Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2020 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Segredo do sucesso


Qual o segredo do sucesso do governo Bolsonaro? A economia vai de mal a pior, dólar em alta, inflação voltando, CPMF rondando, zero privatização. A gestão da pandemia é catastrófica e o mito ainda quer proibir vacinas. O meio ambiente enfrenta um verdadeiro holocausto, desmatamento e queimadas batem recordes, zero multas ambientais. Cultura, Educação, tudo inoperante, não há gestão de nada. Somente a milícia fluminense e a bancada da corrupção têm o que comemorar.


MÁRIO BARILÁ FILHO

MARIOBARILA@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO


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Guarda pretoriana


O Estado confirmou que em 25 de agosto o presidente Bolsonaro convocou o diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, para reunião com ele e os advogados de defesa em ação criminal contra seu filho Flávio, a fim de discutir possível investigação de supostas irregularidades no processo – o que foi posteriormente negado pela Abin, por não ser de sua alçada... O presidente achar que pode usar a Abin para proteger um filho num processo judicial revela profunda ignorância do que é uma democracia. E/ou sua total confiança no escudo do Centrão.


LUIZ ANTONIO RIBEIRO PINTO

BRASILCAT@UOL.COM.BR

RIBEIRÃO PRETO


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Baixaria no Ministério


O ministro Ricardo Salles chama o general Luiz Eduardo Ramos de “maria fofoca” (24/10, A8). O “sinistro” destruidor do meio ambiente, depois de criar tantos problemas externos para o governo, agora resolveu criar problemas internos, atacando de forma, no mínimo, deselegante o ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República. Será que o general Ramos vai engolir o xingamento ou pedir para sair? Parece que técnicos e militares de alta patente não se dão bem num governo presidido por um ex-capitão aliado do Centrão, esse ajuntamento de políticos com problemas na Justiça.


ANTÔNIO DILSON PEREIRA

ADVDILSON.PEREIRA@GMAIL.COM

CURITIBA


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Gabinete fundamentalista


Pelo andar da carruagem, Salles, Ernesto Araújo e Damares Alves vão enterrar Bolsonaro em 2022. Temo que até lá levem junto a natureza, a economia e a saúde pública do Brasil.


ETELVINO JOSÉ HENRIQUES BECHARA

EJHBECHARA@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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Metonímia


Metonímia é figura de linguagem elegantemente empregada quando se toma a parte pelo todo. Assim como Ernesto Araújo não é o Itamaraty, os militares no governo, envergando ou não a farda, nunca foram o Exército, ou a Marinha ou a Força Aérea. Aliás, instituições fortemente hierarquizadas têm no seu ápice um só assento. Hoje, no Exército, o general Leal Pujol, ontem o general Villas Bôas. Nunca o generais que ladeiam Bolsonaro foram o Exército. Nos seus ternos bem talhados, hoje não têm poder de requisitar “um jipe com um cabo e dois soldados”. Eles são da turma de formação de Bolsonaro e do seu lado não arredam pé, seja porque picados pela mosca azul-oliva, seja por que pensam poder contê-lo um tanto e prestar um serviço ao Brasil. Turma, nas Forças Armadas, vale mais que família de sangue. Mas hoje o Exército, sob Pujol, não se envolve em querelas. Villas Bôas se envolvia, mas suas atitudes eram de estadista. Bolsonaro não mexe com Pujol, essa relação respeitosa se dá porque o general é o zero um (disparado, como se diz na caserna) da sua turma e Bolsonaro é “meião”. Deve soar engraçado para os civis, mas o respeito conquistado aos 18 anos permanece até hoje. É assim que funciona. Para o general Eduardo Pazuello vale o velho ditado: tudo ao chefe, menos a honra!


PAULO ROBERTO SANTOS

PRSANTOS1952@BOL.COM.BR

NITERÓI (RJ)


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Já deu


Por mais que tentemos, não dá mais para defender o governo Bolsonaro. O presidente e boa parte de seu governo seguem violando direitos e a lógica. Falam mal da China, mas esse país é o nosso maior parceiro comercial e, neste momento de pandemia, o que mais nos vende medicamentos e insumos para o combate a várias doenças, covid-19 incluída. Politizar e partidarizar a vacina, pior, submeter-se às vontades de americanos sinófobos, é tudo o que não precisamos neste momento de crise sanitária, financeira, política, nas relações exteriores, etc. Os brasileiros que não se submetem aos caprichos bolsonaristas, a classe média que banca o clientelismo e o assistencialismo, enfim, o povo de bem não consegue mais fechar os olhos para o que vem acontecendo no Brasil, agora apontado como Estado pária.


JOÃO DI RENAN

JOAO_DIRENNA@HOTMAIL.COM

QUISSAMÃ (RJ)


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Educação superior

Interdisciplinaridade


O editorial O ensino superior e o desemprego (22/10, A3) aponta, entre outros problemas, a carência de cursos interdisciplinares. É que os critérios vigentes de avaliação das atividades institucionais valorizam a quantidade, e não a qualidade da produção acadêmica. Dão importância ao número de artigos científicos publicados, de citações, etc., o que obriga os docentes pesquisadores a se concentrarem em assuntos da moda, rapidamente publicáveis e com boas chances de ser citados. Tal pressão faz as personalidades capazes de atividades interdisciplinares e de pensamento crítico perderem espaço para os colegas monotemáticos ou que reduzem seus interesses a poucos temas de estudo. Mais do que isso, as pessoas de visão e interesses amplos, capazes, portanto, de ensino e atividades interdisciplinares, não são compreendidas nem toleradas pela coletividade que optou pela quantidade, em detrimento da qualidade. Uma possível mudança deve começar com o abandono dos critérios de avaliação “produtivistas” e prestigiar as pessoas de visão e ação englobantes.


TIBOR RABÓCZKAY

TRABOCKA@IQ.USP.BR

SÃO PAULO



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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br



PENSE BEM, PRESIDENTE


Fica difícil de entender por que o presidente Bolsonaro tanto resiste à vacina do Instituto Butantan em parceria com a Sinovac contra a covid-19, que, ao que tudo indica, é a que está mais adiantada no processo de imunização. Na verdade, a complicação, mesmo, se dará na distribuição dela para todos os cantos do País. Mas nisso o Brasil é competente, consegue chegar aos rincões mais longínquos. E esse trunfo, uma vez conseguido, deverá ser creditado ao governo federal. É preciso levar em conta, também, que esta batalha da obrigatoriedade vai acabar sendo decidida no Supremo Tribunal Federal (STF), que, por óbvio, decidirá a favor, por se tratar de uma pandemia. Dessa forma, a ideologização vai ser inútil, visto que até para arranjar um emprego o comprovante da vacina será exigido, bem como em viagens, matrículas de escola, universidades e outros. Para que, então, resistir? Não seria eleitoralmente mais conveniente, já que o presidente conduz suas ações tendo em vista a reeleição, facilitar a consumação da vacina “chinesa” faturando eleitoralmente na época da vacinação em massa? Não seria mais inteligente satisfazer 85% da população que deseja ser imunizada, do que meros 15% que acreditam ser a vacina muito ameaçadora, inoculados que serão com o “vírus chinês” por desejo de destruir o mundo pela “malévola” China em conluio com o “perigosíssimo” Butantan, mais o apoio incondicional do arqui-inimigo do presidente, o governador João Doria? Fica, então, a sugestão para os assessores de Bolsonaro para assuntos políticos, em especial para o filho 02.


Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas


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DA IGNORÂNCIA ENDÊMICA


Bolsonaro prefere a inglesa ou qualquer outra. Chinesa nem pensar. Já o vírus é indiferente. Ataca qualquer um. Inclusive e principalmente os militantes da ignorância. No caso específico, ignorância, nem uma inglesa imunizaria...


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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O PRESIDENTE E A MEDICINA


Uma pergunta ingênua: quando a Associação Médica Brasileira irá denunciar o capitão ao Supremo Tribunal Federal (STF), por exercício ilegal da Medicina, por receitar drogas para evitar e curar covid-19 e incitar o povo a não usar máscara e muito menos não evitar aglomerações?


Joaquim Luiz Bessa Neto jlbessaneto@gmail.com

São Paulo


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NOSSA ERA


Você não é médico para afirmar se a vacina é boa ou não. Você não é historiador para dizer se o nazismo é de esquerda ou de direita. Você não é juiz para julgar se fulano deve ser detido ou não. Você não é sociólogo para falar que uma determinada raça é inferior ou não. O grande problema de nossa era é as pessoas acharem que são alguma coisa e sobre isso tomar decisões...


Rodrigo Ibraim rodrigoibraim@gmail.com

Taboão da Serra


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ENFIM


“Quando tudo lhes parecer incerto, lembrem-se das Forças Armadas. Como bem diz a história, elas sempre estarão prontas para defender a pátria e para garantir a nossa liberdade.” Essa declaração de Jair Bolsonaro faz parecer que enfim as Forças Armadas vão enjaular o próprio declarador, evidentemente para defender a pátria e garantir nossa liberdade. Aleluia, irmãos! Não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe...


Nelson Sampaio Jr. n.sampaio@hotmail.com

Curitiba


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MARIAS-FOFOCA


Nesta insana briga entre a área ideológica e a militar do governo Bolsonaro, protagonizada pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, respectivamente, nenhum dos dois é perdedor, ambos deixam para o País as inevitáveis, irresponsáveis e dolorosas perdas, como na suspensão das operações de combate ao desmatamento ilegal e a queimadas na Amazônia legal e no Pantanal, que estão destruindo os dois biomas como jamais visto na história, desde os tempos de que se têm registros.  Por questões de justiça, eu vou entrar nessa polêmica, mesmo sendo ela completamente idiota, mas somente para reivindicar a extensão do apelido ao outro lado. Marias-Fofoca é mais adequado para o imbróglio.


Abel Pires​ Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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DESGASTE


A irritação do ministro do Meio Ambiente em relação ao ministro da Secretaria do Governo mostra duas questões inaceitáveis: um ministro chamar o outro publicamente de Maria Fofoca é mais um desgaste para o governo e mostra que a equipe governamental leva em conta interesses corporativos. Os reflexos disso são extremamente negativos para o nosso país.


Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos


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PASSANDO A BOIADA


Novamente, o ministro Ricardo Salles e seus comparsas no Ministério do Meio Ambiente e alguns do Ibama agiram contra a fauna e a flora da Amazônia e de outras regiões do País. Na semana passada, eles ordenaram a retirada dos brigadistas que estão combatendo os incêndios nestes locais, alegando falta de recursos. Essa decisão é simplista e, na verdade, vai de encontro aos anseios deste ministro que deseja a qualquer custo eliminar as leis hoje existentes de proteção ao meio ambiente, bem como deixar a Amazônia queimar. Ora, qualquer gestor que tenha inteligência e, principalmente, boa vontade e bom senso, ao invés de tomar essa decisão, teria antes procurado o Ministério da Economia e iniciado negociações para a liberação dos recursos necessários, ou então procurado o vice-presidente da República e presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, sr. Hamilton Mourão, para juntos negociarem a liberação das verbas. Enfim, Salles é despreparado para o cargo e, acima de tudo, um verdadeiro criminoso ambiental. Até quando?


Darci Trabachin de Barros darci.trabachin@gmail.com

Limeira


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A AMAZÔNIA CONTINUA EM CHAMAS


Por que o ministro contra o meio ambiente, Ricardo Salles, não comunicou os ministros Walter Braga Netto (Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia) de que faltavam recursos para o Ibama e que o trabalho heroico de brigadistas no combate a incêndios florestais seria interrompido no País? Gosta do “espetáculo” de voar sobre fogueiras ou não precisa mais de brigadistas, já que temos o tal “boi bombeiro” da ministra Tereza Cristina, da Agricultura?


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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RICARDO SALLES


Diante das ações tomadas pelo Ministério do Meio Ambiente, o que nos resta dizer é: sr. ministro Ricardo Salles, vossa excelência é um acinte ao bem de nossa fauna e flora. A pergunta para o ministro é: o sr. é contra ou a favor do Brasil? Porque sua gestão só denota uma implosão do meio ambiente de nossa nação.


Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz


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O HOLOCAUSTO AMBIENTAL


Hitler nunca falou que queria matar judeus – a mentira sempre foi uma importante arma de guerra, largamente usada por Hitler. As mais variadas mentiras eram usadas pelos nazistas para enganar as vítimas do holocausto, quando elas entravam na câmara de gás, onde seriam mortas, pensavam estar entrando numa sala de banho, por exemplo. O objetivo da mentira no nazismo era muito claro: facilitar o controle dos milhões de prisioneiros que certamente iriam se rebelar, caso soubessem o que iria acontecer com eles. Jair Bolsonaro nunca falou abertamente que quer acabar com a Floresta Amazônica nem com o Pantanal, ele sabe que isso iria gerar um reação de repúdio no mundo inteiro, o Brasil sofreria sanções, haveria manifestações nas ruas, etc. Para evitar esses problemas, Bolsonaro mente, insiste em dizer que a Amazônia está intacta, culpa os índios e os ambientalistas pelos incêndios. Seu ministro do Meio Ambiente, por sua vez, trabalha com afinco para desmontar todas as defesas ambientais, para permitir o crescimento insustentável do agronegócio em detrimento da preservação ambiental. Ricardo Salles teria feito uma brilhante carreira na Alemanha de Hitler. Sob o comando de Bolsonaro, Salles está promovendo um verdadeiro holocausto ambiental no País, e ambos mentem em tempo integral. Os responsáveis pelo holocausto ambiental brasileiro serão responsabilizados pelos seus crimes.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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ELEIÇÃO NOS EUA E A NOSSA COLHEITA


Donald Trump e Joe Biden conseguiram debater, na quinta-feira (22/10), com tranquilidade, transmitindo seus pontos de vista. O que interessa, no entanto, para o Brasil será a resultante para nossos negócios após a escolha eleitoral norte-americana. Se Trump for vitorioso, como já se conhece a sua posição diante do Brasil, será uma vitória bastante interessante para nós. Entretanto, caso vença Joe Biden, por certo teremos problemas em decorrência de sua posição sobre o Brasil, especialmente com relação às questões de meio ambiente. Seria Bolsonaro capaz de resolver pendências com Biden? Se não for, a Nação será prejudicada e ficará ressaltado que o País nunca deveria ter feito uma opção desmedida e descabida em favor de Trump. E quem planta não colhe?


José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro


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VOLTA À ‘NORMALIDADE’


Para restabelecimento da ordem mundial, Donald Trump não pode se reeleger. Com ele fora do poder, cairia por terra o seu negacionismo, que muito nos aflige. Sem as suas ameaças e bravatas diante das maiores economias mundiais, seria uma esperança para discussão da desprezada globalização. Seria um alento para assuntos importantes quanto ao clima, ao meio ambiente, ao antirracismo e o socorro aos imigrantes. Seriam retomados importantes tratados internacionais abandonados por aquele país. Enfim, voltaríamos à uma certa “normalidade”.                                                                                                                                                                                                                    


Jorge de Jesus Longato financeiro@cestadecompras.com.br

Mogi Mirim


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GOVERNOS E MENTIRAS


Manter deflagrada e crônica uma guerra comercial com a China e concomitantemente manter lá uma conta secreta, como denunciou o honrado New York Times, é fazer todos os governados do mundo de paspalhos, sr. Donald Trump. Seu discurso é composto de invariáveis dissimulações, falsidades, hipocrisias, a verdade jamais deve ser acalentada, pois ela não promove os interesses pessoais. O poder está calcado na mentira, provavelmente porque o próprio poder é uma manifestação da mentira em significativa parte das governanças. Haja vista os indefectíveis “segredos de Estado”.


Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo


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5G NO BRASIL


Altas patentes americanas, como a presidente do Eximbank e o chefe da Segurança Nacional, vieram ao Brasil trazendo US$ 1 bilhão de créditos para a compra de espelhinhos e miçangas americanas pela deslumbrada indiada tupiniquim. Tudo para afastar a Huawei e seu 5G do mercado brasileiro. No apagar das luzes do governo Trump, nada melhor do que garantir a fidelidade canina do governo Bolsonaro aos interesses econômicos e estratégicos dos Estados Unidos em seu histórico quintal. Paulo Guedes e nosso chanceler, devoto de teorias da conspiração permanente do dragão da maldade chinês, deixaram clara nossa adesão automática à geopolítica americana. 

         

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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INGENUIDADE


Quando os EUA sentem uma ameaça da China em suas investidas técnicas do 5G em seu quintal sul-americano, que é o Brasil, vêm aqui e prometem investimentos. E o governo Bolsonaro, encantado, por ingênuo, no canto da sereia norte-americano, deverá novamente iludir-se, enganar-se e não perceber que, para os EUA, primeiro eles próprios e, depois, também.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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DADOS


Os EUA se propõem a financiar o 5G no Brasil, porque qualquer um que ganhar a concessão de instalação terá dados do país onde o sistema foi instalado. A escolha será entre quem colherá as informações que serão transmitidas por essa rede para uso próprio e dos interesses de seu país de origem. Simples assim.


Ricardo Pradas ricqmarvin@yahoo.com.br

São Paulo


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A ECONOMIA PÓS-PANDEMIA


Analistas de Economia em todo o mundo são quase unânimes ao informar as consequências da pandemia nos países que se viram na obrigação de dela se defender com lockdowns e quarentenas e administrar o mal mediante a aplicação de pesados gastos governamentais. Os estudiosos garantem que será longa e incerta a recuperação de níveis aceitáveis de desenvolvimento e da retomada de empregos perdidos com a crise. Conforme divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o Produto Interno Bruto (PIB) dos países, de modo geral,  apresentaram evoluções negativas em 2020. Há, no entanto, poucos dados capazes de esclarecer objetivamente, em face da forte interdependência das negociações internacionais, em que consistiu a dinâmica utilizada pelos líderes da China, que, diante do oráculo partidário de coloração única, conseguiram promover a solitária elevação positiva do referido parâmetro. Será que houve realmente uma estratégia global por eles planejada no sentido de consolidar hegemonias política, econômica e até militar instrumentalizadas pela “exportação” de uma contaminação que resultou no empobrecimento econômico generalizado, com dividendos consideráveis para o dragão? O mundo aguarda uma explicação plausível.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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REFORMAS DE BRINCADEIRINHA


O artigo de Elena Landau ‘Me chame pelo meu nome’ (Estado, 23/10) mostra mais uma faceta do governo Bolsonaro: fingir que está fazendo algo só para enganar os crédulos. A reforma administrativa, que Elena chamou corretamente de “reforma do amanhã”, não mexe com os atuais funcionários do Executivo e não entra nos Poderes Legislativo e Judiciário. Não elimina férias de 60 dias, não corta a quantidade imensa de assessores do Legislativo com suas rachadinhas e pessoas que nunca estão presentes em nada mas que ganham dinheiro de nossos impostos, os penduricalhos são ignorados e – oh, que pena – “não tem dinheiro para o SUS, nem para remunerar adequadamente os professores”. Somos um país onde as lideranças políticas ignoraram a maior parte da população e, com essa ausência, levaram ao desenvolvimento das milícias cariocas e aos grandes grupos do crime organizado que, em breve, estarão disputando a Presidência da República do atual miliciano no poder. Temos de nos livrar desta gentalha!


Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo


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O CUSTO DE EMPREGAR


Muito se fala no tamanho do desemprego no Brasil, porém há que falar no custo da manutenção e, principalmente, da demissão de um empregado, fator este que funciona como um grande impedimento e desestímulo à criação de empregos. Hoje em dia, nenhum empregado pede demissão. Isso é fato e incontestável. Se não for demitido, fará o diabo para sê-lo. Qualquer demissão será sem justa causa uma vez que os critérios para o contrário são rigorosíssimos. Ora, os 40% de multa já estão inseridos e apropriados na cabeça e no bolso do empregado, bem como o seguro-desemprego. Ninguém larga este osso por nada neste mundo. Este funcionário custa mensalmente o seu salário, vale-transporte, vale-alimentação, seguro de vida e muitos empresários pagam também o seguro saúde. Sem falar nas horas extras que vão engrossar o caldo do FGTS, férias e 13.º salário. Isso tudo possibilita ao empregado o sustento de sua família e, em muitos casos, o aumento de seu patrimônio. Depois disso, deposita-se todo mês o FGTS, que, como o próprio nome já diz, é uma poupança feita pelo empregador para garantir o futuro de seu funcionário. Aí tem as férias, abono (1/3) de férias e o 13.º salário. Ou seja, o empregado trabalha 11 meses, mas na prática recebe 14 salários, e na hora que é necessário demitir o empresário ainda lhe deve uma verdadeira fortuna. Para as médias e grandes empresas isso se dilui e não pesa, mas para o pequeno e, principalmente, o microempresário, é quase mortal. Assim, estão preferindo diminuir seus negócios a ter de contratar. Justamente aqueles que mais empregam! Em 18 de outubro, em matéria do Estado (Efeito pandemia acelera abertura de empresas por microempreendedores) na qual se lê sobre a abertura de quase 800 mil  MEIs, trata-se, na realidade, para muitos, da solução encontrada para continuar a trabalhar para os mesmos patrões, desta forma, porém, como prestadores de serviço. As leis criadas para defender o “direito” dos trabalhadores em sua maioria mais prejudicam do que ajudam o trabalhador e precisam se modernizar. Há uma realidade que os que se dizem seus defensores teimam em não enxergar, que é a da adaptação do mercado às suas contingências. Para isso, não há argumento nem lei que ajude a gerar emprego.


Paula de Ribamar e Silva paula.ribamar@gmail.com.br

São Paulo


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OBRA BIZARRA


Quanta bizarrice! João Doria inaugura vagões do trem que não chega até o Aeroporto de Guarulhos ao custo de R$ 400 milhões, herança de Geraldo Alckmin. O governador de São Paulo – onde, segundo ele, cai um Boeing por dia – gasta essa fortuna com vagões? E a fase verde, governador, vai até as eleições? Um desrespeito ao cidadão que em meio à pandemia vê seu dinheiro sendo usado como trampolim político. Vergonhoso.


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


 

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