Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2020 | 03h00

Constituição

Lesa-pátria


Brilhante, como sempre, o dr. Modesto Carvalhosa explicita claramente no artigo Nova Constituição? (9/11, A2) nossas piores chagas que nos mantêm no atraso e na pobreza. Interessa aos poderosos manter um cabresto na população, para que esta pague a conta de seus luxos, recebendo migalhas em troca. O crime maior é impedir que a Nação se prepare para um mundo cada vez mais complexo e desafiador, exigindo competência e lisura para se desenvolver. Um crime de lesa-pátria que precisa ser corrigido a tempo, ou viveremos, cada vez mais, em condições desumanas.


ANGELA BAREA

ANGELABAREA@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO


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Dínamo de crescimento


O artigo de Modesto Carvalhosa sugere uma solução que certamente transformaria um país capenga num dínamo de crescimento. Resumindo em poucas palavras as propostas, numa nova Constituição, que alavancariam o Brasil: proibição de reeleição, voto distrital puro e não obrigatório, fim do Fundo Partidário, eliminação de cargos em comissão, estabilidade restrita a poucos casos realmente necessários, folha de pagamento dos servidores limitada a 25% do Orçamento, etc. Seria, de fato, uma bela solução. O problema é saber como fazer o povo exigir essa nova Carta.


ALROGER LUIZ GOMES

ALROGER-GOMES@UOL.COM.BR

COTIA


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Programa de candidato


Preciso o artigo do respeitado jurista Modesto Carvalhosa, especialmente quando lista os pontos que deveriam ser abordados numa nova Carta Magna e os motivos pelos quais a atual deveria ser substituída. Não resta dúvida de que o candidato às eleições de 2022 que adotar como ponto central de seu programa o enfrentamento dessas questões, explicando-as didaticamente em sua campanha, terá o apoio maciço dos citados 100 milhões de brasileiros que compõem a população economicamente ativa, e de outros mais que anseiam por uma verdadeira República democrática.


CARLOS AYRTON BIASETTO

CARLOS.BIASETTO@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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Eleição nos EUA

Nova primeira-dama


Sai Melania Trump, entra Jill Biden. A mudança de primeira-dama promete ser muito boa para a América e para o mundo. Melania Trump desempenhou o papel de esposa submissa, socialite, bela, recatada e do lar, não atuou em nada, não deu um pio durante seus quatro anos na Casa Branca. Jill Biden tem um belo currículo de educadora e, além de lecionar, atuou com adolescentes com necessidades especiais em hospitais psiquiátricos. Tem tudo para deixar importante legado na educação americana. Tudo indica que as mudanças do governo Biden serão muito positivas.


MÁRIO BARILÁ FILHO

MARIOBARILA@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO


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Derrota de Trump


Não dá bola para a pandemia que mata milhares de pessoas; questiona o resultado das eleições e se recusa a deixar o poder. Esse é Donald Trump em 2020. Qualquer semelhança com Jair Bolsonaro em 2022 não será mera coincidência.


LUIZ ROCHA

DRLUIZROCHA@UOL.COM.BR

GUARULHOS


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Denúncia de fraude


Se o presidente Trump tem provas concretas, robustas, que as apresente. Se não, reconheça a derrota, cumprimente o vencedor e volte a cuidar de seus negócios hoteleiros. Sem mimimi.


PANAYOTIS POULIS

PPOULIS46@GMAIL.COM

RIO DE JANEIRO


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Berreiro


Tiraram a chupeta da boca do nenê...


ROBERTO TWIASCHOR

RTWIASCHOR@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


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Economia

Empobrecimento


Como noticiado pelo Estado, falta de dinheiro faz as pessoas cortarem plano de saúde e escola particular. A atual situação da imensa maioria dos brasileiros nos faz lembrar que os deputados federais e senadores aprovaram a mantença dos supersalários, a quantidade de funcionários públicos e, também, que no próximo domingo teremos eleições municipais. Lembramos as precisas definições, respectivamente, do fabuloso Abraham Lincoln e do fenomenal Carlos Drummond de Andrade: “Os políticos são pessoas que só veem os próprios interesses e não trilham a senda das pessoas honradas” e “a ignorância, a cobiça, o interesse e a má-fé também elegem seus representantes políticos”. Assim, pois, muito cuidado e atenção na escolha na hora de votar.


FERNANDO DE OLIVEIRA GERIBELLO

FERNANDOGERIBELLO@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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Botijão de gás


Deu no Estado (7/11): “O preço médio do botijão de gás de 13 kg, usado principalmente em residências, atingiu em agosto o maior patamar já registrado pela ANP, R$ 69,98”. Em 5/11 comprei um botijão do fornecedor regular e paguei R$ 89,98, aumento de 28,58% em dois meses. Porém a inflação oficial quase não sobe e o IGP-M, que vai ferrar todos os que alugam uma residência, já está em 20%! A economia deste governo é fake.


MAURÍCIO LIMA

MAPELI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


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SuperBike

Tragédia em Interlagos


A cada morte se repete o discurso de que foi uma fatalidade. Mas o circuito de Interlagos não é adequado para o motociclismo, porque não há brita para o piloto deslizar, reduzindo a velocidade com segurança, e sim asfalto e grama, que mantêm a alta velocidade. O Ministério Público deveria exigir a suspensão das provas após cinco mortes em quatro anos: Sérgio dos Santos, na Curva do Sol, em 2017; Rogério Munera, no S do Senna, em 2018; Mauricio Paludete, após a bandeirada final, e Danilo Berto, na Curva do Pinheirinho, ambos em 2019; e agora, neste domingo, Matheus Barbosa, na Junção.


LUIZ ROBERTO DA COSTA JR.

LRCOSTAJR@UOL.COM.BR

CAMPINAS



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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br



IMITAÇÃO BOLSONARISTA


A atitude de Jair Bolsonaro esquivando-se de cumprimentar Joe Biden pela vitória  inconteste no pleito dos EUA revela seu arremedo das ações de Donald Trump, que ainda simula ser o vencedor, embora contrariado pela realidade. Se a moda pega, já é possível anteciparmos o que farão os bolsonaristas daqui a dois anos, quando seu “mito” for irremediavelmente derrotado nas urnas. À semelhança de Trump nos EUA, Bolsonaro também já criticou nosso sistema eleitoral, o mesmo que lhe entregou o poder, repetindo hipocritamente que o sistema antigo, baseado em cédulas de papel, era menos sujeito à fraude, antecipando sua decisão de recorrer ao Judiciário para perpetuar-se no poder. Resta a nós, os maiores interessados em garantir nossa democracia,  alertar a opinião pública para evitar cair no engodo bolsonarista, que não poderá repetir o pastelão trumpista em nenhuma hipótese. Vamos lutar pela verdade eleitoral.


Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com

São Paulo


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TORTURA DO SILÊNCIO


Em live, Bolsonaro ignora vitória de Biden e diz que não sabe se tentará reeleição (Estado, 7/11). Ao contrário de outras lideranças internacionais, o presidente Jair Bolsonaro não fez menção à eleição de Joe Biden à presidência dos Estado Unidos, neste sábado. O Ministério das Relações Exteriores tampouco se manifestou sobre a mudança do comando da principal potência mundial. E daí?


Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo


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TELEFONEMA


Há pessoas que têm recomendado a Jair Bolsonaro telefonar a Biden para cumprimentá-lo, mas isso não vai acontecer. Nosso presidente não sabe nem falar português, quanto mais falar inglês.


Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo


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SERVILISMO


Continuando com seu servilismo habitual em relação ao atual presidente dos Estados Unidos, Bolsonaro só vai aceitar a vitória de Joe Biden quando Trump também aceitar. É muita ignorância!


Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo


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ELEIÇÕES – EUA E BRASIL


O Donald já foi, só falta o pateta.


Pedro Leopardi leopardi73@icloud.com

São Paulo


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REPÚBLICA DAS BANANAS


Quando chegou à presidência dos EUA, Trump prometeu tornar “a América grande novamente”, entretanto, após perder as eleições, como um caudilho apegado ao poder, acusa, sem nenhuma prova, o sistema eleitoral do país de fraudes e corrupção, dando margem a que se possa comparar, no caso, a tão respeitada democracia americana a uma República das bananas.


Eni Maria Martin de Carvalho enimartin@uol.com.br

Botucatu


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PATO MANCO


O pesadelo Trump felizmente acabou. É hora de o “pato manco” Donald reconhecer a derrota e cair fora. A democracia venceu o autoritarismo. Viva!


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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OS INTERESSES DO BRASIL


A recusa do presidente Donald Trump em reconhecer a vitória de Joe Biden nas eleições estadunidenses, por mais insensata que seja, é compreensível. O que não se compreende é a recusa do governo brasileiro em reconhecer o presidente eleito, tornando-se mais insensato que o próprio Donald Trump. Até o momento em que escrevo, Israel, Reino Unido, França, Alemanha, Espanha, Itália, Índia, Argentina e até Venezuela já parabenizaram Joe Biden como presidente eleito. Se o fizeram, não foi por simpatia pessoal ao candidato democrata, e sim pelo pragmatismo: será ele quem comandará a maior economia do mundo, podendo facilitar ou dificultar o acesso dos países à essa economia. Todos estes países, portanto, seguiram o conselho de John Wesley, fundador Igreja Metodista, segundo o qual é sinal de sabedoria perseguir os melhores fins através dos melhores meios. Esse conselho deveria ser seguido pelo presidente Jair Bolsonaro, que tem todo o direito de, como pessoa, preferir Donald Trump, mas, como presidente do Brasil, tem a obrigação de defender pragmaticamente os interesses do Brasil, interesses esses que deverão ser tratados, doravante, com Joe Biden. Prudente, portanto, reconhecê-lo desde já, e não quando for tarde demais para os interesses da Nação.


Luciano de Oliveira e Silva Luciano.os@adv.oabsp.org.br

São Paulo


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CAMINHO ABERTO


O candidato democrata Joe Biden tem 4 milhões de votos de vantagem na disputa eleitoral dos Estados Unidos. Donald Trump tentava a reeleição em difícil situação política, econômica e social em decorrência dos conflitos raciais, da crise econômica e da pandemia do novo coronavírus. Como a eleição é indireta, pelo Colégio Eleitoral, restava ao presidente pedir a recontagem de votos em Estados-chave para tentar retardar que o adversário atingisse os 270 votos do total de 538 delegados. Por um lado, a judicialização da eleição não conseguirá atingir seu objetivo de reverter a inexorável derrota do republicano. Por outro lado, a eleição num país dividido e muito polarizado, com posições políticas extremamente radicalizadas, vai deixar cicatrizes e feridas abertas até a eleição de 2024. A vitória de Joe Biden abre caminho para a economia verde e melhor cooperação internacional em contraposição ao discurso de nacional populismo, antiliberal e anticientífico de Donald Trump com suas fake news.


Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas


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‘BANANA REPUBLIC’


O colunista José Roberto Guzzo se mostrou mal e/ou desinformado quando opinou sobre o sistema eleitoral nos EUA (Banana Republic, 8/11).  Fatos relevantes que ele ignorou ou distorceu no seu incluem, entre outros, os seguintes:  1) os EUA, no século 18, eram 13 colônias britânicas separadas, cada uma com suas tradições, estilos e sistemas de governo, porém com um tema em comum: desconfiança na monarquia britânica e seu sistema mercantilista projetado para manter as colônias dependentes e exploráveis pela coroa inglesa. Para conseguir que concordassem em unir-se, foram necessárias negociações semelhantes às da formação da União Europeia.  Imagine o Brasil negociando a formação da União da América do Sul, juntando-se aos seus vizinhos, cada um cedendo para conseguir formar uma união. 2) Na Constituição dos EUA, homologada em 1788, foram estabelecidas regras sobre a eleição de representantes do governo federal, deixando a cada Estado – antes colônia – poderes para estabelecer suas regras e leis estaduais e municipais, inclusive de eleições. Hoje, isso é uma complicação, porque as diferenças entre as leis estaduais poderão criar oportunidades para exploração política; dependendo da sua posição política, os sistemas atuais poderão ser considerados bons ou ruins. Assim, mudar as regras em vigor há mais de dois séculos poderá implicar superar diferenças políticas antigas e com raízes profundas; poderá ser efetivamente impossível. Um paralelo é na União Europeia, recém-estabelecida. Parece lógico que os países tenham suas regras individuais de eleições. E se daqui a mais de 200 anos ainda tiverem? É o caso dos EUA. 3) Em todos os Estados dos EUA o voto é, e sempre foi, facultativo. É um direito poder votar, e, se uma pessoa resolver não votar, merece o governo que houver.  Lamentavelmente, nos EUA a participação na votação reflete os problemas da sociedade: baixo nível de escolaridade entre certos grupos – resultado, como no Brasil – do racismo sistêmico e de grandes diferenças de renda e de riqueza; a apatia dos que não têm senso de dever cívico; e o que é trágico e errado, as barreiras e exigências criadas pelos grupos no poder para dificultar e/ou impedir que todos possam exercer seu direito de voto. Devido aos ânimos políticos elevadíssimos provocados por Donald Trump, este ano quase 150 milhões de norte-americanos votaram – um recorde – e mais de 65% dos eleitores elegíveis votaram, uma porcentagem não vista há mais de um século.  Pergunto ao sr. J. R. Guzzo qual seria sua estimativa da participação de eleitores brasileiros se o voto fosse facultativo? 4)     Há uma pandemia em curso, e o pior país em números absolutos de doentes e de mortes são os EUA, justamente por causa da estupidez, apatia e grosseira incompetência do daqui-a-pouco ex-presidente Trump. (O Brasil está quase igualmente mal de pandemia, pelos mesmos motivos, menos o nome do futuro ex-presidente.) Nos EUA há, desde sua Guerra Civil, no século 19, votação pelo correio, uma opção não oferecida aos brasileiros.  Dependendo do Estado, essa opção tem sido utilizada em maior ou menor grau; seu uso tem crescido bastante nos últimos anos, como também a votação antecipada nos centros de votação – até três semanas antes em alguns Estados – porque o dia das eleições federais, sempre a primeira terça-feira de novembro, não é feriado.  Assim, os eleitores americanos em muitos Estados têm maiores opções e votar é, assim, facilitado. Este ano, devido à pandemia, antes do dia da eleição, mais da metade havia votado antecipadamente ou pelos correios. Toda a demora da definição do ganhador este ano foi resultado dos votos pelo correio. Alguns Estados têm máquinas novas e rápidas de abrir os envelopes e leitura ótica dos votos. Outros Estados são mais lentos, e o Estado de Pensilvânia – devido a regras impostas pela legislatura republicana – tem um sistema especialmente lento e não permitiu o início da contagem dos votos pelo correio, alguns recebidos semanas antes, até o início do dia após o dia da eleição. Na Flórida, com altíssima porcentagem de votos pelo correio, contaram na medida em que foram recebidos, e o resultado foi conhecido no mesmo dia da eleição. 5) Trump alegou que votos foram “achados” ou “criados” após as horas de fechamento das urnas, o que é uma deslavada mentira. Não há – e ele não tem –nenhuma evidência disso ter ocorrido. Já são muitos, e virão mais, processos iniciados pelos advogados dos republicanos alegando “fraude maciça”. Quando os juízes solicitam a apresentação de evidência, entretanto, não conseguem apresentar nenhuma. A Suprema ironia: os correios são chefiados por um recém-empossado doador de US$ 1 milhão às comemorações da inauguração do Trump. Empossado, logo cortou horas extras e demitiu 27 chefes de departamentos importantes. A porcentagem de correspondência entrega no dia caiu em algumas áreas de 97% para 67%; perguntado, disse que estava procurando eficiência. Em 2 de novembro, um dia antes das eleições, os correios informaram um juiz federal – em resposta a um processo de demora proposital na entrega de votos pelo correio – que uns 300 mil votos que foram recebidos não foram contados nos centros de contagem porque não havia o recibo digital – o scan – da sua entrega. O juiz ordenou uma busca imediata de 12 centros dos correios, a ser terminada até as 15 horas no dia seguinte (o da votação) e sua ordem foi ignorada. Conclusão: o chefe dos correios não “desqualificou” um número suficiente de votos, Trump perdeu a eleição e, agora, demitirá o chefe por incompetência.  E pode ser que o chefe dos correios venha a ser condenado por desfiar a ordem judicial. 6) Quanto às urnas eletrônicas, efetivamente em todos os Estados americanos em todos os locais de votação há urnas eletrônicas. Há, em consequência, um debate em curso sobre a necessidade de ter um registro dos votos que protege a privacidade e não permite a identificação dos eleitores com determinados votos. Testes já foram conduzidos correlacionando dados de (a) registro da chegada de eleitores e constatação do seu nome como devidamente qualificado para votar com (b) resultados de votos eletrônico segundos ou minutos depois. Os resultados foram preocupantes. É tido como muito desejável, nos EUA, poder comprovar que número “xis” de votos foi recebido por um determinado candidato. Entendo que no Brasil não há como comprovar isso: há somente um registro eletrônico. E se um hacker mexer com aquele registro? O sistema americano é longe do ideal, porém tem explicações históricas. Aos poucos, vem sendo melhorado, e nos Estados governados por Democratas sistemas bem mais “democráticos” – registro automático como eleitor, maior facilidade de votação, etc. – estão funcionando muito bem.  Em Estados governados por Republicanos, é muito mais provável que haja equipamentos e sistemas obsoletos e obstáculos para limitar acesso às urnas.


William W. B. Veale william.veale@terra.com.br

Sorocaba


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BOLSONARO E O FUTURO


Que a derrota de Donald Trump foi um baque para as pretensões futuras de Jair Bolsonaro não há dúvida alguma, mas é prematuro apostar na derrota de Bolsonaro nas próximas eleições presidenciais com base na tese de que o populismo estaria com os dias contados. Não sabemos ao certo qual será o futuro do “trumpismo”, tampouco do bolsonarismo. Fato é que Jair Bolsonaro nunca teve menos de 30% de apoio popular nas diversas pesquisas de opinião realizadas desde sua eleição, e isso praticamente o qualifica para um eventual segundo turno. Mesmo sem Trump, Bolsonaro não abrirá mão de continuar sua campanha para as eleições de 2022, e somente uma oposição unida e coesa conseguirá derrotá-lo. Essa oposição precisar ser construída desde já.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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ENQUANTO ISSO, NO AMAPÁ


Assistimos nos últimos dias à imprensa voltada para a maior potência do mundo, os EUA, acerca das eleições. Mas aqui, na terrinha chamada Brasil, o Amapá, Estado com 750 mil habitantes, está sem energia desde o dia 3 de novembro. Bom lembrar que José Sarney e Davi Alcolumbre foram eleitos senadores pelos amapaenses. Com surpresa, li ontem que Alcolumbre iria pedir investigação sobre esse apagão – isso depois de cinco dias. Uma falta de sensibilidade e de respeito pelas pessoas que sofrem e votam. Momento ideal para reverem  seus votos.


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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IPTU EM SÃO PAULO


O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, ao falar sobre o IPTU, demonstra completo desconhecimento e descaso com a cidade. São Paulo não merece mais quatro anos com alguém que, despreparado, humilha o cidadão enquanto sorri para as câmeras.


Rúben Lício Reis rubenlr@gmail.com

São Paulo


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EQUILÍBRIO


Quero aqui demonstrar minha indignação quanto ao aumento abusivo do IPTU. Este ano, o valor mensal do IPTU é de R$ 1.045,00. Meu pai é idoso e aposentado e tentei por duas vezes ir à Prefeitura para pedir diminuição do IPTU, sem sucesso. É injusto esse valor absurdo, não tem como pagar o valor mensal. Uns não pagam nada e outros pagam demais. Que haja equilíbrio.


Maria Jose Lisbeth Camara Ramos lisbethcramos@icloud.com

São Paulo


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E O ARTIGO 5.º?


Sou brasileiro, casado, nascido na capital de São Paulo, sou corretor de imóveis, tenho 62 anos. Consegui para a minha mãe de 84 anos, sra. Maria P. Silva, viúva, recebendo o benefício do INSS no valor de R$ 1.950,00, uma isenção de 50% no IPTU, porém a Prefeitura aumentou o valor venal do apartamento e, assim, parte da isenção aumentou. O valor do IPTU corresponde a 50% da aposentadoria, e tive de parar de pagar para poder viver. Fico revoltado em ver que no artigo 5.º da Constituição reza que “todos têm direito a moradia e ao bem estar”, mas o Supremo Tribunal Federal (STF), que diz ser o guardião da Constituição, permite que prefeitos e vereadores tirem a casa e o bem-estar dos munícipes. Agora, nas eleições, temos a oportunidade de renovar o quadro político votando nos candidatos que têm como propósitos tornar o IPTU justo. Vamos fazer a mudança através do voto.


Ricardo Nascimento rico21moreira@gmail.com

São Paulo


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‘NOVA CONSTITUIÇÃO?’


Magistral – em toda a extensão do termo – é o artigo de Modesto Carvalhosa Nova Constituição? (9/11, A2). A ruptura institucional já aconteceu com os atrasos injustificáveis das reformas (política, tributária, administrativa). Nada falta para caracterizar o divórcio entre a Nação e o Estado. Os partidos políticos já se revelaram omissos e incapazes, talvez por fraqueza intelectual das lideranças ou falta de caráter de sua maioria, de fácil identificação. Por outro lado, as 22 medidas elencadas pelo autor e o reconhecimento dos avanços consolidados indicam a possibilidade real de uma constituinte exclusiva. Se é verdade que possa haver incompatibilidade jurídica entre a convocação de constituintes e a limitação do empoderamento concedido pelo poder originário, corrente majoritária (mas não a única), o impasse, como agora, se perpetuaria. Nossa democracia é representativa e participativa. Para fundar uma República pós-nova, somente uma outra Constituinte, exclusiva, não revisional. A sociedade organizada, com seus inúmeros institutos (de educação, de pesquisa, de renovação política, entre outros), espalhados pelas cidades, grandes e pequenas, de todas as regiões do País, já mostram que somos capacitados para dar forma à renovação urgente e necessária do pacto federativo já decretado pela evidente medida das ruas. Por isso também, magistral: feito, no momento e na medida da solicitação, com a dosagem certa.


Denis dos Santos Rosa santosrosadenis@gmail.com

Curitiba


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CONSTITUINTE


É pouco dizer que o advogado Modesto Carvalhosa é brilhante. Seu artigo publicado no Espaço Aberto do Estado de segunda-feira (9/11, A2) traz uma análise profunda da política e da economia nacionais, concluindo corretamente pela necessidade de dotar a Constituição de normas estruturais que ponham o Estado a serviço da Nação. Revela uma cristalina visão de nosso país, oferecendo uma completa gama de recomendações para corrigir deficiências institucionais. Já tive publicado neste espaço minha visão de que “vivemos na prática um regime monárquico, dos piores que a história registra. No Brasil, a verdadeira República só foi proclamada, mas não levada a efeito. Permanecem aqui os antidemocráticos direitos ‘adquiridos’ pela classe dominante, usurpadora dos direitos republicanos da sociedade anônima. Enquanto não sairmos dessa nefasta monarquia disfarçada, em que o povo se comporta como súdito para sustentar imperadores/imperatrizes e suas cortes vivendo em palácios (literal e ostensivamente), não encontraremos solução para os graves problemas que assolam o País. Não custa lembrar que no regime republicano são os empregadores e funcionários públicos, em todas as esferas de poder, nossos empregados, sem direito a privilégios. Devem se comportar como empregados de um empregador exigente que só estará satisfeito se forem atendidos os seus justos interesses de cidadão”. Concordo com a necessidade de reformar, mais um vez, a atual Constituição Cidadã, que o brilhante Roberto Campos tachou de “besteirol” por encontrar cláusulas estapafúrdias, acrescentando um dispositivo-chave para impedir a penetração de elementos desqualificados, inidôneos e corruptos na administração pública. Trata-se de um filtro que, de forma similar ao que dispõe o organismo humano, o utilizaria para bloquear agentes nocivos à saúde desse organismo. Evidentemente, a dificuldade está na operação desse dispositivo, identificando quem estaria habilitado para tanto.


Paulo Eduardo Grimaldi pgrimaldi@uol.com.br

Cotia


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OS FRUTOS DA CONSTITUIÇÃO


Modesto Carvalhosa é sempre agudo em sua percepção e didático na apresentação. Apoio totalmente a sua análise da nossa situação política institucional e a sua busca da única solução para o angustiante status quo vivido por este país (Estado, 9/11, A2). Como previsto pelas melhores cabeças na ocasião, estamos agora colhendo os frutos maléficos de uma Constituição que nasceu viciada. Obrigado ao Estado por publicar textos desse nível.


Cássio Ruas de Moraes casrdemoraes@gmail.com

São Paulo


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O BOM COMBATE


Acerta na mosca o advogado Modesto Carvalhosa (Estado, Nova Constituição?, 9/11, A2): “O povo brasileiro quer mais do que uma nova Constituição, quer uma nova República que seja capaz de desmontar essa estrutura odiosa que torna o País cronicamente inviável. Quer uma República de oportunidades para todos, instaurando um regime de isonomia, equidade e acesso da cidadania à vida pública, acabando com o arquicorrupto profissionalismo político”. Infelizmente, não vamos conseguir isso nunca enquanto prevalecer o atual arquicorrupto profissionalismo político. E por que não vamos conseguir? Porque, para isso, precisaríamos, primeiro, nós (povo/eleitores), mudar nossa atitude perante a escolha de nossos representantes via eleições. Somos incapazes de votar corretamente, esquecendo vantagens comezinhas oferecidas por quem simplesmente quer continuar participando das mamatas do arquicorrupto profissionalismo político, por interesses próprios ou por venda de voto em troca de mesquinharias. Está, assim, formado o ciclo-vicioso que nos prende à situação vigente. Então chegamos ao ponto crucial: como se quebra este círculo-vicioso mantendo a legalidade? Só existe uma resposta, que é educação. Educação de qualidade em todos os níveis, desde o berço com a família, nas escolas de níveis básico, médio e superior. Para isso, será necessário um esforço global por um período de várias gerações, e é isso que o estamento atual não quer, haja vista como são manipulados o Ministério da Educação e outros órgãos ligados à educação. Mas esse bom combate tem de começar e tem de começar por nós (povo), votando conscientemente.


Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião


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UMA NOVA CONSTITUIÇÃO OU NÃO?


Refletindo sobre os dois textos publicados recentemente no Estado sobre o tema, um de Michel Temer, contra, e outro de Modesto Carvalhosa, a favor (na linha do deputado-príncipe Luiz Philippe), tendo a ficar com a opinião de Temer, embasada no que o próprio Carvalhosa escreveu em seu texto: “(...) incapacidade manifesta dos mandatários de exercerem suas funções em prol do interesse público”, e ainda “(...) magistrados de cúpula incapazes de interpretar a Constituição”. Ora, já que serão essas mesmas pessoas (ou outras do mesmo calibre) que comporiam uma eventual Constituinte – pois, apesar de Deus ser brasileiro, Ele não enviará seus anjos para comporem uma Constituinte –, considero que a proposta de Temer de algumas emendas constitucionais é bem mais viável, tem pé no chão. É trabalhosa, sim, pois o proponente tem de ir em busca do apoio de seus pares – afinal, isso é a política numa democracia – e, assim, aos poucos, a nova República sugerida por Carvalhosa terá uma chance de emergir. Uma colcha de retalhos aquece tão bem quanto uma feita com um tecido só.


Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo

 

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