Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2020 | 03h00

Coronavac suspensa

Vitória de Bolsonaro?


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) interrompeu a pesquisa da Coronavac a pretexto de ter havido uma morte entre os voluntários que testam a vacina. A reação do presidente da República mostra a baixeza dessa pessoa, que festejou a “derrota” de um oponente político, pouco se importando com os milhares de brasileiros que vão morrer pelo atraso dessa vacina. É deplorável que tenhamos caído nas mãos de pessoa tão abjeta. Aliás, a Anvisa é mais uma entidade jogada na lama pela irresponsabilidade do nosso presidente. Não é possível avaliar se a decisão da agência foi técnica ou política, mas destruiu a imagem de mais uma entidade que parecia confiável e agora passa a fazer parte das nossas inseguranças. Faz lembrar uma frase que foi moda durante o governo militar: o último a partir que apague a luz. Acho que vale a pena reavaliar essa recomendação.


ALDO BERTOLUCCI

ALDOBERTOLUCCI@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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Sob nova direção


Que decepção! A Anvisa, que me parecia uma entidade confiável e com credibilidade, dá uma pisada na bola dessas?! Um absurdo, mas, como disse o dr. Antonio Torres, foi uma “decisão técnica”... Certamente tomada pelo “dr. Jair”. Agora perdi de vez a confiança na Anvisa, que demonstrou estar sob controle político. E eu me pergunto: como é que técnicos e médicos se sujeitam a isso?


NELSON NEWTON FERRAZ

NELFER2011@GMAIL.COM

SUMAREZINHO


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Militarização bolsonarista


Num país onde general é ministro da Saúde e almirante é diretor da Anvisa, por favor, parem o mundo que eu quero descer.


PEDRO LEOPARDI

LEOPARDI73@ICLOUD.COM

SÃO PAULO


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Molecagem


Inacreditável a reação de Bolsonaro à “misteriosa” paralisação dos testes da Coronavac. Sua alegria é uma afronta ao sofrimento e à ansiedade da população quanto às restrições impostas pela pandemia. Isso sem falar no desrespeito às famílias que perderam pessoas queridas para a doença. Quando achamos que o “presidente” atingiu o fundo do poço com suas manifestações, ele consegue se sobrepujar com a pérola “mais uma que Jair Bolsonaro ganha”. Ganhou o quê?, pergunta a população, estupefata. Não há outra forma de definir tal comentário: isso é coisa de moleque.


HELEO POHLMANN BRAGA

HELEO.BRAGA@HOTMAIL.COM

RIBEIRÃO PRETO


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Batatas


Mais de 160 mil mortos e o “presidente” trata a vacina como uma disputa futebolística, Ele diz que ganhou. Como dizia Machado de Assis, “ao vencedor as batatas” (as batatas podem ser substituídas...).


JOSÉ PAULO CIPULLO

J.CIPULLO@TERRA.COM.BR

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO


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Até quando?


Até quando teremos de tolerar o comportamento insensível, para não dizer abjeto mesmo, desse presidente? Assusta sua alegria com a decisão da Anvisa de suspender os testes da Coronavac (isso admitindo que tal decisão tenha tido base científica). O que ele quer, afinal? Está torcendo pelo vírus? Dois anos pela frente tendo de suportar quase que diariamente suas sempre hostis e despropositadas investidas contra quem não lhe diz amém, sem nenhuma perspectiva de vê-lo realmente empenhado na solução dos inúmeros problemas que afligem a nossa sofrida população, são uma eternidade!


JUNIA VERNA FERREIRA DE SOUZA

JUNIAVERNA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


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Falastrão infame


Estarrecido, tomei conhecimento das manifestações desse incompetente presidente a respeito da vacina Coronavac. Será que não há nenhuma autoridade neste país que possa pôr um freio na boca desse personagem? Não existe meio legal de defenestrar do poder esse indecente presidente que ultraja o nosso povo e leva o nosso país para o precipício? O ano de 2022 está muito longe, não vamos aguentar até lá.


FÁBIO PELLEGRINI

FABIAOPELL@GMAIL.COM

RIO CLARO


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Exploração vil


O IML confirma que o voluntário se suicidou. Se decência houvesse, o presidente da República teria lamentado a morte de um voluntário e se calado sobre o que ignora. Mas decência não há e a morte trágica foi objeto de vil exploração política. Indignação ele ainda provoca. Surpresa, não. Até quando?


CARLOS A. IDOETA

CARLOSIDOETA@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO


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Insanidade


Jair fala de si mesmo na terceira pessoa. O que dizer disso...? O pior é o comentário sobre a paralisação do desenvolvimento da vacina contra a covid. Como apontado por Vera Magalhães recentemente, essa pessoa tem o culto a Tânatos como objetivo principal. Qualquer brasileiro pode se armar e municiar, quando temos Polícias Civil e Militar para nos protegerem. O desprezo pela vida é imenso. Para ele, vivam as milícias! Acho que já não é nem mais caso de impeachment, não sei existe na legislação brasileira essa opção, mas diante da gravidade da situação, esse senhor deveria ser interditado! Deveria descer a rampa numa camisa de força e sob forte escolta e ir para um manicômio, com vigilância nas 24 horas do dia. O Brasil e os brasileiros não merecem tamanho castigo.


RENATO AMARAL CAMARGO

NATUSCAMARGO@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO


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Vacina da Pfizer


Comemoração antes da hora costuma não dar certo. A vacina da Pfizer não serve para o Brasil de hoje. Isso porque ela exige um sistema de distribuição com temperaturas de cerca de -70º C. Isso mesmo, 70 graus Celsius negativos. Nossa rede de vacinação pública não está preparada para as vacinas de terceira geração, como a da Pfizer. Ainda não dá para comemorar o fim do confinamento.


OSCAR THOMPSON

OSCARTHOMPSON@HOTMAIL.COM

SANTANA DE PARNAÍBA



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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br



QUE PRESIDENTE É ESTE?


O presidente Jair Cloroquina Bolsonaro considerou que ganhou com a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender os testes realizados pelo Instituto Butantan com a vacina da Sinovac contra a covid-19, apesar de a referida agência ter sido notificada de que o falecimento do voluntário não ter sido causado pelo vírus. Que presidente é este, que comemora o atraso, pelo jeito não justificado, do trabalho sério do Instituto Butantan para assegurar uma vacina para todos os brasileiros? Estes têm razões de sobra para não reeleger um presidente que torce contra a possível saída do País desta situação desastrosa, tanto de saúde pública como econômica! 


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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SUICÍDIO


O presidente Jair Bolsonaro comemorou a suspensão, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de testes com a Coronavac. Comemorou como se fosse um jogo de futebol, porém comemorou como sendo, na verdade, uma vitória política sobre o governador João Doria, de São Paulo. Acontece que o motivo da suspensão dos testes pela Anvisa foi a morte de um voluntário nos testes da Coronavac, mas que, na verdade, teria cometido suicídio. Portanto nós, brasileiros, não merecemos um presidente que coloca em segundo plano, depois de suas picuinhas políticas, a saúde e a vida de todos os cidadãos brasileiros. Fora isso, por favor, Anvisa, pense bem antes de vir a público com determinadas confusões técnicas que possam ocultar pequenos, porém imensos, detalhes políticos.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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GANHOU?


Ao proibir a continuidade dos testes da vacina Coronavac, o presidente Jair Bolsonaro saiu comemorando e falando: “Ganhei novamente (de João Doria)”. Será que um dia ele vai saber que foi eleito para presidente do Brasil, e não para presidente de uma torcida organizada de futebol?


Maurício Lima mapeli@uol.com.br

São Paulo


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INFANTILIDADE


É inacreditável a postura do presidente Bolsonaro ao fazer papel infantil de competidor do governador João Doria nas eleições de 2022 e festejar a eventual parada no estudo da vacina chinesa para a covid-19, porque é adotada pelo governador de São Paulo. É, no mínimo, torcer pelo vírus. Sinto vergonha de ter votado em Jair Bolsonaro.


Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo


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PRIORIDADE


Sem provas, Bolsonaro atribui “morte e invalidez” à vacina chinesa e diz que ganhou de Doria. Lamentável a declaração do presidente. Está na cara que a politica é prioridade para ele, e não a saúde dos brasileiros.


Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo


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ELE GANHA, NÓS PERDEMOS


O Jair pode ter ganhado mais uma, mas nós perdemos a fé, o amor ao próximo, o respeito, a dignidade, a esperança. É muito triste como brasileiro assistir a mais este lamentável episódio.


Jorge de Jesus Longato financeiro@cestadecompras.com.br

Mogi Mirim


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O PONTO MAIS BAIXO


O presidente Jair Bolsonaro desceu ao ponto mais baixo de sua patética carreira de homem público ao comemorar um contratempo surgido com a vacina do Instituto Butantan. Cada dia que passa, centenas de brasileiros morrem vítimas do coronavírus, uma doença que poderá ser erradicada com a chegada de uma vacina. Nada disso importa para o anão Jair Bolsonaro, que só enxerga os eventuais ganhos políticos. A Coronavac foi trazida para o Brasil por um adversário político de Bolsonaro, e é só isso que interessa ao anão político Bolsonaro. Se centenas, milhares de brasileiros tiverem de morrer por falta da vacina, que morram – o que importa para o presidente da República é a sua reeleição e mais nada. Jair Bolsonaro precisa ser urgentemente conduzido para o fundo da lata de lixo da nossa história, junto com seus filhos criminosos. Nunca houve um presidente tão ruim em todos os aspectos como Bolsonaro.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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A POLÍTICA DAS VACINAS


Antes mesmo do lançamento de qualquer vacina contra a covid-19, algumas contraindicações já são consideradas: país de origem, político apoiador, vontade presidencial e, principalmente, porcentual de votos nas eleições. Salvar vidas fica para uma segunda fase, se sobrar dinheiro do Fundo Partidário.


Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo


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ELEIÇÕES NO BRASIL


Vamos eleger prefeitos e vereadores no Brasil no próximo domingo. Durante a pandemia, nossa classe política não abriu mão do fundo partidário, uma dinheirama despejada nos partidos que fica nas mãos dos caciques das legendas. Hora de repensar seu voto. Não dê emprego e mordomias a quem deveria trabalhar, e não o fez, a quem deveria ter dado seu sacrifício abrindo mão de seus salários, e não o fez. O cidadão arcou com a pandemia como pôde, enquanto a classe política ficou de costas para o povo.


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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O TRABALHO DOS VEREADORES DE SP


De um universo de 892 leis aprovadas na atual legislatura na cidade de São Paulo, 68 (7,82%) foram de iniciativa do Executivo e as demais, de inciativa do Legislativo. Porém, das leis de iniciativa dos vereadores, apenas 182 (20,40%) atendem a algum interesse real para a população. As outras 642 (71,97%) foram distribuídas da seguinte maneira: 69 para denominar logradouros públicos, como avenidas, ruas, vielas, viadutos e travessas; 211 para denominar praças, a maioria das quais não atende à legislação vigente, pois não passam de esquinas ou algum recuo qualquer; 149 para denominar equipamentos públicos como escolas, parques, piscinões e outros; 31 para acrescentar mais um nome a logradouros, ou equipamentos já identificados, uma vez que não existe número suficiente para tantas denominações; 2 para tornar duas cidades do exterior como cidades irmãs de São Paulo, porém em desacordo com os critérios do acordo internacional; 315 para criar datas e eventos comemorativos dos mais diversos, alguns realmente patéticos. Ademais, nossos vereadores adotaram uma prática realmente questionável, ou seja, solicitarem a inclusão do seu nome, como coautor, no projeto de outro vereador. Foram publicadas leis, no Diário Oficial da cidade, com todos, ou quase todos os vereadores, como autores do projeto. A maioria dos eleitores não se preocupa em pesquisar os candidatos a vereador para escolher o que achar melhor. Prefere pedir sugestões a líderes religiosos, sindicais e outros, o que é um grave erro. Poderão receber sugestões indevidas, em termos da capacidade e da honestidade do candidato. Com os porcentuais acima, podemos verificar que os nossos vereadores perdem um tempo enorme do seu mandato com assuntos irrelevantes para a cidade. E pior: gastam recursos públicos. Que me desculpem os vereadores que merecem o meu respeito, mas é muito besteirol. Um número elevado dos atuais vereadores não merece a reeleição.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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LEI ELEITORAL É PARA VALER?


Às vésperas das eleições municipais, Jair Bolsonaro está sentindo na pele o que é tentar ser o Trump tupiniquim. Ameaçado, infringe a lei eleitoral e em suas lives oficiais faz propaganda de seus associados (7/11, A4). E aí, Procuradorias Eleitorais, vão fingir que não viram?


Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo


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PINDORAMA


“Não estamos aí só para disputar a eleição. Temos que fazer oposição.” Frase de Lula da Silva, pronunciada recentemente durante reunião do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT e que sublinhou a sua orientação de determinar aos candidatos pelo partido às próximas eleições municipais, sobre os quais ainda julga exercer liderança efetiva, que concentrem suas campanhas em críticas ao governo Bolsonaro na gestão da pandemia, de modo a não só enfraquecer as possibilidades dos postulantes apoiados pelo Planalto, mas principalmente a fim de esboçar as primeiras iniciativas objetivando a atingir o pleito de 2022, no qual será tentada reeleição do atual mandatário. Além de a referida passagem constituir deslavada mentira, pois é público e notório que nunca foi propósito honesto do decaído guru realizar oposição honesta, e sim mirar tão somente na vitória a qualquer custo nas urnas, é triste constatar que só no Brasil um condenado pela Justiça por corrupção se arvora como paladino da doutrina correta de combate ao complicado flagelo do coronavírus. Doce terra de Pindorama, onde tais distorções são permitidas e até estimuladas por praticantes de uma esquerda ultrapassada, que já se mostrou prejudicial aos mais lídimos interesses nacionais.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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FIASCO


O PT, temeroso de repetir o fiasco das eleições municipais de 2016, está exigindo dos seus candidatos no horário eleitoral gratuito defesa do legado do partido e de Lula, além de atacar Bolsonaro. Mas os petistas estão optando por mostrar propostas e ignorar, principalmente, Lula da Silva. É o PT ladeira abaixo.


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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CARÁTER (OU A FALTA DELE)


Depois de assistir à visita de Lula à casa de Maluf, acreditava que não veria descaratismo maior na minha vida (83 anos). A bajulação de Jair Bolsonaro a Fernando Collor provou que nunca se pode pensar que a falta de caráter dos políticos tenha chegado ao fim.


Hamilton Penalva hpenalva@globo.com

São Paulo


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DE OLHO EM 2022


O apresentador Luciano Huck tem demonstrado ideias bastante interessantes nas suas conversas com intelectuais internacionais, publicadas pelo Estado. Entendo que, neste momento, encontro com o ex-ministro Sergio Moro, com o governador João Doria ou qualquer outro que esteja em evidência no meio político em nada contribui para sua imagem. Ao contrário, só arranha sua reputação.


Jorge de Jesus Longato financeiro@cestadecompras.com.br

Mogi Mirim


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HUCK E MORO


Conversa com Moro sobre 2022 irrita aliados de Huck (Estado, 8/11). Têm razão os aliados do apresentador Luciano Huck. Como imaginar um cidadão com a competência de gestor comprovada se sujeitar a um ex-ministro e ex-juizinho que nada fez pelo País?


Marcelo Falsetti Cabral mfalsetti2002@yahoo.com.br

São Paulo


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‘NOVA CONSTITUIÇÃO?’


Muito oportuno e alvissareiro o artigo de Modesto Carvalhosa Nova Constituição? (Estado, 9/11, A2). Tenho certeza de que, se houvesse um plebiscito, a maioria esmagadora dos brasileiros aprovaria os “princípios normativos” lá descortinados. Eu acrescentaria ainda uma outra alteração: que a Justiça comum gradualmente fosse absolvendo as diversas Justiças que temos neste país: Justiça do Trabalho, Justiça Eleitoral, Justiça Militar, Justiça Desportiva, o mesmo ocorrendo com as Promotorias. 


Nelson L. Braghittoni braghitt@alumni.usp.br

São Paulo


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SEM BASE


Ainda sobre o brilhante artigo Nova Constituição?, do dr. Modesto Carvalhosa, humildemente sugiro a ele acrescentar em sua proposta a mudança da base em que ela se sustenta, que são os “direitos”, para “obrigações”, pois, sem o cumprimento de obrigações por todos e cada um, não se tem lastro que sustente os direitos.


Jose Claudio de Almeida Barros zitobarros2016@gmail.com

Bragança Paulista


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SONHO


Brilhante artigo do dr. Carvalhosa sobre qual deveria ser o perfil de uma nova Constituição sonhada por todos os brasileiros de bem. Seria uma oportunidade para consertar o Brasil de vez. Infelizmente, com a gentinha que está no poder isso nunca vai acontecer. Pena!


Ladislau Batho bathols@uol.com.br

São Paulo


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O ESTADO E A NAÇÃO


O advogado Modesto Carvalhosa fez uma brilhante e pertinente defesa de

uma constituinte para elaborar nova Carta para o Brasil em seu artigo Nova Constituição? (9/11, A2). Afinal, a Constituição de 1988 foi elaborada num momento muito infeliz, pouco antes de grandes transformações políticas no mundo (queda do muro de Berlim, e o desmantelamento da União Soviética). Além disso, nunca se viu tanta influência das corporações defendendo seus interesses em abocanhar pedaços do Estado. O Artigo 133 garantindo espaço privilegiado aos advogados é um belo exemplo. Como Modesto Carvalhosa defende, é necessário uma Constituição para colocar o Estado a serviço da Nação, e não como hoje, quando a Nação é que está a serviço das corporações encasteladas no Estado.


José Elias Laier joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos


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EQUÍVOCOS CONSTITUCIONAIS


O respeitado dr. Carvalhosa, em artigo de 9 de novembro, propõe uma constituinte em momento equivocado e com propostas não factíveis. Primeiro, porque avalia mal a representatividade da atual Carta, visto que não há ruptura institucional que justifique a convocação de uma constituinte em um contexto da ocupação do Executivo por grupos políticos sem compromissos claros com os valores democráticos. Também demonstra profundo desconhecimento da dinâmica política propondo medidas como: 1) o fim de cargos comissionados sem responder quem assumiria deste a chefia de um serviço até a direção de um departamento; 2) o fim dos fundos partidário e eleitoral, sem falar em controle das doações privadas nem da cooptação da política pelo crime organizado; 3) voto distrital puro sem citar a desigualdade representativa entre São Paulo e o Acre, por exemplo; 4) a limitação dos gastos com a folha a 25% do orçamento sem falar na desestruturação da máquina e provável paralisação da prestação de serviços; e 5) cita como dignas de estabilidade apenas as carreiras jurídicas, demonstrando corporativismo de classe e as militares, demonstrando uma possível aproximação com o atual governo.


Marcelo Kawatoko  marcelo.kawatoko@outlook.com

São Paulo


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A CARTA DE 1988


O brilhante artigo do dr. Modesto Carvalhosa desmonta toda a algazarra que uma boa parte da mídia e intelectuais de plantão fizeram quando um suspeito deputado do Centrão sugeriu uma nova Constituição para este sofrido país. Enquanto aqueles se agitavam com esperneio e críticas contra a proposta, eis que uma voz lúcida vem explicar o que é patente e óbvio: esta Constituição, com 250 artigos e 80 emendas, distribuídos em 413 páginas, é uma coletânea de favorecimentos ao descontrole da governabilidade e benesse a uma certa elite que sobrecarrega este país, com salários e benefícios desproporcionais aos da maioria da população. Para ilustrar, a Constituição dos EUA tem 7 artigos e 27 emendas – e vão bem, obrigado.


Ademir Alonso Rodrigues rodriguesalonso49@gmail.com

Santos


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BONS ARES


Pode ser percebida nitidamente entre aqueles que não pertencem à extrema-direita uma elevação do nível de esperança e otimismo decorrente da lufada de bons ares vinda dos EUA, com o iminente findar da presidência do nefasto Donald Trump. Tal lufada chegou forte ao Brasil. Fico imaginando como será bom e alvissareiro quando o Brasil e o mundo também ficarem livres do desgoverno de Jair Bolsonaro.


Túllio M. Soares Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte


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COMPARAÇÃO


O presidente Bolsonaro perguntou se o povo brasileiro queria um Biden como presidente no Brasil. Respondendo a essa questão: os brasileiros prezam a democracia, embora nem todos entendam bem seu significado. A alternância de poder faz parte do jogo democrático. Se seu mandato for aprovado pelo povo, será reeleito ou terá um candidato indicado eleito para um novo mandato. Caso rejeitado, o povo buscará quem se aproxima mais de seus anseios. Fora isso, temos o que aprender com a política americana: o presidente eleito, assim que confirmado, apresenta imediatamente seu plano de governo, de gestão. Aqui, no Brasil, só se formulam planos de poder. A gestão pública fica a reboque de decisões tomadas por países-chave de nossas relações: seja China, seja EUA, seja Europa. Ficamos sempre elucubrando, tentando adivinhar que decisões desses países podem nos afetar. Precisamos ser capazes de elaborar um plano estratégico no qual o governo conduza o País, independentemente de qualquer outro tipo de questão. Essa é a diferença fundamental. Não é Biden, Joaquim ou José. Não é um nome. É o conteúdo que advirá desta eleição. Aqui, um país continental, somos um berço esplêndido realmente, comandado por pessoas despreparadas para administrá-lo. Quando o Brasil acordará?


Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba


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ACUSAÇÕES DE FRAUDE


O que torna as acusações de fraude contra a candidatura Biden tão graves que não podem nem ser mencionadas nem sequer cogitadas? Qual a diferença entre elas e as falsas acusações de conluio com a Rússia feitas em 2016 pelos democratas contra Trump? Talvez porque as de agora sejam verdadeiras? Ou ainda porque possam vir a apontar na direção dos oligarcas da mídia que se uniram para colocar Biden no poder? Dominar a mente dos eleitores americanos pode não ser tão fácil como eles pensaram. E intimidar os cidadãos daquele país, menos ainda. Afinal, como diz o hino deles: os EUA são “a terra dos livres e a casa dos bravos”. E o povo de lá não é nada bobo.


Jorge A. Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo


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A FILÓSOFA ESTAVA CERTA


Com esta confusão nas eleições nos EUA, prevaleceu a tese da filósofa Dilma Rousseff: “Ninguém ganhou e ninguém perdeu (a eleição), pois quem ganhou não perdeu e quem perdeu não ganhou, de modo que todo mundo perdeu e ganhou”.


Arcangelo Sforcin Filho despachante2121@gmail.com

São Paulo


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A ESCOLHA PELA CIÊNCIA


Além da ótima notícia confirmando Joe Biden como novo presidente do EUA, me emocionou também quando, pelo WhatsApp, ouvi o meu neto Pedro, de 8 anos, efusivamente dizer “vovô, o Biden ganhou!”. A vitória de Biden para a Casa Branca, derrotando o desastroso e inconsequente Donald Trump, veio para iluminar a democracia. E não é por outra razão que o mundo dos sensatos, preocupados com o desenvolvimento econômico e social, comemora, na esperança da volta do bom relacionamento dos EUA com tradicionais parceiros, que Trump destruiu. E, na agenda, pautas importantes, desprezadas pelo atual presidente, serão recuperadas, como o respeito à ciência e ao meio ambiente. Quanto aos dirigentes populistas que flertam com a irracionalidade autoritária, como, infelizmente, age Jair Bolsonaro, estes devem ficar isolados. Em discurso no sábado em Wilmington, Biden afirmou: “Prometo ser um presidente que vai unir, e não dividir. É tempo de curar”. E concluiu que “a era da demonização acabou”. Sua vice, Kamala Harris, num discurso primoroso, dirigindo-se aos eleitores, disse: “Vocês escolheram esperança, ciência e a verdade”. Que esses bons ventos tirem do fosso em que se encontra o Planalto brasileiro.


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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VERGONHA NACIONAL


Não é nenhuma surpresa que Jair Bolsonaro esteja demorando para reconhecer e parabenizar o presidente eleito norte-americano, Joe Biden. Ao contrário, tal atitude era até esperada pelas diversas razões elencadas no editorial Vergonha internacional (10/11, A3). Há um fator, no entanto, que merece atenção: correm nas redes sociais as mais variadas teorias conspiratórias estapafúrdias e criativas acerca de possíveis fraudes nas eleições estadunidenses, difundidas por trumpistas e bolsonaristas inconformados com o resultado. Até aí, nenhuma novidade. O que envergonha mais ainda o Brasil é saber que seu presidente não somente se nutre de, mas também ecoa e retroalimenta esse amontoado de baboseiras que, de tão absurdas, não podem ser levadas a sério. A vergonha não é só internacional, mas nacional também.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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AMIZADE NÃO, INTERESSES


A propósito do editorial Vergonha internacional (Estado, 10/11, A3), cabe, por oportuno, dizer que, como os EUA são muito mais importantes para o Brasil do que o Brasil para eles, é totalmente descabida e despropositada a atitude desrespeitosa e antidiplomática de Jair Bolsonaro, de ainda não ter reconhecido a vitória de Joe Biden. Apesar de Bolsonaro ter declarado seu “voto” e simpatia pelo derrotado pato manco Donald Trump, é com Biden que o País terá de lidar nos próximos quatro anos. Como se diz em diplomacia internacional, países não têm amigos, têm interesses.


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


 

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