Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2020 | 03h00

Desgoverno e pandemia

Desastre anunciado

Nosso presidente não se responsabiliza por absolutamente nada e, invariavelmente, transfere a culpa por esse desgoverno a outros, preferencialmente a governadores e instituições, fugindo assim de sua obrigação de propor soluções para os problemas do País. Seus ministros são, na maioria, tão despreparados e incompetentes quanto o próprio. Além de tudo o mais, sujeitam-se aos caprichos desvairados do chefe, humilhando-se, como fez recentemente o ministro da Saúde. É evidente, desde o início da pandemia, a falta de preocupação escancarada, o desprezo pela saúde do brasileiro. E a população assiste, boquiaberta, ao descontrole de tudo o que diz respeito à vacinação contra a covid-19. Da compra à distribuição e aplicação, tudo é improvisado, amadorístico e influenciado politicamente. Infelizmente, o País segue, como locomotiva descontrolada, rumo ao desastre.

HELEO POHLMANN BRAGA

HELEO.BRAGA@HOTMAIL.COM

RIBEIRÃO PRETO


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Cadê a logística?

O comandante da Saúde, tido como especialista em logística, está enrolado na elaboração já tardia do vital plano logístico de aquisição e distribuição das vacinas contra o novo coronavírus, assim que estiverem disponíveis. Trata-se do mesmo general que tem muito a explicar sobre os milhões de testes de covid-19 que tiveram de ter a validade prorrogada às pressas para não serem jogados no lixo. Já pensaram nesse senhor em suas funções de origem, como responsável pela logística para fazer chegar a pólvora aos arcabuzes nacionais na guerra que seu chefe diz querer travar quando acabar a saliva?

RENZO GALUPPO

RENZO.GALUPPO@GMAIL.COM

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS


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Confusão

Não é de bom alvitre um general da ativa se expor como o atual ministro da Saúde. Confuso na geografia (“criou” o Estado de Porto Velho e comparou o inverno europeu ao do Norte e Nordeste do Brasil), ainda poderá ser responsabilizado pela falha de logística na distribuição de 7 milhões de testes da covid-19, com prejuízo de R$ 300 milhões para os cofres públicos. Ao tentar expor medidas da sua pasta e ao mesmo tempo agradar ao seu capitão, faz tanta lambança que mais confunde do que esclarece.

JORGE DE JESUS LONGATO

FINANCEIRO@CESTADECOMPRAS.COM.BR

MOGI-MIRIM


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Vazamento

A respeito da exposição criminosa de dados de saúde de mais de 200 milhões de pessoas, gostaria de saber a quem e como responsabilizar pelo vazamento, por defeito técnico de sistema do Ministério da Saúde. Por exemplo, podem o presidente da República ou o ministro da Saúde responder criminalmente pela falha? Ou eles não respondem por nada?

ADEMIR VALEZI

VALEZI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


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Fim da picada

Depois de quase um ano de pandemia é inacreditável que se esteja falando de falta de seringas para vacinação. Houve tempo de sobra para as autoridades encomendarem os 400 milhões de seringas necessárias para vacinar com duas doses os 200 milhões de brasileiros. Se ninguém nesse infeliz governo foi capaz de tomar essa providência elementar, e a vacinação atrasar por falta de seringas, os responsáveis deveriam responder por assassinato, pois cada dia de atraso representa mais 500 brasileiros mortos.

MÁRIO BARILÁ FILHO

MARIOBARILA@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO


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Corrupção

Mais um

Desta vez, é o notório Arthur Lira. Como se diz no interior, cada enxadada, uma minhoca.

GUTO PACHECO

JAM.PACHECO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


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Segunda instância

Na gaveta

É decepcionante o desempenho do Congresso. As pessoas de bem anseiam pela prisão dos malfeitores condenados em segunda instância, mas os deputados e senadores não estão nem aí. Rodrigo Maia, faz tempo, engavetou o projeto, nem mais sabe em que gaveta está. Uma falta de respeito, enquanto a bandidagem continua solta.

HUMBERTO SCHUWARTZ SOARES

HS-SOARES@UOL.COM.BR

VILA VELHA (ES)


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Em São Paulo

Subversão e direitos

O prefeito Bruno Covas pode ser um “subversivo dentro do PSDB” (Estado, 2/12) cancelando o PL 712, Projeto de Intervenção Urbana (PIU) do Setor Central, enviado à Câmara Municipal em 10/11 para, decerto, tentar aprovar ainda este ano. Esse enorme PIU, com área equivalente a 2.089 campos de futebol, abrange os distritos da Sé e da República inteiros, além de Bom Retiro, Santa Cecília, Brás, Belém e Pari, total ou parcialmente. O projeto de lei foi enviado ao Legislativo antes de completado, faltando audiência pública devolutiva reclamada pelo Ministério Público, depois marcada para 15/12, e ainda apresentando lacunas, identificadas em 30/11, nas legendas de seus mapas, tornando-os dúbios. Foi negada a inclusão de um arcabouço de proteção dos direitos de milhões de paulistanos que trabalham e frequentam a enorme região central ou ali moram – tema solicitado pelo Defenda São Paulo. Mas – pasmem! – essa questão dos direitos foi delegada pela Prefeitura a um Conselho Gestor do PIU, a ser formado por representantes da municipalidade e algumas entidades da sociedade civil. Esse conselho ficará encarregado de “cuidar”, decidir e dispor de direitos indisponíveis dos paulistanos! Urge que o prefeito – que se diz discípulo de seu avô Mário Covas e deveria, portanto, aplicar sua prática democrática – anule o abusivo PL já.

SUELY MANDELBAUM, urbanista

SUELY.M@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO


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Correção

No artigo O ‘cancelamento’ estatal e o Estado ‘lacrador’ (3/12, A2), onde se lê “o governo pode discriminar cidadãos pela opinião que emitam”, o correto é “o governo não pode discriminar cidadãos (...)”.



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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


NA AGENDA DO STF

Votação no Supremo Tribunal Federal (STF) hoje, 4/12/2020, sobre possibilidade de reeleição dos presidentes do Senado e, automaticamente, da Câmara dos Deputados, desrespeitando o artigo 57, parágrafo 4.º da Constituição federal, da qual o STF é guardião. Lembrando: o Senado, de acordo com a Lei 1.079/1950, é o órgão que pode pedir impeachment de ministros do STF por crimes de responsabilidade. E dia 19/12/2020: se o julgamento não ocorrer até esta data, há risco de prescrição da ação penal em que Lula é acusado de receber propina da Odebrecht de R$ 12 milhões pela compra do terreno para o Instituto Lula. Aberto em 2014, o processo está travado pelo ministro Ricardo Lewandowski. Vai ou não entrar na pauta, ou não terá quórum, ou alguém vai pedir vista?

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo


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JEITINHO

A reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP) para o comando da Câmara e do Senado, respectivamente, é proibida pelo artigo 57 da Constituição, mas a dupla luta nos bastidores para desrespeitar a Lei Maior do País. Será que o jeitinho brasileiro vai funcionar mais uma vez?

J. A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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REELEIÇÃO NAS MESAS DO CONGRESSO

O § 4.º do artigo 57 da Constituição federal dispõe: “Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões preparatórias, a partir de 1.º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição das respectivas Mesas, para mandato de dois anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente”. O esperto Davi Alcolumbre, uma zebra na eleição passada para a escolha da presidência do Senado, era um desconhecido e derrotou Renan Calheiros – mérito para ele, que já sabia da vedação constitucional. Encantou-se com o cargo e não quer largá-lo. Aí inventaram uma ação declaratória, tudo indica, para que o STF reconheça o impedimento. Na minha opinião, o STF deveria mandar arquivar a ação, dizendo que não há nada a interpretar, o texto constitucional é claríssimo e deve ser cumprido. Contudo, pelo que a imprensa vem divulgando, o ilustre ministro Gilmar Mendes, grande abridor de portas, vai se omitir e dizer que o assunto é interna corporis. Significa dizer que abrirá a porta para que o Congresso trate do assunto em seus Regimentos Internos, o que não exige o mesmo quórum exigido para modificar a Constituição. Isso contribuirá para que a malandragem vença. Lamentável e repugnante.

Antônio Dilson Pereira advdilson.pereira@gmail.com

Curitiba


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INCONSTITUCIONAL

O STF tem interferido em inúmeras causas que não lhe dizem respeito. Agora, por exemplo, os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado estão pedindo permissão para reeleição aos respectivos cargos, o que é absolutamente inconstitucional. Vão ceder a seus suspeitos interesses ou vai valer a Carta Magna?

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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GUARDIÃO DA LEI MAIOR

O STF é o guardião da Constituição! Se passar para o Congresso decidir a constitucionalidade da reeleição dos presidentes do Senado e da Câmara, perderá a serventia. E, portanto, poderá ser extinto. Simples assim.

Cecilia Centurion ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo


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A PANDEMIA BRASILEIRA

Não é somente a covid-19 que assola o brasileiro. Embora trágica, há esperança de que em breve ela será superada com a imunização. Entretanto, outra pandemia nos aniquila desde o descobrimento, e contra esta não há vacina à vista. Trata-se da falência da República do Brasil. O vírus dessa praga se propaga nos Três Poderes, solapando permanentemente nossa soberania. No Executivo, um presidente que desgoverna e desdenha da crise sanitária que o mundo inteiro vivencia. No Legislativo federal, seus integrantes travam uma batalha pela sucessão das respectivas presidências das Casas congressuais, enquanto projetos essenciais ao País empoeiram nas gavetas. Não bastasse esse desnecessário entrave, constata-se que um dos candidatos à sucessão, Arthur Lira, é um indivíduo sabido e consabido como envolvido e condenado em esquema de rachadinhas na Assembleia Legislativa de Alagoas, resultando no desvio – melhor dizendo, roubo – do total de R$ 254 milhões de dinheiro público. Se eleito, será o sucessor direto da Presidência da República, na ausência do atual. É de arrepiar. E o Judiciário? Ora, as digitais desse poder claramente contaminam negativamente a busca por justiça. No caso, embora o dinheiro seja público, o processo judicial corre em segredo de justiça! Impedido de se candidatar porque condenado por improbidade administrativa, Lira obteve uma liminar do então vice-presidente do Tribunal de Justiça (TJ) de Alagoas, elegendo-se deputado numa coligação envolvendo partidos grandes, médios e pequenos. Durante quatro anos o caso não chegou ao Superior Tribunal de Justiça, por faltar um despacho do presidente do TJ de Alagoas. Conclui-se que, para essa imorredoura pandemia, não há vacina à vista. Continuaremos a ter no mais alto posto da República um governante bisonho, uma Câmara tentando eleger indivíduo condenado e um Judiciário que, além de lento e soberbo, é também conivente com artimanhas que consagram o flagelo da pandemia brasileira.

Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto


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OS NOVOS TRAPALHÕES

O suposto ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, usou fake news para se posicionar contra o que todos os especialistas recomendam insistentemente. Para ele, as aglomerações, por exemplo, durante as eleições municipais não provocaram “aumento de contaminação” pela covid-19, apesar de os números de infectados estarem subindo diariamente em todo o País, há duas semanas. Sua conclusão foi: “Se isso não trouxe nenhum tipo de incremento ou aumento em contaminação, não podemos falar mais em lockdown nem nada”. “Nem nada” pode também se referir ao uso de máscaras e distanciamento social? Na mesma linha, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, ordenou, sem consultar os reitores, a retomada das aulas presenciais para instituições federais de ensino superior a partir de 4 de janeiro de 2021. Em face das duras críticas, voltou atrás. Agora, vai “abrir uma consulta pública para ouvir o mundo acadêmico”. Esses ministros agem de acordo com a orientação do presidente Jair Bolsonaro, que, não acreditando na ciência, acha que negar a existência da pandemia, além de tomar cloroquina e o vermífugo nitazoxanida, vai derrubá-la!

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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NA CONTRAMÃO

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, teve a cara de pau de dizer que, “como nada aconteceu nas aglomerações durante as eleições municipais, não há necessidade de manter a distancia social” – já quanto às aglomerações em praias e baladas, que aumentaram a contaminação, calou-se. Mas, ignorância à parte, o ministro negacionista deveria ouvir a classe médica, especialmente os infectologistas, e aguardar os 14 dias (de praxe) das eleições antes de dizer tamanha barbaridade. Afinal, sempre na contramão, nada de melhor poderia se esperar de um ministro que diz “um manda, o outro obedece”. Pobre povo brasileiro!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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MINISTRO DA COVID

O Ministro da Saúde continua sem saber o que fazer. Onde está a sua tão decantada especialidade sobre logística?

Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo


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CAMPANHA DE VACINAÇÃO

O Ministério da Saúde, capitaneado pelo às no planejamento logístico, sugere começar a vacinação pelos que ficam em casa. Os que se aglomeram no transporte público, por não terem alternativa, vão ficar para o final. Vacinados andando na rua diminuem a circulação do vírus e melhoram a economia. Vacinem quem tem de trabalhar.

Flávio Madureira Padula flvpadula@gmail.com

São Paulo


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DIA V

Dez meses após as primeiras notícias sobre o surgimento da covid-19, o dia 2 de dezembro de 2020 será registrado na história da humanidade como o Dia V, quando o Reino Unido anunciou oficialmente ser o primeiro país do Ocidente a aprovar a vacina da Pfizer/BioNTech. Viva!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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O ‘ESTADO LACRADOR’

O ‘cancelamento’ estatal e o Estado ‘lacrador’ (Estado, 3/12, A2), excelente abordagem de Eugênio Bucci a respeito da total “falta de respeito” de um “presidente” de fancaria & seus acólitos distópicos. Este capitão sem gravata e seu “governo” de extraterrestres, em tudo e por tudo, me lembram a série britânica Black Mirror. Ele começou a colocar as manguinhas de fora bem antes da avassaladora pandemia, e também a assustar os (muitos) que chegaram a pensar que ele era humano. Foi ganhando impulso e velocidade; agora, parece que não vai parar nem diminuir a velocidade. Bolsonaro e seu bolsonarismo são uma dupla que saltou dum avião sem paraquedas, carregando uma ogiva nuclear e seu detonador. Não se sabe ao certo o que acontecerá quando chegarem ao solo; mas há motivos consistentes para preocupações.

Nelson Sampaio Jr. n.sampaio@hotmail.com

Curitiba


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MÍDIAS ANTISSOCIAIS

No Estadão de ontem, o professor Bucci desenrola com maestria a atual situação das mídias ditas sociais, mas antissociais; no entanto, a origem ideológica do missivista tem um peso sobre sua redação, afinal, quem era diretor da EBC na gestão Lula deve ter muita coisa para contar.

Mauro Praça mlpraca@uol.com.br

São Paulo


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CORREÇÃO

Talvez eu tenha entendido errado... Mas me parece que, no excelente artigo O ‘cancelamento’ estatal e o Estado ‘lacrador’, do jornalista e professor Eugênio Bucci, publicado na página A2 da edição de ontem, 3/12/2020, de O Estado de S. Paulo, a frase correta seria: “Pela legislação ordinária e pelos princípios constitucionais, o governo não pode discriminar cidadãos pela opinião que emitam, mas, como o atual governo não liga para a lei, promove discriminações a toda hora”. A frase, que aparece pouco depois da metade do texto, foi publicada sem a palavra não, grifada por mim.

Sérgio Miranda Paz sergio.m.paz@gmail.com

São Paulo


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DESGOVERNO

Questão ao deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados do Brasil: agora que as eleições municipais mostraram de forma clara e irrefutável o que pensam os brasileiros, que tal pôr em andamento algumas das muitas proposições de impedimento do presidente da República que o senhor recebeu, antes que ele arruíne e desmoralize de vez o País? Além de incansavelmente procurar dividir o Brasil, está acabando com o combate à corrupção, subestima a pandemia e negligencia o combate a ela; da educação não se ouve falar; segurança está ruim; a economia vai capenga e administrativamente está mal, nem tendo orçamento para o ano que vem. Todas as suas ações visam à sua reeleição (não se sabe para quê), aos poucos procurando dominar o Congresso e o Judiciário (se conseguir, estamos fritos). As tão faladas reformas administrativa, do regime de impostos, do sistema político e outras são sucessivamente adiadas para depois das eleições, depois do Natal, depois do carnaval, depois da Páscoa e assim em diante. Propaga o presidente que o País tem a melhor legislação ambiental do mundo, mas não a aplica e, pelo contrário, estimula um vale-tudo ambiental, proibindo proibir e multar. Na Amazônia, tolera abate intenso da floresta, predatório e sem replantio, sem dizer em que o Brasil é beneficiado com a venda de toda essa madeira a preço de eucalipto. De tão desmatado o sul do Pará agora já faz parte da ex-Amazônia, tanto que a visita do vice-presidente à Amazônia, com os embaixadores, começou em Manaus. (Me faltam linhas para continuar, mas creio não ser preciso.)

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia


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‘É A POLÍTICA, ESTÚPIDO!’

Tal qual em 2018, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou as contas de 2019 do governador Wilson Witzel, ora afastado do governo por corrupção, contrariando o parecer do Tribunal de Contas, que, à luz de sete graves irregularidades, recomendou a rejeição das referidas contas. Daí, pergunto: vez que tal procedimento tem sido comum no Legislativo, para que servem as Cortes de Contas, vilipendiadas em sua principal missão constitucional, o exame das contas do Executivo? “É a política, estúpido!”, diriam os marqueteiros tupiniquins, e “que se danem o cidadão e a Constituição”, completariam os políticos, com ou sem partidos, unidos em causa própria por conveniência presente e futura. Atire a primeira pedra a Casa de Leis, de qualquer esfera, que tenha agasalhado integralmente os fundamentados pareceres técnicos do Tribunal de Contas, contrários à aprovação. E pensar que, de dois em dois anos, porque não rejeitaram (sabe-se lá a razão?) as contas do candidato político, tais Casas sempre são citadas como operosas instituições, idôneas, membros de uma confraria (des)respeito...

Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


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PARA QUE SERVEM?

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) é composto por sete conselheiros que fazem jus a níveis salariais que se situam entre os mais altos do serviço público. O órgão tem como uma das principais atribuições fiscalizar as contas públicas controladas pelo Executivo, podendo reprová-las através de parecer técnico anual correspondente. Foi o que ocorreu com as relativas ao ano de 2019, administradas pelo governo de Wilson Witzel, atualmente afastado, em processo de impeachment conduzido pela Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), por envolvimento em corrupção no uso de recursos públicos destinados à Saúde. A Comissão de Orçamento daquela Casa, no entanto, contrariando a resolução especializada, aprovou as referidas contas – decisão que deverá ser ratificada em plenário. Diante de tais fatos que explicitam a prevalência do aspecto político sobre o específico emitido por instituição competente encarregada de monitorar a correção dos gastos oficiais e supondo ser assim que a banda toca nas demais unidades da Federação, o contribuinte tem o direito de indagar: afinal, para que servem os TCEs?

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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DESCULPAS PELO ATRASO NA EDUCAÇÃO

As razões de a maioria das nossas escolas de primeiro grau serem ruins, propiciando um ensino básico de qualidade duvidosa, se devem à falta de visão de políticos como a que tem o ex-ministro e ex-senador da República Cristovam Buarque (Desculpas pelo atraso, Estado, 28/11, A2), que não aceitam o sistema federativo brasileiro e só planejam em escala nacional, ignorando as características de cada Estado e de cada município brasileiro. Nem sempre o que é bom para Brasília será bom para o Brasil. Ao governo federal cabe apenas o estabelecimento de metas a serem alcançadas na Educação, Saúde, Segurança etc. A execução das atividades para alcançar as metas é de responsabilidade dos Estados e seus municípios, respeitadas as particularidades econômicas e geográficas de cada um. O brasileiro vive nos municípios, que têm personalidade jurídica e administrativa e são as menores unidades autônomas da Federação. Em cada um existe um responsável pela estrutura educacional e pelo cumprimento de metas previstas; errando, terá de pedir desculpas diretamente aos munícipes e 5.570 cabeças que pensam e planejam melhor do que apenas uma.

Pedro Luiz Bicudo plbicudo@gmail.com

Piracicaba


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CRISTOVAM BUARQUE

O eminente professor Cristovam Buarque, que dispensa apresentação, honra os leitores do jornal com o artigo Desculpas pelo atraso. Emérito batalhador pela educação, foi ministro no governo Lula da Silva. Aquele governo, tão esperado, começara bem. Mas foi demitido, dada sua preocupação com essa área tão sensível e absolutamente essencial. Olhemos o que seria esta Nação se ele continuasse à frente desse Ministério. A educação é o principal dos esteios que sustentam a escadaria social. Ele sempre soube disso. Mas não interessa aos corruptos que surrupiam até a esperança de tão sofrido povo. Haja vista os “ministros” que temos tido. A sensatez de homens como este emérito professor tanta falta faz. Volte, mestre. Não desanime. Somos um triste povo que precisa de líderes.

Silvestre Gomes gomesilvestre@hotmail.com

Santos


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ALAVANCA PARA O FUTURO?

Sobre o editorial O agronegócio: alavanca para o futuro (3/12, A3), o Brasil não sairá do Terceiro Mundo vendendo boi vivo e soja em grãos. O País precisa fazer uma verdadeira revolução industrial no campo. O Brasil não deveria se contentar em ser apenas um grande vendedor de grãos, o País precisa aprender a agregar valor à sua gigantesca produção agropecuária. Não é possível o Brasil exportar café em grãos e importar café em cápsulas, não é possível exportar soja em grãos, o País tem de industrializar sua produção de soja. Não é possível o Brasil desmatar a Amazônia para criar gado e exportar boi vivo, é preciso mudar a pecuária brasileira para usar muito menos pasto e agregar muito mais valor à produção. Será que um criador de gado brasileiro sabe o valor do quilo do presunto cru produzido na Europa? Se soubesse, ele teria vergonha do estrago que está fazendo no País para ganhar uma mixaria vendendo boi vivo. O Brasil precisa fazer uma revolução industrial na sua gigantesca produção agropecuária. Além disso, o País precisa fazer uma outra revolução, no turismo: o País tem de trazer muito mais turismo internacional para lugares como o Pantanal, o Cerrado e a Amazônia, com a natureza preservada, claro. Quando tudo isso for feito, o Brasil será o país mais rico do mundo.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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PROMESSA DE CAMPANHA

Jair Bolsonaro prometeu facilitar o acesso às armas por todos os cidadãos. Realmente, considerando que bandidos também são cidadãos, vê-se pelos ataques em Criciúma e no Pará, com enorme quantidade de armamentos pesados e munição, que essa promessa está sendo cumprida com muita eficiência.

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo


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GOVERNADOR CORRETOR

O Patrimônio Histórico se curva à vontade do governador e rejeita o tombamento do Complexo Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, no Ibirapuera, abrindo campo para que seja entregue às empresas, para que a sua maior área construída se destine a construção de um shopping center. Qual a vantagem para a população paulistana e paulista, em transformar estádios públicos em conjuntos comerciais explorados por particulares? Nenhuma. Parece que o governador ignora a importância do esporte como um complemento importante para um corpo saudável. A garotada de hoje não conta mais com os antigos terrenos baldios, motivo pelo qual cabe ao poder público providenciar tais espaços à população. São importantes, não só para tirar a juventude de um ócio perigoso, como para diminuir o número assustador de obesos que sobrecarregam o nosso sistema de saúde. Quando prefeito, o governador também conseguiu a autorização para que um grupo de empresários transformasse o Estádio do Pacaembu num grande conjunto comercial, que só trouxe vantagens para a iniciativa privada. Inclusive em zona proibida, que é o caso daquele bairro. O Pacaembu era, principalmente, uma arena ao ar livre. Uma obra-prima do arquiteto Ramos de Azevedo. Com uma concha acústica, destinava-se, também, a espetáculos de arte, com orquestras sinfônicas, como ainda ocorrem nas capitais europeias. Paulo Maluf removeu a concha acústica, mas foi na época da ditadura. O governador se elegeu prefeito em São Paulo sob o lema de ser gestor. Contudo, entregando a terceiros equipamentos públicos, permitindo que sejam transformados em pontos de comércio, está me parecendo mais um corretor. O Ibirapuera, pelo seu potencial como polo esportivo, não pode virar mais um shopping, edifícios que abundam na cidade. Os únicos beneficiários desse projeto são os empresários carentes de terrenos livres na cidade. Essa decisão precisa ser Mais bem explicada, assim como a do Pacaembu.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

 

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