Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 03h00

Desgoverno e pandemia

Muita ignorância

Jair Bolsonaro só continua a vociferar suas patacoadas porque tem plateia, composta por fanáticos seguidores e ignorantes, como bem apontou o editorial O demolidor da República e seus cúmplices (17/12, A3). No concernente à questão das vacinas, vale lembrar que a ignorância de parte da população, no sentido amplo da palavra, não é de agora. Em 2019, antes da pandemia, todos se lembram das desinformações e teorias estapafúrdias que corriam a rodo nas redes sociais contraindicando o uso das vacinas, pelas razões mais absurdas. Um dos efeitos benéficos da pandemia foi ter aproximado a ciência da sociedade, por meio de veículos e cientistas sérios, e o tema das vacinas ganhou protagonismo provavelmente sem precedentes. Hoje só não entende a importância e a complexidade de uma vacina quem não quer, e não é por falta de informação verdadeira e responsável. Portanto, nesse assunto Jair Bolsonaro não é o líder dos ignorantes, apenas faz parte deles.

LUCIANO HARARY

LHARARY@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Predador

Muito bom o editorial sobre o demolidor da República. Poderia ter anotado que o presidente não só depreda, como preda a Nação, com as ações em defesa de seus íntimos e a complacência com a predação de florestas e outros ambientes naturais e morais (corrupção) do País.

WILSON SCARPELLI

WISCAR@TERRA.COM.BR

COTIA

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Empulhação

Temos ouvido tantas mentiras dos presidentes do Brasil no últimos anos que nem sabemos mais identificar quem é o mais hábil nessa área. Todo mundo se lembra da marolinha do Lula, referindo-se à maior crise financeira do mercado americano nas últimas décadas. A gloriosa Dilma Rousseff disse que, quando atingisse a meta, dobraria a meta, sem nem ao menos saber qual era a meta orçamentária do ano seguinte. Bolsonaro referiu-se à covid-19 como uma “gripezinha” e a pequena gripe já matou 1,6 milhão de pessoas em todo o mundo. Somente no Brasil, enterramos mais de 183 mil vítimas. Como é que o povo brasileiro consegue conviver com tanta mentira e irresponsabilidade? Eleger o menos pior pode ser uma falta muito grave.

JOSÉ CARLOS SARAIVA DA COSTA

JCSDC@UOL.COM.BR

BELO HORIZONTE

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Desgraça pouca...

O lulopetismo arrasou o Brasil ética, moral e economicamente. Muitos valores foram perdidos nesse nefasto período. Para nos libertarmos dos larápios fomos induzidos a eleger um moleque travesso e seus molequinhos. Desgraça pouca é bobagem.

SAVÉRIO CRISTÓFARO

SCRISTOFARO@UOL.COM.BR

SANTO ANDRÉ

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‘Seu desaforista!’

Perfeito o artigo de Eugênio Bucci de ontem (A2), ao descrever os desatinos de Odorico Paraguaçu, O Bem-Amado, na fictícia Sucupira. Realmente, Dias Gomes foi profético há 47 anos! Certamente o impagável Odorico teria dito que ele teve “uma inspiração nostradamística”.

CESAR ARAÚJO

CESAR.40.ARAUJO@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Presidente Paraguaçu

Ao tomarem conhecimento, pela mídia, de Jair Bolsonaro reinaugurando um simples relógio na Ceagesp, ao som de uma bandinha musical, realmente muitos se recordaram desse que é um dos mais marcantes personagens de Dias Gomes, o folclórico prefeito Odorico Paraguaçu. E como cópia fiel do alcaide de Sucupira o capitão exortando os “terraplanistas”, “antivacinistas” e “negacionistas” nos brinda com um vale a pena ver de novo.

LUÍS LAGO

LUIS_LAGO1990@OUTLOOK.COM

SÃO PAULO

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Paúra

Está com medo de tomar a vacina? Pelo visto os “maricas” não somos nós...

FREDERICO FONTOURA LEINZ

FREDY1943@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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O povo tem pressa

Alguém tem alguma dúvida de que as vacinas serão aprovadas pela Anvisa? Por que, então, não apressam logo esse processo? Ficam querendo se dar importância com relação à análise dessa agência, que pode demorar sei lá quanto tempo. Não entendo, pois a análise será só no papel. Já foram à China verificar o laboratório de lá. Também não sei o porquê, foram ver o quê? Ou passear? O laboratório do Butantan deverá ser vistoriado também? Ridículo. Com todo esse rigor, eles liberam os testes de farmácia para covid que parecem a previsão do tempo de 30 anos atrás: se falavam em chuva, fazia sol.

JOSE ABU JAMRA NETO

JOSEABUJAMRA@ICLOUD.COM

SÃO SEBASTIÃO

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Segunda dose

De acordo com as notícias publicadas recentemente, o Brasil deverá aplicar vacinas diversas, conforme a disponibilidade no mercado, além das já conveniadas com Butantan e Fiocruz. Ao que não se está dando a devida ênfase é que, por serem necessárias duas aplicações, a vacina usada para a primeira dose terá de ser a mesma para a segunda aplicação. Num país das dimensões do Brasil em área e população, a logística e o controle pré e pós-aplicações terão de ser muito rigorosos para não permitir erros, até mesmo quando de eventual terceira dose (após um ano?), que poderá coincidir com parte da segunda.

MARCIO DA CRUZ LEITE

MARCIO.LEITE@TERRA.COM.BR

ITU

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Boas-festas

O Estado agradece e retribui os votos de feliz Natal e próspero ano-novo de Eduardo Marchiori, Martine Ferland e equipe Mercer Brasil, Embrapa Territorial, Engegrav, Equipe SGS do Brasil, Francisco Paes de Barros, Grupo FBS, Instituto Millenium, Interfarma, Janina Onuki e Moacyr Martucci – diretoria do IRI-USP, José Eduardo Coelho, Kasznar Leonardos, Marco André Leite Ferreira – diretor da Biblioteca do Exército, Paulo Roberto Girão Lessa, Pensa, Robert Haller, União Química e Little George.


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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


O BRASIL, A COVID-19 E A VACINA

Finalmente, o capitão capitulou, erguendo a bandeira branca para a aplicação, por meio do SUS, da vacina Coronavac, do Instituto Butantan/Sinovac. Vamos aguardar, porque ele é chegado a se desdizer a todo tempo, como acaba de fazer em relação ao reconhecimento tardio da vitória de Joe Biden nos EUA, podendo vetar a vacina chinesa por interferência indireta na Anvisa.

Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com

São Paulo

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O HOMEM DE MIL CARAS

Gostaria que fosse só a minha impressão. Jair Bolsonaro mudou bastante o enfoque que desde o início da covid-19 vinha adotando com relação à gravidade crítica e terrivelmente mortal da doença. Agora, com a cara mais lavada do mundo – como se fôssemos cegos, surdos e desmemoriados –, vem dizer que seu governo se empenhou, possivelmente até o exagero, nos cuidados com os brasileiros durante a pandemia. Fez isso sem nem ao menos corar de vergonha e diante de uma plateia supostamente com algum grau de inteligência (tirante o ministro da Saúde, que é caso patológico de bajulação e incompetência explícita).

Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo

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O PLANO DO GOVERNO FEDERAL

Desmoralizado pela falta de respeito pela ciência e por salvar vidas no enfrentamento da pandemia, o Planalto recorreu até ao Zé Gotinha para apresentar o atrasadíssimo Plano Nacional de Imunização contra a covid-19. Em respeito ao protocolo, Zé Gotinha evitou estender na cerimônia a mão a Jair Bolsonaro.  Mas o evento no Planalto não passou de um show de horrores. Incompetente, o governo nem sequer ainda comprou doses de vacina suficientes para pelo menos iniciar a imunização de pessoas numa primeira fase, como já ocorre nos EUA, no Canadá, na Rússia, no Reino Unido, na China, etc. O Estado de São Paulo, precavido, já tem 6 milhões de doses da vacina chinesa Coronavac e começa a produzi-la no Instituto Butantan num ritmo que chegará dentro de semanas a 1 milhão de doses desta vacina por dia, e também anunciou que vai iniciar a imunização de 9 milhões de pessoas em 25 de janeiro de 2021. O Planalto, porém, por esquizofrênicos problemas políticos, só agora, neste plano anunciado na quarta-feira, incluiu a vacina chinesa da Sinovac, que tem parceria com o Instituto Butantan, nos imunizantes que pretende comprar. Sem provar nada, o governo federal diz já ter negociado 350 milhões de doses de vários laboratórios. Esse é o perfil da gestão de Jair Bolsonaro, presidente que já chamou este vírus de “gripezinha”, disse “e daí?” para as mortes e chamou o povo brasileiro de “maricas”, pelo medo do coronavírus. Por fim, ainda nesta semana o irresponsável presidente disse que não vai tomar a vacina. Bolsonaro subestima a nossa inteligência.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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VALENTIA

“Não vou tomar vacina e ponto final”, diz Bolsonaro sobre imunizantes para covid-19. Mais uma declaração imbecil de Bolsonaro, porque milhões de seus seguidores acabarão deixando de tomar a vacina, arriscando a transmitir a doença a outros milhões de brasileiros! O nariz do presidente vai ficar igual ao do Pinocchio, porque certamente ele e sua família vão tomar a vacina escondidos... 

Cláudio Moschella claudiomoschellaarquiteto@gmail.com

São Paulo

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SNIPER DA GOTINHA

Na apresentação do Plano Nacional de Vacinação, Jair Bolsonaro e sua trupe descumpriram intencionalmente as normas de uso de máscaras e distanciamento social, atitude previamente acertada entre eles, para deixar bem claro que só promoveram o evento por pressão do Supremo Tribunal Federal (STF). Salvou o evento a atitude pragmática e certeira, como um tiro dado por um sniper, do pragmático personagem Zé Gotinha, um popular símbolo das campanhas nacionais em favor das vacinas, que se recusou a estender a mão para cumprimentar o presidente. O homem que interpretou o personagem, naturalmente, deve perder o emprego, mas lavou a nossa alma.

Abel Pires​ Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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ZÉ GOTINHA

Ser aintivacina é feio? É feio, sim. Agora, amordaçar o Zé Gotinha é o fim da picada...

Rodrigo Ibraim rodrigoibraim@gmail.com

Taboão da Serra

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MARACUJINA

Jair Bolsonaro fala que a pandemia é como chuva e que todo mundo vai se molhar. O ministro da Saúde, depois de ser muito pressionado e com a maior calma e tranquilidade, apesar do recrudescimento das mortes, apresentou um plano nacional de vacinação, criticando a ansiedade da população. Depois da cloroquina, o governo vai fazer campanha para que todos tomem maracujina.

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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VACINAÇÃO BRASILEIRA

Por que as pessoas estão querendo tanto saber a estratégia de vacinação após a escolha da vacina? Já estão claras a ordem e as prioridades brasileiras. Primeiro, os políticos. Depois, os parentes até último grau dos políticos, os amigos e os doadores de campanha. No segundo escalão serão distribuídos convites aos grandes bancos e empresas pró-governo. Os profissionais de saúde estarão na terceira prioridade, excluindo os Estados críticos ao presidente. Seguindo, virão os brasileiros que apoiem a reeleição. Por último, idosos e quem não consiga pagar plano de saúde, desde que se mantenham em fila no SUS mais próximo de sua casa. Os apressados e mais preocupados podem procurar Secretarias de Saúde envolvidas em corrupção, conhecidas dos noticiários, para o “jeitinho”.

Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo

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UM LÚCIDO NO GOVERNO

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, pode ser considerado como “o lúcido do governo”. Disse que “não deveria haver disputa política sobre as vacinas, pois é muito mais barato vacinar do que pagar auxílio”. Ora, Jair Bolsonaro poderia dormir sem essa.

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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BOVID-22

Covid-19 é a sigla internacional para CoronaVirus Disease 2019. Ainda pior para o Brasil é a Bovid-22, Bolsona Vícios e Delírios 2022. E legiões de bovídeos mesmerizados, desmascarados e aglomerados continuam a reverenciar o “mito” e a entupir os hospitais! Esperemos que Rodrigo Maia honre seu final de mandato e ponha em discussão algum dos inúmeros pedidos de impeachment. O Brasil precisa disso.

César Garcia cfmgarcia@gmail.com

São Paulo

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O DEMOLIDOR DA REPÚBLICA

Cumprimento o Estado pela clareza, contundência e coragem do editorial O demolidor da República e seus cúmplices (17/12, A3). Não é mais possível conviver com este assassino criminoso na Presidência do País. Os poucos rompantes de sanidade ocorrem quando não há mais alternativas para manter sua pauta deletéria aos interesses da Nação e depois de enorme estrago causado, como o tardio plano de vacinação. O terço da população que ainda o apoia reza uma cartilha obscura, com o devido trocadilho. Quanto tempo levará para ser deposto é a pergunta de bilhões de reais e milhares de vidas.

Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas

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EFEITOS COLATERAIS

A propósito do editorial O demolidor da República e seus cúmplices (17/12, A3), cabe, por oportuno, dizer que não se pode comparar os possíveis efeitos colaterais da vacinação contra a pandemia, caso ocorram, com os deletérios e nocivos efeitos colaterais da eleição de Bolsonaro à Presidência. E ainda faltam dois longos e intermináveis anos... Haja estômago, paciência e resiliência. Guenta, Brasil!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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EM BUSCA DE EQUILÍBRIO

Mais uma vez o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dá verdadeira aula de estadismo e bom senso. Foi exato, na entrevista concedida à colunista Sônia Racy (‘Eles têm verdades absolutas, acho isso perigoso’, diz Fernando Henrique Cardoso, Estado, 16/12), ao criticar os poderosos e suas “verdades absolutas”, e é evidente que essa afirmação não se restringe somente ao pensamento engessado e conservador do presidente Jair Bolsonaro e de seus seguidores. O petismo, por exemplo, fez e ainda pensa da mesma forma com sinal invertido. Quando diz, acertadamente, que o capitalismo “deu certo”, mas “precisa de igualdade, tem de ter programas que visem aos mais pobres”, FHC demonstra a visão equilibrada de que o Brasil tanto necessita.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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‘CENÁRIOS’

FHC dá aula de democracia, humildade e sabedoria na entrevista concedida a Sonia Racy (Estado, Cenários, 16/12). Grande estadista, soube conduzir o País de forma brilhante. Quando se via em apuros, formava comitês de gestão (crise hídrica e apagão, por exemplo). Ouvia técnicos e cientistas, mas também seu motorista e a cozinheira. Tivemos sorte de termos tido um verdadeiro servidor da pátria. O Brasil teve poucos estadistas como ele e, creio eu, não é reverenciado à altura de sua importância para o Brasil. Seu grande equívoco foi ter aceitado a famigerada reeleição. Não seria sábio pelos ocupantes de cargos tão importantes dar ouvidos a figuras como FHC? Acredito que muitos erros seriam evitados.

Luiz Antonio Amaro da Silva zulloamaro@hotmail.com

Guarulhos

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A ESCALADA DOS PREÇOS

Os preços nos supermercados não param de subir. A cada dia, a cada hora, deparamos com mais reajustes, reduzindo drasticamente o poder de compra do cidadão. Por que estes preços não param de subir? Por que o governo nada faz para dar um basta nesta verdadeira afronta ao cidadão de bem desta nação? Acreditem, tem produtos que tiveram reajustes acima de 200% em 2020. Por que os órgãos de defesa o consumidor, o Ministério da Economia ou a Polícia Federal não investigam estes aumentos absurdos, que certamente fazem parte de um conluio de cartéis perpetrado por organizações que se utilizam da pandemia para saciar sua ganância criminosa? São os coronavilões, mercenários e atravessadores que agem na calada da noite, aproveitando-se da fragilidade e da resignação do nosso povo.

Elias Skaf eskaf@hotmail.com

São Paulo

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PMEs

Lamentável que o ex-ministro Maílson da Nóbrega desconheça as pequenas e médias empresas do Brasil e não saiba reconhecer a sua importância. Sua opinião é acabar com o Simples e com incentivos existentes a quem emprega 60% da mão de obra no País. Seu artigo O custo da excessiva proteção às pequenas e médias empresas (16/12, A2) tem um título que não condiz com o texto. Qual é o custo a que se referiu no título? Seria pagar menos imposto? Quanto paga, quanto deixa de pagar uma PME? Não sabe justificar sua posição.

João Jeronimo Monticelli joaojeronimo@terra.com.br

Paraty (RJ)

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LUTA DIÁRIA

Lendo o ex-ministro Maílson (Estado, 16/12, A2), fico sem entender qual é a dele. Quem toca uma empresa de pequeno porte luta diariamente com inúmeros desafios, e é claro que pagando salários e os encargos sociais inerentes, mais os inúmeros impostos, fica tudo muito difícil e, em alguns casos, impossível. Falo por experiência própria, pois sem o Simples eu já teria demitido 30 funcionários e encerrado as atividades. Quando ele fala em “produtividade”, gostaria de entender melhor o que ele quer dizer. A propósito, o ex-ministro, em sua Tendências Consultoria, deve estar acostumado a tratar com empresas de enorme porte e despreza as pequeninas que, segundo o Sebrae, contribuem com 27% do PIB brasileiro e estão empregando milhões de brasileiros.

Joao Paulo de O. Lepper jp@seculovinteum.com.br

Cabo Frio (RJ)

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SUPREMA INCONSTITUCIONALIDADE

Em decisão liminar, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin suspendeu a aplicação de resolução que zerava a alíquota de importação de armas de defesa pessoal. A decisão é escandalosamente inconstitucional, pois é desprovida de qualquer fundamento jurídico. A medida foi adotada para proteger a indústria nacional de armamentos contra a concorrência de fabricantes estrangeiros. Obviamente, isso não é de competência do Judiciário. Evidenciando total desconhecimento da realidade nacional, o ministro alegou que isso estimularia a compra de armas pelos cidadãos, aumentando a criminalidade e pondo em risco a segurança das pessoas. É verdadeiramente absurdo ignorar o fato de que bandido não compra arma em loja. A aquisição de arma de fogo é rigorosamente controlada pela legislação em vigor, que  limita o número de armas e os calibres permitidos,  exige certidão negativa de antecedentes criminais e comprovação de aptidão técnica e psicológica para a posse ou porte de armas por particulares. Em síntese, o ministro desconsiderou a legislação vigente e violou tanto a competência do Executivo para decidir sobre o assunto como a competência do Legislativo, pois, nos termos do Art. 49, V, da Constituição federal, é de competência exclusiva do Congresso Nacional  sustar atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar. Espera-se que o plenário corrija esse absurdo, pois decisões inconstitucionais violam o princípio fundamental da dignidade da pessoa humana e o direito à segurança pessoal, e comprometem seriamente a segurança jurídica, prejudicando o desenvolvimento nacional e violentando as instituições democráticas.

Adilson Abreu Dallari adilsondallari@uol.com.br

São Paulo

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ARMAS DE FOGO

O ministro Fachin simplesmente acatou os frágeis argumentos do partido socialista brasileiro, que considera que a norma viola a Constituição federal, ao desrespeitar o direito social à segurança pública, e ainda põe em risco a segurança da coletividade.  Dito isso, quem põe em risco a segurança individual ou da sociedade não é o cidadão de bem que pretende ter uma arma mais segura e com requisitos tecnológicos de Primeiro Mundo. Esqueceu o ministro que quem põe em risco à coletividade são a quadrilhas que, armadas com equipamentos de guerra, realizam os mais ousados assaltos a bancos, além de usar a pessoa humana como escudo.

Aloisio Pedro Novelli celnovelli@terra.com.br

Marília

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ARMAS, REALMENTE VALE A PENA IMPORTAR?

Recentemente, o tema mais comentado nas mídias sociais e noticiários foi sem sombra de dúvidas a redução concedida pelo governo no imposto de importação de armas de fogo – classificadas na NCM 9302.00.00, revólveres e pistolas, exceto os das posições 93.03 ou 93.04 –, a vigorar a partir de 1.º de janeiro de 2021, por meio da Resolução Gecex nº. 126, de 8 de dezembro de 2020. Atualmente, a tributação federal e estadual incidente na importação desse tipo de acessório, por meio de registro de Declaração de Importação, para pessoa jurídica é: Imposto de Importação, 20%; IPI-Importação, 45%; PIS-Importação, 2,10%; Cofins-Importação, 9,65%; ICMS-Importação (no Paraná): 25%. Na prática, a redução será aplicada somente nas importações realizadas por distribuidores e lojistas, reduzindo a alíquota de 20% para 0%, os demais impostos permanecem intactos. Para os leigos de plantão, esse benefício soou como uma redução considerável; para os amantes deste hobby, os chamados CACs, nem tanto. Os CACs são as pessoas físicas devidamente certificadas pelo Exército Brasileiro ou pela Polícia Federal que realizam as atividades de colecionamento de armas de fogo, tiro desportivo e caça. Estatisticamente, de janeiro a dezembro de 2020, o Brasil importou de artigos desta categoria o montante de US$ 28,21 milhões, de origem de países como Áustria (US$ 22,56 milhões, o equivalente a 84.129 unidades, ticket médio de US$ 268,22 por unidade); Estados Unidos (US$ 4,26 milhões, o equivalente a 12.878 unidades, ticket médio de US$ 331,50 por unidade); e restante do valor contempla as operações oriundas de países como Alemanha, Itália, Israel, Argentina, entre outros. Em sua maioria, desse montante mencionado, essas armas de fogo foram importadas por pessoas físicas, devidamente autorizadas pela Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC), e é aí que os CACs não enxergaram vantagem. Quando o assunto é importação de armas de fogo na condição de pessoa física, a tributação é totalmente diferente. Trata-se de nacionalização na modalidade simplificada por meio de Declaração Simplificada de Importação (DSI), e os impostos a serem recolhidos são: Imposto de Importação, 60%; e ICMS-Importação (no Paraná), 25%. Histeria à parte, os denominados CACs não usufruirão dessa redução, pois, em sua maioria, preferem importar diretamente a fim de ter a posse de um objeto único e não seriado. Assim como outros hobbies, os praticantes de tiros dão preferência para a customização e a singularidade dos seus equipamentos. Cabe ressaltar que a Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério da Economia, em medida semelhante, reduziu o imposto de importação de 509 produtos para o combate à covid-19, o combate ao câncer e HIV, para equipamentos de energia solar e produção médica, exames, cirurgias oftalmológicas, informática, arroz, soja e milho, além de games, brinquedos, entre outros artigos.

Kleber Fontes kleber.fontes@grupocasco.com.br

Curitiba

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