Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2020 | 03h00

Eleição nos EUA

A sorte está lançada


O maior desafio político dos EUA é também do mundo, neste desgastado primeiro quartel do século 21. A nomeação de juíza indicada pelo presidente Donald Trump para a Corte Suprema desperta fundado receio de que se pretenda estremecer o resultado legítimo da eleição para a Casa Branca. O Supremo Tribunal é o árbitro do jogo, como vimos em 2000 na disputa entre o republicano George W. Bush e o democrata Al Gore. O democrata pleiteou a recontagem na Flórida, mas, quando os votos de Al Gore se acumulavam aos montes nas mesas reapuradoras, um grupo de mercenários invadiu a sala e os danificou. Os advogados do democrata pediram à Corte que dilatasse o prazo da recontagem, inicialmente previsto para até as 18 horas daquele dia. Mas o requerimento foi indeferido. Não pela primeira vez, o tempo estrangulou o direito. Os invasores predadores cumpriram com êxito sua “missão” eleitoral, pois Al Gore preferiu não mais recorrer, para garantir um mínimo de paz ao povo, ainda que à custa de sua questionável derrota. Não é impossível que esse cenário se repita agora, tendo em vista a nomeação da trumpiana Amy Coney Barrett para a Corte. Se Trump conseguir novo mandato, os EUA caminharão inevitavelmente para o fundo poço da entropia, arrastando o mundo, que já sofreu demais neste annus horribilis.


AMADEU R. GARRIDO DE PAULA

AMADEUGARRIDOADV@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


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Apocalipse


Evangélicos fundamentalistas – considerados “carta na manga” para o sucesso eleitoral de Donald Trump – são obcecados pela escatologia, a doutrina baseada no livro bíblico do Apocalipse. Por ironia, na hipótese de reeleição do nefasto Trump, serão eles os artífices do fim dos tempos... E daqui a dois anos parte dos evangélicos fundamentalistas brasileiros também dará nas urnas sua contribuição para o fim do mundo.


TÚLLIO MARCO SOARES CARVALHO

TULLIOCARVALHO.ADVOCACIA@GMAIL.COM

BELO HORIZONTE


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A voz das urnas


Se o democrata Joe Biden vencer a eleição para a Casa Branca, o mundo político ficará, digamos, mais civilizado. O soberbo e inconsequente Donald Trump, em detrimento da nação que governa, em momento algum respeitou os tradicionais parceiros dos EUA. E menos ainda se aliou à ciência nesta pandemia de covid-19. Como escreveu no Estado o escritor Mario Vargas Llosa, “o país que supostamente deveria guiar o mundo livre encontra-se isolado e solitário”. Para os tradicionais aliados e parceiros comerciais a provável vitória de Biden será um alívio, mas para o Brasil restará uma grande preocupação. Porque Jair Bolsonaro, que também faz uma péssima gestão, infelizmente, se aliou cegamente a Donald Trump, até mesmo declarando seu apoio no decorrer da campanha eleitoral. Em pior situação entre os emergentes, o Brasil poderá pagar caro por seu atual caminho diplomático.


PAULO PANOSSIAN

PAULOPANOSSIAN@HOTMAIL.COM

SÃO CARLOS


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Figuração


Qualquer que seja o eleito para a Presidência da ainda maior potência do mundo, Bolsonaro será apenas mais um figurante nas relações com os EUA.


CARLOS GASPAR

CARLOS-GASPAR@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


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Veredicto


A esperada vitória de Joe Biden vai devolver Trump ao seu mausoléu, o Trump Taj Mahal, de onde nunca deveria ter saído.


PAULO SERGIO ARISI

PAULO.ARISI@GMAIL.COM

PORTO ALEGRE


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Pandemia

A ignorância dói


“Dói no ouvido” a fala de empedernidos bolsonaristas que afirmam não haver comprovação da eficácia do isolamento social. Coincide com o desapreço à saúde – e, obviamente, à vida – que seu guru continua a demonstrar, como no feriadão no litoral de São Paulo, promovendo aglomerações. Como sempre, sem máscara. Para esses indivíduos não bastam os exemplos de países que controlaram a pandemia com o isolamento social, hoje acrescidos da Austrália, que não registra novos casos há cinco meses. Assim, atrevo-me a “desenhar”: 1) O vírus necessita do ser vivo para sobreviver e se multiplicar; 2) aproveita-se dos mecanismos da célula humana para se reproduzir de forma exponencial; 3) como consequência, elimina pelas vias respiratórias – espirro, tosse ou fala – até centenas de milhões de vírus. Até agora, as únicas maneiras de eliminar os vírus são: quando o indivíduo morre e é levado ao túmulo sob precauções; quando o infectado sara, ou seja, o seu sistema imunológico elimina o vírus; pelas vacinas que põem em alerta o sistema imunológico para destruir o vírus se o indivíduo for infectado. Como corolário, seria bom os negacionistas saberem que certas doenças, como a varíola e a poliomielite, desapareceram graças às vacinas. Mas podem reaparecer se nos esquecermos delas.


ANTONIO CARLOS GOMES DA SILVA, médico

ACARLOSGS@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


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Os indiferentes


A pandemia modificou-nos. Afinal, ficamos distantes dos nossos afetos, longe das ruas, vivendo momentos de aflição e reflexão. Mas vimos um setor inerte, indiferente, que não se moveu ou se comoveu de verdade, nem sequer refletiu: o político. Ele não se encaminhou para o bem como os demais e, ao que parece, nunca vai fazê-lo. Precisamos de uma vacina que nos proteja do “vírus” político.


RICARDO C. SIQUEIRA

RICARDOCSIQUEIRA@GLOBO.COM

NITERÓI (RJ)


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Em São Paulo

IPTU


Janeiro já está chegando e com ele virá também nosso carnê do IPTU. Vamos, mais uma vez, tentar entender aqueles cálculos simplesinhos do reajuste anual que a Prefeitura faz e nos envia pelo correio. Sobre esses cálculos e os valores abusivos cobrados nos últimos anos, o que têm a dizer os candidatos a vereador e prefeito?


SILVIA MROZ

SIMROZ3@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br



ELEIÇÃO NOS EUA


Até o fim desta semana saberemos quem provavelmente será o próximo presidente dos Estados Unidos e, para o bem de todos nós, brasileiros, e felicidade geral da Nação, é bom que Joe Biden seja o vencedor. Não há dúvida de que a leniência e o negacionismo de Donald Trump para com o meio ambiente, a pandemia e os direitos individuais, entre outros temas, potencializaram as ideias e ações do atual governo brasileiro ultraconservador, de visão curta e tendenciosa, a começar pelo presidente Jair Bolsonaro. A contraposição não só ideológica e conceitual, mas econômica, que Joe Biden poderá exercer sobre o Brasil será muito bem-vinda.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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DE OLHO NAS URNAS AMERICANAS


Com Bolsonaro, perdemos o pouco de protagonismo internacional e dignidade que tínhamos; com a reeleição de Trump, seremos ainda mais humilhados. Joe Biden não resolverá os problemas criados pelos fascistas ignorantes brasileiros, mas fará o mentecapto-mor de Brasília baixar um pouco a bola, especialmente nas questões ambientais. Mas a eleição norte-americana parece indefinida e esperemos que o espírito de Aécio Neves não baixe sobre os Republicanos, caso percam.

  

Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas


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MUDANÇA OU ISOLAMENTO


Nunca, na nossa história, uma eleição nos Estados Unidos da América teve tanto poder de afetar o Brasil. A vitória de Joe Biden, que parece consumada, obrigará, imperiosamente, o governo do presidente Bolsonaro a mudar drasticamente a sua conduta na relação com o resto do mundo civilizado. Caso contrário, nos lançará no mais profundo isolamento.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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TORCIDA FRENÉTICA


A torcida frenética dos brasileiros de olho nas eleições americanas é de que, se o candidato Joe Biden confirmar a preferência do povo ao seu nome, automaticamente o presidente Jair Bolsonaro terá que providenciar a substituição dos ministros Ricardo Salles e Ernesto Araújo (Meio Ambiente e Relações Exteriores, respectivamente). Afinal, ambos optaram por desdenhar das corretas posições dos demais países para puxar o saco de Bolsonaro, que puxa o saco do ídolo Donald Trump. A torcida é intensa, pois essa é a única maneira de extirpar ambos do governo federal, porque, se depender da famiglia Bolsonaro, permanecerá tudo como dantes no quartel d’Abrantes.

  

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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FALTA DE AMOR PRÓPRIO


Sabemos todos, uns mais que outros, que a falta de princípios morais básicos é sine qua non a porta de entrada de uma pessoa para a política. Agora isso associado à falta despudorada de amor próprio é simplesmente revoltante. Há dois ministros do governo que são diuturnamente criticados por sua incompetência desastrosa e que, no estilo “tô nem aí”, passam batidos como se nada estivesse acontecendo. De outro lado, há um ministro do Supremo que, criticado por todos por sua absurda decisão e especialmente derrotado por todos os seus colegas, permanece garboso ainda se vangloriando do que fez. Deveriam ter pegado seus bonés e saído discretamente pela porta dos fundos.


Geraldo Siffert Junior geraldosiffertjunior@gmail.com

Rio de Janeiro


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PESCA EM NORONHA


Se os demais Poderes da República não assumirem a responsabilidade de impedir que o presidente Bolsonaro continue tratando o nosso magnífico meio ambiente como insumo do turismo, da mineralogia e do extrativismo, o País perderá a sua maior fonte de renda, em decorrência do aquecimento global. Infelizmente, o presidente jamais se interessou em estudar como funcionam as forças e os fenômenos naturais que constituem o meio ambiente. Portanto, procura governar como se estive no século passado, priorizando as madeireiras, as mineradoras, a indústria da pesca e o turismo sem embargos. Não entende e muito menos concorda que a temperatura média da Terra está aumentando perigosamente. Em consequência, ele se cerca de empresários que visam ao seu lucro imediato, pouco se importando com as consequências que porventura surgirem. Depois de conseguir, em menos de dois anos, bater os recordes de desmatamento na Amazônia e um inédito incêndio no Pantanal, agora resolveu acabar com Fernando de Noronha, autorizando, para começar, a pesca da sardinha naquele arquipélago. Desde a nossa independência, inclusive durante o governo militar, jamais um governo do Brasil desrespeitou a preservação daquele arquipélago. Bolsonaro, sem nenhum conhecimento técnico nem o parecer dos cientistas da área, aplaudiu tal absurdo. O secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif, comemorou nas redes sociais a liberação da pesca, afirmando que os opositores daquela atividade são “eco xiitas” e “viúvas do ordenamento pesqueiro”. Como sempre, neste governo, seus membros se manifestam pelas redes sociais e ofendem as pessoas que não concordam com as suas decisões catastróficas. Aparenta ser por falta de argumentos consistentes e válidos. Porém o secretário não é um especialista em meio ambiente, como os diversos professores das nossas universidades. É produtor rural, de família tradicional nas atividades de pesca. Portanto, sem nenhuma isenção e nenhum conhecimento científico para tomar uma decisão que atende apenas a grupos interessados em ganhar dinheiro. O presidente continua tentando conseguir seus objetivos de maneira ditatorial. Não é uma boa maneira de governar num regime democrático. Sempre acaba em fracasso.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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O NOVO PISCINÃO DE RAMOS


Os planos do presidente Bolsonaro e seu ministro Ricardo Salles para Fernando de Noronha são como um desavisado olhar para o Parque do Ibirapuera e resolver que toda aquela área deve ser urgentemente urbanizada, prédios devem ser construídos, o lago tem de ser drenado para dar lugar a novas edificações, as árvores devem ser todas derrubadas para dar lugar aos condôminos. Bolsonaro e Salles realmente acreditam que os governos anteriores, que mal ou bem preservaram o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, são um bando de idiotas destituídos de visão. Bolsonaro não vai descansar enquanto não transformarem Fernando de Noronha não em Cancun, mas em algo parecido com o piscinão de Ramos. Lamentável.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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A ESCOLHA


Se, porventura, tivermos de escolher novamente um militar para a Presidência da República, esperamos que, ao menos, tenha a patente de general, porque a de capitão está demonstrado que não dá certo.


Aurelio Quaranta relyo.quar@gmail.com

São Paulo


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A MUTRETAGEM CONTINUA


Léo Índio, sobrinho do Messias, que trabalhava para o senador do dinheiro na cueca, foi nomeado assessor parlamentar da Primeira Secretaria do Senado, com salário de R$ 17.319,31. Tudo é fácil para esta corja!


Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião


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ETERNIZAÇÃO NO PODER


Há um cenário que domina boa parte do espectro político brasileiro e afeta o correto exercício da nossa ainda frágil democracia. Trata-se da eternização de núcleos familiares, ou de fiéis aliados encabrestados, dominando o poder principalmente nos níveis municipal e estadual, havendo também historicamente esporádicas tentativas no âmbito presidencial (ver Cidades de SP têm mesmo grupo no poder há décadas, Estado, 3/11, A6). Constituem verdadeiras dinastias que impõem o loteamento de grande parte do território nacional e que são mantidas há décadas, algumas até atravessando séculos, sempre fantasiadas de consagração eleitoral, evidentemente dirigida e garantida pelo controle, por estes polos de mando, das Câmaras Municipais, das Assembleias, pela prática de clientelismos e até por intervenções violentas. É comum a referência a estes grupos como “donos” de determinadas microrregiões ou como uma espécie de “imperadores” de algumas unidades da Federação, caracterizando, assim, a formação de feudos hegemônicos nos quais gerações inteiras nascem, vivem e morrem sem testemunhar qualquer tipo de alternância de liderança. Talvez já tenha passado o momento de a lei eleitoral se adaptar para modificar este panorama e de a própria população começar a adquirir um grau de maturidade capaz de transformar um quadro cada vez mais constrangedor à medida que o tempo passa.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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DEMOCRACIA QUE NÃO CONVENCE


Ah, você vai se candidatar? Tem alguma chance? Esqueça! Candidato entusiasmado, que ameace a hegemonia de alguns “coronéis” por aí, tende a ser eliminado, morto. Isso vale para postulante, assessor, parente... A eleição de 2020 está com pinta de faroeste, onde a lei são os jogos de cartas marcadas e tiros certeiros.


Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)


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IRREALISMO ELEITOREIRO


Reforçando as críticas do articulista Pedro Fernando Nery às propostas inexequíveis de Guilherme Boulos, acrescento que esse candidato faz afirmações totalmente fora da realidade, como, por exemplo, a de que Erundina, sua vice, foi a melhor prefeita que São Paulo já teve. Afora a incoerência – se tivesse sido, então ele deveria ser o vice dela agora –, as fracassadas tentativas dela de voltar ao cargo o desmentem categoricamente.


F. G. Salgado Cesar fgscesar@hotmail.com

Guarujá


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REI MIDAS


Guilherme Boulos (PSOL) promete transformar a cidade de São Paulo com suas ideias mirabolantes, como passe livre, renda básica, corte nos impostos, proibição das privatizações e moradia para os sem-teto. Sem dúvida, fazer isso tudo seria maravilhoso, mas e o dinheiro? De onde viria? Como sempre, a esquerda promete muito, mas cumpre pouco.


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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VALE TUDO


Em qualquer pracinha do mundo, se alguém subir num caixote e começar a discursar, os transeuntes se aproximam curiosos, e logo temos uma pequena multidão. Guilherme Boulos, que segundo leio na mídia é pessoa de bom QI, com certeza sabia da aglomeração que produziria no Largo da Batata ao fazer um comício. Irresponsabilidade com a saúde dos cidadãos que ele promete defender, à moda Bolsonaro e Trump. Que paradoxo, ele é de ideologia absolutamente oposta, mas na hora do vâmo ver, é igualzinho no vale tudo.


Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo


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IMPULSO


Foi publicado que a candidata à Prefeitura de Porto Alegre Manoela D’Ávila está festejando o ataque desferido por Bolsonaro contra ela. O efeito provocou seu sprint, agora invejado por outros candidatos suplicando as invectivas do “mito” para dar novo impulso a suas candidaturas.


Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com

São Paulo


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DESVANTAGEM


Passados dois anos, e eis que a associação ao nome do presidente Jair Bolsonaro deixa de ser vantagem e torna-se, mesmo, uma desvantagem eleitoral na disputa pelas prefeituras das principais cidades do Brasil. E, infelizmente, o presidencialismo não possui as vantagens de recall do parlamentarismo, quando, desacreditado o governo, então o primeiro-ministro cai e outro é eleito pelo Parlamento. Mas o sistema presidencialista não é, necessariamente, tão ruim como é o nosso, o brasileiro, mas por aqui é escandalosa a falta de compromissos com o País e com a nação de governantes que, geralmente, tratam de cuidar mais dos seus que de todos os demais cidadãos que deveriam constituir a razão de ser de qualquer sistema de governo.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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ESCOLHA IRRACIONAL


Aproxima-se a data das eleições, e começa a bater o desespero em quem ainda não fez sua opção por algum candidato a vereador. Para colocar um mínimo de razoabilidade em suas decisões, os eleitores do Município de São Paulo que já têm um partido de sua preferência, mas que ainda não se fixaram em algum nome, precisarão analisar os atributos pessoais de, em média, 60 candidatos (mínimo de 2 e máximo de 86) para tentar descobrir o que cada uma dessas pessoas já fez na política e na vida. Não é uma tarefa tão simples assim, porque parece que essas informações não estão sistematicamente catalogadas, ordenadas e disponíveis em algum banco de dados que seja rapidamente acessível aos interessados. E também, pelo que se vê, o horário político não fornece currículos dos concorrentes, devidamente padronizado. Para o eleitor que não se sente de alguma forma comprometido com algum dos 33 partidos políticos que se apresentaram para a eleição e que ainda não escolheu seu candidato, começa a desaparecer a esperança de, com alguma lógica aceitável, identificar alguém em quem votar. Ele precisará agora analisar as referências de 2.001 pessoas que estão concorrendo a uma vaga na Câmara Municipal. É uma tarefa praticamente impossível de ser cumprida no exíguo prazo disponível antes das eleições. As opções surgirão talvez mais pelo lado emocional do que por caminhos cartesianamente racionais. Dá uma pontinha de inveja saber que, em dezembro de 2019, para eleger os 650 membros do Parlamento do Reino Unido, cada um dos 47,6 milhões de eleitores credenciados teve de analisar uma lista que continha em média apenas aproximadamente 5 candidatos (sim, só cinco, em média, com no mínimo 3 e no máximo 12!). A conclusão só pode ser: é muito mais racional, transparente e simples a modalidade de voto (o distrital puro) adotada pelo Reino Unido para eleger os membros do seu parlamento, há mais de 300 anos, do que a adotada no Brasil (voto proporcional) para eleger vereadores, deputados estaduais/distritais e deputados federais. Precisamos pensar seriamente em migrar para o voto distrital puro, o quanto antes possível, para elegermos vereadores em cidades com pelo menos 100 mil eleitores, para deputados estaduais e para deputados federais.


José M. Frings jmfrings64@gmail.com

São Paulo


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NOSSO BAIRRO


Algo difícil de descobrir, de verdade, qual é o bairro principal de atuação de cada candidato a vereador em São Paulo. Nós, eleitores, precisamos saber quem vai nos representar de fato, quem é o candidato viável de cada partido que seja de nosso bairro. O método de eleição proporcional mistura todos e nosso voto é aproveitado por quem nunca pisou na nossa região e não liga para ela. Não dá vontade de ir votar, especialmente com pandemia.


Radoico Câmara Guimarães radoico@gmail.com

São Paulo


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PIX, SOLUÇÃO ARRISCADA?


O lançamento do sistema de pagamentos instantâneos PIX é uma novidade formidável, mas, ao mesmo tempo, potencialmente perigosa, já que, muito provavelmente, aumentará sobremaneira a ocorrência de sequestros-relâmpagos. Como o sistema funciona 24/7, a facilidade de, num instante, bandidos limparem a conta bancária de qualquer um que tenha o sistema no celular aumentará exponencialmente. Aliás, os riscos de carregar o imprescindível aparelho vão mais além, já que até mesmo portarias remotas em edifícios permitem a identificação de moradores através de códigos QR (Código de Resposta Rápida, em inglês), de forma que invadir um prédio apropriando-se de um celular torna-se uma tarefa aparentemente mais fácil. Sou totalmente favorável a inovações tecnológicas que facilitem o dia a dia das pessoas, mas há que atentar para os riscos da implantação do PIX; afinal, os especialistas sóem dizer que segurança e comodidade são duas coisas que não andam juntas.


Luiz M. Leitão da Cunha luizmleitao@gmail.com

São Paulo


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ISSO É ÉTICO?


Acabo de receber e-mail do Banco Itaú simplesmente me comunicando que a partir do dia 1/11/2020 (data evidentemente já passada) meu cartão de crédito passou para o Banco Safra. Imagino que o Banco Itaú vendeu meus dados pessoais e minha vida financeira ao Banco Safra, sem me consultar. Frise-se que nada tenho contra o Banco Safra, mas também nada tenho a favor porque jamais tive conta nele e pouco o conheço. Os diretores do Itaú sempre me pareceram pessoas equilibradas e o banco ganhou minha admiração ainda maior ao diário 1 bilhão de reais durante a presente pandemia. Mas, me desculpem, não agiram bem nesta presente situação. Devem explicações e espero que a façam de público. Clientes não são lixo nem deveriam ter sido tratados como tais.


Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo

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