Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2020 | 03h00

Apagão

Amapá continua às escuras


O problema no sistema elétrico que atinge o Amapá não é apenas local, mas nacional, embora muitos imaginem que os Estados mais ricos do País estejam isentos ou imunes a qualquer reflexo do caos que tomou conta da Região Norte. Primeiro, porque o acionamento das termoelétricas tem custos e esse montante adicional será partilhado por todos os consumidores brasileiros. Ou seja, do Oiapoque ao Chuí, todos pagarão essa conta. Segundo, o sistema elétrico sempre foi e continua sendo negligenciado. A falha, aliás, expôs a debilidade do sistema federal de fiscalização, que envolve o Ministério de Minas e Energia, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Operador Nacional do Sistema (ONS). A negligência verificada no Amapá pode se repetir em outros pedaços do mapa brasileiro. O sistema elétrico é integrado. Ponto. O Amapá está há quase 20 dias no escuro. Acumulam-se prejuízos, pânico e desabastecimento. É preciso que o sistema elétrico seja encarado como uma política de Estado, com investimentos e modernização. Permitir que entes da Federação, independentemente da região onde estejam localizados, fiquem tanto tempo às escuras é de uma insensatez tipicamente tupiniquim.


WILLIAN MARTINS

MARTINS.WILLIAN@GLOBO.COM

GUARAREMA


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Omissão


O presidente do Senado, o macapaense Davi Alcolumbre (DEM), convidou o presidente da República, Jair Bolsonaro, para ir ao Amapá. Já devia ter ido há muito tempo!


ROBERT HALLER

ROBELISA1@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO


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‘Um juiz e suas rebeldias’


As graves distorções que canetadas de juízes despreparados provocam na sociedade, como chama a atenção o editorial Um juiz e suas rebeldias (20/11, A3), além de anarquizar a administração pública, são também um componente considerável do enorme custo Brasil. A insegurança jurídica que tal gesto acarreta é até pior que a dos jabutis inseridos na legislação por parlamentares mal-intencionados, pouco interessados em atender aos anseios povo, mas restritos a seu círculo de amizades.


JOSÉ ELIAS LAIER

JOSEELIASLAIER@GMAIL.COM

SÃO CARLOS


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Mãe Joana


O Brasil virou a casa da mãe Joana, todo mundo manda. Um Poder extrapola seus direitos e deveres e nada acontece. Até o Supremo Tribunal Federal brinca de escravos de Jó: manda soltar e depois manda prender. Chega, socorro!


MILTON BULACH

MBULACH@GMAIL.COM

CAMPINAS


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Perícia


O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) – que teve seu pedido de afastamento da direção da Aneel aceito após sequência de apagões no Amapá – deveria preocupar-se é em solicitar ao juiz uma perícia especializada, o mais rápido possível, para levantar quais equipamentos de proteção elétrica, mecânica e civil estavam instalados e em que condições se encontravam. Teria de ser rápida, para não haver alterações ou intervenções que alterassem as provas materiais. Em princípio, alguns pontos importantes a verificar no local: a proteção elétrica dos transformadores e das instalações em geral, as paredes corta-fogo e os sprinklers ou outro equipamento de combate a incêndios. A documentação das vistorias, da Aneel ou do ONS, seria facilmente obtida em banco de dados.


JOSÉ LUIZ ABRAÇOS

OCTOPUS1@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


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Corrupção

Desvio histórico


O Ministério Público fluminense afirma que Márcia Aguiar, mulher de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, ajudou a desviar R$ 1,1 milhão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no chamado esquema das rachadinhas. A História do Brasil mostra que nosso país sempre se moveu por esquemas desse tipo, em que o dinheiro de toda a população é “rachado” pelos membros de grupos de poder político que loteiam o País segundo conveniências e circunstâncias de cada época. Nada de novo. Nem mesmo no pano de fundo da acusação contra o grupo liderado pelo filho do presidente da República, que surgiu na cena política nacional impulsionado pelos belos discursos eleitoreiros de então que clamavam contra a corrupção e a falta de moralidade pública.


MARCELO GOMES JORGE FERES

MARCELO.GOMES.JORGE.FERES@GMAIL.COM

RIO DE JANEIRO


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Sou, mas quem não é?


Essa história da rachadinha, o famoso rachid, como é chamado na Alerj, existe há anos, e em todo o País. Se é para denunciar essa prática, incriminar os culpados, que seja em âmbito nacional. Na Alerj, o deputado André Ceciliano (PT) encabeça a lista do rachid, é o primeiro nome da lista. E só incriminam Flávio Bolsonaro? Não que não deva ser incriminado. Se é culpado, que pague pelo que fez. Mas, e os outros? Isso é justiça? A mesma lista que aponta Flávio indica mais de uma dezena de nomes, e com valores superiores. Como é que vai ficar? Querem moralizar, ótimo. Mas, então, que todos sejam incriminados, sem exceção.


PANAYOTIS POULIS

PPOULIS46@GMAIL.COM

RIO DE JANEIRO


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Obama sobre Lula


Em 2009, no encontro do G-20, o então presidente dos EUA, Barack Obama, ciente da popularidade de Lula da Silva, presidente do Brasil na época, derramou-se: “Esse é o cara!”. Em recente entrevista a Pedro Bial, Obama referiu-se a Lula como um político mafioso, envolvido em corrupção bilionária e esquemas de propinas, esclarecendo que naquela altura não sabia desses detalhes que afetaram o sistema político brasileiro. Ainda hoje Lula, em sua pele de cordeiro, “se diz o homem mais honesto do Brasil”. Mas nele só acreditam seus fanáticos seguidores. Os demais ainda veem Lula como lobo.


HUMBERTO SCHUWARTZ SOARES

HS-SOARES@UOL.COM.BR

VILA VELHA (ES)


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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


MORTE NO HIPERMERCADO

A rede de hipermercados Carrefour, onde aconteceu o brutal assassinato de um homem negro por dois seguranças brancos em Porto Alegre na noite de quinta-feira (19/11), já esteve envolvida em várias situações vexaminosas. Em agosto deste ano, um promotor de vendas morreu de ataque cardíaco dentro de uma de suas lojas, no Recife. A loja permaneceu aberta e o corpo foi coberto por guarda-sóis. Em dezembro de 2018, um cão foi envenenado e espancado por um funcionário, em Osasco. Em outubro de 2018, um homem abriu uma lata de cerveja na loja e, mesmo falando que ia pagar por ela, ele foi perseguido e espancado em São Bernardo do Campo. Ficou com sequelas por causa das múltiplas fraturas. Em 2009, em Osasco, seguranças espancaram um homem negro que foi acusado de tentar roubar o próprio carro zero km que ele havia comprado de maneira financiada. Reiterar que os casos são isolados, que não compactua com violência, que presta solidariedade às vítimas e familiares e que está à disposição da Justiça não muda a sua imagem arranhada.


Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas


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ASSASSINATO EM PORTO ALEGRE


É incrível como o Carrefour protagoniza episódios de violência, depois dos quais faz declarações burocráticas, de que não compactua com as ações, que está à disposição das autoridades e que fará “apurações rigorosas”. Não seria o momento de esta rede fazer suas malas e retornar ao seu país de origem, onde talvez não precisarão suportar clientes “diferenciados”? De minha parte, aqui vai meu adeus – aliás, não frequento suas lojas desde o episodio do Manchinha.


Sergio Cortez cortez@lavoremoveis.com

São Paulo


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REALIDADE


Admiro o general Hamilton Mourão, vice-presidente da República, por sua formação, bom senso e equilíbrio, mas afirmar que não existe racismo no Brasil é não conhecer a realidade. Será que é pela convivência com o presidente Bolsonaro?


Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo


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CONSCIÊNCIA NEGRA


Mais uma morte negra no país da estupidez fascista: policiais fazendo bico como segurança em supermercado Carrefour de Porto Alegre matam homem negro por puro ódio. A insanidade, cujo exemplo vem de cima, toma conta da mentalidade de pessoas despreparadas para atuarem como “seguranças” no país da total insegurança pública, policial e jurídica. Viver e morrer no Brasil é uma roleta russa.


Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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INACEITÁVEL


O mínimo que se espera de quem exerce a função de segurança pública é o combate à violência. É, portanto, inaceitável o espancamento de um negro, até a morte, num supermercado de Porto Alegre. Um fato lamentável. Que os agressores recebem a punição devida e que o fato sirva de reflexão para que o preconceito racial seja afastado das relações entre seres humanos.


Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos


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BICO DE SEGURANÇA


Assisti num jornal televisivo às cenas lamentáveis ocorridas dentro de um Hipermercado Carrefour de Porto Alegre. Por esse motivo, sou a favor da pena de morte ou da prisão perpétua, mesmo contra meus princípios cristãos e espíritas. Crimes hediondos como este, e covardes, têm de ter punição severa. Como é que um policial “temporário” trabalha fazendo bico de segurança? E isso é muito comum no Brasil. Para engordar a remuneração, muitos trabalham como seguranças e até milicianos, contrariando as normas da Segurança Pública. Fico triste de poder participar neste espaço do Estadão com este comentário. Peço às autoridades do STF que tomem as medidas cabíveis ao fato ocorrido.


César Roberto Alves Moreira caesar.joi@terra.com.br

Joinville (SC)


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O VESPEIRO DAS AGÊNCIAS REGULADORAS


É patente a ineficiência das agências reguladoras no Brasil – vide apagão no Amapá. Há um ano não havia fiscalização no sistema, não havia para-raios nem portas corta-fogo e o terceiro gerador estava furado, com o conhecimento dos responsáveis. Pois bem, a Justiça Federal do Amapá premiou, com uma decisão um tanto inócua, com um mês de afastamento, sem corte nos salários – verdadeiras férias –, a atual diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Operador Nacional do Sistema (NOS) por omissão e negligência em relação à fiscalização do setor. Regular significa “organizar determinado setor afeto à agência, bem como controlar as entidades que atuam nesse setor”. Em nenhum momento está escrito que regular é proteger o setor, porém essas agências têm um padrão de comportamento: a irresponsabilidade e a falta de compromisso. Vejamos o caso da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS): ela atua como advogada das empresas, como um verdadeiro sindicato das empresas, pois suas decisões são sempre para facilitar a vida e melhorar o lucro das empresas, em desfavor do cidadão pagante dos planos de saúde. Há dois anos a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), sob o pretexto de baratear as passagens, começou a cobrar pelo transporte das malas. O saldo: fomos enganados e as passagens estão cada vez mais altas. Que sirva de lição o caso da Aneel no Amapá e se retome a forma de nomeação dessas agências. Quem é nomeado deve saber que tem de atuar protegendo o cidadão, e não as empresas. A quem cabe a coragem de mexer neste vespeiro?


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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FISCALIZAÇÃO


Sou fiscal aposentado do município de São Paulo, e sempre que o tema fiscalização vem à tona eu fico esperançoso que os Poderes Legislativo e Executivo se manifestem de forma clara. Mas cada dia perco um pouco dessa esperança, acho que vã. Há poucos dias fizeram uma reportagem informando a falta de estrutura de fiscalização na cidade de São Paulo, agora temos a perda de autonomia dos fiscais do Ibama, antes, várias vezes apontaram a falta de fiscalização em eventos trágicos (Boate Kiss, barragens, apagão no Amapá), e eu poderia discorrer por várias laudas sobre tragédias anunciadas que ocorreram e ocorrerão. Longe de ser uma defesa corporativa da fiscalização, o que quero salientar é que a fiscalização, seja ambiental, urbana, é dever do Estado, o fiscal fala e age em nome Estado, porém a função não é explicitamente citada como carreira de Estado na Constituição e há uma resistência enorme dos políticos em realizarem esse ato, pois implica unificação dos procedimentos para contratação- concurso público, estrutura profissional, transparente e clareza de quem exerce o poder de polícia administrativa. Significa que não vão poder indicar como chefe de fiscalização outras carreiras ou, o que é comum, comissionados. Calar a voz dos fiscais para poder determinar quem será fiscalizado, não cobrar ou anular multas dependendo de quem é fiscalizado, rasgando os princípios de impessoalidade para auferir lucros políticos é abrir as portas para uma fiscalização frágil, esquecendo que o fiscal é a voz do Estado e um Estado fraco é fronteira aberta para a ilegalidade e o aumento da violência (milicianos, crime organizado). Não faltam leis neste país, há até demais; os discursos com cara séria abundam, mas na prática quais os meios que nos dão para colocar em prática a lei?


Mario Roberto Fortunato fortunatomario1955@gmail.com

São Paulo


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ELEIÇÕES EM SÃO PAULO


Muito clara Zeina Latif em seu artigo Responsabilidade nas promessas (19/11, B7), mostrando as superficialidades da proposta do candidato Guilherme Boulos (PSOL), que continua com o discurso da velha esquerda, em total oposição ao artigo do articulista Celso Ming de 18/11 (B2), que, salvo melhor juízo, embute no título propaganda política subliminar: Guilherme Boulos e a nova esquerda.


José Luiz Abraços octopus1@uol.com.br

São Paulo


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IDEIAS RETRÓGRADAS


Assistimos, em 15 de novembro, um dia dedicado à democracia. Milhões de brasileiros foram às urnas e, após apurados os votos, o Brasil mudou sua cara ou “mostrou sua cara”, como diz a música. Houve renovações importantes, preconceitos foram vencidos – embora gradualmente, é uma semente –, foram eleitas mais mulheres, negros e houve desprezo pelos extremistas, entre outros resultados. A democracia é o livre pensamento e, portanto, eu o adoto, pois preciso refletir sobre alguns pontos. Puxo para nossa capital. Em sabatina no Estadão, o candidato Guilherme Boulos fez colocações que a mim não agradam. Destaco: ele propõe ajustar a Previdência com mais servidores, o que está totalmente na contramão de um modelo do mundo moderno; diz que ela é deficitária porque não temos concursos públicos; fez críticas às pesquisas divulgadas pela mídia, por exemplo, as do Datafolha, sobre a sua taxa de rejeição; em havendo ocupação – eu diria invasão – de prédios públicos e também privados com mais de dez anos, Boulos afirmou que “dialogaria” (?) a desapropriação e que poderia fazê-lo, pois uma lei, o Estatuto da Cidade, o permite; diz que usará em suas campanhas figuras de esquerda como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (o demiurgo, já preso, condenado e solto por um arranjo da Justiça); e que se deve abrigar pobre infectado em área pública. Que atraso isso, ao invés de oferecer condições melhores de atendimento na saúde pública. Não fazendo parte desta sabatina, ele em entrevista à Jovem Pan reiterou que a Venezuela e Cuba não são ditaduras, inclusive mencionando terem ocorrido eleições em Cuba. Como cidadão democrata, aceito quaisquer pontos de vista e os discuto, como faço agora, mas me preocupa o fato de que cerca de 35% a 40% dos paulistanos aprovem essas ideias. Se vencer, parabéns e boa sorte, mas continuaremos lutando sempre contra ideias retrógradas, radicais e extremistas.


Claudio Baptista clabap45@gmail.com

São Paulo


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ESTRABISMO


A ideia do Boulos de equilibrar a Previdência municipal através da contratação de novos servidores o promove à condição de sócio do clube da Dilma, pela manifesta visão canhestra da administração pública. Além de estar criando encargos e um passivo atuarial com contratações desnecessárias, simplesmente estaria usando o mecanismo das rachadinhas para transferir recursos públicos para o caixa previdenciário. Por absurdo, seria mais barato gastar apenas o equivalente a 1/3 dos novos salários para cobrir o déficit previdenciário. Depois, que não se venha, mais uma vez, dizer que não fomos avisados.


Alberto Mac Dowell de Figueiredo amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos


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SANDICES


Acho Boulos um cara interessante e pensei que ele não cairia na armadilha de defender as sandices que os petistas ainda hoje fazem, como, por exemplo, dizer que Cuba e Venezuela são democracias.


Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca


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COMO PODE DAR CERTO?


O populista e sonhador Guilherme Boulos (PSOL), apoiado pelos defensores do Estado máximo, foi elevado à condição de estrela nestas eleições municipais. A vitória de Boulos, caso se concretize, levaria a cidade de São Paulo ao caos com suas ideias mirabolantes, mas teria um lado positivo, ao mostrar que o socialismo não deu e não dará certo em lugar nenhum. Acorde, São Paulo!


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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LAMENTÁVEL MEMÓRIA


Depois de o Brasil ter conseguido se livrar finalmente do cleptolulopetismo, de lamentável memória, eis que surge na disputa do segundo turno em São Paulo a figura raivosa do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos (PSOL), o chefete e mentor das invasões de propriedades privadas. Dia 29/11 é dia de reeleição de Bruno Covas. Vade retro, Boulos!


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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SEM ALTERNATIVA


Foi Boulos quem disse que quem invade prédios vazios é porque não tem alternativa. Ele agora não pode reclamar por que Lula decidiu invadir a sua campanha para promover-se. Afinal, Lula está sem alternativa.


Jorge A. Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo


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VOTO CIDADÃO


Algo de novo e eficaz nesta eleição brasileira: aumentou o número de eleitores que perceberam o poder de seu voto para mudar o rumo da política na administração da coisa pública, elegendo os melhores candidatos, que ainda existem, apesar de uma miríade de partidinhos de aluguel, cuja inutilidade para o bem público é notória. Afinal, exercendo cidadania virtuosa republicana, participativa, muitos eleitores expurgaram das Câmaras Municipais e prefeituras incompetentes que tentavam se reeleger. Se eu votasse na capital paulista, a cidade locomotiva São Paulo, não votaria no fantoche de Lula da Silva, o candidato baderneiro Guilherme Boulos, escolhendo votar no candidato Bruno Covas. Que bom seria se já tivéssemos no Brasil o sistema eleitoral de voto distrital puro com recall – retomada do poder pelo povo dos representantes incompetentes, a cada dois anos –, mais a possibilidade de o povo propor leis, referendar leis e expurgar magistrados incompetentes. Pelo voto cidadão, o eleitor se dá ao respeito!


Herbert Silvio Augusto Pinho Halbsgut h.halbsgut@hotmail.com

Rio Claro


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SEGUNDO TURNO


Interessante o resultado destas eleições até aqui. O distanciamento dos políticos do eleitorado levou minorias ao ativismo. Representantes desses movimentos foram eleitos para o Legislativo, numa mostra de sucesso na união do propósito. Esse resultado demonstra o grau de insatisfação corrente da população com partidos políticos. Esta foi a saída encontrada. O resultado da primeira votação ao Poder Executivo de São Paulo também leva a reflexão. Como um líder de invasões de imóveis obteve tão expressiva votação, capaz de levá-lo ao 2.º turno, ante adversários de peso com currículos administrativos mais sólidos? Pelo mesmo motivo, o eleitor preferiu quem demonstra atitude, quem dá respostas às suas necessidades imediatas. Moradia é das mais importantes entre elas. Apesar de as pesquisas demonstrarem larga vantagem inicial a Bruno Covas, não será fácil sua tarefa de convencimento para o eleitor manter o voto a seu favor ante o recrudescimento da covid-19 e uma administração da capital avaliada como mediana. Seu oponente, Boulos, já foi induzido por seu pessoal de marketing a suavizar atitudes radicais, agressivas. E a ser fotografado sorridente, em contato amistoso com eleitores. É o paz e o amor. Aposta na união de esforços das esquerdas, dada a importância do cargo. Essa articulação envolve uma série de organizações de força nada desprezível. Veremos se suficiente para reverter o atual prognóstico.


Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba


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ELEIÇÃO E COVID


Milhões de brasileiros saíram de casa depois de meses de isolamento para votar, pegaram transporte público, aglomeração, fila, etc., e em duas semanas teremos novamente milhões de pessoas indo votar no segundo turno. O papel da eleição na disparada da pandemia é inegável e ainda não foi inteiramente contabilizado. Se é perfeitamente possível e cada vez mais fácil movimentar contas bancárias pela internet, sem problemas e sem fraudes, o Brasil deveria estabelecer como meta que as eleições de 2022 sejam 100% online.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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LEI DEMAGÓGICA


A lei estadual que prevê multa para pedestres em vias públicas que não estejam usando máscaras adequadamente está em vigor desde o dia 1.º de julho e pode ser aplicada por fiscais municipais e estaduais da vigilância sanitária. Se essa lei fosse realmente eficaz, não estaríamos hoje às portas de uma provável segunda onda de covid-19. A realidade é que, se boa parte da população nunca teve interesse algum em cumpri-la, é porque essa lei de fato nunca foi levada muito a sério nem pelo próprio governo do Estado. Típico exemplo de lei demagógica sem efeito prático algum.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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ESTA TRISTE HUMANIDADE


Esperávamos, aos primeiros momentos da eclosão da pandemia, que, inobstante o sofrimento e, sobretudo, os óbitos, seria pelo menos uma instigação para profunda mudança dos valores interpessoais, tomando a solidariedade o lugar do instinto rude do egoísmo e das perfídias entre uma espécie desarmônica. Infelizmente, triste equívoco. Um médico de visão muito profunda disse-me que, nos primeiros instantes de formação, todos os fetos assumem uma forma de jacaré. E é dele que se deve ter medo. É o inconsciente de Jung, uma amplitude misteriosa e obscura, do qual nasce o consciente: a evolução deste serve para domar o instinto do jacaré. O que verificamos é o homem tornar-se mais agressivo com a pandemia. Algumas trupes de jovens dizem que irão a um “baile da covid”, por exemplo. A mudança de paradigmas só virá por muita educação formal e cultura, paralelas a mandamentos legais e suas penas capazes de aperfeiçoar as condutas dos seres tidos como inteligentes neste planeta.


Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

 

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