Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2021 | 23h50

Desgoverno Bolsonaro

Jim Jones

“Só duas coisas são infinitas, o universo e a estupidez humana, mas não estou seguro sobre o primeiro.” Essa frase, atribuída ao físico Albert Einstein, é o retrato do Brasil na atualidade. Ao ver a impulsividade e insanidade do presidente da República comandando um passeio de moto com milhares de seguidores, todos juntos e misturados, a maioria sem máscara... Isso é zombar na cara de todos nós. No triste momento em que o Brasil chega a 500 mil vidas perdidas por causa da covid-19, vejo que a estupidez no Brasil não tem tamanho. Como sair dessa pandemia, com tais atitudes? Essa do tresloucado Jair Bolsonaro lembra Jim Jones, pregador religioso, fundador e líder da seita Templo dos Povos, famoso pelo suicídio/assassinato em massa, em novembro de 1978, de 918 dos seus membros, em Jonestown, na Guiana. Esse sr. Jair Bolsonaro precisa urgentemente ser internado.

LUIZ THADEU NUNES E SILVA  LUIZ.THADEU@UOL.COM.BR

SÃO LUÍS (MA)

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Bateu, levou

O governador João Doria disse que multará Bolsonaro por não usar máscara na sua andança de moto por São Paulo, descumprindo as regras sanitárias. Bolsonaro retrucou chamando-o de “doninho de São Paulo”. E ouviu de Doria: “Bolsonaro pensa ser doninho do Brasil quando invade aviões e é chamado de genocida”. É o que temos...

JÚLIO ROBERTO AYRES BRISOLA JROBRISOLA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Avião invadido

A visita do presidente ao interior de um avião em Vitória me traz um questionamento: não sendo ele passageiro daquele voo, como chegou lá? Falharam a segurança, os funcionários da companhia aérea e os funcionários do aeroporto. Acredito que o presidente tenha cometido vários delitos com relação à segurança de um aeroporto. Com a palavra o subserviente Augusto Aras, PGR de plantão e aspirante ao Supremo.

JOSÉ RENATO NASCIMENTO  JRNASC@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Alienação e inconsequência

Pelo que entendi, o avião em que o presidente entrou de improviso estava de partida. Sendo assim, jamais poderia ter-se permitido sua entrada, porque, em nome da segurança aérea, existe uma regra de ouro conhecida como “cockpit estéril”: na meia hora anterior à decolagem não se permitem pessoas estranhas a bordo, nem os pilotos podem se desfocar das atividades de preflight check, a verificação das etapas críticas para o voo – causa de vários acidentes fatais no passado. As pessoas a bordo – tanto as que hostilizaram o “penetra” como quem o saudou – não se deram conta, ou ignoravam, que aquele voo tinha muito menor segurança que o normal! A tripulação deveria ter barrado tal aberração. Erraram os pilotos e o inconsequente – este contando com o benefício da dúvida sobre conhecer algo sobre segurança aérea. Com a palavra a Anac – que, se preferir o silêncio, pode trocar o nome para Anarc, já que estará consentindo ações de pessoas que não têm capacidade situacional, a ponto de pôr interesses pessoais acima da vida de outras pessoas.

GUILLERMO ANTONIO ROMERA GUILLERMO.ROMERA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Ideia de jerico

São cada vez mais impressionantes as atitudes diárias do presidente em atos inoportunos e sem sentido, que só causam mais e mais desgaste à sua imagem. Essa de entrar pela porta de um avião estacionado em Vitória é incompreensível, por não se saber o objetivo de tal gesto, que culminou com um misto de aplausos e xingamentos à sua pessoa. Somente especialistas na mente humana poderão explicar as razões dessa estapafúrdia atitude.

JOSÉ DE ANCHIETA NOBRE DE ALMEIDA JOSEDALMEIDA@GLOBO.COM

RIO DE JANEIRO

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Curatela

Existe no Direito Civil um instituto denominado curatela, pelo qual o curador tem o encargo de cuidar dos interesses de outrem que se encontre incapaz de fazê-lo. No Brasil esse direito é regulado pelo Código Civil nos artigos 1.767 e seguintes, que preveem a aplicação àqueles que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para os atos da vida civil. Em vista dos atos praticados pelo sr. Jair Messias Bolsonaro, não seria o caso de aplicar-lhe o instituto? É público e notório que as atitudes desse senhor importam em reconhecê-lo incapaz e por isso exige tratamento diferenciado, na medida em que não tem o mesmo quadro de compreensão da vida e dos atos cotidianos das pessoas plenamente capacitadas. Assim considerado, a lei permite que o Ministério Público promova a interdição e o juiz poderá indicar-lhe um curador. Nesse caso, certamente não haverá de ser-lhe nomeado algum de seus filhos maiores, pois não são suficientemente probos para tal encargo. Dadas as circunstâncias especiais em que se encontra o País, esse instituto do Direito Privado não estaria perfeitamente adequado ao presidente?

MAURO LACERDA DE ÁVILA LACERDAAVILA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Desapego

Para reconstruir depois do tsunami, como diz o poeta, vamos precisar de todo mundo. E juntos! Não vai cair a ficha dos pré-candidatos à sucessão presidencial de que não se pode dar nenhuma brecha para a derrota? Não terão desapego a suas pretensões, pelo bem da Nação? Ou sairão com suas candidaturas isoladas, mais egoístas do que nunca?

FRANCISCO EDUARDO BRITTO BRITTO@ZNNALINHA.COM.BR

SÃO PAULO

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Congresso Nacional

Corrupção

Para surpresa de ninguém, a Câmara dos Deputados acelera projeto que afrouxa a Lei de Improbidade. Normal, pois quem comanda o Congresso Nacional é o enrolado Centrão, que chegou ao poder com a

ajuda do presidente do Brasil. Ainda bem que Jair Bolsonaro foi eleito para acabar com a corrupção no Brasil... 2022 está muito próximo.

MAURÍCIO LIMA MAPELI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

MARCO MACIEL, O NEGOCIADOR

Marco Maciel, falecido ontem em Brasília, foi um dos políticos mais bem relacionados e articulados do Brasil, deixando uma lição na arte da negociação política nacional. Algodão entre cristais, Marquito Lapiseira, um de seus apelidos, foi decisivo na negociação que conduziu o País a encerrar o período da ditadura militar, pela negociação política no Congresso, onde dividia com Nelson Marchezan, de quem fui assessor de imprensa, a liderança política. Não por acaso, foram os dois os primeiros sondados por Tancredo Neves para compor sua chapa como vice-presidente. Tanto Maciel, como Marchezan declinaram do convite para ser garantidores da passagem pacífica do poder dos militares para os civis. Conservador, sem jamais ser reacionário, Marco Maciel sempre foi um político competente, com perfil de estadista, como está fazendo muita falta no Brasil atual. Seu apelido mais engraçado era Cotonete de Orelhão, por sua magreza e cabeça grande, de que ria muito. Inteligência e bom humor fizeram dele um excelente vice-presidente da República de Fernando Henrique Cardoso.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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COPA AMÉRICA

A espera acabou. Hoje, às 18h, os olhos do planeta se voltam para o Mané Garrincha, para acompanhar o duelo entre Brasil e Venezuela no jogo que dá início à Copa América 2021. 

13 de junho é o grande dia! E o Brasil promete como favorito! Mas é bom não entrar em campo “se achando”, se não pode dar zebra...  E o craque Neymar tem toda a razão em valorizar os demais colegas de seleção. Uma copa não é vencida apenas por um jogador, mas por todo o elenco, além da importância do técnico. A torcida também pode ser decisiva, então vamos apoiar a seleção. 

Haja coração! A Copa América chegou! Vamos todos torcer para que o torneiro dê certo e o Brasil seja campeão! Este é o nosso Mundial. 

José Ribamar Pinheiro Filho pinheirinhosb@gmail.com 

Brasília

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CEPA AMÉRICA

Ao tempo em que o País se aproxima da impensável marca macabra de meio milhão (!) de mortos e mais de 17 milhões (!) de infectados pela covid-19, vai começar a Copa América. Parodiando os condenados que gritavam há dois mil anos no Coliseu Romano “Ave, Caesar, morituri te salutant” (Salve, César, aqueles que vão morrer te saúdam), cabe aos participantes da Cepa América bradar em alto e bom som: Ave, Bolsonaro, aqueles que vão morrer te maldizem. Pobre Brasil...

J.S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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BOLSONARO NO AVIÃO

Ao dizer que os contrários a ele deveriam “estar viajando de jegue”, Bolsonaro prova mais uma vez, com total desrespeito, que seus adversários se tornam seus inimigos. 

Maria do Carmo Zaffalon Leme Cardoso  zaffalon@uol.com.br

Bauru 

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VOO INVADIDO E INFECTADO

A inação do comandante do voo invadido pelo presidente da República na sexta-feira passada e  o comportamento negligente da tribulação são inaceitáveis. O presidente da República em mais uma de suas investidas autoritárias teve a petulância de perturbar os passageiros que estavam aguardando decolagem e dentro da aeronave removeu a máscara, possivelmente infectando o ambiente. Até onde se sabe, o voo decolou sem novos procedimentos de higiene. Os passageiros desse voo podem ter sido infectados. Claro que o problema começou bem antes, quando a administração do aeroporto de Vitória permitiu a invasão. Esse tipo de coisa não pode se repetir, é preciso que as autoridades coíbam esses abusos. O responsável pelo aeroporto deve explicações à sociedade e a companhia aérea também. Podem apostar que Jair Messias Bolsonaro repetirá essa violação, sendo assim, as autoridades aeroportuárias e as companhias aéreas precisam orientar seus funcionários para impedi-lo. O presidente da República não é imperador. A irresponsabilidade dos agentes envolvidos poderia ter terminado em briga entre os passageiros, o clima certamente ficou horrível. Imaginem-se no lugar dos passageiros: pagaram a passagem, taxas de embarque, de bagagem, para uma viagem de férias, passeio ou negócios e o voo é invadido por essa criatura desagradável, responsável pela morte de milhares de brasileiros. Nenhum brasileiro de bem merece esse insulto.

Christina Pereira tchris.estética@hotmail.com

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BRASIL SOBREVIVENDO

O Brasil, até há pouco a 9ª economia mundial, sobrevive sob a genocida e retrógrada Presidência de Bolsonaro. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol), entidade que representa a única seleção pentacampeã mundial, sobrevive sob a polêmica presidência de Rogério Caboclo, por ora afastado. O Brasil é o país do futuro...amedrontador. Oremos...

Vicky Vogel vogelvick7@gmail.com

Rio de Janeiro

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MOTOCIATA EM SÃO PAULO

Sem nada melhor a fazer e no estilo de Capitão América, o capitão Jair Cloroquina Bolsonaro resolveu fazer uma passeata de moto na cidade de São Paulo, atrapalhando o já complicado trânsito paulista. Contrariando as recomendações de seu ministro de Saúde e o Código Brasileiro de Trânsito não usou máscara e usou o capacete de forma errada. Para seu conhecimento, presidente, o que precisamos é de mais vacinas, empregos e comida para os famintos. Se não quiser ajudar no combate à pandemia, por favor pare de atrapalhar!

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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MOTOCIATA 2

Com milhares de motociclistas, sem máscaras e sem distanciamento social, participando, em São Paulo, de mais uma “motociata” com o presidente Jair Bolsonaro, eis de novo uma multidão bradando slogans contra tudo e contra todos. Esse comportamento demonstra que muitas pessoas não se interessam pelas ações de prevenção e de combate à pandemia de coronavírus. O antigo sonho de reunião dos seres humanos em torno de objetivos e desejos comuns é mesmo, e sempre foi, um sonho utópico. Os seres humanos, demonstrado aqui está, para sobreviverem precisam de uma sociedade que os reúna e de leis e  penalidades para que se movam, comovam e ajam de modo minimamente social e racional. Pena que assim o seja, pois todos sempre soubemos que, sem mudanças de mentalidades, espiritualidades e ações, nunca teremos maiores chances de tornarmos este mundo, e este país, em um lugar melhor para viver. Mas, parabéns ao presidente Bolsonaro, por ter escancarado e deixado bem claro à luz do sol que, neste mundo de cada um por si e de Deus (apenas bem) acima de todos – lá longe, fora mesmo do alcance – é que determinadas pessoas se assumem como a raposa que toma conta da porta do galinheiro, enquanto tantas outras se assumem sendo galinhas dispostas a endeusar esta raposa, talvez por acreditarem que nunca chegará a sua vez.

Marcelo Gomes Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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ALCANCE DAS PALAVRAS

Palavras são pronunciadas livremente, mas poucos sabem o seu alcance e cometem gafes terríveis. O presidente Bolsonaro é um dos políticos que não medem as consequências das suas falas. Suas gafes são incontáveis, apesar da sua posição de chefe da Nação. Recentemente, ao se referir ao seu ministro da Saúde, disse, “um tal de Queiroga”, como se ele fosse um gaiato qualquer, uma atitude totalmente ofensiva e desrespeitosa. Quando invadiu o avião no aeroporto de Vitória pensando que ia ser ovacionado, mas o tiro saiu pela culatra, e foi xingado, logo foi falando: “Vocês deveriam andar de jegue, em vez de avião”. Ele não percebeu que essas palavras atingiram em cheio todos os nordestinos, pois todos sabem que os nordestinos humildes andam de jegue, costume  muito popular que faz parte do folclore do rico Nordeste brasileiro. São apenas dois exemplos deploráveis e de mau gosto, que nenhuma pessoa deve cometer, mormente um presidente da República!!!!

Toshio Icizuca toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba

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VOTO IMPRESSO

Se o voto impresso for aprovado com apuração estadual e o sistema eleitoral for alterado para distrital, as eleições parlamentares para deputados federais e estaduais serão certamente contestadas e levadas ao STF, no caso dos resultados divulgados pelo TSE divergirem da contagem dos TREs e, assim, houver alteração na lista dos candidatos eleitos. Em relação às eleições para os Executivos estaduais e o Executivo federal, qualquer divergência poderia levar ao questionamento se haveria ou não segundo turno, quem disputaria o pleito e quem seria o vencedor. Portanto, o País voltaria ao final da República Velha (1889-1930) para discutir a posse de Júlio Prestes que ganhou a eleição num domingo de carnaval (1º de março), mas acabou não tomando posse no feriado da proclamação da República (15 de novembro).

Luiz Roberto da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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MAIS DO MESMO

Nos tempos de Lula tínhamos o “nós contra eles”, agora com Bolsonaro temos o “eles contra nós”. Como dá para perceber a velha troca de seis por meia dúzia.

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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BARRIGA VAZIA E CLOROQUINA

Documentos liberados pela CPI da Covid noticiam que Jair Bolsonaro gastou mais de R$ 23 milhões tentando impor o uso da famigerada cloroquina ao País – aquela que não tem eficácia comprovada contra a covid. Ora, esses recursos poderiam ajudar a encher a barriga de muitos brasileiros que estão passando fome. Na verdade, Bolsonaro faz mal ao País, faz mal ao seu povo e faz mal ao mundo!          

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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EXEMPLO DE FAMÍLIA

Acabei de receber a segunda dose da vacina contra a covid-19,  nem por isso pretendo relaxar nas medidas de proteção recomendadas pela ciência, mantendo o isolamento,  o uso de máscaras e a assepsia das mãos. 

Esta decisão está ligada ao respeito que pretendo infundir em meus descendentes para entenderem que somos seres gregários e não podemos descuidar da segurança de nossos semelhantes em geral, já que esta é uma luta contra um inimigo comum que só será vencida com o apoio de todos, até obtermos a segurança que almejamos.

Em assim agindo fortaleceremos a convicção dos jovens de resistirem à balada e à insubordinação natural da idade.

Quisera tal procedimento pudesse ser compreendido e aplicado por nosso presidente Bolsonaro.

Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com.br

São Paulo

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O SENADOR E A CURA DE 15 MILHÕES

Uma das personagens que mais chamam a atenção durante os debates nas sessões da CPI da Pandemia, é o senador Heinze, de Santa Catarina, pelo seu comportamento de bravo defensor  do pré-tratamento médico alternativo (leia-se cloroquínico) defendido pelo Bolsonaro. Em quase todas as sessões da CPI cita números da pandemia. Na semana passada falou em 15 milhões de pessoas curadas com o tal tratamento. É fácil apresentar números como esse, mas, se o senador Heinze for  intimado a apresentar pelo menos dados de 0,1% (15.000)  dos  pacientes curados, como identidade, localização, medicamentos, clínicas, hospitais, médicos, enfim, tudo aquilo necessário para provar de forma real o que defende, ele conseguirá?   É fácil jogar para a plateia números ao léu sem qualquer validade, difícil é comprovar isso com dados confiáveis.

Laércio Zanini spettro@uol.com.br

São Paulo

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FUGINDO DO QUÊ?

O Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo precisa explicar o afastamento do virologista e professor Paolo Marinho de Andrade Zanotto, sem  prejuízo de seus vencimentos, por dois anos. Foi só descobrirem o “gabinete paralelo”, em que ele defende  a cloroquina, e o tal “gabinete da sombra”, e ele cai fora do Brasil rapidinho, e nós, os paulistas, com nossos impostos temos  de sustentar um negacionista? Será que a BCIT no Canadá sabe o que ele defende? Ele foge do quê?

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

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IN MEMORIAN

Notícias vão chegando/ Carregadas de tristeza/ Até quando, até quando/ 

Conviver com a incerteza?!/ O vírus invasor/ Ultrapassa as fronteiras/ Provocando o terror/ Como de sua maneira/ Parentes e amigos/ Companheiros de luta/ Enfrentam o perigo/ Alguns perdem na disputa/ E aqui, em nossa terra/ Sob ação de idiota/ Soluções ele emperra/ Apostando na derrota./ Por incrível que pareça/ Tem gente que o apoia/ Pois o que trazem na cabeça/ Se cair na água, boia./ São do tipo reacistas/ Apoiando o imprevidente./ Um tipo negacionista/ De ação tão delinquente.

Antonio Francisco da Silva anfrasilva@terra.com.br

Rio de Janeiro

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INFLAÇÃO DESCONTROLADA E SEM REMÉDIO

Sou economista. Estive hoje em supermercado no bairro de Interlagos, São Paulo. Notei que os preços subiram muito mais do que têm sugerido os índices difundidos pela imprensa, mesmo considerando preços médios, questões estatísticas, etc.. Não se encontram produtos sem aumento de pelo menos 50% nos últimos cerca de 12 meses. Há algo de errado com esses índices, e não se trata de ilusão estatística.

Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo

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DANÇANDO À BEIRA DO PRECIPÍCIO

O processo de industrialização do Brasil começou no início do século 20. Posteriormente, no período intitulado Estado Novo (1937/1945), a forte intervenção estatal foi característica do governo Vargas. Até o ano de 1950, diversas companhias estatais foram criadas, servindo de base para a estrutura industrial brasileira. Tais como Petrobrás, CSN e a Vale do Rio Doce.

O início da expansão industrial teve grande crescimento a partir da década de 1940. Nas décadas posteriores, assistimos a grandes investimentos em infraestrutura. Esse processo consolida-se na década de 1970, quando o País possuía estrutura industrial diversificada e um vasto mercado consumidor interno.

Chegam os anos 80 e o parque industrial brasileiro inicia um período de declínio. A inflação alta e a abertura comercial propiciaram a inundação de produtos estrangeiros no mercado interno.

Controlada a inflação por volta do início dos anos 2000, por meio de políticas públicas, o consumo interno volta a crescer e o País assiste a um pequeno crescimento. Contudo, a indústria nacional não consegue acompanhar o resto do mundo, comprometendo a capacidade de produção, deixando de crescer. Conforme dados da Fesp de 2013, o produto nacional chega a ser 34% mais caro do que um similar importado. Consignam-se a isso diversos fatores, como competição com os países asiáticos, o câmbio sobrevalorizado, falta de inovação e juros elevados, que impossibilitam o financiamento de melhorias necessárias.

Corroborado por esses fatores, diversos segmentos da indústria fecharam, saíram do mercado e dificilmente retornarão. Sem ajustes profundos na cadeia de apoio à indústria, dificilmente haverá um retorno.

Em 1985, segundo o IBGE, a indústria respondia por 25% do PIB. Atualmente, segundo o mesmo IBGE, responde por 10,9% do PIB.

Ao surgir na Revolução Industrial, no fim do século 18, a indústria tem sido mola mestra do crescimento do capitalismo. Juntamente com as atividades econômicas dos serviços e da agropecuária, é de vital importância para a formação do PIB.

Assistimos hoje à pujança do setor agropecuário, que orgulhosamente tem equilibrado as contas do País.

Porém há que se ver com muito cuidado a desindustrialização do País. A agropecuária, com tecnologia intensa aplicada, tem contribuído para a diminuição de populações do campo, fazendo crescer a urbanização e trazendo na esteira as dificuldades em equalizar as demandas urbanas.

Aliado a esses fatos, assistimos a um desemprego desenfreado, cuja solução se torna cada vez mais difícil pela falta de capacitação, impossibilitando a absorção de mão de obra pelo setor de serviços, o que escancara a falta de inversão de recursos em cultura e educação.

Para o atual momento, o incentivo à reindustrialização pode ser a minimização de uma série de problemas que o País enfrenta atualmente. A volta da geração de empregos, a possibilidade de agregar ao setor agropecuário valor aos produtos primários, por meio de agroindústrias, possibilitando a exportação de produtos prontos e embalados, gerando mais divisas. A indústria de transformação, que absorve grande contingente de mão de obra, diminuiria sobremaneira a taxa de desemprego crônica.

Todos esses fatores descritos levariam ao aumento do PIB, redistribuiriam a renda de maneira mais equitativa e trariam mais independência de importações, equilibrando a balança de pagamentos.

Por isso, ao fecharmos os olhos para a desindustrialização do País estamos dançando à beira do precipício. É precípua a criação de uma política industrial séria e atual.

Luiz Felipe de Camargo Kastrup lfckastrup@gmail.com

São Paulo SP


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