Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2021 | 03h00

Corrupção

Linha sucessória

Tem toda a razão o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, quando avalia que o recém-eleito presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, o primeiro na linha sucessória presidencial depois do vice, não é uma boa para o Brasil. Mensaleiro de carteirinha, respondendo a vários processos na Justiça, Lira fez questão de mostrar claramente seu caráter no primeiro ato minutos após ser eleito, quando tentou explicitamente eliminar o registro dos deputados do bloco de oposição para composição da Mesa Diretora.

ABEL PIRES RODRIGUES

ABEL@KNN.COM.BR

RIO DE JANEIRO

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Perguntar não ofende

Por que nossos representantes não foram capazes de escolher um candidato a presidente da Câmara que não fosse réu em ação de caráter duvidoso? Expor o País a um questionamento desnecessário não é pior? Será que só ele seria capaz de derrotar Rodrigo Maia, mesmo com toda a liberação de verbas que o governo insiste em afirmar que não prometeu para angariar votos? O fim da Lava Jato logo após a eleição da presidência das Casas do Congresso foi mera coincidência?

SERGIO HOLL LARA

JRMHOLL.IDT@TERRA.COM.BR

INDAIATUBA

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Comissionados

Como é possível haver na Mesa Diretora da Câmara 500 cargos comissionados? Que país é este que admite uma barbaridade dessas? Saiu o responsável por essas nomeações e entrou o indiciado por corrupção, que vai colocar seus apoiadores no lugar dos que saíram. O Brasil é mesmo o paraíso da corrupção.

JONAS DE MATOS

JONAS@JONASDEMATOS.COM.BR

SÃO PAULO

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Os extremos se tocam

‘Lula me pediu para colocar o bloco na rua’, afirma Haddad (6/2, A10) – recomendação de condenado por corrupção visando à provável invalidação da sua necessária, justa e didática sentença, confirmada por oito juízes de instâncias superiores. Conta ele com a provável anulação de sua pena por apenas três ministros do STF, um dos quais recém-nomeado por Bolsonaro, apesar de ter currículo que o desqualificaria em qualquer concurso sério. Absurdos só admissíveis num país de fancaria, onde apenas três ministros ditos garantistas podem anular a sentença de destemido juiz de primeira instância que se valeu do trabalho de um time de intrépidos procuradores de reputação ilibada, participantes da Lava Jato, agora em extinção pela vontade do procurador-geral Augusto Aras, também nomeado por Bolsonaro. Além de nada ter sido encontrado que desabone o saneador trabalho da força-tarefa, ela deixou um legado de 278 condenações e R$ 4,3 bilhões recuperados. Em vez de serem incentivados a continuar nesse trabalho de caça-ratos, são perseguidos por inimigos da Nação que se baseiam em ações de criminosos hackers. Confirma-se assim que continuamos no país dos absurdos, onde os extremos se tocam.

ANTONIO CARLOS GOMES DAS SILVA

ACARLOSGS@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Desgoverno Bolsonaro

Quem avisa amigo é

Fica cada vez mais evidente que nas eleições de 2022 só uma ampla coalizão da oposição ao atual governo, ainda no primeiro turno, evitará a repetição de 2018, quando a provocada e proposital polarização definiu quem passou ao segundo turno. Tão somente um candidato comum aos partidos opositores – pode até ser um outsider, mas figura séria e honesta, deixando ideologias e corporativismos de lado – chegaria ao segundo turno e poderia salvar o Brasil de uma catástrofe.

JORGE SPUNBERG

JSPUNBERG@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Pandemia

Diz Bolsonaro que pelo menos não matou ninguém ao indicar o tratamento precoce com cloroquina. Não matou diretamente, mas contribuiu para disseminar o vírus e criticou as medidas de prevenção e as vacinas, e afastou os ministros que conduziam o combate ao alastramento da doença para nomear um general que lhe obedece cegamente. E agora finge estar preocupado... A estupidez é a mãe do fanatismo e alimenta o filho com o ódio e a ignorância.

JOSÉ PAULO CIPULLO

J.CIPULLO@TERRA.COM.BR

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

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Exterminador do futuro

Bolsonaro conseguiu seu intento secreto: fazer de tudo e mais um pouco para ajudar o novo coronavírus a exterminar a vida de mais de 230 mil pessoas. Ele colaborou passo a passo para facilitar ao máximo os caminhos da contaminação e o extermínio de qualquer futuro para centenas de milhares de seres humanos. Assim como seu ídolo, o sociopata Donald Trump, o tupiniquim também deverá ser defenestrado algum dia... Até lá, vai continuar empenhado em bater recordes de horrores, escudado no célebre “e daí? Todo mundo vai morrer um dia” e incentivado pelo apoio incondicional de sua legião de bolsominions. Pois é, os mortos não falam, não reclamam e cada um deles já cumpriu a sua missão, certo manos? Não gostou, come outra coisa. Pô!

NELSON SAMPAIO JR.

N.SAMPAIO@HOTMAIL.COM

CURITIBA

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J. R. Guzzo

‘É esquisito’

É lamentável que José Roberto Guzzo tenha perdido o senso crítico e a isenção jornalística que sempre o caracterizaram para se tornar ora porta-voz do governo Bolsonaro, ora ativista. Ao fazer isso, Guzzo deixa de lado princípios que sempre defendeu, como a independência intelectual. Se tivesse pautado sua coluna de ontem pela realidade, não teria omitido que o número de casos de covid-19 em Bauru atingiu 4.516 vítimas em janeiro, recorde desde o início da pandemia. A cidade que Guzzo parece desconhecer contabiliza 372 mortes. Os números reforçam o risco que a miopia da realidade provoca quando a paixão jornalística por governos se sobrepõe aos fatos.

MARCO VINHOLI, secretário estadual de Desenvolvimento Regional

SÃO PAULO


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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


LEMBRANDO CHACRINHA

O médico Abelardo Barbosa de Medeiros, conhecido como Chacrinha, foi um notável comunicador, que atuou na televisão por 30 anos num programa de auditório. Criou frases e bordões que se perpetuaram na memória da população, tais como “na televisão, nada se cria, tudo se copia”; “em vim para confundir, não para explicar” e “vocês querem bacalhau?”. Todas elas vieram à minha memória durante o atual governo brasileiro. A atuação do presidente da República se encaixa como luva na segunda frase, pois ele vem causando mais confusões do que soluções para o nosso país. A oferta de cloroquina me fez lembrar o “vocês querem bacalhau?”. O comportamento do governo, como um todo, lembra a primeira frase citada. Lembrando, e muito, o governo de Hugo Chávez, na Venezuela. Enquanto Chacrinha divertia parcela significativa da população brasileira, não é o que ocorre no atual governo, ainda mais diante de uma pandemia que já matou 230 mil brasileiros, não contabilizados aqueles que morreram sem terem sido diagnosticados corretamente. Segundo estimativas da área não oficial da Saúde, estes não são poucos. Importante salientar a tragédia horrorosa ocorrida em Manaus, por pura inatividade do Ministério da Saúde, aliada ao fato do comportamento do presidente, que insiste em se apresentar sem máscara e se recusar a tomar a vacina, entre outras barbaridades. Ao contrário do que afirma o presidente, o cidadão comum tem o direito de não tomar a vacina, o chefe do Executivo não. Se não quiser, é simples, renuncie. A avacalhação inédita chegou a tal ponto que até o ex-ministro da Saúde e atual líder do governo na Câmara dos Deputados, do alto do seu diploma de engenheiro, se achou no direito de ameaçar os cientistas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que liberem uma vacina contra o coronavírus conforme projeto de lei aprovado no Senado, em até cinco dias, desde que aprovada antes por uma agência estrangeira. Duvido que os técnicos da Anvisa vão arriscar a sua carreira para acatar tal legislação oportunista. Provavelmente, Chacrinha também não concordaria. Aliás, o presidente da Anvisa já avisou que recorrerá ao Supremo, se o presidente não vetar.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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CARTÓRIO DA CIÊNCIA

Vamos apoiar o Centrão e considerar a Anvisa mero cartório da ciência onde se abrigam picaretas habituados a mamar nas tetas da mãe pátria, que consideram um ultraje à nossa soberania aprovar em tempo recorde vacinas já em uso nos demais países, ou daremos razão à atividade científica ali desenvolvida em prol da saúde de todos brasileiros? No fundo, essa é a questão que se coloca com a iniciativa do líder de Jair Bolsonaro, deputado Ricardo Barros, do Centrão. Como a Anvisa já é por demais conhecida antes de decidir, convém analisar a contribuição que este cidadão acrescentou ao País ao longo de sua carreira política, que passou a se destacar quando exerceu a vice-liderança do governo Lula e, depois, lutando pela extinção da Operação Lava Jato, que segundo ele pretendia aprovar a prisão após decisão em segunda instância apenas para impedir que Lula disputasse a eleição em 2018, e recentemente ignorando as “conversas” divulgadas  pelo The Intercept, recém-liberadas pelo ministro Ricardo Lewandowski, até desconsiderando que a Polícia Federal jamais ratificou sua autenticidade.

Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com

São Paulo

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A PEC DA VACINA

Usando a desculpa da covid-19, o Congresso Nacional fez muito pouco durante 2020. Nada de reformas, não se importou com a pandemia ou com gente morrendo nos hospitais por falta de oxigênio. Não julgou a questão da prisão após condenação em segunda instância, não afastou a deputada Flordelis dos Santos (suspeita de mandatária de assassinato) ou o senador Chico Rodrigues (do dinheiro na cueca). Agora, numa manobra “a toque de caixa”, o mesmo Congresso lesma aprovou uma PEC pressionando a Anvisa para autorizar o uso de uma certa vacina em tempo recorde, sem apresentar todos os dados que foram exigidos para aprovar as vacinas CoronaVac e da AstraZeneca. Não é, obviamente, pela preocupação com a saúde dos brasileiros, mas porque enxerga-se uma fantástica “boquinha” para faturar com a desgraça alheia, para a felicidade de muita gente. Não são “300 picaretas” como calculou Lula, são muito mais!

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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CAMISA DE FORÇA NA ANVISA

Sob nova presidência, agora apoiada por Jair Bolsonaro, o Senado aprovou uma medida inconstitucional que coloca, sem escrúpulos algum, a Anvisa numa camisa de força, quando exige que a agência aprove o uso de novas vacinas contra a covid-19 em cinco dias – tempo este que nenhuma agência sanitária do mundo aceitaria, ou não teria condições de aprovar. É bom lembrar que a Anvisa é uma entidade de Estado, e não existe para atender governos. Com os cientistas desta agência indignados, a direção da Anvisa pedirá ao presidente Bolsonaro que vete este absurdo de cinco dias para autorização de uma vacina. Caso contrário, recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF), para que seus ministros revoguem esta covardia protagonizada por senadores que agem, infelizmente, como se estivessem numa ditadura.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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DE MAL A PIOR

As primeiras pessoas que deveriam ser vacinadas imediatamente depois dos médicos na linha de frente do combate à covid-19 são os professores, seguidos de todos os trabalhadores que precisam usar o transporte público para irem trabalhar e ganhar o seu pão, uma vez que 21 milhões de pessoas já estão passando fome. Será que aqueles dois energúmenos do governo não se dão conta de que pessoas com mais de 90 ou 80 anos não saem de casa? Que quilombolas e índios ficam em suas aldeias e não usam o transporte público? Transportar doentes infectados de um Estado para outro é transferir a nova cepa do vírus de um Estado para o outro. O governo deveria ser responsável pelo todo, tentando resolver os problemas in loco, com hospitais de campanha, oxigênio doado por empresas – já que o próprio governo não funciona, não tem nada, não se responsabiliza por nada, não sabe de nada, não quer saber de nada e está responsabilizando todos os outros pelo seu miserável fracasso. E, agora, tem-se um réu na sucessão da Presidência da República! De mal a pior, sem vacina, sem oxigênio, sem vergonha.

Marta Lawson lawsonmv@hotmail.com

São Paulo

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O DESAFIO DA VOLTA ÀS AULAS

Foram muito oportunas as reportagens publicadas no caderno Metrópole (7/2, A13) sobre o desafio da volta às aulas, porém faltou abordar um aspecto importantíssimo: a necessidade da vacinação imediata para aqueles que estão na linha de frente da educação – educadores, professores, merendeiras e outros tantos profissionais que dedicam sua vida à educação deste país.

Gabriele di Giulio digiulio61@yahoo.com.br

São Roque

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PANDEMIA, PLACEBO E OUTRAS COSITAS MAIS

Falar sobre pandemia dá até uma canseira. Penso alto, ouvindo o eco do mundo, que a pandemia já devia ter acabado. Os otimistas de plantão acreditavam que o cabalístico ano de 2020 levaria a praga embora e amanheceria um resplandecente 1.º de janeiro de 2021 como continuidade do “normal” dezembro de 2019. É como se, após um pesadelo coletivo, acordássemos livres e vacinados. Livres do quê, mesmo? O ano fatídico de 2020 nos mostrou que não foi só a covid-19 que tentou entrar em nosso DNA e bagunçar nossa vida. As tentativas de contágio foram inúmeras e de fontes diversas. Ao dissabor das desprezíveis fake news, nos vimos reféns de uma política acéfala e radical, que ousou desprezar a ciência, na cara dura. Em solidariedade ou instinto de sobrevivência, acompanhamos os dirigentes de países do mundo todo se unirem para lutar contra o inimigo comum invisível; já o Brasil estava posando de durão em farda militar. Até a China tirou o chapéu de vilã de desenho animado para heroína na corrida das vacinas e insumos. A conta já veio agora, mas tem custo a pagar lá na frente. Sem eu querer misturar política com saúde, o tema isolamento (vertical, horizontal, lockdown – ou, melhor, breakdown) virou assunto estrito de Estado e a polêmica vacinação, palanque político. É lamentável constatar que a saúde não é prioridade no Brasil, nem mesmo a desigualdade social. A roubalheira por trás da contagem de óbitos foi vergonhosamente deslavada! Me admira que ainda tenha gente que defenda o indefensável... estes aí, até vacina de placebo na testa estão aceitando. O vírus mostrou que a ignorância também é contagiosa; do lado humano, ficou marcado que a solidariedade também o é. Lidamos com nossa vulnerabilidade com certa criatividade, pena que as entregas em domicílio não incluem abraços e até bitcoins! Já a educação, esquecida, continua esquecida. Os colégios vão bem, obrigada. A mensalidade foi paga. Os alunos? Nem tanto. Sem aula, sem rumo, sem exemplos. Com tablets, com dúvidas, com pais neuróticos. Pena, porque as crianças são flexíveis, nem tudo é luto para esta nova geração, mas a instabilidade dos pais, de seus empregos e de seu lugar na fila na vacina (marcado quase para lá de 2022), isso não ajuda. E ficam as outras cositas mais. Aqui, cabe todo o resto que ainda está por vir em 2021, que acabou de começar e já não parece o “novo” nem o “velho” normal, parece mais um abismo entre o frenético mundo de ontem e o esperado e idealizado país de amanhã.

Renata Baglioli renatabaglioli@hotmail.com

Curitiba

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JOÃO DORIA

Já escrevi neste fórum sobre o tema com que o grande J. R. Guzzo nos brindou no dia 6/2 (É esquisito). Há mais mortes por milhão no Estado de São Paulo do que no Brasil como um todo, e mesmo quando o compararmos com outros Estados. Que não digam que por isso Guzzo e eu somos a favor de Jair Bolsonaro. O governador de São Paulo, João Doria, tenta transformar-se num Quixote contra o mal reinante, mas comete dois erros básicos: 1) expõe-se demais com sua atuação no combate à covid-19, aparecendo como o antigenocida. Essa exposição excessiva sairá pela culatra; 2) sai na frente como candidato à Presidência da República em 2022 e “queima a largada”, virando alvo antes do tempo. Além disso, mostrou mais uma vez a sua costumeira prepotência no episódio com a prefeita de Bauru. Apesar da maquiagem de moço fino, comporta-se como seu desafeto. Ele finge que se esquece – mas o povo não – do slogan na camiseta BolsoDoria. Só rindo de seu “V” de vacina e vitória. É tudo muito ridículo, mais do que esquisito.

Nelson Mattioli Leite nelsonmleite@uol.com.br

São Paulo

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‘É ESQUISITO’

No artigo de J. R Guzzo É esquisito (6/2), faltou ao jornalista dizer, de acordo com o site do Ministério da Saúde (com dados até 5/2/2021) covid.saude.gov.br, que o Estado de São Paulo, embora tenha um total de óbitos por 100 mil habitantes de 118,8, não é o Estado em pior situação, pois temos o Rio de Janeiro com 177,2; o Distrito Federal com 152,8; o Amazonas com 215,6; e o Mato Grosso com 149,3. Talvez no afã de atacar o governador João Doria, o jornalista utiliza os dados que mais lhe convêm. Não é a atitude esperada de um jornalista, cuja orientação política conhecemos bem deste os temos da Editora Abril, na revista Veja. É salutar que o jornal tenha jornalistas com diversas orientações políticas, mas também é importante não tentar distorcer os fatos, mesmo utilizando de valores corretos. Ou, no jargão popular, eu comi dois frangos e ele, nenhum, na média, ambos estão bem alimentados!

Azor de Toledo Barros Filho azortb@globo.com

São Paulo

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AINDA A CLOROQUINA

Bolsonaro usou 5 ministérios para difundir cloroquina. E quantos milhões foram gastos e que agora fazem falta para aumentar os leitos de covid-19?

Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo

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CNPJ É PRIORIDADE

Para o presidente Jair Bolsonaro, o CNPJ é prioridade. Na verdade, Bolsonaro ainda não atinou que sem CPF não haverá CNPJ. Afinal, são mais de mil CPFs que, diariamente, são excluídos da base da população e incluídos do mapa dos óbitos vítimas da pandemia de covid-19. Bolsonaro, o atleta, não dá a mínima para o combate ao vírus e chega às raias de propor o uso do kit cloroquina. Depois reclama dos mais de 60 pedidos de impeachment que abarrotam a Câmara dos Deputados. E não foi por falta de aviso!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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ATÉ A DESGRAÇA SE CONCRETIZAR

A História se repete como farsa (Miguel Reale Júnior, 6/2, A2) traça com perfeição o caminho desse mastodôntico transatlântico (nada Pacífico) que Cabral deveria ter deixado coberto, cujo rumo e ventos e gritos e insanidades e fomes e mortes sufocantes por falta de O² são inimagináveis por quem nunca morreu de sede ao lado dum copo d’água potável e fresca que não consegue alcançar. Esse é exatamente o cenário de cruel horror, incentivado com doentia diuturnidade por um presidente nitidamente sociopata, portanto uma morbidade incurável que tem exemplos históricos como Hitler, Mussolini, Stalin, Idi Amin, Pinochet, Hussein, Videla, Pol Pot e muitos outros, eleitos ou que tomaram o poder às força ou com “a mão do gato”. Todos esses viveram (e fizeram ou deixaram ou, no mínimo, “incentivaram” a morte de pessoas) como vive a mente insana desse messias de araque. O título desta carta é, mesmo, ameaçador. Assim como o capitão, sem sobrinhos e enlouquecido. Não vê quem é cego – ou não quer ver.

Nelson Sampaio Jr. n.sampaio@hotmail.com

Curitiba

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ENTREVISTA LUIZ FUX

Lamentável a entrevista do juiz Luiz Fux (Réu na linha sucessória não é 'o melhor para o País', afirma Fux, Estado, 7/2, A4). Na visão do juiz da mais alta Corte do País, o povo só pode se manifestar através de seus representantes que estão no Parlamento. Parece que Fux já se esqueceu das manifestações de milhões de brasileiros nas ruas, que derrubaram Fernando Collor e Dilma Rousseff e logo mais irão derrubar Jair Bolsonaro também. O ministro enxerga a corrupção sistêmica na política como a reinação de meninos levados que insistem em comer a sobremesa antes do jantar, quando diz: “É inaceitável que uma pessoa queira maximizar suas rendas através do desvio de bens públicos”, como se isso começasse a descrever o desvio sistemático de bilhões de reais nos mais variados esquemas de desvio de dinheiro público praticados de forma sistemática por todos os partidos políticos. O Brasil merece quadros muito melhores no governo, inclusive e principalmente no Supremo Tribunal Federal.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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CONTRA A CORRUPÇÃO?

Brasileiro só é contra a corrupção do adversário. Paulo Maluf continuava apoiado por 30% mesmo quando tudo já se sabia. Lula idem, ou seja, 60% da população tolerando a corrupção do seu candidato e 60% condenando a corrupção do adversário. Não surpreende que esta bandeira tenha vencido 70% das eleições presidenciais de 1962 até esta data. Chega de hipocrisia.

Ventura Allan Morenilla ventura.morenilla@gmail.com

São Paulo

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ALTOS E BAIXOS

Lula da Silva está em êxtase, certo da vitória no STF da parcialidade do ex-juiz Sergio Moro. Respondendo a vários processos e condenado em segunda instância duas vezes, anda de cabeça erguida, orientado por sua genitora que nasceu analfabeta, segundo suas próprias palavras. Já Bolsonaro, fustigado por mais de 60 pedidos de impeachment e com popularidade em baixa, conseguiu estrondosa vitória no comando do Congresso Nacional.  São dois charlatões e enganadores que usam as bravatas para se defender dos adversários e da imprensa, e podem voltar a assombrar o eleitor em 2022.

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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INVERSÃO DE VALORES

O ministro do STF Ricardo Lewandowski pretende condenar o ex-juiz Sergio Moro, responsável pelas maiores punições a importantes corruptos, e inocentar o ex-presidente Lula, condenado em três instâncias por crimes cometidos. Este é o Brasil. Vergonha!

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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O FIM DA LAVA JATO

Diferentemente do que foi noticiado na grande imprensa, que o fim da Operação Lava Jato foi melancólico, eu, como brasileiro e paranaense, me sinto orgulhoso pelo que eles fizeram em prol do nosso Brasil, onde os maus governantes insistiram na corrupção em conluio com as grandes empresas que tomaram de assalto a nossa Petrobrás, e dali saiu o petrolão. Parabéns aos integrantes do MPF, como o dr. Deltan Dallagnol e sua equipe, que sofreram todo tipo de ameaças, inclusive contra seus familiares, mas não se curvaram perante os poderosos e gângsteres que dilapidaram os ativos de nossa empresa orgulho dos brasileiros, a Petrobrás. Parabéns ao juiz federal Sergio Moro, que julgou e sentenciou mais de 174 empresários corruptos e corruptores, também sofreu ameaças de morte, mas em prol da ética e da honestidade não se curvou perante os poderosos corruptos e maus governantes. Ficou o legado da recuperação de R$ 4,3 bilhões, que foram ressarcidos e devolvidos aos cofres públicos pelos ladrões, 179 ações penais, 174 condenados, alguns tidos como intocáveis foram para a prisão e sentenciados em 1.ª e 2.ª instâncias, 295 prisões preventivas e temporárias, inclusive a do ex-presidente Lula, que mofou na prisão por 681 dias, como ele mesmo contou. A força-tarefa de Curitiba será lembrada para sempre na mente e no coração de todos os brasileiros que lutaram para ter um Brasil livre de corrupção. Lamentavelmente, ela continua hoje, com os maus governantes que insistem, até mesmo na pandemia, nos desvios dos recursos da saúde. Quase 240 mil pessoas inocentes pagaram com a própria vida, nosso presidente insiste em negar a covid-19 e não temos vacina para todos. Sem esquecer que este desserviço prestado ao País com o fim da Lava Jato foi iniciativa do procurador-geral da República, Augusto Aras.

Jose Pedro Naisser jpnaisser@hotmail.com

Curitiba

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MANIFESTO POR VLADO HERZOG

Há 45 anos, sob os coturnos da ditadura militar do regime de exceção, de lamentável memória, o Estadão nosso de cada dia, num ato de extrema coragem, publicou num anúncio o abaixo-assinado intitulado Em nome da verdade, contendo 1.004 nomes de jornalistas, num manifesto que apontava cinco claras inconsistências no relatório do inquérito policial militar (IPM) forjado para mascarar como suicídio o covarde e brutal assassinato do diretor de jornalismo da TV Cultura, Vladimir Herzog, o Vlado, nas dependências do DOI-Codi de São Paulo. A força do manifesto foi um importante marco na luta pela redemocratização do Brasil e merece lugar de destaque na sua história. Bravo!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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POLÍTICA SOCIAL MAIS HUMANA

Num expediente que beira às raias do absurdo, a Prefeitura de São Paulo resolveu colocar blocos de concreto sob os viadutos da cidade para impedir que os moradores de rua sem-teto usassem o espaço para dormir. Contra isso, reagiu o Padre Júlio Lancellotti há poucos dias, quebrando os referidos blocos a marretadas, acendendo uma verdadeira compaixão social com esta população, revertendo a política da Prefeitura. A fé remove montanhas e, certamente, quebra blocos de exclusão social da população de rua. Esta atuação insensível da prefeitura lembra outra, que foram os jatos de água fria nos moradores de rua em operações de limpeza do centro da cidade, em pleno inverno, surpreendentemente sob supervisão do mesmo prefeito atual, então secretário das prefeituras regionais da capital. Nada de novo. O novo vem de São Paulo também, só que foi a idealização, em 1994, do projeto Minha Rua, Minha Casa, pelo Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE), junto com a Organização de Auxílio Fraterno (OAF) de construção de um espaço de convivência para os sem-teto, num espaço debaixo de um viaduto na baixada do Glicério, paradoxalmente cedido em comodato pela mesma Prefeitura de São Paulo. Nada de blocos de exclusão, um outro enfoque a uma questão social, que é praticamente o contrário do que foi agora feito, conduzido por forças da sociedade civil, acolhidas pelo poder público. Mas esta avaliação da atuação da administração municipal não é uma recusa à política. Trata-se de uma recusa à política pública tecnocrática e excludente e da busca de uma política social mais humana, que parece escapar aos contornos da administração da cidade. Em 1994, o PNBE e a OAF tinham consciência da inexistência de um apoio próprio para o morador de rua adulto, sem possibilidades de reintegração social. Para tanto, o projeto de acolhimento foi dotado de armários pessoais, cofre para documentos, lavanderia, telefones comunitários e posto de enfermagem. Para uma população estimada então em 10 mil pessoas, o projeto foi inaugurado em 1996, se transformou na Associação Minha Rua, Minha Casa mais tarde e continua como um exemplo isolado em São Paulo, ainda que emblemático como voz da sociedade civil.

Eduardo R. Gomes gomeduar@gmail.com

São Paulo

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IPTU

Durante a campanha do sr. Bruno Covas, prefeito de São Paulo,  uma das promessas era de que não haveria aumento de IPTU para os imóveis da cidade. Acabei de receber meu carnê de IPTU com aumento de 10% em plena pandemia. Realmente, não dá para acreditar em políticos, mas é mais um a quem jamais darei meu voto, nem para síndico de prédio. Lamentável a atitude deste prefeito.

Carlos Alberto Duarte carlosadu@yahoo.com.br

São Paulo

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PSDB SOCIAL?

Sou médico aposentado do Estado de São Paulo, aposentadoria na época no teto, compatível com a contribuição. Atualmente, essa aposentadoria está defasada por sucessivas omissões de correção pelos governos. Recebo uma complementação de aposentadoria do governo estadual do PSDB, que equipararia o salário do INSS ao salário mínimo de um médico do Estado. Nos últimos quatro anos esse valor que corresponde à classe médica, tão elogiada nesta pandemia, não sofre correção das perdas inflacionárias, não estou pedindo aumento. O governo federal nos últimos dois anos tem corrigido a perda inflacionária no INSS, já o governo estadual nos últimos quatro anos não tem feito isso. Aumentou o plano de saúde, o IPTU, a luz, o gás, o combustível, mas o salário do aposentado do Estado, nada. Onde está a socialdemocracia em que o governador se comporta como um apresentador de programa de auditório sempre em “pinimba” com o governo federal, o prefeito é aumentado em 40% e vai torcer sem máscara no Maracanã, estava em licença médica... Aos governantes do PSDB, 2022 está aí e a população saberá julgar os sociais democratas deste partido.

Carlos Tullio Schibuola cschibuola@gmail.com

São Paulo


 

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