhamos, há um fato notório na indicação de Kassio Marques para o STF: desta vez Bolsonaro não conseguiu agradar nem a gregos nem a troianos.

FRANCISCO JOSÉ SIDOTI

FRANSIDOTI@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Oficialismo sufocante

Trapalhadas a granel

Tudo o que funciona na Terra Brasilis é de setores ou áreas em que não há intervenção governamental. Por exemplo, nosso pujante agronegócio. Já em setores em que o (des)governo resolve meter a colher a coisa desanda. Dilma quis regulamentar a profissão de empregada doméstica e o resultado foi contrário ao esperado, com perda de empregos. Empresas que ofereciam patinetes, diante das exigências municipais, muitas delas absurdas, saíram do negócio. Há uns três anos foi aprovada uma atualização da anacrônica CLT, do período Vargas. Agora um burocrata sugere a revisão e o desmonte de algo que está funcionando muito bem, que é o teletrabalho. Daqui a pouco os detentores dos penduricalhos e auxílios indecentes podem chegar à conclusão de que precisamos de controle de ponto para todos e, quiçá, chibatadas caso os funcionários saiam da linha... Claro que isso só para a iniciativa privada, nunca para os servidores públicos. Essa é a mentalidade dessa turma, muito bem paga por nós, que impera neste triste país.

RENATO AMARAL CAMARGO

NATUSCAMARGO@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO


Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


O ESCOLHIDO

Os porões do poder são penumbrosos e malcheirosos. É o que parece sugerir a recente indicação do procurador piauiense Kassio Nunes Marques para ocupar a vaga de Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal (STF). Na verdade, o público pouco sabe a respeito do preferido pelo Planalto além do que contém seu currículo profissional e do fato de que fora selecionado por Dilma Rousseff em 2011 para compor os quadros do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1). O que causa mais espécie, porém, é a articulação, revelada pela crônica política, que desembocou na presente designação, decidida após reunião meio secreta da qual participou o presidente Jair Bolsonaro. O encontro, turbinado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), ocorreu na residência de Gilmar Mendes e contou também com a presença de Dias Toffoli, nomes dos mais questionados por vários setores da sociedade, tanto pela atuação fisiológica no Congresso Nacional como por estranhas resoluções na Corte Suprema, respectivamente. O povo brasileiro tem o direito de saber quais os critérios que serviram de guia para a escolha, pois se trata de um dos mais importantes cargos da Justiça brasileira. Para isso, aguarda o resultado da sabatina a ser realizada no Senado federal e a decisão do plenário por maioria absoluta, atos constitucionais que avaliarão o nome apresentado.

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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URUBUSSERVANDO A PODRIDÃO

Aras, Mendonça e, agora, com aval Mendes-Toffoli, o tal de Marques. Atos da Presidência lembram hino futebolístico. Uma vez Jair, sempre Jair, Jair eu hei de ser... Pior para o Brasil. Se não é Bolsonaro na entrada, é Bolsonaro na saída...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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O CONVESCOTE

Jair Bolsonaro, Dias Toffoli, Davi Alcolumbre e Kassio Nunes se reuniram no fim de semana para festejar, mesmo sem o quinto comparsa Gilmar Mendes. Festejar a manipulação no STF e no Congresso?

Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião

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TUDO VELHO

O presidente Bolsonaro, não apenas demonstrando sua ligação estreita com a velha política, agora também o faz com a velha justiça, que sempre está à disposição de corruptos privilegiados. Muito triste tudo isso.

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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ENTRE O VELHO E O NOVO

Vivemos no País uma guerra entre o “velho toma-lá-dá-cá”, dos conchavos de interesses, sendo a maioria deles escusos, para acobertarem práticas não éticas e de corrupção, e a “nova política”, limpa e transparente. Pelo visto, esta guerra também existe no interior do presidente, entre o “velho”, tentando proteger a sua família, seu mandato e ainda se reeleger, lançando o projeto de reconstrução do País ao brejo, e o “novo”, cumprindo suas promessas de combate à corrupção e prosseguindo com as reformas, essenciais para a nossa recuperação, como a administrativa, a tributária e a política.

Silvia Rebouças P. de Almeida silvia_almeida7@hotmail.com

São Paulo

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JAIR E O STF

Bolsonaro declarou que escolhido para o STF tem de ter “tomado tubaína com ele”. Taí uma esperança para Fabrício Queiroz, que, além de tubaína, tomou muitas cervejas com o cara. Não foi desta vez, mas na saída de Marco Aurélio Mello, quem sabe?

Joao Paulo de Oliveira Lepper jp@seculovinteum.com.br

Cabo Frio (RJ)

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STF DO CENTRÃO?

Como disse Bolívar Lamounier no seu Dois Bolsonaros (4/10, A2), é inegável que o presidente Bolsonaro teve um lance de inteligência, ou, melhor dizendo, de esperteza, ao perceber que seu estilo se encaixava no papel que os eleitores estavam procurando em 2018: encarnar o antipetismo. Apesar de ilhas de excelência, no seu governo, deste Bolsonaro de 2018 pouco sobra, como resta observar na indicação do dr. Kassio Nunes ao STF. Novamente, num só lance, agradou simultaneamente o PT, o Centrão, denunciados na Lava Jato e a OAB. Tudo sob as bênçãos de Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Davi Alcolumbre e a ladroagem de raiz, como disse J. R. Guzzo no seu preciso Do ruim ao péssimo (4/10, A7), referindo-se ao próximo STF. Pelo visto, com o desencantamento dos seus eleitores quanto ao combate à corrupção restou o seu compromisso com o liberalismo, reformas, privatizações e desburocratização. Resta saber se era autêntico esse seu propósito ou se ele se deixará levar pelos novos aliados, com histórico de se locupletarem com o vasto funcionalismo e o gigantismo do Estado.

Nilson Otávio de Oliveira noo@uol.com.br

São Paulo

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DECEPÇÃO

Cumprimento o sr. J. R. Guzzo pelo artigo Do ruim ao péssimo (4/10, A7). Apesar de simpatizante de Bolsonaro, concordo plenamente com o jornalista: foi uma decepção a indicação do dr. Kassio ao STF. Decepcionante.

Cesar Eduardo Jacob cesared30@gmail.com

São Paulo


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DESILUSÃO

O que há com você, Bolsonaro? Não te reconheço mais. Eu votei em você, e não num travesti de José Sarney... Suprema Corte, mesmo, é a dos EUA, com uma real juíza de carreira e conservadora a toda prova nomeada. E, perdão, mas presidente conservador é lá também, porque aqui você é só papo.

Paulo Boccato pofboccato@yahoo.com.br

São Carlos


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A COMPOSIÇÃO DA SUPREMA CORTE

O novo indicado para a Suprema Corte brasileira, Kassio Nunes Marques, tem origem na advocacia, não na magistratura de carreira. Muitos se equivocam ao criticar esse critério. O jurista mais próximo dos dramas humanos e das liberdades públicas é o advogado. Jesus Cristo foi um tribuno da plebe. Aliás, recomendou que “não julgueis, para que não sejais julgado” (Mateus, 7:1-5). Claro que se referia aos julgamentos informais em relação aos próprios irmãos. Os julgamentos do STF devem seguir a característica das cores médias, como a entendia o gênio de Leonardo da Vinci. Seguir a lei, mas não ao pé da letra, porém segundo os propósitos da grande maioria popular. Os magistrados de carreira, que se distanciaram por longo tempo do povo, por força de sua função equidistante, tendem a prestigiar a forma do direito, que, quando exacerbada, é deformante, segundo a expressão do grande mestre Liebman.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo


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CONDIÇÕES PARA SER MINISTRO DO STF

Realmente, posso estar enganado, já que constitucionalista certamente não sou, nem em Direito tenho formação. Mas, para ter algum entendimento das coisas que nos cercam como participantes da sociedade, a formação jurídica certamente não é imprescindível, para não dizer que às vezes é até contrária. Por exemplo, se cabe ao presidente da República indicar alguém para determinado cargo, é óbvio que não cabe a ninguém mais palpitar sobre sua escolha. Ele é o único responsável pela indicação, e ponto final. Se resolver indicar alguém de sua conveniência, nada a objetar, e diga-se de passagem que ninguém em sã consciência iria indicar quem não lhe pareça amigável. Por isso, o longo arrazoado do editorial de O Estado A Constituição e a tubaína (4/10, A3) não critica Bolsonaro pela escolha do desembargador piauiense, apenas incita o Senado a cumprir seu dever de sabatiná-lo com seriedade e não transformar o ato em mera reunião social, o que nada recomenda que assim seja.

Ademir Valezi adevale@gmail.com

São Paulo


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NOTÁVEL SABER

Perguntar não ofende: o Senado julgará o notável saber jurídico do indicado ao STF? Por acaso algum senador possui esse notável saber para poder julgar?

Francisco José Sidoti fransidoti@gmail.com

São Paulo


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OS GRITOS DA CIÊNCIA

O mote da jornalista Vera Magalhães em Quando a Ciência grita (4/10, A6) – quando a Ciência grita, o negacionismo perde – não poderia ser mais oportuno e inteligente. Ilustrou muito bem a não menos oportuna e louvável reação do Instituto Questão de Ciência, comandado pela microbiologista Natália Pasternak, à absurda intenção do governo de promover o tal dia D de defesa dos cuidados com a covid-19, em que seriam distribuídos medicamentos sem eficácia alguma no combate à doença. Entretanto, se o grito foi eficaz para frear a intenção do governo, o mesmo ainda não surtiu efeito em parte não desprezível da população, pois propagandas da cloroquina e da ivermectina ainda rolam soltas tanto nas redes sociais como a boca pequena, ou seja, há muita gente usando e recomendando essas drogas, pouco se importando com as orientações científicas contrárias. O negacionismo entre nós é, infelizmente, muito presente e poderoso. A Ciência séria tem muito o que gritar pela frente ainda.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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DIMENSÃO DA TRAGÉDIA

Ao observar o número de mortes por covid-19 nos Estados Unidos (200 mil), não há uma consciência clara da dimensão dessa tragédia. Para tanto, é preciso lembrar que esse número registrado em 8 (oito) meses equivale à metade do número de americanos mortos (400 mil) na 2.ª Guerra Mundial num período de 4 (quatro) anos, ou seja, comparando em períodos equivalentes o coronavírus matou 3 (três) vezes mais pessoas dos EUA do que a 2.ª Guerra. Aí assusta!

José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo


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ELEIÇÃO NOS EUA

Donald Trump testa positivo para covid-19 e negativo para a reeleição 2020. Joe Biden testa negativo para coronavírus e positivo para eleição, após bate-cabeça com Trump, na pior briga de condomínio da quarentena. Apuração promete muita briga para anular votos, nomear delegados para o Colégio Eleitoral e, finalmente, tudo pode ir parar na Suprema Corte para decidir no tapetão. Resultado da eleição americana promete sair antes do Natal.             

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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ADVERSÁRIO POLÍTICO NÃO É INIMIGO

Apesar de toda a troca de farpas durante a campanha, o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, quando soube que Donald Trump e a mulher testaram positivo para a covid-19, disse que iria enviar suas orações pela rápida recuperação do casal (Estado, 3/10, A20). Sincera ou não, a afirmação é um exemplo para políticos, artistas, intelectuais e ativistas brasileiros que, quando da facada e da covid-19 de Bolsonaro, torceram pela sua morte. Não se deseja a morte de ninguém, nem dos adversários. Políticos e simpatizantes têm de compreender que oponente não é inimigo, mas apenas uma alternativa ao eleitorado. A democracia construída no Brasil desde o fim do regime de 1964 carece de aperfeiçoamentos para se tornar autêntica. Não pode continuar absorvendo a mistificação dos que se dizem democratas e querem  a ditadura do proletariado nem quedar-se a vícios como a judicialização de questões que os políticos não conseguem resolver no seu âmbito e às danosas interferências de um poder nos outros, pois os poderes institucionais (diz a Constituição – art. 2.º) são independentes e harmônicos. Que os políticos tupiniquins se comprometam com o desenvolvimento do País, prestem atenção no gesto de Biden e se envergonhem do que têm feito.

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo                                                                                                     


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‘PASSEIO’ NO RIO PINHEIROS

Cumprimento André Palhano, fundador da Virada Sustentável, e a reportagem do Estadão pelo “passeio” realizado no Rio Pinheiros, que revelou a transformação do principal rio da cidade de São Paulo num esgoto imundo. Causa estranheza que nenhum dos candidatos a prefeito de São Paulo tenha tomado tal iniciativa.  

Arsonval Mazzucco Muniz arsonval.muniz@adv.oabsp.org.br

São Paulo


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NAVEGANDO NO RIO PINHEIROS

Muito triste e desanimador testemunhar o modo como são tratadas as nossas riquezas naturais. Num momento em que a água e o uso dela são motivo de preocupação mundial, nossos maravilhosos rios cada vez mais são transformados em lixeiras a céu aberto. Esquecemos o histórico Rio Tamanduateí, que simplesmente foi sepultado em toneladas de concreto para não incomodar. São Paulo é um país e países precisam de estadistas, e não de políticos de mentalidade imediatista incapazes de programar o futuro e que não conseguem evoluir, insistindo sempre nesta subpolítica de aldeia.

Vera Bertolucci veravailati@uol.com.br

São Paulo


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A FORÇA DOS VERDES

No bate-boca internacional em que o governo brasileiro se envolveu (por pura inexperiência do nosso pessoal das Relações Exteriores) com países da Europa, a respeito do meio ambiente, é esclarecedor assistir à série Borgen, da Netflix. Na maioria dos casos, tais países são repúblicas parlamentaristas em que as coalizões são necessárias e as eleições gerais podem ocorrer a qualquer tempo. Os verdes são uma força num eleitorado muito esclarecido. O governo não impõe sua vontade, pois o voto popular é conquistado dia a dia. No tal seriado, o primeiro-ministro é uma mulher, que reluta em ceder às forças econômicas, mas por vezes tem de fazê-lo. Se o nosso Itamaraty pensa que as coisas se resolvem no tempo da próxima eleição, quatro anos, não sabe, mesmo, como funcionam França, Inglaterra, Alemanha, Dinamarca, Espanha e Suécia.

Paulo Roberto Santos prsantos1952@bol.com.br

Niterói (RJ)


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RUMO À CATÁSTROFE

Se dependesse da apenas da vontade da bancada ruralista, a escravidão estaria em pleno vigor no Brasil, que continuaria até hoje sequestrando negros na África para trabalhar de graça nos canaviais e plantações de soja do País. O antagonismo impede que visões unilaterais sejam impostas, o antagonismo leva a algum equilíbrio entre as forças diferentes. O presidente Bolsonaro acabou com o antagonismo saudável que sempre houve entre a bancada ruralista e os ambientalistas. Bolsonaro achou genial a ideia de colocar um ruralista no Ministério do Meio Ambiente, acabou com todos os freios e limites que havia, a balança despencou a favor do agronegócio. O resultado desse desequilíbrio é a explosão descontratada do desmatamento, das queimadas criminosas para expansão da fronteira agrícola. Quem deveria estar controlando tudo isso foi eliminado, não há ninguém lutando pelo meio ambiente no governo Bolsonaro e, em consequência, o meio ambiente está sendo massacrado impiedosamente. Jair Bolsonaro não tem capacidade intelectual para entender o tamanho da estupidez que ele está cometendo, caberia ao agronegócio colocar uma focinheira em Bolsonaro e no seu cão raivoso Ricardo Salles, mas a turma do agronegócio está inebriada com os milhões de hectares de terras novas, está pouco se lixando para a destruição que está ocorrendo no País, só enxerga o lucro fácil que os novos plantios trarão, o agronegócio não enxerga que esse caminho é a própria definição de crescimento insustentável, já está faltando água para tanta lavoura, mas o País vai seguir plantando cada vez mais e mais soja, os porcos chineses já não conseguem comer tanta soja, mas vamos seguir desmatando e plantando cada vez mais e mais soja. Bolsonaro não vai mudar de ideia, acha genial o que está fazendo, não percebe a destruição que está causando ao País, vai seguir firme na sua velha opinião formada sobre o assunto. Somente o afastamento de Jair Bolsonaro da Presidência da República poderá mudar o rumo catastrófico em que o País está.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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ZUZA HOMEM DE MELLO

O Brasil perde um dos maiores nomes da cultura brasileira. Aos 87 anos de idade, despede-se Zuza Homem de Mello. Que deixa um extraordinário legado como escritor, jornalista, músico. Na TV Record, produziu um dos mais notáveis programas, o Fino da Bossa, comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues. Também a Jovem Guarda, que revelou para o mundo Roberto Carlos, e, entre outros nomes importantes, o início da carreira de Tim Maia. Vá em paz, Zuza Homem de Mello! 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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