Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2021 | 03h00

Desgoverno e pandemia

Exibicionismo séptico

Enquanto médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, verdadeiros heróis deste triste país, se dedicam incansavelmente a salvar centenas de milhares de pessoas da covid-19, e enquanto milhares de famílias choram angustiadas a perda de seus quase 200 mil entes queridos tragados pelo terrível vírus, os brasileiros de bem assistem, estarrecidos, ao presidente da República fazendo mais uma de suas exibições repugnantes, nadando na praia, provocando aglomerações e insultando seus inimigos. A vacina já chegou e está sendo aplicada em dezenas de países, mas o Brasil continua à espera, porque não houve coordenação do ministério chefiado por marionete do presidente sociopata e negacionista. Ainda temos dois longos anos pela frente para conviver com o completo abandono em que a economia e a política brasileira se encontram, comandadas por um político completamente despreparado. Nenhuma de suas propostas de campanha foi levada adiante – reformas tributária e administrativa, para ficarmos apenas com duas das mais urgentes. O que interessa a Bolsonaro é salvar a própria pele e a de seus filhos chafurdados em corrupção até o pescoço. O País que “se exploda”. Ao estrago provocado pela corrupção endêmica dos governos petistas soma-se também a eleição de um presidente desequilibrado. Que nós, brasileiros, tomemos mais cuidado em 2022, se sobrar alguma coisa deste país.

ARNALDO LUIZ CORRÊA

ARNALDOCORREA@HOTMAIL.COM

SANTOS

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Corrupção

A maioria dos brasileiros considera Flávio Bolsonaro culpado. O que falta ainda para que se faça justiça?

ROBERT HALLER

ROBELISA1@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Sociedade afrontada

As novas e insistentes afrontas do presidente da República a toda a sociedade com seu destemperado exibicionismo, desprezando qualquer sentimento ou interesse pelo bem-estar da população, são o sinal claro, já detectado pelo professor Miguel Reale Júnior, de que seu plano é um golpe ao final do mandato (Lei marcial cabocla, 2/1, A2). As conhecidas transgressões de um presidente que não governa e luta claramente para defender a corrupção são mais que suficientes para, havendo neste país homens de brio, promover a sua imediata interdição e levá-lo a julgamento, pois o País não sobrevirá a mais dois anos deste psicopático desgoverno.

ROBERTO HOLLNAGEL

ROLLNAGEL@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Puerilidade

Bolsonaro dá-nos a impressão de viver a Presidência da República como se fosse uma criança com passe livre num parque de diversões. Desfruta todos os brinquedos sem custo, sem filas e, de quebra, quando talvez lhe pese um mínimo de consciência (se é que há alguma), aproxima-se dos poucos e iludidos fãs a fim de convencer a si mesmo de que eles representam a maioria dos brasileiros.

E ainda faltam dois anos!

RODRIGO FERNANDES BRANDÃO

RODRIGO.BRANDAOF@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Contágio

Depois de todas as muvucas

de final de ano, as próximas já estão agendadas para janeiro. Sem falta, em todos os hospitais, com ou sem condições de atendimento...

A. FERNANDES

STANDYBALL@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Dúvida

Espelho, espelho meu, existe outro presidente tão ignorante como o meu?

ADALBERTO AMARAL ALLEGRINI

ADALBERTO.ALLEGRINI@GMAIL.COM

BRAGANÇA PAULISTA

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Novos tempos

Degeneração

Já foi a época em que torcíamos por um feliz ano. Atualmente apenas contamos com o “quanto menos pior, melhor”!

FRANCISCO JOSÉ SIDOTI

FRANSIDOTI@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Planos de saúde

Carestia e altos lucros

Sempre me foi explicado que o conceito de sinistralidade usado pelos planos de saúde teria o objetivo de manter o equilíbrio econômico e financeiro nos contratos coletivos, uma vez que o acionamento excessivo poderia desequilibrá-los. Ok, mas penso que falta a contraparte, o equilíbrio contratual. Explico. No ano atípico e confuso de 2020 os segurados fizeram uso mínimo dos planos: exames, cirurgias não urgentes e outros procedimentos foram postergados pelo isolamento social. A imprensa noticia o alto lucro das operadoras nos primeiros três trimestres de 2020. Ora, por que não buscar o equilíbrio contratual e financeiro nesse ponto também? Na enorme crise que vivemos, com as parcelas adiadas de 2020 e o real aumento, teremos acréscimo de 30% a 35% nas prestações cobradas em 2021! Será que o grande lucro auferido pelo não uso dos planos em 2020 não poderia compensar parte disso? Proponho às autoridades um estudo: que determinados níveis de lucro dessas empresas deveriam acionar uma “antissinistralidade” (desculpem o neologismo) e compensar parte do aumento.

BRENO LERNER

BLERNER@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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‘Estado’, 146 anos

Em defesa da liberdade

Felicitações ao Estado pelos 146 anos de fundação – 141 de vida independente –, dedicados integralmente à defesa intransigente e inegociável da liberdade de expressão e de impressão, de uma imprensa independente, livre de qualquer contenção, assim como dos nobres ideais republicanos e do Estado Democrático de Direito. Por oportuno, cabe citar duas frases célebres. “Imprensa é um exército de 26 soldados de chumbo com o qual se pode conquistar o mundo”, de Johannes Gutenberg. E “nossa liberdade depende da liberdade de imprensa, e ela não pode ser limitada sem ser perdida”, de Thomas Jefferson. Longa vida ao Estado!

J. S. DECOL

DECOLJS@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


BALANÇO

Balanço do final de ano histórico, virótico e distópico: de janeiro a novembro de 2020, o óleo de soja subiu inacreditáveis 94,1%; o arroz, 69,5%; o feijão, 40,8%; o leite, 25%; o frango, 14%; e as carnes, 13,9%; entre outros itens do dia a dia da população. Mas nada superou os 100% de desencanto, decepção e indignação dos brasileiros lúcidos e racionais com o desgoverno negacionista, autoritário e retrógrado de Jair Bolsonaro. E pensar que ainda faltam dois longos e intermináveis anos pela frente. Guenta, Brasil!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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DISCURSO DE POSSE

A posse dos novos prefeitos neste novo ano de 2021, início pouco lembrado de uma nova década, mostrou nos discursos o alinhamento total com as prioritárias políticas de prevenção contra o vírus da covid-19 e a única trajetória para a cura: as vacinas. Todos na contramão do que prega o tenente Bolsonaro, posto fora do Exército e, então, promovido a capitão por força da justiça militar. Aliás, como já previa o resultado das eleições municipais, que lhe impuseram uma acachapante derrota. O diagnóstico é muito fácil de ser entendido, mas a doença de Jair Bolsonaro já dá sinais de metástase, com fim anunciado para 2022.

Abel Pires​ Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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O ANTIPRESIDENTE

Copacabana deserta, Avenida Paulista deserta, Praias de Iracema, Guarujá e Florianópolis desertas. Jair Bolsonaro mergulha na Praia Grande (SP) para confraternizar com os milhares de banhistas que se aglomeraram no primeiro dia de 2021, contra tudo o que o bom senso e os médicos recomendam. Foi à praia se juntar à chinelagem ignorante de quem é muso e líder, sem noção e contra a Nação que despreza e despreside.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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HOMEM SHOW

Por incrível que pareça, o presidente Bolsonaro protagonizou o “show da virada” este ano. Enquanto isso, a grande maioria dos brasileiros começou 2021 sem saber o que comemorar ou esperar.

Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo

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ATO CINEMATOGRÁFICO

Alberto Fernández, da Argentina; Luis Lacalle Pou, do Uruguai; ou mesmo o primitivo Nicolás Maduro, da Venezuela, fariam o que o capitão fez na Praia Grande (SP) quando nadou para dentro de uma aglomeração de pessoas, todos sem máscaras, nesta época da descoberta de novo mutante da covid-19, bem mais transmissível e, ainda, declara que não vai tomar vacina? Não é um claro caso para a Psiquiatria?

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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GOLS CONTRA

Em Santos, no final de ano, o presidente Bolsonaro fez um gol em impedimento. E, durante a pandemia, uma enxurrada de gols contra.

José Paulo Cipullo j.cipullo@terra.com.br

São José do Rio Preto

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COLECIONANDO FRACASSOS

Mais uma vez o Ministério da Saúde se destaca no noticiário, agora por não conseguir adquirir os produtos necessários para poder vacinar a população brasileira. Além do atraso na aquisição das vacinas, agora sabemos que o ministério se complicou também na compra das seringas, sem as quais continuaremos sem vacina. Reportagem do Estado informou que nova rodada de negociações deve ser feita, ainda sem data. Até parece que temos todo o tempo de mundo para tais providências. A Abimo, que congrega os fabricantes desses equipamentos, vem desde julho alertando o governo sobre a necessidade de planejar a compra. Registro de Preço é um tipo de aquisição através de licitação pública, que é meu velho conhecido. Quando ingressei na Prefeitura de São Paulo, em 1972, já era utilizado ali para aquisições de materiais e serviços de uso comum. Só foi introduzido no nível federal pela Lei 8.666/93, inclusive por sugestão dos servidores daquela prefeitura. A reportagem do Estado comentou que, anteriormente, as aquisições desses produtos eram realizadas pelos Estados e municípios, porém, com a pandemia, o ministério resolveu centralizar. Ora, foi um grande erro, em minha opinião. Se as licitações continuassem sendo realizadas pelos Estados e os municípios, elas seriam descentralizas, assim como as compras, permitindo que mais empresas fornecessem os produtos nas diversas unidades do País. Centralizando a compra, diminui-se a possibilidade de aumentar o número de fornecedores. Pelo informado na reportagem, também foi estabelecido um limite de preço muito baixo, dificultando ainda mais a participação de mais fornecedores. Com o mundo inteiro atrás do produto, para entrega imediata de um volume inusitado, era evidente que os fabricantes não iriam dar conta de tanta demanda e, consequentemente, o aumento de preço seria inevitável. Cabe salientar que, enquanto o Reino Unido começou a vacinar a sua população no dia 8/12 e os Estados Unidos no dia 14/12, o Ministério da Saúde abriu as propostas dos licitantes, para as seringas, no dia16/12, sem o êxito esperado. Agora, além de nem ter data agendada para o início das vacinações, terá uma deficiência de seringas que dificilmente será corrigida a tempo. Enquanto isso, o presidente se manifesta sobre o assunto, mais uma vez, com um argumento de quem espera ser paparicado pelos fornecedores. Em plena pandemia? É um vexame atrás de outro, além de o presidente nos envergonhar perante o mundo.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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NEGACIONISMO NEGACIONISTA

Não temos uma politica de enfrentamento da pandemia. Não temos agulhas. Não temos seringas. Não temos vacinas. Não temos nem ministro da Saúde! E queríamos o quê? Nem sequer temos um presidente...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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ALGUÉM ME EXPLICA?

Bolsonaro é burro, ignorante, incompetente, mentiroso. Muito pior do que tudo isso, é um psicopata genocida. Por incrível que pareça, as coisas não param aí. A situação é pior ainda, pois, além da vida humana, ele também não se preocupa com a vida animal e vegetal do planeta. Agora, ficamos sabendo que nem as seringas para aplicar as vacinas o seu obediente ministro da Saúde comprou. Alguém pode me explicar, por favor, o que está faltando para impedi-lo ou removê-lo do cargo por incapacidade psiquiátrica, uma vez que é o principal responsável pela mortandade que a covid-19 está causando no Brasil, e vai continuar causando, pelo injustificável atraso no início da vacinação?

Shirley Schreier schreier@iq.usp.br

São Paulo

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FANFARRÃO BOLSONARO

O presidente Jair Coveiro Bolsonaro não tem seringas e muito menos agulhas para imunizar o povo brasileiro com uma vacina que, por sua causa, ainda não foi aprovada. Ora, segundo o coveiro, não há razão para tanta ansiedade, pois, quando a hora chegar, a imunização será feita através de supositório. É mais uma sabotagem do fanfarrão Bolsonaro!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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DIREÇÕES PERIGOSAS

Na direção do Ministério da Saúde, um general da ativa especialista em... logística. Demonstrando toda a sua incapacidade nos assuntos que lhe deveriam ser correlatos e passados dez meses do início da pandemia no País, pasmem, não temos ainda uma vacina aprovada (enquanto mais de 40 países já iniciaram a vacinação de sua população), um plano de vacinação com data inicial prevista e, completando a falta de lógica da logística do general, nem agulhas e seringas adquiridas e já em estoque. Levando em consideração que o referido ministro só foi nomeado e ainda lá se encontra não por suas qualificações minimamente necessárias para o exercício de comando de tão importante pasta, mas pela sua flexível espinha dorsal e seu inquebrantável puxa-saquismo, todo o ônus e responsabilidade desse circo de horrores em que todos fomos instados a participar são única e exclusivamente de nosso “capetão-piloto”, “mico” icônico e infalível dos neobolsonaristas, e, para mim, um verdadeiro ás no volante.

Renato Otto Ortlepp renatotto@hotmail.com

São Paulo

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10 MIL ÓBITOS POR DIA DE ATRASO

As estatísticas mostram que no Brasil vão a óbito cerca de 25 de cada mil pessoas infectadas pelo coronavírus. Considerando essa relação, caso a vacinação seja feita ao ritmo de 400 mil pessoas por dia, cada dia de vacinação representará uma redução do número total de óbitos de 10 mil pessoas. Não havendo a vacinação, esses óbitos não serão evitados. Assim, conclui-se que cada dia de atraso do início da vacinação representará, no mínimo, mais 10 mil pessoas mortas pela pandemia. Será que esse número pode motivar o general e o capitão a agirem rápido?

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

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DOUTO MINISTRO

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, publicou um texto no qual afirma que quando se compra a biopolítica do fique em casa – referindo-se ao slogan usado por defensores do isolamento social como medida para evitar a disseminação da covid-19 – talvez se esteja ajudando o narcotráfico. O nosso douto ministro, assim, ligou o slogan do fique em casa com o narcotráfico, em mais uma brilhante descoberta só sua, baseada, claro, em seus dados pessoais secretos e em suas teorias pessoais sobre as terríveis e escabrosas conspirações contra o Brasil e a sua população. Ocorre que este slogan do fique em casa pode remeter, nessa mesma teoria da conspiração, a outro possível slogan também benéfico ao narcotráfico, qual seja, o do fique no governo. Então, nada melhor para combater o narcotráfico, segundo o ministro, do que não fiquemos em casa, e, segundo nós, brasileiros, que ele não fique no governo.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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MILHARES DE HORAS

No último parágrafo do editorial Ainda faltam 17,5 mil horas (1/1, A3), o Estado faz afirmação (seria uma sugestão?) que talvez valha o ano de 2021. Diz que é preciso que a sociedade e as instituições democráticas impeçam Bolsonaro de completar sua obra deletéria (nas milhares de horas que lhe restam para terminar de desmontar a nação brasileira). Possivelmente, a maioria da população esclarecida concorda com isso. E a imprensa esclarecida pode contribuir muito para isso.

Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo

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BALAS ‘PERDIDAS’

Morreu no fim de semana a primeira vítima de balas perdidas, no Morro do Turano, na cidade do Rio de Janeiro. Trata-se de uma menina de cinco anos, que assistia inocentemente aos fogos de artifício na passagem de ano no quintal da sua casa. A probabilidade de o tiro ter sido efetuado por traficantes daquela comunidade é de quase 100%. Se fosse efetuado por policiais, já teríamos interdição de rua, incêndio de ônibus, queima de pneus e outros vandalismos. Membros de organizações defensoras de direitos humanos, de minorais e parlamentares de alguns partidos já estariam na mídia, em busca de notoriedade e holofotes. Mas foram bandidos que a mataram. Onde está a coragem de vocês, que quando é a polícia logo denunciam?

Luiz Felipe Schittini fschittini@gmail.com

Rio de Janeiro

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ALAGAMENTOS EM SÃO PAULO

Temporal na cidade de São Paulo, no primeiro dia do ano e de posse do prefeito eleito, Bruno Covas. O túnel do Anhangabaú chegou a um metro de água. Isso já é crônico. O paulistano já até sabe. Não é novidade. E ninguém dá jeito. Incompetência ou é um problema sério?

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

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GRATUIDADE DAS PASSAGENS DE ÔNIBUS

Aqui, em São Paulo, o aumento de 5,26% concedido pelo governo ao salário mínimo ou do piso do INSS será absolutamente inócuo para os idosos de 60 a 64 anos que ganhem naquela faixa, uma vez que será absorvido pelo cancelamento da gratuidade das passagens dos ônibus concedida àqueles idosos. Se um idoso tiver de se deslocar duas vezes por semana, por aquele meio de transporte, arcará com o custo de 6,40% do salário mínimo. A Justiça devera anular com urgência essa nefasta medida.

Luiz Antonio Maschietto lz.maschietto@gmail.com

São Paulo

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JULGAMENTOS VIRTUAIS DO STF

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão incomodados com o sistema de julgamento virtual, sem transparência, contrariamente a princípios constitucionais. Os ministros não se reúnem à vista do público para julgar um processo, apenas depositam seus votos numa plataforma digital; não há possibilidade de troca de ideias entre eles; cada ministro se limita a dizer se concorda ou não com o relator; não há ordem de pauta a ser seguida, o que deixa o relator livre para agir estrategicamente.  Enfim, um modelo que precisa ser repensado em sessão administrativa do plenário, retirando de pauta, inclusive, processos cujo julgamento, no final do ano findo, foram agendados para ter início açodado na primeira sessão de 2021, em 5 de fevereiro. O presidente Luiz Fux não pretende pôr em pauta essa discussão, mas isso infirma sua posição pública de sempre respeitar a vontade do colegiado. Em afronta a princípios democráticos básicos.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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MISSA DE RÉQUIEM

O mesmo ministro do STF que, na socapa de uma ata, conseguiu limitar a somente dois os crimes de responsabilidade da ex-presidente Dilma Rousseff no processo de impeachment que sofreu e que, no apagar das luzes da votação final no Congresso que afastou-a definitivamente da Presidência, rasgou a Constituição, mantendo seus direitos políticos e tornou-a elegível, agora acabou de encomendar a missa de réquiem da Operação Lava Jato, com o despacho que abriria os arquivos da operação hackeados pela Intercept. Parabéns aos políticos corruptos que estavam ameaçados de prisão e, agora, podem continuar livremente praticando suas “tenebrosas transações”, às bancas advocatícias defensoras da impunidade desses desavergonhados e aos ministros garantistas que trabalham para eles no STF. Ao mesmo tempo manifesto meus mais sinceros pêsames ao Brasil pelo falecimento, com a Lava Jato, da esperança de torná-lo um pais decente.

José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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OS JUÍZES E O FEMINICÍDIO

Muito bom o manifesto contra o feminicídio da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). Pena que só se pronunciou depois de a juíza Viviane do Amaral Arronenz ter sido brutalmente assassinada pelo ex-marido. Se tivessem feito isso há alguns anos, quando incontáveis “não juízas” perdiam a vida, a dra. Viviane certamente estaria viva. Aqui vai uma sugestão à AMB: antes que algum juiz seja morto por um bêbado no volante (espero sinceramente que isso não aconteça), que tal publicar um manifesto semelhante contra os que insistem em dirigir embriagados e, principalmente, alertando seus membros a serem mais criteriosos antes de libertarem os criminosos do trânsito? Por fim: a dra. Viviane cometeu o erro de dispensar os seis guarda-costas armados e praticantes de artes marciais. Quem dera as “normais” tivessem um único segurança com as mesmas qualificações.

Luciano Nogueira Marmontel automatmg@gmail.com

Pouso Alegre (MG)

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VIDAS FEMININAS IMPORTAM

Feminicídio sempre foi crime cruel e mesquinho. A Lei Maria da Penha não resolveu. Foi feita para inglês ver. Foi necessária que a infâmia atingisse desta vez mulher de classe profissional elevada no Rio de Janeiro para que a notícia chegasse com clamor à grande mídia, causando indignação e repugnância da opinião pública. Infelizmente, só assim é que as leis melhoram. Milhares de feminicídios ficam no anonimato e no esquecimento, não merecendo sequer nota de rodapé de pasquim. Vidas femininas importam e muito.

Marcelo de Lima Araújo marcelodelimaaraujo@yahoo.com.br

Rio de Janeiro

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