Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2021 | 03h00

Pandemia e desgoverno

Perplexidade

Irretocável, o editorial Da perplexidade ao desprezo (13/4, A3) faz correta análise da deplorável conduta de Jair Bolsonaro, dono de linguagem “chula”, que seus seguidores “se esforçam para qualificar” como “autêntica”, já que ele fala o que “pensa”. Será que pensa? De fato, ninguém mais fica perplexo com suas “grosserias” e “obscenidades”. Como indicam as pesquisas, o justo “desprezo” leva à sua derrocada na preferência do eleitorado. Um presidente sem respeito à vida dos brasileiros, que zomba da pandemia, já com mais de 360 mil mortos, incapaz de reconhecer seus erros, autoritário, que se diverte afrontando a Nação, é constrangedor. Sem limites para suas excrescências, de fato nenhum outro “presidente digno no cargo” faria o que fez Bolsonaro ao pressionar o senador Jorge Kajuru para ampliar as investigações da CPI da covid, incluindo governadores e prefeitos, além de incentivá-lo a trabalhar pelo impeachment de ministros do STF. Esquizofrenia pura...

PAULO PANOSSIAN PAULOPANOSSIAN@HOTMAIL.COM

SÃO CARLOS

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Instituições da República

O editorial Da perplexidade ao desprezo faz-me concluir que as afirmações de que as instituições estão funcionando são mero desejo ou conivência com o caos. No Legislativo, o absurdo Orçamento de 2021, aprovado fora de hora, é um crime contra o povo e as próprias instituições. Tal como a ausência de senadores nas sabatinas de candidatos aos mais altos cargos da República. Ainda agora um senador foi covardemente agredido pelo presidente da República e não houve uma nota de solidariedade. No Executivo, as ações de Bolsonaro e acólitos na pandemia falam por si. No Judiciário, os ministros Lewandowski e Gilmar Mendes votam como alfaiate, com decisões sob medida para atender a certos interesses, ou por ciúmes, como na suspeição de Sergio Moro. E o novato Kassio Nunes mostra-se vassalo de Bolsonaro. As instituições não estão funcionando. Estão “indo”... a favor de bandidos e corruptos.

ANTÓNIO CARLOS BRANCO ACBRANCO02@GMAIL.COM

SANTOS

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Diversionismo

Os governadores concordam que a intenção de incluí-los na CPI da pandemia é simplesmente para Bolsonaro ganhar tempo. Assim, melhor encerrar a CPI, pois aumentariam demais as denúncias, verdadeiras ou falsas. Cabe aos governadores cobrar dos senadores de seus Estados voto contra a manobra.

LAÉRCIO ZANNINI SPETTRO@UOL.COM.BR

GARÇA

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Quem não deve...

Se o presidente Bolsonaro fez tudo o que estava a seu alcance para combater a covid-19, por que esse pânico com a CPI?

LUIZ FRID FRIDLUIZ@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Sem planos e sem ação

Desde sua posse, o governo Bolsonaro tem se caracterizado por não fazer nada do que deveria e prometeu em campanha eleitoral. Em vez disso, procura culpar terceiros pelas suas falhas e omissões. Daí por que prefeitos, governadores e ministros do STF são por ele e seus seguidores xiitas responsabilizados. Tanto na pandemia, em que sua atuação se limitou a indicar cloroquina e ivermectina, não dando a mínima importância às mais de 360 mil mortes, como diante do descalabro que vive a saúde pública nacional. Aliás, também nas demais áreas de governo, como educação, habitação, segurança e desemprego, nada fez o capitão mexer um dedo na direção da solução dos problemas crônicos desses setores. Bolsonaro tem recursos para altos gastos com emendas parlamentares e tem tempo para tirar várias férias por ano, só não tem tempo para o trabalho árduo que seu cargo exige. Não consegue pensar em outra coisa que não seja culpar os outros por suas faltas, proteger os filhos das investigações e em sua campanha para a reeleição, em 2022.

RAFAEL MOIA FILHO RMOIAF@UOL.COM.BR

BAURU

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De coerência

Curioso: Bolsonaro e sua tropa de choque sempre negaram a necessidade do afastamento social. E agora sua milícia senatorial não quer a CPI da covid porque as sessões semipresenciais põem em risco de contaminação os seus membros e funcionários? Afinal, os senhores bolsonaristas estão com medo exatamente de quê?

FERNANDO PIRRÓ FPIRRO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Impeachment

A propósito dos pedidos de impeachment de Jair Bolsonaro, gostaria de perguntar ao ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal: se o presidente for impedido, ele também perderá seus direitos políticos, como determina o artigo 52 da Constituição, ou terá o mesmo tratamento dado a Dilma Rousseff?

LUCIANO NOGUEIRA MARMONTEL AUTOMATMG@GMAIL.COM

POUSO ALEGRE (MG)

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Nova guerra mundial

Após o término da 2.ª Guerra Mundial, 76 anos atrás, os países então vitoriosos deram início à fabricação do que havia de mais moderno e letal: bombas de hidrogênio, submarinos nucleares, aviões supersônicos, etc., tornando-se, assim, senhores da guerra e da humanidade. Mas eis que de repente surge, sorrateiramente, um inimigo comum a todos, mortal e invisível: a covid-19 e suas variantes, que vêm dizimando e apavorando o planeta. Inusitadamente, o Brasil, com apenas 2,7% da população mundial, soma 13,48 milhões de infectados e só recentemente foi ultrapassado pela Índia, com 13,52 milhões de infectados, numa população de 1,3 bilhão de pessoas. Números que nos levam a deduzir haver algo muito errado no nosso sistema de saúde. É urgentíssimo, portanto, jogar a toalha no chão dos cemitérios e emitir um SOS à ONU, a fim de estabelecer um plano emergencial para enfrentar com todos os meios e formas essa terrível pandemia, que a todos ameaça.

GARY BON-ALI GARYBONALI@GLOBO.COM

RIO DE JANEIRO

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

COVID-19

Você pode fazer o teste na SEGUNDA; estar exposto ao vírus na TERÇA; receber resultado negativo na QUARTA; reunir-se com amigos na QUINTA;

sentir algum mal-estar na SEXTA e pensar “estou negativo”; voltar a realizar o teste no SÁBADO; ter resultado positivo na SEGUNDA.

MORAL: Durante a semana, já deixou infectado o grupo de pessoas que você reuniu na QUINTA.

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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 COMPORTAMENTOS INACEITÁVEIS.

A quase totalidade dos brasileiros está de acordo em que inúmeros comportamentos de Jair Messias Bolsonaro, na verdade, não condizem com a postura de um presidente da República. A começar por inúmeras de suas palavras e frases, vemos que o presidente não faz questão de pensar nas consequências de suas manifestações, porquanto se julga sincero. Entretanto, o cidadão pode ser sincero sem ser grosso e deseducado, o que virá aperfeiçoar até suas manifestações. Mas Bolsonaro não para aí, porque insiste até em agredir e desafiar críticos ou desafetos, como está a ocorrer com o caso de um dos assinantes da medida judicial postulatória da CPI da Covid-19. Passando a limpo suas últimas atuações, inclusive com ofensas ao ministro Luís Roberto Barroso, do STF, sobre este ter determinado a instalação da CPI da Covid-19 pelo Senado da República, vê-se que o poder obscurece a visão do presidente, a ponto de torná-lo não crítico de si mesmo, além de não aceitar e combater críticas de terceiros. Então, imaginemos, como decorrência fática, se galgasse ele a condição de ditador do Brasil, com o apoio das Forças Armadas, que seria de nós todos brasileiros?


José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro


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VIDA E VÍRUS


Observando o governo e o vírus, concluímos: definitivamente a vida e o amor não são para amadores!

Francisco José Sidoti  fransidoti@gmail.com

São Paulo

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CADA POVO TEM O GOVERNO QUE MERECE

 “Elegeram Bolsonaro, agora aguentem!”  Colecionamos uma penca de políticos da pior qualidade. Elegemos um grande número de péssimos presidentes ao  longo de nossa triste história política. Um círculo vicioso contínuo: péssimos governantes mantêm o povo com péssima  instrução formal, educação sem qualidade e baixíssimo nível   cultural, resultando numa nação de ignorantes mal-educados.

 No topo das lideranças nacionais, uma elite econômica indiferente ao desenvolvimento educacional, por interesse em manter o povão sem instrução e conformado em ser burro de carga da oligarquia dominante, com mentalidade colonial. Romper este círculo de ferro é missão para as mentes esclarecidas da nação, inconformados com tanta injustiça, na terra em que se plantando tudo dá, em que educando tudo pode melhorar. Um povo cansado de ser explorado merece governos e governantes mais sábios, para o bem geral de toda a nação.  Esperanças que florescem a cada eleição não podem morrer sempre das mesmas escolhas erradas. 

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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IDIOTEN

Impressionado e chocado com as atitudes descabidas, despropositadas e absurdas do presidente Bolsonaro nos primeiros sete meses de seu desgoverno errático, negacionista e retrógrado, o jornal austríaco Die Presse estampou em 12/8/2019 a manchete Brasilien hat einen idioten gewahlt (O Brasil elegeu um idiota).Após mais de dois anos de desgoverno, sem que nada mudasse para melhor – ao contrário –,cabe perguntar: qual seria a manchete atual?

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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O BRASIL ESPERA

O Brasil espera que as instituições cumpram os seus deveres. O Brasil espera que o ex-presidente Lula seja finalmente julgado e receba uma sentença transitada em julgado, culpado ou inocente, isso tem que acontecer agora, já, imediatamente, o futuro do País depende do STF julgar Lula. O Brasil espera que sejam apuradas as responsabilidades pelo fato incontornável que o País foi o que teve o pior enfrentando da pandemia no planeta, o número de vítimas no Brasil é dez vezes maior do que deveria ser, o País tem cerca de 3% da população mundial e 30% dos mortos por covid-19. O presidente Bolsonaro agiu de maneira diametralmente oposta em relação às recomendações da Organização Mundial da Saúde no que diz respeito às medidas de enfrentamento da pandemia. Bolsonaro agiu contra a compra de vacinas e atrasou irremediavelmente a vacinação. Bolsonaro agiu contra o uso da máscara e é radicalmente contra as medidas de distanciamento social, o resultado é a explosão descontrolada da pandemia no País. O julgamento de Lula e o de Bolsonaro são fundamentais para o futuro da Nação. Já que ambos almejam disputar a eleição presidencial no ano que vem, o resultado desses julgamentos tem de ocorrer antes das eleições e nada indica que isso acontecerá. O Brasil espera que as instituições cumpram o seu dever.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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A JUSTIÇA NÃO COMBINA COM O ÓDIO

O ódio destrói a Justiça. O cidadão comum pode ser tomado pelo sentimento de ódio ante certas situações. A vítima de um crime violento, por exemplo, tem razões para nutrir ódio contra a pessoa do criminoso. Essa não é a atitude recomendada pela ética cristã, mas é compreensível. Coloque-se o leitor na situação de um pai, cuja filhinha pequena foi vítima de estupro. Que penalidade quererá para o estuprador? Se houvesse a pena de morte e se pedisse a pena de morte, sua explosão de revolta deveria ser compreendida. Muito diferente da reação do agredido diante do agressor é o  que se exige da Justiça à face de situações concretas.

A Justiça deve ser serena. A autoridade da toga não se assenta nos rompantes de autoritarismo, mas na imparcialidade das decisões e na retidão moral dos julgadores.

O magistrado deve ser tão impolutamente equilibrado, equânime, que até o vencido deve respeitá-lo, embora recorra do julgamento desfavorável.

Como disse com muita precisão Georges Duhamel, a verdadeira serenidade não é a ausência de paixão, mas a paixão contida, o ímpeto domado. Ou na lição de Epicuro: “ A serenidade espiritual é o fruto máximo da Justiça".

Em determinados momentos, seja pela gravidade dos crimes em pauta, seja pelo alarido em torno dos crimes, a opinião pública pode tender à aplicação da pena de talião.

Cederá o juiz à pressão do vozerio? Respondo peremptoriamente que não.

Que garantia tem um povo de viver em segurança, de desfrutar do Estado de Direito Democrático, se os juízes se dobrarem, seja ao poder das baionetas, seja ao pedido dos influentes, seja às moedas de Judas, seja a um coro de vozes estridentes, seja ao grito das ruas?

Um povo só terá tranquilidade e paz se dispuser de uma Justiça que fique acima das paixões, firme, inabalável, imperturbável, equidistante de influências espúrias, uma Justiça sem ódio. O ódio conspurca a Justiça.

João Baptista Herkenhoff (juiz de Direito aposentado)

jbpherkenhoff@gmail.com


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BICHO-PAPÃO


Realmente não sabemos se o anacrônico presidente Bolsonaro, que se justifica  e se escuda por detrás de uma alegada suposta ameaça onipresente de um comunismo tipo bicho-papão de criancinhas, acredita no que fala ou apenas acredita que muitos acreditarão nas bobagens que rumina incansavelmente. Poderia inventar ameaças de discos voadores e alienígenas e tentar reagrupar as patotas dos seus meninos que carregam pedras nas mãos para atacar a turma da outra rua, mas prefere criar supostas ameaças comunistas e de usurpadores do poder para poder ele mesmo tentar fazer isso, e muitos vão na sua onda, imaginando estarem a serviço da pátria. Mas quem não preza devidamente a vida do seu semelhante, nem a respeita na medida necessária, jamais é bom exemplo a ser seguido, porém ao revés, é péssima companhia para os descuidados que não percebem a raposa na porta do galinheiro.


Marcelo Gomes Jorge Feres marco.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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CPI

Quer dizer que agora que se pode investigar as responsabilidades da tragédia da pandemia, por uma CPI, o presidente Bolsonaro, através de seu líder no Senado, Fernando Bezerra, afirma o perigo da contaminação no plenário do Senado e ainda não aceita reuniões online. Pelo menos, ao usar a palavra, ficou ruborizado.


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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 TEMPO PRECIOSO


Num país continental com vários óbices regionais  e uma imensa gama de questões a serem resolvidas , como as reformas  orçamentária , Tributária, trabalhista, previdenciária , política e econômica, o Brasil vai parar por causa da CPI da Pandemia. Esquerda e direita, vamos dar uma trégua inteligente, pois a nação precisa criar um clima de desenvolvimento favorável para o seu crescimento. Para isso investimentos devem ser feitos, além de estimular a oferta de empregos para os jovens.


Luiz Felipe Schittini fschittini@gmail.com

Rio de Janeiro


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OUTONO...TEMPO QUENTE


O barulho agora é  das CPIS da Covid-19, deixando em segundo plano o caso das rachadinhas da família  e também  os milhões gastos em suas imerecidas férias.  Sempre envolvido em polêmicas e problemas, o presidente torna-se cada vez mais um  estadista de uma República das Bananas. 


Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo


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LIDERANÇAS INADEQUADAS


Efetivamente estamos vivendo um dos piores momentos de nossa História, não só por causa dessa pandemia global virótica que nos atinge em cheio, mas também pela forma como parte de nossas lideranças no poder enfrenta essa patologia, que nos faz alvo de grandes restrições globais pela forma inadequada com que estamos enfrentando tal situação complicada que estamos vivenciando.


José de Anchieta Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro


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UM MANDA OUTRO OBEDECE DEU CRIA

Um manda: Bolsonaro mais 01-02-03-04 e Michelle.

Outros obedecem: Queiroga, Paulo Guedes, Lira(o mais rebelde),Rodrigo Pacheco, Milton Ribeiro ,Nunes Marques, Augusto Aras, André Mendonça, Ricardo Salles, Mario Frias , Damares,  João Roma, Marcos Pontes, Fabio Farias, Kajuru, Walter Braga Netto, Rogério Marinho, Tarcísio de Freitas, Bento Albuquerque, Gilson Machado, Ônix Lorenzoni , Luiz Eduardo Ramos, Augusto Heleno, Forças Armadas!

“Todos vão morrer um dia.”

Cecilia Centurion ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo

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PSEUDOCRISTÃOS


O desmatamento põe em contato homens e animais, destituídos de seu habitat, favorecendo a disseminação de vírus mortais e novas pandemias. Pois o governo Bolsonaro ameaça a sobrevivência da humanidade, no presente, pela vilania negacionista que fez do Brasil uma arma biológica, e, também, no futuro, por favorecer o desmatamento. Bolsonaro e seu séquito de evangélicos fundamentalistas – que ironia! – são os artífices do apocalipse bíblico. Cristo é a vida, mas esses pseudocristãos são a morte.


Túllio Marco Soares Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte


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PRECONCEITO ETÁRIO

As empresas se orgulham por ter 60, 80, 100 ou mais anos de existência. Usam esse fato como portadores de experiência, conhecimento, credibilidade, etc.

Mas é um paradoxo que tenham preconceito ao contratar profissionais com mais de 50 anos.

E se os consumidores passassem a dizer que essas empresas são velhas e comprassem ou usassem produtos de empresas mais novas?

André Coutinho arcouti@uol.com.br

Campinas

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ONDE ERRAMOS

Adoro esses textos sobre educação de crianças, ainda mais vindos de um Karnal. Por isso, gostaria de dar minha contribuição com o livreto Como criei filhos fortes e felizes, em e-book na Amazon; não se trata de um manual, mas da maneira lúdica como o fiz.

Albino Bonomi acbonomi@yahoo.com.br

 Ribeirão Preto

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31,10% DE REAJUSTE NO ALUGUEL?

Boa notícia vem da Câmara dos deputados!  Como publica o Estadão (14/4), em boa hora, a Câmara definiu regime de urgência para votar e aprovar como índice de reajuste dos aluguéis comercial ou residencial o IPCA, em substituição ao IGP-M, que em 12 meses acumula alta absurda de 31,10%.   Ora, se um locatário de um imóvel tiver um reajuste no seu aluguel de 31,10%, não há orçamento que se sustente. Mesmo porque o IPCA, que hoje acumula também altíssimo nível de inflação de 6,2%, já vem penalizando e corroendo o orçamento familiar.   Alimentos acumulam em 12 meses alta de 13,87% e os combustíveis, 23,26%, etc. E não há salário de trabalhador que aguente reajuste de aluguel de 31,10%. É hora para pressionar o Congresso... 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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LIÇÕES DO BRASIL PARA O MUNDO

O Plano Real foi aplicado no Brasil para conter a hiperinflação. Seu grande mérito foi diagnosticar corretamente as causas do problema e enfrentá-las. Na época, a inflação corroía tudo, não só as atividades econômicas, mas também a situação fiscal do País. E gerava absoluta falta de confiança por parte de investidores e instituições financeiras. Uma nova moeda, administrada de forma criteriosa e reavaliação de absolutamente tudo levando em conta a desvalorização prevista para cada item em decorrência dos efeitos esperados em decorrência da inflação. Desta forma, a loucura cedeu seu lugar à racionalidade, restabelecendo as condições para as coisas continuarem operando. A quantidade de dinheiro em circulação no mundo dobrou nos últimos dois anos, enquanto as economias estagnaram. Isto é um prato cheio para a inflação. Deste modo, a atual valorização do mercado acionário não reflete um melhor desempenho das empresas, mas sim uma potencial depreciação do poder de compra das moedas. E a racionalidade fiscal de várias nações desenvolvidas simplesmente evaporou. Qual a solução? Enxergar as causas e enfrentá-las. Substituir as principais moedas por bitcoins ou semelhantes emitidas pela comunidade das nações e lastreadas em suas economias. E as mesmas não poderão ser emitidas ao bel-prazer por absolutamente ninguém. E que todos os itens sejam convertidos para a nova moeda incorporando os prejuízos projetados em decorrência dos descalabros monetário e fiscal. Ou então deixar a coisa rolar até que a realidade se imponha à fantasia, doa a quem doer. Enquanto isso, ficar assistindo ao circo pegar fogo.


Jorge Alberto Nurkin Jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo


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SEGUNDO TURNO NO PERU

A eleição no Peru mostra os dilemas da eleição em dois turnos para presidente da República, quando não há a construção de uma terceira via do centro político democrático. Os dois candidatos que vão ao segundo turno tiveram cerca de um terço dos votos. Portanto, dois terços dos eleitores não estarão representados na nova votação, o que pode estimular o voto nulo e em branco. Além disso, haverá a polarização entre, de um lado, um candidato da extrema esquerda que quer fechar o Tribunal Constitucional se chegar ao poder, assim como manifestou-se abertamente contra o aborto, o casamento homossexual, a eutanásia e a ideologia de gênero, e, do outro lado, a herdeira do fujimorismo que tenta libertar o próprio pai da cadeia. Para piorar a situação, o Congresso unicameral com 130 cadeiras terá cerca de 10 partidos representados, provocando uma enorme fragmentação partidária mesmo havendo uma cláusula de barreira de 5%, o que dificultará enormemente a governabilidade no próximo quinquênio presidencial.


Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas


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O "NEW" NEW DEAL

O  plano de infraestrutura  de US$ 2 trilhões, uma espécie de New Deal do século 21, apresentado pelo presidente Joe Biden e saudado como a  alvorada da revitalização da economia americana, já suscita alguns questionamentos a respeito da adequabilidade das medidas que, aparentemente, em muitos dos seus preceitos, deixou de levar em consideração as novas realidades mundiais, bem diferentes das que inspiraram o pacote do presidente Franklin Roosevelt, fortemente impulsionado pela era pós-quebra da Bolsa de Valores de Nova York, com todas as suas funestas consequências, e pela eclosão de uma guerra global. Há hoje desafios que, naquela época, inexistiam ou eram pouco percebidos, como, por exemplo, as mudanças climáticas que, embora consideradas no atual  projeto, ganharam foco menor que o prometido em campanha e, portanto, aquém do ambicionado pelos gladiadores mais radicais do partido do presidente. Além disso, há que se levar em conta fatos novos, como o papel impossível de ser ignorado da China, cada vez mais poderosa tanto no aspecto econômico como no militar, a superglobalização e os novos perfis de emprego, com a extinção de muitos e a criação de outros inimagináveis há poucas décadas. Pouco claras também são as estratégias a serem utilizadas para redimensionar o papel do neoliberalismo, cuja parceria é essencial para a execução do plano que pretende ampliar a ação governamental na Economia. Que a grande estratégia ora traçada seja conduzida de maneira competente de modo a gerar consequências benéficas para todo o contexto mundial.

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

 

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