Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2020 | 03h00

Eleição nos EUA e o Brasil

Crise constitucional


É visível o imbróglio judicial que se prenuncia. Donald Trump jamais aceitará eventual derrota, como ele mesmo já admitiu. A crise constitucional para a qual os EUA marcham não decorre apenas de mero questionamento numérico paliativo em algumas zonas eleitorais, mas colide frontalmente com os ideais de democracia e respeito à livre opção popular. Em paralelo com o Brasil, o negacionismo e as reiteradas e deliberadas tentativas de desacreditar o sistema eleitoral fazem de Jair Bolsonaro e Trump líderes mundiais do conclave que se opõe aos ideais sublimes da democracia e da ideia de República. Essa dupla constitui risco real para as bases constitucionais de seus países. Que a marcha de ambos na tentativa de levar a Lei Magna de seus países à ruína não progrida, pelo bem da estabilidade constitucional, do Estado e, principalmente, pelos valores da República.


RENATO MENDES DO NASCIMENTO

LAW@RENATONASCIMENTOLAW.COM.BR

SANTO ANDRÉ


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Um maluco no pedaço


“Isso é uma fraude para o povo americano. Isso é uma vergonha para nosso país. Estávamos nos preparando para vencer esta eleição. Por direito, vencemos esta eleição. Iremos para a Suprema Corte dos Estados Unidos. Queremos que todas as votações parem”, declarou Trump na madrugada de quarta-feira. Como diria o cantor Lobão, discutir com Trump é como jogar xadrez com pombo: ele vai derrubar as peças, fazer cocô no tabuleiro e sair de peito estufado cantando vitória.


CLÁUDIO MOSCHELLA

ARQUITETO@CLAUDIOMOSCHELLA.NET

SÃO PAULO


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Democracia possível


Sempre achei que são relativas as liberdades dos indivíduos no sistema capitalista. De saída, uns já nascem com capital e outros, sem. Dado que pode ser superado, mas não apagado. Nas eleições nos EUA vê-se que a democracia é também desigual. Em alguns Estados as correntes da escravidão ainda pesam nos corações e mentes de grupos sociais. As igrejas pentecostais exercem uma influência que não pode ser desprezada – papai do céu é determinante na escolha de candidatos. Essa é a democracia possível lá e aqui.


MARIZE CARVALHO VILELA

MARIZECARVALHOVILELA@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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Vassalagem


A eventual vitória de Joe Biden vai submeter o presidente Jair Bolsonaro a se recolher de seu ridículo papel de vassalo de Trump e – esperamos – entender de vez que os países não têm amigos, têm interesses. O prejuízo à imagem do Brasil lá fora, capitaneado pelo inepto presidente, se configura como alarmante possibilidade de o País perder o espaço de liderança no agronegócio, entre outros motivos, pela declarada sinofobia de Bolsonaro. Não satisfeito em não governar, ele se delicia em desgovernar o Brasil. Não temos Orçamento aprovado, não há políticas públicas de investimento, o ministro da Economia é um triste títere do chefe, nenhuma promessa de campanha foi cumprida. O que há, e de sobra, é gosto pelo enfrentamento com quem ouse confrontar suas parvoíces. Ainda bem que temos um pujante agronegócio, que carrega o Brasil nas costas, torcendo para nossos parceiros comerciais, em especial a China, não prestarem atenção ao boquirroto. Imaginem a destruição que causaria em nossa economia um embargo chinês aos produtos brasileiros, em represália pelas grosserias do capitão. Esse estrago só não seria maior que a herança que vai deixar aos brasileiros.


ARNALDO LUIZ CORRÊA

ARNALDOCORREA@HOTMAIL.COM

SANTOS


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Sinal de alerta


Apesar de tudo o que fez nos últimos quatro anos, e de ele ser quem é, a quantidade de votos recebidos por Trump, bem maior que em 2016, serve de alerta aos brasileiros que acreditam que Bolsonaro segue ladeira abaixo e sua derrota em 2022 são favas contadas. Se não aparecer um novo nome que nos dê a esperança de um governo verdadeiramente honesto e capaz, muitos dos arrependidos de terem votado nele acabarão, por falta de opção, repetindo o voto. Se a única alternativa a ele sair desse acordo Lula-Ciro, sua reeleição está garantida.


LUIZ RAPIO

LRAPIO@YAHOO.COM.BR

RIO DE JANEIRO


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Violência e crime

Desrespeito à mulher


Em mais um absurdo desrespeito jurídico, uma jovem foi atacada pelo advogado de um réu em julgamento sobre estupro (CNJ apura sessão sobre estupro por ‘tortura psicológica’, 4/11, A23). Em total inobservância da lei num julgamento, o juiz permitiu, sem interrupção, que tal advogado a agredisse: “A menina tem como ganha-pão a desgraça dos outros”. E pior, o réu acabou inocentado! Incredulidade, espanto com tamanho desrespeito à mulher. Até quando se verão tais cenas indecentes?


CLAUDIO BAPTISTA

CLABAP45@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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Brada aos céus


Como advogado me filio à esmagadora corrente de opinião que condena os participantes do julgamento da acusação de estupro sofrido pela influenciadora Mariana Ferrer. É tão bizarro o vídeo dessa sessão, em que se criou a figura penal inexistente de “estupro culposo”, que merece das instituições que comandam a magistratura, o Ministério Público e a advocacia exemplar reprimenda legal, para evitar a repetição de tão patéticas atitudes.


JOSÉ DE ANCHIETA NOBRE DE ALMEIDA

JOSEDALMEIDA@GLOBO.COM

RIO DE JANEIRO


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E a defesa?


No caso da jovem Mari Ferrer (acusadora tratada como acusada), os indícios apontam a culpa do réu, mas essa avaliação minha pessoal está contaminada pela condução aberrante da audiência. Quanto a isso, o juiz é o maior culpado, como culpados são também o promotor e o advogado do acusado de estupro. Mas, e o advogado de defesa da jovem, que, pelo visto, não reagiu à altura de impedir o abuso de seus “colegas”?


PAULO ROBERTO SANTOS

PRSANTOS1952@BOL.COM.BR

NITERÓI (RJ)


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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br



TROCANDO AS BOLAS


O presidente Jair Bolsonaro deve estar atormentado com a possibilidade de seu brother Donald Trump não ser reeleito. Ora, na sua ida ao Nordeste e por falta de teto, não houve condições de aterrissagem. Daí se confundiu dizendo que o aeroporto de Paulo Afonso ficava em Alagoas – mas é na Bahia – e que a cidade de Piranhas ficava em Sergipe – mas é nas Alagoas. Afinal, Bolsonaro está trocando as bolas por Trump ou por só pensar na sua reeleição? 


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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FIO DA NAVALHA


Lendo os editoriais ou vendo nas TVs os comentários de analistas que se esforçam para mostrar serem entendidos na política norte-americana, fica a impressão de que os americanos estraçalharam Donald Trump, quando se vê que a vitória de Joe Biden, na maioria dos Estados, foi a razor-thin (fio da navalha), para usar uma expressão das TVs americanas. Por que esse esforço?


Paulo Tarso J. Santos ptjsantos@yahoo.com.br

São Paulo


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UM MUNDO DIVIDIDO


A desastrosa eleição de Donald Trump em 2016 foi um equívoco do eleitorado americano, mas compreensível, se analisarmos o contexto em que ela se deu, com sua rival Hillary Clinton, antipática e com um discurso voltado para a elite instruída da costa do Atlântico e do Pacífico, e a aversão à globalização e questões internas da economia americana, desfavoráveis à classe média e trabalhadora do meio oeste, que se identificou com o discurso demagógico de Trump, um tubarão do mundo imobiliário e da televisão, atraente aos red neck (pescoços vermelhos) do interior. O que não é compreensível para o resto do mundo, perplexo com tudo o que Donald Trump aprontou em seus quatro anos de atrito com todos e com tudo, é que ele receba agora uma tão grande votação do povo que ele tanto maltratou. Fenômeno semelhante ao que ocorreu no Brasil, com a eleição de Bolsonaro, como anti-PT, discurso nacionalista, antiglobalização e moralista, e que teria o mesmo apoio na hora da reeleição. Fidelidade canina à direita furiosa. Um mundo dividido: empatia versus egoísmo.


Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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DONALD TRUMP


Donald Trump, bufão, arrogante, tchau, querido. Bye, bye, desocupe the White House.


Jose Pedro Naisser jpnaisser@gmail.com

Curitiba


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TRUMP OU BIDEN


Os EUA, sempre glorificados como berço da democracia moderna, atravessam na eleição atual uma desmoralização acentuada na observância das mais comezinhas regras democráticas. O provável perdedor – o teuto-americano Donald Trump não aceita nenhum outro resultado que não seja a sua vitória – arrota com empáfia a existência de fraude disseminada apenas em Estados que não apontam sua vitória. Parece querer ganhar no grito, à semelhança do que sempre prega seu similar ítalo-brasileiro Jair Bolsonaro, que o inspira até mesmo na prática contumaz das fake news. Ambos ostentam a origem nazifascista que os caracteriza. Já o candidato democrata, Joe Biden, que exerceu a Vice-Presidência nos dois mandatos de Barack Obama, é desprovido de qualquer carisma, que quase sempre caracterizava o mais alto dignitário ianque, permitindo assim justificar o acentuado equilíbrio no resultado atual das urnas.


Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com

São Paulo


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O VOTO NOS EUA


Pelo que estamos vendo e ouvindo, fraude em eleições não é privilégio nosso... Certo?


Carlos E. Barros Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo


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ELEIÇÕES NOS ESTADOS UNIDOS


A apuração nos Estados Unidos é demorada, quem gosta de acompanhar vai esperar alguns dias ou semanas. Tenho lido muitas opiniões de brasileiros, quase todos apoiadores de Joe Biden, esperando a vitória dele. Olhem que pode ter surpresa... O povo americano é muito fiel ao partido, mormente os republicanos, responsáveis pela grande democracia americana, contrário dos democratas, cujos eleitores não são muito fiéis. Normalmente, os republicanos votam no último dia da eleição, por isso a ocorrência de surpresas, a chamada virada de última hora que favorece os vermelhos. Desta vez, pode ocorrer a nova surpresa, os azuis podem perder a vantagem no colégio eleitoral, como ocorreu em 1916.


Toshio Icizuca toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba


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VACA SAGRADA?


Por que os americanos insistem no sistema de eleição do presidente pelo colégio eleitoral, e não pelo voto direto? Tem vantagem em votar, embora seu voto pode não contar porque a maioria dos delegados decidiu pelo outro candidato, e quem ganha leva os votos de todos os delegados? Ou é o falso orgulho que não deixa reconhecer que este sistema era adequado para uma época quando o meio de transporte era a charrete, e o meio de comunicação era o pombo-correio?


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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VERGONHA ANUNCIADA


A cada quatro anos, a maior potência do planeta, o país mais rico e desenvolvido do mundo, envergonha a si mesmo com um anacrônico processo eleitoral. A ladainha dos delegados, a apuração que nunca dá certo, os inevitáveis questionamentos jurídicos, a interminável recontagem de votos de papel, o patético espetáculo se repete invariavelmente a cada quatro anos. A eleição nos Estados Unidos não é direta, quem decide são os patéticos delegados, que ninguém sabe quem são, nunca foram vistos. A eleição americana nunca foi democrática, um candidato pode ter milhões de votos a mais que o outro e perder. Resta saber quando a América irá criar coragem e mudar esse sistema eleitoral ridículo que nunca funcionou.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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VOTO CONSCIENTE NO BRASIL


Não se iludam, voto comprado e trocado tem sérias consequências para todos. Faltando pouco mais de uma semana para as eleições municipais, no dia 15 de novembro, eleitores de todo o País vão decidir entre candidatos a prefeito e vereadores quem vai governar as suas cidades pelos próximos quatro anos. A busca pelos cargos foi grande este ano e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou recorde de candidaturas. Com tantos candidatos, em meio a uma pandemia viral que ceifou a vida de mais de 161 mil brasileiros, e com as campanhas se concentrando muito mais nas redes sociais do que tete a tete com o eleitor. Eleitores de todo o Brasil terão de redobrar a atenção para escolher quem irá ganhar seu voto nesta eleição em tempos tão sombrios. A pandemia, que foi motivo para alguns questionarem se não seria melhor cancelar o pleito, dificultou o corpo a corpo dos candidatos. O pastel na feira, o café na padaria, o churrasquinho com cerveja no clube ou no bar da esquina e as fotos segurando crianças no colo quase não existiram. Além disso, por causa de a eleição ter sido adiada, as campanhas também ficaram mais curtas e o tempo na TV para as propagandas eleitorais não chega a 15 minutos. Todos estes fatores também contribuem para o “desconhecimento” dos candidatos pelo eleitorado. Muitos eleitores não sabem, até agora, quem são os postulantes ao cargo de prefeito e muito menos os de vereador. O momento de digitar o número do candidato na urna deve ser o grande final de uma escolha consciente. A sociedade ainda precisa ultrapassar a pior pandemia do século, e seu voto pode ser decisivo para isso ser feito da maneira menos traumática possível.


Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul


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VACINA CONTRA ‘VÍRUS’ POLÍTICO


Bem lembrada pelo leitor (Fórum dos Leitores de 5/11) da necessidade de “uma vacina que nos proteja do vírus político”. Aliás, de tão desprezada, a melhor e mais eficaz de todas as vacinas contra esse terrível vírus social mal é lembrada por nós: ela existe e sempre existiu: é a educação (de boa qualidade). E a imunização por ela proporcionada somente é eficaz quando aplicada desde a primeira infância, tenha qualidade comprovada e se estenda até a vida adulta dos cidadãos. Como se pode deduzir, essa é única forma possível de, eventualmente, poder contar com políticos realmente éticos e competentes para esta “pátria amada” (do hino e do messias), que parece cada dia mais utópica e distante da realidade brasileira. Enquanto a educação continuar a ser tratada com as cloroquinas sugeridas por idiotas e gurus, o tempo continuará a passar e as hienas, a fazer seu festim. E isso não se trata de um vaticínio, é apenas uma observação mais atenta do modus operandi característico da sociedade brasileira ao longo da História. Muitas nações – algumas mais, outras menos – também viveram períodos de mediocridade semelhante, mas também algumas dessas conseguiram vencer as barreiras, com trabalho árduo e de firme resiliência. Jamais com placebos, convicções terraplanistas ou criacionistas. Ciência, assim como a verdade e a gravidez, não admite o “mais ou menos".


Nelson Sampaio Jr. n.sampaio@hotmail.com

Curitiba


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FANTASMAS DA RACHADINHA


Finalmente apareceu o primeiro de muitos outros fantasmas do imbróglio da rachadinha, peça-chave de acusação de desvio de salários no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), quando era deputado na Assembleia fluminense. Ao confessar em depoimento nunca ter trabalhado, a não ser 3 (!) únicos dias em 792 dias (de 2011 a 2017), ter assinado ponto retroativo e ter repassado mais de 90% (!) do salário a Fabrício Queiroz, ex-assessor do deputado, a fake assessora Luiza Souza Paes revelou a trama do filme noir ora em cartaz, trazendo à luz outros nomes de fake funcionários. Já era tempo de este macabro imbróglio fantasmagórico ser de vez elucidado e iluminado, tirando das sombras da escuridão os personagens da trama, para embasar com provas a acusação que recai sobre Flávio Bolsonaro de ter cometido os crimes de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e apropriação indébita. O País aguarda que o filho do presidente da República seja devida e rigorosamente punido com as duras penas da lei. Basta de impunidade! Muda, Brasil!


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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PRESCRIÇÃO


O senador José Serra (PSDB-SP) virou réu nas mãos da Justiça Eleitoral, pelos crimes de caixa 2 eleitoral, corrupção e lavagem de dinheiro, no último dia-limite para a prescrição. A decisão pode ser avaliada por meio de duas possibilidades, dois prismas antagônicos. Se Serra é inocente, como alega, o fato de a acusação não prescrever lhe fornece uma excelente oportunidade de prová-la, não deixando latente essa dúvida para todo o resto da sua vida política, que decerto ainda não se encerrou. Caso contrário, bons e caros advogados saberão encontrar na nossa permissiva justiça as brechas para que o imbróglio nunca se esclareça, mas o deixe seguir em frente.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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É RELATIVO?


O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu a reabertura de inquérito investigativo contra o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, por supostos recebimentos de vantagens financeiras indevidas da Construtora OAS. Por sua vez, Rodrigo Maia veio a público para atribuir tal atitude de Aras a uma motivação ou conspiração política, crendo que tal investigação será devidamente rearquivada. E, assim, não restam dúvidas quaisquer de que simples questões criminais, penais e de justiça e direito deixam de ser o que são quando podem prejudicar os chamados figurões da República, e passam a ser enganos, indelicadezas, conspirações, perseguições, atitudes indevidas e politicamente indesejáveis e inadequadas, etc. Mas e as pessoas comuns, devem pensar e agir como, diante dessas relativizações de valores e de crimes, dependendo de quem esteja em evidência?


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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A CAPA DO PROCESSO


A Procuradoria-Geral da República (PGR) reabriu o processo contra o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia. Reabriu? Então estava fechado. Por quê? É preciso que se diga quem o fechou e por que estava fechado, senão fica evidente que a Justiça olha a capa do processo para ver quem é o investigado, denunciado, etc., e, conforme o personagem... Justiça que funciona assim não é Justiça.


Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro


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DESONERAÇÃO DA FOLHA


Congresso derruba veto de Bolsonaro à desoneração e benefício será estendido a 2021 (Estado, 4/11). Tenho de reconhecer que vivemos num país estranho, onde as coisas acontecem como se estivéssemos em normalidade. Por formação, sou radical na defesa da liberdade de expressão. Isso não me impede de criticar a imprensa. Fiquei confuso com a euforia com que algumas redes de televisão noticiaram a queda do veto presidencial sobre a desoneração da folha de pagamento, inclusive com editoriais enfáticos. Em momento algum se falou nos efeitos negativos. Fala-se que os 17 setores beneficiados mantêm 6 milhões de empregos. Pergunto: e os outros 14 milhões de desempregados que hoje estão na chuva? Tenho convicção de que não haverá empregos para todos, não importa que medidas sejam tomadas. Não seria o caso de pensar numa forma de acudir esses desvalidos?


Antônio Dilson Pereira advdilson.pereira@gmail.com

São Paulo


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APOSENTADOS ABANDONADOS


Onde estão os nossos congressistas que não ouvem o apelo dos aposentados, que também foram vítimas desta pandemia infame e que, além de perderem sua tranquilidade, ainda tiveram seu 13.º salário esvaído por inúmeros gastos e auxílios a seus filhos e demais parentes, que sofreram com o desemprego e a queda de suas receitas? Onde estão os órgãos de defesa do aposentado, que não movem um dedo sequer na reivindicação deste auxílio emergencial pago a milhões de brasileiros, que deixou o pobre aposentado de fora? Tudo o que o aposentado recebeu neste período de pandemia foi a antecipação de seu 13.º salário e mais nada. Mais uma vez, somos vítimas de um sistema que não nutre o menor sentimento por aquele que lutou sua vida inteira e corre o risco de passar seu Natal a pão e água.


Elias Skaf eskaf@hotmail.com

São Paulo


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CONTRA OS IDOSOS


João Doria e a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo estão contra os aposentados e pensionistas. Os velhinhos que já perderam de 11% a 14% dos seus vencimentos terão acréscimo na contribuição com o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (Iamspe) de acordo com a faixa etária. Os mais velhos terão alíquotas maiores. O Estatuto do Idoso foi um avanço, mas deixa muita coisa a desejar.


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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CAMPO DE MARTE


O artigo publicado na edição de 4/11 sobre o Campo de Marte (página A2) propondo sua transformação num parque de lazer, revela uma visão limitada sobre a importância da aviação civil para o desenvolvimento de uma metrópole que se pretende seja o maior centro comercial da América do Sul. A recente proposta da iniciativa privada, de mais uma alternativa para tanto, vem apenas comprovar o fato, e a posição privilegiada de Marte é condição fundamental para uma política de desenvolvimento urbano que reconheça esta realidade.


Alberto Rubens Botti elainepinho@marbot.com.br

São Paulo


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VITÓRIA PAULISTANA OU DERROTA


Rubens Rizek Jr., em seu artigo Vitória paulistana (4/11, A2), consegue única e exclusivamente fazer propaganda política do prefeito-aprendiz Bruno Covas. O professor, secretário municipal de governo, não se sente envergonhado em citar e descrever sobre a revolução de 1930 dos paulistas, que mais uma vez lideraram o País contra a ditadura Vargas e, deixados por aliados na hora H, debandaram para Vargas e toda a heroica jornada desse Estado diferenciado num país tão igual. Bruno Covas apresenta a falta de preparo como gestor, como líder e como subalterno de delírios de outro personagem, que deixou, como outro, a Prefeitura da cidade de São Paulo, utilizada como trampolim político para ascender – esse personagem sabe que no último pleito perdeu na cidade para um político menor. A vitória do Campo de Marte e o retorno para a cidade não têm que ver com Bruno Covas, sombra de um sobrenome que, ao não cumprir as metas no início de sua gestão, deixou a cidade de São Paulo à sua sorte. Como todos os outros, não conseguiu abrir mão dos benefícios mesmo doente, e dormiu na sede da Prefeitura durante a quarentena da pandemia para quê? Para alardear e mostrar que seu background, a gestão e a liderança, não fazem parte de seu comportamental. Que a população paulistana saiba mudar de prefeito e de partido.


Luiz Fernando de Barros Scholz lufe@netway.com.br

São Paulo


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IPTU, ESTAMOS DE OLHO


Será que, após a reeleição, o prefeito aplicará aquele reajuste amigável de 10% no IPTU, com a inflação abaixo de 3%? Se reeleito, ficaremos de olho no sr. Covas.


Jonas de Matos jonas@jonasdematos.com.br

São Paulo


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OS INVENTORES


Injustificável atraso levou-me a verificar que, nas atuais placas de licenciamento de veículos produzidas atendendo ao Mercosul, não constam o Estado nem a cidade onde o veículo foi licenciado e onde supõe-se residir o proprietário. Por que será? Erro, não acredito, mas economia, sim, deixando mais barata a confecção, e mais uma vez a economia porca, uma vez dificultar a fiscalização, entre outras coisas. A propósito, anos atrás inventaram um caixa de primeiros-socorros que só serviu aos fabricantes; não satisfeitos, tivemos aquele exame nos veículos sobre a poluição expelida pelo motor; e, depois, um exame teórico para o motorista poder renovar ou tirar a CNH, exame que exigia uma taxa oficial de pagamento e uma outra oficiosa para receber o exame pronto para a aprovação. E agora, qual será a próxima?


Mario Cobucci Junior maritocobucci@gmail.com

São Paulo


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CASO MARIANA FERRER


O fato relatado na reportagem do Estado sobre a atuação da Justiça no processo que a jovem Mariana Ferrer move contra o empresário André Camargo Aranha, alegando que teria sido dopada e estuprada pelo réu, coloca a nossa Justiça no degrau mais baixo da nossa sociedade (Juristas criticam atuação de advogado em julgamento de estupro, mas anulação de sentença é difícil, 5/11, A14). Foi um acontecimento tão sórdido que, depois de revelado pelo site Intercept, ganhou grande repercussão, como não poderia deixar de ser. O estupro, mormente com a vítima dopada, é a agressão mais nojenta que uma mulher pode sofrer. A forma como o advogado de defesa do réu, Cláudio Gastão da Rosa Filho, ofendeu a vítima durante o julgamento foi de tal maneira torpe e abjeta que, certamente, a moça foi outra vez violentada, desta vez em sua dignidade. E isso perante um juiz que assistia a tudo, placidamente, não intervindo nem quando a vítima pediu o seu auxílio. Nem o promotor que atuava na acusação, nem o advogado que defendia a vítima tomaram alguma inciativa para interromper o sórdido ataque. Na cultura em que fui criado, o estupro não é sequer imaginável, pois a ninguém é dado o direito de impor a outrem algum ato mediante força ou, como no caso, o ardil da dopagem. Ademais, mesmo que a jovem fosse, por hipótese, uma pessoa ardilosa e mentirosa, nem assim poderia ter sido tratada dessa maneira. Até onde eu sei, pelo menos oficialmente ainda somos um país civilizado, o que implica que no mínimo no campo do Poder Judiciário a dignidade humana seja respeitada. Agora, a Corregedoria Nacional de Justiça abriu procedimento disciplinar contra o juiz, que entre as punições a que estará sujeito estão advertência, censura, remoção compulsória, aposentadoria compulsória e demissão. Eis aí uma questão que exige reforma urgente. Por mais revoltante que seja a ação de um magistrado, seja um ato ilegal ou um comportamento ultrajante, ele comumente recebe a penalidade de aposentadoria compulsória sem perda de vencimentos. Isso é um absurdo, pois, como em todos os segmentos da sociedade, também no Poder Judiciário existem os bons e os maus elementos e a aposentadoria sem perda de vencimentos, para quem cometeu um crime ou um comportamento abjeto, é premiar quem não merece. Também o promotor público e os advogados de defesa deveriam ser punidos.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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LIBEROU GERAL


No Brasil da maior corrupção à face da Terra, as penas são simbólicas e o consumado “estupro culposo” de Mariana Ferrer em Santa Catarina, para o juiz e o promotor, não é crime. São fatos no Brasil varonil.


Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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