Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2021 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Vulgaridades presidenciais

Circulou nesta quarta-feira o vídeo do encontro do presidente da República com artistas e colaboradores numa churrascaria em Brasília. O trecho mostrado do discurso presidencial é indecente! Os 30 segundos da versão a que assisti tiveram de tudo: ataque à imprensa, aglomeração, gente sem máscara e até aplausos efusivos do responsável pela diplomacia brasileira após os palavrões do chefe! Atônito, lembrei-me do ocorrido há alguns anos com aquele ex-presidente que sucedeu a Fernando Henrique Cardoso. Entre os muitos tropeços cometidos pelo dito cujo, ficou marcada a reportagem publicada em maio de 2004 no jornal The New York Times em que o correspondente Larry Rohter discorreu sobre alguns vexames do então presidente e seu costume de aparecer em público supostamente alcoolizado. Os bastidores e o desenrolar desse imbróglio estão no livro Deu no New York Times. Inconformado, o autoproclamado democrata petista cancelou o visto do jornalista americano. Tomara que o truculento capitão que está no poder não queira punir o convidado que filmou a cena. No mais, torço para que tenhamos chegado ao fundo do poço e o próximo presidente da República não seja tão indigno do cargo. Que fase!

HAMILTON VARELA

HAMILTONVARELA@GMAIL.COM

SÃO CARLOS

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Patriotas de fachada

Patriotas autênticos protegem a si próprios e aos seus compatriotas, não cedem flanco ao inimigo nem a ele se aliam. Usam máscara, evitam aglomeração, seguem a ciência. Já os patriotas de fachada seguem o charlatanismo, circulam sem máscara, arrotam arrogância e burrice, espalham vírus, colaboram com o inimigo e sabotam o seu próprio povo.

VENTURA ALLAN MORENILLA

VENTURA.MORENILLA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Submissão ao tiranete

Depois de armar a população e os espíritos, cercar-se de militares e bajular as polícias, o presidente está prestes a garantir a subserviência do Congresso Nacional. A única instituição que restará para incomodá-lo é a imprensa livre. Por isso ele a ataca sistematicamente, tentando intimidá-la com sua agressividade chula, para deleite dos seus apoiadores. Se o presidente viesse a domar também a imprensa (o quarto poder), aí conseguiria o poder total.

JOSÉ ROBERTO DE JESUS

DEJESUSJOSEROBERTO1@GMAIL.COM

CAPÃO BONITO

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Distopia

Candidatos de Bolsonaro na Câmara e no Senado falam abertamente em barrar CPIs que afetem seu chefe (28/1). Do jeito que anda essa caravana de intermináveis horrores, até um horizonte plausível se tornou invisível. O inferno, se existisse, provavelmente seria parecido com o bolsonarismo.

NELSON SAMPAIO JR.

N.SAMPAIO@HOTMAIL.COM

CURITIBA

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Dias contados

Eugênio Bucci lavou-nos a alma com seu artigo Fora, Bolsonaro (28/1, A2), a despeito das provocações e dos insultos patrocinados pelo presidente da República quando se vê acuado em meio às acusações contra seu governo, seja por incapacidade ou irresponsabilidade. Desacreditar a imprensa é a retórica escolhida por seu grupo, cujo roteiro se revelou determinante para o resultado da eleição de 2018. A sociedade precisa dar um basta para que o País possa voltar à normalidade. Com a previsão de agravamento da pandemia, a população já emite sinais de que a paciência com o presidente está com os dias contados. Tudo tem limite.

JOSÉ LUIZ COUTO

COUTTO13@HOTMAIL.COM

ITAPEVA

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Lições do passado

Parabéns a Eugênio Bucci pelo lúcido artigo Fora, Bolsonaro. Aplica-se, então, pelo artigo, a tese de que a História serve para que não se repitam os fatos do passado.

ÁUREO JOAQUIM CAMARGO

AUREO.CAMARGO@OUTLOOK.COM

TUPÃ

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A última bandeira a cair

Creio que a última bandeira de Jair Bolsonaro, a de não existir corrupção no governo federal, esteja pela bola sete. Assim que seus parças do abominável Centrão começarem a estender os tentáculos pelos ministérios e empresas estatais, a corrupção com certeza vai se espraiar tanto e tanto que Jair Bolsonaro cairá da cadeira. Com duplo sentido.

JOAO PAULO DE O. LEPPER

JP@SECULOVINTEUM.COM.BR

CABO FRIO (RJ)

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Impeachment

O prazo está se esgotando. Rodrigo Maia tem só mais um dia para encaminhar o impeachment do presidente Bolsonaro. Depois não adianta chorar.

CLÁUDIO MOSCHELLA

ARQUITETO@CLAUDIOMOSCHELLA.NET

SÃO PAULO

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Leite condensado

Ah, se esse leite condensado se transformasse na Fiat Elba do Collor... Estaríamos salvos!

JÚLIO MEDAGLIA

MAESTROJULIOMEDAGLIA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Reforma que é bom...

Leio que, novamente, o governo federal pensa em autorizar o corte de jornada de trabalho e dos já premidos salários da iniciativa privada. Enquanto isso, nada da reforma administrativa e da redução dos custos astronômicos e privilégios obscenos do serviço público, em especial alto funcionalismo.

HERMAN MENDES

HERMANMENDES@BOL.COM.BR

BLUMENAU (SC)

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Pandemia

Exportar a Coronavac?

Li no Estado que o Instituto Butantan pensa em exportar vacinas contra o coronavírus se o governo federal não as comprar. Como? O governador João Doria e o prefeito Bruno Covas sempre falam em salvar vidas. E agora se cogita de exportar vacinas para conseguir dinheiro, em vez de imunizar todos os paulistas, cientes de que se dependerem do governo federal serão os últimos a ser vacinados no Brasil?

MAURÍCIO LIMA

MAPELI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO



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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


BAIXO CALÃO

Durante almoço com ministros, aliados e cantores sertanejos numa churrascaria de Brasília (27/1), o boquirroto e falastrão presidente Bolsonaro, que tem a língua presa, soltou o verbo contra a imprensa: “Quando eu vejo a imprensa me atacar dizendo que comprei 2,5 milhões de latas de leite condensado, vai para a p.q.p, imprensa de merda! É para enfiar no rabo de vocês da imprensa essas latas de leite”. Oriundo do baixo clero no Congresso, o presidente se vale do baixo calão para contestar os fatos apurados pela mídia séria e investigativa. Com efeito, o termo Bolsonaro virou palavrão. Pobre Brasil.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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LODAÇAL

A cena da churrascaria do “elemento”, com sua claque de Q.I. de alto nível aplaudindo os seus palavrões e agressões de baixo calão, envergonha o nosso povo, arrasta o Brasil para um lodaçal profundo e, se as instituições (alô, OAB) fecharem os olhos para os descalabros que se avolumam a cada dia, o nosso país afundará, ficaremos isolados, sem vacina e sem esperança.

Elisabeth Migliavacca

São Paulo

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BOCA IMUNDA

Diante da nova agressão vil, torpe, covarde, leviana e irresponsável de Bolsonaro contra a imprensa, sugiro que o presidente use o leite condensado para lavar a boca suja, porca e imunda, e o chiclete para lacrar a alma ignorante, rancorosa e estúpida. 

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

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O LEITE CONDENADO

Para os incautos e desconhecedores, o uso e consumo de leite condensado (na verdade, concentrado) passa longe de ser apenas para a culinária da vovó e muito mais longe de furar a latinha para sugar a gostosura. A principal ração desta concentração é para aumentar o tempo de validade do leite e possibilitar sua distribuição até os mais distantes pontos do País, sem requer refrigeração, em razão do processo de produção e envase. No ponto de consumo, no meio da mata amazônica, basta adicionar água e... pronto, pode consumir como se fosse um belo copo de saudável leite fresco. Essa é uma das rações de alimentos processados, e aí entram os engenheiros de alimentos. Deu para entender?

Paulo Celso Biasioli pcbiasioli@yahoo.com.br

São Paulo

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LEITE EM PÓ

Como amante do leite condensado – isso quando criança e até a adolescência –, que abandonei quando percebi o perigo do excesso de açúcar em nosso organismo, ouvir a justificativa do governo, corroborada pela justificativa dos amanuenses (mesmo que intendentes) das Forças Armadas de que o leite condensado é fonte de energia para os nossos combatentes e estudantes das escolas militares, dá vontade de rir. Ledo engano. O custo-benefício, para qualquer jejuno, seria altamente prejudicial à saúde do seu usuário, principalmente quando seu emprego é prolongado. O próprio presidente admite que o produto fora comprado, ainda em maior quantidade, por sua antecessora. Seria de bom alvitre ao atual governante verificar se essas compras, digamos excêntricas, não teriam contribuído para o seu impeachment – no conjunto da sua obra, anotem, aí! Então, talvez fosse mais recomendável aos ilustres intendentes das Forças Armadas a substituição do leite condensado pelo leite em pó – este, além de oferecer outras possibilidades de consumo, com açúcar ou sem açúcar; com gordura ou desnatado, permite o seu uso por tempo prolongado e também não exigiria refrigeração. Por certo, além de melhorar a dieta dos nossos valorosos combatentes, ainda poderia permitir um custo menor – ainda se maior, o seu valor nutritivo justificaria. Tampouco provocaria tamanha celeuma: os críticos fariam ouvidos moucos e o presidente não precisaria recuperar o seu vocabulário – da caserna acho que não é – adquirido em ambientes hostis, por vulgar, chulo e de mau gosto, ao se dirigir à imprensa, como mensageira do mal. Esta mensageira do mal que insiste em nos manter informados, apesar dos pesares!

Noel Gonçalves Cerqueira noelcerqueira@gmail.com

Jacarezinho (PR)

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A QUITANDA DO PLANALTO

R$ 15 milhões gastos com leite condensado, R$ 2,2 milhões pagos em chicletes e R$ 32,7 milhões em pizza e refrigerante. Essas despesas do governo federal brasileiro constam do Portal da Transparência, que, por causa de excessiva consulta popular, saiu do ar. Considerando que, no caso do leite condensado, a lata pode ser encontrada hoje em lojas comerciais ou supermercados por cerca de R$ 7,00, temos que o governo comprou mais de dois milhões e cento e quarenta e duas mil latas de leite condensado. Sério isso? Não é pegadinha nem fake news? E para que tanto chiclete? Pizzas, tudo bem, já que neste país tudo acaba em pizza, mesmo. Mas, sinceramente, você acredita na idoneidade destes gastos governamentais, acredita na capacidade deste governo de administrar essa enorme quitanda tão regiamente abastecida e, pior, acredita que nós, brasileiros, eleitores e pagantes desse festival de absurdidades, realmente merecemos abastecer e manter esses ineptos, desqualificados e descarados que nos governam?

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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MILHÕES

E eu que pensava que as lagostas do STF é que eram caras. Viva o  chiclete com leite condensado.

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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POLÍTICOS ESTÚPIDOS

O orçamento de 2020, aprovado pelo Congresso em 17/12/2019, foi de R$ 3,8 trilhões. O impostômetro registrou, em 2020, a arrecadação de R$ 2,057 trilhões, e de R$ 2,504 trilhões em 2019. Arrecadamos R$ 483 bilhões a menos no último ano. O total de despesas com a pandemia chegou a R$ 607 bilhões. O Brasil gastou R$ 332 bilhões com o auxílio emergencial para os vulneráveis. Portanto, as contas não fecham, pois os parlamentares e a equipe econômica de Bolsonaro vivem no mundo da Lua. A máquina estatal continua inchada, as privatizações não foram realizadas e as principais reformas ainda não foram votadas. Os políticos estão preocupados com quem será o novo presidente da Câmara, do Senado e nas eleições de 2022. São patéticos.

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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RODRIGO MAIA

Rodrigo Maia contribuiu muito para a aprovação da reforma da Previdência – cheguei a pensar nele como um líder a ser considerado. Sai pequeno e abatido da presidência da Câmara, pelo fisiologismo dos seus pares cooptados pelas promessas nada republicanas da Presidência da República conduzidas por militares que obedecem às ordens do presidente exterminador. Não importa no que vai dar, mas o impeachment precisa ser colocado. Maia ainda tem tempo. O Brasil será agradecido.

Cecilia Centurion ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo

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PUXADINHO DO PLANALTO

Jair Messias Bolsonaro, embora não seja engenheiro, está realizando o acabamento final do puxadinho do Planalto, ou seja: o anexo legislativo compreendido pela Câmara e Senado. O nome do puxadinho, a constar das novas plantas, é Congresso Nacional. Não custa relembrar que ser eleito é importante, mas mais importante é respeitar o voto, e voto de cabresto ou por vantagens deve sempre levar a substituições dos mandatários, aliás, como já foi feito, em parte, nas eleições de 2018. Aguentem, brasileiros, porque 2022 está longe e teremos de suportar muitas de Jair Bolsonaro, até a sua substituição.

José C. de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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ELEIÇÃO NO CONGRESSO

Eleitores(as), a votação para presidentes da Câmara e do Senado será no dia 1/2/2021. Mande um recado para seu deputado ou escolha um (caso o seu não tenha sido eleito) e pressione-o a não votar contra o Brasil. Chega de negacionistas a comandar o País. O Senado deve ser comandado por uma mulher, Simone Tebet. Somos nós, eleitores conscientes, que vamos mudar o Brasil, pressionando-os, pois uma maioria vota por votar.

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

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É HORA DE EXPLICAR OS GASTOS

O Tribunal de Contas da União (TCU) viu como ilegal a compra de cloroquina pelo SUS, para o tratamento da pandemia, dando prazo para o ministro da Saúde se explicar. Atrevo-me a adiantar que não haverá explicação viável para tanto. A compra absurda desse medicamento, recomendado no tratamento da malária, jamais foi aprovada pelas entidades médicas. Entretanto, o presidente, que nem médico é, resolveu ordenar a sua compra para atender àqueles afetados pelo coronavírus e o ministro da Saúde, que como sabemos escuta e cumpre, acatou a decisão presidencial. Esquece o general que ele está agora na administração pública civil, na qual o servidor público é proibido de acatar ordens ilegais. A imprensa noticiou que a recomendação dessa droga estava no site do Ministério da Saúde e foi retirada depois da notícia do TCU. Tanto é verdade que foi despachada para Manaus uma quantidade considerável de cloroquina, inclusive com o ministro Pazuello indo até lá, aconselhando a sua aplicação. A decisão é absurda, pois, como ambos não são médicos, tal iniciativa beira ao charlatanismo. Ademais, por oportuno, cabe citar reportagem publicada no Estado tempos atrás narrando ter o presidente ordenado que o laboratório do Exército aumentasse consideravelmente a produção desse medicamento, que é produzido ali para atender os soldados no tratamento da malária. Por lógica, essa despesa extra deverá se somar àquela dispendida pelo Ministério da Saúde com o mesmo medicamento. Como sabemos, nenhum agente público pode causar prejuízos ao erário, ainda que involuntariamente. Tem a obrigação de ressarcir o Estado, nem que leve anos para pagar com os seus vencimentos, ou, se for o caso, com os seus bens. Em casos de as despesas terem sido por dolo, responderá ainda na esfera civil e criminal. Por fim, a tais gastos também caberá ao governo se explicar sobre despesas com alimentação, que mereceram a atenção dos parlamentares, entre eles a compra de vinhos. Por oportuno, cumpre lembrar que parcela significativa da população está passando fome.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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NA CONTRAMÃO

Mais uma vez estamos na contramão do mundo civilizado. Não se trata de política, no que somos habituais. Desta vez é com a pandemia que nos assola. O presidente Bolsonaro, que deveria comandar o processo de enfrentamento, omite-se quando age ao contrário da norma científica, apresentando sugestões ridículas e rasteiras sobre algo que desconhece. Países civilizados, diante do ressurgimento das infecções, como a Alemanha, Reino Unido, Espanha e outros, utilizam-se do lockdown como o caminho a evitar que se espalhe o vírus, como tem ocorrido de forma veloz. Aqui, como sempre, em tudo, é meia-boca, com medo de ferir interesses, começando pelos financeiros, como se fossem prioritários. Será que os países do lockdown são irresponsáveis ou nós é que somos, começando com a sociedade, que parece não entender dos riscos com a proliferação. Falta autoridade? Não, falta responsabilidade de governantes e governados. Faltam ação enérgica e punição.

Mario Cobucci Junior maritocobucci@gmail.com

São Paulo

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FALTA VACINA

Graças à monumental incompetência (que chega à beira de poder ser entendida como criminal) demonstrada por Jair Bolsonaro no combate à pandemia, o Brasil caminha rápido (1 mil mortos por dia, façam as contas) para em breve superar a marca dos 300 mil óbitos. E, se a taxa diária de vacinação continuar a ser medida em milhares, ao invés de milhões, em junho ultrapassaremos os 400 mil mortos. Ou até mais, porque as novas cepas estão cada vez mais ativas, e uma vacinação lenta produz uma falsa impressão de segurança, o que dificulta ainda mais as medidas de prevenção. O Brasil necessita urgentemente de mais 100 milhões de vacinas (além das atuais), que já deveriam ter sido previstas e compradas pelo Ministério da Saúde, confessadamente dirigido pelo próprio presidente. Agora, a sua tentativa de transferir à iniciativa privada a responsabilidade de providenciar as vacinas necessárias para interromper a matança de brasileiros, muito além de ridícula, é apenas uma demonstração de sua técnica de fugir às responsabilidades, para poder proclamar aos seus obtusos seguidores que o “mito” nunca falha! Ainda bem que há muita gente que está abrindo os olhos para o futuro. Deus queira que até mesmo no Centrão.

Luiz Ribeiro Pinto brasilcat@uol.com.br

Ribeirão Preto

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LUTANDO CONTRA A VACINAÇÃO

O governo Bolsonaro continua fazendo tudo para dificultar a vacinação contra a covid-19 no País. Vai usar todas as firulas possíveis para atrapalhar o Instituto Butantan. Nada justifica esperar até maio para finalizar a compra das vacinas que já estão aprovadas pela Anvisa. O Butantan deveria romper o contrato com o governo federal e vender as vacinas para os governos estaduais, além de denunciar às cortes internacionais as manobras de Jair Bolsonaro para dificultar a vacinação no Brasil. As hienas do Congresso, que continuam se refestelando com a carcaça putrefata do governo Bolsonaro, correm o risco de morrer de congestão quando Bolsonaro for julgado e condenado fora do Brasil. Os responsáveis por manter Bolsonaro no poder poderão se tornar cúmplices de genocídio praticado contra o povo brasileiro.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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CHUTES CONDENÁVEIS

É temerosa, para dizer o mínimo, a proposta do governo de São Paulo de adiar a aplicação da segunda dose da Coronavac para um período superior a 28 dias, com a premissa hipotética de que, do ponto de vista biológico, não haveria problema algum, e assim a quantidade de imunizados seria ampliada. Os estudos com a vacina chinesa foram realizados com intervalo de 2 a 4 semanas entre as doses e, portanto, os resultados se baseiam nessa metodologia específica. Extrapolar conclusões para outro cenário sem respaldo técnico e científico significa entrar no condenável território do chutômetro. De chute já bastam as drogas mágicas que não mostraram benefício algum no combate à doença. Não é o momento nem caso de apostas arriscadas.

Luciano Harary, médico lharary@hotmail.com

São Paulo

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CIÊNCIA, SÓ A QUE CONVÉM

Interessante como o populismo e a ciência interagem. A última é a intenção do governo de São Paulo de não seguir o protocolo da vacina Coronavac, que exige que a segunda dose seja aplicada entre 2 e 4 semanas após a primeira dose. A vacina já tem baixa eficácia e o governo de São Paulo quer fazer média com a população à custa de uma piora ainda maior na eficácia do produto. Não é de espantar. A quantidade de decisões que certificam a falta de inteligência científica do governo paulista quando se trata de combater a pandemia é assustadora. Esta é só mais uma. Quando a vacinação em São Paulo se mostrar ineficiente, a culpa será de um terceiro.

Oscar Thompson oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba

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COVID-19 – PREVENÇÃO

Alternativas mais racionais: 1) limitar a 30% a lotação de ônibus, com 100% da frota circulando; 2) articular com varejistas o controle de acesso simultâneo de até 50% da capacidade de cada estabelecimento; 3) usar máscara; 4) manter distância de 2 metros.

Edivan Batista Carvalho edivanbatista@yahoo.com.br

São Paulo

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O OTIMISMO E A COVID-19

A fé gera segurança. Segurança aumenta otimismo. Otimismo libera o hormônio do bem-estar, ocitocina. Ocitocina desperta os leucócitos, nosso exército de defesa, responsável pela imunidade. Assim, qualquer coisa feita com fé tem grande possibilidade de dar certo. A ciência, particularmente no caso da saúde, vive indiscutivelmente entrelaçada com a fé. Placebos, ou seja, arremedos de remédios, podem dar certo exatamente pela dose de fé quando ingeridos. Feitas essas considerações, digo que erram grosseiramente todos os que menosprezam o uso de qualquer medicação para covid-19. Não está aqui em jogo somente a ciência, e sim mais altos escalões que podem simplesmente por fé aumentar a ocitocina e, em consequência, a imunidade. Explica-se dessa maneira a obstinação que muitos têm para usar medicações alardeadas popularmente como atuantes contra o novo coronavírus, mesmo com a campanha quase cruel contra seu uso. Não há ciência que vença essa crença.

Geraldo Siffert Junior, médico siffert18140@uol.com.br

Rio de Janeiro

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HIPERCIFOSE TORÁCICA

A preocupação com a covid-19 não é apenas com a morte ou as sequelas para os pacientes. Profissionais de enfermagem da linha de frente e principalmente os que participam da vacinação sofrem com a hipercifose torácica – uma lesão que ocorre na coluna vertebral decorrente de inúmeros fatores, dentre eles a vacinação em pé. Observe as imagens da mídia – maioria das vezes o enfermeiro vacina em pé, curvando a coluna. Pode ser por falta de cadeiras, mas também devido ao compromisso desses profissionais em promover o conforto para o paciente se esquecendo de si mesmos. Os últimos estudos científicos publicados indicam que o enfermeiro não deve vacinar o cliente/paciente em pé, ou de pé. Isso devido a diversos fatores: riscos ergonômicos para o profissional (maioria dos afastamentos relacionados às dores lombares); a posição dificulta o alcance do ângulo de 90 graus da agulha (ângulo ideal para IM); além disso, o bisel dever ser lateralizado (menor lesão de fibras e em pé, não é possível verificar adequadamente). Também não se aspira mais, antes de inocular o imunógeno (pois esse ato gera lesão celular). Também não se usa mais algodão com álcool (pois o álcool pode inutilizar a vacina). Nesse sentido, recomendo que as próximas divulgações de vacinação, que sejam feitas dentro da postura correta. Isso porque a imagem que você mostra é referência para muitos profissionais de saúde, em especial a enfermagem. Por isso é importante que enfermeiros e pacientes estejam sentados, utilizando o ângulo ideal de 90 graus, com bisel lateralizado e sem aspirar ou usar algodão com álcool, optando por algodão seco. Com essas e outras recomendações, talvez possamos minimizar as lesões de coluna para esses profissionais que dedicam a vida para auxiliar os demais. Difícil vai se encontrar uma imagem de um enfermeiro vacinando sentado.

Marislei Espíndula Brasileiro, doutora em Ciências da Saúde e em Ciências da Religião, é mestre em Enfermagem e Saúde Pública marislei@cultura.trd.br

São Paulo

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CRIME DOLOSO NO ENEM

Imaginava que a falta de lugares para os candidatos inscritos no Enem fosse por erro de aritmética do MEC, configurando um crime culposo. Depois do editorial do Estado (26/1, A3), vi que o crime foi doloso, pois o ministro justificou a redução de lugares para economizar sobre o que gastaria se reservasse lugares para o total de candidatos. Esse desrespeito é passível de uma ação reparadora pelo prejuízo causado, com uma indenização de 1 salário mínimo mensal mais multas por aluno, que importariam em 13.200,00 x 4 (ano perdido, o próximo, atraso profissional e dano moral). Desse modo, a falta de respeito implica o valor de 158.400.000 para os 3 mil estudantes prejudicados pela União relapsa. Não há como coonestar com o desapreço pela cidadania, que está virando moda no atual governo contra as instituições, contra a saúde e a educação. Espera-se que o pastor Milton Ribeiro seja mais criterioso ao reservar futuras vagas no paraíso.

Alberto Mac Dowell de Figueiredo amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos

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MOURÃO E MAQUIAVEL

Mourão afirma que Ernesto Araújo pode ser demitido (Estado, 27/1). “É preciso mudar para ficar do mesmo jeito.” Maquiavel, considerado o fundador da ciência política moderna, ou Tomasi di Lampedusa, em seu famoso livro O Leopardo, podem ter sido os conselheiros do general Hamilton Mourão quando sugere a mudança dos ministros do governo Bolsonaro para manter o Príncipe.

Antonio C. M. Camargo antonio.camargo37@gmail.com

São Paulo

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DISCURSO FANTASIOSO

O discurso do vice-presidente da República Hamilton Mourão sobre a Amazônia na edição online do Fórum Econômico Mundial, a Davos Agenda, foi recheado de fantasias, como a declaração de que o Brasil “não mede esforços” para reduzir o desmatamento na Amazônia e a afirmação, sem provas, de que o governo brasileiro estaria “em negociação” com os países signatários do Fundo Amazônia. Este último “implodiu” graças aos esforços do ministro contra o Meio Ambiente, Ricardo Boiada Salles. É incompreensível o objetivo do discurso, mesmo porque os relatórios do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam o contrário: aumento de 34% de desmatamento da Amazônia nos últimos 12 meses. Fica a pergunta: o objetivo do discurso do vice-presidente era para o inglês ver, ou mentir?

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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