Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal o Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2021 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Casa da mãe Joana

Finalmente deu certo a estratégia de Jair Bolsonaro de anestesiar a população com descalabros diários e de crescente agressividade. Ante declaração do presidente de que pode agir fora da Constituição, portanto, de modo ilegal e cometendo gravíssimo crime de responsabilidade, com a cumplicidade de seus 22 ministros, qual a reação? Nenhuma! Partidos, entidades de classe, sindicatos, igrejas, organizações da sociedade civil, todos catatônicos diante destas palavras: “Nós não tomaremos nenhuma medida que ultrapasse as quatro linhas da Constituição. Mas pode ter certeza: se porventura tomarmos, todos os 22 ministros estarão perfeitamente alinhados conosco”. Diante dessa atrocidade, nós, apatetados e emasculados, nada fazemos. Pior ainda, milhões de imbecis batem palmas para ele! Não temos mesmo solução, quem puder que vá embora, para um país minimamente digno, isto aqui virou casa da mãe Joana, não dá para constituir família, criar os filhos, realizar projetos de vida de modo minimamente decente e ético neste monturo em que nos transformamos.

FLAVIO CALICHMAN IBRACAL@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Há reação, sim

O Estado tocou num ponto sensível em editorial sobre as manifestações de sábado pelo Brasil. Acho que mesmo os mais respeitadores do isolamento social como forma de conter a covid não aguentaram ver o “PR” sair às ruas com seus seguidores, sem máscaras, com o gordinho amigo que envergonha a farda. E saíram para protestar. Medo do vírus, sim, mas mais medo de para onde esse desgoverno bolsonarista pode levar o nosso povo. Não se trata de esquerda ou direita, mas de fazer sobreviver a democracia, tão duramente conquistada. Não se trata de petistas, comunistas, radicais ou outras correntes de pensamento, e, sim, de respeito aos direitos fundamentais, especialmente, hoje, o direito de viver. O direito de ter à disposição as vacinas que salvam, e não a negação estúpida e um “tratamento precoce” que não funciona.

JORGE AUGUSTO MORAIS DA SILVA JOTAUGUSTOADV@ICLOUD.COM

RIBEIRÃO PRETO

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A quem serve a PM-PE?

Com todo respeito à Polícia Militar do Recife, digo que fiquei estarrecido com as cenas de barbárie contra indefesos manifestantes que no sábado passado, ordeira e democraticamente, criticavam esse desgoverno, desumano e perverso, do presidente Jair Bolsonaro. Sem motivo algum, PMs atingiram pessoas com balas de borracha, até cegando dois dignos trabalhadores brasileiros. É de questionar: a quem serve essa minoria da PM do Recife? São idólatras do incendiário Bolsonaro, um pseudopresidente, que, infelizmente, mais age para incentivar a anarquia no Brasil? Muito triste, mas é o que parece.

PAULO PANOSSIAN PAULOPANOSSIAN@HOTMAIL.COM

SÃO CARLOS

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Novo cargo de Pazuello

Assuntos Estratégicos é o posto certo nesse governo para quem de estratégia nada entende.

ROBERT HALLER

SÃO PAULO

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Ignorância ou má-fé

O presidente da República, distorcendo os princípios basilares do Direito, afirmou, no seu constrangido discurso de quarta à noite na TV, que vai preservar a qualquer custo o maior direito dos cidadãos brasileiros, o de ir e vir. Na colidência de direitos, o fundamental, inquestionavelmente, é o direito à vida, que preserva o conjunto da sociedade. Se, momentaneamente, as autoridades estaduais e municipais competentes restringem, fundamentada e legalmente, algumas atividades, elas o fazem para salvar vidas. A meu ver, má-fé incontestável!

MÁRIO LEME MJTLEME@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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O maior problema

Com um ano de atraso, Bolsonaro finalmente foi à televisão lamentar a morte de perto de 500 mil brasileiros vítimas da covid. Sem nenhum pudor, disse que o Brasil tem dois problemas, o vírus e o desemprego. Faltou citar e lamentar outro grave problema do País, o maior de todos, que aflige a população: o próprio Bolsonaro.

VICENTE LIMONGI NETTO LIMONGINETTO@HOTMAIL.COM

BRASÍLIA

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Copa América

Para não variar, Bolsonaro está marcando gol contra o Brasil. A hora é de vacinação e contenção, não de prazer e diversão. Sua conta não fecha.

ALICE ARRUDA CÂMARA DE PAULA  ALICEARRUDA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Pandemia

Luana Araújo na CPI

Obrigada, dra. Luana! Há vida inteligente no Brasil, o gênero feminino sente-se representado.

CECILIA CENTURION CECILIACENTURION.G@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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CFM

O Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu moção de repúdio sobre a CPI da Covid, falando em nome de todos os médicos brasileiros, sem consultá-los ou deles ter procuração. O CFM não me representa!

MIGUEL ROBERTO JORGE MIGUELRJORGE@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Rio de tragédias

Mais um desabamento

Há dois anos desabou um prédio na Muzema e, agora, outro em Rio das Pedras, no Rio de Janeiro. A cidade vive sob o signo desse tipo de tragédia, lembremos a queda do edifício Palace 2 e o colapso de três prédios localizados atrás do Teatro Municipal. Nenhuma cidade do País acumula a queda de tantos edifícios em pouco mais de duas décadas. Não adianta existirem órgãos como o Conselho Regional de Engenharia, o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil e até mesmo a prefeitura se não há fiscalização adequada, tanto durante a construção como a reforma das edificações, por pressões políticas e econômicas de grupos que controlam a região ou burlam as normas de segurança da engenharia.

LUIZ ROBERTO DA COSTA JR. LRCOSTAJR@UOL.COM.BR

CAMPINAS

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

CABULOU MAIS UMA AULA     

estadista Jair Bolsonaro cabulou mais uma aula do seu curso primário. Encheu os pulmões e disse “eu sou infectável”. Dessa vez não disse que era “imorrível, imbroxável e incomível”. Na verdade, todos os humanos são infectáveis e, talvez, Bolsonaro tentasse dizer “eu não sou infectável”. Afinal, quem quer evidenciar seus adjetivos, certamente, deve estar preocupado para não ser chamado de “maricas e chororô”, não é mesmo?  Presidente, chega de gafe!     

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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DESEJO ÍNTIMO DE BOLSONARO.


Expulso por indisciplina do Exército, Bolsonaro abriga constantemente o desejo íntimo de tentar subverter a ordem e a disciplina nas Forças Armadas, demonstrando seu intento com sua conduta no caso do general intendente Eduardo Pazuello. Fê-lo submeter-se aos seus desígnios no Ministério da Saúde, além de tê-lo como companhia em trio elétrico, em manifestação política no Rio de Janeiro. Compartilhou, então, com a indisciplina do general, sabedor de sua proibição em participar, como militar da ativa, de manifestações políticas. Em vias de ser punido, Bolsonaro nomeou-o para integrar a Secretaria de Estudos Estratégicos da Presidência da República, onde pouco fará com sua pouca competência. Assim, blindou o general, dilatando a sua punição por parte do Comandante do Exército, que já submeteu o caso ao Alto Comando da Força. Se a sua punição não ocorrer ou se ocorrer de forma diminuída, a ordem e a disciplina não estarão comprometidas no âmbito do Exército?


José Carlos de Carvalho Carneiro carneiro.jcc@uol.com.br

Rio claro


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O INIMIGO DENTRO DE CASA

O presidente Bolsonaro proferiu novas críticas desabonando o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), poucos dias depois, mineradores ilegais realizaram ataques armados contra o ICMBio. Jair Bolsonaro é diretamente responsável pelo agravamento brutal do desmatamento e das queimadas que estão destruindo a Amazônia e o Pantanal. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi escolhido a dedo por Bolsonaro para comandar a destruição dos biomas brasileiros. Sem perder tempo com as leis, o ministro Salles promoveu o desmonte dos órgãos de defesa do meio ambiente, como Ibama, ICMBio, Inpe. As temidas multas ambientais não existem mais, os criminosos da floresta não têm mais medo de ter seus equipamentos de destruição ambiental apreendidos, não têm mais que respeitar áreas de proteção ambiental, terras indígenas, parques nacionais, vale tudo para os desmatadores e garimpeiros ilegais. Bolsonaro, do alto de sua ignorância, acha que transformar a Amazônia em pasto é um ótimo negócio para o País. Ricardo Salles se associou aos criminosos madeireiros, montou escritório para despachar a favor deles na Amazônia, passou a boiada sem mudar as leis. As mudanças que permitiram a maior destruição ambiental da história foram feitas usando o expediente de emitir um parecer e dar uma canetada. Depois de quase dois anos de destruição sem precedentes e ininterrupta, parece que finalmente o STF vai dar um basta à trajetória de Ricardo Salles, o próximo que tem de ser parado é o chefe dele, o presidente Bolsonaro.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

 


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SEM DESCULPAS À NAÇÃO


Em seu pronunciamento oficial em cadeia nacional de televisão, o presidente Bolsonaro não pediu desculpas à nação brasileira pelas centenas de milhares de mortes advindas por conta de seus atos negligentes no início da pandemia de covid-19, mas, ao revés, atuou com a seriedade própria de um verdadeiro profissional da política, bem treinado e devidamente insensível com a própria desfaçatez. Parabéns, presidente! Os que verdadeiramente ainda se envergonham te saúdam como o contraponto do que é saudável e autêntico! E contam, ansiosamente, o tempo que ainda falta para se livrarem de sua presença jocosa, desagradável e perniciosa!


Marcelo Gomes Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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NADA A COMEMORAR


Em pronunciamento em rede, o presidente Bolsonaro comemorou vários supostos feitos de seu governo. Curiosamente, em todos os citados trabalhou inegavelmente contra, com exceção da infeliz aceitação para sediar a Copa América, rejeitada por Colômbia e Argentina, em muito melhores condições epidemiológicas que o Brasil. Resumindo: nada a comemorar, muito a lamentar.


Abel Pires​ Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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PRONUNCIAMENTO DE JAIR BOLSONARO


No pronunciamento feito em cadeia nacional na noite da última quarta-feira (2/6), tendo como “trilha sonora” o ruidoso panelaço generalizado em todo o País, o negacionista e genocida presidente Bolsonaro disse que “o nosso governo não obrigou ninguém a ficar em casa, não fechou o comércio, nem igrejas ou escolas”. A esse respeito cabe dizer que é justamente por essa condenável, inadmissível e irresponsável postura omissa e negligente que o País enterrou até agora perto de meio milhão (!) de pessoas vítimas da tenebrosa pandemia. Por oportuno, cabe lembrar que, assim como o Plano Real, de 1994, foi a vacina imunizante contra o dragão inflacionário, a postura responsável e diligente do governo paulista de João Doria, em parceria com a Sinovac e o Instituto Butantan, investiu na produção da Coronavac, que está sendo a vacina imunizante de cerca de 90% (!) da população brasileira já vacinada contra a covid-19. Enquanto São Paulo dá o bom exemplo, salvando vidas, o governo federal não cansa de fazer o contrário, provocando mortes. Pobre Brasil.


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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REDE NACIONAL OBRIGATÓRIA


Anunciando a “Cova América”, o pronunciamento resumiu-se ao costumeiro blá-blá-blá autolouvatório. A notar, só mesmo o acompanhamento sinfônico-panelístico da leitura trôpega.

Ademir Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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ERRO DUPLO

Novas manifestações contra o governo Bolsonaro estão marcadas para o dia 19, incentivadas  principalmente pelas centrais sindicais e movimentos sociais. Os organizadores esperam  apoio de, pelo menos, 500 cidades. Em plena pandemia e com uma terceira onda previsível, reunir milhares de pessoas, mesmo contra Bolsonaro é de uma idiotice total.


José Alcides Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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CPI DA COVID


Não apenas na sessão do depoimento da Dra. Nise Yamaguchi as demonstrações de antirrepublicanismo e incivilidade pontuaram vários momentos da CPI, notadamente entre os senadores que presidem a comissão. Decepcionante, preocupante, constrangedor. Senadores da República têm a obrigação de cumprir regras fundamentais do processo de julgamento, guardar para si  certezas antecipadas, em vez de exibi-las a todo momento, jogando para a plateia. Por mais acertado que venha a ser o resultado da CPI, a lisura do processo está em questão, aliás, como tem sido a tônica em julgamentos políticos ocorridos neste país (desde Tiradentes). Além de gerar insegurança quanto a condições de maturidade e equilíbrio existentes entre os eleitos para a elevada tarefa de definir os rumos da nação.

Patricia Porto da Silva portodasilva@terra.com.br

Rio de Janeiro

 

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NO ÂMAGO DA CPI


A quem minimamente acompanha a CPI fica claro que: (a) São Paulo não possui senadores à altura de representá-lo como a mais expressiva unidade da Federação, seja por sua Economia, seja pela expressão social e populacional que possui. (b) O Podemos, partido dos senadores Álvaro Dias, Oriovisto Guimarães, Flávio Arns, e outros, compõe vivamente a base do governo na defesa da cloroquina como tratamento precoce, descartado há mais de um ano pelas principais agências reguladoras em saúde pública do mundo, além da OMS. (c) No mesmo sentido age o DEM, de ACM Neto e Rodrigo Pacheco, representados na Comissão pelo beligerante defensor do clã Bolsonaro – senador Marcos Rogério da Silva Brito.  (d) O PSDB, outrora poderoso, agora somente marca ponto como um partido nanico qualquer. (e) Já o PP de Ciro Gomes, alinhadíssimo com o lulobolsonarismo, apresenta notável mistério que é o calhamaço de papéis ensebados e descorados que o senador Luis Carlos Heinze carrega de um lado para outro e que cita em toda e qualquer audiência ao questionar autoridades médicas e científicas ali depoentes. Ele alude de forma contumaz ao pesquisador francês Didier Raoult, já confesso autor de estudo fajuto sobre o uso da cloroquina no tratamento da covid. Tal estudo recebeu o “Prêmio Rusty Razor” (navalha enferrujada) pela revista britânica The Skeptic, conhecida por denunciar e satirizar pseudopesquisadores, enganadores da fé pública, sábios, filósofos e gurus proféticos de teorias de conspiração, além de outras questões da pseudociência nas redes sociais. 


Oswaldo Colombo Filho colomboconsult@gmail.com

São Paulo

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DEPOIMENTO DEVASTADOR

O depoimento da médica infectologista e cientista Luana Araújo na CPI da Covid-19 foi brilhante ao demonstrar que o único método para derrotar a pandemia consiste nas medidas preventivas não farmacológicas (isolamento social, uso de máscaras e rigor higiênico) e as vacinas. Não há medicamentos preventivos, como a cloroquina. Luana Araújo ao contrapôs-se de pronto aos argumentos preparados pelos defensores do governo. O mundo tem mais de 200 países, tornando-se irrelevante, portanto, o argumento do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) no sentido de que 22 países optaram pelo uso do fármaco;  e ao lembrar que o médico francês Didier Raoult recebeu o prêmio chamado Rusty Razor, sátira aos que promovem desinformação no meio científico. Um banho de cultura de quem foi rejeitada pelo governo para contribuir no combate à virose implacável que tanto nos infelicita.

Amadeu Roberto Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

REVACINAÇÃO


É sem dúvida muito bem-vinda a intenção do governador João Doria de vacinar toda a população do Estado de São Paulo até 31 de outubro. Mas há uma questão fundamental que precisa ser encaminhada desde já: o que será feito com os idosos maiores de 80 anos que receberam a Coronavac e não desenvolveram imunidade eficaz? Segundo estudos recentes são 72% que fazem parte deste contingente – o que não é pouca coisa – o que implicará a necessidade de revacinar toda esta população, já que será difícil, na prática, saber quem está ou não imunizado. Não é de muito bom-tom deixar essa questão para depois. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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O PAÍS DOS GENOCIDAS?


Fui surpreendido, mas talvez não devesse. Três pessoas morreram em Santo André (SP) por falta de oxigênio nessa última terça-feira. Santo André não é como Manaus, longe de tudo e literalmente isolada por terra, não há necessidade de algumas semanas para que as autoridades sanitárias possam regularizar um problema como esse. Santo André é logo ali. Qualquer meia hora leva um carregamento de oxigênio do centro da capital até Santo André. Mas não. Se incompetência é traduzida como comportamento genocida, então o governador Doria se junta ao seu colega do Planalto Central, acusado de genocida pelo mesmo Doria. Procura-se um estadista.


Oscar Thompson oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba


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VACINAÇÃO


Na edição de ontem, o caderno Metrópole noticia que foram vacinados 47 milhões de brasileiros e na análise feita por Renato Kfouri este menciona que a cifra corresponde a 21% da população. Considerando que as vacinas hoje utilizadas estão aprovadas apenas para maiores de 18 anos e que essa população no Brasil seria em torno de 160 milhões de pessoas, então a proporção da população vacinada passa a 29,8%. 

José Renato Nascimento jrnasc@gmail.com

São Paulo

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ROBERTO MACEDO


Um comentário ao artigo STF excluiu consumidor da restituição de PIS – Cofins (Estadão, A2, 3/6), do insigne mestre Roberto Macedo. Peço a devida vênia ao autor, e igualmente ao não menos ilustre professor Eliseu Martins (com quem tive a imensa honra de manter contato profissional suficiente para classifica-lo como dos maiores especialistas conhecidos em sua área de atuação), citado no artigo, para questionar a posição de ambos sobre o assunto em pauta.

A matéria é um dos múltiplos ranços de nossa estrutura tributária que atua sobre toda a economia brasileira como um colossal fluido pegajoso que obstruiu toda a engrenagem de nosso sistema e quase que imobiliza toda a capacidade de desenvolvimento que seria desejável para nosso sofrido País.

Nada contra toda nossa classe jurídica, porém essa imensa selva tributária a que o País é submetido só interessa, efetivamente, a essa classe de profissionais.

Visto o assunto apenas da perspectiva matemática que o caracteriza trata-se de uma discussão absurda e impossível de qualquer solução justa a ser aplicada.

Não vamos discutir a justiça envolvida na legislação sobre a impropriedade de incidência de imposto sobre outro imposto que, em princípio, seria filosoficamente perfeitamente aceitável.

O fato é que, ao ser definida a base de cálculo do PIS e Cofins, os legisladores não atentaram para a impropriedade jurídica.

Tivesse sido percebida, desde a origem, essa impropriedade, esses impostos teriam sido definidos com sua base de cálculo apropriada.

Por outro lado, fosse definida corretamente a base de cálculo, desde a origem, certamente a alíquota desses tributos seria maior do que a estabelecida, seja de imediato, seja ao longo de sua vigência.

Não seria razoável o governo abrir mão do volume de arrecadação pretendido, razão primeira da instituição desses tributos.

Por esse prisma, abstraindo-se da justiça ou não dos tributos, nem o governo cobrou a mais do que pretendia nem o contribuinte pagou a mais do que seria “justo”.

Na minha visão, a ideia seria, simplesmente, corrigir a base de cálculo, sem implicações de devolução de valores “impropriamente” arrecadados.

Com a devolução desses valores haverá mais um rombo em nossas finanças públicas, a que o governo compensará com próximos aumentos de tributos para “fechar a conta” de nossa administração orçamentária.

Ao fim e ao cabo, globalmente ninguém sairá ganhando ou perdendo nessa pretensa “devolução” de valores.

Trata-se, apenas, de decidir vantagens imediatas para setores ou pessoas, como prêmios inesperados.

Pela visão das ciências exatas convenhamos que a base de cálculo única para os impostos acaba sendo uma simplificação desejável para quem transita no assunto, não causando, efetivamente, nenhum “prejuízo ou ganho” impróprio para quaisquer das partes, ressalvadas as visões de nosso “juridiquês”.

Obrigado pela atenção.

Reafirmo meu respeito aos ilustres professores mencionados.

Saudações.


Felippe Tajtelbaum felipe@tajtelbaum.com.br

São Paulo


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RECURSOS PARA ASSISTÊNCIA SOCIAL


O Legislativo e o Executivo estão atualmente procurando uma solução dentro dos limites do Orçamento para o provimento de recursos visando a manter o auxílio emergencial por mais alguns meses e eventualmente reforçar a longo prazo o Bolsa Família, quando a solução está com o Judiciário.

Em recente julgamento sobre a incidência em cascata do PIS-Cofins sobre o ICMS, o STF julgou improcedente essa cobrança, mas pelo fato de a ação de inconstitucionalidade ter sido promovida por empresa contribuinte, o benefício do julgamento, isto é, a devolução do excedente pago, que repercute para todas as empresas contribuintes desses tributos, reverte para elas.


Todavia, empresas contribuintes de qualquer tributo são meras repassadoras desses encargos para os consumidores de seus produtos e serviços, e quem realmente sofreu o ônus desses encargos foi o consumidor final que deveria ser o beneficiário dessa devolução.

A  diferença anual entre incidência com e sem ICMS gira em torno de R$ 50 bilhões anuais, sendo de 15% sobre uma carga média de 4,4% do PIB. A obrigação de devolução pelo governo federal aos “contribuintes”  para um período retroativo de 5 anos corresponde em valores atuais a R$ 250 bilhões.  

Está aí uma fonte de recursos que o governo federal, obrigado a desembolsar para empresas contribuintes,  poderia alocar esse valor nos próximos 5 anos para fins de assistência social, ao redefinir o verdadeiro beneficiário dessa devolução, dependendo essa redefinição de ato legislativo e do STF. 

Com a palavra o STF.


Elie R. Levy elierlevy@gamil.com


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RESGATE DE DINHEIRO ESQUECIDO

Leio no Estadão que o Banco Central prepara um sistema para que as pessoas consultem valores eventualmente deixados sem resgate nos bancos ao longo dos anos. No total poderiam atingir até R$ 8 bilhões, o que seria benéfico para a economia se movimentados. Eu me pergunto por que os antigos detentores de cadernetas de poupança durante os planos econômicos de 25 anos atrás não puderam ainda resgatar as correções a que têm direito, já que o acordo espúrio celebrado no Supremo Tribunal Federal lhes prejudica e atribui cerca de 80% ou 90% do valor aos bancos. Por acaso a movimentação desses valores também não beneficiaria a economia?

Ademir Valezi adevale@uol.com.br

São Paulo

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DESABAMENTO NO RIO DE JANEIRO


Mais um desabamento no Rio de Janeiro, em Rio das Pedras. Em abril de 2019 houve outro desabamento na Muzema. A isso se chama “ausência/omissão do poder público”. É isso aí. Quando o poder público se omite, faz aquela cara de paisagem, cria um vácuo e abre as portas para os ilegais tomarem conta. Não adianta dizer “por que a prefeitura não interdita, multa”? Vocês acham que o fiscal vai multar o miliciano? Alguém acredita em Papai Noel?


Panayotis Poulis  ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro


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VÁ EM PAZ RIBAMAR OLIVEIRA

Infelizmente, por falta de vacinas, a covid-19, mata mais um brasileiro talentoso do nosso jornalismo, como Ribamar Oliveira. Por décadas lendo seus artigos, principalmente no Estadão e jornal Valor, aprendi muito sobre contas públicas, tal era sua capacidade didática e conhecimento sobre essa complexa matéria. Legado esse que se eterniza! Nossos sentimentos aos familiares e amigos!

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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FUTEBOL MAIS ALEGRE, COM MAIS GOLS


O futebol tem ficado cada dia mais disputado, mas com predominância das defesas.

A melhoria do condicionamento físico dos atletas tem tornado os lances de defesa muito mais eficazes, dificultando as jogadas de lances abertos, rápidos e de habilidades individuais.

Além disso, as regras do futebol não têm sido aperfeiçoadas de modo a permitir a consecução de gols, que é a razão da beleza do futebol.

Como consequência, os resultados têm sido sempre enxutos. Os jogos com mais de 3 gols têm sido excepcionalidades.

Entendo que algumas regras precisam ser aperfeiçoadas, se quisermos ter mais alegria e beleza dos gols no futebol.

Sugiro para reflexão do board da Fifa  (e a mídia poderia incentivar) algumas mudanças:

1 – A lei do impedimento deveria ser mais restrita. Impedimento só na pequena área (por exemplo). É uma pena uma jogada linda logo após o meio de campo ou na grande área ser impedida por milímetros.

2 – outro aspecto é no tocante à famosa cera. Deveríamos reduzir o tempo de jogo para 30 minutos (ou algo assim), porém de bola corrida. Bola parada cronômetro parado.

3 – Lei da expulsão. Não é logico um time ser prejudicado por um erro de um seu jogador. Poderia ser substituído. O jogador deve ser punido posteriormente, mas o jogo continua justo/equilibrado com 11 contra 11.

4 – Burocracia para substituição de jogadores é uma perda de tempo. A rigor deveria ser possível substituir quantos o técnico quiser. Na hora que quiser. Vide o basquete.


Com certeza os especialistas têm outras sugestões de melhorias. Queremos futebol com mais alegria com mais gols.


Vilien Soares viliensoares@uol.com.br

São Paulo

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