Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2021 | 03h00

Economia

Carga tributária x desemprego

Em 2002, ante a perspectiva de aumento da intervenção do Estado na economia, esboçou-se uma debandada de multinacionais. A presença estatal via tributação é de tal monta, agravada pela ineficiência dos serviços devolvidos, que desarmoniza quaisquer planos que a sociedade venha a elaborar. O(s) governo(s) do Brasil faz(em) desde sempre vista grossa, punindo o trabalho em benefício do ócio, desvaloriza a produção e enaltece a especulação. Por quê? Porque não aprende jamais! A crise hipotecária de 2008-2009 era “marolinha”; a pandemia de covid-19, “gripezinha. Sem falar nos destemperos verbais contra a China de algumas “otoridades”. Todas as desarrumações sociais de que padecemos – falta de segurança, baixo nível de escolaridade, saúde pouco contemplada, muita corrupção em todos os níveis da administração, etc., – são ingredientes pouco palatáveis para investimentos sérios. E agora, com enorme contingente caindo na vala dos miseráveis, onde vai parar a expectativa de um mercado interno saudável? Ou cadê o mercado? Nicolás Maduro conseguiu “exportar” ou expulsar os desempregados da Venezuela; Jair Bolsonaro vai matá-los de fome ou de covid-19? Sem reforma tributária urgente, a Ford pode puxar a fila do abandono do País. Aliás, a GM ameaçou fazer o mesmo recentemente. Força, ministro Paulo Guedes!

MASSAFUMI ARAKI

MASSAFUMI.ARAKI@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Dívidas em aberto

Inesperadamente, a primeira montadora de veículos automotivos no Brasil (desde 1919) encerrou as atividades por aqui, como fez na Austrália. A Ford tem financiamentos do BNDES em torno de R$ 20 bilhões e deixa milhares de trabalhadores sem emprego. Esperamos que salde as dívidas com ambos.

CARLOS E. BARROS RODRIGUES

CEB.RODRIGUES@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Debandada

Com referência à debandada de empresas do País, causa espécie o Banco do Brasil (BB), que no interesse maior seu, vai demitir 5 mil funcionários. A meu ver, isso é bem pior que o caso da Ford, porque os bancos só trazem duas notícias: lucros astronômicos trimestrais e demissões. Será que o BB também se vai mudar para a Argentina...?

HARRY RENTEL

HARRY@COUNTRYROAD.COM.BR

VINHEDO

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Carros elétricos

O mundo todo investe em carros elétricos. Faz bem. No nosso caso, entretanto, antes de segui-lo é importante uma análise de qual seria a nossa vantagem. Afinal, temos o etanol.

MARCOS LEFEVRE

LEFEVRE.PART@HOTMAIL.COM

CURITIBA

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Que país é esse?

Como é difícil viver num país de eterno grande futuro!

JOSE ABU JAMRA NETO

JOSEABUJAMRA@ICLOUD.COM

SÃO SEBASTIÃO

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A soja de Macron

Pagando mico

O presidente da França, “especialista” em soja mundial, mais uma vez falou sem conhecimento algum em se tratando de Brasil. Não conhece nossas plantações nem onde geograficamente estão localizadas – a milhares de milhas de distância da Amazônia! – e quantas safras por ano são plantadas na mesma área. A ignorância é tanta que ao falar só se expõe ao ridículo internacional. O embaixador francês no Brasil também deve ignorar esses fatos, pois não transmite a verdadeira situação ao seu chefe falastrão, Emmanuel Macron. O Brasil produz alimentos para o mundo no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste. A Amazônia está no Norte, bem distante da região produtora. Macron deve ter faltado às aulas de Geografia... O mundo aprova os que sabem, não os que pensam que sabem. A França pagou mico.

EUGÊNIO IWANKIW JUNIOR

IWANKIWJR@HOTMAIL.COM

CURITIBA

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Pandemia

Vacina já!

Nos dez países onde foi registrado o maior números de mortes por covid-19, a soma de óbitos chega a 1.285.830. Infectologistas e epidemiologistas têm sido verdadeiros heróis. No Brasil os hospitais estão lotados, nossa estrutura de saúde pública e privada está entrando em colapso. Muitos profissionais da área da saúde estão exaustos e ficando doentes também. Em alguns hospitais, já faltam profissionais. Vacina já!

JOSÉ CARLOS SARAIVA DA COSTA

JCSDC@UOL.COM.BR

BELO HORIZONTE

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Coronavac

Há brasileiros torcendo o nariz e achando muito pouco a eficácia de 50,4% do imunizante Coronavac. Também ninguém deve imaginar que, uma vez vacinados, todos os problemas acabarão. Isso é só o começo. Vale lembrar que as vacinas antigripais têm eficácia semelhante e milhões de pessoas se imunizam todos os anos. Assim, fica evidente que a Coronavac trará, sim, a imunização tão almejada. Muita calma nessa hora.

JÚLIO ROBERTO AYRES BRISOLA

JROBRISOLA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Eficácia

Os 50,38% de eficácia da vacina do Instituto Butantan são, sim, mais que suficientes para vencer os 100% de irresponsabilidade e incompetência do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, somados.

A. FERNANDES

STANDYBALL@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Contra cinismo

É muito cinismo fazer “festa”, com direito a fotos comemorativas, uma vez que o governo federal não fez absolutamente nada em relação à pandemia. Bolsonero continua desprezando a Coronavac, mas quer capitalizar o início da vacinação. Mas, não fosse o governo de São Paulo ter buscado uma vacina, estocado material para aplicação e fixado uma data para o início da vacinação no Estado, o Brasil ainda estaria aguardando um milagre. Fica a pergunta: o Ministério da Saúde já providenciou as seringas e agulhas?

HELEO POHLMANN BRAGA

HELEO.BRAGA@HOTMAIL.COM

RIBEIRÃO PRETO


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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


VACINAÇÃO – É O QUE TEMOS

Não há dúvida alguma de que a vacina Coronavac cumprirá seu papel em reduzir a transmissibilidade do coronavírus e, portanto, a incidência da doença. Entretanto, especialistas já afirmaram que, para compensar a eficácia global de 50%, o número de vacinados deverá ser mais alto do que se imaginava: praticamente a população brasileira inteira, o que será muito difícil. Para fazer frente a este revés, quanto mais rápida a vacinação, melhor, porém esperar rapidez deste governo, particularmente do Ministério da Saúde, é quase uma utopia. Tanto o governo quanto a vacina poderiam ser melhores, mas infelizmente não são e o que está aí é o que temos para hoje. Só nos resta torcer pelo melhor.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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POSTAGENS DESINTELIGENTES

Leio um monte de besteiras postadas no Facebook, que dão até para fazer um plágio de uma antiga música: “Quero bem alto ao mundo inteiro gritar / que sou ignorante / e tenho muita merda para falar”. É tão incrível que somente hoje li várias, no mesmo sentido: a vacina Coronavac só protege 50,4% e os restantes 49,6% ficam no bico do urubu. Não basta ser ignorante, é preciso propagar. Aí eu choro.

Sérgio Barbosa sergiobarbosa19@gmail.com

Batatais

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DESCASO

Sabe-se agora que a vacina Coronavac tem eficiência total de 50,4%, pouco acima do mínimo necessário para fazer o efeito desejado, o que indica que está em condição de ser usada. Mesmo assim, há outras ainda com eficiência por ser divulgada, o que se espera seja feito, para evitar justas deduções sobre a independência da Anvisa. Agora, vai falar mais alto a pergunta do porquê o Instituto Butantan só agora informou a eficiência total da vacina, o que pode jogar contra ele e o governador do Estado. Se já havia no ar a desconfiança do vacinar-se ou não se vacinar, isso talvez possa colocar mais lenha na fogueira, embora não se possa tecnicamente acusar a Coronavac de ser uma vacina ineficiente. Mas não é à eficiência da Coronavac que quero me referir, mas sim ao fato de que um Estado brasileiro, São Paulo, já está em condições de vacinar 2 milhões de pessoas por semana, e o governo federal, que tem a obrigação de vacinar todos as 213 milhões de brasileiros, só agora está providenciando a importação de 2 milhões de vacinas da Índia. E os outros 211 milhões, vão esperar até quando? Aqui, o apoderamento da vida: vacinar 2 milhões de pessoas, deixando de fora outras 211 milhões, parece que é apenas para passar à frente do governo do Estado de São Paulo, o que deverá dar um gostinho de vitória ao nosso presidente. Visão política, e não humana. Com base nestes dados, 2 milhões de vacinas que, ao que parece, ainda vão chegar, são para o governo federal mostrar toda a sua displicência no trato com a vida, irresponsabilidade infernal para com o ser humano, gravidade total registrada na Justiça Divina, à qual todos – e todos são todos, mesmo – os envolvidos com um descaso deste tamanho por atrasos responderão. Cada dor e cada morte por este descaso, deixando o tempo passar sem apresentar a solução com a presteza que a situação pede, será debitada de todos eles, não duvidem.

José Carlos jcpicarra2019@gmail.com

São Paulo

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IDIOTICE PERFEITA

É muito conhecida a expressão “tempestade perfeita”, que caracteriza não só um fenômeno meteorológico violento, mas também uma série de ameaças que podem pôr em risco uma entidade, uma organização, empresa ou até mesmo um governo. No caso agora vamos tratar de outro tipo de perfeição destrutiva que orbita sobre a pandemia da covid-19 e o tema da vacinação. O governador paulista, um comunicólogo oportunista e carreirista, diante da inação das autoridades federais em face da doença, viu uma oportunidade de ouro para agir politicamente e tentar tirar o pão da boca do presidente da República, falastrão, negacionista e irresponsável, seu adversário nas eleições de 2022. Ele resolveu patrocinar a vacina chinesa Coronavac por intermédio do Instituto Butantan, que faz parte do governo estadual. E, no anseio de promover um evento político espetaculoso, marcou data (só faltou a hora) para o início da vacinação no País. Com certeza, ele imaginou um evento transmitido para todo o País em que ele seria “o primeiro brasileiro vacinado”. Só faltou combinar com a Anvisa, agência reguladora que precisa aprovar a Coronavac e que, pelo andar da carruagem, sendo uma agência ligada ao governo federal e ao seu adversário político, não demonstra nenhuma pressa na aprovação, o que pode comprometer a data agendada pelo governador de São Paulo. O pior, com isso, é a perda de confiança da população, que já não sabe mais se vai ser vacinada logo ou não. Em seguida, como que encorpando a ameaça de não haver vacina paulista no dia aprazado (25 de janeiro, aniversário da cidade), as demais autoridades estaduais, como o secretário da Saúde, o principal diretor do Instituto Butantan e o diretor técnico da mesma instituição permanecem batendo cabeça com relação à eficiência ou eficácia da vacina, que demorou a ser anunciada, causando desconfiança na população: passou por mais de 90%, depois para 78%, no início da semana surgiu uma eficácia global de 60% e terminou agora em 50,38%. Nós, pobres mortais candidatos a cobaias, nos perguntamos: Estes senhores sabem o que estão fazendo? Porque não parece. Trata-se de uma perfeita idiotice!

José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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PRESENÇA SELETIVA

Sintomática a ausência do midiático governador paulista na divulgação da eficácia geral da Coronavac feita na terça-feira, 12 de janeiro. Na semana passada, o governador anunciou os resultados parciais com a pompa de sempre, atropelando os especialistas com as frases de efeito e a imprecisão características. Presente em todas as muitas coletivas feitas desde o início da pandemia, o governador também não apareceu na coletiva do dia 23 de dezembro, quando foi anunciado que, pela segunda vez, os resultados da Coronavac não seriam divulgados naquela data. Havia viajado para Miami e deixado a espinhosa missão para os técnicos do governo. Sendo quem é, entendo ser natural que o governador pegue carona nas boas ocasiões e desapareça nas mais delicadas. Como cientista, tomo a liberdade de aconselhar o governador a deixar efetivamente os assuntos técnicos com os especialistas. Afinal, muito ajuda quem não atrapalha.

Hamilton Varela hamiltonvarela@gmail.com

São Carlos

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SE...

Se Jair Bolsonaro tivesse comprado as 70 milhões de doses da vacina que a Pfizer ofereceu ao Brasil, ninguém estaria preocupado com as outras vacinas. Se Bolsonaro tivesse comprado a vacina da Pfizer, o Brasil poderia imunizar um terço da população com a melhor vacina do mercado e complementar a imunização com as outras vacinas. Se Bolsonaro tivesse comprado a vacina da Pfizer, a Anvisa nem teria de se preocupar com analisa-la, pois ela já foi aprovada com louvor nos Estados Unidos e na Europa. O Brasil seria um país melhor, mais alegre, mais rico e mais saudável, se Bolsonaro tivesse comprado a vacina da Pfizer. Se Bolsonaro tivesse comprado a vacina da Pfizer, ele não teria risco de sofrer impeachment.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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PRECISÃO

Segundo o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a vacinação vai começar “no dia D, na hora H”. Só faltou dizer, para completar a precisão, a vacina X.

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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DIA

No dia D e hora H já morreram 200 mil pessoas.

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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LOGÍSTICA LÓGICA

Pelo jeitão, no “dia D e hora H” do Ministério da Saúde, a vacina será placebo, o embolo da seringa estará emperrado e a agulha, sem ponta, entupida...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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ELE VENCEU! VIVA!

O Ministério da Saúde poderia importar uma dose de qualquer vacina e aplicar num idoso, publicar que Jair Bolsonaro venceu porque aplicou primeiro e, em seguida, a Anvisa aprovar a Coronavac e começar a vacinar a população. O presidente adolescente ficaria feliz porque venceu o jogo e deixaria de falar bobagens e encher nosso saco. O dia D é de dúvida e a hora H, de hipocrisia.

José Paulo Cipullo j.cipullo@terra.com.br

São José do Rio Preto

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DESPREPARADO

No editorial do Estado Precisa-se de um ministro da Saúde, poderia ser também “vende-se um ministro da Saúde: preço, R$ 1,99”.

Roberto Hungria cardosohungria@gmail.com

Itapetininga

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SUPERANDO DILMA ROUSSEFF

“Chuta o balde”, Pazuello! Volta para a caserna, de onde nunca deveria ter saído. Quando tenta explicar algo, mais confuso fica. “No dia D e na hora H” foi demais! Já deixou a ex-presidente Dilma para trás.

Jorge de Jesus Longato financeiro@cestadecompras.com.br

Mogi Mirim

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GENOCÍDIO, OMISSIVO E COMISSIVO

Um homem tosco, levado ao poder maior da Nação por um acaso, dos próprios da engrenagem política, perpetra crime de lesa-humanidade contra o povo brasileiro. Embrulha o procedimento referente às vacinas e seu grotesco ministro da Saúde, que dele faz às vezes, critica o Estado de Manaus por não valer-se da cloroquina, comprovadamente inócua por estudos científicos. Até quando nós, infelizes compatriotas desta terra, esbordoados, vamos sofrer nossos mortos e a nossa própria extinção, calados, sem dar-lhe o destino que os italianos deram a Mussolini? Preocupação com a estabilidade política? Há muito não temos nem a pessoal. Ajamos, urgentemente.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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SIGILO

Esconder a verdade é a grande vocação deste governo. Nesse sentido, sabe-se lá por que a caderneta de vacinação do presidente Jair Bolsonaro teve o sigilo assegurado por 100 anos. Agora, vem o ministro da Saúde e diz que a população será vacinada no dia D e na hora H. Pelo visto, para sabermos o que tem escrito nessa misteriosa caderneta, que dia é o dia D e que hora e a hora H, só mesmo recorrendo ao super no Supremo Tribunal Federal (STF).

Abel Pires​ Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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CADÊ A COERÊNCIA?

Leio que o Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) Ação Popular com pedido de liminar contra o ato decretado pelo Palácio do Planalto que impôs 100 anos de sigilo no cartão de vacinação de Jair Bolsonaro. Gastos de R$ 670 milhões de Lula e Dilma em cartões corporativos foram mantidos em sigilo. Buscando a coerência e a preocupação do partido, gostaria de saber se na ocasião o PT acionou o STF para proibir tal afronta com o nosso dinheiro. E mais, o partido não gostaria de provocar o STF para a extinção do foro privilegiado e decidir sobre a prisão após condenação em segunda instância, já que o Congresso não toma atitude?

Izabel Avallone  izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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OS LIMITES EXISTEM ATÉ MESMO NA POLÍTICA

O PT decidiu apoiar o candidato de Jair Bolsonaro para a eleição de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), em fevereiro, para a presidência do Senado. Na mesma semana, o mesmo partido, o PT, decidiu apoiar o candidato de oposição ao presidente Bolsonaro para o comando da Câmara dos Deputados, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP). Duas decisões políticas de lados diferentes e por um mesmo partido. Duas decisões praticamente simultâneas e opostas em lógica e sentido. Se isso não for fisiologismo, só pode ser outra coisa: desorientação partidária diante da desenfreada busca pelo poder. Nem mesmo as alas mais convictas do partido parecem aceitar esse alinhamento de duas mãos e esse conchavo descaracterizado que foi se criando nos bastidores da disputa no Senado e na Câmara. Não é que a arte da política seja exatamente esta. Há limites, mesmo no jogo da ética de um sistema milenar cujas regras são sempre muito próprias. Nem tudo pode ser tolerado sob a perspectiva de se obter mais poder. E o limite é justamente a manutenção daquilo que diferencia, na essência, um partido de outros e o governo da oposição, se é que essas diferenças ainda existam. Toda esta confusão ideológica só tem mesmo uma única justificativa: a disputa por lugares na mesa diretora, a garantia de assumir, por meio desses lugares, assento em algumas comissões de trabalho, alguma visibilidade no cenário das decisões que interessem as diversas ideologias que sustentam as respectivas frentes partidárias. Como se os fins justificassem os meios. O problema é que o partido vem perdendo as próprias finalidades e se perde na escolha dos meios para atingi-las. Não fosse pelo incômodo da contradição e da insustentável justificativa de suas lógicas, este desequilíbrio poderia até parecer razoável no universo da política. Mas o que esperar, afinal, de um partido que se conduziu sozinho à perda quase absoluta de sua credibilidade nacional e que vem sofrendo, em sucessivas eleições, a comprovação do desgaste causado por seus governos, se não uma postura radicalmente contraditória, alimentada por interesses de automanutenção que sacrifiquem até mesmo enormes convicções ideológicas? A política é, mesmo, a arte de saber lidar com conflitos e buscar consensos. Mas o que estamos vendo na disputa pela liderança da Câmara e do Senado já é bem outra coisa. Ou a esquerda se reinventa ou não fará mais nenhum sentido como alternativa. Mas essa reinvenção não poderá ser feita à custa de seu apagamento identitário e do sacrifício do que ela representa.  A menos que de fato não represente mais. Nem mesmo para suas maiores lideranças. 

Geder Parzianello gederparzianello@yahoo.com.br

São Borja (RS)

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VALE TUDO

Para o PT vale tudo em busca do protagonismo que deixou de ter e que certamente nunca mais terá. A bancada petista vai apoiar para a presidência da Câmara Baleia Rossi, um emedebista, partido “golpista”. Quanto ao Senado, o PT vai engrossar os votos de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que é o candidato de Jair Bolsonaro. É o PT no mundo da lua.

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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ELEIÇÃO NO CONGRESSO

O MDB precisa mostrar brios, coragem e patriotismo e disputar com determinação e união a presidência do Senado Federal. O MDB tem maioria no Senado, com 13 senadores. Não pode nem deve se acanhar diante das legítimas disputas políticas. Seria deplorável fugir de suas responsabilidades históricas. É preciso tirar da cena política nacional figuras obscuras como o atual presidente da Câmara Alta, Davi Alcolumbre. Deslustrou o cargo. Baba-ovo engravatado. Usurpou a presidência, vencendo de Renan Calheiros em eleição fraudulenta. Apoiado pelos alquimistas do mal, do Palácio do Planalto. Senadores decididos a valorizar o cargo não podem mais ficar atrelados aos interesses do Palácio do Planalto. Muito menos serem eternos vassalos das fanfarrices e sandices de Bolsonaro. Basta de subserviência.  Semelhante raciocínio se impõe para as eleições da Mesa Diretora da Câmara federal. Números, fatos e sinais claros indicam que o candidato de Bolsonaro será derrotado pelo deputado apoiado pelo grupo liderado por Rodrigo Maia. Nesse sentido, registre-se que o Messias de plástico errou feio, rompendo politicamente com Maia. Mostrou não ter visão política nem sensibilidade humana. Preferiu ficar com generais amadores na difícil arte da política. Brigou com Maia porque o deputado do DEM do Rio de Janeiro não tem vocação para capacho. Agora é tarde.

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

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FORD ENCERRA ATIVIDADES NO BRASIL

Após décadas, a Ford decidiu sair do Brasil e fechar suas fábricas aqui. Um triste e simbólico retrato do trágico Brasil de hoje. Parabéns, Bolsonaro, sua gangue e todos os envolvidos. Conseguiram destruir o País. Por aí se vê o tamanho da destruição e da irrelevância do Brasil atual. Um país cada vez mais desindustrializado, isolado, empobrecido, emburrecido e que desce a ladeira a olhos vistos. A saída da Ford trará desemprego em massa, perda de arrecadação de tributos e reflete a decadência assustadora do País nos últimos tempos. O último que sair apague a luz do aeroporto.

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

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CEM ANOS

Cem anos de tecnologia, empregos, dinamismo e sucesso empresarial destruídos em poucos dias pela incompetência e omissão de alguns que certamente continuarão sendo blindados pelos cargos que ocupam, enquanto a Ford continuará sendo a empresa respeitável e respeitada que sempre foi.

Vera Bertolucci veravailati@uol.com.br

São Paulo

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SINAL VERMELHO

Este fato incontroverso faz tremer os 5 mil empregados que, da noite para o dia, perderam pé e, de acréscimo, o pão nosso de cada dia. Sinal vermelho de alerta para toda a Nação. A Ford há tempos deu sinais de que as estradas tributárias brasileiras estão terrivelmente esburacadas, atoleiros por onde mal e mal podem transitar carros de boi. E, olha lá, dando “jeitinhos”! As grandes empresas, velas enfunadas pela moral e pela ética, não têm como “dar jeitinhos” e driblar a gula pantagruélica do sempre e sempre esfomeado Estado. E, assim, a Ford foi-se. Vivemos num “manicômio tributário”, segundo Rodrigo Maia, onde o empregador, uma das vigas-mestras da Nação, trabalha os primeiros três meses do ano somente para o governo, estranguladas suas finanças pelos tributos enfurecidos! Como resistir num paradoxo desse naipe? Quando o Estado na forja das promessas jura por um acertamento e melhora e enxugamento dos tributos, são apenas juras falsas e fátuas “promessas”. Ingênuo, pois, será acreditar que jogando filé-mignon para leões eles se tornarão vegetarianos. As empresas vão-se, pois não há como transformar a índole do “leão estatal” de seu intento de pilhagem, por força de sua endêmica desorganização. Que a lição sirva de alerta para os passos futuros, e o Estado brasileiro reponha os tributos nos seus devidos lugares; pois, se não o fizer, além da pandemia que grassa pelo País, poderá vir o tempo da “barriga vazia”.

Antonio B. Camargo bonival@camargoecamargo.adv.br

São Paulo

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SEM SURPRESA

Lamento a saída da Ford do Brasil. Contudo, não é uma surpresa real. Há muito tempo em sua estratégia global de investimentos e participação de mercado a Argentina levou vantagem sobre nós.  Era sabido, por mais que autoridades estaduais e municipais tenham dado incentivos para sua permanência no Brasil. Empresas, como pessoas, estarão fadadas a acabar por motivos vários. Os mais importantes são a adoção de estratégias erradas, a falta de produtos adequados ou até o desconhecimento de características de mercado. Mais do que lamentar o fechamento da Ford será o fechamento da Troller, empresa bem-sucedida brasileira que nasceu e cresceu num polo alheio à indústria automobilística, o Ceará. Comprada pela Ford com os lucros de vendas bem-sucedidas do modelo Ecosport, fortificando assim sua participação no setor. Agora, acaba também. Era a última genuinamente nacional. Sai a Ford, entrará uma chinesa ou indiana. Inúmeros subsídios são oferecidos a montadoras por meio de desoneração de impostos, sem garantias de permanência de empresas, tal qual também ocorre com a Mercedes em Iracemapolis (SP). Por que não somos capazes de criar modelos bem-sucedidos nesta área, se chineses e indianos sem tradição o foram? Essas, sim, deveriam ser as perguntas a ser investigadas, mais do que lamentações subsidiadas e que não nos serão indenizadas.

Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

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FORD

A saída da Ford do Brasil seguiu sua tradição iniciada por Henry Ford na produção do modelo T, sucesso mundial inquestionável. Porém, enquanto a indústria automobilística concorrente evoluía, ele não queria nem ouvir falar em modernizar o modelo T. Aqui aconteceu o mesmo, fazendo o “modelo T” enquanto as outras evoluíam. O grande perigo é a Ford sair do mundo.

Gustavo Guimarães da Veiga ggveiga@outlook.com

São Paulo

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HISTÓRIA

Para quem conhece a evolução histórica da Ford entre nós, não causa surpresa sua decisão de abandonar o País. No começo, a Ford instalou uma mera importadora de veículos fabricados nos EUA, para serem revendidos aqui. Com o tempo e a dificuldade de remeter a totalidade dos lucros auferidos para a matriz, decidiu importar dos EUA as plantas locais obsoletas, desovando, assim, parte dos lucros retidos, além de valer-se de incentivos fiscais, passando a importar as partes fabricadas no exterior para efetuar a montagem e vender aqui seus veículos. A mesma técnica foi aplicada posteriormente quando recebeu benefícios fiscais para iniciar a fabricação dos veículos aqui mesmo. Agora, com a pandemia que deixou o pátio lotado de veículos sem revenda, o dólar alto, a falta de novos incentivos, custos trabalhistas elevados, os prejuízos acumulados e a necessidade de adaptar-se à nova realidade, utilizando robôs ao invés de seres humanos em seus parques industriais, decidiu finalmente encerrar suas atividades, que deixaram de oferecer o retorno que sempre obteve. Simples assim.

Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com

São Paulo

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SEPULTAMENTO DA FORD

Depois de mais de um século, a Ford decidiu encerrar a produção de veículos no Brasil. Muitos agora atribuem o fato à concorrência coreana, chinesa e japonesa, como se só aqui no Brasil houvesse carros asiáticos à venda; outros ainda não vão se demorar a colocar a culpa no “coiso”. Mas e o sindicalismo brasileiro, sobretudo o do ABC paulista, liderado por Vicentinho nas décadas de 80 e 90, não tem nada que ver com isso? Oremos...

João Pacheco de Souza Amaral Filho projetofusoes@terra.com.br

Jaú

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RAYMUNDO MAGLIANO FILHO

Todos os jornais deram destaque à vida de Magliano, contando muito do que fez pelo desenvolvimento do mercado de capitais. Um aspecto que não foi mencionado, mas que merece destaque, foi a sua compreensão da mudança que ia ocorrer com a eleição de Lula. Antes das eleições, Magliano convidou Lula para uma visita ao Conselho da Bovespa, eu era conselheiro representando as companhias abertas, e assisti àquele encontro no qual Lula estava pouco à vontade por ter recebido aquele estranho convite. Esse fato mostra como Magliano reconheceu a mudança do tempo e apoiou essa mudança. De fato, no Lula 1, as mudanças feitas foram muito positivas, mostrando a inteligência e a habilidade deste senhor. Infelizmente, depois, o “pudê” subiu à cabeça e perdemos nossa oportunidade com a criação do “nós contra eles”...

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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