Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2020 | 03h00

Pandemia

Coesão social

Muitas pessoas não entendem como se vai controlar o Natal no Reino Unido, onde o governo autorizou só três famílias reunidas numa única moradia. A resposta é simples: quem controla são os vizinhos, é a população, a consciência de coletividade. Se alguém perceber que uma reunião natalina extrapola o determinado pelo governo, chamará a polícia. Básico em qualquer país civilizado. Inexiste estabilidade e paz social se a população não aceitar regras e não for ela própria a implementar a ordem estabelecida. Não há possibilidade de uma autoridade controlar cada cidadão. As sociedades com altos índices de desenvolvimento social e econômico entenderam e aplicaram esses princípios, sem exceção. Já países onde cada um só faz o que acha ser certo, dão errado. Exemplo, o Brasil. Um país se faz por seu coletivo. Natal com coesão social mesmo na pandemia é outra história.

ARTURO ALCORTA

ARTUROALCORTA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Lei e coerção

Sem que se lhe dê a coerção como consequência de sua execução, a lei passa a ser letra morta. É o caso das aglomerações proibidas para evitar a contaminação pela covid-19, mas que continuam em sua plenitude em todos os locais, em todas as cidades, em todo o País. As forças de segurança precisam intervir, fazendo um primeiro pedido de dispersão e, caso não sejam obedecidas, por óbvio, elas devem contar com proteção legal para tomar medidas de força contra os renitentes. Sem o uso da coerção dificilmente teremos como evitar as aglomerações e o aumento do contágio da doença. Mesmo que venhamos a ter várias vacinas e numerosas possibilidades de aplicações no País, continuará a necessidade de dispersão, porque os efeitos da vacina não são imediatos. Aliás, o Supremo Tribunal Federal já determinou ser a vacinação um ato de ordem pública a que devem submeter-se todos os habitantes deste país. E não há como fugir dessa obrigação, que não aceita subterfúgios nem recusas.

JOSÉ CARLOS DE CARVALHO CARNEIRO

CARNEIRO.JCC@UOL.COM.BR

RIO CLARO

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Natal sem festa

Sem reuniões, isolados e resignados. Um Natal sem festa. Mas o importante mesmo é continuar seguindo o caminho que Ele, com sacrifício da própria vida, nos ensinou.

NIVALDO RIBEIRO SANTOS

NIVASAN1928@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Vacina e esperança

O ano vai terminando e nascerá outro. Boa sorte e vacina para todos, trabalho e esperança. Então é Natal, e nesta festa cristã teremos políticos felizes e o povo sempre esperando.

CARLOS GASPAR

CARLOS-GASPAR@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Desgoverno Bolsonaro

Contra a imprensa

“Não se esqueça disso, essa imprensa jamais estará do lado da verdade, da honra e da lei. Sempre estará contra vocês, pensem dessa forma para poderem agir. Não esperemos da imprensa a verdade. As mídias sociais, essas, sim, trazem a verdade, e não a fábrica de fake news que é a imprensa brasileira” – assim falou e disse o antidemocrático, terraplanista, ignorante e negacionista “mito”. Espero sinceramente que a imprensa continue, cada vez mais, focando nas patacoadas desse néscio falastrão, para que o povo possa entender a desgraça em que nos metemos por votar errado.

FILIPPO PARDINI

FILIPPO@PARDINI.NET

SÃO SEBASTIÃO

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A farsa do mito

Quanto mais o tempo passa e quanto mais ele fala, mais claro fica que quem era chamado de mito não passa de monumental farsa, o maior conto do vigário em que embarcamos. E ainda faltam dois anos...

RENATO FLAVIO FANTONI

RRFFANTONI@IDENTIDADESEGURA.COM.BR

ITATIBA

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Impeachment

Diariamente somos violentados pelas barbaridades proferidas por Jair Bolsonaro. A todo momento surgem indícios que, uma vez comprovados, sobrariam para pedido de seu impeachment – há diversos parados na Câmara dos Deputados. Além de seu despreparo, sua inépcia, falta de caráter e de respeito à dor do povo, do uso da máquina pública em defesa de seu rebento, o que mais falta? Provar que se trata de um portador de psicopatia é fácil, psiquiatras poderão fornecer um laudo a esse respeito. Pergunto novamente: o que mais falta?

HELEO POHLMANN BRAGA

HELEO.BRAGA@HOTMAIL.COM

RIBEIRÃO PRETO

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Meio ambiente

Ferrovia no sul baiano

Oportuna a matéria sobre a luta da ambientalista Luiza Olivetto contra mais um projeto ferroviário totalmente destrutivo das nossas matas e nada vantajoso para o Estado baiano, inclusivamente no que respeita ao uso do dinheiro público (Direto da Fonte, 18/12). Talvez fosse interessante agregar ao tema a proposta de direcionar os recursos a fins mais promissores para o Nordeste, como reformar e modernizar as linhas ferroviárias que cortam a Bahia – o traçado atual é o mesmo do início do período republicano. Há ótimos textos de Meira Mattos advogando traçados que vertebrem (na linguagem dele) o País. Traçados que permitam os melhores fluxos das riquezas internamente, entre as regiões e, secundariamente, linhas de uso exclusivo de grupos econômicos – descomprometidos com o equilíbrio ecológico e social do País, como o citado.

PEDRO DE CAMARGO

DECAMARGO.PEDRO@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Boas-festas

O Estado agradece e retribui os votos de feliz Natal e próspero ano novo de Almir Pazzianotto Pinto, Anja Czymmeck – Fundação Konrad Adenauer Brasil, Associação Mundial Antitabagismo (Amatabr), Banco Fator, BMCcomm Marketing, CBIE, Equipe ACCertOrigem, Equipe Harsenal Equipamentos, FSB Comunicação, Instituto Aço Brasil, José Eduardo Zambon Elias e equipe do Centrocor Clínica do Coração de Marília e Tognetti Advocacia.


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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


UMA TENSÃO POR DIA

O presidente Jair Cloroquina Bolsonaro anda tenso porque sua popularidade está caindo, especialmente no Nordeste, com o fim do auxílio emergencial e a incerteza sobre a ampliação do Bolsa Família ou introdução de um programa substituto com sua marca registrada. Anda fazendo coisas toscas, como aproveitar a pintura do Relógio da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) para falar em ratazanas, apesar de tal companhia estar sob a direção do governo federal há 20 anos. Acusou o deputado Rodrigo Maia de ser o responsável pelo não pagamento do 13.º salário do Bolsa Família, para ser desmentido por seu próprio ministro de Economia, Paulo Guedes. Isso tudo além de sua atitude negacionista durante toda a pandemia da covid-19, deu uma de médico autodidata, prescrevendo a colorquina e o vermífugo nitazoxanida contra o vírus. Agora, incentiva a desconfiança contra as vacinas por exigir um termo de responsabilidade de quem tomar vacina, uma medida que não foi adotada em nenhum país. Que tal alguns dias de descanso dessas atitudes toscas durante o período de Natal e ano-novo?

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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PRESIDENTE INCENDIÁRIO

Participando da formatura de policiais militares no Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro atiçou os militares a se insurgirem contra a imprensa brasileira. Sugeriu aos formandos que acreditem somente nas redes sociais, e não nos veículos de comunicação.  Isso não é papel de um presidente da República, mas de um ditador! Bolsonaro está possesso com a imprensa, que já disse odiar, porque o noticiário é intenso sobre fatos envolvendo seu filho o senador Flávio, investigado pelo crime das rachadinhas. Nisso, prova cabal de que não cumpre o que prometeu em campanha, que iria combater a corrupção, é que, para salvar seu filho deste crime, o presidente fez até uma reunião no Planalto entre advogados do filho e dirigentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o que é inconstitucional! E a situação de Flávio se agrava, porque, graças a esta imprensa que respeitamos, foi divulgado um relatório supostamente feito pela Abin, a pedido de Bolsonaro, para ajudar os advogados de Flávio e livrá-lo deste crime. O caso, que já chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), se comprovado, é uma afronta institucional e o presidente pode até sofrer um processo de impeachment.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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IMPRENSADOS

Se ainda existia um pouco de responsabilidade no governo do irresponsável Jair Bolsonaro, agora já não existe mais. Durante aqueles estranhos e corriqueiros eventos em que ele costuma jogar brasileiros contra brasileiros, na última sexta-feira (18/12) foi a vez de incitar voraz, desproporcional e injustificadamente policiais cariocas contra todos os jornalistas, os quais disse que “estavam sempre contra a verdade e contra os militares”. Tanto quanto mais perigoso do que as atitudes levianas e tresloucadas do presidente tem sido a pouca importância que parte (comprada) da imprensa tem dado a esta loucura, não denunciando, por exemplo, às instâncias apropriadas mais esta que sugere ataque contra profissionais de um poder constituído para defender a sociedade, mostrando excessos, irregularidades, ilegalidades e quaisquer outros atos contra ela e a própria democracia. Como faz Bolsonaro e seus asseclas extremistas capazes de criar uma guerra, sem precedentes, entre quem defende a mentira, a barbárie, as rachadinhas e a velha política e quem é obrigado a mostrar a verdade, pura, simples e factual, doa a quem doer. Agrade ou não a governos antidemocráticos, fascistoides e, muitas vezes, parecidos com outros regimes de exceção.

João Di Renna  joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)

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DOBRE A LÍNGUA

Presidente Bolsonaro, a campanha acabou. Desça do palanque. Respeite os outros. Se quiser ser respeitado. Aprenda a conviver com o contraditório. Adquira bons modos. Evite ser grosseiro e mal educado. Cansamos de suas diatribes. Seus rompantes de histerismo e intolerância não lustram o cargo que o ocupa. Ao contrário. Deixe de ser destemperado. Não vai tomar vacina? Patética e lamentável declaração. Milhares de brasileiros morrendo e o senhor dando uma de super-homem de barro. Não trate jornalistas como se fossem seus vassalos. Muito menos serem tachados como “inimigos” dos policiais, como o senhor fez, em cerimônia na Polícia Militar do Rio de Janeiro. Jornalista não tem culpa se vossa excelência não gosta de ouvir perguntas duras e pertinentes, que esclareçam fatos. A ofensa tem dois lados. Seus capachos engravatados e estrelados alegam, virou surrada ladainha, que o senhor é assim mesmo. Não vai mudar. Pena. Poderosos de plantão adoram puxas-sacos em volta. Ofensa, presidente, é arma dos fracos. Sinal de falta de argumento. Pare de pisar nas pessoas. Não culpe os outros pelos seus intermináveis faniquitos. Jornalista não pode servir de bode expiatório de eventuais erros ou problemas de eventuais governantes. Troque os remédios. Tudo indica que os que usa estão vencidos. Têm efeito ao contrário. Dobre a língua. 

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

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A VERDADE

“Não esperemos da imprensa a verdade. As mídias sociais, essas sim, trazem a verdade, e não a fábrica de fake news que é a imprensa brasileira. Pensem nisso na hora de agir. Se preparem cada vez mais, simulem as operações que podem aparecer, porque em uma fração de segundo está em risco sua vida, do cidadão de bem ou de um canalha defendido pela imprensa brasileira.” E o boquirroto, falastrão e mentiroso contumaz presidente Bolsonaro mais uma vez agride a democracia incitando a Polícia Militar do Rio de Janeiro a se posicionar contra a imprensa. Até quando o País irá tolerar tamanha desfaçatez? Basta! Fora, Bolsonaro!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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A AJUDA DA ABIN

A Abin produziu pelo menos dois relatórios para ajudar a defender o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) no “caso Queiroz”, que revelou a existência de um esquema de rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e gerou denúncia contra o político por lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa. A situação é escancarada e configura o uso documentado de um órgão de Estado em benefício pessoal do presidente da República e sua família. A Abin, segundo a revista Época, colocou seus quadros para traçar uma estratégia destinada a livrar o filho mais velho do presidente do escrutínio da Justiça no caso da rachadinha. O presidente, além de não ter implementado ações contra a corrupção e as organizações criminosas, ainda usa do poder do Estado para auxiliar na defesa de seu filho, algo nunca antes visto na República.

Rafael Moia Filho rmoiaf@uol.com.br

Bauru

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‘FALTAM PROVAS’

O procurador-geral da República, Augusto Aras, está associado, de corpo e alma, à famiglia Bolsonaro. No caso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que subsidiou Flávio Bolsonaro com informações para que este conseguisse se safar das trambicagens, disse: “A ajuda da Abin é grave, mas faltam provas”. Ora, reuniões, e-mails e documentos trocados entre as partes envolvidas não são provas? Será necessário o logotipo da Abin com firma reconhecida? Ou Augusto Aras queria que Flávio Bolsonaro fosse ao seu gabinete e confessasse a tramoia? Muita ingenuidade ou má-fé de Aras, que tem obrigação legal de investigar e obter as provas. É lamentável!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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ABIN, PF & OS BOLSONAROS

Ramagens dão folhas. Ramagens dão flores. Ramagens dão frutos. Algumas, ao crescer, dão galhos. E com espinhos. Na dúvida, perguntem ao Moro...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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CERTEZA ABSOLUTA

Agora é oficial: Jair Bolsonaro interferiu na Polícia Federal para livrar seu filho das acusações de peculato. O País inteiro assistiu à reunião ministerial em que o presidente da República anunciou que não está para brincadeira e que iria, sim, manipular a Polícia Federal com o objetivo de proteger sua família e seus amigos, principalmente o inestimável amigo Fabrício Queiroz. O Brasil espera que as instituições cumpram o seu dever e desmantelem a quadrilha criminosa que está aquartelada no Palácio do Planalto, procedendo com cautela, os elementos estão armados e são extremamente perigosos.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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APARELHAMENTO DO ESTADO

O presidente Bolsonaro afirmava que não conseguia fazer nada porque o governo estava aparelhado pelo PT. Agora, que ele o aparelhou à sua maneira, por que continua não cumprindo suas promessas? Nem precisa responder.

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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HÁBITOS E (MAUS) COSTUMES VÊM DE CIMA

Uns falam lunch, outros falam almoço e outros, mais rango. O jogador de futebol Robinho, junto com cinco amigos, “rangou a mina”, segundo suas palavras, numa boate de Milão e foi condenado em 2.ª instância a 9 anos de cadeia e multa de 60 mil euros. Jair Bolsonaro, apesar de ter casa em Brasília, ocupava um apartamento funcional como “maradouro”. O deputado Fernando Cury abraçou “sebosamente” a deputada Isa Penna diante do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) Cauê Macris, que burocraticamente encaminhou o caso ao conselho de ética da casa, sem qualquer censura dele ou do governador João Doria do mesmo partido. Que punição sofrerá o deputado, além da perda de prestígio? 

Alberto Mac Dowell de Figueiredo amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos

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ASSÉDIO NA ALESP

O deputado Fernando Cury, do Cidadania, foi flagrado apalpando os seios de Isa Penna (PSOL) durante sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O Cidadania analisará o caso e afirma que o deputado está sujeito a expulsão do partido. Expulsão é pouco: o repugnante canalha merece ir para a cadeia e ser colocado numa cela repleta de homens. Aí ele vai ver onde lhe aperta o calo.

Cláudio Moschella claudiomoschellaarquiteto@gmail.com

São Paulo

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VAI CUSTAR CARO

O deputado tarado ainda teve a colaboração do colega atrás, que tentou impedir o assédio que, parece, foi anteriormente anunciado, puxando o tarado pelo paletó e tentando impedir a gracinha combinada entre ambos. Esta encoxadinha vai custar muito caro para o deputado mão boba. O mais incrível: aconteceu no plenário da Alesp!

Arcangelo Sforcin Filho despachante2121@gmail.com

São Paulo

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FIM DO AUXÍLIO

A popularidade do presidente Bolsonaro tem se mantido em nível razoável, durante a pandemia, graças ao auxílio emergencial dado a milhões de famílias carentes. É certo que haverá um revés nessa avaliação, devido à impossibilidade econômica de manter um benefício superdimensionado por uma briga de protagonismo do governo com o Congresso. Mas essa não é a pior consequência. Como reagirá socialmente este enorme contingente, sem emprego e sem nenhuma renda, com o fim do generoso auxílio, que o manteve com relativa facilidade até aqui? 

Abel Pires​ Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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QUEM DOA MAIS DINHEIRO PÚBLICO

A pandemia evidenciou uma pratica já antiga no Brasil: quem doa mais dinheiro público, via programas sociais – e isso atinge não só os governos federais, como estaduais e municipais. O apagão no Amapá trouxe à tona que neste Estado o governo local paga um auxílio de R$ 300 e poucos há anos. Os políticos usam essa prática para se promoverem e angariar votos, sendo que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deveria atentar para o fato. Não é divulgado que a maior parte do dinheiro desses programas sociais vem das pessoas mais pobres, via impostos dos produtos e serviços que consomem. Pessoas que ganham salário mínimo ou pouco mais contribuem, não recebem os benefícios e estes ainda são pagos a quem não necessita. Pessoas que os recebem também desviam para coisas como bebida alcoólica e fumo. Uma parte da sociedade que trabalha e às vezes ganha pouco sustenta a outra via auxílios e benefícios – inclusive os próprios aposentados e pensionistas do INSS contribuem.

Heitor Vianna P. Filho lagos@araruama.com.br

Araruama (RJ)

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CHUVAS EM SANTA CATARINA

Há mais de 50 anos que se sabe, em época de chuvas, da ocorrência de inundações, enchentes, enxurradas, quedas de barreiras, desmoronamentos, deslizamentos, destruição de barracos e muitas mortes. É caos repetido anualmente. Se as causas ainda não foram mapeadas tecnicamente pelos governos municipais, estaduais e federal, configura-se irresponsabilidade, incompetência, descumprimento de normas básicas e interesse na manutenção do status quo a fim de políticos continuarem a auferir votos, prometendo benefícios ao povo e sempre enganando a todos. Faltam providências efetivas e ações enérgicas quanto a ocupações e construções irregulares, bem como medidas preventivas em relação a tais calamidades.

Edivan Batista Carvalho edivanbatista@yahoo.com.br

São Paulo

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COMO CONHECI CLARICE LISPECTOR

Revelo aqui, nesta oportunidade, que conheci a escritora ucraniana Clarice Lispector (1920-1977), criada em Pernambuco e naturalizada brasileira, em 1961, quando ela foi a São Paulo para receber o último Prêmio Carmen Dolores Barbosa (1954-1961), patrocinado por uma senhora paulista, desejosa de projetar seu nome, nos meios literários do País, que na época gozavam de prestígio nos jornais mais do que nos tempos brasileiros de hoje. Então, eu trabalhava no período matutino, redigindo o noticiário da Rádio Gazeta, e no vespertino, fazendo reportagens para o jornal A Gazeta, ambos da Fundação Cásper Líbero. Tanto numa redação quanto na outra, eu mantinha contato quase diário com figuras expressivas da intelectualidade paulistana. Quem tinha a sua mesa de trabalho de programador cultural na redação da Rádio Gazeta, ao lado da minha – localizada junto ao aparelho de telex –, era o pintor Oswald de Andrade Filho (1914-1972), também conhecido por Noné de Andrade, que todas as manhãs recebia, para longas conversas, telefonemas de Tarsila do Amaral (1886-1973), uma das várias mulheres de seu pai, Oswald de Andrade (1890-1954), que liderou, ao lado de Mário de Andrade (1893-1945), a realização da Semana da Arte Moderna de 1922, da qual ela também participou. Mais ao fundo da sala sentava-se, junto a um quadro de avisos, um jovem claro, mais ou menos da minha idade, Paulo Riccioppo (1938), responsável por alguns dos programas de maior audiência da rádio. Era ele quem trazia para a nossa movimentada redação – em toda minha vida profissional, eu não conheceria nenhuma outra igual – um punhado de jovens, nossos contemporâneos, todos graduados pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, desejosos de realizar projetos em diversas áreas culturais. Destacava-se, entre eles, Maurício Rittner (1939-2015), um jovem, também de origem judaica, como Clarice, e claro, como, de olhos esverdeados, que usava óculos de grossas lentes, por causa da miopia. O sonho de Maurício era o de se tornar um grande cineasta, apesar da pressão em contrário do pai e do irmão, que tocavam uma empresa de grande porte na área da construção civil. Maurício, entretanto, já figurara, na ficha técnica de um filme, um clássico, Noite Vazia (1964), como assistente do diretor, Walter Hugo Khoury (1929-2003). Mas ele queria mais. E chegou a realizar As Delícias da Vida, Uma Mulher Para Sábado e A Arte de Amar Bem, além de dois ou três livros publicados sobre cinema. O seu projeto, na ocasião, era o de realizar um curta-metragem, de 45 minutos – nada mais que isso –, baseado no livro Perto do Coração Selvagem, de Clarice Lispector, por cuja obra tinha confessadamente grande admiração. E não só ele, mas também Paulo Riccioppo e a sua amiga, a escritora Maria Geralda, tia, porém, mais nova de Tarcísio Meira (1935), que acabara de estrear no teatro na peça Doce Pássaro da Juventude, de Tennessee Williams (1911-1983), sob a direção de Sérgio Cardoso (1925-1972). Maria Geralda era uma morena muito bonita, de olhos rasgados, como os de uma indiana, que, seguindo o receituário de Clarice, de linha intimista, com ruptura do enredo factual, e exacerbação de subjetivismo, já redigira alguns contos, quase todos publicados no suplemento literário de O Estado de S. Paulo. Escapávamos dessa coletiva admiração da obra da escritora de A Maçã no Escuro, eu, que ainda não lera nenhum livro dela, mas apenas suas crônicas no Jornal do Brasil, e, possivelmente, Américo Pellegrini Filho (1937), cujo foco eram as suas infindáveis pesquisas folclóricas, realizadas no Vale do Paraíba, principalmente em São Luís do Paraitinga. Hoje é professor, colaborador em pós-graduação na Escola de Comunicação e Artes da USP. Ao saber que Clarice estaria em São Paulo, na noite da premiação, Maurício, que já se adiantara na escritura do roteiro de seu projetado filme, tratou de se comunicar com ela, por telefone, usando com a devida permissão o aparelho do diretor da rádio, seu ex-professor Helcio de Carvalho Ramos (1929-2003). Concluída a conversa com a sua deusa literária, Maurício saiu do gabinete do diretor lívido, pálido de emoção, a tal ponto que chegou a nossa sala com a aparência de que iria desmaiar. Mas foi atendido a tempo por Maria Geralda, que o conduziu a uma poltrona, enquanto Paulo Riccioppo lhe servia um copo de água. Foi quando ele nos revelou que Clarice aceitara o convite, por ele formulado, a fim de participar de um coquetel, em sua homenagem, para acontecer na noite da premiação, após a solenidade. O certo é que, ao aceitar o convite, Clarice fizera, segundo Maurício, várias exigências, por estar passando, conforme disse, naquela ocasião uma fase difícil, de depressão, causada por sua então recente separação do embaixador Maury Gurgel Valente (1921-1994) – um diplomata de escol, um intelectual de quilate, leitor de Cervantes e de Shakespeare, e amicíssimo de Erico Veríssimo (1905-1975) –, com quem ela viveu de 1953 a 1959 e teve dois filhos, Pedro (1954) e Paulo (1956) Gurgel Valente, os quais, ao que consta, passaram a viver com o pai. Ao que ela teria acrescentado, segundo nos disse Maurício, a oportunidade que ele lhe oferecia de se reunir com jovens leitores de suas obras ser-lhe-ia benéfica, pois evitaria que ficasse fechada, sozinha, por muito tempo, num quarto de hotel, já que deveria regressar ao Rio no primeiro voo do dia seguinte da ponte aérea. Pediu, porém, que o número de participantes fosse o mais restrito possível, e que as conversas fossem voltadas apenas para questões literárias. Formou-se, então, em nosso meio, uma grande expectativa em torno do acontecimento. O coquetel seria realizado na garçoniére que Maurício mantinha com dois associados, jamais revelados, num belo edifício situado na esquina da Avenida São Luís com a Praça da República. O apartamento de um quarto tinha, além da cozinha, bem equipada, uma sala ampla, muito bem decorada, com pequena varanda, dando para a Avenida São Luís. Quando lá chegamos – dois redatores de A Gazeta e eu –, Maria Geralda, Paulo Riccioppo e duas amigas davam os retoques finais na mesa, que exibia, além de um vaso de flores, ao centro, uma variedade de salgados, de doces e de bebidas. Maurício, conforme ela nos disse, já tinha ido com um amigo apanhar a homenageada Clarice. Outros convidados apareceram. Ao todo, imagino, estavam lá, naquela noite, mais de 20 pessoas, que conversavam animadamente, mas não dando ao ambiente nenhuma semelhança com coquetel oferecido por Holly Golihtly (Audrey Hepburn), em seu exíguo apartamento no filme Bonequinha de Luxo, de Blake Edwards (1922-2010), grande sucesso nos cinemas naquele ano de 1961. Quase todos os presentes tinham exemplares de A Maçã no Escuro, obra que dera motivação ao prêmio a Clarice, para que ela os autografasse. De repente, anunciada por Maurício, a estrela apareceu. Era a hora dela, que ingressou na sala um tanto constrangida – ou se fazendo como tal –, pedindo a todos que moderassem nas saudações. Era realmente uma mulher muito bonita, de porte elegante, com ligeiro sotaque pernambucano, o que, sem dúvida, fazia destacar ainda mais a sua beleza. Lembrei-me de Pirandello, pois ela me pareceu ser mais uma personagem em busca de um autor. Talvez, como Holly Golihtly, inclusive no seu desejo de ser uma brasileira autêntica. E mais: a personagem que se nos apresentava, na ocasião, não portava a cabeleira postiça que as mulheres devotas judias usam, em qualquer evento social, mas ostentava, sem dúvida, uma máscara – também como Holly Golihtly –, um disfarce, como elemento de proteção ou de defesa do que lhe passava no interior. E fumava desbragadamente. Esse vício, por sinal, lhe causaria mais tarde os dissabores de ter de ser socorrida pelos bombeiros cariocas ante um princípio de incêndio, em seu apartamento, causado por uma ponta de cigarro aceso que fez alastrar o fogo pelas cortinas, segundo se noticiou na época. Logo, Clarice sentou-se, a um canto, onde havia um pequeno console, e, servindo-se dele, começou a autografar os exemplares de seu livro que lhe eram apresentados. Então, eu já havia lido o exemplar, que me fora emprestado por Maria Geralda. E já firmara convicção de que a linha intimista, tal como imposta por Clarice, seguida por sua irmã Elisa Lispector (1911-1989) e por minha amiga, Maria Geralda, não me agradava. Sou um devorador de livros. Mas não gosto – nunca gostei – de autores trancados em si mesmos em suas elucubrações, que são incapazes de fixar a paisagem que os cerca. Sou, como Anibal Machado (1894-1964), autor de A Morte da Porta-Estandarte,  que dizia: “Mesmo caminhando para o patíbulo, o homem deve olhar  a paisagem...”. E esse não é o caso de Clarice e de seus seguidores, que, se chegam a olhar para fora de si mesmos, o fazem de forma muito artificiosa, sem autenticidade alguma. E penso que, a meu critério, A Maçã no Escuro está longe de ser comparado aos demais livros premiados pela sra. Carmen Dolores Barbosa: Os Cangaceiros, de José Lins do Rego (1901-1957), autor que muito prezo (Fogo Morto, também de sua autoria, para mim, é um dos romances mais primorosos da literatura brasileira); A Menina Morta, um clássico, sem dúvida, do grande escritor mineiro Cornelio Penna (1896-1959), infelizmente esquecido por todos nós;  A Rua do Sol, uma preciosidade de Origenes Lessa (1903-1966); Gabriela, Cravo e Canela, a obra-prima de Jorge Amado (1912-2001) depois que se libertou do jugo comunista; A Montanha Russa, também um belo livro, do poeta paulista Cassiano Ricardo (1895-1967); e o monumental Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa (1908-1967). Terminada a sessão de autógrafos, iniciou-se o coquetel, que animou ainda mais as conversas. As com Clarice foram monopolizadas, como se esperava, por Maurício, Paulo e Maria Geralda. Como eu me encontrava mais ou menos por perto, cercado por outros amigos, pude perceber que o primeiro se mostrava exultante ante as aprovações monossilábicas de Clarice sobre tudo o que ele lhe expunha acerca da adaptação, que vinha fazendo, de seu romance para a linguagem cinematográfica. Como o tempo tudo apaga, tudo destrói, não sei dizer se Maurício chegou a concluir o seu projeto de realizar o filme baseado na obra de Clarice. Vindo para Brasília, algum tempo depois, rarearam – ou acabaram – os meus contatos com os amigos das redações da Rádio Gazeta e do jornal A Gazeta. Com o avanço do horário, naquela noite, alguém sugeriu a Clarice que passássemos, os que ainda nos encontrávamos presentes, a madrugada numa boate que havia ali por perto, na Rua Major Sertório, sugestão essa que ela prontamente aceitou, para ir de lá, ao amanhecer, direto ao aeroporto. Acompanhei-os até á porta da boate, mas não entrei, pois teria de estar na redação às 6h30, a fim de redigir o noticiário a ser apresentado ao início das transmissões da Rádio Gazeta, às 7 horas em ponto. E foi assim que conheci Clarice Lispector, que neste 10 de dezembro de 2020 estaria completando cem anos.

Reynaldo Dómingos Ferreira reydferreira@gmail.com

São Paulo

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