Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2020 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Estelionato terraplanista

Jair Bolsonaro elegeu-se com o discurso da “nova política”, renegando acordos entre Executivo e Legislativo garantidores da governabilidade. Mas o que representa a exoneração de Marcelo Álvaro Antônio do Ministério do Turismo senão o próprio “toma lá dá cá”? Trata-se de modus operandi praticado no País há longa data e consagrado pelos governos petistas de Lula da Silva e Dilma Rousseff. Com efeito, o presidente da República incorre novamente em descarado estelionato eleitoral. O mais aterrorizante para nós, brasileiros, contudo, não reside na desfaçatez bolsonarista. O real perigo dessa história consiste na possibilidade de o terraplanismo governista vir, de fato, a se estabelecer na agenda parlamentar. Na hipótese de o governo conseguir a presidência do Senado e, em especial, da Câmara dos Deputados, a agenda legislativa viverá nos próximos dois anos de agressões às normas ambientais, à boa diplomacia internacional, à responsabilidade fiscal e à redução das desigualdades sociais no nosso país.

ELIAS MENEZES

ELIAS.NATAL@HOTMAIL.COM

NEPOMUCENO (MG)

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Hebetismo

“A burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro brilhante”, dizia o ilustre brasileiro Roberto Campos. Já Santo Agostinho predicava: “Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem”. Pena o presidente da República (só até 2022) ser adepto daquela máxima de Roberto Campos.

RICARDO FIORAVANTE LORENZI

RICARDO.LORENZI@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Besteirol

Sugiro incluir na lista de besteirol esta manifestação de alta figura deste governo: “A aglomeração de pessoas não contribui para aumentar a quantidade de infectados pela covid-19, conforme ficou comprovado nas eleições municipais”. E, por isso, não seria justificável a necessidade de isolamento social... De fato, uma semana decorrida e houve incremento de “só” 32% nos casos detectados e também “apenas” 34% no número de mortes, conforme divulgado pela imprensa e pelo Ministério da Saúde. Parabéns pela belíssima visão daquela autoridade (especializada em logística?!).

ADIB HANNA

ADIB.HANNA@BOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Pipoqueiro

O general Eduardo Pazuello é tido como “especialista em logística”, mas a julgar pelo que tem feito seria arriscado entregar-lhe até o planejamento do itinerário de um carrinho de pipocas. Aliás, é tão descomedida a incompetência de certos militares que o capitão Bolsonaro “pendurou” em postos-chave do governo que cabe perguntar o que aprenderam na Academia das Agulhas Negras, além de viver à custa da “viúva”.

JOAQUIM FRANCISCO DE CARVALHO

JFDC35@UOL.COM.BR

RIO DE JANEIRO

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Armas

O Estado de ontem (A10) informa que o “governo” federal zerou a alíquota do imposto de importação de revólveres e pistolas. Vou ao supermercado e pago impostos da ordem de 27,26% sobre gêneros alimentícios e produtos de limpeza que compro. A quem interessa zerar o imposto sobre a importação de armas? O Congresso precisa barrar mais esse desatino antes que seja tarde e tenhamos milícias armadas apoiando esse “governo” e a instauração de um regime autoritário, que não queremos em nosso país.

STEFANO ADDEO NETO

STEFANOADDEONETO@GMAIL.COM

OSASCO

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Violência exponencial

A foto no Estado mostrando uma loja de armas prenuncia um aumento do poder de fogo dos cidadãos brasileiros. Com preços mais acessíveis, só falta facilitar a obtenção do porte de armas – uma das propostas do presidente Bolsonaro quando de sua campanha eleitoral. Os EUA são o exemplo a ser seguido e a meta do nosso presidente. Com a liberação e o uso indiscriminado de armas virão, por semelhança, os massacres que acontecem frequentemente nas escolas americanas, onde estudantes matam colegas, deixando uma marca de terror na sociedade. Enquanto os órgãos de segurança lutam para conter e limitar o aumento da marginalidade, reduzindo o seu poder de fogo, vêm essas medidas que boicotam tais iniciativas!

MIGUEL GROSS

MGROSS509@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Defesa pessoal

Eu também quero e exijo o direito de andar armado. Armado para proteger meu patrimônio pessoal essencial, fundamental para todo ser humano: a vida. Quero estar armado contra o coronavírus, contra a fome, contra os males do corpo e da mente. Aliás, esse que é chamado de chefe da Nação bem que poderia posar empunhando uma seringa de vacina.

FRANCISCO J. A. MENIN

FJAMENIN@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Pandemia

Vacina

O Brasil vai enfrentar um grande desafio em 2021. Será preciso vacinar 212 milhões de pessoas com um mínimo de duas doses. Portanto, serão necessárias 424 milhões de vacinas e de seringas. Algumas vacinas necessitam ficar refrigeradas a -70 graus, enquanto outras podem ser armazenadas entre 2 e 8 graus. Terminada a fase 3 de testes, entra a fase 4, de produção e aplicação das vacinas que forem seguras e eficazes. Entretanto, o período de imunização ainda é incerto. Estudos da Oxford apontam a possibilidade de reinfecção do novo coronavírus após um ano. Nesse caso, estaríamos numa situação como a da gripe, com a necessidade de vacinação anual.

LUIZ ROBERTO DA COSTA JR.

LRCOSTAJR@UOL.COM.BR

CAMPINAS

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Em São Paulo

Cracolândia

Parabéns pelo brilhante editorial Cracolândia, uma chaga aberta (10/12, A3). Os paulistanos não aguentam mais essa situação. Está insuportável!

SIDNEY CANTILENA

SIDNEYCANTILENA@BOL.COM.BR

SÃO PAULO



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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


TEMOS GOVERNO?

Li no site do Estado que o Ministério da Educação autorizou aulas virtuais até o fim da pandemia. Ora, isso já está acontecendo há meses! O sr. Milton Ribeiro, aquele dos homossexuais oriundos de famílias desajustadas, disse que as aulas teriam de ser presenciais. Foram ordens do glorioso “chefe”? O “ministro” da Saúde disse que não haverá vacina, e agora se desdiz e afirma que haverá, sim, e ainda neste ano. Enquanto isso, nosso “presidente” Tânato continua na sua cruzada para armar a população. Será que elle soube da morte das meninas de 4 e 7 anos na porta de sua casa na Cidade Maravilhosa? Ou a morte dos outros não importa (lembrando que já são mais de 179 mil mortes por causa da covid-19)? É isso que merece prioridade?! Durma-se com um barulho ensurdecedor desse. Pior que isso, só a indicação do ladrão Arthur Lira para a presidência da Câmara dos Deputados. Quanto será que ele pretende faturar com essa possível boquinha ? Faturamento ocorre quando há produtos, serviços, etc., a não ser que a corrupção passou a ser considerada também.

Renato Amaral Camargo natuscamargo@yahoo.com.br

São Paulo

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PATÉTICO

O pronunciamento do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, após reunião com os governadores foi patético. Primeiro, disse que, para o enfrentamento da pandemia de covid-19, o governo federal tem se pautado pela ciência. Mentira deslavada! Seu chefe, Jair Bolsonaro, não somente zomba da pandemia, como sempre foi contra medidas preventivas como o isolamento social, e ainda chama o coronavírus de “gripezinha”. Sobre a compra das vacinas, disse o ministro que, se houver demanda, o governo compra. Ora, 210 milhões de brasileiros estão angustiados porque o governo Bolsonaro até aqui não foi capaz de comprar vacinas suficientes para imunizar a população. E, por questões políticas – já que despreza as humanitárias –, Bolsonaro não deseja adquirir a vacina chinesa Coronavac, que tem parceria com o Instituto Butantan. Com os testes finalizados, São Paulo, deve pedir até o próximo dia 15 autorização emergencial à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e planeja vacinar a sua população a partir de 25 de janeiro de 2021. Entre tantas outras falácias, Pazuello disse que cabe ao Ministério da Saúde imunizar a população. Seria correto, se o ministério tivesse comando, planejamento e interesse em servir o povo brasileiro. Infelizmente, o ministro tem se prestado unicamente a seguir as ordens esquizofrênicas de Jair Bolsonaro. Devemos reconhecer, ao fim, que o governador João Doria, na reunião com o ministro, ao confrontar duramente o governo sobre por que não deseja comprar a vacina Coronavac, prestou um grande serviço à Nação. E o Planalto, atordoado, tenta sair das cordas vergonhosas em que se meteu.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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IMBECILIDADE

Além de desqualificado para atuar como ministro da Saúde, Pazuello se mete a psicólogo/antropólogo e revela desqualificação, mais uma vez. Diante dos enlutados por esta trágica pandemia, diz: “Erguer a cabeça, dar a volta por cima é um padrão brasileiro”. Ah, Pazuello, que bobagem, que insensibilidade à moda de seu chefe! Os que ainda não tiveram a vida ceifada são meros sobreviventes, e temporários, não sabemos... Amanhã, neste mesmo horário, vou ler que mais de 800 vidas se foram para sempre, em 24 horas.

Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo

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A APROVAÇÃO DA ANVISA

A Lei Federal n.º 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, regulamenta no território nacional as medidas para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus. Como reza seu art. 1.º, §1.º, “as medidas estabelecidas nesta lei objetivam à proteção da coletividade”. Em verdade, a Lei Federal n.º 13.979/2020 é mais um dos muitos instrumentos normativos a assegurar a plena vigência e efetividade prática do comando constitucional insculpido no art. 196 da Constituição federal de 1988, que proclama que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Assim, para muito além da presunção de regulamentar solitariamente a questão do coronavírus, esta lei soma esforços na promoção, proteção e recuperação da saúde de todos os brasileiros. O art. 3.º, caput, da Lei Federal n.º 13.979/2020, ao fazer uso da expressão “entre outras [medidas]”, deixa expressamente claro que as medidas que as autoridades públicas poderão adotar, no âmbito de suas competências, para enfrentamento do coronavírus não esbarram num rol taxativo. E nem poderia ser diferente, sob pena de padecer do vício de manifesta inconstitucionalidade material ao limitar através de lei ordinária ações e serviços públicos de saúde para tratamento da doença em franca cisão entre Estado e Ciência. O Parlamento sabe muito, pode muito, mas o campo de desenvolvimento da Ciência é infinito e sempre deterá posição de vanguarda. O art. 3.º, Inciso III, “e”, da Lei Federal n.º 13.979/2020, por si só, já seria suficiente para assegurar uso da vacina contra o coronavírus sem aprovação da Anvisa, ao prescrever que para enfrentamento da pandemia o agente público poderá adotar “tratamentos médicos específicos”. Tratamentos médicos específicos, inclusive tratamento médico consistente em vacinação. A lei não diz “tratamentos médicos específicos, com exceção da prescrição médica de vacinação”. Ora, enxurradas de liminares são concedidas ao dia pelo Poder Judiciário com base em detalhados laudos médicos para promoção da vida e saúde de pacientes, inclusive determinando vacinação de pessoas doentes. É mesmo necessário dizer que tratamento médico específico visando à promoção, proteção e recuperação da saúde é ditado pela Medicina em geral e seus profissionais? O art. 196 da Constituição não permitiria uma interpretação restritiva deste inciso. Por essa razão o §7.º-B, do art. 3.º da Lei Federal n.º 13.979/2020 reza que o médico que prescrever ou ministrar medicamento cuja importação ou distribuição tenha sido autorizada na forma do inciso VIII do caput deste artigo deverá informar ao paciente ou ao seu representante legal “que o produto ainda não tem registro na Anvisa e foi liberado por ter sido registrado por autoridade sanitária estrangeira”. Aliás, o próprio Supremo Tribunal Federal muito antes da pandemia do coronavírus já havia decidido em sede de Repercussão Geral (Tema 500) que é possível a concessão judicial de medicamento sem registro sanitário, em caso de mora irrazoável da Anvisa em apreciar o pedido (prazo superior ao previsto na Lei n.º 13.411/2016), quando preenchidos três requisitos: 1) a existência de pedido de registro do medicamento no Brasil (salvo no caso de medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras); 2) a existência de registro do medicamento em renomadas agências de regulação no exterior; e 3) a inexistência de substituto terapêutico com registro no Brasil. Mas o art. 3.º, inciso VIII, da Lei Federal n.º 13.979/2020, com a sua redação alterada pela Lei Federal n.º 14.006, de 28 de maio de 2020, preciso e cirúrgico, naufraga qualquer óbice à vacinação contra o coronavírus sem a aprovação da Anvisa. Vejamos: “Art. 3.º, VIII – autorização excepcional e temporária para a importação e distribuição de quaisquer materiais, medicamentos, equipamentos e insumos da área de saúde sujeitos à vigilância sanitária sem registro na Anvisa considerados essenciais para auxiliar no combate à pandemia do Coronavírus, desde que:   (Redação dada pela Lei nº 14.006, de 2020) a) registrados por pelo menos 1 (uma) das seguintes autoridades sanitárias estrangeiras e autorizados à distribuição comercial em seus respectivos países:   (Redação dada pela Lei nº 14.006, de 2020). 1.  Food and Drug Administration (FDA); (Incluído pela Lei nº 14.006, de 2020). 2.  European Medicines Agency (EMA); (Incluído pela Lei nº 14.006, de 2020). 3.  Pharmaceuticals and Medical Devices Agency (PMDA); (Incluído pela Lei nº 14.006, de 2020). 4.  National Medical Products Administration (NMPA); (Incluído pela Lei nº 14.006, de 2020)”. Aqui, nenhum esforço hermenêutico é capaz de afastar o uso de vacina sem aprovação da Anvisa, a não ser a sua própria ineficácia e/ou falta de segurança cientificamente demonstradas. Mas aí o impedimento não residirá na ausência do registro sanitário, mas no mérito científico de sua ineficiência e insegurança, mesmo a par da chancela de autoridades sanitárias estrangeiras (questão de soberania nacional). Uma vez demonstrada a eficácia e segurança da vacina, atendido o pleito legal do art. 3.º, VIII, da Lei Federal n.º 13.979/2020, com a sua redação alterada pela Lei Federal n.º 14.006, de 28 de maio de 2020, não existirá campo discricionário ao agente público para decidir sobre vacinar ou não vacinar. Deverá vacinar a população, independentemente do registro sanitário na Anvisa. O §7.º-A do art. 3.º da Lei Federal n.º 13.979/2020 prevê que a autorização deverá ser concedida pela Anvisa em até 72 (setenta e duas) horas após a submissão do pedido à agência, dispensada a autorização de qualquer outro órgão da administração pública direta ou indireta para os produtos que especifica o inciso VIII, sendo concedida automaticamente caso esgotado o prazo sem manifestação. Por fim, cabe salientar que há parecer da Procuradoria Geral da República (PGR) no Supremo Tribunal Federal, na ADI 6.586, opinando pela competência da União para definir sobre a obrigatoriedade ou não da vacinação, podendo os Estados determinar a vacinação obrigatória levando em conta a realidade local ou caso o Ministério da Saúde não atue para garantir a imunização da população de acordo com critérios técnicos e científicos adequados. Extrai-se do sítio eletrônico da PGR (25/11/2020): “Em caso de manifesta inação do órgão federal em face de cenário de calamidade pública ocasionado por epidemia viral sem precedentes, ‘poderão os Estados-membros estabelecer a obrigatoriedade da imunização como forma de melhor realizar o direito fundamental à saúde’. Nesses casos, o PGR sustenta que, para tornar obrigatória a vacinação em seus territórios, os Estados devem demonstrar que os fundamentos adotados pelo Ministério da Saúde não atendem à realidade do Estado”. O julgamento virtual da ADI 6.586 está agendado para hoje (11/12/2020), para solução da questão da compulsoriedade e competência da vacinação contra o coronavírus. O Tema Repetitivo n.º 500, o art. 196 da Constituição e o art. 3.º, VIII, da Lei Federal n.º 13.979/2020 dão um indicativo de que a Corte Constitucional deverá garantir o uso de vacina independentemente do registro na Anvisa. Quanto à questão da competência e compulsoriedade da vacinação contra o coronavírus, resta mesmo aguardar o julgamento à luz do art. 23, inciso II e art. 196 da Constituição.

Carlos E. Rios do Amaral contato.eduardoamaral@gmail.com

Vitória

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MACHOS

Senhor presidente, eu não receio uma vacina aprovada por outros órgãos internacionais reconhecidos e que ainda não tenha sido aprovada pela Anvisa. Como V.Exa. gosta da expressão, eu a repito: “Sou macho também e não tenho medo”. E, como V.Exa. demonstrou tanto temor num atentado na posse, eu, como “macho”, também tenho temor pela morte pelo vírus. Cada macho com seus temores. Um teme a bala covarde. Outros temem uma invisível gotícula no ar.

Jose Rubens de Macedo Soares joserubensms@gmail.com

São Paulo

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VACINA POLITIZADA

É lamentável o que temos assistido em relação à paternidade da vacina contra a covid-19 no Brasil. Quem não quer ser pai de um filho bonito? Chegou a hora de acabar com as vaidades de certos políticos, o Ministério da Saúde deve dizer de uma vez por todas quando irá começar a vacinação no País. Esta história não tem mocinho, todos querem se colocar como pai da criança e salvador da Pátria. O fato é o que um mal invisível ameaça acabar com milhões de vidas no planeta, e enquanto comandantes discutem uma maneira de impedir uma calamidade por meio de uma substância química, a disputa pelo poder pode acabar com a esperança de salvar vidas. Escrito dessa maneira, até poderia ser roteiro de filme de ficção científica, mas é a realidade do planeta agora. Em pleno século 21, quatro séculos depois da invenção da primeira vacina no mundo, os seres humanos estão sofrendo com o coronavírus, que já matou 1,5 milhão de pessoas no mundo, quase 180 mil só no Brasil. A vacina é o caminho mais curto para acabar com a doença, que se espalha rapidamente e que não só mata, como deixa sequelas para toda a vida na pessoa. O tempo é, daqui para a frente, o principal inimigo. A vacina produzida em menos tempo, a da caxumba, demorou cerca de quatro anos para chegar à população, em 1948. Por sorte, com o progresso da ciência, ao que tudo indica teremos uma vacina no modo express, como a que já começou a ser aplicada no dia 8/12 no Reino Unido, onde serão oferecidas cerca de 800 mil doses na primeira semana de vacinação, cerca de um ano depois dos primeiros registros oficiais do coronavírus no mundo. Tudo caminhando para um final feliz. Porém aqui, no Brasil, a coisa anda em passos de tartaruga e, para piorar, está mais que politizada, o que é lamentável e deprimente.

Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul

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A VACINA NO MUNDO

Invejo um país organizado. E invejo países que estejam adotando o óbvio, ou seja, conceder aprovação para vacinas já examinadas e liberadas por órgãos conceituados internacionais e semelhantes à nossa Anvisa. E pensar que o primeiro homem vacinado no Reino Unido chama-se William Shakespeare. No Brasil, teríamos de homenagear pessoas com o nome de Antonio Bivar, Aldir Blanc ou Sérgio Sant’Anna, que morreram de covid-19. Mas, se continuar esta politização quanto às vacinas, temo que até estes podem deixar de existir, incluindo os Jorge Amado, Gilberto Freyre e outros.

Jose Rubens de Macedo Soares joserubensms@gmail.com.br

São Paulo

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TEMPO PERDIDO

Ouvi a entrevista do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, dada à rádio Jovem Pan ontem (10/12). Seria pertinente, se fosse feita no mês de maio. É muita irresponsabilidade!

Luiz Frid    luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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O BRASIL E A GUERRA

Melhor editorial dos últimos tempos, Um país no purgatório (10/12, A3) demonstra, com clareza, as omissões e falhas do Ministério da Saúde, sob a direção do general Eduardo Pazuello, especialista em logística. Bom, ainda bem que o Brasil não está enfrentando uma guerra, porque a logística do ministro general certamente não iria funcionar: perderíamos, como estamos a perder as batalhas contra a covid-19, em ações inoportunas ou tardias do Ministério da Saúde. Talvez o general, lendo as considerações deste periódico, resolva direcionar melhor sua atenção aos problemas do vírus, não contando doravante com as ingerências sempre inoportunas de Jair Messias Bolsonaro. O tempo dirá mais.

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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‘UM PAÍS NO PURGATÓRIO’

Mais outra “tragédia anunciada” que este trágico “governo” de, salvo raríssimas exceções, imbecis & fantoches vem (com inusitada competência) ensaiando desde que botaram seu bloco na rua em 2019, e não querem mais deixar a Marquês de Sapucaí. O espantoso, para os que vêm acompanhando com “olhar de estrangeiro” o desfile desta escola de samba e seu mestre-sala messias, é a imobilidade da atônita plateia que vê e ouve a evolução deste Samba do Crioulo Doido. Parece uma situação tipicamente kafkiana. Nada faz sentido lógico nem emocional. É um novo tipo de tragédia; talvez, se pudesse nomeá-la de “tragédia tupiniquim” (sem desmerecer os aborígenes daqui), pois deixa estupefatos até mesmo os já acostumados ao nonsense macunaímico. E, dia após dia, este trágico espetáculo circense vem ocupando – ad nauseam – manchetes, olhos, ouvidos e mentes (dos que os têm). A sensação é a de que entramos no mesmo instante num túnel do tempo cósmico e num labirinto de horrores, porém grande parte das pessoas não se dá conta da real situação distópica. E, especialmente, não se juntam as partes ao bicho; talvez nem tenham noção de que tudo o que se faz – ou acontece mesmo sem qualquer interferência humana – inevitavelmente gera consequências. A ver. A sentir. A evitar? Ou a chorar?

Nelson Sampaio Jr. n.sampaio@hotmail.com

Curitiba

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LOGÍSTICA & INEXORABILIDADE

Porta-voz de Bolsonaro, o general Eduardo Pazuello tornará dispensável a vacinação. A cada “explicação” sua, milhões de vírus morrem de rir. Como dano colateral, já morreram também milhares de brasileiros. Mas isso não é problema dele, do Ministério da Saúde e muito menos do chefe Bolsonaro. Aliás, o próprio já se isentou de qualquer responsabilidade com o “vamos todos morrer um dia”.

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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ADEUS

O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem que a pandemia da covid-19 no Brasil está acabando. Claro, senhor presidente, com a pandemia os brasileiros “estão acabando”...

Cláudio Moschella claudiomoschellaarquiteto@gamil.com

São Paulo

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CÉU DE BRIGADEIRO

O presidente Bolsonaro disse que aqui, no Brasil, a pandemia do coronavírus está no finalzinho e que a economia brasileira foi a que melhor reagiu nesta crise. Na minha opinião, Bolsonaro está vivendo no mundo da lua.

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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BEM NA FOTO?

Desde a questão da decisão sobre o valor do auxílio emergencial e até agora com a decisão sobre a data provável do início da vacinação contra a covid-19, o governo Bolsonaro pratica a política do quem sai melhor na foto, voltando atrás em várias decisões de modo pusilânime e politicamente mesquinho, em que o interesse nacional importa menos que os ganhos políticos. Repetindo o ocorrido com a segunda eleição da ex-presidente Dilma Rousseff, a eleição do presidente Bolsonaro caracterizou-se por um verdadeiro estelionato eleitoral, pois característica da política nacional é a falta de compromisso com a palavra dada em campanhas eleitorais, bem como a falta de mecanismos políticos que facultem aos eleitores um recall daqueles eleitos que se elegem aproveitando a facilidade com que as palavras vãs e mentirosas albergam, de modo leviano e covarde, o conceito tão nobre e tão valoroso da democracia.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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SANHA DE MORTE

Com a sua ignorância negacionista acerca da covid-19, uma “gripezinha”, Bolsonaro é o responsável direto pela morte de mais de 150 mil pessoas, mas ele não para por aí, pois a sua sanha de morte continua a topo vapor: agora ele zerou o imposto de importação de revólveres e pistolas.

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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ARMAS

O governo federal vai zerar a alíquota de 20% na importação de armas, a partir do próximo dia 1.º de janeiro. Pistolas e revólveres podem ser comprados mais barato em 2021. Uma ampla maioria dos eleitores tem se manifestado contra a liberação de armas para a sociedade, como tem sido autorizado por diversas portarias. Entretanto, houve vitória do direito de comprar e portar armas no referendo de 2005. Portanto, o presidente da República está apenas cumprindo a vontade da maioria dos eleitores que, agora, mudou de lado em recentes pesquisas de opinião e ficou contra aquilo que havia sido decidido em consulta popular. Pelo menos, tenho a consciência tranquila de ter votado contra as armas e continuo apoiando novo referendo sobre o assunto.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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ARMANDO AS MILÍCIAS

Para facilitar a permanência no poder, sem ter de enfrentar novas eleições, nada melhor do que armar as milícias furiosas, facilitando a compra de armas pesadas e agora isentas de impostos. Em vez de vacinas e seringas para a população, comprar armas para a claque de fanáticos antidemocratas. Cada povo tem o governo que merece.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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IGNORANTES ARMADOS

Se depender da visão do presidente Bolsonaro, em breve o Brasil será uma nação de ignorantes armados. Jair Bolsonaro fomenta a ignorância ao aumentar os impostos sobre livros, ao mesmo tempo que sonha com o povo armado até os dentes, com armas importadas e munição que não pode ser rastreada. Incapaz de elaborar um raciocínio simplório sobre qualquer assunto, Bolsonaro só confia na força das armas para resolver qualquer conflito. Quando o impeachment vier, Bolsonaro não irá se defender no plenário, vai reagir à bala, e conta com as Forças Armadas e o povo armado nas ruas para defendê-lo. Bolsonaro já chegou a dizer que pretendia fechar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) e restabelecer a ditadura militar, com ele como líder supremo. O caminho dele para alcançar o poder é o mesmo usado por outros ditadores, como Hugo Chávez e seu sucessor, Nicolás Maduro. Uma vez alcançado o poder, basta se manter lá para sempre através de eleições fraudadas, o que explica a obsessão de Bolsonaro em acabar com a urna eletrônica e retomar o voto de papel. O mundo civilizado espera que o Brasil acorde e dê um basta nas sandices do capitão psicótico.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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A MORTE MAIS BARATA

“A Camex editou resolução zerando a alíquota do Imposto de Importação de Armas (revólveres e pistolas). A medida entra em vigor no dia 1.º de janeiro de 2021” (sic @jairbolsonaro). Vamos relembrar o que Jair Messias Bolsonaro, presidente desta infeliz República, disse na reunião ministerial do dia 22 de abril de 2020: “Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme! Que é a garantia que não vai um filho da puta aparecer pra impor uma ditadura aqui! Que é fácil impor uma ditadura! Facílimo! Um bosta de um prefeito faz uma bosta de um decreto, algema, e deixa todo mundo dentro de casa. Se estivesse armado, ia para a rua”. “E se eu fosse ditador, né? Eu queria desarmar a população, como todos fizeram no passado quando queriam, antes de impor a sua respectiva ditadura. Aí, que é a demonstração nossa, eu peço ao Fernando e ao Moro que, por favor, assinem essa portaria hoje e que eu quero dar um puta de um recado pra esses bosta! Por que que eu tô armando o povo? Porque eu não quero uma ditadura! E não dá pra segurar mais! Não é? Não dá pra segurar mais”. Missão cumprida! A morte se tornou mais barata mesmo sem ditadura.

Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião

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JOSEPH SAFRA

Com pesar, recebemos a notícia do falecimento do senhor Joseph Safra. Como banqueiro, construiu um dos maiores bancos do País e ajudou a financiar etapas importantes do nosso desenvolvimento econômico. Seu legado transborda o mercado financeiro na capacidade de aliar e realmente viver, no seu dia a dia, a visão de um negócio bem-sucedido e uma profunda responsabilidade social. Seu José foi um dos primeiros e grandes filantropos do Brasil e nos mostrou que esses valores são complementares e fazem a diferença na história das empresas e das pessoas. Neste momento de luto, nossa solidariedade. À família, nosso fraterno abraço de conforto. Aos colegas do Safra e inúmeros amigos, a certeza de que sua trajetória e legado perduram.

Gilson Finkelsztain, presidente da B3 imprensa@b3.com.br

São Paulo


 

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