Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2021 | 03h00

Desgoverno e pandemia

Cidadania de luto

Ao terminar, ontem, a leitura de Luto pela vida, de Ignácio de Loyola Brandão, não tive opção senão rapidamente buscar uma faixa negra e pendurá-la na janela. O recorte desse relato de um ano de pandemia é estarrecedor, revolta até os mortos que tiveram a vida suprimida por aquele que deveria garanti-la. O luto pela vida, a vida em luto, a luta pela vida, o que for, precisa ser externado por todos nós. Essa faixa, um símbolo da luta para estancar a hemorragia induzida pelo descaso dos mandatários, haverá de surtir efeito.

ANTONIO GERASSI NETO AGERASSI@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Medo na América do Sul

O maior e mais desenvolvido país da América do Sul agora é o maior temor de seus vizinhos. É senso comum, para eles, que Bolsonaro é um perigo para o Brasil e o continente, na medida em que não adquiriu vacinas para imunizar o País e ainda vocifera asneiras contrariando o mundo civilizado. O Chile vacina sua população em velocidade impressionante. Aqui, estamos abaixo de todos esses países, que em breve fecharão suas fronteiras aos brasileiros e às transações comerciais, por medo do contágio.

RAFAEL MOIA FILHORMOIAF@UOL.COM.BR

BAURU

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Pátria em perigo

Excelente a reportagem Descontrole da pandemia no Brasil assusta América do Sul (21/3). Os brasileiros ainda não têm noção exata da gravidade da pandemia do novo coronavírus em relação aos países vizinhos, por causa da cepa P1. Só vão entender a dimensão do problema se a Fifa ameaçar tirar o Brasil das eliminatórias e, assim, da Copa do Mundo de 2022. Aí, sim, se a pátria do futebol estiver em risco, vão correr para tentar resolver logo esta crise sanitária.

LUIZ ROBERTO DA COSTA JR. LRCOSTAJR@UOL.COM.BR

CAMPINAS

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Complexo de vira-lata

Leio que 95% do dinheiro dos nossos impostos é para sustentar o Estado. Para nós, que pagamos essa conta, sobram meros 5% para investimento. Aí está a causa do colapso da saúde e nuvens cinzentas assomam no horizonte da educação e da economia. Sem saúde, sem educação, sem perspectiva de melhora se explica o tal complexo de vira-lata. E pior, somos candidatos a ostentar a tarja preta de cemitério do mundo. Tivéssemos adotado a fórmula de outras nações para enfrentar a covid-19, hoje já teríamos, ao menos em parte, dominado esse mal que nos dana e nos peia os passos do progresso. Nesta terra de tantos gênios em vários setores, diga-o o futebol, não há de nascer nenhum estadista de mente aberta que nos arrebate deste atoleiro? Que os deuses tenham piedade de nós. Oremos!

ANTONIO B. CAMARGO BONIVAL@CAMARGOECAMARGO.ADV.BR

SÃO PAULO

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Direito fundamental negado

Como todos os brasileiros, preciso trabalhar cinco meses todos os anos só para pagar os impostos federais, estaduais e municipais. Revolta-me saber que somos o país com o menor índice de retorno de bem-estar à sociedade do planeta. E ainda temos de suportar um presidente mal-educado e ranzinza, que ofende e ameaça quem critica seu péssimo governo e nega vacina para todos. No atual ritmo de vacinação, teremos mais de 1 milhão de óbitos até que todos os brasileiros sejam vacinados, e tanto eu como os demais cidadãos corremos o risco de não chegar vivos ao final desta pandemia. Ressalto que vacina é direito humano básico e constitucional, resta saber até quando nossas instituições o ignorarão.

DANIEL MARQUES DANIELMARQUESVGP@GMAIL.COM

VIRGINÓPOLIS (MG)

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E ainda ameaça com ação dura

A única ação dura que esperamos do mandrião que ocupa a Presidência da República é a vacinação em massa da população brasileira. E um auxílio emergencial digno, não um que só cobre 27,97% do custo da cesta básica de alimentos.

LUCAS CUNHA LUCASCUNHA_@OUTLOOK.COM

CURITIBA

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Tirando o corpo fora

Lema de Bolsonaro: a culpa é minha e eu boto em quem eu quiser.

DANIEL BAYERLEIN DANIELBAYERLEIN@ICLOUD.COM

JANDIRA

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Crime doloso

Esclarecedor o texto de autoria do dr. Daniel Martins de Barros publicado no Estado de ontem (A14). Logo nos primeiros parágrafos ele deixa claro que grupos se movimentam para “embaralhar as informações sobre a covid-19”. Ora, em princípio, dada a seriedade do assunto, pode-se concluir que tais grupos agem de forma fria e calculada. Isto é, dolosa! Não é o caso de as autoridades buscarem identificar os autores e processá-los? Quantas pessoas mais terão de morrer por causa desse crime premeditado?

HELEO POHLMANN BRAGA HELEO.BRAGA@HOTMAIL.COM

RIBEIRÃO PRETO

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O Brasil no passado

A Lei de Segurança Nacional (LSN) sempre foi apetrecho político de governantes que marcham pelas sendas do obscurantismo. E está sendo utilizada para emudecer os críticos do presidente Bolsonaro, que sempre namoricou o regime militar e seus personagens infaustos. Já André Mendonça, que tem diploma de bacharel em Direito na parede, impressiona até os mais leigos em assuntos jurídicos com suas contribuições aos delírios do presidente da República. Certo está o juiz Ricardo Lewandowski quando afirma que a LSN é um “fóssil normativo”. Fóssil porque é evidência de um pretérito nefasto do Brasil. Cada vez mais o Executivo avança para o passado (ou será que retrocede o futuro?).

PAULO VICTOR WEIHERMANN  WEIHERMANNPAULO@GMAIL.COM

CURITIBA

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Em São Paulo

Instituto Butantan

O trabalho do Butantan, especialmente a sua estrutura e a dedicação de seus colaboradores, aumenta muito o meu orgulho de ser paulista!

JOÃO PAULO GARCIA JOTAPEGE39@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

O RESPONSÁVEL PELA CATÁSTROFE

A catastrófica gestão da Saúde na pandemia feita pelo presidente Bolsonaro fez com que o Brasil tenha 23% dos mortos vítimas da covid-19, quando o País tem apenas 2,7% da população mundial. Os números falam por si. Bolsonaro errou tudo que tinha para errar, não comprou as vacinas na hora certa, continua sendo radicalmente contra o distanciamento social e o uso da máscara. Os países que seguiram as orientações da OMS e estão vacinando suas populações são os que sairão primeiro da crise, os números da pandemia deixam claro o papel fundamental das vacinas. Foi preciso o ex-presidente Lula renascer das cinzas para que Bolsonaro finalmente começasse a buscar a compra das vacinas, que foram oportunamente ofertadas ao Brasil pelos principais laboratórios farmacêuticos do planeta. A carnificina que a covid-19 está fazendo no País era evitável, não precisava ser tão ruim, poderiam ter morrido muito menos brasileiros, bastaria o Brasil ter feito o básico: máscara, distanciamento social e vacinas. Não é preciso CPI, processo de impeachment, nada, Bolsonaro deveria ter a honradez de renunciar ao cargo, pedir perdão de joelhos pelos erros cometidos e se retirar da vida pública para sempre. Nunca uma única pessoa foi diretamente responsável pela morte de tantos cidadãos brasileiros quanto Bolsonaro na pandemia.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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COMO PAGAR A CONTA

Nosso Capitão deve pensar que tem apoio suficiente para concorrer à reeleição e vencê-la. Os números cada vez mais desmentem essa possibilidade, mas, aparentemente, ainda não o incomodam. O que interessa saber é o que acontecerá quando ele deixar o poder, que, tudo leva  a crer, ocorrerá na eleição do próximo ano, porque impeachment não será possível com o atual Congresso. Após defenestrado o Capitão, ficará tudo por isso mesmo ou o Poder Judiciário terá coragem de responsabilizá-lo e puni-lo exemplarmente pelos crimes cometidos?

Afinal ninguém, direta ou indiretamente, provoca a morte de mais de 300 mil pessoas e, simplesmente, se passa uma borracha em cima disso tudo.

Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com.br

São Paulo

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FAMIGLIA SE LOCUPLETANDO

Os péssimos políticos que representam a famiglia Bolsonaro – começando pelo vereador e terminando pelo presidente – já deixaram claro que todos se enraizaram na política com o único objetivo de se locupletar ilicitamente por meio das rachadinhas, do gabinete do ódio, de disparos insistentes de fake news, passando pelo negacionismo ao combate à pandemia. Mesmo sabendo que o povo de bem reprova todas essas “práticas”, eis que surgiu “um raspa de tacho” que já chega tumultuando e, também, já é alvo de investigações da Polícia Federal. Trata-se do infante Jair Renan – o zero quatro –, investigado por possível tráfico de influência. Assim, mais um para atormentar o País. Por Deus, ninguém merece!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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INSANIDADE

Todos os dias vemos as autoridades pedindo, quase implorando, para as pessoas ficarem em casa, lavarem as mãos, usarem máscaras, evitarem aglomerações. Fizeram agrupamento de feriados, rodízio noturno, toque de recolher, fecharam o comércio, etc, tudo isso visando a conter a epidemia de covid-19. Para a minha surpresa, ontem vi as ciclovias da Av. Paulista, Av. Sumaré e Ibirapuera abertas pela Prefeitura incentivando seu uso por centenas de “atletas”, um grande número deles sem máscaras e se aglomerando nos semáforos. É para ficar em casa ou não? Ou só vale para alguns?

Luiz Francisco A. Salgado salgado@gruposalgado.com.br

São Paulo

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CAMINHANDO

Sem educação, sem oportunidade de trabalho, dependendo de ajuda oficial para sobreviver, eis a fórmula ideal para um regime autoritário.

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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CÚMPLICES

Rodrigo Pacheco, você é cúmplice, cadê a CPI?

Arthur Lira, você é cúmplice, cadê o impeachment ?

Forças Armadas cúmplices, caladas ante tantas ameaças!

Toffoli cúmplice, paralisou as investigações sobre rachadinhas da “familicia”.

STF cúmplice com sua instabilidade e parcialidade.

Gilmar Mendes cúmplice por soltar bandidos e se empenhar em destruir a Lava Jato !Medo de que senhor? Atrás do Bretas? Por quê??

Ministro Guedes cúmplice que não desencarna, embora não mande nada!

Pazuello cúmplice e executor das ordens assassinas!

Queiroga cúmplice – seis que foi (será) trocado por meia dúzia.

Os iguais se reconhecem!

Os que não se prestaram a cúmplice já saíram.

Tenho pena de Bolsonaro, é doente, os demais são cúmplices !

Cecília Centurion ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo

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CARTA ABERTA

Venho, como budista, a público, nesta Carta Aberta, manifestar-me sobre a grave situação vivida neste continente que nos impõem o coronavírus e a falta de políticas públicas eficientes, baseadas no que a ciência possa nos oferecer.

Nosso pesar e solidariedade para com todas as famílias enlutadas – que em 18 de março ultrapassavam a triste marca de meio milhão, neste continente. São perdas irreparáveis, que devem ser honradas.

A vacina – nossa melhor arma, desenvolvida graças à cooperação internacional e aos inegáveis avanços da ciência – ainda não está disponível na escala necessária para conter a disseminação exponencial da doença e evitar mais mortes. É preciso que se busque efetivamente o esforço para obtê-las, buscando os recursos que forem necessários.

Lamento veementemente os discursos relativistas e negacionistas, que denotam um descolamento da realidade fartamente documentada nos países que representamos. Que autoridades representantes de Estado manifestem-se publicamente duvidando da gravidade da situação nos parece indefensável.

Basear-se nas medidas científicas e racionais, no conhecimento histórico do comportamento de pandemias, na observância das melhores práticas mundiais para contê-las, é a obrigação de cada governo. Esperamos que incentivem claramente o distanciamento social neste momento, que apoiem publicamente o uso de máscaras e de medidas simples, como a higiene, e que promovam a aquisição e distribuição urgente de vacinas, apoiando ampla e inequivocamente o seu uso. Inclusive dando o exemplo ao vacinarem-se publicamente. E acolham a ciência não recomendando tratamentos e remédios comprovadamente ineficazes.

Não se trata de ignorar o problema econômico que as medidas de isolamento social geram, mas de entender que tratar a pandemia com a devida seriedade é premissa de qualquer recuperação econômica.

Lamentamos, portanto, a falsa ideia, passada pelos líderes de certos países, notadamente do Brasil, de que é possível preservar a economia sem combater a pandemia com todas as armas sabidamente eficazes e já testadas internacionalmente.

Esta política nos traz onde estamos agora: em meio ao colapso sanitário, fazendo aumentar a taxa de letalidade da doença pela impossibilidade de fazer crescer o sistema de saúde na mesma velocidade que o vírus gera vítimas.

Discursos que minimizam o luto e que expressam um aterrador desprezo pela vida são um choque para toda a comunidade budista, que tem como princípio o respeito a todas as existências. Estamos chocados com essa postura e expressamos aqui, publicamente, nossa vergonha com a falta de comprometimento com a verdade, a negação da realidade, a opressão e intimidação de vozes contrárias ao poder, a repressão das liberdades de expressão, o que, ao nosso ver, indica passos claros na direção de um totalitarismo absolutista e obscurantista, que, críamos, havíamos deixado para trás.

Nenhuma morte por imprudência é aceitável em nosso meio. Conclamamos que todas as organizações religiosas e espirituais tenham a mesma postura: não é hora de darmos apoio aos nossos seguidores em eventos coletivos – é hora de apoiá-los individualmente e a distância, com a responsabilidade que assumimos por suas vidas ao reuni-los imprudentemente.

Acolhemos e entendemos a necessidade do trabalho e da manutenção do sustento das famílias, porém, quanto mais rígidos e disciplinados formos nas medidas de isolamento social, no uso de máscaras, nas medidas de higiene, mais breve será o período de restrição. É um grande exercício de priorização e solidariedade, que devemos fazer como sociedade, pelo bem de todos.

Urge que as medidas sanitárias que garantiram o sucesso em outras regiões do mundo sejam instaladas globalmente, evitando a disseminação descontrolada do vírus. O pensamento isolado em nada favorece o mundo, que agora vê em países como o Brasil – responsável por mais da metade das mortes do continente – o epicentro da epidemia e uma ameaça global, na medida em que neste país disseminam-se novas variantes do vírus, cada vez mais agressivas e letais. A urgência do Brasil é a urgência da América do Sul, e a urgência deste continente nos obriga a pedir também o apoio internacional.

No Dharma,

Monge Meihō Genshō, Missionário Internacional da Soto Zen Shu monge.gensho@daissen.org.br


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31 DE MARÇO

A Justiça autorizou o governo federal a manter a celebração do próximo dia 31 de março, na antevéspera do feriado da Páscoa. O presidente Bolsonaro já deixou claro que tomará medidas duras quando chegar o momento. Todo mundo já sabe a data e não será surpresa. Resta agora aguardar o que vai acontecer no Dia D e na Hora H, pois a troca do ministro da Saúde foi estrategicamente adiada por duas semanas para o fim do mês.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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ACELERA VACINA

O Brasil, para não bater à casa de meio milhão de mortos pelo vírus, somente terá uma alternativa: acelerar a vacinação em todas as localidades, 24 horas por dia 7 dias por semana, inclusive nos feriados normais ou antecipados pelas autoridades. E um mutirão da vacinação deve começar já com a aquisição por empresas particulares e iniciativa privada mudando a configuração do cenário desolador que abala e solapa os anseios da economia do Brasil

Yvette Kfouri Abrao abraoc@uol.com.br

São Paulo

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ORDEM NA CASA

Em meio a tantas mortes e radicalizações o melhor a fazer seria o presidente do STF, ministro Luiz Fux, chamar o presidente da República, presidentes da Câmara e Senado e os 27  governadores para um encontro virtual e sugerir por meio do diálogo todas as premissas e diretrizes

no sentido do combate ao vírus, cessando a judicialização da matéria. Promovendo um verdadeiro pacto federativo por todos lido e assinado para que a sociedade saiba e tenha esperança no amanhã.

Carlos Henrique Abrao abrao@uol.com.br

São Paulo

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‘BOLSONARO, PRESIDENTE DE TUDO’ (Editorial do Estado de 20/3)

Sargento: “Pelotão, marche!".

Segundos depois: “Pelotão, alto! Estão todos com o passo errado”.

(Extraído de Seleções do Readers Digest, edição de 1947; piadas de caserna) 

Carlos Arthur Christmann carloschristmann35@gmail.com

Itu

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NÃO PRECISA SER EINSTEIN

O presidente Jair Bolsonaro acionou o Supremo Tribunal Federal para que esclareça quais são as atividades essenciais, pois ele não consegue saber. Ora, como o presidente tem muita dificuldade para entender, era só ler e verificar as decisões dos governadores e dos prefeitos, que têm respeito aos brasileiros. Afinal, não precisa ser nenhum Einstein para entender, não é mesmo presidente negacionista!        

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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‘MAGNETISMO POLÍTICO’

Lourival Sant’Anna, em brilhante análise da psique nacional, expôs como a tragédia da ignorância, em seu sentido mais amplo, torna grande parte da população brasileira uma presa fácil à demagogos na política, como a vendilhões de templos em falsas religiões picaretas. Não por acaso ideologias políticas no Brasil se transformam em seitas religiosas para tolos fanáticos. A coluna de Política Internacional do Estadão de ontem, deveria fazer parte do currículo de cursos universitários de jornalismo e ciências sociais, tamanha sua importância e abrangência na análise do comportamento humano em relação à política em todos os tempos. Uma aula magna do professor Lourival Sant’Anna.

Paulo Sérgio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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‘A LAVA JATO E A POLÍTICA’ (Editorial do Estado de 20/3)

Já faz algum tempo que percebo certos teóricos, que nada produzem de bom para a sociedade, se levantarem contra a Lava Jato. Lamentável que o sr. Luiz Werneck Vianna, em que pese ser bacharel em direito, venha com seu discurso preconceituoso se lançar contra jovens profissionais –  chamados de provincianos – que tiveram a coragem de cumprir com seu dever. Não há pesquisas na área da Ciência Política que deram à sociedade algo tão relevante como se alcançou com a Operação Lava Jato.

A Lava Jato não se voltou contra a política: simplesmente organizações criminosas compostas por políticos e grandes empresários tomaram a administração pública para ganhos criminosos. E por que conseguiram instalar a corrupção na estrutura do Estado? Porque a legislação eleitoral e outras são feitas pelos parlamentares que faziam parte da corrupção estrutural. Governo federal e estaduais, com regras que beneficiavam os grupos que lhes repassavam os ganhos dos superfaturamentos, também faziam parte. Tudo foi devidamente documentado seja via acordos de colaboração premiada e informações vindas de bancos estrangeiros, seja por depoimentos de envolvidos; quebra de sigilo de comunicações. Os valores recuperados evidenciam por si sós o que a política brasileira fazia contra o Brasil. O PT foi o primeiro a ser pego porque era o partido que dominava a política desde 2003. Obviamente, os que tinham participação ou conexão foram sendo alcançados também. Sérgio Cabral e Eduardo Cunha foram alucinações dos “procuradores provincianos”??? Se tivesse prosseguido a Lava Jato, chegar-se-ia ao Pode Judiciário. Mas esse é o poder que pode tudo. Isto o cientista político não percebeu.

Ana Lucia Amaral anamaral@uol.com.br

São Paulo

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PODER SEM PODER

A atitude do presidente do Senado Federal encaminhando à vice-presidente americana um pedido de cessão de estoques de vacinas excedentes para usá-las em território nacional representa a primeira medida direta de entendimento entre os dois Estados, ignorando a autoridade máxima dos países. 

Para nós isso significa que o Poder Executivo brasileiro está acéfalo, ou seja, tem alguém ocupando o Palácio do Planalto,  mas sem nenhum poder ou representatividade, interna ou internacional, falando à toa, apenas para boi dormir. 

Lairton costa lairton.costa@yahoo.com.br

São Paulo

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A INTIMIDAÇÃO É ILEGAL E INADMISSÍVEL.

 Jair Messias Bolsonaro, presidente da República, faz questão de desconhecer as leis vigentes e de usar seu poder de coação contra seus opositores. Ele e seus familiares usaram providências policiais contra o blogueiro Felipe Neto, contra o ex-governador do Ceará Ciro Gomes, além de muitos outros que lhe endereçaram críticas aos seus comportamentos atuais, especialmente os que se relacionam com a covid-19. E, então, com muita propriedade, o Estadão, mais uma vez, edita A intimidação é intolerável (A3-20/3/21), cujas considerações são um ensinamento ético e jurídico a quantos fazem questão de desconhecer ou passar por cima das leis existentes no País, como é o caso típico de Bolsonaro, seus familiares e adeptos. Por isso, cabe ao STF delinear, de vez, a aplicação possível ou não da Lei de Segurança Nacional, que está servindo de muleta para as arbitrariedades presidenciais. Eis que a intimidação é insuportável e deve revoltar os brasileiros que prezam a democracia e suas liberdades.

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br      

Rio Claro

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FARDAS DE VERDADE (FORÇAS ARMADAS NA OPERAÇÃO COVID, UM ANO SALVANDO VIDAS)

Parabenizo e cumprimento as Forças Armadas Brasileiras pelo incansável trabalho na sua lida continental com a pandemia de covid-19. Formei-me engenheiro agrônomo em 1981 no norte paranaense em instituição particular de ensino superior e, à época, tínhamos um presidente militar, General-de-Exército, 5 estrelas. O crédito educativo “caía” diretamente na tesouraria da fundação, e quem não dispunha dos recursos necessários para os estudos também se graduava sim.

Jean Jacques Gallon Filho jeanjacques.gallon@yahoo.com.br

Valinhos

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IGREJAS PERDOADAS

Como se já não bastasse a imunidade constitucional contra a cobrança de impostos pelas igrejas, a decisão de perdoar suas milionárias dívidas tributárias com a Receita Federal, sobretudo das evangélicas, não é um mero gesto cristão de bondade extrema, mas, sim, eleitoreiro e interesseiro de Jair Bolsonaro para com uma das bancadas que o apoiam. Trata-se, pois, de um grave pecado contra o erário, que não merece perdão.

J.S. Decol decoljs@gmail.com 

São Paulo

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DOM LUIZ

Em 20 de março de 2021, numa significativa solenidade na Província Eclesiástica do Espírito Santo, tomou posse na diocese de Cachoeiro de Itapemirim dom Luiz Fernando Lisboa. Nos últimos 20 anos atuou como missionário em Moçambique, desempenhando a santa função evangélica/social e, por causa de perseguição, foi nomeado para o sul do Epírito Santo, numa condição muito especial, de bispo/arcebispo, concedida pelo papa Francisco.

 

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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