Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2020 | 03h00

Justiça e crime

Pecado mortal


O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), para libertar um perigoso delinquente, deu interpretação literal a um dispositivo isolado da lei penal. Isso é pecado mortal: se fosse aluno da Faculdade de Direito, seria reprovado. Toda norma jurídica precisa ser interpretada, para que do enunciado se retire o mandamento, isto é, o que ela efetivamente determina. Isso é tarefa elementar para qualquer profissional do Direito. É pacífico, na doutrina e na jurisprudência, que nenhum dispositivo legal tem vida fora do contexto em que está necessariamente inserido. Nunca se pode apreender o conteúdo normativo de um dispositivo legal isolado, sem relacioná-lo com outros dispositivos e, muito especialmente, com princípios contidos no ordenamento jurídico. Além disso, toda norma jurídica é instrumental, visando sempre a realização de um objetivo prezado pela ordem jurídica e pela sociedade. Toda interpretação que leve a patente absurdo, clamorosa injustiça ou contrarie valores fundamentais da Constituição estará inquestionavelmente errada. Para ler a lei basta ser alfabetizado, para interpretá-la corretamente é preciso ser jurista.


ADILSON ABREU DALLARI

ADILSON@DALLARI.ADV.BR

SÃO PAULO


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Computador resolve


O ministro Marco Aurélio determinou a soltura de um perigoso “elemento” e justificou sua ação com base no artigo 316 do Código de Processo Penal (CPP), na sua nova roupagem. Seguir igual procedimento para um marginal e para um infeliz que tenha furtado um pote de mostarda, sendo que em ambos os casos a Justiça não se pronunciou dentro dos 90 dias, permite indagar, com todo o respeito: não seria o caso de substituir S. Exa. por um software, que decorridos 90 dias decretaria a soltura, sem a necessidade do oceano de doutos argumentos a desperdiçar o tempo de todos, incluído o do autor dessa medida juridicamente defensável, mas, salvo melhor juízo, desprovida de bom senso?


ALEXANDRU SOLOMON

ALEX_SOL@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO


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Como dantes


Interessante, no ano 2000 o dono do Banco Marka, Salvatore Cacciola, que estava preso, foi solto pelo mesmo ministro do STF que agora soltou André do Rap. E em ambos os casos logo em seguida o habeas corpus foi cassado por outro ministro, mas já era tarde: Cacciola havia fugido para a Itália. E o André do Rap, quem sabe, estará no Paraguai. Coincidências...


ROBERTO CROITOR

ROBERTO.CROITOR@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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Pesos e medidas


O sr. Marco Aurélio Mello, que já libertou ao menos 79 presos pelo mesmo artigo 316 do Código de Processo Penal com que tirou da prisão o megacriminoso André do Rap, foi se lamuriar na mídia e atacar o ministro Luiz Fux, que suspendeu os efeitos de sua liminar. Relembrando: em 8/12/2016 o senador Renan Calheiros decidiu desobedecer à liminar do mesmo Marco Aurélio que o retirava do cargo de presidente do Senado. E ficou por isso mesmo.


JOSÉ MARIA LEAL PAES

TUNANTAMINA@GMAIL.COM

BELÉM


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Legislação em causa própria


Vimos congressistas, Rodrigo Maia incluso, adicionarem ao pacote anticrime a norma para soltura de criminosos, até do próprio Congresso. Ora, cidadãos de bem não precisam disso. Esse tipo de arranjo só serve para marginais ou para benefício pessoal. Até quando assistiremos a malfeitos elaborados por quem deveria estar no Congresso para redigir e aprovar leis que não nos envergonhem?


EUGÊNIO IWANKIW JUNIOR

IWANKIWJR@HOTMAIL.COM

CURITIBA


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Deixamos passar


Mais uma vez nos defrontamos com a realidade das leis brasileiras, muitas delas sem fundamento. O ministro Marco Aurélio errou e agora todos argumentam contra a liberdade do chefão do PCC. Mas não fizemos nada para impedir a aprovação do tal artigo 316 do CPP, mesmo sabendo que o ex-ministro Sergio Moro não concordava com ele. Cabe a nós, cidadãos, a responsabilidade de impor nossos anseios. Não podemos mais ficar calados.


ALEXSANDRO GONSALES

AGONSALESADM@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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Demora intencional?


Há pouco tempo o STF se pronunciou contra prisão imediata após condenação em segunda instância, alegando que é necessário que os tribunais superiores examinem os procedimentos e outros detalhes do julgamento e referendem as condenações. Como os tribunais ditos superiores não examinaram as provas que levaram às condenações, imaginou-se que esses reexames seriam feitos em curto prazo. O prazo curto é exigência da população, que não quer ter criminosos soltos por aí, e para evitar equívocos como o da soltura do criminoso André do Rap, já condenado em segunda instância e que estava, por sua periculosidade, detido de forma “provisória”, esperando pela confirmação da condenação. Outros casos emblemáticos da demora dos tribunais superiores são os do ex-presidente Lula da Silva e do ex-ministro José Dirceu. Já faz mais de dois anos e meio que eles foram condenados em segunda instância e a Justiça não se pronuncia. Aqui de fora não vemos justificativas para tanta demora, de meses a anos, desses julgamentos “superiores”. A questão que fica é se a demora é intencional ou por obsoletismo.


WILSON SCARPELLI

WISCAR@TERRA.COM.BR

COTIA


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Precatórios

Calote eleitoreiro


Brilhante e didático o artigo Precatórios não são créditos de segunda categoria, de Maílson da Nóbrega (13/9, A2). Leitura recomendável para políticos que aventaram a sandice imoral de aplicar calote nos credores de precatórios, desviando valores de seu destino legal, por evidentes objetivos eleitoreiros.


EDUARDO MENEZES SERRA NETTO

SERRANETTOADV@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br



NEM A SANTA PADROEIRA


O Estado de domingo (11/10), véspera do dia consagrado a Nossa Senhora de Aparecida, a padroeira do Brasil, nos trouxe tantas notícias ruins que cheguei à conclusão de que no estrago que Jair Bolsonaro fez ao nosso país nem a Santa Padroeira poderá dar jeito. O jornalista Rolf Kuntz, em seu artigo Um gigante sem fôlego e sem rumo (A2), foi definitivo quando disse que “o Brasil, vejam só, deixou de ser o país do futuro”. Refere-se ao título do livro do austríaco Stefen Zweig, que, ao percorrer o Brasil em 1940, ficou de tal forma maravilhado com o que viu que descreveu o Brasil como o país do futuro, numa rara premonição. Tem razão o articulista. Com o aquecimento global, nós tínhamos a incumbência de procurar frear o aquecimento do planeta, pois não só temos a maior floresta do planeta, como ela influencia o clima mundial. Entretanto, Bolsonaro, com a ajuda do nefasto Ricardo Salles, conseguiu bater todos os recordes de desmatamento e incêndios não só na Amazônia, como no Pantanal. Além de destruir um potencial de riqueza inestimável ante o aquecimento global, que são as nossas florestas, Bolsonaro inviabilizou o acordo do Mercosul com o Mercado Europeu e provocou o boicote dos nossos produtos no exterior. E não podemos esquecer, também, a ajuda que ele deu ao coronavírus, desarticulando por completo o Ministério da Saúde. Anteriormente, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que vem segurando os pedidos de impeachment do presidente, declarou que é muito complicado tirar um presidente da República do cargo. Gostaria de saber se ele acha mais complicado do que recompor toda a floresta destruída. Essa situação já passou do razoável há muito tempo. Um presidente totalmente despreparado para o cargo não pode seguir destruindo o meio ambiente e a economia do País sem que os demais Poderes da República tomem providências. Collor e Dilma saíram por muito menos.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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‘MACONHEIROS’ NA CHAPADA DOS VEADEIROS


Sendo ele um dos donos da região Amazônica e outras capitanias, sem formação em ciências, o ministro contra o meio ambiente, Ricardo Boiada Salles considera desnecessário dar esclarecimentos sobre a natureza do retardante de chamas que despejou sobre a Chapada dos Veadeiros. Na opinião dele, os moradores daquele local não passam de “maconheiros” cuja opinião “não tem relevância”. Arrogância e truculência à parte, este ministro não duraria um dia após tal comportamento e comentários. Não neste belo país tropical, comandado pelo capitão Jair Cloroquina Bolsonaro. Cadê os nobres parlamentares?


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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ESTRANHO E SURREAL


Que o Brasil é o país do surrealismo não é nenhuma novidade e o brasileiro já está por demais escolado no assunto. Ledo engano. Sempre existe a possibilidade de algo surpreendente, o surreal do surreal. A soltura do suposto líder do PCC André do Rap, determinada pelo ministro “garantista” do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, demonstra claramente como o preciosismo técnico é capaz de cegar qualidades fundamentais exigidas de um juiz, entre elas equilíbrio e bom senso. O ministro justificou e depositou todo o peso de sua decisão na tecnicalidade, ignorando acintosamente a ficha corrida extensa e pouco recomendável do acusado, expondo, assim, toda a sociedade ao risco de sua libertação. Marco Aurélio, ao criticar negativamente a reversão da soltura pelo presidente da Corte, Luiz Fux, ainda afirmou: “Como os tempos são estranhos, tudo é possível”. Sim, estranhíssimos. E surreais. 


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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QUANDO, ONDE E SE...


A decisão de libertar o líder do PCC André do Rap só faz sentido para quem tem o privilégio de viver numa redoma de vidro fumê, capaz de resistir a tiros e bombas, sem noção do que se passa no mundo dos simples mortais. Esta é a vida do ministro Marco Aurélio Mello, segura e cheia de privilégios, mas que coloca a letra da lei acima da segurança dos cidadãos comuns. Só fica faltando ao ministro parodiar o presidente da República, que desconhece o sentimento de empatia, e dizer: “Sim, soltei. Ele fugiu, e daí?”. Pois é, cumpriu a lei e é só isso que importa. No mais, não é com ele. Acho que está faltando ao ministro tão conhecedor da Constituição um estágio em alguma comunidade que vive sob o jugo destes criminosos para ver o que significa seguir a lei descolada da realidade de seres despossuídos de quaisquer direitos básicos. Talvez seja essa a forma de entender quando, onde e se é possível ser tão “garantista”.


Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas


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RESILIÊNCIA


Acho importante que a mídia enumere o nome dos deputados que foram favoráveis à inclusão do artigo 316 no pacote anticrime. Sabemos que foi de autoria do brilhante deputado Lafayette Andrada, de quem, confesso, nunca ouvi falar antes. Não nos esqueçamos também do presidente Messias, que aprovou tal barbárie com muito, digamos, futuro conforto. Olhando para 2019, quando da inclusão desta anomalia no pacote que originalmente visava à segurança de nós, cidadãos, só me vem à cabeça a saudosa imagem de um ministro – este, sim, digno de respeito e contrário a tal disparate –, o sr. Sergio Moro. Aproveitando o ensejo, gostaria de dizer a este que atende pelo nome de Marco Aurélio Mello que não sou jurista, mas sou brasileiro e honrado, que mais uma vez o STF deixa indignado com a decisão de soltura de um condenado a 25 anos de prisão em segunda instância, sujeito de alta periculosidade, para não falar do enorme poderio financeiro. Sugiro ao nobre ministro, que nem sequer teve o cuidado de impor a tornozeleira eletrônica, que o leve para sua residência, pois, como cidadão do bem, equilibrado e não alienado, não quero e não sou obrigado a conviver em sociedade com tal eminente perigo. Muito triste assistir a um Brasil onde o verde da bandeira dá lugar ao cinza das queimadas, o amarelo da esperança, à vitória da criminalidade por uma cega e incompetente justiça, e o azul do céu logo dará lugar a uma chuva de jurisprudência no que tange aos habeas corpus de criminosos. Talvez seja sensato mudar o lema de nossa bandeira para “resiliência”. E o que nos resta neste momento; tudo tem limite, mas desta vez foram longe demais e levaram consigo a “ordem e o progresso”, deixando a dolorosa conta das lagostas para nós, pobres e trabalhadores brasileiros. Não é mesmo, futuro ministro Kassio Marques? Diferente de alguns, peço licença à Legião Urbana para fechar este desabafo com a seguinte frase: que país é este?


Eduardo Foz de Macedo efozmacedo@gmail.com

São Paulo


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O ARTIGO 316 DO CPP


O artigo 316 do Código de Processo Penal (CPP) diz: “O juiz poderá, de ofício ou a pedido das partes, revogar a prisão preventiva (...)”. Bem, se entendo um pouco da Língua Portuguesa, poderá é diferente de deverá, ou seja, Marco Aurélio Mello poderia ou não revogar, mas, como ele mesmo disse, “não lê capa de processo”, e, assim, soltou o André do Rap sem saber quem estava soltando. Já o Parágrafo Único diz: “(...) deverá o órgão emissor da decisão revisar a necessidade de sua manutenção a cada 90 dias (...)”. Fica claro que o juiz que pediu a preventiva não alegou a necessidade de sua manutenção. Isso me sugere algumas perguntas: Por que o juiz não o fez? Falta de tempo? O assessor não o avisou? Ausência de um aplicativo que o avise com antecedência de que prazos estão vencendo? Ou algo não publicável? Também gostaria de saber quem é esse juiz.


Remo Alberto Fevorini remofe@globo.com

Casa Branca


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REMENDO


A aprovação do artigo 316 da Lei n.º 13.964 é um claro exemplo do descaso, da falta de comprometimento e do despreparo dos nossos parlamentares, que na maioria das vezes votam a favor ou contra algum projeto sem saber exatamente no que estão votando. Depois que a vaca foi pro brejo, surgem os paladinos da justiça para propor revogação do artigo e acelerar discussão de prisão após condenação por órgão colegiado.


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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BANDIDO É BANDIDO


Um absurdo a soltura do traficante André do Rap. Mas, se a lei foi modificada e aprovada pelos “nobres” parlamentares para benefício próprio – visto que no quadrilhão em que se tornaram os três poderes, muitos estão encalacrados com a Justiça, mas livres, leves e soltos, como, por exemplo, o notório bandido-mor Lula da Silva, isso para ficar só em um exemplo –, neste caso, se a lei é igual para todos, o traficante também tem direito à liberdade. Bandido é bandido, ladrão é ladrão.


Marisa Bodenstorfer

Lenting, Alemanha


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TEMPOS ESTRANHOS


Viva ao grupo criminoso PCC, aos seus membros e aos seus colaboradores, pela vitória acachapante. Afinal, só poderia ser exitosa a participação da advogada Ana Luísa Rocha Gonçalves que impetrou o habeas corpus em favor do criminoso André do Rap. Ana Luísa é sócia de Eduardo Ubaldo Barbosa, ex-assessor do ministro Marco Aurélio Mello. Parabéns a esta facção criminosa que já conseguiu outras vitórias expressivas com as benesses do ministro. Certamente haverá outras iguais, o brasileiro tem certeza.


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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ANDRÉ DO RAP


Enquanto a advogada do Rap foi rápida, Augusto Aras dormiu no ponto e Marco Aurélio fez prevalecer a Constituição bíblica brasileira!


Francisco José Sidoti fransidoti@gmail.com

São Paulo


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VICE-DECANO ERROU


O ministro Marco Aurélio Mello não pensou duas vezes e, sem pedir o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), aplicou uma lei nitidamente incompleta e ruim determinando a soltura de André do Rap, um dos traficantes mais perigosos do País, que já esteve mais de quatro anos foragido da Justiça e tem duas condenações em segunda instância. O que aconteceu? Solto, como era de esperar, o meliante simplesmente se evadiu. “Não vejo a capa do processo”, disse Marco Aurélio, e foi por isso que errou – poderia ter sido o assassino da própria mãe e ele teria libertado. Se fosse para aplicar a lei ao pé da letra, sem nenhuma análise, não precisaríamos de juízes nem de ministros, bastariam pessoas “ilibadas” que soubessem ler corretamente em Português.


Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião


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A LÓGICA DO MINISTRO


O sr. Marco Aurélio Mello diz que não verifica a capa do processo para liberar quem quer que seja. Portanto, ele desconhece a quem julga. O sr. Marco Aurélio soltou um traficante de alto coturno, mas, dentro da sua lógica, poderia soltar um perigoso serial killer e psicopata que, eventualmente, seria responsável por dezenas de mortes simplesmente porque ele não se aprofundou em saber de quem se tratava ou por não fazer questão de ter a menor noção de quem é o criminoso? Se isso realmente for fato, sugiro que o sr. Marco Aurélio procure urgentemente ajuda psiquiátrica.


Leão Machado Neto lneto@uol.com.br

São Paulo


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DESPACHANTE DE LEI


Estarrecedor que tenhamos um ministro do STF como um mero “despachante de lei”, coisa que qualquer pessoa poderia fazer sem ter de carregar nas costas uma enorme maleta de títulos e trabalhos reconhecidamente ilustres. Um juiz tem de ponderar, examinar com atenção, informar-se, compartilhar com seus pares. Soltar um criminoso de alta periculosidade com uma canetada ou carimbada é de deixar os brasileiros atônitos, estupefatos, inseguros e apavorados. O que se passa na cabeça de uma pessoa assim que ocupa cargo tão alto nesta República?


Regina Ulhôa Cintra regina.cintra@yahoo.com.br

São Paulo


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INGÊNUO MINISTRO


O ministro Marco Aurélio Mello, ao libertar André do Rap, determinou que ele fosse advertido da necessidade de permanecer na residência indicada ao juízo, devendo atender aos chamados judiciais e adotar a postura que se aguarda do cidadão integrado à sociedade. É chegada a hora de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para alterar o artigo 101 da Constituição federal. Além da reputação ilibada e do notável saber jurídico, faz-se necessário exigir também a falta da ingenuidade como requisito para o cargo de ministro do STF.


Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro


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FAROESTE CABOCLO


O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, que mandou soltar da cadeia um líder do aterrador PCC, agiu tal como uma pianola (ou piano mecânico) típica do saloon do Velho Oeste, sempre coalhado de bandidos mal encarados prontos para matar. No faroeste caboclo que é o Brasil, pouco importa se a carnificina está em curso com tiros e balas perdidas para todos os lados, pois a pianola legalista continua a tocar sua música tecnicista, indiferente ao caos, ao sangue e ao cheiro de morte.


Túllio M. Soares Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte


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AFRONTA IRRESPONSÁVEL


Pela segunda vez o ministro Marco Aurélio, em decisão monocrática, desrespeita a ordem pública ao mandar para o lixo a precaução jurídica. Somente o estrelismo e a soberba desmedida explicam tal procedimento. Numa democracia consolidada, com um Congresso independente, este senhor seria aposentado pelo bem e defesa da Nação.


Martim Affonso Santa Lucci mslucci@uol.com.br

Campo Grande


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PUNIÇÃO


Quanto à soltura deste criminoso pelo ministro Marco Aurélio Mello, acho que, como toda a população brasileira, ele deveria pagar com pelo menos metade dos seus vencimentos as despesas que a decisão acarretará ao País, tirando do pobre povo brasileiro recursos que serão gastos na recaptura do bandido e volta à prisão. Estes ministros não têm ideia nenhuma de economia e esquecem que o Estado não gera dinheiro, ele administra os impostos da economia, e que, enfraquecendo-a, diminui o atendimento dos poucos serviços que são prestados à população brasileira. Assim, é justo penalizá-los pelo sofrimento que causam à população brasileira. Além de indignada, ela está perplexa, assim como todo o mundo, pela burrice cometida por este juiz, que se esqueceu de que a prisão deste meliante demorou quatro anos para acontecer e foi muito custosa à Nação.


Ciro Bondesan dos Santos cirobond@hotmail.com

São José dos Campos


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PREFERÊNCIAS


Corruptos torcem para que suas causas caiam nas mãos do ministro do STF Gilmar Mendes e os traficantes, nas de Marco Aurélio Mello. Que justiça é esta?


Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo


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MENINOS DA PORTEIRA


Quando o ministro disse que era chegada a hora de “passar a boiada”, o Supremo estava mais que preparado. E precavido. Sim! Lá só passa “boi gordo”. E os “meninos da porteira” são rigorosos. Na dúvida, perguntem ao André do Rap. Se o virem, claro...


A.Fernandes stndyball@hotmail.com

São Paulo


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COM SE SENTE?


Como deverá estar se sentindo hoje o ministro Marco Aurélio Mello ao observar a reação nacional à sua ação monocrática que colocou em liberdade um dos maiores traficantes do País? Arrependido? Não demonstra, pois a arrogância agregada ao cargo não permite tal manifestação. Achando-se uma vítima do cumprimento da lei? Pouco provável, pois sua decisão foi revertida por quem também se considera aderente ao rigor ao que está estabelecido na missão institucional da Suprema Corte. Satisfeito? Inconcebível, na medida em que nenhum cidadão pode se sentir recompensado quando toma uma decisão que reconhecidamente ameaça toda uma sociedade. O que deve o prezado magistrado estar experimentando só ele sabe e deve estar repetindo diante do espelho, verificando antes se não há parente seu por perto.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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DECISÃO DE MARCO AURÉLIO


Nunca houve uma decisão tão errada no Supremo. Cabe ao ministro vestir a carapuça.


Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo


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APESAR DE VOCÊ


Com sabedoria, cantou o saudoso Gonzaguinha: “Eu fico com a pureza das respostas das crianças. É a vida, é bonita e é bonita”. A sabedoria das redes sociais está a comentar: “Após soltar narcotraficante a pedido de ex-assessor, ministro do STF ganha outro apelido nas redes sociais: Narco Aurélio. E o povo, em seu momento de pureza, em resposta, está a cantar: “Apesar de você (Suprema Corte), amanhã há de ser outro dia!”. A vida é bela. O Brasil é maior do que vocês, supremos juízes...


Bruno P. David de Oliveira brunopdavid@gmail.com

Rio de Janeiro


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ANVISA SEM JUÍZO


Fim de semana de sol e os zelosíssimos fiscais da inefável Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) armam o bote. A vítima, um pacato clube esportivo da capital cujos respeitáveis e respeitosos associados, por norma interna, portam máscaras correta e permanentemente. Ou quase, no entender dos capacitadíssimos e ferozes fiscais. Não é que na piscina alguns ousam entrar sem máscara? Não, não a de mergulho, a cirúrgica mesmo. E tasca-lhe multa. Consta, ainda, que os revoltados funcionários da notória agência pretenderam multar todos os associados ao se inteirarem de que estes não haviam tomado a dose preventiva de cloroquina no café da manhã. Infelizmente, em razão de o fato estar baseado exaustivamente em delação premiada e dada a falta de provas clínicas, foram obrigados a abster-se da autuação. Por outro lado, suponho que as mesmas corajosas, ousadas e esclarecidas equipes da malfadada agência façam frequentes incursões ao comércio da Rua 25 de Março (vide foto deste jornal de domingo 11/10), ao baile funk de Paraisópolis, às noites dos restaurantes da Rua Oscar Freire e aos pancadões de Sapopemba, multando, é claro, todo e qualquer incauto que não esteja ali mascarado (bandidos à parte). O bom senso sumiu. O Estado brasileiro FALIU.


Fábio Lemmi frlemmi@gmail.com

São Paulo


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O BOTIJÃO DA MORTE


Um homem joga um botijão de gás do alto de um prédio – no Rio de Janeiro – e mata um pedestre na rua. A irmã do homem justifica o ato explicando que ele sofre de transtornos mentais. A grande questão que retorna ao debate: quando vamos parar com a hipocrisia e tratar gente “louca, descompensada”, como louca e descompensada, tirando-os do convívio em sociedade, antes que cometam crimes como este?


Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz

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