Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2020 | 03h00

Eleições municipais

Mesmice


As eleições municipais estão chegando e, por mais importantes que sejam, não estão entusiasmando o cidadão eleitor. O noticiário foca nas pesquisas sobre eventual desempenho dos postulantes para chamar a atenção. No âmbito legislativo, candidatos a vereador com nomes esdrúxulos e pessoas estranhas se notabilizam mais do que suas possíveis intenções. No caso dos candidatos a prefeito da capital, sabemos que apresentam índices de rejeição maiores que os de intenção de voto. Por que, então, os partidos nos obrigam à mesmice de termos de votar sempre no menos pior? Pessoas que depois de eleitas não farão nem a metade do que dizem em debates, declarações ou textos de campanha. Isso porque não querem admitir para a população que a arrecadação municipal será fundamentalmente destinada ao pagamento da burocracia administrativa. Para ludibriar a percepção do cidadão gestores no poder promovem obras do tipo puxadinho ou alguma benesse pontual para dizerem que pensam em quem os elege. A pequena repercussão e o baixo interesse na eleição às vésperas do pleito deveriam acender a luz amarela para chefes de partidos no intuito de pensarem em indicar (melhor seria fazer eleição interna prévia) nomes capazes de modificar o atual sistema e torná-los mais atuantes e próximos da população. O cidadão tem sido injustamente acusado de votar em pessoas erradas, mas a culpa não é dele, e sim do sistema partidário, que favorece a indicação de candidatos já de antemão com alto risco de rejeição e desvinculados da realidade do eleitor.


SERGIO HOLL LARA

JRMHOLL.IDT@TERRA.COM.BR

INDAIATUBA


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Campanha antecipada

‘Outdoors’ do presidente


Como sempre, no Brasil, as leis têm interpretações dúbias, atalhos e favorecimentos nítidos para quem tem poder. No âmbito eleitoral, é assim também que funciona, haja vista que o Tribunal Superior Eleitoral parece fechar os olhos para as centenas de outdoors louvando o presidente da República, espalhados por vários Estados, em óbvia alusão ao pleito de 2022. Esses outdoors, que têm custo alto, estão sendo financiados muitas vezes com conhecimento do presidente e é bem possível que sejam pagos até por empresários procurados pela Receita Federal por sonegação fiscal. Mas o pior é ver um presidente que não governa, não trabalha com afinco para minimizar os efeitos do desemprego, da fome, da instabilidade econômica, nem em prol da saúde e da educação, fazendo campanha para tentar se reeleger para mais quatro anos de mandato.


RAFAEL MOIA FILHO

RMOIAF@UOL.COM.BR

BAURU


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STF

Na mira do eleitor


Com a indicação do desembargador Kassio Marques para o Supremo Tribunal Federal (STF), com sua conhecida posição sobre a prisão após a condenação em segunda instância “dependendo do caso”, resta pouco do candidato Jair Bolsonaro, que se elegeu prometendo combate à corrupção, a começar pela nomeação de um nome internacionalmente respeitado e da estatura moral e técnica do então juiz Sergio Moro. A soltura do criminoso André do Rap demonstrou as consequências de um sistema de Justiça em que as penas se aplicam em função da disponibilidade financeira do “paciente” de chegar, pelas mãos certas, à última instância do Judiciário. Nestas eleições municipais o eleitorado estará atento não só ao discurso dos candidatos, mas em especial a quem os apoia.


NILSON OTÁVIO DE OLIVEIRA

NOO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


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Nada de novo


Não surpreende a anunciada maioria para aprovação no Senado do nome do indicado pelo presidente Bolsonaro para a vaga aberta no STF. O Senado segue à risca a recomendação de Cristo: atire a primeira pedra quem não tiver pecado...


LAÉRCIO ZANNINI

SPETTRO@UOL.COM.BR

GARÇA


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Chanchada


Dado o elevado grau intelectual e moral dos nossos senadores, mais o notório saber jurídico e ilibada reputação do mais novo maquiador de currículos do governo do mitômano, imaginem as cenas dantescas que tomarão de assalto o picadeiro em que tais elementos transformarão a sabatina para aprovação dessa excrescência para o STF.


RENATO OTTO ORTLEPP

RENATOTTO@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO


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Corrupção

De competência


Tendo a Constituição admitido a tripartição do poder, questiona-se se a decisão do ministro Luís Barroso, do STF, de afastar o senador Chico Rodrigues não representaria abuso de poder. Ora, se ao Judiciário compete julgar deputados e senadores, conforme dispõe a Carta Magna, a decisão do ministro parece prima facie ser correta. Como o pleno do STF também se manifestará, qualquer dúvida será afastada, porque o que poderia ser questionado é se esse tipo de decisão deve ser conjunta ou monocrática. Ao apenas afastar o senador, não há como acusar Barroso de abuso de poder, salvo melhor juízo.


LAIRTON COSTA

LAIRTON.COSTA@YAHOO.COM

SÃO PAULO


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Conselho de Ética


Os senadores precisam entender: quem será julgado não é só a esdrúxula figura de um senador que usou a cueca para esconder dinheiro roubado do combate à covid, mas, principalmente, a moral do Senado.


ABEL RODRIGUES

ABEL@KNN.COM.BR

RIO DE JANEIRO


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Afastado com salário


É inadmissível que o senador flagrado com dinheiro na cueca seja afastado e continue recebendo o seu salário, pago pelo brasileiro comum, que sofre para sobreviver e alimentar os filhos com o básico dos básicos. Passou da hora de punir todos, sem exceção. Afinal, somos todos iguais perante a lei. Será?


M. DO CARMO ZAFFALON LEME CARDOSO

ZAFFALON@UOL.COM.BR

BAURU


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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br



RIO DE JANEIRO DOMINADO


Dados do estudo Mapa dos Grupos Armados do Rio de Janeiro, feito em parceria entre o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF, o Núcleo de Estudos da Violência da USP, o Disque-Denúncia e as plataformas Fogo Cruzado e Pista News, trazem a estarrecedora e preocupante revelação de que grupos milicianos já controlam nada menos do que 57% (!) do território da capital fluminense, enquanto as três facções do tráfico têm o domínio de 15% e 1 em cada 3 moradores, ou 2,2 milhões de pessoas, vive em áreas controladas por milícias. Como se vê, o Rio de Janeiro, sob as vistas e bênçãos do Cristo Redentor, vitimado por uma sequência de prefeitos e políticos malfeitores, acabou virando a “cidade maravilhosa” para o crime organizado. Uma pena, um absurdo!


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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PROVIDÊNCIAS


Consequência de uma série de governos corruptos e incompetentes, é cada vez maior o número de comunidades dominadas pelo poder das milícias no Estado do Rio de Janeiro, com intensidade maior de atuação na capital e em seu entorno. São estruturas criminosas montadas no sentido de aterrorizar os comerciantes e prestadores de serviços das referidas regiões mediante a cobrança ilegal e intimidatória de taxas e contribuições visando a aumentar sua influência e acentuar o grau de dependência imposta às pessoas. O poder público se mostra gradativamente mais impotente para combater com eficiência tal modalidade de delinquência, mesmo porque boa parte dela está sob o controle velado de membros das forças de segurança que deveriam estar dedicados à proteção dos cidadãos, e tem também tentáculos defensivos na Justiça e nas Casas de representantes, a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Vereadores. Que as autoridades responsáveis pelos destinos de outras metrópoles e de unidades da Federação que ainda não se encontram sob o domínio de tais facões ou nas quais já se detectam suas atividades em fases iniciais comecem a tomar providências para evitar o aparecimento de cenários semelhantes em suas jurisdições.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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‘CONVITE AO DESASTRE’


O excelente artigo que o brilhante jornalista José Roberto Guzzo teve publicado no domingo no Estado (18/10, A9), intitulado Convite ao desastre, conduz a um aparente dilema entre o justo e o legal, entre a justiça e as leis. Na verdade, sabemos muito bem que nem tudo o que é justo é contemplado pelas leis, da mesma forma que nem tudo o que é legal é justo. E isso por quê? A justiça é um conceito abstrato, que deve ser razoável e imparcial na defesa de interesses sociais. Deve ser um pilar da sociedade. Para satisfazer essas condições, os homens, na melhor de suas intenções e com todas as suas falhas e vieses, criaram ferramentas (leis) para materializar a defesa desses interesses, ou seja, promover justiça. As leis são, portanto, subsidiárias da justiça. Como corolário, somos obrigados a admitir que a legislação contém falhas humanas que vez por outra levam a decisões injustas. Para contornar essas falhas existe um conceito jurídico também abstrato, que é “o espírito da lei” (spiritus legis), que nas situações complexas para aplicação de uma lei procura interpretar qual a finalidade daquela norma quando foi criada. O que o legislador buscava quando criou a lei. Esse conceito não é bem aceito pelos advogados e suas associações, que exigem a obediência estrita “à letra da lei”, argumentando que, se uma lei conforme redigida é imperfeita, que se mude a lei, mas enquanto isso não for feito vale o que está escrito, mesmo que não promova justiça. Agora mesmo, no caso da soltura do bandido traficante André do Rap, pudemos observar no Supremo Tribunal Federal (STF) as duas posturas com relação ao caso. O novo decano da Corte, Marco Aurélio Mello, se ateve à redação pura da legislação sobre prisão preventiva, sem levar em conta o espírito dessa legislação, e mandou libertar da prisão um meliante perigosíssimo. No entanto, o também novo presidente do STF, Luiz Fux, suspendeu, sem efeito prático, pois o condenado já tinha sido libertado e fugido, o alvará de soltura como medida preventiva para corrigir a falha de interpretação pelo decano das leis que regem esse tipo de prisão. O espírito das leis, no caso, é evitar que acusados permaneçam indefinidamente em prisão preventiva, o que é muito justo, mas não soltar automaticamente e monocraticamente um condenado que representa perigo para a sociedade, o que é um absurdo. E o presidente da Corte o fez em caráter excepcional, sendo acompanhado por todos os demais ministros, que interpretaram igualmente o “espírito da lei”. Da mesma forma, o cumprimento da pena que a lei determina seja após o “trânsito em julgado” tem gerado polêmica, não por causa da legislação, que é justa quando procura garantir a ampla defesa aos condenados, em quatro instâncias, mas devido à falha na norma para impetração de recursos, que é ilimitada, seja na quantidade de recursos admitidos, seja no tempo disponível para apresentação de recursos em cada instância. Os defensores, cientes disso, passam a congestionar as instâncias com tal quantidade de recursos que o “trânsito em julgado” é postergado por anos ou até mesmo décadas, e quando a sentença é confirmada no final a pena do acusado geralmente já prescreveu. Ou seja, a possibilidade de usar tal expediente é uma falha que os juízes, interpretando o “espírito da lei”, deveriam não aceitar.


José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo


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FILIGRANAS JURÍDICAS


Mais uma vez a voz de J. R. Guzzo (18/10, A9) fala das coisas como elas são. Chamando as filigranas jurídicas das nossas leis e regimentos pelo que são: uma porta para quem tem suficiente dinheiro ou algum acesso a esse poder, fugir da lei e ficar impune. Quando ouvimos que as instituições estão funcionando, nos perguntamos: para quem, cara pálida?


Carlos Alberto Arellano caas.arellano@gmail.com

São Paulo


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JUSTIÇA E INJUSTIÇA


A soltura do traficante André do Rap, um dos chefes do PCC, pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), deveria sofrer uma investigação mais profunda para esclarecer as razões. Embora encontre sempre nas entrelinhas das leis motivos para justificar seus atos, essa medida foi totalmente imoral e injusta perante a sociedade brasileira. Maculou toda a imagem do Supremo. Interessante, em nosso país, é que as maiores instituições encarregadas de fazer justiça são justamente as que cometem as maiores injustiças.


Melchior Moser dr.moser@medicalcor.com.br

Timbó (SC)


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‘DECISÃO IRRESPONSÁVEL’


Excelente o artigo Decisão irresponsávelde Carlos Alberto Di Franco (19/10, A2). O autor fala em impeachment. É possível. Agora, deveria falar em indenização. O artigo 37, parágrafo 6.º da Constituição federal prega a responsabilidade dos agentes públicos pelos danos causados por seus agentes (quer queira, quer não queira o sr. Marco Aurélio Mello, ele é um mero funcionário público), e onde está o Ministério Público que não o responsabiliza pela decisão que julgo absurda? Ora, independentemente da questão jurisdicional, o sr. ministro causou um dano irreparável à Nação. Deverá este dano ser quantificado e dele cobrado. É uma responsabilidade fixada pela Constituição que ele tanto defende. Onde está o Ministério Público, que se cala?


Jorge Roberto Aun jorge@munariadv.com.br

São Paulo


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IMPEACHMENT NO STF


Finalmente um jornalista de um jornal de peso foi claro naquilo que eu tenho enviado aos espaços reservados aos leitores nos jornais (Estado, 19/10, A2): o impeachment de um integrante do STF (e pelo menos mais dois já fazem por merecer também). Ora, se dois presidentes já sofreram tal destino, por que não eles?


Albino Bonomi acbonomi@yahoo.com.br

Ribeirão Preto


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INDICAÇÕES AO STF


Após ler o ótimo artigo Decisão irresponsável e sem entrar na análise de existirem os requisitos constitucionalmente exigidos, eu me pergunto se estariam no Supremo Marco Aurélio Mello, se não fosse primo de Fernando Collor; Ricardo Lewandowski, se a mãe não fosse amiga de Marisa Letícia; Gilmar Mendes, se FHC não tivesse deslocado o então chefe da AGU (e de Gilmar) para ser ministro da Defesa; e Dias Toffoli, se não tivesse sido advogado do PT. O Supremo não merece que indicações sejam pautadas por esses critérios.


F. G. Salgado Cesar fgscesar@hotmail.com

Guarujá


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‘O SUPREMO NÃO É LEGISLADOR’


Não concordo com a posição do Estado no editorial de 17/10, de que os nove ministros do STF “legislaram” ao decidirem pela manutenção da prisão de André do Rap. Quando o artigo 316, parágrafo único do Código de Processo Penal diz “sob pena de tornar a prisão ilegal”, quer dizer que a prisão poderá ser decreta ilegal, e não que será ilegal. Sempre que falamos no cotidiano “sob pena”, estamos ameaçando, o que não significa um ato automático.


Luis Guilherme Machado Gayoso luis.guilherme.adv@gmail.com

São Paulo


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‘GATO JURÍDICO’


Corretíssimo o editorial publicado no dia 17/10 pelo jornal Estado. O Supremo não tem competência constitucional para legislar. Quando a lei determina isso, significa que ela não dá opção: é cumprir ou cumprir. Se foi determinado o prazo de 90 dias para ser efetuada uma avaliação sobre a oportunidade de uma prisão preventiva, sob pena de ser ilegal a prisão, o que se deve ler é que, não feita a respectiva avaliação no prazo legal determinado, a prisão torna-se ilegal e ponto final. Foi exatamente isso que o legislador quis dizer, a fim de impedir um encarceramento por tempo a perder de vista. Destarte, aquilo que o legislador não disse não pode o intérprete dizer – regra elementar de hermenêutica jurídica, sob pena de se agredir o “espírito da lei”. Montesquieu deve estar se escabelando na sepultura! Segundo o Conselheiro Acácio, o que o STF acabou fazendo foi um “gato jurídico”. 


Arlete Pacheco arlpach@uol.com.br

Itanhaém


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QUE PAÍS É ESTE?


Suponho que os ladrões de que mencionam vários artigos do Código Penal não são os miseráveis a quem a pobreza condenou a este gênero de vida, o de furtar para viver, pois a miséria a que dados já no berço ou os isenta ou alivia por inteiro o resvalo desses pequenos furtos para estancar a fome, estímulo de um gesto natural. Como já dito pelo sábio Salomão, “o ladrão que furta para comer não vai ao inferno”. Os ladrões em que a lei põe mira (ou deveria mirá-los pelos olhos dos agentes públicos, que nas mais vezes são tomadas de cegueira reverente, pelo brilho do ouro, que lhes cega o dever) são os engravatados, os ladrões de alto coturno que em profusão desfilam pelas cortes, ao farfalhar das sedas, sempre reverenciados como V. Excelência, cuja escalada ao alto posto do governo, outro objetivo não os alçou, que o de elitizar a roubalheira. Não há fortuna de “agente público” que não tenha sido forjada em lágrimas, dor e ranger de dentes dos mais necessitados. Não há fortuna de “agente público” que não traga por lastro a miséria humana. Ferem, pelos caninos vorazes a jugular do erário, que vaza para os bolsos dos corruptos a seiva que deveria alimentar a árvore do bem comum. A sangria é de exorbitância e colossal. Daí que se aumentam impostos, açoita-se o povo, a dívida pública alcança números inimagináveis, e ninguém estanca a férula roubalheira, cujo sono letárgico da Justiça, pés de ferro, ou absolve ou deixa que os crimes prescrevam. E o dinheiro do povo desperdiçado a rodo vaza até para as cuecas das ratazanas da Corte. Que país é este, meu Deus?!


Antonio Bonival Camargo bonival@camargoecamargo.adv.br

São Paulo


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O TILINTAR DAS MOEDAS DE OURO


Talvez a mídia, por cautela e até mesmo por medo de retaliação, não ventile essa possibilidade, mas o povo, aquele que paga as contas e não recebe nada em troca, sabendo que o Brasil é o país da propina generosa, sente que as decisões absurdas tomadas pelo pessoal lá de cima, por uma questão de lógica, não seriam imparciais, ou seja, imunes às tentações do tilintar das moedas de ouro.


Geraldo Siffert Junior siffert18140@uol.com.br

Rio de Janeiro


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MERA PRESSÃO


O governador de São Paulo, João Doria, disse que pretende tornar obrigatória a vacinação contra o coronavírus no Estado, salvo contraindicação médica. Se a obrigatoriedade a que ele se refere tiver a mesma eficácia que tem o uso compulsório da máscara – cujo índice de desobediência aumenta a olhos vistos, com, sem e apesar da possibilidade de multa –, o índice de vacinados ficará bem abaixo do esperado. O que determinará a aderência da população a uma ou outra vacina é a segurança em primeiro lugar, seguida da eficiência, e este último quesito levará tempo até que se chegue a alguma conclusão, mesmo depois de iniciada a vacinação em massa. A afirmação do governador é mero instrumento psicológico de pressão, sem valia alguma, e ele sabe disso.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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O DESPREZADO


Jair Bolsonaro veio a público para dizer que o Ministério da Saúde disse que a vacina da covid-19 não é obrigatória e ponto final. Quem é o “ministro”? Um general, parece que especializado em logística... Ainda atacou governadores que “se acham médicos”. A pergunta que não quer calar: melhor ser “médico” de bom senso do que um idiota desprezado no próprio país e pelo mundo, não é não?


Renato Amaral Camargo natuscamargo@yahoo.com.br

São Paulo


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O ERRO EM POLITIZAR A COVID


Desde o início da pandemia do novo coronavírus e das medidas de distanciamento e isolamento social adotadas Brasil afora, especialmente por decreto de governadores e prefeitos, tudo o que envolve o Sars-CoV-2 e sua possível e esperada imunização virou tema de disputa política. Politizar algo assim é prejudicial em todos os aspectos. Erra o presidente da República que prega a não obrigatoriedade de vacinação e erra o governador de São Paulo que parece provocar o líder do bolsonarismo. Sabemos que ambos, protagonistas da disputa política em torno da covid-19, serão possíveis adversários em 2022. Sabe-se, também, que os movimentos verificados no Palácio dos Bandeirantes, sede do Estado mais rico da Federação, visam a acirrar a disputa nacional no próximo pleito eleitoral brasileiro. Ocorre, no entanto, que politizar um assunto que envolve saúde pública é algo absolutamente irracional e fora dos padrões aceitáveis de qualquer democracia. Será que viveremos uma nova “Revolta da Vacina” como a que ocorreu no Rio de Janeiro em 1904? Em plena pandemia, com economias voltando a se fechar em virtude de uma segunda onda de contaminações ou mesmo reinfecções, caminharemos, uma vez mais, em sentido contrário ao da civilização? Não se politiza nem se barganha com a vida de ninguém.


Willian Martins martins.willian@globo.com

Guararema


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TORCER SEM CORRER RISCOS


No domingo o Estado relatou o atraso na execução da fase 3 da pesquisa com a vacina Coronavac no Hospital Emilio Ribas, um dos 13 centros de imunização experimental da vacina em nosso Estado. O atraso não é raro em pesquisas científicas, pelo ineditismo de cada projeto. Porém, o relato de que parte dos voluntários nem sequer foi vacinada e que terá um período de seguimento posterior nos faz prever que a conclusão desta fase pode ocorrer somente em 2021, e ainda assim se os outros centros de aplicação da vacina em voluntários no Estado de São Paulo tiverem semelhante desempenho. Pela análise destes dados é que será conhecida a capacidade de proteção da Coronavac para a covid-19. Assim como atrasos, qualquer pesquisa pode apresentar peculiaridades na execução e mesmo na interpretação dos dados, que podem influir no resultado; e desta forma os materiais e métodos utilizados deverão estar disponíveis para verificação por terceiros antes de qualquer programação de uso da vacina pela comunidade. Devemos torcer favoravelmente, sem correr riscos. 


Bernardo Ejzenberg bernardoejzenberg@yahoo.com

São Paulo


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RETORNO ÀS ESCOLAS


Referente à matéria Escolas de elite dizem estar prontas para aula curricular presencial (18/10, A15), baseada na autonomia e dentro de um país bem educado e pequeno, a Suécia demonstra evolução em entendimento. O prejuízo de a criança perder aulas (e crescimento) é maior que impor quarentena acima de poucos dias e fechamento das escolas. Todo o cuidado que temos eles também têm, a diferença básica é no binômio autonomia-responsabilidade. Curioso ler opinião dos pais de escolas de elite julgando sobre segurança frente a protocolos bem preparados pelas escolas particulares (e ao nível da Suécia).


Eduardo Fernandes Cazassa eduardo.cazassa@gmail.com

São Paulo


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ALIMENTAÇÃO NA PANDEMIA


O livro de Lilia Schwarcz e Heloisa Starling A Bailarina da Morte - A Gripe Espanhola no Brasil é importante para o resgate histórico e comparação entre as pandemias da gripe espanhola e a de agora, muito bem apresentado na reportagem de Ubiratan Brasil (Cultura, 17/10). A alimentação, crucial há um século, que até pode ter originado a caipirinha, foi tratada como forma de distração em nossa quarentena atual, aumentando a produção artesanal e audiência de programas de culinária. Aprendizados múltiplos, como concluem as historiadoras.


Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas


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MULHERES EM FOCO


Cumprimento o Estadão pelo texto Série Policial e Mulheres em Foco, que espero venha para estimular a tão injustiçada carreira policial. Tirá-la do quase anonimato, pelo menos naquilo que ela faz de bom pela sociedade, já é um grande avanço. Um resgate, ouso dizer. Contudo, faço votos de que os autores não cometam gafes como a que escreveu a apresentadora do Caderno 2 de domingo (18/10), ao dizer que “(...) Verônica, que até então levava uma rotina burocrática como escrivã (...)”. O escrivão é, foi e sempre será um técnico especializado, jamais um burocrata.


Jarim Lopes Roseira ipa.saopaulo@ipa-brasil.org.br

São Paulo


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‘NAS MÃOS DA JUSTIÇA’


Na coluna Nas mãos da Justiça, publicada em Esportes de segunda-feira (19/10, A18), o renomado jornalista esportivo Robson Morelli trata do caso Robinho. O artigo é interessante justamente por abrir um debate que, para muito além do esporte, é de natureza social. Vivemos um tempo em que a discussão sobre as liberdades é muito acirrada por vertentes ideológicas, como se as ideologias não dependessem justamente de liberdade para se estabelecerem. O título do artigo, Nas mãos da Justiça, deveria servir justamente de alerta de que o jogador Robinho está nas mãos da Justiça italiana e que esta ainda não se pronunciou em definitivo. A decisão de primeira instância não se tornou ainda o dito (ou veredicto) final da Justiça. E não é raro haver revisão das decisões proferidas em primeira instância. Apesar disso, Robinho, mesmo antes de ser condenado, já paga pena social pela opinião pública e outra imposta por empresas que – com toda razão – não querem associar sua marca a uma situação nebulosa, incerta. Mas, se um clube de futebol resolve contratar a mão de obra do jogador, estender a mão a uma pessoa que detém qualidades e ainda não tem condenação criminal definitiva, e menos ainda qualquer pena imposta pela Justiça desportiva contra seu labor, é correto que se faça lobby contra a contratação do jogador? Chama a atenção que muitos que criticaram a prisão de determinado político após a condenação em segunda instância sejam tão apressados em condenar um jogador de futebol no seu mister muito antes de ter confirmada a sentença de primeira instância. Quem condena dever ser a Justiça (criminal ou desportiva) e os respectivos juízes. Mas parece que outros se acham no direito de determinar a pena – de caráter liminar, torturante e absurdamente perpétuo.


Adailton Meireles Machado mactomm@gmail.com

Curitiba


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FELIZMENTE


“Infelizmente existe este movimento feminista”, disse Robinho. Infelizmente, não, Robinho, felizmente existem leis, e quando se trata de um crime hediondo, como estupro, que viola a liberdade sexual das mulheres, ele precisa ser combatido e não há lugar para esse tipo de comportamento.


Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca


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JESUS CANCELADO


A esquerda, através de “teologias” de viés marxista, como as da libertação e da missão integral, usa o cristianismo como um mero hospedeiro que, uma vez exaurido, tem seu ventre rasgado pela foice e sua cabeça golpeada pelo martelo. Os ataques incendiários a templos cristãos durante manifestações no Chile são a prova contundente desse parasitismo que visa à tomada do poder, com o consequente cancelamento de Jesus Cristo e o endeusamento de Karl Marx.


Túllio M. Soares Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte 

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