Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2020 | 03h00

Desgoverno e pandemia

Haverá um amanhã?

Vivemos num país onde leis, quando existem, não são cumpridas. Começa pelo governante do País, um tipo mal-acabado do que há de pior na política, que desde o aparecimento da pandemia nunca mostrou vontade nem capacidade de tomar as decisões obrigatórias para enfrentar um mal que afetou o mundo. Na sua falta de saber o que fazer, desdenhou dos países que tomaram medidas para evitar mortes, ao mesmo tempo que investiram na busca de uma vacina para contra-atacar esse vírus, que, segundo ele, provoca apenas uma “gripezinha” – e quem se protegeu é “maricas”. Fosse em países sérios, ele não estaria mais no cargo. Cerca de 40 países (incluídos quatro sul-americanos) bloquearam a entrada de pessoas vindas do Reino Unido porque se constatou a triste novidade da alteração genética do coronavírus, que parece ser mais transmissível. Daí a drástica, mas necessária medida de isolar essas pessoas, para evitar a disseminação. E aqui, o que o doutor cloroquina resolveu? Nada. Até o fim do ano, dos cidadãos britânicos que aqui chegarem nada será exigido por enquanto, como no começo do ano – quando decidiu tomar medidas sanitárias já era tarde e hoje temos quase 200 mil mortos. Não sabemos como será o amanhã, mas, se continuar assim, ele nem haverá.

LAÉRCIO ZANINI

SPETTRO@UOL.COM.BR

GARÇA

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Olho gordo

“A eficácia daquela vacina em São Paulo parece que está lá embaixo, né?”, disse Bolsonaro. Nunca se viu ninguém botar tanto mau-olhado numa vacina que poderá ser um alívio.

ROBERT HALLER

ROBELISA1@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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De responsabilidade

O presidente declarou em live que não se responsabilizará por qualquer problema causado pelas vacinas contra a covid-19. Ora, e ele já se responsabilizou por alguma coisa? Em cursos de graduação em Administração de Empresas, uma das primeiras coisas que se aprendem é que se delega autoridade, não responsabilidade. Alguém precisa avisá-lo disso. Quem sabe, com medo, ele renuncia...?

HELEO POHLMANN BRAGA

HELEO.BRAGA@HOTMAIL.COM

RIBEIRÃO PRETO

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‘Confiteor’

Médicos e empresários apoiaram maciçamente Bolsonaro na eleição. Hoje assistem ao descaso no enfrentamento da covid, que impacta negativamente a reativação da atividade econômica. Até quando vão se calar?

WALTER BARRETTO JR.

WALTERBARRETTOJR@ICLOUD.COM

SALVADOR

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Educação e desenvolvimento

Formação dos jovens

O editorial O potencial produtivo dos jovens (25/12, A3) mostra a imensa distância entre a realidade brasileira e as expectativas do nosso sistema produtivo, verdadeiro criador de riquezas. Precisamos reconceituar os currículos, assim como uma redistribuição de esforços entre as partes envolvidas. As empresas (e os sindicatos patronais) têm de ser vistas como geradoras de formação e núcleos de conhecimentos produtivos. O Estado deve financiar parte desse esforço, isentando custos de contratação de aprendizes e/ou estimulando essa prática com isenções fiscais. A jornada do aluno aprendiz deve ser partilhada entre aprendizado e trabalho. Os profissionais e especialistas nas empresas devem ser preparados em didática. As escolas do Estado devem ser pensadas para preparar jovens segundo as vocações produtivas da região de sua influência. Em 20 anos poderemos superar esse gigantesco hiato e, quem sabe, incluir o Brasil no jogo das nações mais produtivas.

ULRICO BARINI

ULRICO@CONSULTANT.COM

SÃO PAULO

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Volta às aulas

Na estratégia da volta às aulas não se leva em consideração o contato pessoal, a amizade entre pessoas, a real interação professor/aluno? Só se fala em computador, métodos digitais, que apenas deveriam complementar o ensino. Não esqueçamos que o ser humano é gregário.

RENATA PIMENTEL DE OLIVA

RENATAPOLIVA54@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Em São Paulo

Heranças malditas

A lamentável gestão de Fernando Haddad deixou algumas “heranças malditas” para a cidade de São Paulo e seus munícipes, que impactam negativamente nossa vida até hoje, como o nefasto Plano Diretor e a Lei do Zoneamento, que impedem os bairros periféricos de crescer, entre outras. Uma das mais nefandas e injustas é a revisão do valor venal que alguns imóveis tiveram em 2013. Não sabemos por que motivo, essa revisão estabeleceu um gatilho automático que aumenta o valor do seu IPTU em 10% anualmente, desde 2013, não importam a inflação, o valor de mercado desses imóveis, que não acompanha tal aumento, nem mesmo a situação econômica do País. Para culminar, leio com estupefação na edição de 23/12 que, ao contrário de toda cidade de São Paulo, que não terá aumento de IPTU, esses imóveis serão majorados em 10%! Um verdadeiro descalabro, que vai contra o princípio constitucional da isonomia. Pobres de nós, proprietários desses imóveis. Nós nos tornamos cidadãos de segunda classe perante a Prefeitura? E nada de a Câmara Municipal procurar fazer algo para corrigir esse absurdo. Até quando?

NICK DAGAN

NICK@VERTIPLANCONSTRUTORA.COM.BR

SÃO PAULO

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Boas-festas

O Estado agradece e retribui os votos de boas-festas e feliz e próspero ano novo de Agência Radioweb, Amit Kumar Mishra – cônsul-geral da Índia em São Paulo, Ana Carla Abrão, Celso Lafer, Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, Equipe Future London Academy, Equipe Nazaré Uniluz, Geder Parzianello, Ingrid e Alexandru Solomon, Luiz Henrique e Marily Miranda – AMIgo! Comunicação, Luís Perez, publisher do Carpress, Maribel Gimeno – Escuela de Negocios Hispania, Ricardo Bergamini, Yasmim Araujo Vital e Wagner Sorban.


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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


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VACINAÇÃO NA EUROPA

No Brasil, 27 unidades federativas (26 Estados e o Distrito Federal) não conseguem o apoio do governo federal para a coordenação nacional de vacinação em massa contra a covid-19.  Sem vacina, sem data e sem seringas, o País adentra o ano de 2021 acompanhando a vacinação por toda a América Latina. Enquanto isso, os 27 países da União Europeia começam a campanha de imunização na mesma data (27 de dezembro). A vacinação de todo o continente europeu deve ser muito rápida e realizada de maneira acelerada durante os primeiros meses de 2021. Estudo britânico, publicado em 24 de dezembro, aponta que a variante do novo coronavírus no Reino Unido é muito contagiosa e pode provocar um repique no número de casos de contaminados pela pandemia. Pesquisa, planejamento, organização, coordenação e logística são fundamentais para se resolver a maior crise sanitária mundial desde 1918.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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O BRASIL NA RABEIRA DO TERCEIRO MUNDO

O Primeiro Mundo e países como Argentina, Chile, Costa Rica e México já estão começando a imunizar suas populações contra a covid-19. O Brasil nem sequer entrou em campo, não tem vacinas, não lembrou nem de providenciar seringas em quantidade suficiente para atender sua população. O presidente da República segue negando a pandemia e sugere que todos devem contrair a doença para alcançar a imunização. Se mais algumas centenas de milhares de brasileiros morrerem nesse processo, que assim seja, Bolsonaro já esclareceu que isso é problema dos coveiros, não do presidente da República. O ministro da Saúde não entende o motivo de as pessoas estarem ansiosas à espera da vacina salvadora, que na opinião dele não terá demanda. O Brasil espera a renúncia desse lixo de governo. Como isso não vai acontecer, o País espera que as instituições funcionem e afastem o pior presidente da história, usando qualquer um dos incontáveis motivos constitucionais para o impeachment de Jair Bolsonaro.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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A VACINA NO BRASIL

Vários países, inclusive na América Latina, já começaram a vacinar suas populações, e o Brasil ainda discute se a imunização será obrigatória ou não. O número de mortes só cresce. Para dar uma forcinha na confusão, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, resolveu pedir prioridade para o pessoal do Judiciário, à semelhança do que já fizera o Ministério Público de São Paulo. O ministro dirigiu-se ao órgão errado e recebeu um sonoro não. Para piorar, resolveu dar uma entrevista para justificar-se, confirmando a máxima popular de que “a emenda foi pior que o soneto”. Não pegou bem. Uma coisa não se pode negar ao ministro, ele conseguiu fazer com que quatro ministros da Corte abrissem mão do recesso do Judiciário e das férias de janeiro para continuarem despachando os processos de suas relatorias. Fato inédito. Com certeza, vão aliviar a carga de serviços do presidente.

Antônio Dilson Pereira advdilson.pereira@gmail.com

Curitiba

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CARTEIRADA DOS DEUSES

Vergonhoso! Não tem outra palavra para a carteirada que os Tribunais Superiores querem aplicar no programa de vacinação, aqui, no Brasil. Se já não bastassem os privilegiados em vantagens pecuniárias e folgas e férias muito acima dos mortais brasileiros, agora querem que os servidores da Justiça furem a fila quando do início da vacinação. Vergonha! Parabéns à Fiocruz em negar tal disparate.

Éllis A. Oliveira elliscnh@hotmail.com

Cunha

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CORONAVAC

Decepcionante o anúncio (ou a falta dele) da eficácia da vacina chinesa Coronavac no Brasil. Decepcionante também o substantivo utilizado para não definir nada em relação à funcionalidade do antígeno. O termo limiar parece ter alguns significados, nenhum cabal. O mais utilizado se refere a início, princípio. A vacina teria alcançado o início de eficácia, ou seja, produziria em torno do mínimo de 50% de anticorpos no enfrentamento do vírus. A esperança reacendeu ao se tomar conhecimento da pesquisa turca com a mesma vacina, 91,25% eficaz, mas com dúvidas sobre sua representatividade em razão da amostra menor que a ideal.

Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo

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EFICÁCIA DA CORONAVAC

Segundo o jornal Wall Street Journal, a eficácia da vacina Coronavac é de 50%. Se assim for, a chance de uma pessoa por ela imunizada será de 50%. Imunização assim se resume a um talvez. Precisamos de vacinas com eficácia próxima de 100%.

Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro

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OS NOVOS PREFEITOS E O COMBATE À COVID-19

Prefeitos de diferentes pontos do Estado de São Paulo – especialmente os do litoral – abandonaram a obediência às medidas restritivas do Estado no controle à pandemia. Em vez de aceitar a decretação estadual e colocarem suas cidades no status “vermelho” – que fecha bares e restaurantes e impõe restrições ao comércio e a diferentes atividades – mantiveram o nível “amarelo”, que permite o funcionamento de tudo sob medidas de controle sanitário. Essa atitude é de suma importância, principalmente agora, que temos a renovação dos mandatos municipais. É uma interessante postura, pois pouco importa a estatística nacional ou estadual de infectados, mortos e vagas hospitalares, se tivermos em nossa cidade os recursos que nos socorram numa necessidade. E isso quem tem de prover é o prefeito, ajudado pelos vereadores. Esperam-se atitudes mais proativas dos atuais prefeitos e dos que tomam posse no dia 1.º de janeiro. Que não aceitem caninamente as imposições dos governadores e outras autoridades estaduais ou federais e façam o que entenderem ser mais apropriado para suas cidades e respectiva população. Cada governante deve assumir suas responsabilidades e jamais cedê-las a terceiros, e, se o fizerem, a tendência é que paguem muito caro por isso. Dezenas de prefeitos obedientes ao governador já descobriram isso, da pior forma: perdendo a eleição. O povo deixou de neles confiar.

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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RECESSO

Alguém poderia afirmar que o Congresso e a Justiça trabalharam este ano? Mais de seis meses “fechados”, mais de três meses discutindo o sexo dos anjos e agora, exaustos, entraram em férias. Tudo patrocinado pelo esfolado povo. Até quando teremos de suportar isso?

Milton Bulach mbulach@gmail.com

Campinas

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MUITO CONFIÁVEIS

Para confirmar a confiança nos políticos brasileiros na eleição para a presidência da Câmara Federal, teremos na eleição secreta muitos traidores traindo traidores. É o que temos, por enquanto...

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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OBSCENIDADE

O Diário Oficial da cidade de São Paulo de 24/12 publicou a Lei n.º 17.543, de 23/12/20, reajustando em 46,6% o subsídio mensal do atual prefeito e outras autoridades municipais. Evidentemente, a medida gerou inúmeras críticas aos vereadores e ao próprio prefeito, que a sancionou, independentemente de ele merecer o reajuste. De fato, considerando a atual situação de desemprego e crise econômica na cidade, resultado da pandemia que assola a nossa civilização, agravada pela inépcia do governo federal, o porcentual beira a uma obscenidade. Entretanto, ao analisar a referida lei no Diário Oficial, constatei alguns itens estranhos em sua redação. O projeto de lei (PL), que deu origem ao aumento em pauta, é o de n.º 173/2018, de 5/3/2018. De autoria da Mesa da Câmara Municipal, esse PL regulamenta a aplicação do art. 1.º da Lei n.º 14.889/2009, que dispõe sobre a fixação da data-base para os servidores públicos da própria Casa. A última anotação, no site da Câmara Municipal sobre o PL 173/2018 foi do parecer conjunto n.º 1.320/2020, de 21/12/2020, das suas Comissões de Finanças, Administração Pública e Orçamento, ainda tratando da atualização dos vencimentos de seus servidores públicos, sempre citando a Lei n.º 14.889, que trata só de servidores do Legislativo. Nessa lei, portanto, não há referências aos vencimentos dos servidores do Executivo e muito menos do prefeito e de outras autoridades eleitas e comissionadas. Embora leigo em Direito, a lei aprovada peca pela falta de lógica, por misturar alhos com bugalhos.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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PATRIMÔNIO

Com esse “salariozinho”, estou curioso para saber se o sr. prefeito Bruno Covas vai manter sua declaração de ter R$ 105 mil de patrimônio, após esse “reajustezinho”. Cara de pau!

Luiz Antonio Amaro da Silva zulloamaro@hotmail.com

Guarulhos

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VALE PARA TODOS?

O prefeito da capital paulista aprovou o projeto da Câmara Municipal que concede um reajuste de 47% nos seus rendimentos e nos do secretariado. Por certo, o cargo deve ser bem remunerado, mas cabe a indagação, ou seja, como fica a situação do funcionalismo público como um todo? Afinal, é preciso que haja muita coerência no comportamento do Executivo em relação a toda a equipe municipal.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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DEPOIS DA ELEIÇÃO

Imediatamente após o resultado das urnas, os eleitos mostram a cara e revelam sua verdadeira identidade àqueles que os elegeram. Bruno Covas pediu e a Câmara Municipal quase dobrou seu salário após eleito, fazendo vistas grossas para a deplorável situação dos desempregados. João Doria foi para Miami ignorando o recrudescimento da pandemia após as eleições. Bolsonaro, que viu os candidatos que apoiou serem fragorosamente derrotados, continuou navegando contra a correnteza em todas as medidas por ele decididas. Impedir a adoção de um regime parlamentarista diante do descaso desses políticos é a garantia de continuidade desses pretensos homens públicos no comando dos cargos mais importantes do País, trabalhando sempre contra os interesses da população e a favor de suas verdadeiras metas e desígnios, sem a possibilidade de expurgá-los da vida pública a não ser quatro anos depois, nas novas eleições.

Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com

São Paulo

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GRATUIDADE DO TRANSPORTE

Bruno Covas, dando banana para direitos adquiridos, acabou com o transporte gratuito para idosos de 60 a 65 anos, a única diversão de boa parte dos nossos velhinhos carentes.

Roberto Twiaschor rtwiaschor@uol.comm.br

São Paulo

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O RJ E A SUA ETERNA RECUPERAÇÃO FISCAL

Ao ingressar com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a prorrogação do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), a gestão fluminense sinaliza que não foi capaz de resolver seus já conhecidos problemas financeiros e, pior, abre caminho para um acordo de duração infinita. É importante destacar que o governo do Rio de Janeiro sabia e concordou com os termos do RRF, ou seja, estão querendo judicializar uma questão que já havia sido acordada entre as partes envolvidas. Parece-me que o Rio de Janeiro nunca mais vai querer pagar sua dívida com a União. Melhor, então, pedir o perdão da totalidade do débito. O descrédito ainda ronda e assombra o Palácio Guanabara.

Willian Martins martins.willian@globo.com

Guararema

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JUROS BANCÁRIOS

O Estadão de 24/12 noticiou que juros do cheque especial e do cartão aumentaram. Os bancos têm tido lucros bilionários e, em troca, assistimos à propaganda piegas com abelhinhas e um vovô. Este vovô está precisando da restituição dos valores dos planos econômicos, e não de propaganda utilizando o Natal de forma astuta.

Eduardo Domingues domingueseduardo@uol.com.br

São Paulo

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