Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2021 | 03h00

Pandemia

Divergências insignificantes

Em artigo, ontem, no Estado, Fernando Reinach afirma que a eficácia da Coronavac seria de 49,69%, e não 50,38%. A discussão não é significativa. A confiança nos números de infectados depende da quantidade de pessoas testadas. A incerteza em cada número pode ser estimada em cerca de dez pessoas (raiz quadrada do número de infectados em cada grupo). Isso dá um erro relativo perto de 10%. É mais apropriado apresentar a eficácia com uma margem de erro. Numa estimativa sem refinamento, ela seria de cinco pontos porcentuais para mais ou para menos. Os números do “político” Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, e do cientista Fernando Reinach são compatíveis dentro da margem de erro. Ambos indicam que vale a pena se vacinar.

PAULO A. NUSSENZVEIG

NUSSEN@IF.USP.BR

SÃO PAULO

*

Predisposição e refratariedade

Nos idos da década de 1960, o grande professor Walter Maffei ensinava Patologia na Faculdade de Medicina de Sorocaba, da PUC, e a aula sobre predisposição e refratariedade atraía todos os alunos e alunas, de todos os anos, como se fosse um evento único. Aprendi como aluno, então, que cada indivíduo tem no seu sistema imunológico a capacidade de desenvolver as defesas do organismo por meio de vários órgãos do chamado complexo reticuloendotelial. Esses ensinamentos, válidos até hoje, explicam por que, expostas ao mesmo agressor microbiológico, pessoas desenvolvem ou não as doenças. É a chamada imunidade ativa. Acontece, porém, que as vacinas, grandes benfeitorias da humanidade, protegem os indivíduos predispostos ou refratários indistintamente. É a chamada imunidade passiva. E quanto mais cedo, melhor, pelo SUS ou por qualquer outra entidade vacinal. Urge iniciarmos a vacinação contra esta praga que é a covid-19, para proteger os brasileiros de uma vez por todas.

HERMANN GRINFELD

HERMANN.GRINFELD@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

*

Circo planaltino

Tornou-se delirante a ansiedade demonstrada pelo governo federal para se atribuir o primeiro lugar no lançamento da vacinação contra a covid-19 no País. Tudo indica que a população assistirá a um espetáculo mais circense que teatral, para que o primeiro a aparecer nessa corrida consiga angariar alguns votos a mais na próxima eleição.

JORGE SPUNBERG

JSPUNBERG@GMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Palhaçada oficial

Quer dizer que no na hora H do dia D o Palácio do Planalto soltará fogos de artifício nos céus de Brasília para comemorar a chegada oficial de vacina contra o coronavírus, qualquer que seja, e fazer a foto oficial do evento? Nunca um termo foi dado tão adequadamente a um louco quanto “boicotador” da salvação dos brasileiros.

ELIANA PACE

PACECON@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

*

Perguntar não ofende

Se o fornecimento de seringas e agulhas é de competência dos municípios e Estados, segundo informou o Ministério da Saúde ao Supremo Tribunal Federal, por que ele fez licitação para a compra de milhões de unidades de seringas e agulhas? Será para estocar junto com a cloroquina e os testes vencidos de covid-19? Pazuello, o almoxarife...

VITAL ROMANELI PENHA

VITALROMANELI@GMAIL.COM

JACAREÍ

*

Francisco e a ‘gripezinha’

O papa deu exemplo e recebeu a vacina. Será que o capitão reformado se julga mais bem informado do que sua santidade? Ou considera Francisco “maricas” também, como todos nós?

JOÃO PAULO GARCIA

JOTAPEGE39@GMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Corrupção

Sombra de Moro

É o medo da sombra de Sergio Moro, representada pela ainda sobrevivente Lava Jato, que explica o aparentemente impossível apoio do PT ao candidato indicado por Jair Bolsonaro à presidência do Senado. Só mesmo o medo de perder as barreiras que garantem a impunidade dos corruptos poderosos consegue sobrepujar todos e quaisquer outros interesses.

LUIZ RIBEIRO PINTO

BRASILCAT@UOL.COM.BR

RIBEIRÃO PRETO

*

Economia

Subsídios às montadoras

A saída da Ford do Brasil não surpreende. Décadas atrás houve incentivos para que várias indústrias automobilísticas aqui se instalassem, em minha opinião, sem o devido planejamento de longo prazo. Tantas foram que passaram a conviver com ociosidade considerável na produção e a depender de substanciais incentivos governamentais – dinheiro nosso. Com qualidade questionável em relação aos produzidos no exterior, chegaram os veículos a ser chamados de “carroças”. Como agravantes, o custo Brasil e agora a pandemia contribuíram para a decisão da Ford – e pode ter havido falhas de gestão e estratégia. Uma coisa é certa: o setor desfruta, ainda, grandes privilégios, subsídios sem fim. Deveríamos ter de volta os incentivos concedidos. E que falar da concorrência dos asiáticos? Infelizmente, a Ford não é a primeira nem será a última a tomar tal iniciativa – o tempo dirá.

JORGE DE AZEVEDO PIRES

JORPIRES62@GMAIL.COM

RIBEIRÃO PRETO

*

Soja francesa

Sugestão a Macron

Sugiro ao sr. Emmanuel Macron que incentive a produção de soja nas regiões de Bordeaux e de Champagne. Afinal, o que seria sacrificar algumas parreiras velhas em comparação com a preservação da Amazônia?

CÉSAR GARCIA

CFMGARCIA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Assédio sexual

Processo suspenso

Uma juíza – vou repetir, uma juíza – suspendeu o processo ético contra o deputado Fernando Cury, que assediou Isa Penna. Entendo, assim, por que o assédio no Brasil não acaba.

MARCOS BARBOSA

MICABARBOSA@GMAIL.COM

CASA BRANCA


______________________________________________________________________

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


VACINAÇÃO CONTRA COVID-19

Perfeito o cálculo do microbiologista Luiz Gustavo de Almeida, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP). Uma vacina com 50,4% de eficácia precisa ser aplicada em 99% do público-alvo para alcançar a imunidade coletiva e deter a circulação do novo coronavírus no País. Como são duas doses para cada pessoa, o País só terminaria de vacinar no 2.º semestre de 2022. Com a demora, o uso da vacina com vírus inativo pode não proteger totalmente as pessoas por causa das mutações do vírus, situação similar com a vacina da gripe. A vacina com RNA mensageiro e 95% de eficácia pode ser rapidamente adaptada para novas cepas. A vacinação de metade da população adulta (81 milhões), em apenas cinco meses, já produziria a imunidade coletiva.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

*

A EFICÁCIA DA CORONAVAC

Sou da opinião de que são necessárias mais que uma vacina para combate ao coronavírus. Estamos aprendendo dia a dia com esta pandemia e cada vacina mostrará seus efeitos gerais (segurança, eficácia, etc.). A vacinação sem dúvida é a solução, embora sempre continuemos com as necessárias medidas preventivas (distanciamento social, uso de máscaras, etc.). No Estado de ontem (14/1, A11), em Qual é a verdadeira eficácia da Coronavac?, Fernando Reinach, biólogo extremamente estudioso, nos impressiona em relação ao seu conteúdo exigindo de nós, leitores, reflexões que reputo importantes. Diz ele: “O importante é separar o que é ciência das promessas políticas dos governantes”. E conclui dizendo que Dimas Covas “deixou de ser cientista e passou a ser político, um vendedor de ilusões”. Aponta que a vacina Coronavac provavelmente será aprovada pela Anvisa, o que eu acho que será bom, pois é o que temos como opção e oxalá nos beneficie. Pessoalmente, não aprecio fotos pirotécnicas como a de Jair Bolsonaro mostrando uma embalagem de cloroquina – horrível, um desserviço. Mas não é que isso se repete com João Doria e cientistas médicos respeitados em fotos com a vacina? Podemos explicar que esta é uma pesquisa médica. O.k., mas, voltando ao passado, nunca vi professores como  Decourt, Jairo Ramos, Adib Jatene, entre inúmeros outros exemplos éticos, saírem por aí em fotos segurando uma caixa de remédio. Tempos modernos? Ou não éticos?

Claudio Baptista clabap45@gmail.com

São Paulo

*

QUEM MANDA, A CIÊNCIA OU A POLÍTICA?

Muito grave o que revelou Fernando Reinach, biólogo, em seu artigo de 14/1. Na verdade, o povo está sendo ludibriado nesta guerra das vacinas. Eficácia deveria ser a preocupação primeira, e não posições políticas. Já faz algum tempo que se observa a troca da ciência pela política, e agora o artigo reforça aquilo que os que acompanham de perto temiam: esta disputa suja ignorando o desespero daqueles que aguardam ansiosamente a chegada da cura, prometida pelas vacinas. Estava clara a opção dos cientistas até aqui. Certamente, teremos um desmentido da conclusão de Reinach. Com esses dados apresentados pelo articulista, referentes à baixa segurança da vacina, o farol da esperança daqueles que são reféns de notícias fica sem brilho. O medo de perder a guerra das vacinas coloca o nome do Instituto Butantan em xeque. Não estamos livres dos vendedores de ilusões. Faz muito tempo que nos vendem gatos por lebres, e compramos. O que não faz o desespero. Lamentável!

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

*

EM BUSCA DE UM HORIZONTE

No artigo de ontem, o colunista Fernando Reinach joga a favor dos negacionistas. Meio por cento e ele compromete a credibilidade da vacina. Ainda bem que o Estadão abriu espaço também para Ricardo Palácios, diretor médico de pesquisa do Instituto Butantan, que contestou tecnicamente o infeliz articulista (Cálculo que mostra eficácia de 49,69% para Coronavac está errado, diz diretor do Butantã). Chega de números! Precisamos de um horizonte, só com vacinas!

João Paulo Mendes Parreira jpmparreira@hotmail.com

São Caetano do Sul

*

POLÍTICA DA VACINA

Política da vacina 1: um avião foi para a Índia trazer vacinas da AstraZeneca. Iria, se já não tivesse a aprovação emergencial da Anvisa? Política da vacina 2: por que o anúncio da Anvisa vai ser no domingo? Se fosse antes, o governo federal não teria vacina para aplicação e ficaria feio para o governo. Depois querem que acreditemos que a Anvisa é um órgão puramente técnico.

Vital Romaneli Penha vitalromaneli@gmail.com

Jacareí

*

DOIS PESOS

Tenho uma dúvida: em função da aprovação das vacinas Coronavac e da Universidade de Oxford, equipes da Anvisa deslocaram-se aos países de origem de cada uma para verificar a adequação das instalações fabris. E em relação à vacina fabricada na Índia? Não houve interesse da Anvisa em proceder da mesma forma, ou sutilmente o governo federal sugeriu a dispensa de tal procedimento, visando à aceleração do processo? Mistério...

Heleo Pohlmann Braga heleo.braga@hotmail.com

Ribeirão Preto

*

NOBEL

A Anvisa pode ganhar o Prêmio Nobel de Medicina pelos conhecimentos técnicos exigidos para a liberação da Coronavac no Brasil. Ou o Nobel de Literatura, pelas milhares de páginas que foram exigidas dos fabricantes das vacinas para agradar ao presidente da República. Ou o Nobel da Paz, por ser perfeccionista para a salvação da vida dos brasileiros. Quem sabe o de Química, pela aproximação com o Ministério da Saúde, ou o de Física, pela distância calculada com o governo de São Paulo. Neste ano o Brasil pode ter seu primeiro Prêmio Nobel ou, quem sabe, mais de um, dois ou três. Quem sabe não sobra um para Bolsonaro?

Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo

*

ANVISA

Alguém duvida de que a Anvisa liberará as vacinas para uso, seja emergencial, seja definitivo? Estas exigências documentais são corretas e atingem as raias do perfeccionismo. Fazem lembrar um consolo importante de um regime de força aos prisioneiros apavorados: “Não se preocupem, pois todos receberão um julgamento justo... antes de serem enforcados!”.

Décio Antônio Damin deciodamin@gmail.com

Porto Alegre

*

CERIMÔNIA DE VACINAÇÃO

A cerimônia do início da vacinação contra a covid-19 é uma oportunidade irresistível para fazer propaganda eleitoral em nível nacional para as eleições presidenciais de 2022. O problema é que não fica bem o presidente Jair Coloroquina Bolsonaro comparecer e não ser vacinado. Por outro lado, ele manteve a posição tosca de não tomar a vacina, e continua encorajando os outros a tomarem a mesma atitude perigosa. Sugestão para resolver o impasse: mandar um sósia, este toma a vacina, o presidente declara que foi fiel à sua posição de non ducor, duco!

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

*

VACINAS X ARMAS

Se Jair Bolsonaro se empenhasse pela vacina como ele se empenha pelas armas, o Brasil já estaria livre da pandemia: o País teria comprado as 70 milhões de doses da vacina oferecidas pela Pfizer, vacinado um terço da população em dezembro e janeiro, todo o pessoal da linha de frente de combate à covid-19 e dos grupos de risco já estariam vacinados e salvos da doença. O número de novos casos iria diminuir muito com 70 milhões de imunes, o número de mortos iria diminuir muito com todo o grupo de risco vacinado. A economia poderia reabrir sem restrições, a vida voltaria ao normal, usando máscaras e mantendo as medidas básicas. O resto da população receberia logo mais as outras vacinas. Pena que Bolsonaro não gosta das vacinas como ele gosta das armas.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

*

ARMAS

Armar a população será um tiro no pé. O Estado tem de cumprir sua obrigação de prover os serviços básicos que diminuem a criminalidade e propor um Código Penal mais rígido do que a peneira que temos atualmente.

Antonio Acorsi Acorsi acorsi.antonio@gmail.com

São Paulo

*

MENTIROSO CONTUMAZ

Acredito que o Estadão deveria reeditar o Pinóquio da época de Maluf com a Paulipetro, agora com o presidente Bolsonaro, pois a cada dia este execrável pseudopresidente vem nos premiar com mais uma de suas inúmeras mentiras. Agora, ele coloca a culpa de não corrigir a tabela do Imposto de Renda na pandemia. Cara de pau! Já no início de 2019, quando Bolsonaro assumiu seu posto em Brasília e não corrigiu a tabela do IR, escrevi uma carta para o Fórum dos Leitores exatamente criticando esta criatura por já no início de seu desgoverno não estar cumprindo promessas de campanha. Trata-se de um mentiroso contumaz, que tão somente se sente à vontade em denegrir a imagem de pessoas de bem, promover a cloroquina – pois deve receber royalties sobre a venda dela –, desincentivar a vacinação contra a covid-19, dando um péssimo exemplo aos brasileiros e mostrando ao planeta o quão pária ele é, e ainda colocando o Brasil à margem de todo o mundo, apoiando até agora as maluquices e devaneios do golpista Donald Trump e já ameaçando as eleições de 2022, dizendo que aqui, no Brasil, poderá acontecer coisa pior do que a invasão ao Congresso norte-americano, caso não haja voto impresso. Seria bom se ele andasse no carro do Fred Flintstone, de tão atrasado que é. E, para finalizar, quem enaltece Brilhante Ustra só pode ser, mesmo, um atrasado e golpista à Trump tupiniquim.

Boris Becker borisbecker@uol.com.br

Praia Grande

*

MÍNIMO TRIBUTADO

A defasagem na correção da tabela do Imposto de Renda é tão grande que em breve os que ganham salário mínimo serão taxados. Vergonha!

Marcos Abrão m.abrao@terra.com.br

São Paulo

*

PARLAMENTARISMO

Estimulados pelo possível impeachment de Donald Trump a poucos dias do término de seu mandato, os entusiastas dessa possibilidade voltam a discutir o tema em relação a Jair Bolsonaro, já que ainda existem pela frente não dias, mas dois longos anos de mandato, que possivelmente passará longe da competência, para dizer o mínimo. Por isso se faz urgente a rediscussão do parlamentarismo no Brasil. A Nação não merece mais correr o risco de se tornar refém de um presidente desvairado, seja quem for ou a qual vertente política pertença, pois impeachment é um processo sempre lento, doloroso e prejudicial ao País e não pode ser banalizado como solução fácil e imediata. A discussão do parlamentarismo será longa e atribulada. É preciso começá-la.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

*

O BRASIL E AS MONTADORAS DE VEÍCULOS

Esclarecedora a reportagem do Estadão sobre o socorro de US$ 69 bi das matrizes às montadoras no Brasil nos últimos 6 anos (14/1, B1). Ocorre que nós sabemos fazer conta e eu fiz uma no joelho. Considerando a produção de veículos no Brasil de 2,5 milhões/ano (2020) e o tíquete médio de venda de R$ 70 mil (valor até baixo...), dá R$ 1,06 trilhão em seis anos.  Considerando o dólar médio de R$ 5,10 no período (valor até alto...), a indústria  automobilística faturou no Brasil em seis anos aproximadamente US$ 206 bilhões! Estão reclamando do quê, mesmo? Botam 69 e tiram 206? Mais incentivos fiscais, como no caso da Ford? Ora, então que fechem as portas, todas elas, pois melhor seria importar tudo e taxar impostos! Incentivo o governo deve dar à agroindústria, orgulho e salvação da Pátria há décadas, não à automobilística, cujo ciclo de vida enquanto transporte individual está sob severo questionamento há muito tempo, sem contar o notório atraso da eletrificação deles no Brasil.

Paulo Sérgio Pecchio Gonçalves ppecchio@terra.com.br

São Paulo

*

ACABOU O FILÉ MIGNON

Em sua sã consciência, o colunista William Waack acha realmente que a Ford sai do País por a situação do Brasil não ser apropriada e confiável? (Um duro recado, 14/1). Eu discordo de seu conceito. Quando a Ford e outras estavam reinando por serem poucas fábricas (Ford, GM, Fiat, VW) de automóveis, deitaram em sol esplêndido. Waack informou aos leitores quantas fábricas montadoras há hoje no Brasil? A Ford parou no tempo e não tem interesse de investimento, para acompanhar a evolução rápida de novos modelos que vêm propondo as outras montadoras. O filé mignon dos anos anteriores acabou.

Osvaldo Galindez osvaldoraulgalindez@icloud.com

São Paulo

*

QUEM PRECISA IR EMBORA

Quem precisa ir embora são Paulo Guedes e o seu chefe, não a Ford. Mesmo após dois anos de uma política econômica desastrosa, que só teve resultados pífios e nefastos, como desemprego recorde, inflação e alta expressiva do dólar, além de muitas frases absolutamente indecorosas do ministro da Economia, grande parte da imprensa continua isentando o chefe da equipe econômica e o próprio presidente da República do ônus desse retumbante fiasco, só comparável às barbeiragens cometidas nos governos Collor e Dilma. A saída da Ford do Brasil é o ápice deste modelo econômico caótico, sem previsibilidade nem credibilidade. Já deixaram o País mais de US$ 150 bilhões em apenas dois anos de investidores estrangeiros, por causa da desconfiança e da antipatia proporcionadas por Guedes e Cia. Mas a imprensa doura a pílula toda semana cada vez que a Bolsa de São Paulo passa de 100 mil pontos, como se isso fosse a salvação da lavoura. Omite-se que pouco mais de 1% dos brasileiros investem na Bolsa e que o risco envolvido na operação é altíssimo. Ludibriam-se pequenos investidores que arriscam sua poupança e, em muitos casos, acabam perdendo tudo. Desde que me conheço por gente escuto que o brasileiro não gosta de poupar, mas que vantagem existe em aplicar na poupança, que atualmente perde até para a inflação? Enquanto isso, os bancos continuam cobrando juros de 350% ao ano. Vejo que a imprensa hoje está nas mãos dos bancos. Sem interesse nacional. Defende e blinda um ministro incompetente em nome de privatizações que são verdadeiros saques do patrimônio nacional. Destroem um país em nome da mais deslavada ganância financeira nacional e internacional. Lamentável. O governo “da retomada em V”, “da vacinação no dia D e na hora H”, está levando-nos a passos largos a mais terrível m...

Sandro Ferreira sandroferreira94@hotmail.com

Ponta Grossa (PR)

*

SEGURANÇA JURÍDICA

Tempo houve – passa pelas frestas de nossa memória de mármore – em que o doutor movimentar um Ford – bigode, que seja – era o símbolo do progresso escrito em nossa bandeira. Depois de século, a Ford deixa o País, por falta de segurança jurídica. Basta ver a Suprema Corte de Justiça do Brasil a lançar na vala comum de um nome sofisticado – “virtual” – processos que visam a garantir a solidez dos contratos. Nesta toada, tempo haverá em que o STF se resumirá, monocrático e virtual – que expressões bonitas – a um pajé em sua taba, no centro da aldeia, sem livros jurídicos e rodeado de elixires.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

*

AVESTRUZES

Não é por falta de aviso que o processo de desindustrialização brasileira segue em marcha batida, muito além das questões conjunturais como a da pandemia, usada como desculpa amarela. Não por coincidência, no final do ano passado foi encerrada a produção de carros pela Mercedes, e agora a Ford anuncia o fechamento de todas as fábricas no Brasil após 102 anos, seguindo o fim da produção de caminhões em 2019, no entanto mantendo suas fábricas argentinas e uruguaias. Em setembro, a Sony já havia encerrado a produção no País, que na década de 1980 já havia perdido o bonde da indústria de informática. Voltando no tempo, desde o final da década de 1950 se diz que a educação é o caminho do futuro, porém há mais de 30 anos é denunciada a queda de produtividade na indústria, na qual um operário brasileiro produz ¼ de seu similar em outras partes do mundo. Isso sem falar do custo Brasil e da infraestrutura deficiente em todos os setores, que afeta principalmente o sistema logístico nacional. Enquanto isso, o Brasil, que ocupa o 53.º lugar em 65 países no teste Pisa, está no seu quarto ministro da Educação em dois anos, cuja maior projeto é o programa estratégico (?) Escola Sem Partido. O Ministério da Ciência e Tecnologia é conduzido por uma astronauta lunático que corta as bolsas de pesquisas científicas. O ministro da Economia, um otimista em sua bolha sem rumo, dorme sobre as imprescindíveis, prometidas e proteladas reformas estruturais. Enfim, o presidente tem como maior preocupação sua reeleição – para quê? Enquanto isso, libera a compra de armas e munição num país campeão de mortes violentas por habitante. Esses são fatos indiscutíveis que ocorrem não porque o mundo desgosta do Brasil, mas porque, aparentemente, não gosta de si próprio, preferindo postar-se como um avestruz irresponsável.

Alberto Mac Dowell de Figueiredo amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos

*

MACRON E A SOJA BRASILEIRA

Sobre as críticas de Emmanuel Macron à soja brasileira, se o presidente francês quiser criar um embargo comercial com o Brasil, pegue a fila, por favor. Espere os EUA terminarem a limpa deles primeiro.

Rodrigo Ibraim rodrigoibraim@gmail.com

Taboão da Serra


 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.