Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2020 | 22h00

Pandemia

A China e a vassalagem


Depois de quase um ano de pandemia e suas trágicas consequências – em óbitos e perdas econômicas – o mundo inteiro anseia por uma vacina contra a covid-19. Mas aqui, no Brasil, o presidente da República veio a público dizer em alto e bom som que não aceitará a “vacina daquele país”, a China, nosso principal parceiro comercial, que jamais se intrometeu em nossos assuntos internos, tem mais de 5 mil anos de história, uma cultura extremamente rica e um povo pacífico. Há poucos meses, aliás, a China foi a única interessada no leilão da Petrobrás, depois de um apelo ridículo do próprio presidente no intuito de evitar um retumbante fiasco internacional naquele que era considerado por seu “posto Ipiranga” um marco do prestígio brasileiro no mundo. Tudo isso em nome da vassalagem, sem precedentes na nossa História, aos EUA e seu presidente, Donald Trump, que não se cansa de dar rasteiras no nosso país. Nunca senti tanta vergonha de ter um chefe de Estado tão submisso, pusilânime, medíocre. Até quando nossas elites econômicas vão fingir que não elegeram um incapaz?


SANDRO FERREIRA

SANDROFERREIRA94@HOTMAIL.COM

PONTA GROSSA (PR)


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85% querem vacina


Ao trazer para dentro do seu governo o que há de pior na política brasileira, Bolsonaro garantiu seu mandato até o fim de 2022. E agora se sente seguro para cometer atos insanos, como o das vacinas e rebaixar um general da ativa. Ele esquece que quem lhe pode garantir um novo mandato são os eleitores, que vão precisar da vacina para sobreviver à pandemia.


MAURÍCIO LIMA

MAPELI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


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Medieval


O governador de São Paulo, João Doria, pode ter 1 milhão de defeitos, mas está certíssimo na questão das vacinas. Não importa se a vacina é chinesa, cubana, americana ou inglesa. O importante é salvar as pessoas. O que Bolsonaro pretende? A morte de mais 150 mil brasileiros? O presidente e seguidores têm uma visão de certas coisas que nos remete à Idade Média.


LEÃO MACHADO NETO

LNETO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


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Atitudes tóxicas


Nunca tivemos um dirigente tão complicado como agora. Com a obsessão de ver inimigos em seu entorno, ele não consegue sequer elaborar uma política racional que torne viáveis seus projetos – se é que tem algum em mente. Agora, neste momento de pandemia, a irracionalidade de suas atitudes acerca das futuras vacinas anticovid-19 tem deixado todos na maior perplexidade. Isso que só agrava os problemas. Oremos.


JOSÉ DE ANCHIETA NOBRE DE ALMEIDA

JOSEDALMEIDA@GLOBO.COM

RIO DE JANEIRO


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Escatologia


A esperada vacina contra o coronavírus alegrou o mundo. Com exceção do Brasil. Aqui a descoberta indica desunião, insultos, chacota, deboche e agressões. Com inacreditável dose de irresponsabilidade, falta de grandeza, espírito público e, sobretudo, desamor ao ser humano. Arranca-rabos e intrigalhadas entraram forte no coração dos políticos. A temperatura subiu. E ameaça subir mais. As inacreditáveis desavenças visam apenas as urnas eleitorais. Sem o endosso do povo. A impaciência e o destrambelho marcam as declarações. Vaidades pessoais vencem o diálogo. Essa alta temperatura política atrasa e envergonha o Brasil.


VICENTE LIMONGI NETTO

LIMONGINETTO@HOTMAIL.COM

BRASÍLIA


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Nova era


Vivemos neste mundo, há algum tempo, uma era estranha. Aquela em que um cidadão se arvora no direito de decidir por um país o que deve ou não ser feito. Diz pela manhã, desdiz à tarde, vende o que não tem... O “está autorizado” não existe mais: aprova pela manhã e, sob pressão, desaprova à tarde. Politiza tudo. Era da voadora no peito, do rico, arrogante e poderoso impostor. Era das frituras – os ministros Mandetta, Teich e Pazuello que o digam. Era de figuras nefastas, sem escrúpulos, que roubam verba destinada aos doentes. Que em cargos de expressão, como o de senador da República, conspurcam seu entorno, aviltam seu país. Era do currículo enganador, do ego inflado, do grande “macho alfa”...


JOSÉ PERIN GARCIA

JPERIN@UOL.COM.BR

SANTO ANDRÉ


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Corrupção

Novidade


Lula da Silva vira réu pela quarta vez na Operação Lava Jato por lavagem de dinheiro na Petrobrás. E não foi pelas mãos de Sergio Moro.


J. A. MULLER

JOSEALCIDESMULLER@HOTMAIL.COM

AVARÉ


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80 anos do rei

Pelé, único


Em meados da década passada eu estava na Alemanha e assisti na TV à transmissão de um jantar da corte da Holanda em homenagem a Johan Cruyff, o maior ídolo do futebol desse país e tido como o melhor futebolista europeu. À época, por motivos de saúde, ele abandonava definitivamente suas atividades esportivas. Grandes personalidades internacionais foram convidadas e, em longos discursos, não economizavam elogios ao grande astro. Em dado momento, um deles, em seu entusiasmo, referiu-se a Cruyff como “um Pelé holandês”. Cruyff levantou-se, pediu o microfone e disse: “Agradeço as gentis palavras de vocês à minha pessoa. Chego até a aceitar – muito honrado – a afirmação que fizeram, chamando-me de ‘um segundo Di Stéfano’. Mas, por favor, não toquem no nome de Pelé. Ele é único. Nunca existiu um jogador como ele no mundo e, seguramente, nunca existirá”. Como se vê, a inteligência de Cruyff não estava só nos pés. Aliás, como 5 de março no Brasil é considerado o Dia da Música, em homenagem à data de nascimento de Villa-Lobos, algum deputado poderia propor uma lei que determinasse o 23 de outubro como o Dia do Futebol.


JÚLIO MEDAGLIA, maestro

MAESTROJULIOMEDAGLIA@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br



UM ABUSO POR DIA


O presidente Jair Não Científico Bolsonaro foi eleito para trabalhar a favor dos brasileiros ou a seu favor? Que diferença faz se a vacina contra a covid-19 é chinesa ou inglesa, que será também fabricada na China? Por que colocar em dúvida a competência técnica do Instituto Butantan, o principal fabricante nacional de vacinas (6) e soros (13)? É por estar ele localizado em São Paulo e João Doria pode ganhar alguns votos por isso? Dizer que não vai tomar a vacina é para desestimular a população e continuar a crise? O fato é que a vacina da Sinovac é a mais adiantada na produção e nos testes. Não podemos começar com esta e complementar a imunização com as outras, na medida em que são liberadas, mesmo porque não terá vacina suficiente para todos? Com tanto estresse resultante da pandemia, precisamos de um presidente que só se preocupa com seus exaltados seguidores e dane-se o resto da população?


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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LINHA E AGULHA


É preciso costurar a boca do presidente Bolsonaro para evitar que  ele continue a disparar bobagens contra os chineses e bajular seu ídolo Donald Trump. Para agradar seus fãs, ele solta declarações idiotas à mídia como a de que “a vacina chinesa não é confiável pela sua procedência”. Isso é atirar contra o país que hoje importa bilhões de dólares do Brasil e, se ainda não é a primeira economia mundial, amanhã será. Depois, num puxa-saquismo idiota, declara que irá à cerimônia de posse de Trump, que a cada dia despenca nas pesquisas eleitorais, como se, vencedor, amanhã ele abrirá de graça as portas do mercado americano para o Brasil. Um pensamento ingênuo que leva a uma pergunta: e se Joe Biden vencer? Bem, não creio que ele altere a praxe dos vencedores, e o País receberá um convite para a posse, então quem Bolsonaro enviará em seu lugar? A pergunta é válida porque Bolsonaro teria de passar muito óleo de peroba na cara para ir cumprimentar pessoalmente o vencedor. Bolsonaro precisa pensar menos em reeleição e mais no Brasil.


Laércio Zanini spettro@uol.com.br

Garça


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AH, ESSES CHINESES!


Quando Bolsonaro descobrir que a pólvora foi inventada pelos chineses, depressinha ele faz uma live e proíbe as armas no Brasil.


Luís Lago luis_lago1990@outlook.com

São Paulo


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CANSAÇO


Toda esta celeuma em torno do aspecto puramente político envolvendo a questão das vacinas em estudo para prevenção do coronavírus é mais um show de constrangimento que o nosso país está exibindo para o mundo. A impressão que fica é de que o objetivo principal não é a blindagem contra a ameaça da doença, mas a disputa por um protagonismo sinistro, capaz de gerar consequências desastrosas. O cidadão consciente é tomado por um sentimento de perplexidade pelo inusitado do cenário formado e, ao mesmo tempo, de desânimo pelo tempo que as autoridades e os meios de comunicação estão consumindo com argumentações inúteis, enquanto os problemas graves ligados à economia e ao preocupante índice de desemprego que surgiram na esteira da pandemia, e que afetam diretamente a população, continuam aguardando soluções mais inteligentes e objetivas. Cansaço e desânimo são os termos mais adequados para descrever todo este quadro.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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‘O PRESIDENTE SOU EU’


Com essa afirmação, seguida de “não compraremos a vacina da China”, Jair Bolsonaro confirma seu desapego pela nossa vida, sabendo que a vacina chinesa é a mais provável de se concretizar rapidamente. E mais: sua funesta gestão está resultando em conflitos com o mercado externo, destaque para a China, nosso principal importador; sua desastrada política e insensível oportunismo eleitoral o fazem adiar as prometidas e necessárias reformas que atolam o País, com a permanente disfunção dos serviços públicos; sua recorrente prática de estimular o embate entre extremistas, além da distribuição de armas a civis, estimula a violência e a perda de vidas. Por fim, ao insistir em se omitir na coordenação nacional do combate à covid-19, que até o presente resultou em 155 mil mortes, o atual presidente passará para a História não só como algoz dos brasileiros, mas também do Brasil. Antes de decidirmos o voto na próxima eleição presidencial, precisamos refletir como chegamos a isso.


Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto


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O REI SOU EU


Quando o presidente da República tem de dizer que ele é o presidente da República, ele já não governa mais.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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INVEJA PRESIDENCIAL


Meu sogro lutou na Revolução de 1932, e ainda hoje a pujança e a competência do nosso Estado de São Paulo continuam ameaçando os poderosos. “O presidente sou eu”, afirmou Jair Bolsonaro. Insegurança? Inveja? Já disse o poeta: o homem que diz “sou” não é, porque quem é mesmo é “não sou”.


Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo


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DE 2018 A 2022


Alguém precisa avisar ao chamado Mito que, se na época das eleições Doria apoiou sua candidatura, com certeza estava acreditando nas suas promessas. Hoje temos conhecimento de que tudo eram balelas e tanto ele (Doria) como milhares de brasileiros fomos enganados. E, tendo em vista 2022, não caio mais nessa.


José Roberto Palma palmajoseroberto@yahoo.com.br

São Paulo


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BOLSONARO E A CORONAVAC


Como aceitar as atitudes do atual presidente da República, que tem o desplante de questionar seus assessores em relação ao uso de uma vacina para prevenir a contaminação pela covid-19? Ele prejudica a nossa economia, a área social e cria uma situação delicada na saúde pública. Ele precisa ser contido o quanto antes.


Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos


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POLITIZAR A SAÚDE NÃO!


Saúde não tem nada que ver com campanha política antecipada. O que a sociedade brasileira quer, mesmo, no momento é uma vacina que seja eficaz para imunizar a população contra o vírus da covid-19. O fato é que, mesmo antes de poder contar com uma vacina para frear a covid-19, o Brasil precisa imunizar-se contra a politização da saúde pública, ou seja, a politicagem de sempre. Precipitado, como sempre tem-se mostrado, o presidente Jair Bolsonaro já lançou uma discussão não muito viável para o momento sobre tornar ou não obrigatória uma vacina que nem mesmo existe de fato. O debate politizado fora de hora ocorre porque o presidente atua para minar a confiança no imunizante patrocinado pelo governador paulista, João Doria (PSDB), antecipando uma disputa que pode ocorrer em 2022 – o próprio tucano tem demonstrado seu intuito de querer faturar politicamente com a vacina a ser fabricada pelo Instituto Butantan em parceria com a Sinovac. Ele também já se aventurou anunciando que pretende torná-la obrigatória no Estado, o que não é nada democrático (não esquecendo que o governador chegou a prometer que toda a população seria vacinada até o dia 28 de fevereiro). Segundo Doria, a eficiência do imunizante na China chegou a 98% nos mais de 50 mil voluntários testados. Quanto à questão da obrigatoriedade, ela cai por terra e se torna secundária diante das evidências de que o brasileiro tende fortemente a aceitar a imunização de uma doença que já ceifou a vida de mais de 151 mil pessoas no País.


Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul


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85%


Que estes 85% de brasileiros dispostos a se vacinar mesmo contra a orientação do presidente da República possam também fazer a crítica aos rumos a que este (des)governo está levando o País. Resta uma esperança.


Maria Ísis Meirelles Monteiro de Barros misismb@hotmail.com

Santa Rita do Passa Quatro


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CORONAVAC DA DISCÓRDIA


A eficácia da vacina chinesa já foi comprovada pelo Ministério da Saúde ou já teve a certificação da Anvisa? Ah... não? Pois então, nenhuma ala ideológica, seja da esquerda de Doria, seja da direita de Bolsonaro , vai me obrigar a tomar a vacina Coronavac, pois, repito o que já está sendo dito por aí, não sou cobaia de chineses, eles que comprovem a eficácia desta vacina entre eles mesmos, ou na Venezuela, em Cuba... Por que no Brasil? O interesse desproporcional de Doria na compra desta vacina cheira mal. A verdade é que hoje nenhuma vacina tem comprovação ainda, demanda tempo para isso. Um médico brasileiro morreu durante o programa de voluntários para a vacina de Oxford. Eu prefiro continuar usando máscara, álcool em gel, tomando a devida distância dentro dos comércios. Essa “vacina” é que está dando certo.


Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo


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O VÍRUS E A POLÍTICA


A briga ideológica não ajuda no combate ao vírus, ela estimula disputas políticas. O povo sabe e enxerga tudo o que está havendo, pois graças a Deus temos uma imprensa livre. Sobre a vacina, sua confiabilidade e eficácia devem ser testadas e seguras, e isso demanda tempo. Por mais que tenhamos evoluído, convém lembrar que um bebê para nascer leva nove meses e a ciência mostrou que esse é o tempo correto. Não causar medo e insegurança é tudo de que o Brasil precisa. Por enquanto, os remédios contra a covid-19 mais baratos e eficientes são lavar as mãos frequentemente, usar máscaras e respeitar o distanciamento.


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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BOLSONARO TROPEÇA


A queda vertiginosa do candidato Celso Russomano na pesquisa de intenção de voto para a prefeitura de São Paulo do Datafolha pode até ter sido influenciada pela patacoada homérica dita por ele sobre a suposta menor propensão dos moradores de rua a contraírem coronavírus por não tomarem banho, mas não é este o fator principal. Essa queda é sinal claro de que boa parte do povo paulistano não tolera mais o voluntarismo inconsequente do presidente Bolsonaro – cujo capítulo mais recente é a politização descarada da vacina contra a doença com a desautorização da compra da Coronavac – e, portanto, repudia com todas as letras a candidatura Russomano, apoiada por ele. As eleições municipais, particularmente na maior capital do Brasil, refletem o momento político pelo qual passa o País. Bolsonaro tropeça cada vez mais nas próprias pernas e, se tiver um mínimo de percepção política em relação a seu futuro, não tardará a mudar de ideia sobre a vacina chinesa Coronavac.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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PAÍS SEM MEMÓRIA


No verdadeiro show de horrores e aberrações fantasmagóricas que se apresentam no horário político e em suas inserções entre programas, deparei-me com um que chamou a minha atenção, pela desfaçatez e pelo desprezo pelo eleitor. O candidato petralha  à Prefeitura de São Paulo, Jilmar Tatto, ao final de uma de suas deploráveis aparições, vomitou o seguinte e maravilhoso slogan: “Quero ser eleito para devolver tudo o que roubaram de você”. Poderia ser mais singelo do que isso? É crise de consciência e manifesta confissão dos atos criminosos de sua facção? Não, é apenas a hipócrita declaração de um pulha, a exemplo de tantos outros de sua quadrilha que ainda perambulam livres, leves, soltos e são candidatos a cargos eletivos neste país sem memória e sem vergonha, querendo ganhar o voto de incautos e de sectários acéfalos.


Renato Otto Ortlepp renatotto@hotmail.com

São Paulo


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MENTIRA NO HORÁRIO POLÍTICO


É revoltante assistir a certas barbáries no horário eleitoral. Eu me lembro de que os corredores de ônibus em São Paulo foram iniciados pelo prefeito Jânio Quadros. Até, na época inicial, um secretário de Estado bateu numa mureta colocada no meio da Avenida Santo Amaro, pois era o início dos corredores de ônibus de Jânio Quadros. Agora vem um candidato dizendo ser ele o autor, com a maior cara de pau. Além de deslavada mentira, ainda por cima o dito cujo é apresentado e recomendado por um criminoso condenado pela Justiça em segunda instância!


Robert Rovarelli papocabeca2016@yahoo.com

São Paulo


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MARTÍRIO POLÍTICO


Se gratuito para eles, o horário político é um verdadeiro suplício de dez minutos para o eleitor. Propostas delirantes para a solução de problemas complexos que não são novos e que exigem capital – todavia não informam de onde virá o dinheiro e prometem resolver os problemas como num passe de mágica. Entre eles, curioso é o PT escondendo a sigla na propaganda, quiçá por vergonha, e ainda tem Lula com ares de espantado, tal e qual o leão da Metro rugindo sobre o seu candidato. É patético. O atual prefeito indica ser o mais sensato e conhecedor dos reais problemas que procurou resolver. De qualquer forma, o que me parece menos criador de mágicas, incisivo, e a plástica ajuda, é Joice Hasselmann, que as pesquisas até agora mostram estar lá atrás. Enfim, temos de aguentar mais um pouco, faz parte da democracia, não obstante se tratar de momentos dos quais poderíamos ter sido poupados depois do surto da pandemia.


Mario Cobucci Junior maritocobucci@gmail.com

São Paulo


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O NOVO MINISTRO DO STF


O novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, entrou na Corte pela porta dos fundos. Se já não bastasse o seu currículo inconsistente e fake, agora disse que desconhece qual função exerce sua esposa, Maria do Socorro Mendonça de Carvalho Marques, no gabinete do senador também piauiense Elmano Férrer (PP), que, por sua vez, também desconhece a atividade laboral da colaboradora, que recebe mais de R$ 11.400 mensais. Na verdade, como essas novidades continuam enraizadas no serviço público, fica claro que só mudam as moscas, mas a lesma lerda continua a mesma. Muda, Brasil!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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‘A SABATINA QUE NÃO HOUVE’


Em algum momento talvez os brasileiros promovam a demolição e a reconstrução de seu edifício institucional. Dentre os procedimentos desancorados figura o modo pelo qual juristas de ilibada reputação e notável saber jurídico são aprovados, depois da indicação pelo presidente da República, pelo Senado Federal. O Senado romano era uma academia de Direito (vide Cícero). O nosso Senado não ostenta essa qualidade. A maioria das competências do Senado Federal é inalcançável e inexequível pelo Senado brasileiro, cujos membros deveriam preencher certos pré-requisitos para postular eleitoralmente seus cargos. Teria de ser uma instância de notáveis, que estivessem em condições de julgar o presidente e o vice-presidente da República, os ministros do Supremo Tribunal Federal e aprovar por arguição pública, previamente e por voto secreto, os magistrados, nos casos previstos constitucionalmente, enfim, exercer com o mínimo de proficiência as elevadas competências descritas nos incisos I a XV do art. 52 da Constituição de 1988. A pantomina na arguição do ministro do Supremo Tribunal Federal, em “sabatina que não houve”, Kassio Nunes Marques, como afirma o editorial de O Estado de S. Paulo, é uma conduta crônica do órgão de nosso Estado, que somente será superada mediante educação e cultura à altura de um povo que se queira configurar uma grande nação neste mundo.


Amadeu Garrido amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo


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TEMPO DE MEDIOCRIDADE


O dia 21/10 foi um dia triste para o Brasil. Mais um, aliás, dentre tantos outros que temos sido obrigados a engolir. Já se sabia, e isso é o pior, que um indicado por Bolsonaro seria eleito para uma cadeira da mais alta Corte de Justiça do País, sem que apresentasse duas condições básicas: a reputação ilibada e o notório saber jurídico. Ninguém pode ser considerado possuidor de moral ilibada quando frauda seu currículo e plagia partes consideráveis de sua tese demonstrando nenhum constrangimento com a repercussão desses fatos que vieram à tona, como se a dignidade não fosse um pré-requisito da honradez. O requisito notório saber está imbricado com o primeiro. Ou seja, quem possui essa tão importante condição para o cargo que pleiteia não precisa ceder à tentação de turbinar o próprio currículo. Mas todos sabem, até mesmo as moscas do Senado, que governistas e oposição, passando pelo Centrão, já haviam fechado um acordão para aprovar o juiz camarada, cuja voz nunca sequer ouvimos. A sabatina foi apenas pro forma. E este senhor lá ficará por 27 anos! Imaginava-se que o ministro Dias Toffoli teria sido uma infeliz indicação do ex-presidente Lula, mas a do sr. Kassio Nunes Marques a superou, já que aquele não ousou superfaturar seu histórico  acadêmico. Não chegou a tanto! Estamos atravessando um período “como nunca antes”, em que a burla e a mediocridade têm sido muito bem premiadas. É aterrador! Oremos.


Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas


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15 VOTOS


Foram 5 votos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e 10 no plenário. Possivelmente, 15 senadores leram a cartilha do editorial do Estado que sugeria a não aprovação do nome de Kassio Marques para o STF. O motivo seria, talvez, o analfabetismo de saber jurídico e ausência de reputação ilibada do desembargador candidato. Possivelmente, 22 votos na CCJ e 57 do plenário não leram o editorial.


Arcangelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo


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REQUISITOS CONSTITUCIONAIS


Dispõe o artigo 101 da Carta Magna que somente o notável saber jurídico e a reputação ilibada serão considerados para a ocupação do cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. Após a indicação do presidente da República, iniciou-se a avaliação da existência de tais requisitos pela análise conferida ao Senado  Federal, leia-se por meio de sua Comissão de Constituição e Justiça, no que toca à aprovação do novo candidato. Neste ponto é que reside a dificuldade. Exigir do atual presidente da República e de um órgão público atualmente preenchido por elementos do naipe de Fernando Collor de Mello e Renan Calheiros que entendam de notável saber jurídico e reputação ilibada pode ser demais. Afinal, o que significa ilibada? Para qualquer um do povo, abrange a noção indiscutível de incorruptibilidade, ou seja, a reputação deve ser incorruptível, e nada além disso. Para um indicado que enriquece seu curriculum vitae com cursos de pós-graduação inexistentes e faz uso de plágio em sua defesa de tese, é possível reconhecer a reputação como incorruptível e, em decorrência, ratificar o notável saber jurídico? Só para os ocupantes da Presidência da República e do Senado Federal ora em exercício o aprovado ministro, Kassio Nunes Marques, preenche tais requisitos constitucionais, infelizmente.


Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com

São Paulo



 

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