Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2021 | 03h30

Desgoverno e pandemia

Bateu o desespero

O governante negacionista implora ao primeiro-ministro indiano 2 milhões de doses da vacina de Oxford, antecipadamente. Isso depois que o Butantan e o governo de São Paulo entraram com pedido de urgência na Anvisa para uso da Coronavac. O Butantan já tem 11 milhões de doses, seringas, plano de vacinação e calendário certo. O governo federal, depois de o ministro Ricardo Lewandowski (STF) impedir o confisco das seringas já compradas, tem apenas 2,3 milhões delas. E nenhuma vacina. O grande temor é o fracasso político na grave crise sanitária do País e o prestígio que seu adversário político possa obter. A imunização em que ele acredita é só a da foto.

LUCIA HELENA FLAQUER

LUCIA.FLAQUER@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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A cigarra e a formiga

Uma vergonha o Ministério da Saúde ter mandado confiscar as seringas e agulhas compradas por São Paulo! O governador João Doria há quase um ano atua contra a covid-19, enquanto Jair Bolsonaro ficava tripudiando sobre as vítimas. Que governo é esse?!

LUIZ FRID

LUIZ.FRID@GLOBOMAIL.COM

SÃO PAULO

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Salvar vidas

O Estado tem dado demonstração de jornalismo limpo, transparente e, acima de tudo, imparcial. O editorial A solução não veio de Brasília (9/1, A3) é uma prova inconteste. Realmente, ainda bem que existe Federação. Reconhecer a eficiência e a coragem do governador Doria, que trocou a popularidade pela proteção à vida, é digno de elogio. Assim como o secretário Marco Vinholi, do Desenvolvimento Regional, pela firmeza em pôr “na última fila” os prefeitos que desrespeitaram a fase vermelha. Isso dá aos paulistas a segurança de que a vida está em primeiro lugar. Embora autônomos, os municípios deveriam entender que, para parcela da população, só a lei, porque não se respeita a vida. Haja vista a situação nas praias no litoral paulista. Recordo-me de o governador Paulo Egydio Martins ter sido criticado pelos políticos de plantão quando começou a estender a rede de esgoto. Alegavam que era obra enterrada. “Prefiro enterrar obras a enterrar criancinhas”, respondeu ele. E a história se repete, Doria prefere salvar vidas.

SEBASTIÃO ELIAS MISIARA MOKDICI

MISIARA@UVESP.COM.BR

BARRETOS

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Vitória da ciência

Bolsonaro em outubro: “Já mandei cancelar, o presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade (...) até porque estaria comprando uma vacina na qual ninguém está interessado”. Mas agora a história é outra e o Ministério da Saúde, quem diria, faz a aquisição de 100 milhões de doses – tudo o que o Butantan puder produzir. E, então, a tal “vachina”, ou “a vacina chinesa”, ou ainda “a vacina do Doria”, passa a ser tratada com a distinção que merece. Rendeu-se à Coronavac, produzida pelo centenário, sério e competente Instituto Butantan em parceria com a Sinovac, por iniciativa do governador Doria. Desde o início da pandemia, ainda em abril, Doria e dr. Dimas Covas lançaram-se incansavelmente na busca de um imunizante que pusesse fim a esse martírio que já ceifou 200 mil vidas! Nada como um dia após o outro... Que bom, venceu a ciência, que derrotou o negacionismo e a perversa ignorância.

ELIANA FRANÇA LEME

EFLEME@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Dupla vencedora

Quer se goste ou não, o governador Doria e o dr. Dimas Covas são os vencedores. Um governo federal grogue e perdido deixou o País sem vacina e se não fossem essas pessoas estaríamos entregues à pandemia!

MANUEL PIRES MONTEIRO

MANUEL.PIRES1954@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Sigilo de cem anos

A pedido de Jair Bolsonaro, o Planalto impõe sigilo de cem anos ao cartão de vacinação do presidente. Ora, mesmo que haja tramoia para ser escondida, os brasileiros não estão nem aí para esse sigilo. O que interessa à Nação são os gastos com o cartão corporativo, que já superaram os de Dilma Rousseff e Michel Temer. Aí, sim!

JÚLIO ROBERTO AYRES BRISOLA

JROBRISOLA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Ameaças de golpe

Impeachment

Os jornais estão cobertos da angústia dos brasileiros diante das ameaças de golpe de Jair Bolsonaro. Se o presidente da Câmara acha que não há motivo para abertura de processo de impeachment, ele que explique aos brasileiros o porquê. E se não o fizer, arque com as cobranças que receberá no futuro.

SHIRLEY SCHREIER

SCHREIER@IQ.USP.BR

SÃO PAULO

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Antes que seja tarde

Depois de um 2020 tão sofrido para a população em vários aspectos, além dos absurdos ditos e feitos por Bolsonaro, só resta torcer para que o Congresso crie juízo e dê o devido andamento aos vários pedidos de impeachment. Trata-se de uma digna e premente resolução de ano-novo: voltar a ter esperança no Brasil, com cada um de nós fazendo a sua parte para reverter este estado de coisas. Antes que seja tarde.

MARIA LUCIA RUHNKE JORGE

MLUCIA.RJORGE@GMAIL.COM

PIRACICABA

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Fascismo

Assustadora a notícia de que foram registradas 180 mil novas armas de fogo no Brasil, só em 2020, em razão das facilidades criadas pelo presidente Bolsonaro. Estamo-nos armando contra quem? Triste lembrança das palavras do fascista italiano Benito Mussolini: “Só um povo armado é forte e livre”...

JORGE DE JESUS LONGATO

FINANCEIRO@CESTADECOMPRAS.COM.BR

MOGI-MIRIM

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Populismo

No populismo, o povo vira um grupo de seitas e seguidores teleguiados por um líder psicopata de extrema direita ou esquerda, em discórdia permanente com o establishment.

BRUNO FERNANDO RIFFEL

BRUNOFRIFFEL@GMAIL.COM

ARAXÁ (MG)

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

TOALHA JOGADA

Quando Jair Bolsonaro, na terça-feira, 5/1, disse que “o Brasil está quebrado” e “eu não consigo fazer nada”, na realidade está jogando a toalha. Covarde, culpou pelo seu fracasso e chamou de “sem caráter” a imprensa. Pode? Mas, com a péssima repercussão de sua fala, acabou voltando atrás no dia seguinte, dizendo que o País “está uma maravilha”. Cinismo é que não falta a este irresponsável presidente. Totalmente perdido, Bolsonaro está, mesmo, é apavorado com seu futuro, assim como o povo brasileiro anda angustiado com o futuro do Brasil.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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O RIDÍCULO

Um dia depois de dizer que o Brasil estava “quebrado”, o presidente Jair Bolsonaro disse que o País está uma “maravilha”. Ocorre, assim, que se o presidente do Brasil não tem a mínima desconfiança de que não necessitamos de espetáculos ridículos de egocêntricos que desconhecem o que seja seriedade e compostura, e ignore ainda o significado da expressão dar-se ao respeito, melhor seria manter-se calado e procurar aconselhamentos com orientadores, quer sejam psicólogos, psiquiatras ou mesmo ainda com políticos mais experimentados e bem mais sensatos. Caso contrário, corremos o sério risco de assistirmos a uma escalada de incoerências e descalabros do presidente que poderiam levar a distúrbios sociais e ao caos.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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BRASIL QUEBRADO, BOLSONARO EXPOSTO

Dizer que o Brasil está quebrado é o de menos. Pode ser aquela desculpa que se dá quando alguém lhe pede um dinheiro emprestado. Agora, a frase “(...) eu não consigo fazer nada (...)” expõe o mau político que o presidente é. Bolsonaro e seus filhos preferem a polêmica à política. Isso já se sabia. Eleito com a possibilidade de fazer maioria no Congresso, enveredou pela reeleição e perdeu apoios. Nem seus líderes de governo, nem seus chefes da Casa Civil, nem seus ministros conseguem negociar com o Congresso e com as entidades encasteladas no funcionalismo. Daí que nada anda; as reformas urgentes ficam fora das pautas. É um péssimo político, mas sabe fazer chegar sua mensagem a seus incondicionais apoiadores. Este muxoxo (não sou eu, são eles) tem endereço certo.

Flávio Madureira Padula flvpadula@gmail.com

São Paulo

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IRONIA

Conforme publicado pelo Estado em sua edição de 6/1, Bolsonaro afirmou para um grupo de pessoas na saída do Palácio da Alvorada que “o Brasil está bem, está uma maravilha”. O que o “mito” disse com ironia poderia ser verdade, se ele tivesse feito o que prometeu durante a campanha presidencial de 2018.

Cláudio Moschella claudiomoschellaarquiteto@gmail.com

São Paulo

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‘NÃO POSSO FAZER NADA’

“O Brasil está quebrado, não posso fazer nada” (sic), Jair Messias Bolsonaro. Inacreditável, porque, segundo muitos economistas, o Brasil não está quebrado, tem muitas reservas, uma atividade econômica razoável e um balanço comercial altamente positivo. E um presidente pode fazer muitas coisas, como liderar a reforma administrativa, a reforma tributária, a reforma política e tantas outras coisas como, por exemplo, um programa coordenado de vacinação da população. Vamos sacudir, presidente, mãos à obra. Sem desanimar.

Carlos Viacava cv@carlosviacava.com.br

São Paulo

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A VERDADE

Um dia Bolsonaro diz que o Brasil está “quebrado”; no seguinte, que o País está uma “maravilha”. Nenhuma declaração reconhece a verdade, que deveria ser resumida assim: “Estou levando este maravilhoso país para a quebradeira”. E ponto final.

Luiz Ribeiro Pinto brasilcat@uol.com.br

Ribeirão Preto

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AUXILIAR DE ALMOXARIFE

O presidente de uma empresa de ônibus, não tendo a mínima ideia de suas funções na definição das ações estratégicas, ordena que todas as compras lhe sejam submetidas. Assim, reduz a quantidade de estopa de oficina a ser adquirida, a compra de combustíveis é suspensa, pois o preço está muito alto, e daí, se os ônibus ficarão parados na garagem. Essa é a imagem do inútil presidente da empresa Brasil.

Alberto Mac Dowell de Figueiredo amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos

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QUEBRADO E MAL PAGO

Em mais uma de suas idiotas manifestações, o capetão-cloroquina diz que o País está quebrado e que ele não pode fazer nada. Como diante de todos os fatos ocorridos ao longo destes infindáveis primeiros dois anos de seu lamentável mandato, tal declaração soa, ao menos a mim, como uma confissão de incompetência e incapacidade quanto ao fato de o Brasil estar quebrado. Já quanto ao “não posso fazer nada”, aproveito para perguntar a esta ignóbil figura: o que ele fez ao longo de seus 30 anos de vida pública, a não ser fazer nada, absolutamente nada, para o povo? Já para si próprio, sua família e agregados a história é diferente e apresenta final feliz. Vamos ver até quando esta novela se arrastará.

Renato Otto Ortlepp renatotto@hotmail.com

São Paulo

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EM CHAMAS

Pense a seguinte situação: sua casa está pegando fogo e você aciona os bombeiros, que dizem que não há nada a ser feito, mesmo com as mangueiras d’água em mãos. Seriam, no mínimo, incompetentes. Agora, pense num presidente que afirma que o País está quebrado e que ele não pode fazer nada. Para que ter presidente, então?

Lucas Dias lucas_sandias@hotmail.com

São Paulo

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AUTO-OPOSIÇÃO

Já que foi impedido de dar um golpe no País de dentro do seu próprio governo, aniquilando as instituições democráticas e perseguindo opositores, o presidente tenente, demitido do Exército e promovido a capitão por força da lei militar, assume que quebrou o País e que, a partir de agora, além de ser o governo que vamos ter de aturar até 2022, ele é também a sua própria oposição.

Abel Pires​ Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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BRASIL MARAVILHA

Apesar do desgoverno atual, sem norte e sem rumo, o Brasil ainda não está “quebrado”. E estará uma verdadeira “maravilha” no dia em que trocar de presidente. Basta de Bolsonaro!

Vicky Vogel vogelvick7@gmail.com

Rio de Janeiro

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2022

Para consertar o Brasil “quebrado”, deve-se, antes de qualquer outra providência, trocar de presidente em 2022. Basta de Bolsonaro! Já deu.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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FORA

“O Brasil está quebrado.” Fui eu quem o quebrou? Acaso teria sido você, prezado amigo leitor deste emérito Fórum? Quem sabe a imprensa, talvez o Estadão? “Eu não posso fazer nada.” Ah, pode, sim, e nos faça este favor. Pegue o boné e caia fora já, evitando assim que nós, os cidadãos que corremos sério risco de vida pela negligência e incompetência deste seu governo, o apeemos do poder em 2022...

Paulo Sérgio Pecchio Gonçalves ppecchio@terra.com.br

São Paulo

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DETONANDO A REPÚBLICA

Em apenas dois anos, o presidente já se consagrou como o pior da época da República. Imbatível na destruição do nosso meio ambiente, não está se esquecendo de detonar nenhum dos nossos magníficos biomas, sem exceção. Avesso ao avanço da Ciência, alinhou-se aos negacionistas que “não acreditam” no aquecimento global, mas creem que o planeta Terra é plano. Fazem-no por serem ignorantes em Climatologia e Astronomia. A situação piorou quando, à mais equivocada escolha de um presidente na nossa história juntou-se uma pandemia que vem nos castigando, com o singular apoio do presidente, que chegou ao detalhe de se complicar nas aquisições das seringas para a vacinação. O atual governo federal está nos envergonhando em todas as áreas da sabedoria humana. Nossa diplomacia, outrora respeitada internacionalmente, hoje é ridicularizada por causa de um ministro que jamais deveria ter ocupado tal cargo. O presidente vai solapando os demais Poderes como pode. Indicou para o Supremo Tribunal Federal (STF) um ministro que já começou apresentando um currículo todo furado, mas foi aprovado pelo Senado. Já no STF, não demorou nada para demonstrar a que veio e modificou, por decisão monocrática, a Lei da Ficha Limpa, assim, sem mais nem menos. Agora, o presidente ataca o Congresso Nacional, pois lançou candidatos de sua indicação para as presidências das duas Casas. Arthur Lira, o seu indicado para a presidência da Câmara dos Deputados, está sendo processado pela Justiça e investigado pela Receita Federal, por um grande esquema de rachadinhas. E, para coroar o seu mandato, volta de férias e faz uma declaração bombástica: “O País está quebrado, eu não posso fazer nada”. Até consegui enxergar a revoada de investimentos abandonando o Brasil. O belicoso grupo que apoia tal governo fala em democracia e empunha a Bandeira Nacional com a Ordem e Progresso, enquanto pede a ditadura com o atual presidente. Se conseguir o seu intento, repetirá o esquema de Hugo Chávez e caminharemos para uma nova Venezuela.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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ALHOS COM BUGALHOS

Sobre as combinações para fraudes em 2022, Bolsonaro confundiu eleição com rachadinha...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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O BRASIL REFÉM

Os brasileiros estão reféns de Jair Bolsonaro e de seu clã. Seu desgoverno é um sequestro que já resultou em mais de 200 mil mortos no cativeiro. Que seja aberta negociação por instituições e personalidades públicas ainda confiáveis, para combinar o pagamento do resgate através da isenção desta gente das penas decorrentes de rachadinhas, laranjais e ligações milicianas, de modo que os cativos possam ser libertos. É melhor ceder. E que os Bolsonaro sumam daqui, para bem longe do Brasil.

Túllio M. Soares Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

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PODER CAPTURADO

Eu, como milhões de     outros cidadãos, estou absolutamente indignado com o presidente da República, cujos atos destinam-se exclusivamente a defender seus filhos (e a si próprio) dos crimes cometidos, a “trabalhar” para a sua reeleição e para desmontar o Estado brasileiro. Milhões sofrem com a perda de familiares e amigos, e o presidente se destaca por ofender todos. Não há uma palavra de ânimo, de condolência, de empatia pelos familiares e amigos daqueles que faleceram por causa da covid-19. Criminosamente, destaca-se por contrariar a ciência, incitando o povo a um genocídio indireto. Já esgotei os adjetivos educados para caracterizar esta figura moralmente podre e intelectualmente inexistente. Também me preocupo com as posições de alguns ministros do STF, cujos atos envergonham a Justiça brasileira e a memória de incontáveis juristas revelados e reverenciados ao longo do tempo em nosso país. Para citar um caso futuro possível: a provável decisão da segunda turma do STF a ser proferida no primeiro semestre de 2021 em declarar nula a sentença do ex-juiz Sérgio Moro sobre Lula (caso do tríplex) poderá levar os brasileiros a uma escolha de Sofia. Anulada a sentença condenatória de Lula, este poderá se tornar elegível (considerando a possibilidade de também ser anulada a sentença do sítio) e teríamos, numa hipótese terrível, um segundo turno entre Lula e Bolsonaro, que parece ser o desejo do atual presidente. Teríamos de escolher entre dois criminosos, um já respondendo a diversos processos e o outro ainda a ser processado (se algum dia este sistema funcionar). Temos, ainda, um advogado travestido de procurador-geral da República (PGR) cujo objetivo principal parece ser o de destruir o formidável trabalho desenvolvido contra a corrupção endêmica do País. Este senhor também carece de patriotismo e é outra vergonha para o sistema judiciário brasileiro. Finalmente, temos um Congresso que não cumpre com suas obrigações mínimas de defender o Estado de Direito e o povo. Só legisla sobre aquilo que beneficie seus membros. Aprova candidatos a ministros do STF e a indicados para as agências reguladoras com critérios de apadrinhamento ou com a expectativa de se beneficiar de algum modo com seus votos favoráveis a dezenas de candidatos visivelmente inapropriados para os cargos indicados. Votam projetos de lei sempre visando a mais facilidades e a proteger os congressistas de possíveis indiciamentos e condenações. Juntaram, em cada Casa, dezenas de pedidos de impeachment, uns contra o presidente da República, outros contra ministros do STF.  A pergunta que os brasileiros fazem: por que o Congresso não vota esses pedidos de impeachment, alguns muito bem fundamentados? O motivo será o interesse pessoal em detrimento do interesse maior do povo? Não posso crer que estas instituições sejam o retrato dos eleitores brasileiros. São, principalmente, o resultado da ignorância de muitos, cultivada com falta de educação básica, falta de conhecimento dos fatos e das pessoas, etc. A imprensa, por todos os seus meios de comunicação, está dispersa e confunde o povo. Deste, os mais esclarecidos estão reservados em suas manifestações públicas em decorrência da pandemia que nos assola. Por ora as manifestações de 2013 não se repetirão e o presidente da República, os ministros do STF, o PGR e os congressistas contam com isso para capturar o Estado brasileiro para atender a seus interesses desenvolvidos nas sombras da conivência e da falta de publicidade. Esta minha carta é para fazer algumas sugestões a este respeitado Estado, do qual sou assinante e é minha leitura primeira de cada dia. 1) O jornal Estado deveria preparar matéria relatando todos os atos da Presidência da República (incluindo seus ministros, dirigentes de unidades, etc.) que ferem a legislação e o bom senso e têm a finalidade maior de desestabilizar o País, como, por exemplo: o caso da pescaria irregular de Bolsonaro em Angra e seus atos vingativos posteriores; a anulação de portarias do Exército sobre o controle de armas, amando do presidente; o desmonte do sistema de controle ambiental do País; o caso Flávio Bolsonaro e o GSI/Abin; o descumprimento pelo presidente de lei federal e de leis estaduais e distritais sobre o uso de máscaras e distanciamento social (por que Bolsonaro não é denunciado?); a propaganda contra a vacinação; a falta de providências adequadas e em tempo para obter vacinas e seringas/agulhas; o caso da hidroxicloroquina; a submissão ao presidente Donald Trump; etc., etc. 2) Os casos inexplicáveis de inação do PGR. 3) A ausência de boas práticas do Congresso, etc. O Estadão deveria iniciar um movimento com os demais órgãos de comunicação de linha semelhante no País para comunicarem de forma direta, inicialmente acordando num editorial comum a ser publicado na primeira página dos jornais e lido no horário nobre das TVs esclarecendo o povo sobre os desmandos do presidente no caso da pandemia e exortando todos a se vacinarem e, a partir daí, manterem comunicação clara constante, de âmbito nacional, a favor do Estado de Direito e de defesa do povo. Este é um caso de sobrevivência do povo. Enquanto durar a pandemia e os brasileiros se sentirem inseguros/impedidos de participarem de maciças demonstrações, os órgãos de comunicação deveriam substituir as manifestações de rua e colocar nossos dirigentes, juízes e políticos sob aviso. Atualmente sem a presença física de deputados e senadores nos plenários e com o povo fora das ruas, uns poucos se adonaram do poder quase absoluto e ditatorial. Na ausência do presidente da República e do ministro da Saúde (existe?), os meios de comunicação deveriam liderar uma campanha de apoio à vacinação e ao distanciamento social. Seria um serviço de utilidade pública para suprir a ausência criminosa do governo federal e, principalmente, do presidente.

António Carlos Rodrigues Branco acbranco02@gmail.com

Santos

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O ANO DE BOLSONARO

Num ano atípico, o presidente mantém mediocridade constante. Normalmente, os grandes líderes mundiais se destacam quando colocados à prova, ao enfrentarem crises como esta que estamos vivendo desde março de 2020, a pandemia que atravessou o ano e promete mais episódios para 2021. Neste período de imensas dificuldades e perdas, nosso presidente, além de não demonstrar nenhum resquício de respeito pelos familiares dos mais de 200 mil mortos, ainda desprezou os cuidados básicos sem ter nenhum conhecimento a respeito de infectologia, medicina ou ciência. Andou pelas ruas sem máscaras, defendeu que não houvesse isolamento social, preocupou-se apenas com a economia, sem, no entanto, ter feito algo de concreto pela mesma. Assim como nada fez pela saúde pública, em que o SUS agoniza com hospitais falidos, falta de efetivo médico e demais profissionais em todo o País. Ao invés de trabalhar, ficou passeando e fazendo campanha eleitoral para a próxima eleição em 2022. O 2020 de Bolsonaro foi assim: 18 de fevereiro, faz ofensa de cunho sexual contra a jornalista Patrícia Campos Mello; 4 de março, ironiza o mau desempenho da economia: “"O que é PIB?”; 20 de março, chama a covid-19 de “gripezinha”; 24 de março, critica o fechamento de escolas e do comércio, ataca governadores e culpa a imprensa; 31 de março, no aniversário do golpe militar de 1964, diz que “hoje é o dia da liberdade”; 16 de abril, troca Luiz Henrique Mandetta por Nelson Teich, na Saúde; 19 de abril, em frente ao QG do Exército, discursa em manifestação na qual se defendia golpe militar; 24 de abril, é acusado de tentar interferir na Polícia Federal por Sergio Moro, que deixa o governo. A interferência, para ajudar o filho Flávio e o ex-assessor Queiroz, ficou provada dias depois; 15 de maio, leva Teich a deixar a Saúde, diante da insistência presidencial em recomendar o uso de um medicamento inócuo contra a covid-19 chamado cloroquina; 7 de julho, anuncia ter contraído a covid-19 (?); 23 de agosto, “a vontade é de encher tua boca de porrada”, diz a um jornalista que o questionou sobre depósitos de R$ 89 mil para a primeira-dama realizados por Fabrício Queiroz; 22 de setembro, faz discurso negacionista na ONU, envergonhando o País no exterior; 21 de outubro, desautoriza o ministro Eduardo Pazuello e suspende a compra da CoronaVac, vacina em desenvolvimento pelo Instituto Butantan, pelo fato de se tratar de ação do governo de São Paulo, sob comando de João Doria, que ele odeia; 10 de novembro, celebra a suspensão dos estudos da CoronaVac motivada pela morte de um voluntário, que, soube-se depois, suicidou-se, e não morreu em decorrência do teste com a vacina. As barbaridades proferidas por este sujeito são inúmeras e não caberiam nesta carta, mesmo que ela tivesse 200 páginas. As bobagens, agressões e inutilidades são ditas em profusão diariamente, basta Bolsonaro abrir a boca, e lá vem lixo. Nunca em tempo algum um presidente da República teve um comportamento tão execrável à luz da ordem, da lei e da verdade. Nunca nosso país passou tanta vergonha diante da ONU, da OMS, da União Europeia, como está acontecendo desde a posse deste ex-deputado medíocre. Pelo andar da carruagem, a mídia será culpada por não ter mostrado aquilo que seu governo nunca fez, por não ter deixado passar os atos de corrupção de seus filhos e a sua incompetência plena. Aos inteligentes, cabe distinguir a quem cabe governar e qual o papel da imprensa...

Rafael Moia Filho rmoiaf@uol.com.br

Bauru

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INSANIDADE MENTAL

Os últimos dias foram palco de eventos muito comprometedores. De início, uma barrigada n’água em Praia Grande para ir ao encontro de uma claque bem arranjada, usando máscara “para não contaminar os peixinhos”. Depois, a declaração criminosa de que o Brasil está “quebrado”. E, no dia seguinte, a informação de que o Brasil está “uma maravilha”. Isso sem mencionar o slogan de que a eleição de Joe Biden, nos EUA, foi uma fraude (preparemo-nos para 2022). Pergunto à nossas instituições: não haverá nenhuma delas capacitada a executar o impedimento do presidente, vítima de insanidade mental?

Nelson Penteado de Castro pentecas@uol.com.br

São Paulo




 

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