Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2021 | 03h00

Pandemia e política

Crime sem castigo

Não será muito difícil prever qual será o fim da CPI da Covid-19, se realmente se concretizar. Pelo que foi noticiado (12/2, A4) e transmitido em vídeo, no depoimento ao Senado o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, não admitiu seu comportamento negativo na condução do combate à pandemia. Principalmente em Manaus, onde o general permaneceu por vários dias e não resolveu a falta de oxigênio nos hospitais, o que contribuiu para o grande aumento de mortes e da desolação dos familiares. Mesmo questionado por senadores que declararam ter falado pessoalmente com ele, alertando-o de que os casos eram gravíssimos e precisavam de ação urgente, Pazuello não teve reação alguma e continuou a dizer que tudo estava sob controle, que as mortes estavam caindo no cenário da covid. (Em que mundo ele vive? Não lê notícias, comentários?) Depois disso, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, disse algumas palavras de conforto ao ministro e que tudo será esclarecido com o tempo... Isto posto, mesmo com alguns senadores contrários, já está bem claro o resultado se for aberta a tal CPI. Até porque o general é pau-mandado do presidente Jair Bolsonaro, tal como o presidente do Senado. E tudo continuará como sempre foi nesse desgoverno. Simples assim.

MERCEDES PAGANO CUENCAS DIAS vcnautica@hotmail.com

SÃO PAULO

*

Democracia e ditadura

Estamos longe de uma democracia autêntica. “Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim.” Essa verdade foi escrita há décadas pelo brilhante e inesquecível Millôr Fernandes, entendendo-se que são quase 150 milhões de eleitores que, numa democracia autêntica, deveriam mandar; e 594 deputados e senadores, somando-se a eles um presidente tresloucado, que deveriam obedecer, pelo mandato representativo e de gestão para que foram eleitos.

HONYLDO ROBERTO PEREIRA PINTO honyldo@gmail.com

RIBEIRÃO PRETO

*

Ajuda dos necessitados

Se não tirar da folha de pagamento federal, onde sobra dinheiro, o governo não conseguirá, sem trauma, absorver esses recursos.

ITAMAR C. TREVISANI itamartrevisani@gmail.com

JABOTICABAL

*

Direito ao esquecimento

Dever de não esquecer

Ao invés de direito ao esquecimento, deveríamos empenhar-nos no conhecimento da História, considerando nossa memória falha, a falta de cultuá-la em nosso país e o mal que o esquecimento das infâmias causa a um povo. Se há sofrimento pela lembrança de fatos íntimos, que não repercutem sobre o direito do povo de não ver soterrada parte de sua História, o Judiciário pode conter as dores pessoais desnecessárias, caso a caso, segundo decidiu o Supremo Tribunal Federal (STF), em mais um tema que não precisaria ter assoberbado nossa Suprema Corte em sede de controle concentrado e abstrato. O costume que deveríamos contemplar seria o de registrar todos os atos em prol de uma tão desgastada nação. Almas voltadas para o bem comum matam um leão por dia e terminam solenemente ignoradas, quando não remetidos seus corpos às sepulturas no infame anonimato imposto pela pandemia. Em povos desenvolvidos, uma única contribuição à nação justifica a inserção do nome de seu autor no pórtico da História.

AMADEU R. GARRIDO DE PAULA amadeugarridoadv@uol.com.br

SÃO PAULO

*

Esquecer jamais

Felizmente o STF rejeitou, por nove votos a um, o pedido de reconhecimento do chamado direito ao esquecimento – quando uma pessoa pode pedir à Justiça que proíba a publicação ou exibição de fato antigo, sob justificativa de defesa da intimidade. Se aprovado, a borracha poderia ser passada sobre as inesquecíveis e inapagáveis declarações de Lula, Dilma e dos Bolsonaros, entre outros, ao longo da História. Como bem disse o filósofo irlandês Edmund Burke, no século 18, “um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”.

J. S. DECOL decoljs@gmail.com

SÃO PAULO

*

Trabalho inolvidável

A votação quase unânime do direito de não esquecimento é muito simbólica para o momento atual. Estão tentando fazer com a Lava Jato justamente o contrário, querendo que o povo a esqueça, para redimir ladrões e torná-los palatáveis. Mas nós jamais esqueceremos o que a Lava Jato – juízes e procuradores – fez de útil e importante para o nosso país. Sem divergir!

TANIA TAVARES taniatma@hotmail.com

SÃO PAULO

*

Corrupção

Fim da Lava jato

Se todos os processos da Lava Jato forem anulados, o que está a caminho de se concretizar, pergunto: todo o dinheiro recuperado, o Ministério Público terá de devolvê-lo aos corruptos e corruptores, pedindo-lhes desculpas? E o dr. Sergio Moro, os demais magistrados que atuaram nos processos, os procuradores e policiais federais, eles serão julgados e presos?

LOURDES MIGLIAVACCA lourdesmigliavacca@yahoo.com

SÃO PAULO

*

De pesos e medidas

Um grupo hacker invade aparelhos celulares de procuradores da República e isso vale para a defesa de corruptos. Já esses mesmos procuradores estão sendo investigados por supostamente terem vasculhado a movimentação patrimonial de ministros da Corte e isso é passível de sanções penais e administrativas? Gostaria de entender.

MARCOS RIBEIRO JACOB marcosrjacob@hotmail.com

SÃO PAULO

*

Mitologia grega

A Fênix e a Hidra

A imprensa é como a Fênix, a ave imortal que sempre renascerá das cinzas, mesmo quando colocada num subsolo. Já os maus políticos são como a Hidra de Lerna: cortada uma cabeça, nascem duas.

PEDRO LUIZ BICUDO plbicudo@gmail.com

PIRACICABA

 

 



Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


PASSANDO A BOIADA

Eufórico, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, mais do que nunca vai “passar a boiada”, como pretendia desde aquela fatídica reunião ministerial de 22 de abril de 2020, e com apoio do presidente Jair Bolsonaro. Ora, após o desprezo de Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão – que quer expropriar as terras dos que praticam crimes ambientais – resolveu dar fim à operação na Amazônia Legal, retirando os militares da área. Pode ser que Bolsonaro goste da ideia, mas não deixa de ser uma “batata quente” para explicar ao mundo o seu negacionismo. Quem viver verá!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

*

RUSGAS COM O VICE

As desavenças de Mourão e Bolsonaro não são só pessoais. Afetam a imagem da política ambiental, pois o vice é responsável pela preservação da Amazônia. Tiram a credibilidade do País e continuamos desacreditados lá fora. Não sei até onde o presidente quer chegar...

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

*

MILITARES VÃO DEIXAR AMAZÔNIA

“O Estadão apurou que o fim prematuro da missão ambiental está ligado à falta de recursos federais para o Ministério da Defesa.” Então... pois é. Sim, aliás, não deu para entender; faltaram recursos federais, ou seja, faltou verba, né? Também conhecida por dinheiro, grana, cacau, tutu, bagarote, bolada, dinheirama, boros, ficha, moamba, tramoia, capital, básico, essencial, fundamental, maior, maiúscula, metrópole, mortal, principal, riqueza, subtancial, versai, caraminguás, caraminguas, badulaques, cacaréus, chorume, banha, bens, fortuna, gordura, pingo, suco, cobre, espécie, admiração, caráter, casta, condição, estranheza, jaez, lala, natureza, qualidade, raça, gaita, maquia, ganho, lucro, massa, acervo, aglomeração, conjunto, grupo, macarrão... enfim (apud Dicionário Informal). Assim como existe espantosa quantidade de “apelidos” para a moeda, parece que os espantosos R$ 3 bilhões (dizem as más línguas) pagos ao Centrão estavam reservados no Orçamento para 2021 para cooptar congressistas, porém não foi reservado nada para manter a missão ambiental que vinha atuando na Amazônia. Estaria correta essa interpretação? É como deixar de pagar a empregada que trabalha cuidando da casa e gastar milhões para alegrar um grande grupo de “amigos”. Ou não?

Nelson Sampaio Jr. n.sampaio@hotmail.com

Curitiba

*

PREÇO SALGADO

Eliane Cantanhêde tem razão quanto ao preço salgado que as Forças Armadas haverão de pagar pelo apoio e até sustentação dada a este capitão destrambelhado que nos desgoverna (artigo no Estado de 12/2, A8). Nesse preço estará incluída, certamente, sua total desmoralização, pois, ao se identificar com este governo, elas acabam perdendo algo difícil de recuperar, que é a confiança em seu poder moderador e de estar sempre em defesa da Pátria, e não de um governo, seja ele qual for. Da forma como as Forças Armadas vêm atuando, acabam por se contaminar com o oportunismo cheio de privilégios da má política tradicional, hoje de volta com o Centrão velho de guerra. Que diferença das Forças Armadas dos EUA, onde um general da mais alta patente se recusou a participar da pantomima protagonizada pelo ex-presidente Donald Trump por ocasião das manifestações contra o racismo, em frente à Casa Branca, explicando ao vivo e a cores a verdadeira natureza e função das Forças Armadas, que era a de não se deixar levar por gestos e adesões políticas, pois ali estava como representante de um poder de Estado, e não de um governo. Aqui, no entanto, tudo se dá ao contrário. E, ainda por cima, chega ao nosso conhecimento a quantidade de alimentos e bebidas de altíssima qualidade adquirida a preços exorbitantes para consumo dos privilegiados militares, num país empobrecido com a pandemia, sem mesmo saber de onde tirar dinheiro para o auxílio emergencial a ser dado aos miseráveis que estão sem poder alimentar seus filhos. Que país cruel é este em que estamos nos tornando? Até que ponto chegaremos com tanta iniquidade? Em quem confiar quando leitos vazios de UTI estão sobrando em hospitais militares e faltando para o povo em busca desesperada por leitos para não morrerem asfixiados? Enfim, se até as Forças Armadas traem nossa confiança de forma vil, o que nos resta? O abandono de um povo ao mais triste destino, que é estar em mãos de aventureiros vorazes, ávidos de poder, sem ética e sem nenhuma réstia de ideal? Foi para isso que lutamos contra a corrupção, sonhando com um país mais digno, mais ético e justo? Nossa única esperança, já tão desgastada, estará agora nas mãos de quem souber se opor veementemente a tudo isso e se colocar ao lado e em defesa do povo brasileiro para não sermos engolidos por tanta desfaçatez. Que os céus nos ajudem. Oremos!

Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas

*

CHURRASCÃO

Não é só com picanha e cerveja que se faz um churrascão. Há diversos penduricalhos: linguiça, maminha, costelinha de porco, pãozinho, vinagrete, cachaça e/ou vodca para a indispensável caipirinha de limão e/ou maracujá e a tradicional farofa. Não nos esqueçamos da salada de frutas e do sorvete para a sobremesa. Ufa! Claro que não pode ser barato!

Guto Pacheco jam.pacheco@uol.com.br

São Paulo

*

VOZES DO TEMPO

Pelo andar da carruagem, não demora muito para o presidente Jair Messias Bolsonaro expressar aquela famosa frase dita pelo então presidente Fernando Collor de Mello: “Não me deixe só”.

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

*

‘GOLPE DE ESTADO’

Mais um notável cidadão brasileiro, o ex-ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Almir Pazzianotto Pinto, lança um importante alerta em Golpe de Estado (Estado, 8/3, A2), sobre a necessidade de uma urgente mobilização nacional em defesa do Estado Democrático de Direito em face das inúmeras atitudes antidemocráticas do presidente (!) da República, Jair Messias Bolsonaro, que poderão ensejar, em breve, caso suas ambições eleitorais não sejam alcançadas nas urnas, um golpe de Estado, até com a eventual participação de uma parcela de militares participantes de seu nefasto governo. Cabe lembrar que, em declaração recente, o ex-comandante do Exército brasileiro general Eduardo Vilas Bôas afirmou que os militares observam a situação e sabem, sim, qual é o seu dever, conforme determina a Constituição federal. Defendo que é hora do povo, de quem deveria emanar o poder, se manifestar em todo o País, para que o Congresso Nacional discuta e aprove logo o sistema de voto distrital puro com retomada de poder (recall), a cada dois anos, dos representantes eleitos que não tenham cumprido seu dever. Esse sistema de voto é um instrumento eficaz para fortalecer o Estado Democrático de Direito republicano. 

Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut h.halbsgut@hotmail.com

Rio Claro

*

CONSTITUINTE E EXTERMÍNIO REPUBLICANO

Qual a proposta da oposição – a que se refere o bem escrito editorial do Estadão na edição de sexta-feira – para governar o Brasil em substituição à presidência Bolsonaro? Não existe, simplesmente. Nosso sistema político tem como princípio fundamental, além da vaidade patológica que o poder suscita, o “dar-se bem na vida”, síntese para enriquecer rápida e impunemente, cínico mandamento de Gerson arrematado pela insaciável honestidade de Lula. Da educação à saúde e à segurança, a tragédia nacional tem dimensão: o tamanho e a depravação social do Estado. Consertaremos o Brasil com poder constituinte que imponha igualdade legal, elimine, entre tantas iniquidades, foro privilegiado, salários debochados com penduricalhos pantagruélicos, assessorias DAS iscas para vis rachadinhas, auxílios e vantagens da burocracia opulenta da Esplanada dos Ministérios – onde resplandece a volúpia financeira da toga: R$ 100,2 bilhões gastos com o Poder Judiciário, ano passado, equivalentes a 1,5% do PIB – carro e gasolina pagos pelo povo para os arrogantes e deslumbrados do poder. A farsa constitucional de que todo poder emana do povo e em nome deste será exercido ergue-se sinistra no Amazonas: em 132 anos de República (1889) e 33 anos de Constituição (1988) apelidada Cidadã, nenhuma cidade amazonense, à exceção de Manaus, a capital, tem hospital com UTI. Quantos governadores passaram pelo Palácio do Rio Negro e nada, cruelmente nada, fizeram pelo homem amazonense? Quantos povos gostariam de ter um Amazonas e suas imensuráveis riquezas, biodiversidade, potencial hídrico e a internacionalmente cobiçada floresta? O Amazonas vive um extermínio republicano. Por menos, os paraenses fizeram a Cabanagem, em 1835, A miserável revolução das classes infames, irretocável livro de instigante leitura. Constituinte serena e severa é o remédio para os males do caricato Estado Democrático de Direito à brasileira.

José Maria Leal Paes tunantamina@gmail.com

Belém

*

INTERVENÇÃO EXTERNA

As denúncias e pedidos de afastamento do presidente Jair Bolsonaro devem ser entregues para as cortes internacionais. O Brasil não pode mais perder tempo, é evidente que a Procuradoria-Geral da República e o Congresso Nacional não vão cumprir seus deveres e continuarão engavetando sem ler todas as denúncias contra Bolsonaro. A gestão da pandemia no Brasil é a pior do mundo, o País tem um leigo comandando as ações no Ministério da Saúde a mando de presidente da República, que persegue interesses pessoais promovendo a venda de remédios sem eficácia para tratar a covid-19. Diante da inoperância das instituições brasileiras, o País terá de sofrer uma intervenção externa para afastar Bolsonaro do poder e restaurar a lei e a ordem.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

*

INIQUIDADES PRESIDENCIAIS

Na verdade, o editorial O estranho decreto de Bolsonaro (10/2, A3) nada mais é do que a versão de antipresidência do desgovernante de Brasília, alheio à realidade. O editorial é providencial na denúncia de estapafúrdia medida, apenas burocrática, como ali afirmado, pois a política de Bolsonaro sempre foi e continua sendo a de destruição do Estado brasileiro. Ele, que nada fez para o estabelecimento de um País, usando de suas benesses como inativo parlamentar por três décadas, quer destruir o pouco de Estado social que foi duramente construído. A determinação impressa no instrumento legal é, portanto, mais um dos elementos do vasto conjunto de iniquidades presidenciais a compor nossa história, triste história.

Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas

*

ESPECIALIDADES PRESIDENCIAIS

Bolsonaro é mestre em fugir das responsabilidades, doutor em reeleição e Oscar em interpretação dramática, inclusive agindo pra valer fora do palco. Realmente, um mito. Olho vivo...

Ventura Allan Morenilla ventura.morenilla@gmail.com

São Paulo

*

OS TESTES VENCIDOS

Para tentar esconder a irresponsabilidade deste governo, o incompetente ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, quer doar ao Haiti 1 milhão de testes para diagnosticar a covid-19, dos 5 milhões que ainda têm em estoque. Lembremos: em novembro, o Estadão denunciou que esses testes, na época em torno de 7 milhões, venceriam em janeiro de 2021. Ou seja, em nome de um falso ato humanitário, querem empurrar para o pobre Haiti esses testes que hospitais filantrópicos e Santas Casas do Brasil recusam aceitar. Ora, tal qual a perversidade de um ato de corrupção, este governo de Jair Bolsonaro gastou de recursos dos contribuintes com esses testes em estoque R$ 210 milhões. E outros R$ 250 milhões com medicamentos como a cloroquina, que Bolsonaro, como autêntico charlatão, sugere para o tratamento de pacientes de covid-19, sem que deles haja qualquer comprovação científica. Ou seja, não há respeito pelos recursos dos contribuintes. O Planalto literalmente jogou no lixo R$ 460 milhões. Ao mesmo tempo, desumano que é, deixou de comprar vacinas, seringas, agulhas, oxigênio, etc., tudo o que poderia ter evitado milhares de mortes em razão da covid-19. Não dá para dizer que Jair Bolsonaro respeita o povo brasileiro.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Paulo

*

EMPENHO E QUALIFICAÇÃO DE ASSESSORES

Fiquei surpreso ao saber que o Ministério de Saúde “gastou” cerca de R$ 45 milhões para comprar kits para detecção de covid-19, mas a maioria desses kits já vai para o lixo, pois a sua validade está próxima. Fiquei mais espantado ainda quando soube que não compraram os cotonetes swabs junto com os kits, necessários para coletar as amostras para os exames. Essa história é muito parecida com uma já conhecida anteriormente, quando o governo preparava uma proposta para adquirir vacinas contra covid-19, mas “se esqueceu” de incluir seringas e agulhas, necessárias para a aplicação da vacina. Além disso, há também a aquisição de cloroquina, uma substância cuja ineficiência contra a covid-19 já foi cientificamente comprovada, que onerou alguns milhões de reais para o cofre público e está encalhada no depósito. O ministro da Saúde, o sr. Eduardo Pazuello, é o terceiro mandatório da pasta de Saúde do Brasil num intervalo de menos de dois anos. Talvez ele não tenha culpa de não ter noção sobre o que seria um vírus ou o uso de máscara, e tampouco de não entender o propósito da vacinação, pois, afinal, ele é um general militar. Embora o cargo de um ministro de Estado seja puramente político e, portanto, a sua formação acadêmica não precisa ser necessariamente a da área que ocupa na pasta – inclusive, no passado, tivemos um economista que exerceu a função de ministro de Saúde e foi um dos mais destacados –, não é demais esperar que o ministro Pazuello se esforce mais para conhecer as suas obrigações e funções como um ministro de Estado de um país, algo que ele realmente está devendo ao Brasil. A situação intrigante que ocorreu e ocorre no Ministério da Saúde não poderia ser devido à ausência de assessores altamente qualificados no Ministério? Isso, pois assessores de um ministro devem ter, antes de mais nada, a confiança do ministro, além de serem profissionais com vasta experiência no assunto, que possam dar pleno apoio em todos os sentidos e, inclusive, orientar o ministro na função política e encobrir a sua inação e evidência de desconhecimento do que é ser um ministro de Estado. E se os assessores do Ministério fossem realmente qualificados e capacitados, exercendo as suas obrigações e dando assistência ao ministro Pazuello, a situação no Estado do Amazonas não estaria como está atualmente: com pacientes morrendo por falta de oxigênio nos hospitais. Será que a culpa não é só do ministro, mas dos seus assessores também?

Tomomasa Yano tyanosan@gmail.com

Campinas

*

A NOVA FRENTE RUSSA

Ameaçado de ser investigado pelo Senado por sua desastrosa atuação na pandemia da covid-19, o militar e médico autodidata Eduardo Pazuello pediu aos senadores para não abrirem nova frente (política, que questiona sua atuação) na guerra contra a covid-19. Ocorre que, para continuar lutando, a tropa (nós) precisa de subsídios que nem ele nem o suposto comandante Jair Cloroquina Bolsonaro deram: clareza do plano de ação; coordenação entre as diferentes divisões envolvidas (vulgar os Estados); armas contra o inimigo (oxigênio, respiradores e vacinas); e combate dos agentes da “quinta-coluna” que disseminam a rebeldia contra as medidas de distanciamento social e atuam como curandeiros à base de cloroquina, azitromicina, e nitazoxanida contra todos os conselhos dos que entendem do assunto.

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

*

PAZUELLO NO SENADO

O ministro da Saúde foi reprovado nas suas tentativas de explicar o inexplicável. CPI nele!

Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo

*

GESTÃO DA PANDEMIA

Tão ou mais deprimente do que a pandemia é assistir ao general Pazuello emitir pareceres sobre ela. 

Marize Carvalho Vilela marizecarvalhovilela@gmail.com

São Paulo

*

GAROTO-PROPAGANDA

Disparam as vendas de remédios sem eficácia comprovada contra a covid-19 no Brasil! Quem disse que o presidente Bolsonaro não é um excelente garoto-propaganda?

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

*

CLOROQUINA & BRILHANTINA

A taxa de mortalidade no Brasil pelo novo coronavírus é de 111 mortes por 100 mil habitantes. São Paulo, o Estado mais rico do País, está pior: 120 por 100 mil. Temos poucas vacinas e a vacinação está avançando muito lentamente. Precisamos de trabalho árduo e decisões fundamentadas em boa ciência, não de propaganda e guerra de narrativas. Parece que ivermectina e cloroquina são inúteis contra o vírus; pó de arroz e brilhantina também.

Hamilton Varela hamiltonvarela@gmail.com

São Carlos

*

VACINAÇÃO

O grupo de idosos de 80 a 84 anos no Estadão de São Paulo só começará a ser vacinado a partir de 1.º de março, enquanto esse grupo  de idosos no Rio de Janeiro será vacinado entre 15 e 20 de fevereiro, isto é, duas semanas antes. Como todos os Estados recebem sua justa parte nas vacinas disponíveis, ou o Estado do Rio está realizando o milagre da multiplicação das vacinas (ou seja, antecipando-se em relação a vacinas a receber seguramente dentro das próximas três semanas) ou o Estadão de São Paulo está jogando obtusamente dentro das regras do incompetente ministro da Saúde, a despeito de ser o maior provedor de vacinas do País.

Acelera, São Paulo!

Elie R. Levy elierlevy@gmail.com

São Paulo

*

A QUALIDADE DOS SERVIÇOS PÚBLICOS

Relativamente à percuciente análise feita pela jornalista Ana Carla Abrão no artigo (Falta de) qualidade do serviço público deveria ser prioridade (9/2, B4), não há por que discordar da essência do texto: os serviços públicos no Brasil deixam, mesmo, muito a desejar. Porém, que não se inculpe o desprestigiado servidor por isso, deixando de fora os governantes de altos escalões. Estes, sim, quase sempre administram mal os recursos disponíveis. Auferem altos subsídios e deixam ao deus-dará os que estão na ponta da linha, atendendo às crescentes demandas da população. Com parcos vencimentos, excesso de trabalho e sem qualquer tipo de incentivo, deles pouco se pode esperar, realmente.

Jarim Lopes Roseira ipa.saopaulo@ipa-brasil.org.br

São Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.