Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2021 | 03h00

Eleições no Congresso

Cambalacho

Nunca se viu uma eleição com tantas cartas marcadas.

ROBERT HALLER

ROBELISA1@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

*

Conluios

Câmara e Senado mostram um quadro de conchavos para eleger seus dirigentes. Que isso tenha reflexos em 2022. O eleitorado precisa escolher melhor os seus representantes.

URIEL VILLAS BOAS

URIELVILLASBOAS@YAHOO.COM.BR

SANTOS

*

Império do fisiologismo

A solicitada altivez do Poder Legislativo federal no editorial A hora do Congresso (1.º/2, A3), já manifestada anteriormente em As urnas de 2018 e a altivez do Congresso (28/1, A3), infelizmente, não se concretizará. O prognóstico é de subserviência do Parlamento aos interesses escusos de Jair Bolsonaro. O preço pago – com o nosso dinheiro! – foi alto, em detrimento do combate à pandemia e à asfixia da economia e, literalmente, das pessoas. O fisiologismo impera, o papel fiscalizador do Legislativo foi ameaçado pelo Executivo e deixado à míngua pelos próprios parlamentares. O deputado Arthur Lira deve ser o próximo presidente da Câmara e, apesar de um discurso momentâneo de independência, será única e tão somente o porta-voz do Centrão.

ADILSON ROBERTO GONÇALVES

PRODOMOARG@GMAIL.COM

CAMPINAS

*

Fatura alta

Com muito senso de realidade, a Coluna do Estadão (1.º/2, A4) registra, a propósito da escolha dos novos presidentes da Câmara e do Senado, a máxima de que é possível perder na vitória e ganhar na derrota. Qualquer desfecho no Congresso deixará o governo frágil. Sem dúvida, alimentar esfomeados gafanhotos nunca foi uma boa política. Inseticida neles sempre foi a milenar recomendação. A ingerência do Planalto nessas eleições vai custar muito caro e a cobrança, num crescendo, vai durar o resto do mandato do atual inquilino do Alvorada.

JOSÉ ELIAS LAIER

JOSEELIASLAIER@GMAIL.COM

SÃO CARLOS

*

Nas mãos do Centrão

Mais uma vez o Poder Executivo e, consequentemente, a população brasileira ficarão reféns do Centrão, com a eleição das novas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado. Isso porque o presidente Bolsonaro bradava aos quatro ventos que não entraria no jogo de “toma lá dá cá”... Enganou-se quem quis. Como o presidente, que na época de deputado federal era membro do Centrão, deixaria de lado esse grupo?

LUCAS DIAS

LUCAS_SANDIAS@HOTMAIL.COM

RIO VERDE (GO)

*

Vício de origem

A posição política dos prováveis eleitos para a presidência da Câmara e do Senado é meramente circunstancial, hoje estão com A, amanhã com B e, provavelmente, depois de amanhã com C, D ou F. Esse é o resultado de o nosso regime ser presidencialista, mas a Constituição ser parlamentarista.

FRANCISCO JOSÉ SIDOTI

FRANSIDOTI@GMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Desgoverno Bolsonaro

Novilíngua

Em tempos de pós-verdade, é melhor ouvir besteira do que ser surdo. Diz-se que o ministro Paulo Guedes, da Economia, conta com os novos comandos no Congresso para destravar sua agenda de reformas (tributária, administrativa e fiscal) e de privatizações. Sem entrar no mérito da dita agenda, sobejamente esmiuçada em suas inconsistências e pelo fato de o ministro não ser exatamente um formulador, as necessárias reformas não caminharam pelo pouco empenho do governo, quando não pela aberta oposição do presidente. Sendo assim, é mais fácil buscar culpados que assumir a própria debilidade. Aliás, o ministro tem sido pródigo no pouco apego aos fatos, preferindo contar histórias da carochinha, numa trilha de vexaminosa vassalagem.

ALBERTO MAC DOWELL DE FIGUEIREDO

AMDFIGUEIREDO@TERRA.COM.BR

SÃO CARLOS

*

O liberal

O ministro Guedes não emplaca uma só de suas ideias liberais quando se fala em privatizar. Dos números mirabolantes que citava na campanha, não conseguiu nem vai conseguir quase nada. A reforma da Previdência foi um fiasco, com privilégios intactos. Nenhuma outra está encaminhada e a privatização dos Correios já virou piada. A pá de cal vai ser a Eletrobrás, que já é alvo de manobras do Centrão para que nada mude. O ministro embarcou numa canoa furada, que, com a pandemia, agora naufraga.

FLÁVIO MADUREIRA PADULA

FLVPADULA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Falência

O Estado de sexta-feira abordou a expectativa de que as contas governamentais deixem de ser deficitárias só em 2027. Claramente, a ficha ainda não caiu, 2027 e nunca é a mesma coisa. O Brasil está quebrado! Não temos mais tempo a esperar. Precisamos de tudo o que esse governo e o Legislativo relutam em aceitar: reforma tributária, reforma administrativa e, sim, privatizações em massa. Só assim teremos esperança de salvar o nosso país. Pena que as três esferas do governo, definitivamente, não tenham o bem do Brasil como sua prioridade.

OSCAR THOMPSON

OSCARTHOMPSON@HOTMAIL.COM

SANTANA DE PARNAÍBA

*

Ressuscitação

No fim de semana passado houve várias manifestações de rua pelo País reivindicando a manutenção do auxílio emergencial, vacinação imediata e empregos, entre outros itens. Reivindicações mais do que justas. Porém o que mais chamou a atenção foi que essas manifestações foram lideradas pelos partidos da esquerda, entre eles, o PT e o PSOL, o que lembrou bem o final do editorial A época da patifaria (30/1, A3): “A ânsia de Bolsonaro de se manter no poder (...) pode ressuscitar a oposição destrutiva, liderada pelo lulopetismo – que sempre floresce no caos”. Pelo visto, já ressuscitou.

LUCIANO HARARY

LHARARY@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO


_____________________________________________________________________

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


AGORA É TARDE

Rodrigo Maia (DEM-RJ) ficou muito irritado após ter sido informado de que a maioria dos parlamentares do DEM apoiaria Arthur lira (PP-AL), candidato de Bolsonaro, na disputa para a presidência da Câmara. O descontentamento o levou a fazer ameaças de deixar o partido e de aceitar abrir os processos de impeachment contra Jair Bolsonaro. Tudo isso no último dia de seu mandato como presidente da Câmara. Nunca é tarde para o arrependimento, mas o cochilo foi além da conta.

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

*

MAIA ERROU

Rodrigo Maia errou. Errou quando apostou em sua própria reeleição, errou quando demorou para organizar o partido em torno de um candidato, errou quando confiou nos partidos “amigos” e vai errar de novo se aceitar o impeachment do presidente nas últimas horas de seu mandato na Câmara, como vingancinha. Sentou em cima de 60 pedidos durante dois anos. Agora é tarde, excelência.

Elisabeth Migliavacca

São Paulo

*

PATIFARIA

O editorial de 30/1 do Estadão, sob o título A época da patifaria, apresenta uma acusação de um fato inédito, pelo que me consta. A se confirmar o apontado pelo jornal, trata-se da capitulação do Congresso Nacional ao Executivo à custa de verbas públicas que deveriam atender à população, em valores jamais alocados com tanta desfaçatez. A planilha publicada na página A6 do jornal nos dá uma ideia da patifaria. Sem dúvida, é de estarrecer. Ao fazer a distribuição de cargos e polpudas verbas do Orçamento para congressistas desonestos – pois é disso que trata o ali descrito –, ter-se-á a capitulação do Poder Legislativo ao Executivo, em regime de vassalagem. Na prática, estará instituída uma “ditadura democrática”. Que também será inédita. Ora, convenhamos, não há orçamento que aguente tanta rapinagem. Principalmente em época de pandemia. Os parlamentares que se associaram a essa tresloucada aventura têm realmente conhecimento das consequências que virão, inclusive internacionais, sobre o País e, principalmente, sobre eles? Parece-me mais que estão construindo uma vitória de Pirro. Pelo andar da carruagem, este governo aparenta estar criando uma cópia do regime da Venezuela. Nessa hipótese, adeus ao combate à pandemia e ao aquecimento global. Resta saber se neste último item as demais nações do planeta estarão dispostas a colaborar com a provável extinção da atual civilização, pois é disso que se trata também.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

*

QUANTO CUSTA UM GOLPE DE ESTADO?

Quanto custa um golpe de Estado? Barato, quando políticos de situação e oposição se contentam com algumas migalhas oferecidas pelo “mito”, que depois de 28 anos como deputado federal do baixo clero sabe muito bem o valor que deve ofertar. Mídia, movimentos de rua e torcidas organizadas vão esperar a vacina para agir ou vão acordar em tempo para defender o nosso país contra um golpe de Estado? Eu não fui para a rua derrubar Dilma Rousseff para eleger Bolsonaro. E volto para a rua para manter o PT e Bolsonaro longe do poder. Mas não para colocar cabo Daciolo ou qualquer outra porcaria na Presidência da República. Acorde, gigante. Povo unido derruba as porcarias que estão dominando os Três Poderes. Só depende de nós.

Maria Carmen Del Bel Tunes carmen_tunes@yahoo.com.br

Americana

*

DOCES OU TRAVESSURAS

A votação na Câmara e no Senado neste 1.º de fevereiro deveria ser chamada de “festa do Halloween”, que significa véspera de todos os santos que depositam seus votos em troca de doces, guloseimas e outras grandes coisinhas mais.

Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo

*

DESCARADA COMPRA DE VOTOS

Não bastasse a liberação de R$ 40 milhões de recursos dos contribuintes para aliciar o senador Ângelo Coronel (PSD-BA), que é presidente da CPI das Fake News, e não levar adiante essa investigação contra o Planalto, como divulgou o Estado, Jair Bolsonaro prometeu entregar ministérios com porteira fechada a seus aliados e mais R$ 3 bilhões em emendas parlamentares para também aliciar votos de deputados e senadores para que elegessem nesta segunda-feira, 1.º de fevereiro, para as presidências das Casas os candidatos apoiados pelo Planalto, Rogério Pacheco (DEM-MG) para o Senado e Arthur Lira para a Câmara. Se esses candidatos saírem vencedores (esta carta foi escrita antes do encerramento da eleição), certamente vão enterrar os pedidos de impeachment do presidente da República e se curvar às excrescências de Jair Bolsonaro. E ao País, angustiado com as mortes pela covid-19 – hoje próximas de 230 mil –, também por culpa do Planalto, restarão míseros volumes de vacinas para imunizar a população, e certamente vai continuar o retrocesso econômico, social e institucional.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

*

O VÍRUS DE SEMPRE

Diante do desespero de Bolsonaro, o fisiologismo vai querer sempre mais. $empre!

Jose Rafael Novaes D’Amico damicosol@yahoo.com.br

Campinas

*

CORRUPÇÃO NO GOVERNO

Leio todos os dias no Estado notícias tenebrosas, mas levo as mãos para o céu e agradeço, porque no governo federal atual não tem corrupção. Ainda bem!

Maurício Lima mapeli@uol.com.br

São Paulo

*

SEGUNDA-FEIRA, DIA DE TRABALHO

Só quando há eleições no Congresso é que os congressistas se preocupam em trabalhar na segunda-feira, como foi o caso ontem. Na verdade, gostariam que essa data tivesse caído durante a semana, evitando assim o comparecimento numa segunda de preguiça. Reclamam pela falta de sorte e já estão costurando para que a data de eleições naquela Casa seja sempre no meio da semana. Afinal, ninguém é de ferro!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

*

AJUDA

Estou escrevendo antes da conclusão da eleição na Câmara dos Deputados. As duas últimas semanas trouxeram-me a lembrança da divulgação parcial da delação premiada do ex-ministro Antônio Palocci, às vésperas da eleição em 2018. Hoje, não se tem dúvida quanto ao seu objetivo, alcançado plenamente. A colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, num passe de mágica, tirou da cartola e publicou capítulo do futuro livro de Eduardo Cunha, de triste memória. Ficou a impressão de que o objetivo era detonar a candidatura de Baleia Rossi para presidente da Câmara. Acho que vai alcançar o objetivo e ajudar a eleger Arthur Lira, o candidato do Planalto, acusado de agressões contra sua ex-mulher, além de outros crimes praticados e objeto de vários processos. Se havia alguma dúvida sobre a intenção da colunista de atingir o candidato do MDB para a presidência da Câmara, desapareceu com a publicação da matéria Pai de Baleia apresentou Michel Temer a Joesley e é alvo de delações (30/1, Folha de S.Paulo). Pergunto: o jornal apoia algum dos candidatos? Que fato novo, além da candidatura de Rossi, justificou desenterrar os pecados do Wagner Rossi? Não me venham com o discurso de que o jornal e os jornalistas têm obrigação de divulgar os fatos de que têm conhecimento, não importando o momento político.

Antônio Dilson Pereira advdilson.pereira@gmail.com

Curitiba

*

NOSSO FUTURO

Como muito oportunamente informou Fernando Reinach, um verdadeiro tsunami ameaça afogar a eficácia das novas vacinas que ora iniciam o combate universal à covid-19. Vários estudos estão em andamento sobre as mutações que vêm ocorrendo no vírus original, criando novas cepas, mais ativas e resistentes às atuais vacinas. Essas mutações começaram a aparecer na África do Sul, no Reino Unido e, agora, em Manaus, motivando mais estudos e possíveis alterações nas atuais vacinas – o que complicará ainda mais os planos de vacinação, já difíceis de suprir. No Brasil, que soma este tsunami à monumental incompetência do atual presidente da República, se não houver um rápido impedimento que traga ao governo ao menos um mínimo de bom senso e calor humano, os pobres brasileiros só poderão contar com um futuro desesperador. Se, além disso, for confirmada a compra da maioria do Legislativo, estaremos apenas a dois passos (cooptação do Judiciário e destruição da imprensa livre) de entrarmos na terrivelmente corrupta “democracia de presidência vitalícia” da Venezuela. Tenho a absoluta certeza de que não é esse o futuro desejado pela grande maioria dos brasileiros. Para evitá-lo, é necessária nossa forte e permanente reação.

Luiz Ribeiro Pinto brasilcat@uol.com.br

Ribeirão Preto

*

O CORDÃO DOS PUXA-SACO

No dia 27/1 foi realizado um almoço em homenagem ao presidente Bolsonaro numa churrascaria em Brasília com a presença de grande número de seguidores engravatados. Numa breve fala transtornada, ele declarou que o lugar da imprensa é “a puta que o pariu”. Logo em seguida a essa fala, o ministro Ernesto Araújo, ao seu lado, liderou todo o grupo a bradar em uníssono: “Mito, mito, mito”. Esse evento foi amplamente divulgado pela tal imprensa alegadamente pqp e existem vídeos feitos na ocasião. Ao rever um desses vídeos, lembrei-me então de uma marchinha de carnaval do ano de 1945 (eu tinha 8 anos), gravada pelo grupo vocal Anjos do Inferno, com o título Lá vem o cordão dos puxa-saco. Vale muito a pena ouvir a gravação original no link: https://musicaemprosa.wordpress.com/2017/11/17/o-cordao-dos-puxa-saco/ e prestar atenção à letra, que bem define a decrepitude moral que caracteriza o atual presidente do Brasil e seus puxa-sacos.

Claudio Janowitzer cjanowitzer@gmail.com

Rio de Janeiro

*

O QUE FALTA PARA O IMPEACHMENT?

A paciência que estão tendo com Bolsonaro, em relação ao que aconteceu com Dilma, é desproporcional. Tiveram um preço seus erros administrativos e econômicos. Lula foi preso, condenado e julgado por acusações de corrupção por presentes de empreiteiras. Esses presentes tinham e têm preço. E qual o valor das vidas perdidas em razão das atitudes desastrosas do atual presidente? Uma coisa não justifica a outra, mas o que é pior?

Pedro Costa pedro_paulocosta@yahoo.com.br

São Paulo

*

GOVERNO MEDÍOCRE

Jair Bolsonaro, embora tivesse sido reeleito deputado por sete vezes, sempre foi um deputado medíocre, inexpressivo, que pertencia ao chamado “baixo clero”, contudo, porém, ele tinha um eleitorado cativo. Apesar da sua mediocridade, acabou sendo eleito presidente da República, graça ao seu grande eleitor: Adélio Bispo de Oliveira, que o esfaqueio em Juiz de Fora durante a campanha eleitoral, tornando-se assim conhecido nacional e internacionalmente. Ele acabou indo para o segundo turno. O seu oponente era o candidato do PT Fernando Haddad. Sem outra opção, com o propósito de não permitir que o PT voltasse ao governo, Jair Bolsonaro foi eleito presidente. Todo povo tem o governo que merece, eleitorado medíocre vota num candidato semelhante a ele, que vai, consequentemente, fazer um governo medíocre.

José Carlos de Castro Rios castroriosjosecarlos@gmail.com

São Paulo

*

O BRASIL NO COMBATE À PANDEMIA

Em pesquisa mundial realizada em 98 países, o Brasil ficou em último e 98.º lugar no ranking da adoção de medidas de combate à pandemia do coronavírus/covid-19. Somos o pior lugar do mundo em 2021. Nos tornamos terra de ninguém, casa da Mãe Joana, sem governo, sem qualquer tipo de proteção ou de políticas públicas voltadas ao combate da pandemia que já matou mais de 222 mil brasileiros de forma totalmente gratuita e desnecessária. O desgoverno de Jair Bolsonaro provocou um genocídio inédito e sem proporções desde 1500. São verdadeiros crimes contra a humanidade, de lesa Pátria e contra o povo brasileiro, que está sendo literalmente assassinado como se gado fosse. Até quando iremos tolerar o intolerável e assistir de braços cruzados a tamanhos horror, ignomínia e hediondez?

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

*

O CUSTO BOLSONARO

A conta é simples: quanto antes um país vacinar sua população, mais rápida será a retomada econômica e social. Todos os países entenderam essa questão e compraram as vacinas sem pensar duas vezes, menos o Brasil. A visão do presidente Bolsonaro é diferente, ele não acredita nas vacinas, demitiu os médicos que não aceitaram prescrever o tratamento alternativo que Bolsonaro impôs, com remédios sem eficácia alguma para tratar a covid-19. Hoje o Brasil conta com poucas vacinas e continua sem comprar as novas e promissoras vacinas que estão chegando ao mercado. O presidente Bolsonaro continua insistindo nos remédios desaprovados para combater o vírus, continua insistindo em promover aglomerações e em ridicularizar o uso da máscara, afirmou que o público tem de voltar a lotar os estádios de futebol o quanto antes. A postura negacionista do presidente Bolsonaro causou um agravamento enorme da pandemia no Brasil, a vacinação caminha muito lentamente, não há vacinas disponíveis para fazer um mutirão e vacinar milhões de pessoas por dia. O Brasil deverá ser o último país grande a sair da pandemia, e isso vai nos causar um prejuízo de centenas de bilhões de reais. É inacreditável que ninguém enxergue o gigantesco e irreparável prejuízo que Bolsonaro está causando ao País, tanto em termos econômicos quanto em termos de mortes evitáveis de cidadãos brasileiros.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

*

TRABALHO EXCEPCIONAL

Recentemente, o presidente Bolsonaro disse que o ministro da Saúde, general Pazuello, faz um trabalho excepcional. A mim não foi nada espantoso. Explico: a qualidade do trabalho executado a pedido depende de quem pede, e como deve ser executado. Se o presidente pediu para ele não fazer nada para favorecer o governador de São Paulo, João Doria, e o ministro cumpriu rigorosamente de acordo a ordem expressa, a missão executada foi excepcional, digna de elogio. É questão de lógica, ou de princípio bolsonarista.

Toshio Icizuca toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba

*

HIERARQUIA MILITAR

O general intendente da ativa e ministro da Saúde, assim como os demais militares ocupantes de cargos no Executivo, enquadram-se como “ordenanças”, conforme definição prevista na rígida hierarquia militar. Um militar colocado à disposição de um superior hierárquico, no caso, o capitão R1, presidente da República e comandante supremo das Forças Armadas, para atender situações do cotidiano. Simples assim, um manda e o outro obedece.

Pedro Luiz Bicudo plbicudo@gmail.com

Piracicaba

*

O PREFEITO NO MARACANÃ

Qual a mensagem o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, deu aos paulistanos indo ao jogo Palmeiras x Santos no Maracanã, no sábado? Prende as pessoas em casa, fecha seus estabelecimentos, e vai ao jogo? Se o prefeito pode, por que os outros não podem? Aglomerar com 6 mil pessoas é um exemplo vergonhoso. Está em tratamento de saúde e apela para a piedade das pessoas, mesmo tendo o melhor tratamento? Foi com o filho? Quantos pais queriam estar lá com seus filhos e acataram a ordem do alcaide? E aqueles que tiveram seus estabelecimentos fechados e ainda são doentes, sem convênio médico e sem ganhar, como ficam? Deixemos de ser hipócritas. A lei é igual para todos, ou alguns são mais iguais?

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

*

A QUASE GREVE DOS CAMINHONEIROS

A anunciada paralisação de caminhoneiros não aconteceu nesta segunda-feira. Apenas manifestações pontuais, onde as reivindicações foram colocadas: redução ou isenção da cobrança de PIS/Cofins sobre o óleo diesel, o cumprimento da tabela mínima de fretes resultante da paralisação de 2018, mudanças em leis de transportes que tramitam no Congresso e um marco regulatório para o setor. Os transportadores atenderam ao apelo do governo para não bloquearem as rodovias. O governo federal já conversa com a classe. É preciso, agora, que os estaduais façam o mesmo, pois também arrecadam impostos e podem contribuir na desoneração. O levante de 2018 demonstrou, entre outras coisas, que os caminhoneiros são uma força capaz de parar o País e a falta dos seus serviços e de fluidez nas rodovias nos leva ao caos. Daí a conveniência de ouvi-los e buscar o ponto de equilíbrio. Não esquecemos que naquele ano o então governador de São Paulo, Márcio França, foi peça fundamental para a pacificação e a finalização do movimento. Precisamos ter o setor pacificado e em condições de absorver as mudanças na matriz de transporte que se faz necessária para a modernização da Economia.

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

*

MENOR TORTURADO

Sobre o caso do garoto encontrado aprisionado, no sábado, dentro de um tambor aqui, em Campinas, externo algumas considerações: 1) o monstro, pai da criança e autor da atrocidade, deverá, segundo o art. 1, Lei n.º 9.455/1997, que define Crimes de Tortura, ser condenado a uma pena de dois a oito anos, sem direito a fiança e majorada de um sexto até um terço por envolver menor de 14 anos. 2) A namorada do digno de “morte” e a filha dela serão processadas por omissão, porém com penas brandas, de um a quatro anos de detenção. Neste caso, provavelmente não ficarão encarceradas devido à fragilidade do nosso Código Penal, que prevê penas restritas de liberdade somente para condenados a partir de 6 anos – a pena por omissão tem de ser a mesma do autor devido a gravidade do crime. 3) O animal deve ser destituído do poder familiar e a guarda do incapaz transferida a um parente. E a turma do Conselho Tutelar que tinha ciência do caso há pelo menos um ano e quedou-se inerte? O aludido órgão foi insculpido no ordenamento jurídico brasileiro a partir da Lei n.º 8.069, de 13 de julho de 1990, mais conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente, que crava em seu artigo 131: “O Conselho Tutelar é órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, definidos nesta Lei.” Não é o que parece ser! Urge o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e o Ministério Público entrarem em ação para fiscalizar a conduta de inércia do Conselho Tutelar local que, se tivesse cumprido com a devida atribuição que lhe compete, teria evitado o sofrimento do menor.

Edinei Melo edinei.melo@hotmail.com

Campinas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.