Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2020 | 03h00

Corrupção

A Lava Jato acabou?


O presidente Jair Bolsonaro declarou, durante evento anteontem, que acabou com a Operação Lava Jato porque não existe corrupção em seu governo. Poderia, antes de mais nada, explicar os depósitos na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, feitos por Fabrício Queiroz e sua mulher. Mas não! Aliado ao Centrão, a parlamentares que estão no meio do furacão de denúncias, a condenados em esquemas corruptos anteriores, Jair Bolsonaro traiu muitos dos brasileiros que votaram nele justamente pela promessa de continuidade do combate à corrupção. Seu governo já exibia amoralidade naquela reunião ministerial de 22 de abril. É preciso agora tirar sua máscara ditatorial, acabar com ações contra a corrupção é de responsabilidade do Ministério Público e da Justiça.


LUCIA HELENA FLAQUER

LUCIA.FLAQUER@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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Sujeira doméstica


“Eu acabei com a Lava Jato porque não tem mais corrupção no governo.” Diante dessa frase do orgulhoso mitômano, só nos resta aguardar a deflagração de uma nova ação, que humildemente sugiro seja batizada de Operação Assepsia do Lar, em que serão investigadas muitas sujeiras convenientemente escondidas sob os tapetes.


RENATO OTTO ORTLEPP

RENATOTTO@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO


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O cara


Nunca imaginei ver o fim da Lava Jato. Nossa, o capitão é bom mesmo, não?


RODRIGO IBRAIM

RODRIGOIBRAIM@GMAIL.COM

TABOÃO DA SERRA


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Semelhanças


Bolsonaro dizer que não existe mais corrupção no governo é como Lula se comparando em honestidade a Jesus Cristo.


ADALBERTO AMARAL ALLEGRINI

ADALBERTO.ALLEGRINI@GMAIL.COM

BRAGANÇA PAULISTA


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Passagem da boiada


Essa nau desorientada e sem rumo chamada Brasil, tendo como timoneiro Jair Bolsonaro, que, a ponto de abrir mão da governabilidade para a passagem da boiada, fez acordos espúrios com o Centrão – não esquecendo a frase, parodiando um samba, dita pelo general Augusto Heleno, “se gritar pega Centrão não fica um meu irmão” –, põe em risco todo o sistema anticorrupção da Lava Jato só para blindar sua família e, em especial, o sr. Queiroz, ilude o povo com as reformas, que não saem do papel. E ainda veremos o Bolsolula para 2022.


ARNALDO LUIZ DE OLIVEIRA FILHO

ARLUOLF@HOTMAIL.COM

ITAPEVA


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Falta tudo


O presidente Bolsonaro mudou o chefe da Polícia Federal com o objetivo declarado de proteger sua família e seus amigos dos processos em que eles estão envolvidos. Isso foi claramente expresso por Bolsonaro na fatídica reunião ministerial de 22 de abril. O presidente mentiu ao afirmar que a mudança tinha o objetivo de melhorar sua segurança pessoal. O Brasil inteiro assistiu à tal reunião e todos entenderam o que aconteceu. Há motivos de sobra para afastar Jair Bolsonaro da Presidência da República, mas não há vontade política. A Suprema Corte não consegue sequer chegar a uma conclusão sobre o formato do depoimento que ele deve prestar. O Brasil vai continuar sendo a Disneylândia da impunidade, o paraíso da corrupção, a Meca da incompetência, não há nenhuma mudança no horizonte. Bolsonaro e Lula podem descansar sabendo que jamais serão punidos. A Operação Lava Jato, que prendeu Lula, foi a exceção à regra, que jamais se repetirá.


MÁRIO BARILÁ FILHO

MARIOBARILA@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO


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Governo ‘fake’


Projetos de governo de Bolsonaro: tudo fake. Fake news. Combate à corrupção: fake. Combate à covid: fake. Declarações do discurso na ONU: fake. Currículos de seus indicados para altos cargos: fake. Pobre Brasil!


SHIRLEY SCHREIER

SCHREIER@IQ.USP.BR

SÃO PAULO


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Nova luz


No terreno pantanoso em que há muito tempo se transformou Brasília, parece que nossas autoridades perderam toda a noção do que é certo ou errado. Estamos imersos em trevas profundas. A prática de fraudes para a ascensão a cargos públicos de relevância hoje é condição aceitável. Figuras de grande destaque de nossa política se sentem à vontade para debochar da sociedade criticando a Operação Lava Jato, símbolo de combate à corrupção e que representou grande esperança de que poderia haver uma mudança de rumos na condução da coisa pública pelos nossos governantes. Não à toa, conforme pesquisa da FGV em novembro de 2019, o Congresso Nacional é considerado confiável por apenas 19% da população. Nesse panorama desolador, a proposta, já aprovada, do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, de levar certos julgamentos a plenário, em vez das turmas, surge como uma luz.


MANOEL LOYOLA E SILVA

MAGUSFE@ONDA.COM.BR

CURITIBA


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Obscurantismo

‘Livros em chamas’


O triste resgate histórico da destruição piromaníaca da cultura foi muito bem elaborado por Eugênio Bucci em Livros em chamas (8/10, A2). Não bastassem incêndios acidentais em bibliotecas e museus, vivemos época de fogueiras para destruição do pensamento e do conhecimento alheios. A chama da ignorância que queima o patrimônio ambiental é a mesma que destrói livros e cultura. Resta-nos a inspiração no poeta: livros, se não lê-los, como sabê-los?


ADILSON ROBERTO GONÇALVES

PRODOMOARG@GMAIL.COM

CAMPINAS


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Saindo do armário


O artigo de Eugênio Bucci é o retrato do momento mais triste da História do Brasil: o governo Bolsonaro! Ele tirou do armário o obscurantismo, o atraso e a ignorância. Os brucutus do bolsonarismo, que tudo farão para se manter no poder, queimam florestas, livros e reputações.


THEREZA LIMA E OLIVEIRA, professora

THEREZZ@UOL.COM.BR

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS



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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br



OXIGÊNIO PARA A LAVA JATO


Senhores, atentai, o que se há de dizer do que se vê publicado na primeira página do Estado de ontem (8/10), o patético propósito do presidente da República de golpear pela raiz a Operação Lava Jato – proposta iniciada com o tombo dado em Sergio Moro e finalizada com a orquestração do trio de ferro Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, arrematada com Kassio Nunes Marques, para que dúvida nenhuma haja da extinção rasa, o tiro de misericórdia sobre ela, a Lava Jato. Tal proposta, antes sabida, agora se confirma na fala do presidente: “Eu acabei com a Lava Jato, porque não tem mais corrupção no governo” (sic) – Jair Bolsonaro, presidente da República. Não tem mais corrupção no governo? Ora, senhores, fora a pena de Ruy aqui discorrendo sobre o assunto, diria, novamente como já disse: “É a mentira desvergonhada, a mentira reles, a mentira onde eructa o arruinado estômago... mendatium serigueia”. Daí que, diante de manifesta cegueira do presidente, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), coordenou reação à articulação dos ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli com o presidente Jair Bolsonaro para a indicação de Kassio Nunes Marques para a cadeira do decano Celso de Mello. Note-se que, com este gesto, os bons ventos começaram a soprar pelos lados do Supremo, porque, como se registrou ontem também no Estado: “Na primeira vitória do ministro Luiz Fux como presidente da Corte, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o plenário passará a julgar os inquéritos e ações penais que antes tramitavam nas duas turmas da Corte”. A mudança foi aprovada pelos ministros em sessão administrativa na tarde de terça-feira (7/10). Na prática, essa decisão retira as ações penais da Lava Jato da Segunda Turma, colegiado com propostas orquestradas para findar com a Lava Jato. Isso muito nos alenta, pois, se o STF, pelo brilho e imparcialidade de seu presidente, Luiz Fux, libera para a Lava Jato um providencial balão de oxigênio, transparece neste gesto, vindo de quem vem, um sinal de bravura, virtude e engenho para enfrentar tão denodados e feros opositores. Com o gesto de Fux, a agonizante Lava Jato respira. Cabe-nos torcer e rezar para que ela renasça, e ainda mais vigorosa e sadia do que antes.


Antonio Bonival Camargo bonival@camargoecamargo.adv.br

São Paulo


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DAS TURMAS PARA O PLENÁRIO


Luiz Fux esvazia frente anti-Lava Jato na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Finalmente uma decisão correta!


Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo


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TOMBO


Os “garantistas” caíram do cavalo. Parabéns, ministro Fux, por recuperar e dar segurança jurídica ao STF!


Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo


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‘ACABEI COM A LAVA JATO’


Bolsonaro: “Acabei com a Lava Jato porque não tem mais corrupção no governo” (Estado, 7/10). Creio que Jair Bolsonaro perdeu a memória, além da vergonha. Em primeiro lugar, esqueceu-se de que durante a campanha de 2018 elogiou várias vezes a Lava Jato. Depois, esqueceu-se das rachadinhas de Flávio Bolsonaro, da proteção a Fabrício Queiroz e, também, do depósito na conta da primeira-dama. E, finalmente, parece não saber que acabar com uma força-tarefa é atribuição da Procuradoria-Geral da República (PGR) e que, no caso da Lava Jato, seria o fim da maior operação de combate à corrupção no País. Mal comparando, seria como acabar com a Delegacia da Mulher se, por algum período, não houvesse feminicídios no País.


Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo


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PATETADA


“É um orgulho, é uma satisfação que eu tenho, dizer a essa imprensa maravilhosa que eu não quero acabar com a Lava Jato. Eu acabei com a Lava Jato, porque não tem mais corrupção no governo. Eu sei que isso não é virtude, é obrigação.” “Quando eu indico qualquer pessoa para qualquer local, eu sei que é uma boa pessoa tendo em vista a quantidade de críticas que ela recebe da grande mídia” (sic) – Jair Messias Bolsonaro, vulgo “mito”. Tem razão o vice do “mito”: “Foi uma patetada”, não só do indicado para o STF Kassio Marques, apoiada pelas lorotas do presidente boca-rota, como do próprio “mito”.


Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião


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PLANTÃO


O presidente Bolsonaro disse que acabou com a Lava Jato porque no seu governo não há corrupção. Porém, como o presidente assumiu de vez a política de coalizão e do toma lá dá cá, melhor deixar a Lava Jato de plantão para possíveis recaídas do aparentemente restabelecido doente crônico que, parece, não ganhará alta assim, tão fácil e tão cedo.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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‘O CORVO’


Depois da mais recente (mas nunca a última) desastrosa declaração feita pelo nosso Messias no lançamento do Programa Voo Simples, do Ministério da Infraestrutura, quando afirmou taxativamente “eu acabei com a Lava Jato, porque não tem mais corrupção no governo”, sabem quando ele vai ser reeleito? Para quem quiser saber a resposta a essa pergunta, sugiro ler o poema O Corvo, de Edgar Allan Poe, no qual o autor termina a maioria das estrofes com a mesma resposta às várias perguntas feitas: “Nunca mais”.


José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo


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JAIR BOLSONARO


Esta é para ficar nos anais das esperanças dos brasileiros: “Acabei com a corrupção no governo”.


Itamar C. Trevisani itamartrevisani@gmail.com

Jaboticabal


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‘ARRANJOS DE MÃO DUPLA’


A coluna de Rosângela Bittar, analista de assuntos políticos do Estadão, na edição de 7/10, foi um soco acertado no estômago: “Todos os passos amistosos do presidente Jair Bolsonaro em direção ao Supremo Tribunal Federal têm um único e fisiológico objetivo. O de proteger o primogênito Flávio Bolsonaro”, uma vez que a vaga ocupada por Celso de Mello, que se aposenta, representa menos um na Corte do Judiciário disposto a fazer frente aos interesses do presidente no processo que compromete o mandato do filho dele. A colunista acertou em qualificar que a “preocupação com este filho é obsessão e determina a relação do presidente com os tribunais superiores”. Acertou mais ainda quando resumiu a ala dos descontentes com a indicação do novo magistrado para o STF ao dizer que os que esperneiam são os evangélicos, os radicais olavistas e os que se converteram ao bolsonarismo em função da Operação Lava Jato. Resta saber se o mais recente indicado por Bolsonaro a declarar falsas formações no currículo vai emplacar na vaga do Supremo. Jantares em Brasília estão sendo dados para arranjar o apoio que faltava. Envolvendo até o senador Renan Calheiros e com apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). E alguém ainda tem dúvida de que continuamos com a velha política? Só mesmo os seguidores entorpecidos da seita do mito para pensarem que estamos num governo de “uma nova política”, como tanto o candidato Bolsonaro ressoava. O presidente aprendeu rapidinho a dobrar os joelhos.   


Geder Parzianello  gederparzianello@yahoo.com.br

São Borja (RS)


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A ‘MODA DECOTELLI’


O ex-indicado para o Ministério da Educação Carlos Alberto Decotelli lançou moda. O curriculum vitae de Kassio Marques, indicado para a vaga aberta no STF, também deu “erro 404” em sua verificação. Pelo visto, temos outro CV com fontes duvidosas.


Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz


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PANDEMIA DE ENGANAÇÃO


O porcentual de currículos que contêm a verdade no Brasil não deve passar de 1%, o restante é fajuto ou mentiroso. Será uma pandemia de falácias e enganações curriculares? O presidente definitivamente é ruim de escolha de ministros. Se confirmado como ministro, qual moral e reputação ilibada norteará este juiz em suas sentenças? Pobre Brasil.


Eugênio Iwankiw Junior iwankiwjr@hotmail.com

Curitiba


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TURISMO CIDADÃO


É chocante vir a público a indicação de um ministro ao Supremo Tribunal Federal (STF) que apresenta um histórico – aliás, brilhante, ao contrário de alguns outros nomeados – manchado por uma falsa informação de pós-graduação, que nada mais é do que o famoso turismo cidadão. São aqueles cursos que os funcionários públicos fazem no exterior à nossa custa, normalmente de 5 dias a 15 dias, e lá permanecem mais um tempo continuando o passeio. Mais chocante é saber que, durante a pandemia, este turismo cessou e os cofres públicos economizaram mais de R$ 2 bilhões em razão disso. Ora, cessando este turismo cidadão, acrescido do fim de pelo menos metade das verbas públicas destinadas às dezenas de partidos políticos, pelo que um condenado e ex-presidiário recebe alto salário, o nosso presidente teria recursos mais que suficientes para um programa social de renda mínima para os verdadeiros necessitados brasileiros. Acabar com estes dois badulaques – e existem outros para extinguir – é também um bom caminho para a reforma fiscal sem necessitar de aumentar impostos. Sei que não vai ocorrer neste governo, que caminha perigosamente para o populismo, mas sonhar é preciso.


Jose Rubens de Macedo Soares joserubensms@gmail.com

São Paulo


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SABATINA


Imaginem a sabatina de Sergio Moro no Congresso. Os senadores corruptos desesperados, Moro seria barrado por unanimidade. O juiz amigo, que toma cerveja com Bolsonaro, muito mais compreensivo com os mecanismos que fazem o Brasil ser o que é, será aprovado por aclamação. Cada vez mais a prisão de Lula e de mais alguns corruptos de alto escalão será apenas uma vaga lembrança, um ponto fora da curva, a exceção que confirma a regra: a corrupção venceu e vai continuar vencendo, sempre, e o sistema político brasileiro existe para garantir que todos os esquemas de corrupção continuem prosperando, sempre.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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ERA UMA VEZ


Saudades de 2018, quando velhos e corrompidos caciques naufragaram nas eleições. Outros políticos do alto clero ou de alto calibre, de poderio, funcionários públicos e empresários amigos eram tragados na enxurrada da Lava Jato. Que orgulho das instituições havia entre nós, e era só o começo, com a justiça sendo feita e valendo para todos. Coroando este processo, um ilustre desconhecido surge no cenário, obscuro deputado do baixo clero, sem um histórico de conteúdo, ex-militar e com um discurso na medida dos ouvidos e desejos da sociedade de então, e é eleito presidente da República. Mais por força da situação moral e ética imposta ao País nas gestões petistas, o voto antipetista. Passados praticamente dois anos, com a exposição, o quadro é desolador. Um presidente isolado, deslumbrado, com familiares e amigos acuados por conta de investigações, precisou acomodar-se a um novo contexto ou à realidade fantástica, diametralmente oposta à época da eleição. As conhecidas figuras carimbadas em 2018, partidos políticos, Congresso e Judiciário retornaram com força, diante da fraqueza exposta, e com os princípios bolsonarianos propostos e eleitos rasgados, fizeram com que voltassem a dar cartas e a comandar o jogo, apesar dos jogos de cena de ambos os lados. Quem está com a coleira? Única forma possível de sobreviver ao isolamento e ao emparedamento é manter-se no poder e pensar na reeleição. Só não se pode esquecer que, principalmente, em política, se alguém se aproximar de você com a intenção declarada de lhe fazer o bem, é melhor correr para salvar a sua vida.


Luiz A. Bernardi luizbernardi51@gmail.com

São Paulo


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A PACIÊNCIA DO POVO


Fico assistindo e me perguntando até onde vai a paciência do povo brasileiro num cenário em que os homens públicos agem para “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.


Francisco José Sidoti fransidoti@gmail.com

São Paulo


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REPÚBLICA DO VALE TUDO


O presidente Bolsonaro vai pedir ao governo russo pelo cidadão brasileiro Robson Oliveira, preso há mais de 500 dias, por entrar no país com remédios proibidos, dizendo que a Justiça russa é bastante rígida. Não, presidente Bolsonaro. A Justiça russa não é bastante rígida. Tem a rigidez na medida certa. É que estamos mal acostumados com nossa Justiça seletiva, benevolente e complacente. Não temos Justiça. Então, quando acontece um fato deste, ele nos surpreende. A liberalidade aqui, no Brasil, transformou o País em republiqueta de terceira categoria. Acostumou o cidadão a achar que o Brasil é que está certo e os outros, errados. Viramos uma República onde vale tudo.


Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro


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DOIS CAPITÃES


Há muitas semelhanças entre o estilo de governar do Capitão América Donald Trump e o do nosso capitão Jair Bolsonaro. O objetivo principal é a reeleição, e os dois não acreditam na ciência. Assim, seguem o caminho mais fácil: negam tudo e jogam a culpa nos outros. Consequentemente, não há relação entre as mudanças climáticas, cada vez mais frequentes e violentas, e a ação do homem. É a incompetência do governo estadual que causou as queimadas na Califórnia e são os caboclos, índios e ONGs que estão colocando fogo na Amazônia e no Cerrado. A covid-19 vai acabar até a Páscoa (Trump) e não passa de uma gripezinha, nada de máscaras ou distanciamento social. A atitude arrogante não mudou depois que os dois foram infectados pelo vírus e tiveram tratamento não disponível para a maioria das pessoas. Não deixe o vírus dominar sua vida, declarou Trump, como se fosse a cura uma questão de coragem. Num aspecto Bolsonaro se destaca: quer introduzir um enorme programa de transferência de renda sem ter os recursos para tanto.


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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O ANO DO ISOLAMENTO HUMANO


Caiu a máscara da arrogância humana. Nos descobrimos nus, impotentes e reduzidos à nossa insignificância. 2020 foi o ano em que vivemos em perigo, à mercê do vírus e divididos entre dois grupos antagônicos. De um lado, as pessoas guiadas pelo bom senso e pelas conquistas da ciência, dos direitos humanos, dos avanços da medicina, da diversidade e justiça social e da preocupação com o clima e a conservação do meio ambiente. Do outro lado, os reacionários que se opõem a tudo e a todos. Contrários às evidências da ciência e das conquistas sociais, aferrados a ideias sombrias do passado, cultivam sua ignorância e medo à liberdade de pensamento e de convivência política dos que pensam diferente. Amam os regimes totalitários e ditaduras militares. Fanáticos ideológicos e religiosos, se refugiam em suas cavernas de ignorância e ressentimento diante da inteligência e do progresso humano. Nada foi mais prejudicial à saúde e ao tratamento da epidemia do coronavírus no mundo do que o protagonismo contrário às normas médicas indicadas para sua solução, abertamente demonstrado por nefastos políticos como Donald Trump e Jair Bolsonaro, entre outros menos votados, legítimos representantes da ala do atraso e da estupidez humana, remanescentes da era sombria das guerras motivadas pela ambição de homens sem caráter e suas legiões de medíocres seguidores.


Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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INSTITUTO BUTANTÃ E A PRODUÇÃO DE VACINAS


O professor Isaías Raw, 94 anos, foi diretamente responsável pela transformação do Instituto Butantã num dos maiores centros de produção de vacinas do País, além de inúmeras e importantes contribuições para a ciência e o ensino. Por toda a sua obra (Revista da Fapesp edição 113, julho de 2005), nossos parabéns, nossa admiração e nossa eterna gratidão.


Anita Wajntal, professora dra. Aposentada Departamento de Genética e Biologia Evolutiva – Instituto de Biociências (USP) aniwa@usp.br

São Paulo


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ALTERNÂNCIA


Um dos traços marcantes da administração esportiva mundial é a tendência de perpetuação nos cargos de seus dirigentes máximos, viabilizada por estratégias eleitorais que cada um deles cria enquanto está no poder. No Brasil, o exemplo mais notável talvez seja o personificado pelo senhor João Havelange, já falecido. Ele foi presidente da hoje extinta Confederação Brasileira de Desportos (CBD), cuja divisão de futebol passou a ser coordenada pela atual Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no período de 1958 a 1974, durante o qual, faça-se justiça, o País conquistou três campeonatos mundiais no referido esporte. Na esteira de tal sucesso, foi eleito o mandatário máximo da entidade internacional da modalidade, a Fifa, onde permaneceu de 1974 a 1988, sucedendo o inglês Stanley Rous, que esteve à frente do órgão por 13 anos (1961-1974). O nosso Comitê Olímpico Brasileiro (COB), com mais de 100 anos de existência, teve somente oito presidentes e acaba de reeleger o nono, que presidirá a entidade até 2024, tendo iniciado sua gestão em 2017. O mesmo modelo de busca de eternização vigora nas confederações encarregadas de conduzir as atividades de vários esportes, acarretando, com frequência, tensões políticas que muitas vezes afetam o desempenho dos atletas. Em que pese o eventual sucesso de umas poucas administrações, é chegada a hora de a sociedade exigir uma saudável maior alternância de poder num setor em que deve primordialmente vigorar a ética comportamental.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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ZUZA SEMPRE ZUZA


Comoventemente lindo o texto de Humberto Werneck sobre a perda irreparável de Zuza Homem de Mello (6/10, H6). Tudo o que Zuza fez tinha a sua marca de excelência, como engenheiro de som inovador, produtor de shows ousado, crítico musical enciclopédico, escritor de letras suaves e ao mesmo tempo densas. Pertencia a uma rara e hoje quase finda estirpe de intelectuais integrais paulistas da qual fizeram parte Mário de Andrade, Guilherme de Almeida e Paulo Bomfim, multifacetados militantes culturais que, de modo incansável, transformavam suas ações em bônus palpáveis para o meio social em que se inseriam, conceito, aliás, que pode soar algo estranho para certa gama de eruditos de estilo showman que cobram ingressos para serem ouvidos em teatros. Felizmente, Zuza granjeou, ao longo de sua existência,  inúmeros preitos de reconhecimento, sendo os últimos deles sua posse na Academia Paulista de Letras (2018) e o recebimento do Colar Guilherme de Almeida (2019), premiação cultural maior da cidade de São Paulo, seu berço amado. Intelectual integral e ser humano pleno, sua maravilhosa obra escrita permanecerá ad aeternum e a intensa memória afetiva sobre sua pessoa continuará presente naqueles que desfrutaram de sua generosidade e atenção.


José D’Amico Bauab, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo josedb02@gmail.com

São Paulo



 

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