Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2021 | 03h00


Desgoverno Bolsonaro

Petrobrás despenca


Com seu governo perdido e sem rumo, o insensato, demagogo e irresponsável Bolsonaro, ao demitir de forma espetaculosa o presidente da Petrobrás, diga-se, para satisfazer aos caminhoneiros, fez derreter na bolsa o preço das ações da estatal orgulho dos brasileiros, que perdeu R$ 100 bilhões em valor de mercado. E ainda tem bajuladores que o chamam de mito...

PAULO PANOSSIAN PAULOPANOSSIAN@HOTMAIL.COM

SÃO CARLOS


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O gênio

Para tentar entender o que se passa numa mente com a do presidente da República, só posso imaginar que se trata de fetiche por asneiras. Fazer uma estatal perder R$ 100 bilhões ou mais num único dia? Será que uma pessoa como essa, ao se olhar no espelho, não vê um completo incompetente? Até quando? E imaginar que poderei até votar no PT em 2022...

RICARDO FIORAVANTE LORENZI RICARDO.LORENZI@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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Perda de apoio

A inesperada intervenção de Bolsonaro na presidência da Petrobrás, além de provocar a queda no mercado de capitais do valor da estatal de petróleo e de outras similares nacionais, produziu ainda outro efeito. Trata-se da descrença de grande parte dos eleitores do presidente, que, confiando na sua defesa do liberalismo na economia durante a campanha eleitoral, deixam de apoiá-lo, diante da linha intervencionista estatizante. Uma baixa significativa.

JOSÉ DE ANCHIETA NOBRE DE ALMEIDA

JOSEDALMEIDA@GLOBO.COM

RIO DE JANEIRO


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Ofensa gratuita

De muito mau gosto o presidente da República chamar a atenção do público para o fato de o ainda presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, estar em quarentena, trabalhando em home office. Esse senhor simplesmente obedece às recomendações protocolares estabelecidas para todos, eis que se trata de pessoa que faz parte do grupo de risco para o vírus da covid-19, e isso não configura irresponsabilidade com a sua função. Lamentável.

LEILA E. LEITÃO LEILAELSTON@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


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Prestígio

E a carta branca do ministro Paulo Guedes? Amarelou. Mas ele continua “prestigiado”.

LUIZ FRID LUIZ.FRID@GLOBOMAIL.COM

SÃO PAULO


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Corte de gastos

O preço dos combustíveis acompanha o preço internacional do barril de petróleo e a variação do dólar. Não vejo a Petrobrás se preocupando com redução de custos. Os salários que paga e os benefícios que oferece são muito maiores que os da grande maioria das empresas privadas. Deveria reduzir custos e assumir parte dos aumentos dos insumos.

BENEDITO NÓBREGA DO CANTO FILHO

TRATAMENTO@SAUBERPE.COM.BR

RECIFE


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Bolsotroll

Em entrevista a José Fucs (Estado, 23/2), a pesquisadora Michele Prado nos ensina o que é um troll. É aquele tipo de internauta que divulga com estardalhaço uma ideia “nova” razoavelmente absurda, como recriar o Ato Institucional n.º 5 (AI-5), por exemplo, de forma a que muitos comecem a pensar e discutir se convém ou não recriar aquele ato, o que aos poucos pode amortecer a resistência à sua recriação. Michele diz que aquele deputado falastrão ora na prisão é um troll, procurando fazer-nos discutir a extinção do Supremo Tribunal Federal e a volta do AI-5. Examinando o que vem acontecendo nestes dois últimos anos, percebe-se que nosso presidente também atua como troll, constantemente lançando ideias sem nexo, como acabar com a imprensa livre, por exemplo, deixando de falar delas quando a sociedade as rejeita, para retomá-las logo em seguida.

WILSON SCARPELLI WISCAR@TERRA.COM.BR

COTIA

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Nepotismo

Tema superado

Em pleno século 21, em meio à pandemia e diante de tantas mazelas que atingem nosso povo, como falta de água, esgoto a céu aberto, aglomerações ostensivas em várias cidades do Brasil, etc., etc., como pode o líder do governo na Câmara dos Deputados, que não merece ter o seu nome citado, defender o nepotismo, um tema que pensei já estar superado? Inacreditável!

MÁRIO NEGRÃO BORGONOVI

MARIONEGRAO.BORGONOVI@GMAIL.COM

PETRÓPOLIS (RJ)


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‘Bocas’ vitalícias

O líder desse governo deveria é defender a ideia de acabar com esses parasitas que assolam todos os órgãos públicos, tanto nos municípios como nos Estados e na União. Todos sabemos que, uma vez admitidos, eles não saem mais das famosas “bocas” conquistadas e o ônus fica para o poder público até o fim da vida deles. Fico pasmo como o tão brioso eleitorado do Paraná elege parlamentares como esse que defende o nepotismo abertamente. Pobre Brasil, com políticos tão insensíveis!

JONAS DE MATOS ROSE@JONASDEMATOS.COM.BR

SÃO PAULO


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Pandemia

Vacina aprovada, estoque zero

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em tempo recorde o uso definitivo da vacina da Pfizer. Essa aprovação trouxe ao governo negacionista um sério problema. Afinal, como é sabido, Bolsonaro não assinou nenhum contrato de compra da vacina da Pfizer, optou por se apegar a filigranas contratuais sem relevância, fato desconsiderado pelos países que já vacinam em massa sua população. Na verdade, ele está no mato sem cachorro, porque não esperava aprovação tão rápida. Ora, sem argumentos o negacionista será obrigado a comprar e vacinar os brasileiros. Afinal, sem estoque de nada vale a aprovação da vacina.

JÚLIO ROBERTO AYRES BRISOLA JROBRISOLA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO



Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


ENERGIA SOLAR


Chama a atenção no editorial Energia solar: oportunidades e desafios (22/2, A3) a constatação de que foram fundamentais para o desenvolvimento do setor as pesquisas iniciais, mesmo quando a utilização dessa fonte de energia possuía mais apelo ambiental do que econômico. A capacidade de investimento no futuro por parte de empresários no Brasil é muito baixa e não conseguem enxergar oportunidades, por exemplo, nos projetos de novos materiais que possam armazenar energia elétrica, fundamento das baterias fotovoltaicas. Polímeros de baixa densidade são os principais candidatos, mas que estão em fase inicial de pesquisa científica, por enquanto bancadas apenas por abnegados. Que o editorial sirva não só para evidenciar a oportunidade, mas também para despertar a indústria nacional para o verdadeiro desafio de apoiar tais pesquisas.  

  


Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas


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ATUAÇÃO DOS POLÍTICOS


O Congresso não atua; o corporativismo reina por aquelas

paragens. Apenas quando não tem por onde sair e a pressão pode trazer

algum prejuízo, os congressistas se mexem. Vejam a Assembleia Legislativa de São Paulo: um deputado escancaradamente assediador, Fernando Cury, apalpou

criminosamente os seios da deputada Isa Penna e ainda está para ser julgado na comissão de ética, e, pasmem, com grande chance de ser absolvido.

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com


Casa Branca


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MINGUANDO AS DEFESAS DO MITO


Por mais que os apaixonados pelo atual governante nacional tentem defendê-lo de suas posturas no exercício do poder pelas redes sociais, fica difícil executar tais defesas, tal as incoerências de Bolsonaro no dia a dia. Por isso, mínguam cada vez mais esses posts dos defensores na internet, o que já provoca sérias preocupações nos que acompanham tais postagens, a mando da atual liderança governamental.


José de Anchieta Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com


Rio de Janeiro 


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POSTO IPIRANGA X PETROBRÁS

Pergunta parada no ar: o "Posto Ipiranga" Paulo Guedes vai passar a vender gasolina da Petrobrás comandada por um general?


J. S. Decol decoljs@gmail.com


São Paulo


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General Luna ou Castello Branco não faz a menor diferença. São só nomes.  Os conhecimentos de ambos sobre petróleo não vão além da bomba de gasolina no posto. Ambos são somente cupinchas de alguém que manda. Se não roubarem já é uma grande  virtude. O corpo técnico é quem toca a empresa. Fora disso é histeria e oportunismo de mercado. Por via das dúvidas recomendo ao Bolsonaro ficar calado.


Paulo Henrique Coimbra de Oliveira ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro


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A SIMPLICIDADE DOS COMPLICADORES DA PETROBRÁS

Diz o editorial do Estadão de terça-feira (23/2/2021 - Uma intervenção desastrosa), que a Petrobrás perdeu R$ 28,2 bilhões. Valor de mercado perdido! Por acaso a Petrobrás está sendo privatizada? Essa perda causou o afundamento de quantas plataformas de exploração de petróleo? Quantos ativos deixaram de existir? Afinal, por que os preços dos combustíveis têm que acompanhar o valor do real em dólares e o preço do petróleo no mercado internacional? Aprendi que custos envolvem mão de obra e seus encargos trabalhistas, energia, manutenção, insumos diversos, etc., itens diretamente relacionados com a produção (todos pagos em reais). O somatório destes custos, adicionado ao custo de amortização do capital investido para que a produção possa ser explícita e eficaz, mais a margem de lucro, resulta no preço dos combustíveis. Com o acréscimo de impostos federais e estaduais, chega-se aos preços exorbitantes. Que capitalismo de araque!

 Carlos Leonel Imenes leonelzucaimenes@gmail.com

Nazaré Paulista

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FINALMENTE UMA FALA SENSATA DE BOLSONARO


Finalmente o presidente Bolsonaro soube captar o sentimento da sociedade brasileira ao afirmar que não sabemos nem a qualidade nem a

quantidade do combustível que abastecemos. Vergonhoso pagarmos por um dos combustíveis mais caros do planeta que já vem misturado e nunca

sabemos sua composição exata. Entretanto, pagamos caro para a manutenção do veículo que sofre desgaste prematuro em decorrência dessas misturas. O presidente Bolsonaro tem a chance de terminar seu mandato com uma administração sensata, coerente e racional, bastando que não ceda a seus arroubos autoritários e irracionais.


Daniel Marques danielmarquesvgp@gmail.com


Virginópolis (MG)


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VAI ENGOLIR COM CASCA E TUDO

Segundo as regras da Lei das S.As., se um conselheiro renunciar, o Conselho da Petrobrás é dissolvido automaticamente e, assim, cai por terra a intenção de Jair Bolsonaro emplacar seu substituto, o general da reserva Joaquim Silva e Luna. Na verdade, é sabido que vários são os conselheiros que já decidiram sair juntamente com o presidente destituído, Roberto Castello Branco, portanto e pelo andar da carruagem, Bolsonaro deverá, de joelhos, reconduzi-lo à presidência. É mais uma lambança de Bolsonaro no trato da coisa pública e "vai ter que engolir com casca e tudo". Pobre Brasil!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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MISÉRIA, ARMAS E VIOLÊNCIA


A informação da FGV de que a miséria no Brasil aumentou em 22 milhões de pobres na virada deste ano de 2021 é assustadoramente preocupante. Tal trágica realidade potencializa negativamente outros seguimentos de nosso meio de vida, principalmente a segurança pública, que ainda é mais agravada com os decretos presidenciais, facilitando o acesso de mais armas pela população, cujos efeitos danosos não são difíceis de prever. Oremos.


José de Anchieta Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro


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BRASIL LTDA.


Ao tempo em que o Brasil segue com a economia de vento em proa, cabe citar alguns números comparativos entre países. Enquanto o País tem cerca de 418 estatais, os EUA e o Reino Unido têm 16 cada um; o Japão,8; e a Suíça,4.;No Brasil, a União tem o controle direto de 46 estatais e,    conforme dados do Ministério da Economia,19 operam sucessivamente no vermelho. Enquanto o Brasil S.A. não for transformado em Brasil Ltda., o País não terá como emergir do poço sem fundo em que está atolado até o pescoço... e afundando cada vez mais. Muda Brasil!


J. S. Decol decoljs@gmail.com


São Paulo


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CIRO GOMES


Se a eleição fosse hoje, eu votaria em Ciro Gomes para presidente do Brasil, ele é o único político brasileiro que enfrenta os banqueiros apátridas.


Francisco Anéas franciscoaneas66@gmail.com


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MISSÃO(IM)POSSÍVEL


Mesmo com tantos e sérios problemas para resolver, o presidente sempre tem participado de comemorações e formaturas das Forças Armadas. Como também de cafés, almoços e jantares com líderes de partidos e políticos agora bem-vindos. Não esquecendo das medidas para permitir mais civis armados, incluindo seus apoiadores, e deixando o STF fazendo o que quer. Tudo isso  parece uma tática para ampliar e manter suas forças,  na estratégia de se blindar no poder. 


Carlos Gaspar  carlos-gaspar@uol.com.br


São Paulo


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MERECER A REELEIÇÃO.


O Brasil continua tendo 418 estatais. O SUS tem capacidade para vacinar 60 milhões de pessoas por mês, mas o País não tem vacinas. O presidente da Petrobrás é trocado, antes que se tomassem providências para acudir os caminhoneiros, como a criação de um fundo de compensação para reduzir o preço do diesel. Não pensou nos investidores e nas consequências, como o medo de investir e a alta do dólar. E os bolsonaristas, como seu chefe, não são liberais, mas radicais nas pautas de seus interesses pessoais. Assim, Bolsonaro não realizou nenhuma privatização, não comprou vacinas na oportunidade, não faz empenho para aprovar as reformas tributária e administrativa. Só pensou em armas e em sua reeleição. Então, merece ser reeleito?


José Carlos de Carvalho Carneiro josecarlosdecarvalhocarneiro@gmail.com


Rio Claro


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AINDA A BOLA DE NEVE


Endosso integralmente os dizeres da carta da leitora Izabel Avallone (Fórum dos Leitores 23/2/21- sob o título Bola de Neve). Pelo pouco que conheço dos países que adotam o parlamentarismo e o voto distrital, a maioria tem tradição milenar, patriotismo, e os parlamentares exercem suas funções paralelamente a suas vidas profissionais , o que seria impossível em nossa Pátria Amada. Hoje com quase oito décadas de idade, não esqueço as observações de meu falecido pai, matuto, instrução primária, que veio para o Sul maravilha para fugir da enxada e "ter uma vida melhor", mas com a sabedoria de vida do nosso caboclo. Quando alguém, apavorado, falava que "o comunismo estava chegando ao Brasil, ele dizia: "Não se preocupe, o povo brasileiro vai bagunçar esse negócio". Quando alguém famoso dizia "o brasileiro não sabe votar", ele dizia: "Político ruim e enganador não vem com estrela na testa". É o que observamos em governos passados, que só se locupletaram, e os atuais, que fazem tudo totalmente diferente do que prometeram nas campanhas.

Carlos Gonçalves de Faria marshalfaria@gmail.com

São Paulo

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A VEZ DA ECONOMIA


Depois de fazer barbaridades na gestão da Saúde, da Educação, do Meio Ambiente, das Relações Exteriores, o presidente Bolsonaro vai mostrar seu talento na gestão da Economia. Bolsonaro perdeu o medo e vai mostrar tudo que sabe sobre o assunto, começou dando um tombo de R$ 100 bilhões na Petrobrás e já promete repetir a dose na Eletrobrás. Logo mais o ministro Paulo Guedes deverá ser substituído por algum general. Quem sabe o grande gestor Eduardo Pazuello assume a gestão da Economia, depois do excelente trabalho que ele realizou na pasta da Saúde. Os grandes empresários e banqueiros vão finalmente conhecer todo o talento de Jair Bolsonaro, logo mais o dólar deverá chegar à casa dos R$ 6, a bolsa vai romper a barreira dos 100 mil pontos, para baixo, claro. Quem sabe agora com Bolsonaro mandando na Economia as elites, que morrem de medo de mudanças, finalmente se deem conta de que não é possível continuar com esse senhor na Presidência da República.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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DIFERENÇA


Na exoneração de Valeixo da PF, Moro contestou. No afastamento de Castello Branco da Petrobrás, Guedes se omitiu. A diferença entre as atitudes ministeriais é o que se chama vergonha na cara...


Ademir Fernandes standyball@hotmail.com


São Paulo


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ATAQUE E FUGA


Pergunto-me como é que a maioria ainda não percebeu que os políticos, frustrados em suas ambições, adotam a estratégia mais sem graça e nada  sofisticada do aparelho psíquico: sentem-se ameaçados, têm medo e arranjam um culpado. Leiam os jornais e escutem as notícias dos dois primeiros anos de governo de Bolsonaro: a lista infinita de culpados é risível! E vejam a rara decisão unânime do colegiado do STF: medo e ameaça. Idem a aprovação da Câmara sobre o deputado: medo! O desmanche da Lava-Jato: paúra pura, essa foi a campeã dos apavorados. Enfim, um bando de covardes medrosos nos governando. E os bravos? Só lhes resta se afastar do primitivismo e ir cuidar de sua própria vida em ambientes mais inteligentes. São poucos, mas sabemos muito bem quem são.  E de que adianta laureados especialistas serem chamados para levantar as supostas razões racionais dos comportamentos dos políticos se o que sempre subjaz é a mais troglodita das reações humanas: ataque e fuga? Ganha o mais forte e o que corre mais, entendendo-se “correr” como o mero “virar a casaca”. Mas o equilíbrio de forças é sempre instável e claro, reflete-se na condução da vida do povo. Os tristes trópicos estão cada vez mais tristes, ainda mais pelo luto de tantas mortes... Que foram causadas pela mesma troglodita razão: ataques e fuga da ciência salvadora. Melhor voltar para as cavernas de uma vez e deixar de achar que somos civilizados!


Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com


São Paulo


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ANVISA TRATA OS IGUAIS DESIGUALMENTE


Aliás, é uma praxe no dia a dia desse governo incorrigível. Por vocação adota uma regra draconiana: quando trata pessoas e empresas consideradas aliadas é tolerante e as demais que resistem aos seus desmandos políticos/administrativos são alijadas e desprezadas como represália. A Anvisa, agência com pessoal especializado, foi tratada pelo atual governo como um feudo e sua gestão acabou entregue a um oficial general – reformado – oriundo da Marinha. Vinculada ao Ministério da Saúde, a agência manteve sua autonomia administrativa e serviços especializados em pesquisas – enquanto sob supervisão de um ministro civil –;  atuava com  isenção e equidade perante as empesas farmacêuticas, institutos e fundações que submetiam seus produtos  e serviços ao seu crivo. A partir do escancarado controle do chefe do Executivo, a agência perdeu o seu rumo e sua credibilidade foi arranhada,  sendo  suas decisões ( ou não decisões ) questionadas. Então, sucederam-se episódios e situações – com interferência direta do governo ou não – que acabaram solapando o prestígio da Anvisa e sugerindo que sua imparcialidade e sua equidade no tratamento de sua clientela foram se esvaindo no caminhar dos dias. A questão da aprovação das vacinas contra a covid -19 deu o tom do desvio de conduta e finalidade da então conceituada agência de saúde brasileira. O tratamento discriminatório do Instituto Butantan basicamente foi deflagrado por questão política, já que o governador do Estado de São Paulo simplesmente pretende se opor a ao atual presidente da República na eleição de 2022. Primeiro, a agência suspendeu no tranco os testes com a vacina Coronavac, supondo que um voluntário falecera em decorrência da vacina que recebera, quando na realidade a pessoa suicidou-se. Depois, ou teria sido antes, o próprio presidente da República – que comemorou a suspensão dos testes do Butantan como uma vitória  pessoal – desautorizou seu ministro da Saúde sobre a aquisição antecipada de  um lote de 40 milhões  de doses da vacina chinesa, suspendendo sem justificativa a compra da vacina do Doria, considerado seu desafeto. No mesmo episódio o ministro da saúde declarou: “Um manda, outro obedece” – simples, não! A partir daí, a Anvisa, sendo obrigada a se  retratar diante das evidências sobre a morte do voluntário e reconhecer seu injustificado equívoco, parece ter se engajado na posição do presidente da República, impondo uma série de dificuldades para  autorizar o uso emergencial da vacina Coronavac – diante da repercussão desse protelamento, promoveu uma live publicitária para  seus técnicos discutirem e autorizarem a aplicação emergencial da vacina do Butantan, mas impondo uma série de recomendações e até mesmo restrições.

Com isso, o Brasil dava início à vacinação de sua população utilizando exclusivamente a vacina de origem chineses, tão criticada e desprezada  pelo presidente (lembram-se, do pode tomar, mas se virarem jacaré não venham reclamar?).

Não demorou para a Anvisa afrouxar seu rigor – promovendo por atacado autorizações para uso emergencial de vacinas não testadas no território brasileiro, como a Sputnik V, de origem russa, e a Covaxin, de fabricação indiana –, aceitando para  essas validações as aprovações de agências congêneres dos países produtores – mesmo não encontrando condições  técnicas da farmacêutica Union Química para sua manipulação. Medida que descartou durante análise da Coronavac.

Ainda hoje, após o uso de cerca de 10 milhões de doses da vacina chinesa e sua aplicação em diversos países, a Anvisa continua  a impor sérias   dificuldades para  permitir o uso definitivo da vacina do Butantan. É ou não é perseguição de natureza iminentemente política/ideológica – que  despreza a equidade e demonstra o aparelhamento indecoroso da agência de saúde brasileira. Atitude que  equipara o atual governo ao que de pior aconteceu na era petista, de triste memória!


Noel Gonçalves Cerqueira noelcerqueira@gmail.com


Jacarezinho (PR)


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O DONO DA CANETA SOLTA


Ao participar de uma cerimônia de formatura, o presidente Jair “Cloroquina” Bolsonaro disse que precisa “trocar as peças que porventura não estejam dando certo”. O que não falta ao homem “é coragem para decidir pensando no bem maior da nossa nação”. Entre as “realizações” deste desgoverno em dois anos destacam-se: 14,1 milhões de desempregados; mais de 10 milhões de infectados pela covid-19 e mais de 246 mil óbitos; aumento de 34% na taxa de derrubada da floresta amazônica nos últimos 12 meses; aumento de 9% no índice de violência em 2020; além de perda de quase R$ 29 bilhões em valor de mercado da Petrobrás. Imagina se o homem não tivesse o Brasil sempre no coração!


Omar El Seoud  elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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UM ALENTO, ENFIM


A decisão da Câmara dos Deputados em manter a prisão do deputado que se achou no direito de avacalhar os ministros do STF é um alento para todos nós. Desde que o pior presidente do Brasil, da história da República, assumiu o governo em 2019, só estamos acumulando dissabores e o País, prejuízos econômicos extraordinários. Jamais temos que relevar e, muito menos esquecer, o mal que o deputado Rodrigo Maia nos causou, retendo mais de uma centena de pedidos de destituição do chefe do Executivo, não os enviando à comissão competente, para abertura de respectivo processo. Contudo, não basta mantê-lo preso, aguardando julgamento pelo STF, mas, ao fim dessa apuração, cassar o seu mandato. A partir de agora, podemos ter a esperança de que os pedidos de destituição do presidente da República possam ter prosseguimento. O que não tem sentido é ele provocar prejuízos enormes ao País, como destruir o meio ambiente e, agora, destituir o presidente da Petrobrás, só para agradar aos caminhoneiros. Como ainda atua como se estivesse no passado, agiu destituindo o titular da empresa e nomeando em seu lugar um general, em uma estranha crença de que o militar, por definição, é mais bem preparado do que um civil. A capacidade não tem nada a ver com o fato de ser das Forças Armadas ou não. Pazuello desmentiu isso com louvor. Aliás, cumpre lembrar que ele copiou a decisão da ex-presidente Dilma Rousseff, quando interferiu nos preços dos combustíveis e quase afundou a Petrobrás. Porém, é na pandemia que o presidente vem fazendo o maior estrago de todos. Ainda em maio de 2020, a Lancet, revista científica de medicina de maior prestígio no mundo, publicou artigo afirmando, que “talvez a maior ameaça à resposta à covid-19 no Brasil seja seu presidente”. Para confirmar a sua ingerência no caso, já chegamos a mais de 247 mil mortos pelo coronavírus. O que significa que poderemos terminar o mês com 254 mil mortos. É praticamente a população de São Carlos, no Estado de São Paulo. 

 

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br


São Paulo  


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NA BOMBA


O itinerário é sinuoso. O destino é incerto. A charanga queima óleo. O motorista é barbeiro. A condução derrapa nas retas. Para resolver o problema, com anuência e até incentivo do  encarregado, trocaram o frentista do posto.


Ademir Fernandes standyball@hotmail.com


São Paulo

 


 

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