Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2020 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Mais um fracasso

Lamentável que o Brasil tenha caído cinco posições no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no primeiro ano de governo de Jair Bolsonaro. Passamos do 79.º para o 84.º lugar, posição absolutamente vergonhosa, humilhante, que escancara as mazelas sociais, a injustiça e a desigualdade que imperam no Brasil. Além do evidente retrocesso, isso significa que estamos atrás de países como Peru, Colômbia, Panamá, Bahamas e Arábia Saudita. A queda de “apenas” cinco posições se deve ao fato de ter sido medido somente o primeiro ano sob Bolsonaro. Vamos despencar no IDH e em qualquer outro ranking ou índice mundial de desenvolvimento humano e qualidade de vida. Parabéns aos responsáveis por mais esse fracasso.

RENATO KHAIR

RENATOKHAIR@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Cada vez pior

A vida dos brasileiros está muito difícil. A inflação oficial está em 4%, enquanto o IGP-M, que reajusta, por exemplo, aluguéis, TV a cabo, internet, etc., passa de 20%. Você vai ao supermercado e cada vez compra menos. Minha conta de luz subiu mais de 50% em relação a outubro. E daqui a pouco os beneficiários do Bolsa Família vão ter de pagar Imposto de Renda. Enquanto isso, o presidente pega seu brinquedinho, o jato presidencial, e queima querosene para inaugurar um relógio em São Paulo que existe há 51 anos. Até quando vamos aguentar?

MAURÍCIO LIMA

MAPELI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Reinauguração de relógio

Ao reinaugurar o relógio da Ceagesp, quem sabe o presidente Bolsonaro se tenha dado conta de que já estamos em dezembro e ainda não foram aprovadas a reforma tributária, a reforma administrativa e a Lei Orçamentária Anual. Também não produziu um plano coerente de vacinação da população brasileira. Haja perda de tempo!

ALROGER LUIZ GOMES

ALROGER-GOMES@UOL.COM.BR

COTIA

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Agenda na Ceagesp

Não se sabe quantos afazeres tem uma pessoa desocupada...

GUTO PACHECO

JAM.PACHECO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Pandemia

Realismo mágico

Bolsonaro quer exigir que as pessoas assinem um termo de responsabilidade ao tomar vacina, para que o governo federal não se responsabilize por efeitos colaterais. Faz jus ao troféu Odorico Paraguaçu de ideia mais “criativa” do ano. A realidade brasileira supera a ficção, nem o alienista de Machado de Assis conseguiu tal proeza, pois todos são soltos e o médico se interna no final. Resta esperar o realismo mágico de Incidente em Antares, de Érico Verissimo, quando os mortos cobrarem os vivos no coreto da praça.

LUIZ ROBERTO DA COSTA JR.

LRCOSTAJR@UOL.COM.BR

CAMPINAS

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Descaso com a covid

Não há plano de vacinação coerente (15/12, A3) porque nunca houve desejo de resolver os problemas do País, o interesse de Bolsonaro é exclusivamente a sua família. O soldado posto no Ministério da Saúde faz esse jogo ao não permitir a manifestação de pesquisadores em coletiva. O negacionismo como fundamento e o autoritarismo como política estão nos levando a muito mais mortes e isolamento no mundo. Sei que vou despertar a ira de Tunéscio, o hater bolsonarista, mas quiçá ele consiga um dia reconhecer o criminoso que cegamente apoia.

ADILSON ROBERTO GONÇALVES

PRODOMOARG@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Xeque-mate

Na ótima coluna Podemos contar com a Coronavac? (15/12, A15), Fernando Reinach expõe três alternativas para o atraso na divulgação da Coronavac. Acho que o governador João Doria usou estratégia do xadrez e deu xeque-mate no governo federal. Ele já sabe que a vacina não tem como ser reprovada pela Anvisa. O rei está morto.

MANUEL PIRES MONTEIRO

MANUEL.PIRES1954@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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De vacinas

Tão ou mais importantes que a vacina contra a covid-19 são as vacinas contra a corrupção e a burrice. A primeira deveria ser administrada preferencialmente a certos políticos e a segunda, a seus eleitores. São os grupos mais suscetíveis a essas moléstias, os últimos por serem tolerantes com aqueles. Outros países já desenvolveram essas vacinas, com eficácia variável, porém satisfatória. Poderíamos importá-las ou desenvolver as nossas próprias. Mas é uma lástima que o governo federal não acredite em vacinas.

ELY WEINSTEIN

ELYW@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Educação

Fundeb

É com indignação que se recebe a notícia de que o Projeto de Lei 4.372/2020 foi aprovado na Câmara dos Deputados. Como o próximo passo é a votação no Senado, peço encarecidamente aos senadores que suprimam o repasse de dinheiro público a instituições privadas – previsto nas alíneas e) e f) do inciso I e no inciso II, ambos do § 3.º do artigo 7.º, e no inciso II do artigo 26 do projeto –, o que sucatearia ainda mais nossa educação pública. É inadmissível, além de inconstitucional, financiar com dinheiro que pertence ao povo a educação privada, que tem meios para se custear.

MAURO DE LUCCA

MAURODELUCCA79@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Insegurança pública

Crime organizado

O editorial Estado do crime (13/12, A3) aborda com propriedade um dos maiores problemas de segurança do País. Como sabido, a mais temida milícia do Rio de Janeiro conta com membros de uma polícia especializada criada justamente para combater com eficiência o crime organizado. A eficiência esperada no combate ao crime agora está a serviço da bandidagem, com ramificações na estrutura do Estado. E há suspeitas de já estar infiltrada até nos escalões superiores da República.

JOSÉ ELIAS LAIER

JOSEELIASLAIER@GMAIL.COM

SÃO CARLOS

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


CORONAVAC

É preocupante, para dizer o mínimo, o adiamento da entrega dos resultados da Coronavac à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pelo Instituto Butantan. Principalmente se considerarmos que até o momento nenhum resultado preliminar oficial sobre a eficácia da vacina foi divulgado, afora algumas incursões meramente propagandistas do governador João Doria. Ou seja, existe a possibilidade de a Coronavac não atingir resultados mínimos que possibilitem sua aplicação. Caso isso ocorra, se o governador tiver um plano B e não quiser divulgá-lo ainda, tudo bem. Mas é bom que de fato o tenha.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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TRANSPARÊNCIA

No Fórum dos Leitores de ontem (15/12, A3) do Estado, deparei-me com uma crítica à coluna escrita por J. R. Guzzo no domingo, Guerra grosseira, na qual não há defesa nem ataques para pessoas que bilateralmente transformam a nossa campanha de vacinação  realmente numa discussão chula e somente almejando ganhos políticos. Pois bem, também ontem (A15), em brilhante artigo, Podemos contar com a Coronavac?, Fernando Reinach, em didática explanação, expõe dúvidas totalmente pertinentes. A entrega dos dados da fase 3 de testes desta vacina foi adiada por várias vezes: 20/10, 24/11, 15/12 e, agora, 23/12, o que coloca como falta de transparência. Segundo o articulista, pessoa estudiosa e preparada, 170 casos confirmados, número suficiente, acima dos 151 exigidos, já seriam suficientes para considerar o estudo terminado. Porém a não divulgação de dados é no mínimo estranha. No domingo, em artigo sobre a vacina Pfizer, mostrou esperança e elogiou a metodologia. E a Coronavac? Faz três importantes reflexões. Primeira, que o estudo teve falhas em sua execução e até o momento com resultados inconclusivos. O nosso prestigiado e respeitado Instituto Butantan nunca realizou um estudo dessa importância em tempo tão curto, indesculpável não sermos informados. Segundo, seria que a vacina tem baixa eficácia e, se for este o caso, seria um crime a não divulgação dos dados. É uma realidade científica que não vai ser mudada por opiniões políticas e também irresponsabilidade de um governo um plano de vacinação com provável baixa eficácia. Terceiro, que o Butantan já sabe que a vacina é eficaz, sendo sonegada esta informação por ganhos políticos. Sendo este o caso, seria o jogo mais sujo político que se possa imaginar. Em todos os sentidos, os cientistas do Butantan, que têm alto reconhecimento científico, uma referência mundial em vacinas, neste caso específico, segundo o articulista, estão produzindo um desserviço ao Brasil. A Anvisa ainda não recebeu de nenhuma empresa pedido de aprovação, e, portanto, este barulho não faz o menor sentido, é futurologia no momento um plano detalhado de vacinação. Além de sua complexa implantação logística. Vamos torcer, e muito, para que as vacinas – todas, sem exceção – sejam seguras, e, portanto, não se trata de grosseria exigir, sim, com critérios até de urgência, apreciações científicas, e não políticas. Até há pouco tempo criticava-se a Anvisa pela demora até para a aprovação de remédios mais simples. Que venham as vacinas e que os governos federal, estaduais e municipais se empenhem, sem brigas. Mas em ciência não basta dizer que sim, é preciso mostrar os dados. 

Claudio Baptista clabap45@gmail.com

São Paulo

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CIÊNCIA

Com todo respeito e admiração pelo trabalho de Fernando Reinach como cientista e articulista, concordo totalmente com sua análise sobre a falta de transparência do Butantan sobre a Coronavac, porém discordo totalmente quando iguala os cientistas da entidade com os políticos que manipulam a opinião pública e jogam no conceito de “quanto pior, melhor”. Quando o dr. generaliza a sua opinião, talvez esqueça aqueles que lutam com seriedade e denodo em direção ao bem comum. Gostaria que o senhor também fizesse um adendo à militarização e aparelhamento do Ministério da Saúde e da Anvisa, mostrando ao presidente da República que em ciência também se diz não, mas com dados gerados pela própria ciência.

Cesar R. de Araújo cesar.40.araujo@gmail.com

São Paulo

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TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO

Sou leitora assídua de Fernando Reinach e estranhei seu texto de ontem, já que não são de seu feitio as teorias da conspiração. Decidi escrever-lhe também diretamente, pois o colunista já me respondeu em ocasião anterior. Tenho 74 anos: eu, meu marido e dois filhos somos da área da Saúde e voluntários na pesquisa – já recebemos as duas doses. Entramos por confiança na parceria Einstein-Butantan. Assisti esta semana, durante 4 horas, o simpósio da Universidade de São Paulo (USP) sobre a covid-19 e, depois, assisti à coletiva inteira do governo estadual. Em momento algum fiquei com suspeitas, achei lógica a explicação de que a pesquisa clínica da terceira fase estava encerrada e que os dados que faltavam eram de inspeção, portanto optaram por fazer o anúncio no dia 23/12, para poder pedir o registro definitivo e junto com a China. O artigo de Reinach me causou muita apreensão. O colunista pensa que a explicação que Dimas Covas nos deu, tanto no simpósio da USP quanto na coletiva, é falsa?

Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo

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A VACINA DO BUTANTAN

Fernando Reinach tem razão, o novo e repetitivo adiamento da divulgação do ensaio clínico da fase 3 da vacina do Butantan, por parte do governo Doria, expõe politicamente o governador e a imagem de um dos mais respeitados institutos do País.

Francisco José Sidoti fransidoti@gmail.com

São Paulo

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POR TRÁS DAS CORTINAS

Ainda bem que temos Fernando Reinach paranos ajudar a entender o que está acontecendo nesta pandemia por trás das cortinas. Suas análises não são contaminadas por simpatias/antipatias políticas. Da mesma forma que já criticou Bolsonaro um monte de vezes, no artigo de ontem ele põe a descoberto os vários furos na narrativa que João Doria vem fazendo sobre o lançamento da Coronavac.

Luis Molist Vilanova luisvilanova@terra.com.br

São Paulo

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TERMO DE RESPONSABILIDADE

Bolsonaro inventou uma nova maneira de assustar as pessoas e evitar que os brasileiros tomem a vacina contra covid-19: obrigar as pessoas a assinar um termo de responsabilidade pelos efeitos da vacina. É a maior irresponsabilidade que um chefe de Estado pode ter, para matar sua população. Nenhum genocida da História teve ideia melhor do que esta, para evitar que as pessoas se protejam de uma peste e morram no maior número possível. Isso, sim, é que é Gabinete Presidencial do Ódio.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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IRRESPONSABILIDADE

Jair Bolsonaro – que manda e os outros obedecem – idealizou mais uma aberração. Agora, quer que a população brasileira que pretenda se vacinar assine um termo de responsabilidade isentando de qualquer responsabilidade o seu atrapalhado desgoverno, mesmo que haja validação da Anvisa. Mais uma vez confrontando a Constituição federal, que atribui ao governo a responsabilidade e proteção do povo, Jair Bolsonaro, na verdade, é contra e não quer saber da vacinação e, por vias tortas, incentiva o genocídio da população. É ele quem está assinando um termo de irresponsabilidade, e merece impeachment!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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VAMOS ENCHER A CARA, PRESIDENTE

Ao anunciar uma medida provisória para liberar R$ 20 bilhões para compra de vacinas, o presidente Bolsonaro mostrou a mesma negatividade e desconfiança de sempre. Pareceu ter liberado a compra de doses de goró, corote ou bomberinho, para quem quiser, desde que assine um termo de responsabilidade. Estamos todos em situação de rua. Desamparados.

Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo

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NO MEIO DO CAMINHO TEM UM NEGACIONISTA

No meio do caminho tinha Bolsonaro (uma pedra)

Tinha Bolsonaro (uma pedra) no meio do caminho

Tinha Bolsonaro (uma pedra)

No meio do caminho tinha Bolsonaro (uma pedra)


Nunca me esquecerei desse negacionismo (acontecimento)

Na vida de minhas retinas tão fatigadas

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

Tinha Bolsonaro (uma pedra)

Tinha Bolsonaro (uma pedra) no meio do caminho

No meio do caminho tinha Bolsonaro (uma pedra)

(Paráfrase de No Meio do Caminho, de Carlos Drummond de Andrade)

Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião

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EFEITO CHICOTE

O último e excelente programa Roda Viva, de 14/12, sobre a vacina, por meio de seus ilustres e competentes entrevistados, prestou um grande serviço à sociedade, trazendo à luz uma série de verdades e esclarecimentos importantes, desfazendo mitos e má informação. Um dos pontos abordados chamou a atenção: o atraso do Brasil nas medidas de segurança quanto à compra das vacinas e a logística envolvida para a vacinação, assunto crítico e complexo. Trata-se claramente da inobservância, pelo governo, do efeito básico primário na cadeia de suprimentos chamado “efeito chicote”, pelo Ministério da Saúde, tanto para a compra das vacinas como para o entorno do processo. Há uma intensa competição de compradores e interessados, com incertezas e riscos, dada a emergência. Tal contexto requer um sofisticado planejamento, conjunto e individual, acompanhamento diuturno, bem como ajustes em relação a níveis de estoques de segurança ao longo da cadeia, acordos, fechamento de parcerias, entre outras medidas preventivas. No caso da produção das vacinas, bem como seus resultados, e os recursos secundários complementares, há ainda que levar em conta a curva de experiência. Infelizmente, não foi o que se viu, muito ao contrário, negacionismo, desprezo pela gravidade, brigas políticas e muita desinformação, deixando o Brasil vulnerável e atrasado na corrida da vacina e da vacinação. Como diz um antigo ditado, adaptado ao assunto do momento: “estamos no mato sem vacinas”, e o efeito chicote irá ferir a sociedade, num primeiro momento, tendo de se ajustar, no timing da vacinação, ao que for possível ao País comprar, ou o que restará de oferta no mundo, após os primeiros clientes serem atendidos.

Luiz A. Bernardi luizbernardi51@gmail.com

São Paulo

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PAULINHO

Um grande cantor que o Brasil perdeu e vai deixar saudade.  Emocionou várias gerações cantando belas canções do Grupo Roupa Nova. Mais uma voz que silencia por causa desta doença terrível. Que descanse em paz.

Reinner Carlos de Oliveira  reinnercarlos1970@gmail.com

Araçatuba

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NECESSIDADES ESPECIAIS

Vou esperar um estudo sobre o efeito das vacinas nas pessoas portadoras de necessidades especiais. Em 2016, após tomar três vacinas diferentes em um dia, passei muito mal na mesma semana, melhorei, e logo sofri um surto tão horrível que quase morri de dores pelo corpo, falta de apetite, vômito, tontura, pesadelos, insônia, febre. Fiquei com sequelas e até hoje o SUS não atendeu a todos os exames agendados. Minha mãe, nas vezes em que tomou vacina contra influenza, ficou semanas com dor no braço em que recebeu a aplicação, além de contrair gripe mais forte. Precisa de um estudo aprofundado sobre reversão e o GNA que vem surgindo em algumas pessoas.

Rogério de Souza Pires sorriso.psi@hotmail.com

Umuarama (PR)

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INCONSEQUENTE

É preciso entender que vacina não é medicamento. Ela constitui um dos elementos da política de prevenção sanitária destinada a travar a propagação sem controle de males e mortes provocados por vírus. É necessário, portanto, um determinado período de tempo para que o grupo ao qual ela se destina se veja, em percentagem conveniente, livre da ameaça. O vírus que atormenta a humanidade hoje possui características muito particulares, o que faz com que as pesquisas visando à obtenção do antídoto correspondente, mesmo com os avançados recursos tecnológicos da atualidade, sejam dispendiosas, exequíveis somente a partir de empresas farmacêuticas multinacionais, como a americana Pfizer que, naturalmente, cobrará caro pela liberação de seus resultados ou associação com países menos desenvolvidos. Sobreposto a este cenário surgem agora os grandes problemas da logística de transporte e do armazenamento que exigem condições de resfriamento só disponíveis em grande escala nos países ricos. O Brasil não reúne condições financeiras e tecnológicas para imunizar uma parte considerável da população dentro, talvez, dos próximos cinco anos – a chanceler da desenvolvida Alemanha, Angela Merkel, vaticinou que “o vírus continuará a dominar nossas vidas por muito tempo”. É inconsequente, portanto, a afirmação do presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), do Rio de Janeiro, ao condicionar o desfile, em junho de 2021, à disponibilidade da vacina.

Paulo Roberto Gotaç  pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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COVID-19

Revoltante, criminoso mesmo, o fato de uns abestalhados saírem pelas ruas sem um mínimo de cuidado, que se faz imperioso neste momento. Um jovem pleno de alegria e irresponsabilidade, ao voltar ao lar, onde parentes se resguardam temendo a virose, passa para os cuidadosos o que eles mais temem. Na minha opinião, um pateta por esse contágio, que até pode ser letal, deveria ser condenado a ficar com tornozeleira eletrônica por no mínimo 14 dias, isolado e retido em seu quarto, para aprender a sentir o drama dos outros que lutam para viver.

Geraldo Siffert Junior siffert18140@uol.com.br

Rio de Janeiro

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A CULPA E A DESCULPA

Renan Calheiros, preocupado com a possibilidade de os parlamentares deixarem Brasília, sugeriu a suspensão do recesso parlamentar. Ele disse estar preocupado com as vacinas. As vacinas são a desculpa e a culpa. Pura picaretagem. Qual projeto este senador apresentou este ano? E quem disse que o Congresso esteve em peso em Brasília trabalhando presencialmente? Se quisessem, as excelências trabalhariam mesmo distante. Pior do que a covid-19 são a preguiça e a desfaçatez com que esta gente trata os brasileiros. Uma afronta.

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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A ABIN A SERVIÇO DO CLÃ BOLSONARO

Na noite de sexta-feira (11/12), as TVs mostraram mais um abuso político dos muitos que enlameiam o País. Destra vez, segundo matéria da revista Época, é o uso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para orientar a defesa de Flávio Bolsonaro para sair livre do processo das rachadinhas, como se esse órgão existisse para dar cobertura a filho de presidente da República. A Procuradoria-Geral da República (PGR), cobrada, veio com alegações de que simplesmente fora acionada a Abin para acabar de vez com algo que nem deveria ter sido levado em conta. Mas esse novo episódio envolvendo o clã Bolsonaro não é novidade, basta lembrarmos cenas daquela famosa reunião governamental em abril, quando Jair Bolsonaro reclamou de que ele e família estariam sendo perseguidos por órgãos do governo e que iria demitir aqueles que assim agissem e colocaria pessoas de sua confiança para evitar prejuízos para si, sua família e seus amigos. Então, simplesmente, ele está cumprindo o que prometeu. Esperar reações de políticos, esqueçam, porque a eles interessam situações assim porque elas também favorecem uma classe carregada de elementos com problemas com a Justiça. Quanto à Justiça, também é difícil esperamos atitudes de elementos nomeados por políticos, como ocorre no STF. A única classe que teria condições de dar uma basta nessa situação seria a dos militares, mas o clã a ganhou dando cargos no governo aos da reserva e, aos da ativa, não tirando benefícios, ao contrário, melhorando-os. Resumo: o País tenta se equilibrar num lamaçal de corrupção, no qual busca não cair e morrer afogado. 

Laércio Zannini spettro@uol.com.br

São Paulo

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CRISE E PARLAMENTARISMO            

O presidente da República falava sério ao afirmar ser ele próprio a Constituição. Ao se valer do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Jair Bolsonaro subverteu o funcionamento das instituições brasileiras a seu desejo. Valeu-se do Estado para elaborar a defesa do filho e senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Trata-se de flagrante crime de improbidade administrativa. No âmbito jurídico, não há o que questionar acerca da fundamentação para abertura de processo de impeachment contra o presidente, uma vez que os fatos estão dados. Falta, contudo, mobilização da sociedade civil e de lideranças políticas para que se concretize o afastamento. Vale a pena, refletindo para além da conjuntura atual, questionarmos o funcionamento do modelo presidencialista no Brasil. De 1989 para cá foram abertos dois processos de impedimento. Fernando Collor renunciou antes de seu julgamento final pelo Senado Federal (1992), ao passo que Dilma Rousseff chegou às vias de fato em 2016. Anos de impeachment, como pudemos observar na prática, levam o País à paralisação da normalidade. O mercado se agita, matérias legislativas de relevo são relegadas a segundo plano e a administração federal passa a servir quase que somente à defesa do mandatário máximo de plantão. Por que insistir num sistema de governo fadado à crise? A meu ver, o parlamentarismo traria ao País certa oxigenação para a estabilidade das políticas públicas e para o funcionamento do Estado. Gabinetes caem e são formados, a exemplo das potências europeias, sem significativos traumas institucionais. Essa dinâmica, na realidade, pertence à institucionalidade parlamentarista, às próprias regras do jogo. 

Elias Menezes elias.natal@hotmail.com

Nepomuceno (MG)

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ADEUS ÀS ARMAS

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu na segunda-feira a resolução do governo Bolsonaro que previa imposto zero sobre revólveres e pistolas importados, a partir de 1.º de janeiro de 2021 (Estado, 14/12). Talvez Jair Bolsonaro, expulso do Exército há mais de 30 anos, quisesse vingar-se por passar tanto tempo desarmado!

Cláudio Moschella claudiomoschellaarquiteto@gmail.com

São Paulo

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PRESSÃO NO CONGRESSO

A liminar dada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, é uma clara violação da vontade de 59,1 milhões de eleitores (63,94%) que votaram a favor da livre comercialização de armas de fogo, em todo o território nacional, no referendo de 2005. Não parece ser competência do Judiciário dar liminar sobre alteração de alíquota de importação (tema econômico) e, além disso, interferir na soberania popular e no resultado das urnas. Se as recentes pesquisas de opinião indicam agora uma vontade de restringir o acesso às armas, pode-se autorizar nova consulta popular, e não simplesmente ocorrer uma ingerência no assunto, por mero voluntarismo judicial, e que provoca insegurança jurídica em algo decidido há 15 anos. Portanto, deve-se esperar que o plenário do STF derrube a liminar, pois os eleitores devem arcar com as consequências do voto, o grande aumento de mortes por armas de fogo nesta última década. Assim, a sociedade teria de pressionar o Congresso Nacional para que este autorize um novo referendo sobre o tema se a maioria da população deseja manifestar-se de maneira diferente numa segunda votação.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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LAICO, PERO NO MUCHO

Projeto para Fundeb tira até R$ 12,8 bi da rede pública para escolas religiosas (15/12, A14). Até quando o povo brasileiro terá de se deparar com esse despautério numa manchete? Até quando este “movimento” de alienação religiosa vai ditar as regras num Estado laico? Como separar o joio do trigo, como ser um país laico de fato? Somente uma boa educação, com bons investimentos, é capaz de fazer nossos filhos pensarem fora da caixa doutrinária. Agora, quando o investimento necessário para uma boa educação vai parar nas mãos de pseudoeducadores, fica claro que o objetivo é alienar nossos filhos. Doutrinação com verbas públicas, que piada de mau gosto, pastores despertos e iluminados, só que não.

Leandro Ferreira silvaaleandro619@gmail.com

Guarulhos

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ELEIÇÃO NOS EUA

Finalmente, o colégio eleitoral norte-americano confirmou a eleição de Joe Biden à presidência dos EUA pelo placar de 81,2 milhões de votos e 306 delegados, ante 74,1 milhões de votos e 232 delegados de Donald Trump. O democrata e a democracia venceram o negacionista e o autoritarismo. “Ao vencedor as batatas”, ao derrotado a porta de saída. Basta! God bless America.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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