Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2021 | 03h00


 Pandemia

E passa a boiada...

Em poucos dias o Brasil reassumirá a segunda posição em número de infectados pela covid-19. Superaremos a Índia, que conta com uma população 6,5 vezes maior que a nossa. Somos já há muito o segundo país em mortes, só superado pelos EUA. Qual a triste expectativa nessa trágica maratona? Dos países com maior número de mortos, estão em franco processo de aceleração da vacinação, em especial, os europeus e os EUA, o que em poucas semanas se refletirá em redução da taxa de contágio e de mortes – ao contrário do Brasil e do México, o terceiro com mais mortes. Os presidentes destas duas nações são negacionistas de primeira hora. O do Brasil persiste na irracionalidade, incompetência e robusta demonstração de incúria, que em muito é responsável por quase 260 mil mortes. Já foi o tempo de criticar esse indivíduo e seus medíocres ministros. A situação é caótica. A questão que emerge é: onde estão os demais Poderes institucionais dispostos na ordem republicana e constitucional? Eles também têm sua parte de responsabilidade pela atual situação, seja por leniência, por incompetência ou pela imoral janela de oportunidade para fazer a boiada de interesses escusos passar em meio ao caos.

OSWALDO COLOMBO FILHO COLOMBOCONSULT@GMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Difícil de explicar e entender

O governo federal recusa-se a adquirir vacinas em quantidade que proporcione imunização eficiente contra a covid-19. Permanece na contramão do mundo civilizado, que caminha celeremente na direção contrária. Não bastasse a inércia do governo, o presidente prega que a população não deve usar máscaras nem cumprir o isolamento social. Isso depois de ter feito propaganda de medicamentos inócuos, fake news. Difícil explicar, mas mais difícil ainda é entender aonde Bolsonaro quer chegar com essa política destrutiva. Se for estratégia, ela precisa ser fruto de comprovados estudos aprofundados. Se for, porém, qualquer outra coisa, ele precisa ser cassado.

RAFAEL MOIA FILHO RMOIAF@UOL.COM.BR

BAURU

*

Trabuco

Temos de começar imediatamente um sistema de fast track para a compra de vacina (com ajuda do setor privado) e acelerar meteoricamente a imunização, como bem sugere o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi (A vacina e o relógio, 1.º/3, B4). Antes que chegue tarde demais.

JOSÉ PASTORE J.PASTORE@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

*

Transgressões negacionistas

Seria piada de mau gosto se não fosse verdade. No sábado, centenas de idosos enfrentaram filas intermináveis para se vacinarem contra a covid. E à noite 200 idosos (!) foram flagrados em festa clandestina em pleno horário proibido pelo governo estadual! É verdade que o governo federal tem dose não pequena de responsabilidade na condução da pandemia galopante, que já matou mais de 250 mil pessoas. Mas é inegável que transgressões negacionistas e arrogantes de parte da população – que, a exemplo de Bolsonaro, banaliza a doença – contribuem sobremaneira para manter esta situação desastrosa.

LUCIANO HARARY LHARARY@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Desgoverno Bolsonaro

Longos 22 meses

Conflitos, fake news, polarizações, dicotomias insuperáveis e desoladoras. Na Saúde, em que a questão é de vida ou morte, o quadro evolui negativamente em curtíssimo prazo, mantidos o negacionismo escapista e um ministro motivo de piadas. Na Educação, pouco avanço, com um ministro invisível e inepto cuidando do futuro do País no que há de mais importante na competitividade mundial: o conhecimento. Na Economia, resultados pífios, agenda liberal sem realizações e um ministro amarrado e submetido a humilhações públicas. E, enfim, o arranjo político cuidando basicamente de interesses pessoais, armas, impunidade e desmonte de mecanismos de controle e contrapesos. Exceções positivas, a Agricultura, fundamental para a combalida economia, e a Infraestrutura, que se tem mostrado eficiente. Ainda assim, será difícil manter algum otimismo nos próximos 22 meses.

LUIZ A. BERNARDI LUIZBERNARDI51@GMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Caindo na real

O “mito” Jair Bolsonaro conseguiu a façanha de acabar com ao menos três mitos sobre o Brasil: 1) Deus é brasileiro, 2) o brasileiro é cordial e 3) o Brasil é o país do futuro. Caímos na real. Parabéns aos envolvidos.

RENATO KHAIR RENATOKHAIR@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

*

Reeleição

O nosso presidente passou os seus 28 anos no Congresso Nacional só renovando o mandato. Será que o uso do cachimbo o deixou com boca torta...?

NIVALDO RIBEIRO SANTOS NIVASAN1928@GMAIL.COM

SÃO PAULO

*

América Latina

Soluções pela educação

O editorial Saídas da crise para a América Latina (1. º/3, A3) ressalta, de modo enfático, o papel central da educação para a solução dos problemas da região. Melhorar a qualidade de vida e a convivência passa pela valorização social da educação e da docência. Sem isso o continente continuará marcado pelas desigualdades e exclusões.

RAQUEL FUNARI, professora  RAQUELSFUNARI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

*

Em São Paulo

IPTU insuportável

Desconsiderar o preço dos imóveis e a renda dos cidadãos está fazendo a cidade perder, pois a exorbitância do IPTU deságua na inadimplência, que traz o medo de perder a moradia. Prefeito e vereadores devem obedecer aos preceitos da Constituição sobre a garantia da propriedade e o bem-estar dos cidadãos. O IPTU deve ser justo para que todos possam pagar.

JOSÉ CARLOS COSTA POLICAIO@GMAIL.COM    

SÃO PAULO

*

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

365 DIAS DA PANDEMIA NO PAÍS

O mundo acumula 113 milhões de infectados e mais de 2,5 milhões de mortes pela covid-19.  Quando completamos no dia e dia 26 de fevereiro, 1 ano de convivência com esta devastadora pandemia,  no Brasil, tínhamos quase 10,5 milhões de infectados e mais de 250 mil óbitos. Porém, se a ciência foi célere para em tempo recorde desenvolver   vacinas para o combate da covid-19, infelizmente, essa pandemia ocorre num momento em que temos o pior presidente da história desta República, Jair Bolsonaro. Desumano que é, vem desprezando à luz do dia a ciência e essa pandemia.   Não recomenda e menos ainda é capaz de usar máscara. É contra o isolamento social. Para mortes diz “E daí?”, não sou “coveiro”, e chama o povo brasileiro que tem medo deste vírus de “maricas”. Pior ainda, deixou de comprar de forma antecipada vacinas de vários laboratórios. Até oxigênio não comprou, que poderia ter salvado milhares de vidas em Manaus. E o Brasil, vendo seus filhos indo a óbito, infelizmente, começou a imunização com muito atraso! E, hoje, se milhões de brasileiros estão sendo imunizados com uma vacina como a Coronavac, é graças ao governo do Estado de São Paulo, com coordenação e produção do Instituto Butantan. Bolsonaro afirmou que jamais iria comprar essa vacina porque é da China, nosso maior parceiro comercial...  Porém, os números não mentem! Enquanto Israel já imunizou 49% da sua população; Emirados Árabes, 35,19%; Reino Unido, 26,39%; Chile, 17,28%; e EUA, 13,4%; o Brasil, alcançou a vacinação de míseros 3% da população. Tudo em função de termos um presidente que se nega a salvar vidas. Assim como, também, não consegue alavancar a nossa economia, criar empregos e diminuir o alto nível de pobreza, etc.  Que só pensa em armar a população e na sua reeleição...  

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

*

AUXÍLIO AOS QUE PERDEM IDOSOS


Em meio a tantas notícias sobre a pandemia, com destaque para a desfaçatez e desonestidades dos políticos lá de Brasília, chama a atenção o artigo do professor José Pastore Auxílio aos que perdem idosos (25/02, Economia, B8) discorrendo sobre o drama das famílias cuja renda depende basicamente da aposentadoria e do trabalho dos idosos. Afinal, essas famílias representam expressiva parcela da sociedade (algo como 30%) e, para piorar, o desemprego atinge em maior grau a geração mais nova. Está aí mais um grande problema social que deveria merecer a atenção daquelas mencionadas autoridades de Brasília. 


José Elias Laier joseeliaslaier@gmail.com


São Carlos


*

QUANDO O ERRO SE TORNA UM CRIME


A pandemia começou um ano atrás, muita gente não sabia o que fazer, muitos erros foram cometidos, com destaque para o comportamento do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que achou apropriado ir ao hospital visitar e cumprimentar pacientes de covid19, sem usar máscara. Boris Johnson contraiu a doença, foi parar na UTI e mudou completamente a maneira de se comportar, passando a ser um defensor ferrenho das recomendações médicas para evitar novos contágios. O presidente Bolsonaro é o último líder que continua insistindo nas teorias negacionistas, continua pregando contra a máscara, não acredita na vacina e no distanciamento social. As atitudes de Bolsonaro na gestão da pandemia já custaram a vida de milhares de cidadãos brasileiros, e o País segue sem comprar vacinas suficientes. Errar é humano, a insistência de Jair Bolsonaro nesse erro, com tudo que já se sabe, tudo que está acontecendo, com 250 mil brasileiros mortos, o sistema de saúde entrando em colapso, é um crime de genocídio continuado contra o povo brasileiro.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br


São Paulo


*

 


APOIA O VÍRUS

Ele continua correndo o Brasil, em visita a órgãos militares ou inaugurando obras, onde aparece em aglomerações de pessoas sem máscaras, demonstrando não se preocupar com a pandemia. Com isso, estimula o desrespeito aos protocolos recomendados para evitar o vírus. Como a pandemia se expande, por causa, principalmente, do desrespeito às recomendações de precaução, ele culpa os governadores e prefeitos. Não mostra preocupação com os mais de 250 mil que morreram, pois, afinal, eles não votarão. Procura cativar a maioria dos sobreviventes, os quantos restarem.


Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br


Cotia


*


BLINDAGEM DA POPULAÇÃO


Se o presidente Bolsonaro continua a provocar aglomerações de pessoas e, ainda, continua a se apresentar a elas sem usar máscara protetiva, não seria o caso de o Parlamento propor uma PEC emergencial para “blindar” a população brasileira da contagiante nocividade das incautas ações do presidente?


Marcelo Gomes Jorge Feres Marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com


Rio de Janeiro


*



VACINAS PARA TODOS, CAMISA DE FORÇA PARA BOLSONARO


Um ano de coronaVírus no pior dia da pandemia no Brasil. Vacinas para toda a Nação e camisa de força para o presidente ensandecido, para o bem geral do País. 


Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


*

PERGUNTAR NÃO OFENDE


Como leigo pergunto se a transferência de pacientes do Estado do amazonas para outras regiões não acelerou a disseminação de novas cepas da covid-19. Pergunto também se, com a aceleração da pandemia, não era o caso de já terem retornado os hospitais de campanha? Tem alguma cabeça pensante neste governo?


Luiz Francisco A. Salgado salgado@gruposalgado.com.br


São Paulo


*

BOLSONARISMO E COVID-19


O bolsonarismo raiz pelo visto não pega covid-19, bem que eles poderiam divulgar qual é a estratégia!

Francisco José Sidoti fransidoti@gmail.com


São Paulo

 

*


INÉPCIA CONTRA O VÍRUS


Um quarto de milhão de vidas ceifado e a pandemia está em franca aceleração no Brasil. Justa é a defesa pela União de todos contra o vírus

(Estado, 26/2, A3), mas, em nosso país, sem coordenação e responsabilidade por parte do governo federal, isso está longe de acontecer. Pelo contrário, há forte estímulo à aglomeração, à condenação ao uso da máscara e ainda defesa de medicamentos comprovadamente ineficazes no trato da covid-19. Em São Paulo, mesmo com alguns desatinos do governador, há, ao menos, um comitê de gestão de crise, o que nem sequer existe em Brasília. Na falta da união contra o verme que nos governa, sabemos que seremos vencidos pelo tempo e pela inépcia.


Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com


Campinas


*

ESCAPISMO EUFÓRICO E MACABRO

O recrudescimento da crise provoca excesso de ocupação até mesmo do Albert Einstein. A causa é induvidosa: a aglomeração de jovens e a indisposição para o mínimo sacrifício em combater a pandemia de boa parte de seu contingente. As vítimas são terceiros  da população de risco, em sua maior parte.   A juventude de minha geração era idealista e fazia o contrário, chegava a dar a vida para reformar o mundo, ainda que muitas vezes equivocada. Busca-se hoje a euforia escapista e o resultado aí está.

Amadeu Roberto Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br


São Paulo



*

A PRESIDÊNCIA DA PETROBRÁS


Ponderando sobre a Petrobrás, do mais simples para o mais complexo.

As redes sociais ressaltam, mas a imprensa tradicional omite, que Lula e Dilma fizeram duas e três trocas na presidência da empresa, respectivamente, no seu turno. Dutra, Gabrielli e Graça Foster, petroleiros e petistas de raiz, cometeram os desastres que levaram a empresa à bancarrota em benefício do seu partido. Diga-se, a bem da verdade, que sabiam perfeitamente o que estavam fazendo. De Bendine, que nada sabia de petróleo, mas vindo do BB era bamba em finanças, restou a lavagem de dinheiro e a duplicação da dívida da empresa. Todos estes estavam e estão seriamente implicados na Lava Jato, esperando que Lula seja inocentado pela "sua" turma no STF e possam eles passar a porteira como parte da boiada. Mas o general, que apertou os parafusos de Itaipu, este será um desastre!

Os liberais da Vieira Souto afirmam que uma empresa de economia mista tem, por definição, regras a cumprir. A primeira delas é remunerar os seus acionistas (500% de lucro!) e seus diretores (dois milhões para o seu presidente!). Que o Estado, maior acionista, inverta o seu lucro em benefício do povo, dizem eles. Sabemos como a gestão pública é perdulária, e dois bilhões que couberam ao Estado vão se perder nos ralos de sempre, isto é, nos ganhos de uma burocracia que não se apieda da sua galinha dos ovos de ouro. O aumento do preço dos combustíveis para acompanhar os preços internacionais é decisão fácil para obter esta lucratividade de agiota. Então, um bom planejador precisa estudar cenários e estabelecer um patamar lucrativo, embora socialmente aceitável, pois o custo do combustível incide imediatamente no frete, nos transportes públicos e particulares. Bate logo no seu bolso.


Roberto Maciel rovisa681@gmail.com


Salvador 


*

DECRETO SALVADOR

Se não for brincadeira os postos serem obrigados a informar a composição de preços de combustível e o objetivo é reduzir custos em benefício da população,  que tal  um placar ao lado de  cada político, juiz, ministro e funcionário público informando a composição de seus ganhos e benefícios?  Placas de promoção serão bem-vindas.

Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo


PREVI$ÕES PARA 2021


O mais recente boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, aponta números e previsões para este ano: inflação de 3,82%, dólar a R$5,05 em dezembro, taxa básica de juros em 4% (o dobro da atual taxa Selic),déficit primário do setor público em 2,80% do PIB e crescimento do Produto Interno Bruto de 3,29%.Como se vê, as expectativas são de inflação maior, dólar mais caro, rombo fiscal mais amplo,

juros mais altos, menor expansão econômica, piora na expectativa dos empresários industriais e aceleração dos preços por atacado. Em meio à pandemia e sob o desastroso desgoverno Bolsonaro, a economia do País segue de vento em proa. Pobre Brasil!


J. S. Decol decoljs@gamil.com


São Paulo


PEC DA BLINDAGEM ? OU PRIMEIRO APROVAR A PEC DA REDUÇÃO DOS INÚTEIS...

Existem muitas PECs prontas para votação, e todas dizem respeito sobre a redução do número de parlamentares. Redução de Parlamentares também é uma blindagem natural. Reduzindo deputados, senadores, haverá menos inúteis ocupando o mesmo espaço. Portanto, na minha opinião, deixem a PEC da Blindagem para depois, antes, vamos aprovar a redução de deputados e senadores. Pode ser? 

Arcangelo Sforcin Filho despachante2121@gmail.com

São Paulo


*

PEC DA IMPUNIDADE

Nada novo sob o sol. O Congresso Nacional caminha, novamente, rumo à negação e na contramão do avanço civilizatório mais evidente dos últimos tempos em nosso país. O presidente da Câmara Federal, apoiado por Jair Bolsonaro em sua recente eleição, demonstra e pontifica as bases ultrapassadas da velha política na inglória resistência do avanço da ética nos negócios públicos, para tanto, tenta, por meio de uma proposta de emenda à Constituição, juridicamente duvidosa, a subversão dos princípios Constitucionais que garantem o equilíbrio e o funcionamento dos Poderes da República. Tal proposta é um pacto entoado pelo Planalto e avalizado pela resistência dos velhos ativos grupos políticos do retrocesso. Que a Suprema Corte, por meio do controle de constitucionalidade, evite a deformação dos princípios e bases estruturantes da Carta da República. Em um só coro, juntos devemos dizer: NÃO à PEC da Impunidade e SIM ao primado da ética.

Renato Mendes do Nascimento renatonascimento@uol.com.br

Santo André

*

URGÊNCIA POR QUÊ?

Alguém sabe a razão da forma atropelada pela qual o presidente da Câmara queria aprovar a PEC da blindagem dos parlamentares ainda mais? Eles já têm proteção enorme para o exercício do mandato, dispensando novos privilégios. O povo jamais aprovaria uma medida dessas. O que parece ter ocorrido, felizmente abortado à última hora, era aproveitar o raciocínio da passagem da boiada para, sem nenhum debate, atropelar assuntos prioritários para fazer uma PEC sem importância nenhuma. 


Ademir Valezi valezi@uol.com.br


São Paulo


*

VERGONHA BRASILEIRA


Vergonhosa atitude dos deputados que, em vez de

solicitarem urgência para adquirir vacina contra a covid19, ocupam a tribuna para amenizarem os processos contra o baixo clero representado por Flordelis e Daniel Silveira, apenas para agradar ao presidente

Bolsonaro. Ainda pior é o fato de estarem criando uma PEC da impunidade que visa a blindar os deputados em suas ações antiéticas e criminosas. Inacreditável que a sociedade brasileira aceite que o plenário mais caro do planeta utilize tempo, recursos e pessoal apenas para livrar seus pares das garras da lei.

Arthur Lira começa sua presidência na Câmara aceitando tudo que existe

de pior na política brasileira e contrário aos princípios constitucionais, éticos e morais. Resta-nos aguardar que nas próximas eleições o povo escolha somente novos representantes.

Daniel Marques danielmarquesvgp@gmail.com

Virginópolis (MG)


*


ABAIXO AS GAVETAS GRANDES DO CONGRESSO


 A Câmara dos Deputados deu um tiro no pé ao manter a prisão do deputado Daniel Silveira, e hoje corre do prejuízo. Esforça-se para aprovar a PEC que busca um pouco de proteção ao mandato e, como reflexo da vida errante de tantos congressistas, tem a antipatia popular, que a interpreta como tentativa de perenizar a impunidade. Silveira não deveria ter postado as ofensas ao STF, nem Alexandre de Moraes prendê-lo em flagrante num ato cheio de óbices técnico-jurídicos. A Câmara jamais deveria tê-lo mantido preso; o caminho seria libertá-lo e, depois, em querendo, até cassar seu mandato por falta de decoro, como hoje se propõe no Conselho e Ética. Durante décadas, quem pretendesse processar um parlamentar precisava pedir autorização à sua Casa Legislativa e esta, usualmente, não permitia. Assim foi no famoso discurso do falecido deputado Márcio Moreira Alves. A Câmara negou o processo e foi fechada pelos militares, que editaram o AI-5. Mas caiu em pé. É preciso corrigir muitos maus hábitos que enfraquecem o Legislativo brasileiro. Os presidentes – da Câmara, Senado, Assembleias Legislativas ou até das Câmaras Municipais – não podem enfeixar o direito de pautar ou engavetar projetos ou denúncias. Pelo menos moralmente, devem pautar e levar as denúncias para que todo o plenário decida. Bolsonaro já sofreu 70 pedidos de impeachment. Michel Temer teve 31; Dilma Rousseff, 68 (um deles a afastou); Lula, 37; e Fernando Henrique Cardoso, 24. Tais petições deveriam ter sido decididas de imediato pelo conjunto dos parlamentares e, para evitar que se tornassem meros instrumentos de ativismo político, acarretar a quem denunciou, se não conseguisse provar as irregularidades invocadas, o processo por denunciação caluniosa, que é crime, podendo ser esse procedimento requisitado pelo ofendido ou mesmo pela Casa Legislativo, por meio da remessa dos autos ao Ministério Público. Não podemos tolerar a existência de engavetadores no Congresso e em nenhum dos Poderes da República. Isso atrasa o País.

         

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

*

CAI O PANO


Moro sabia da folha corrida do mito. Sua meta era ir para o Supremo via Bolsonaro. Agora, bilhões de dinheiro público, roubados por empreiteiras e partidos, viraram erro processual da Lava Jato. E, no Congresso, a ordem é garantir a impunidade para o miliciano do Planalto, falir estatais para especuladores, acabar com a democracia, debochar dos 40 milhões sem emprego, sem renda, dos pequenos e médios negócios fechados e dos mais de 250 mil mortos na xepa mundial por vacinas.


JOÃO BOSCO EGAS CARLUCHO boscocarlucho@gmail.com

Garibaldi (RS)


*

O PATAMAR 


Essa palavra tem sido muito usada pelos jogadores e torcedores do Flamengo para demonstrar a superioridade de seu time sobre todos os demais clubes brasileiros. Mas não é do Flamengo, e sim do futebol brasileiro que vamos analisar o posicionamento. Objetivamente, se verificarmos os números e as estatísticas chega-se à conclusão que a posição atual de nosso futebol está mais para “subsolo” do que para “patamar”’. Assim, se considerarmos como referência a pontuação média dos campeões e vice-campeões brasileiros nos torneios de 2014 a 2018, que é, respectivamente, 78 e 69 pontos, vemos que o nível baixou pois o novo campeão atingiu apenas 71 pontos (10% a menos da pontuação média de referência) e apenas 1 ponto a mais do que o vice-campeão. Alguns poderiam achar que essa análise tem por objetivo obscurecer o recente feito dos flamenguistas, mas não é o caso. Lembro que em 2019, o Mengo foi campeão com 90 pontos (14,5% a mais do que a pontuação média de referência), 16 pontos a mais que o vice-campeão. Nesse ano realmente o Flamengo estava num “outro patamar”, mas não o futebol brasileiro. Os outros clubes já demonstravam uma pobreza que hoje atinge todos os nossos times, inclusive o mais novo campeão. Comparando então com o resto do mundo, dá pena ver os nossos campeões sendo derrotados nas finais do Campeonato Mundial de Clubes, como aconteceu com Grêmio em 2017 diante do Real Madrid e o Flamengo diante do Liverpool em 2019. Em 2020, então, nem se fala. O Palmeiras não chegou sequer à final, sendo derrotado no caminho por times de pouca expressão do México e do Egito, terminando em 4º lugar no torneio. Uma possível causa desse empobrecimento é a evasão de jogadores brasileiros para o exterior. São 1.600 craques (porque se não fossem não seriam comprados, certo?) jogando em outros países. Esse contingente de bons jogadores poderia formar mais de 60 seleções brasileiras. É só fazer a conta.


José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br


São Paulo


*




 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.