Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2021 | 03h00


2021

Ano novo com jeito de velho

Novo ano, mas onde ficaram os projetos novos, as novas ideias e, principalmente, as tomadas de posição dos políticos incumbidos de conduzir o nosso país ao seu agora cada vez mais distante brilhante destino? A velha política do “eu primeiro e aos meus amigos e parentes tudo” parece rejuvenescer a cada ano, contrariando forte e abertamente todos os conceitos mais primários da ética e da boa política. Ao povo só restam o direito do voto e uma leve esperança num futuro melhor – que, pelos noticiários, teima todos os dias em nos levar a desistir dela.

VERA BERTOLUCCI veravailati@uol.com.br

SÃO PAULO

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Indefinições

Um novo ano começa e, por certo, não vemos definições sobre as mais importantes questões. Às perspectivas relativas à pandemia, com divergências quanto à aplicação das vacinas, e à crise no campo político com a disputa pela direção do Legislativo federal se somam os procedimentos de quem ocupa o cargo maior da República. Mas não podemos ficar omissos. Mais do que nunca se fazem necessários a participação dos cidadãos, o entendimento, a coerência e, sobretudo, a transparência. O momento é agora.

URIEL VILLAS BOAS urielvillasboas@yahoo.com.br

SANTOS

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Desgoverno Bolsonaro

No alvo

O editorial Ainda faltam 17,5 mil horas (A3), no primeiro dia deste novo ano de 2021, acertou em cheio ao dizer, sobre os dois primeiros anos de mandato do presidente Jair Bolsonaro, que foi o pior governo da História do Brasil. Eu reforço o coro e digo também: dois anos de vergonha internacional. O pior é que teremos de suportar mais dois anos para, enfim, terminar essa pífia administração, como diz o Estado. Haja paciência!

TOSHIO ICIZUCA toshioicizuca@terra.com.br

PIRACICABA

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Sopa no mel

O editorial Ainda faltam 17,5 mil horas do pior governo da História vem bem a calhar. Mas levando em conta que em torno de 30% a 35%, segundo pesquisas, consideram o atual governante ótimo ou bom, eles o colocam no segundo turno das eleições de 2022. E se o concorrente for um petista, principalmente Lula da Silva, essas 17,5 mil horas serão acrescidas de mais quatro anos.

J. A. MULLER josealcidesmuller@hotmail.com

AVARÉ

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Decepção e tolerância

Os brasileiros certamente estão decepcionados com os representantes das nossas Forças Armadas – que sempre contaram com o maior prestígio nacional –, em decorrência do quadro de tolerância apresentado por eles no atual governo. Os desgastes sofridos pelo general Eduardo Pazuello como ministro da Saúde, além de outros militares da ativa, criticados constantemente, são fatos que não deveriam ocorrer, em benefício da área militar do País. Mas, porque assim determina o regime democrático, vamos ter de suportar mais dois anos do governo Bolsonaro, insensível a uma pandemia avassaladora, omisso diante de promessas de campanha e contraditório quanto às tão necessárias privatizações, além de outras falhas. Enquanto isso, entre decepções e tolerâncias, a grande maioria dos brasileiros espera novos candidatos, que impeçam a reeleição presidencial em 2022.

JOSÉ CARLOS DE CARVALHO CARNEIRO carneiro.jcc@uol.com.br

RIO CLARO

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Pandemia

Isolado do mundo

Pelo péssimo andar da carruagem, Bolsonaro e Pazuello estão contentíssimos por nem sequer terem conseguido comprar seringas e agulhas para a imunização dos brasileiros. Enquanto isso, numerosos países já vacinam seus habitantes, que em breve estarão imunes ao vírus. Na verdade, esses dois “coveiros” conseguirão isolar o Brasil do resto do mundo caso o Supremo Tribunal Federal e os governadores não interfiram na ação dessa dupla irresponsável e dolosa. Salve-se quem puder!

JÚLIO ROBERTO AYRES BRISOLA jrobrisola@uol.com.br

SÃO PAULO

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Nação refém da Anvisa

Foi inacreditável saber de um diretor da Anvisa que para aprovar uma vacina agora é necessário verificar se ela é a mesma que foi aprovada no exterior, se os insumos usados e o processo de produção são os mesmos, e verificar a qualidade do processo de fabricação, entre outros requisitos. Que país é este? Se uma vacina foi aprovada em país desenvolvido para uso em milhões de seus cidadãos, por que vamos gastar dinheiro e perder tempo aqui? Melhor comprar agulhas para vacinar.

ROBERT M. MAKINS rmakins@cwaynet.com.br

SÃO PAULO

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‘Cunhambebe’

Pela demonstração de incompetência, o almirante designado para dirigir a Anvisa demonstra incompetência para dirigir até a antiga balsa do Guarujá.

JOÃO PAULO GARCIA jotapege39@gmail.com

SÃO PAULO

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Planos de saúde

Quem aguenta isso?

Mais uma vez a ANS autorizou aumento dos planos de saúde muito acima da inflação e dos reajustes dos trabalhadores e aposentados. Pelo visto, partidária das operadoras, a ANS vem criando dificuldades seriíssimas para a população, cujos rendimentos mal conseguem custear despesas básicas. A pandemia afetou a todos, não só os planos de saúde. Lamentavelmente, a população não tem a quem recorrer nem quem a defenda.

ELIAS SKAF eskaf@hotmail.com

SÃO PAULO

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Em São Paulo

Menos poluição sonora

Nesses dias de festas a cidade ficou mais silenciosa, com a drástica redução de motos circulando. Sugestão à Prefeitura e às empresas de delivery: orientem os entregadores a manter as motos com a regulagem padrão, evitando circular com escapamentos barulhentos.

FRANCISCO EDUARDO BRITTO

BRITTO@ZNNALINHA.COM.BR

SÃO PAULO


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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br



ESCÂNDALO NO STF

Escândalo posto, pressão contínua da sociedade, em 28 de dezembro, o supremo presidente Luiz Fux exonerou o secretário de Serviços Integrados de Saúde do Supremo Tribunal Federal (STF), dr. Marco Polo Dias Freitas, dando a entender que não sabia do pedido do Supremo à Fiocruz para reservar 7 mil doses da vacina contra a covid-19 para os servidores da Casa. Bom saber que a proposta inicial do referido médico apontou 4 mil doses, alteradas para 7 mil, por injunções superiores. Trairagem feia, vez que, segundo o dr. Freitas, em 11 anos de casa nunca praticou qualquer ato sem a anuência de seus superiores hierárquicos. Comprovando que a mentira tem pernas curtas, eis que no dia 29 de dezembro veio a público que na mesma data, 30 de novembro, igual pedido (7 mil doses) foi feito também ao Instituto Butantan. Que gana! Não havendo motivos razoáveis para dar provimento aos descarados e imorais expedientes, ambos, Butantan e Fiocruz, deram de ombros ao insolente STF. Fichas ao chão, resta saber quem será o próximo burocrata a ser exonerado, em razão da fracassada investida sobre o Butantan, ora escancarada pela mídia. Presidente Fux, calce as sandálias da humildade e retrate-se, pois! Qualquer que seja a retórica, importa saber se no bojo dos pseudocontemplados pelas 14 mil vacinas negadas estariam os parentes, namoradas, concubinas, secretárias do lar, motoristas e garçons particulares, vizinhos, afilhados, colegas de mesas de bar e de pôquer dos supremos juízes, em detrimento dos demais brasileiros e barnabés menos iguais? Que tribunal é este? Vergonha!

Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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PRIORIZAÇÕES IMORAIS

Que a emenda ficou pior que o soneto não há dúvida alguma: a exoneração do médico Marco Polo de Freitas pelo presidente do STF, ministro Luiz Fux, foi nada menos que incoerente e injusta e piorou o que já estava ruim. Entretanto, falando em justiça, justiça seja feita: recentemente, representantes de outras categorias profissionais em São Paulo – Ministério Público, delegados, motoristas de ônibus – fizeram a mesma reivindicação de priorização da vacinação contra o coronavírus, mas não tiveram o mesmo repúdio da opinião pública. Tentar furar a fila da vacinação com base em critérios nada científicos é moralmente condenável e, desnecessário dizer, passa longe da justeza.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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QUEM EXONERARÁ?

O presidente do STF, Luiz Fux, exonerou o secretário de assuntos integrado de Saúde da Corte, Marco Polo Dias Freitas, por ter este solicitado à Fiocruz a reserva de 7 mil vacinas contra a covid-19, sem sua autorização. Mas, dias atrás, o mesmo Fux defendeu a medida, em entrevista à TV Justiça, com o matreiro discurso de ser necessário se preocupar com a paralisação das instituições fundamentais ao Estado. A pergunta que não quer calar é: quem exonerará o ministro?

Abel Pires​ Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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FILA DA VACINA

Os privilegiados do País (STF, STJ, etc.), que nada fizeram para apressar o imunizante para o povo brasileiro, devem ficar por últimos na fila! Bem como os políticos.

Lourdes Migliavacca lourdesmigliavacca@yahoo.com

São Paulo

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RESERVA DE VACINAS

Realmente, dá uma vergonha danada de ser brasileiro, país onde os privilégios e as carteiradas abundam impunemente.

Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo

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BRASIL 2021

O Brasil vai mal como sempre: juízes do STF pagam suas dívidas com condenados na tentativa de torná-los elegíveis em 2022 (volta dos processos à primeira instância? É um caminho), que vergonhoso. Ex-presidenta, destituída do cargo, torturada? Deveria mostrar o raio-x da mandíbula e, caso seja verdade, mesmo, incluir na fatura do atual presidente mais esse vexame. Em 2022 teremos talvez um ex-condenado beneficiado por seus fornecedores no STF, um governador alpinista político, e um ex-juiz que entrou na conversa do presidente – tolinho. Brasil, se cercar, é hospício; se cobrir, é um grande circo. A conferir.

Ricardo Fioravante Lorenzi ricardo.lorenzi@gmail.com

São Paulo

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BOLSONARO E A TORTURA

“Dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela. Traz o raio-x para a gente ver o calo ósseo. Olha que eu não sou médico, mas até hoje estou aguardando o raio-x”, disse Jair Bolsonaro. A propósito, presidente, o senhor tem o raio-x do antes e depois de sua operação para retirar um cálculo da bexiga? Não tem? Então não me venha com chorumelas! Parodiando o aluno Pedro Pedreira, da Escolinha.

Cláudio Moschella claudiomoschellaarquiteto@gmail.com

São Paulo

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UM OGRO NO PODER

Irresponsável, frouxo, corrupto e incapaz foram as características de Bolsonaro proferidas por Ciro Gomes a respeito do comentário do presidente Bolsonaro sobre a tortura sofrida por Dilma Rousseff na época da ditadura. Lula classificou o ex-capitão de um homem sem valor. Dilma chamou o chefe de Estado de sociopata. Jair quer ver o calo ósseo da mandíbula da ex-presidente da República. O milico quer desviar a atenção das pessoas, para que elas não vejam a inflação de 23%, estabelecida pelo IGP-M. O comentário foi no mínimo infeliz, inconveniente e impertinente. Bolsonaro mais parece um ogro.

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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TORTURA

No Estado Democrático de Direito que o País vive, duramente reconquistado após os anos de chumbo do regime de exceção da ditadura militar (1964-1985), de lamentável memória, causou espécie e azia a fala em tom de deboche do presidente Bolsonaro negando a ditadura, a covardia e a brutalidade das criminosas e abomináveis sessões de tortura praticadas nas sombras dos porões aos milhares de perseguidos, entre os quais a ex-presidente Dilma Rousseff. Negar a tortura – crime hediondo e imprescritível – é praticá-la mais uma vez. Com efeito, não se poderia esperar nada diferente de um militar que tem como livro de cabeceira e herói da pátria o famigerado torturador do DOI-Codi, coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra. Ditadura e tortura nunca mais. Basta!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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PALAVRAS VERGONHOSAS

É de imaginar o esforço mental e emocional dos apoiadores do presidente Bolsonaro para continuarem o apoiando. Seus contínuos diários comentários delirantes e escabrosos no cercadinho do palácio em Brasília, para uma pequena claque montada para ouvir e aplaudir suas vergonhosas palavras, devem deixar seus ainda apoiadores mais equilibrados com uma profunda dificuldade de continuarem o apoiando. Seu comentário jocoso sobre a tortura sofrida pela ex-presidente Dilma na ditadura militar é de uma profunda incoerência psicoemocional, que mereceria, além das críticas que vem sofrendo, uma avaliação de especialistas psiquiátricos, no sentido de até que ponto tal liderança está em condições de continuar exercendo suas altas funções de que está investido.

José de A. Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro

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DESENHO

Alguém precisa fazer um desenho para explicar o fato de Jair Bolsonaro continuar na Presidência da República. Nunca ninguém prejudicou tanto o Brasil quanto Bolsonaro, ele é pessoalmente responsável pela pior destruição ambiental que já houve e pela criminosa gestão da pandemia, que já custou a vida de 200 mil brasileiros, deixou o País sem vacinas, sem seringas e sem esperança de sair da crise. Há tantos motivos para o impeachment de Jair Bolsonaro que não caberiam nas páginas deste jornal, no entanto, nada indica que ele será afastado, não há sequer uma CPI para apurar os desmandos deste governo, o povo segue calado, não existe oposição, as instituições já se tornaram coniventes da gestão criminosa de Bolsonaro. É lamentável o que está acontecendo com o Brasil.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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NOSSA CASA

O excelente Espaço Aberto publicado do dia 30/12, além de propor reflexões sobre o último dia do ano de 2020, conseguiu me levar à conclusão de que o nosso governo é levado por um presidente que interpreta erroneamente e perigosamente os ensinamentos bíblicos: tratar o próximo como a si mesmo e respeitar toda a vida humana. Desrespeita os avanços científicos

Colocando, em seu lugar, o “todos vamos morrer”, como se essa verdade pudesse absolvê-lo das mortes que ocorrem em todos o País. “É vontade de Deus”, e assim encobrir suas falhas. Ele se comporta como um homem que não considera o povo que o conduziu ao cargo. Faz do Palácio a “casa da mãe Joana”, onde diz o que quer e como quer. Esquece que aquela não é sua casa, ela é nossa, ele não mora lá, está de passagem. Esperamos.

Bete Marun elisabetemarun@hotmail.com

São Paulo

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AGLOMERAÇÃO, DE NOVO

As cenas de Bolsonaro aglomerando-se com as pessoas na quarta-feira em praias e ruas são a deslavada comprovação da sua postura falsa no discurso natalino em rede nacional. Empatia e respeito pelas famílias de doentes e de mortos na pandemia são o que ele não tem, mesmo. Irresponsável, continua provocando mais mortes e contágios. Deveria ficar doente de novo e não ter acesso a remédios nem respiradores, nem atendimento em hospitais.

Geder Parzianello gederparzianello@yahoo.com.br

São Borja (RS)

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NOSSO JIM JONES

O Jim Jones original levou à morte algumas pessoas que, por ideologia, fanatismo e ou ignorância o seguiram para a morte. O nosso “Jim Jones”, simulação de presidente da República, procura levar uma multidão de “idiotas” imbecilizados para a beira do abismo debochando das regras de convivência com o nosso vírus invisível de cada dia. Chegamos à conclusão de que ainda existem muitos candidatos a transmissores da morte no nosso convívio.

Onde estão as autoridades deste país que nunca chegam ao futuro? Até quando este facínora seguirá imbecilizando as pessoas que não possuem o menor senso de coletividade?

Arnaldo Vieira da Silva arnaldosilva1946@gmail.com

Aracaju

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PARABÉNS, PRESIDENTE BOLSONARO!

Afinal, o Brasil conseguiu um reconhecimento mundial valioso, ultrapassando até os Estados Unidos, graças ao senhor. Vossa excelência foi escolhida como a “pessoa corrupta do ano” pelo OCCRP, um dos maiores consórcios de jornalistas investigativos do mundo. É para ficar orgulhoso!

Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião

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ESPERANÇA

Apesar deste governo, um bom ano aos brasileiros. Neste início de 2021, que se renovem as esperanças. As nossas, infelizmente, não dependem só da vacina...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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PESADELO

Não sei se em fevereiro ou março de 2020 adormeci e até agora não acordei. Estou tendo um pesadelo, tão real como nunca tivera. Vejo todos meus amigos e familiares, tudo se passa normalmente, como se estivesse acordado. Exceto o fato de haver uma pandemia. De tão real, achei que não era sonho, mas os fatos passaram a se desenvolver de modo tão absurdo que real não pode ser. Em meu sonho acreditava-se que o vírus primeiramente atacasse o sistema respiratório. Agora descobriu-se que ele ataca de início o cérebro, de um modo terrivelmente inteligente: o vírus faz com que parcela dos contaminados acredite que ele é inofensivo, que não requer maiores cuidados e, na pior hipótese, causa apenas uma gripe leve. Ocorre que essas pessoas não adoecem gravemente, continuam ativas, disseminando suas ideias, contaminando outras pessoas, servindo assim à estratégia do vírus, agindo como seus escravos. O mesmo ocorreria com os antivacinas, e aqui também o vírus estaria no comando. Em meu pesadelo, o mundo todo sonha a mesma coisa, então volto a não saber se o que vivo é sonho ou é real. Daí eu não saber se as pessoas que adoecem e morrem, de fato, morrem ou se simplesmente acordam de seus pesadelos, ou de seus sonhos de que está tudo bem.

Ventura Allan Morenilla ventura.morenilla@gmail.com

São Paulo

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2020, ANO DE APRENDIZADO

2020 foi o ano bom. De raro aprendizado e, assim, de tanta dificuldade. Não acreditamos (em nossa soberba), porém presenciamos que há predadores tão virulentos quanto o homem na Terra. Mais de 1,8 milhão de pessoas mortas. Presenciamos e participamos (muitos) da abnegada solidariedade entre trilhões de irmãos, amparando, estudando, pesquisando, simbolicamente dando as mãos. (Enquanto poucos milhões se perguntavam: espelho, espelho meu, há umbigo mais bonito do que o meu? E desfaziam dos doentes, dos tantos entes queridos isolados; estes milhões criavam a cizânia na busca por holofote; desqualificavam a dedicação ao trabalho e à pesquisa.) Contudo, sábio, pouco a pouco, 2020 trouxe a paz: a invasão do Irã gorou; a invasão da Venezuela urdida com vizinhos covardes tampouco prosperou (apesar da perversidade dos piratas do mar sequestrarem navios do Irã com gasolina para o povo venezuelano); até a guerra comercial contra China e Rússia saiu como tiro pela culatra. A pressão sobre a Opep para desestabilizar a Rússia quase quebrou a exploração de shale gas nos EUA. E a China provavelmente será dos poucos países com crescimento econômico em 2020; o novo muro de Berlim na fronteira dos EUA com o México saiu das páginas dos jornais e, aparentemente, do orçamento por falta de grana. Finalmente, Joe Biden derrotou a estupidez e o despropósito; destronou a beligerância como norte político. Voltamos ao multilateralismo, à ONU, à OMS, à mesa de negociação, ao respeito à autodeterminação dos povos. O ano de 2020 mostrou que nem o mais raso idiota convence o mundo de que onde há fumaça não há fogo. A Amazônia é nossa. Porém queimá-la é preocupação de trilhões de viventes pela Terra. A natureza (o ambiente) foi a maior vitoriosa em 2020 com novas vidas e espécies raras visitando nossas águas sem poluição. Aprendemos que não devemos temer tanto os inimigos. Nós podemos ser o vetor de contaminação de nossos familiares, nossos amigos, das pessoas próximas. 2020 foi o curso em tempo integral de civilidade, de boas maneiras, de respeito ao próximo, da importância da ciência e do conhecimento; de que a planura da Terra encontra-se na escuridão daqueles da caverna de Platão que se bastam com as falsas impressões e ignoram a luz e a maravilha da natureza da qual o homem faz parte. 2020 ministrou pós-graduação sobre incerteza, sobre desigualdade e sobre os meios de os viventes construírem uma sociedade melhor. Os próximos anos serão para aplicação prática do imenso conhecimento que 2020 nos deixou.

Fabio Gino Francescutti fabiogino565@yahoo.com

Rio de Janeiro

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CIÊNCIA E RELIGIÃO

Li o excelente artigo de Cícero Urban 2020, o ano em que a ciência encontrou a religião (31/12, A2).  Excelente porque tira a máscara daquele falso absoluto sustentado por uma plêiade de intelectuais no sentido de que ambas, religião e ciência, são linhas paralelas cujo encontro seria impossível. Mas não! Não só se encontram, como se completam. Onde estaria a chave desse encontro? Neste artigo existe uma janela que nos traz luz sobre isso; o rasgo de visão do papa João Paulo II ao afirmar que a ciência dá as mãos à religião quando pode purificá-la do erro e das superstições; já, de sua vez, a religião também pode socorrer a ciência do grave erro da idolatria do falso absoluto, e do seu equivocado sentir de onipotência. No curso de 12 meses do findo ano 2020, instigados pelo teacher coronavírus, aprendemos: cientistas, médicos, religiosos, professores, enfim, todos, mês por mês, aula por aula, que a ciência e a religião andam pari passu na busca do aperfeiçoamento do ser humano. O sentir de onipotência da classe médica foi subjugado a calçar as sandálias da humildade, neste nebuloso 2020, pois o vírus, esquivo e soberano, driblou a medicina obrigando-a a acender a vela da fé, e, então, enxergar, com clareza, que a ciência e a fé se arrimam uma à outra, e se completam. Anima sana in corpore sano, era o slogan de D. Bosco, “alma sadia em corpo saudável”, por onde medicina e religião se completam.

Antonio B. Camargo bonival@camargoecamargo.adv.br

São Paulo

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RECONSTRUÇÃO DO MUSEU NACIONAL

Mesmo diante das dificuldades impostas pela pandemia, o Museu Nacional, juntamente com os seus parceiros, está empenhado em entregar parte de suas instalações em 2022, quando se comemora o bicentenário da independência do Brasil. Apesar dos muitos parceiros, incluindo recentemente o Bradesco, precisamos de um maior envolvimento da sociedade. Nestes momentos de incertezas, temos a certeza de que cada vez mais o País precisa de suas instituições científicas e culturais funcionando. O Museu Nacional vive!

Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional/UFRJ kellner@mn.ufrj.br

Rio de Janeiro

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