Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2021 | 03h00

Pandemia e desgoverno

Segunda dose das vacinas

A Frente Nacional de Prefeitos sugeriu e as doses destinadas à segunda aplicação serão ministradas de imediato a quem ainda não foi vacinado. Mas qualquer gerente de materiais pode explicar que essa medida aumentará apenas a quantidade dos vacinados pela metade. A não ser que haja um aumento descomunal da produção de vacinas, os vacinados pela Coronavac deixarão de receber a segunda dose dentro do prazo de três semanas. Não há como esticar esse cobertor. Suponhamos, a título de exercício, que haja em estoque 6 milhões de vacinas. Ao aplicá-las, ficará um déficit de 12 milhões (os 6 milhões a serem vacinados imediatamente e os 6 milhões que deverão ser vacinados dentro de três semanas). No caso da AstraZeneca, o intervalo das duas doses pode ser de três meses ou mais. Mas no caso da Coronavac, o problema, gravíssimo, estará presente. E agora, Ministério da Saúde? Teremos de pedir vacinas às mães?

ALEXANDRU SOLOMON ALEX101243@GMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Saúde não é jogo de pôquer

Afirmam os especialistas que as vacinas disponíveis no Brasil necessitam de duas doses para fazerem efeito. Então, a orientação do Ministério da Saúde de aplicar todas as vacinas disponíveis como primeira dose não faz sentido, constitui apenas uma aposta no atual quadro de incertezas. Se, por hipótese, existisse um estoque de 100 doses e um novo lote de 100 unidades fosse esperado em 28 dias, com a atual sistemática um grupo de 50 pessoas receberia as duas doses do lote estocado e um segundo grupo de 50 pessoas receberia as duas doses do novo lote. Mas pela nova sistemática seriam aplicadas as 100 doses estocadas num grupo de 100 pessoas, que ficariam aguardando o novo lote para serem imunizadas. Se esse novo lote atrasar além do prazo de validade da primeira dose, situação não de todo improvável nestes dias, todas as 100 pessoas deixariam de ficar imunizadas por dilação do prazo de validade, além de ser perdido todo o lote inicial de 100 doses. Vale a pena assumir esse risco?

ALBERTO MAC DOWELL DE FIGUEIREDO AMDFIGUEIREDO@TERRA.COM.BR

SÃO CARLOS

*

Quem é ‘maricas’?

Se 30% apoiam o capitão e 80% pretendem se vacinar, então

“tá assim” de machões no armário, enrustidos por causa de uma simples “gripezinha”.

A. FERNANDES STANDYBALL@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Banho da cobra

Bolsonaro defende “nebulização” de cloroquina. O cérebro do presidente é que está precisando de um nebulizante!

ROBERT HALLER ROBELISA1@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

*

Entre a cruz e a espada

Que mal fizemos?

Frequentemente pergunto: que mal fizemos para termos gestores incapazes de nos conduzir ao lugar de destaque compatível com a riqueza do nosso território? Nos primeiros anos deste século “reinou” um presidente, Lula da Silva, que se destacou por dividir os brasileiros – “nós contra eles” – e pela corrupção, o que lhe valeu a condenação por nove magistrados, agora anulada por um único juiz ao invocar a absurda questão do foro competente. E nos últimos dois anos o atual presidente, eleito com o compromisso de defender o povo brasileiro da chaga da corrupção, trabalhou para destruir a Lava Jato, paradigma nacional contra esse tipo de crime. E como tudo o que já está mal ainda pode piorar, fomos castigados pela pandemia de covid-19, que permitiu revelar um presidente incompetente para comandar tão desigual batalha, cuja premissa principal é a contaminação pessoa a pessoa. Resultam disso a multiplicação exponencial do vírus e as novas cepas. Logo, o distanciamento social é fundamental e, dependendo do grau de contaminação, o isolamento social. Finalmente, com tristeza constato: temos um presidente empedernido. Nem mesmo a morte do Major Olímpio, eleito senador com recorde de votos, foi capaz de sensibilizá-lo.

ANTONIO CARLOS GOMES DA SILVA ACARLOSGS@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

*

Infelicidade

Nós, brasileiros, talvez estejamos entre os povos mais infelizes do mundo, assolados por quatro pragas: pandemia, presidente que não preside (ou preside apenas seus interesses mesquinhos), Legislativo que mal legisla e Judiciário de cujas decisões muito se desconfia.

JOÃO RAIMUNDO COUTINHO JORAICOUTINHO@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

*

Só falta...

Com apoio de juízes do Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro e Lula estão enterrando a Lava Jato, a maior operação contra a corrupção da História do Brasil. Como afirmou Carlos Alberto Di Franco (STF na contramão do Direito, da ética e do País, 22/3, A-2), agora só falta prender Sergio Moro, deixando os corruptos livres.

JOSÉ ROBERTO DE JESUS ZEROBERTODEJESUS@GMAIL.COM

CAPÃO BONITO

*

#Eles não!

Caso continue essa polarização Bolsonaro x Lula, o eleitorado ficará num dilema terrível na próxima eleição presidencial. Ou escolhe aquele que permitiu que a corrupção corresse solta, ou opta por um insano que não governa e, juntando-se ao Centrão, tudo faz para estagnar as investigações em curso que possam atingir e/ou respingar em políticos e pessoas de sua proximidade. Por isso é fundamental que os defensores da legalidade e da honestidade, com real convicção democrática e interessados em ver o Brasil sair da situação lamentável em que se encontra, se unam em torno de uma terceira via que nos possa dar esperança de dias melhores depois de 2022.

ADIB HANNA ADIB.HANNA@BOL.COM.BR

SÃO PAULO

*

Répteis

Pois é, soltaram a jararaca e ela foi direto para cima do vidente de jacarés.

JÉTHERO CARDOSO JETHEROCARDOSO@GMAIL.COM

BAURU

*

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

QUANDO FALTA VACINA TODO MUNDO BRIGA E NINGUÉM TEM RAZÃO

Agora, às vésperas da mudança do comando, o Ministério da Saúde bateu o martelo. Vamos despir os mais velhos, adiando a segunda dose, que será fatalmente ministrada fora do prazo recomendado, para vestir pela metade os ligeiramente menos velhos. Estes, por sua vez, haverão de passar por uma situação semelhante. Tudo isso é uma reação desesperada diante do aumento de novos casos e de um número crescente de óbitos diários. Com menos de 3% da população do planeta, chegamos a ter algo como 20% de mortes diárias,

Caso estivéssemos vislumbrando um aumento monumental de doses à disposição, a medida faria algum sentido. Mas no momento temos promessas registradas em planilhas, que, infelizmente, até agora, a realidade se encarregou de desmentir.

De nada serve criticar agora a falta de dinamismo, para usar um eufemismo, na contratação de vacinas, já que ninguém tem poder sobre o passado. Resta torcer para que possamos chegar ao fim deste ano com 100% da população vacinável imunizada. Poderíamos ter feito melhor? Sem dúvida.

Alexandru Solomon alex_sol@terra.com.br

São Paulo

*

QUALQUER COISA MENOS...

No dia do seu aniversário, o presidente Bolsonaro afirmou: “Faço qualquer coisa pelo meu povo”. Então está bem, presidente. Desde que não incluam, entre essa qualquer coisa, apoiar a vacinação contra a covid-19 e o distanciamento social; apoiar o combate às corrupções e as averiguações da polícia e da força-tarefa da Lava Jato sobre os corruptos, não importando a quem toquem essas averiguações; apoiar as tentativas liberais do ministro Paulo Guedes de conter e cortar privilégios e distribuição de benesses a grupos econômicos e a grupos específicos dentro do funcionalismo público; apoiar o corte de benesses adicionais às Forças Armadas em especial e a outros grupos de apoiadores; et cetera e tal. Ou seja, no dia do seu aniversário, o presidente faz uma bela declaração de que faz tudo pelo seu povo, só faltou nomear esse povo que, verdadeiramente, não é o mesmo que o elegeu.

Marcelo Gomes Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

*

ANTES MUITO TARDE QUE NUNCA

Um ano depois do início da pandemia transformar o País num completo caos, vem a público uma carta-manifesto assinada por 200 renomados economistas. Um ano depois? Houve manifestações anteriores, mas isoladas, sem força para mobilizar a sociedade ou mudar a atitude de um governo já completamente surtado. Informações precisas sobre o rumo da pandemia chegaram de todas as partes, o que permitia prever o que nos aguardava. Instalado o completo caos econômico e social pouco se falou sobre olhar o Brasil de baixo para cima visando a corrigir microerros que pelo menos minimizassem o drama e a consequente fome que se instalou. Ainda no governo Dilma, Afonso Celso Pastore afirmou que para corrigir os desatinos de Guido Mantega o Brasil precisaria de pelo menos 3 anos para acertar a macroeconomia, mais uns 20 anos para fazer a vida do cidadão comum voltar aos bons tempos do real. A pandemia acertou em cheio o povo e se grita aos quatro ventos "educação", o que sabemos faltar e que é o que nos fragiliza tanto. Ótimo que importantes economistas e lideranças estejam se manifestando, mas dada a reconhecida capacidade e os serviços prestados ao Brasil dos que o assinam, o manifesto diz basicamente o mesmo que já foi dito e repetido à exaustão, com propostas já propostas anteriormente que até aqui pouco resultaram. Espero que a esta altura do campeonato, com a exaustão de todos, sensibilize e traga alguma melhora. Como diria Garrincha, “os senhores combinaram tudo isto com os russos?”. De qualquer forma é bom lembrar o que Pastore disse no passado, 20 anos para corrigir, e lembrar que definitivamente a fome não espera.

Arturo Alcorta arturoalcorta@uol.com.br

São Paulo

*

SÓ DEUS ME TIRA DAQUI

Bolsonaro é Messias.

Messias é Deus

Vai renunciar?

Carlos Alberto Roxo roxo.7@gmail.com

São Paulo

*

VAI SER IMPOSSÍVEL       

O presidente norte-americano, Joe Biden, quer reatar os laços com o Brasil. Ora, como ele tem uma enorme quantidade de imunizantes que aguardam validação pela Anvisa americana e prestes a perder a validade, quer disponibilizar aos brasileiros a vacina, além de oferecer US$ 20 bilhões, com ajuda de outros países. Acontece que, em contrapartida, exige que  Jair Bolsonaro, Ernesto Araújo e Ricardo Salles promovam, realmente, a proteção da Amazônia Legal, do Pantanal e da vacinação em rebanho. Afinal, com esses negacionistas já reconhecidos internacionalmente, a proposta americana vai ser impossível de ser cumprida. Fora Bolsonaro, Araújo e Salles, pois o País não precisa de vocês!         

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

*

FERIADOS

O Brasil é o único país do mundo em que se discute a sério a antecipação de feriados, em vez de discutir o motivo pelo qual não houve a compra antecipada de vacinas.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@yol.com.br

Campinas

*

PERDEU-SE A HARMONIA

Desde o início do governo Bolsonaro, a Nação perdeu a harmonia. Em situação nunca vista, o Legislativo derruba vetos presidenciais em ações articuladas pelo próprio presidente, desarmonizando sua função essencial de independência. No Judiciário, a Suprema Corte é chamada para gerir conflitos de ações e atos provocados pelo presidente, e também para preencher as omissões do Legislativo. Nos Estados e municípios, reina a desarmonia, em razão da teimosia presidencial em não coordenar os esforços no combate ao mal pandêmico que nos assola, inclusive, ameaçando-os com ações e intervenção. Na população, uns tentam, silenciosamente, sobreviver ao desemprego e à paralisação de seus negócios. Outros saem às ruas contra o lockdown imposto. Todos incentivados à desconciliação e à espera de uma ajuda coordenada que não vem, por simples birra do atual presidente. Em síntese, 212 milhões de brasileiros estão desamparados, à espera de uma autêntica liderança nacional que os conduza de forma harmônica, pacífica e construtiva. Precisamos urgente de uma reforma constitucional que inviabilize a repetição de situações como a atual. 

Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

*

LARGAR O OSSO

A cada nome que a imprensa menciona como possível candidato à Presidência em 2022, imediatamente a trupe Bolsonaro reage com alguma crítica ou ofensa pessoal. Aconteceu com o Huck, com o Doria, com o Leite, com o Mandetta, com o Moro, com o Kalil, e outros tantos. Já virou uma obsessão. Vai ser difícil aceitar “largar o osso”.

Jorge de Jesus Longato financeiro@cestasdecompras.com.br

Mogi-Mirim

*

REI DA COCADA PRETA 

O governante brasileiro tem a mania de se achar, é o verdadeiro rei da cocada preta. Lula, “o cara”, certa vez, em tempo de crise mundial, disse que o dia que acordasse invocado ligaria para o então presidente do Estados Unidos George W. Bush e o mandaria parar de fazer marola, pois atrapalhava o fenomenal crescimento do seu governo e que poderia lhe ensinar como decolar. Já Bolsonaro diz que não vai colocar o “seu exército” para obrigar o povo a tomar vacina e que o lockdown proposto por governadores, em verdadeiro pânico com as morte, em ritmo de guerra, é para derrubar seu "exitoso governo".

Abel Pires​ Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

*

BRASIL E ALIADOS

Brasil e aliados

Enquanto os Estados Unidos, Reino Unido e Israel batem recordes diários de vacinação, o Brasil bate recordes diários de internação por covid-19.

Marcos Abrão m.abrao@terra.com.br

São Paulo

*

SAÚDE COMPLETA

O presidente Jair Bolsonaro parece-me que no momento está se achando muito confortável com o Ministério da Saúde, com o atual ministro (ainda não empossado) Marcelo Queiroga, médico, e o ex-ministro Pazuello (que não quer sair,. ¨expert¨ em logística.  Com os dois na função, em pleno vapor, ninguém reclama mais, e está tudo certo.  Certo?

Mercedes P. Cuencas Dias vcnautica@hotmail.com

São Paulo

*

FESTA DOS BOLSONAROS

Bolsonaro acaba de completar mais um ano de vida. Certamente, muito boa pelas quase cinco décadas à custa do erário público, onde não faltaram “bombas”, entre elas no Guandu, quando quis explodir o Rio; muitos “bolos” nos eleitores e farta distribuição do salário de assessores dele e dos filhos entre os preferidos (como se faz numa festa normal), no caso, eles mesmos. Só que para a maioria dos brasileiros, que vive as agruras da pandemia e a incerteza de quando será vacinada, o presidente deveria colocar 300 mil velas num bolo vermelho, tal qual o número de vítimas da covid-19 e da cor do sangue dos mortos por um genocídio que poderia ser minimizado se o destino do Brasil não fosse traçado como uma simples “festa”. Aliás, com muita aglomeração, sem uso de máscara, álcool em gel ou quaisquer outras ações de prevenção sanitária e tantos outros maus exemplos, vindos de uma mente doentia, perversa e irresponsável, que vêm caracterizando este momento de terror como o momento mais inesquecível do Brasil. 

João Di Renna  joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)

*

INSANIDADE 

Chegou a hora de internar o presidente desta infeliz República por esquizofrenia aguda. Legislativo e judiciário salvem o Brasil, não precisamos de alguém que insiste em resolver os problemas do Brasil com fanfarronices neste contexto de mortes em massa.

Filipo Pardini filipo@pardini.net

São Sebastião

*

Quem sabe uma junta de psiquiatras não pode ajudar o Brasil a afastar o presidente Bolsonaro? Até para leigos ele já deu mostras mais que suficientes de insanidade mental.  Deve haver alguma lei que impeça uma pessoa desequilibrada de governar o País, principalmente em tempos de pandemia, em que toda a população corre risco de vida.

Selma Beila Chvidchenko selmabeila@yahoo.com.br

*

O FUTURO NÃO IMPORTA

É estranho! O governo Bolsonaro e suas milícias conseguem provocar tantos desastres e tantas agressões a tudo e a todos diariamente que ninguém consegue pensar além de amanhã. Um exemplo é a educação de nossas crianças e jovens. Que futuro tem um país sem pessoas preparadas? Estamos em nosso terceiro ministro da Educação, ou terceiro e meio, e só recebemos notícias relativas a escola-em-casa e outras bobagens desse tipo. Nunca percebemos o interesse pela reabertura das escolas quando isso era possível, ninguém pensou em reformar os imóveis das escolas públicas que não têm banheiros e nem são servidas por rede de internet. A perda de milhões de jovens que já desistiram da escola e, em breve, terão sido incorporados ao crime organizado ou o atraso no aprendizado dos pequenos que vivem em favelas, nada disso interessa? Não só estão destruindo nosso presente, estão assassinando nosso futuro.

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

*

A PESTE NEGRA

No século 14, um terço da população humana foi dizimada pela peste negra, cuja duração se estendeu por praticamente quatro anos. Ainda hoje não foi extinta, sendo transmitida por pulgas de ratos, mas, identificada a tempo, sua cura se dá por meio de antibióticos e medidas sanitárias que evitem sua difusão.

Se a peste negra foi a pior pandemia que atacou a humanidade em todos os tempos, o novo  coronavírus deve ultrapassá-la em número de vítimas.

Se pudéssemos estabelecer um paralelo temporal,  a pandemia atual se estenderia até 2023, e o número de vítimas aumentaria progressivamente a cada nova cepa que surgir, antes de começar a regredir.

Nossa esperança para contê-la reside  no avanço da ciência e de sua supremacia sobre a ignorância e o negativismo difundidos especialmente entre nossos políticos. O alerta já foi dado. Sua observância implica o convencimento da sociedade de que a salvação consiste em aceitar e difundir as instruções dos cientistas categorizados e nada além disso para sobrevivermos e iniciarmos um novo ciclo na civilização da humanidade. 

Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com.br

 São Paulo

*

ÚNICO ISOLAMENTO VIÁVEL   

Após sérias conversas nos bastidores – Congresso, STF, STJ, etc.–, constatou-se que o isolamento social e o uso de máscara, a falta de imunizantes, bem como a sua compra para vacinação em massa, o vírus fora de controle, ainda são problemas que persistem no País. Agora, para resolver, de uma vez por todas, só o isolamento literal de Jair Bolsonaro trará alívio ao povo de bem. Na verdade o “isolamento de Bolsonaro” pode ser com o seu impedimento ou, até mesmo, deixando-o confinado com sua famiglia – e com a boca fechada. Afinal, essa solução emergencial para o Brasil não é difícil de ser colocada em prática, basta ser um verdadeiro brasileiro, não é mesmo?           

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

*

IMPARCIALIDADE

O Juiz Gilmar Mendes está sendo imparcial com o ex-Juiz Sérgio Moro?  Será que por falar tanto e por tanto tempo contra ele não deveria declarar-se suspeito para o julgar.

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

*

CIDADES DO CAOS

Eu gostaria de indagar à prefeitura do Rio de Janeiro, como de resto às prefeituras das cidades brasileiras, do porque de nossas ruas e avenidas serem sempre todas esburacadas, com piso de péssima qualidade, ruas e avenidas sempre cheias de remendos horrorosos, quando em outros países as vias são verdadeiros tapetes. Assim é na Rússia, na China, na Alemanha e nos Estados Unidos. Qual a razão de tudo que é feito neste país sempre ser feito com o maior desleixo possível e sempre com materiais de péssima qualidade para facilitar o superfaturamento e a roubalheira. O prefeito Eduardo Paes gastou um bilhão de reais ou mais para fazer uma bomba de ciclovia que matou pessoas e que está lá, jogada e abandonada, sendo corroída pelo tempo e pela maresia. A cidade do Rio, como a maioria das capitais brasileiras, não possui manutenção de nada, o tecido urbano da cidade está literalmente caindo aos pedaços, com tudo pichado, degradado e deteriorado. No Brasil, são uma vergonha e um absurdo o desleixo e o completo relaxamento com tudo, coisa típica de país subdesenvolvido, e a população, que tudo destrói e vandaliza, sem repressão alguma, em nada ajuda!

Paulo Roberto da Silva Alves pauloroberto.s.alves@hotmail.com

Rio de Janeiro

*

A ESPORA DO GENERAL             

Ontem fui caminhar e senti a espora do General. Todo inverno ele chega em Porto Alegre implacável, azul, gelado, úmido, mortífero.

Desde criança eu conheço este senhor mitológico, o General Inverno. Lembro com carinho das minhas roupas de lã, tive bons casacões na minha infância e, quando o General se instalava na cidade, era hora da rotina sazonal de baixar as roupas “quentes”, os cobertores, gorros, mantas, cachecóis. O céu de Porto Alegre torna-se roxo, um tom sério paira sobre a cidade.       

O General tem poucos amigos, talvez alguns que gostem de vinho ou conhaque, desfrutem o conforto de uma lareira, tenham em seus carros sistema de aquecimento e em suas casas bons chuveiros a gás ou os elétricos mais modernos. Mas é somente para esta parte da população privilegiada que o General Inverno é amigo. Para os menos favorecidos ele arreganha seus dentes, pisoteia com as patas de seu cavalo demoníaco, mata quem dorme no papelão.  

Parei de acompanhar o número de sem-tetos da cidade de Porto Alegre quando estava em 5 mil. É fácil calcular quantos seres humanos que moram ao léu, embaixo de marquises, ou em cabaninhas feitas de tapumes e sacos de lixo nas margens do arroio dilúvio, ou então dormem nas calçadas, tornando a cidade crua, malvada, perversa. Ver os moradores empurrando carrinhos, ou carregando sacolas de lixo em praticamente todas as ruas, virou o que não deveria ser, uma cena absolutamente comum. E eles temem, porque sabem que o General vem vindo.

Muitas pessoas vão morrer de hipotermia, vão tremer até a morte. Pessoas fracas, mal alimentadas, sem condições de higiene. Onde há um banheiro, uma lavanderia como as que o Papa Francisco instalou em Roma para estas pessoas? Onde há água fresca e limpa para estas pessoas beberem?  Se padecerem, irão ao hospital? SUS? Mas e os doentes de covid, não estão ocupando todos os leitos? Alguém da política gaúcha vem se preparando para auxiliar estes cidadãos nesta nova estação?

Era uma vez uma cidade chamada Gothan City, decadente, problemática, mas que tinha uma luz para apontar para o céu e mandar uma mensagem ao homem morcego chamado Batman, o milionário que combatia o crime e se importava com os outros.         

Era uma vez uma cidade chamada Porto Alegre, em que ninguém tem sinal algum para chamar ninguém. General Inverno vem chegando, com suas esporas geladas, na cidade das diferenças.

Sabrina Klein sabrinaklein453@gmail.com

Por Alegre

*



 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.