Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2021 | 03h00

Crise de energia

Mais aumento?!

O anúncio feito ontem pela Aneel, a agência reguladora do setor elétrico, do reajuste de 52% da bandeira vermelha é um verdadeiro tapa na cara dos consumidores. Ninguém, seja trabalhador ou empreendedor, obteve ganho de um mês para outro nesse porcentual. Além disso, é inaceitável que os cidadãos sejam prejudicados pela falta de planejamento do governo federal e dos demais envolvidos na operação. O Estado, como diz o presidente, está quebrado e endividado. Ora, o mesmo se aplica aos cidadãos! A eleição de 2022 deverá servir, justamente, para discutirmos que projeto de Brasil queremos para o hoje, o amanhã e os próximos anos. Estamos empobrecendo diariamente e ainda nem entramos no segundo semestre.

WILLIAN MARTINS MARTINS.WILLIAN@GLOBO.COM

GUARAREMA

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Apagão de ideias

O Brasil novamente corre o risco de apagão. O ministro Bento Albuquerque ocupou rede de TV e rádio para proferir balelas que lhe escreveram para ler. Não convenceu. Analisando a “nova” crise, relembro que foi o “inominável” que decretou o fim do horário de verão, com a “certeza” de que iríamos economizar a água dos reservatórios das hidrelétricas e, assim, reduzir o risco de apagão. Quando da crise hídrica em São Paulo, há pouco tempo, estive numa das reuniões em que foram discutidos os rumos a serem tomados. Falou-se de tudo, mostraram-se bombas, esquemas de transferência e transbordo das águas. Porém, e na oportunidade eu questionei, onde estariam as máquinas e os tratores para desassorear os lagos e represas que abastecem as cidades em crise? Enfim, o que se constata

é um generalizado apagão de ideias. E de ideais.

MANOEL LÚCIO PADRECA MLPADRECA@GMAIL.COM

SALTO

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Desgoverno e corrupção

Começo do fim de Bolsonaro

Da maior onda que agitou o mar revolto da CPI relativa à ação governamental de combate à covid-19, a sessão em que depuseram os irmãos Miranda – um, deputado e o outro, servidor de carreira do Ministério da Saúde –, surgiu o torniquete mais apertado para Jair Bolsonaro. Informado da falcatrua que pretendiam fazer com a vacina indiana Covaxin, o presidente declarou aos Mirandas que isso era obra de Ricardo Barros, líder do governo na Câmara. E que determinaria à Polícia Federal que investigasse os fatos, o que só foi feito passados meses, quando a conduta criminosa veio à tona. Arrependimento ineficaz. A prevaricação já estava caracterizada. Não há mais como Jair Bolsonaro permanecer como titular do mais elevado cargo da República.

AMADEU ROBERTO GARRIDO DE PAULA

AMADEUGARRIDOADV@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Prevaricação

Jair Bolsonaro vai alegar em sua defesa que ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo, por isso não pode ser acusado de cometer crime de prevaricação ao esconder a denúncia que recebeu de parlamentar sobre as irregularidades na compra da vacina indiana. O Brasil sabe que quem manda no Ministério da Saúde é o presidente Bolsonaro, os outros apenas obedecem. Todo mundo já entendeu que Bolsonaro não quis comprar as vacinas da Pfizer, do Butantan e da AstraZeneca porque não havia abertura para cobrar propina. Já a Covaxin permitiu a participação de um intermediário amigo, por isso o preço disparou, as exigências foram deixadas de lado e a negociação prosperou rapidamente. Augusto Aras está a um passo de se tornar o prevaricador-geral da República, caso siga fingindo que não vê o que já está claro como a luz do Sol.

MÁRIO BARILÁ FILHO MARIOBARILA@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

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‘Rolos’ e enrolados

Em relação ao malcheiroso caso das vacinas indianas, quem seria “a chefia no Ministério da Saúde” que pressionou o sr. Luís Ricardo Miranda?

GUTO PACHECO JAM.PACHECO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Bandido pangaré

Quando era adolescente ouvia dizer que pior que roubar é roubar e não conseguir carregar. Pelo que é noticiado, no caso das vacinas Covaxin foi o que aconteceu: roubaram e não conseguiram carregar, nem o mito.

SÉRGIO BARBOSA SERGIOBARBOSA19@GMAIL.COM

BATATAIS

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Pandemia

As medidas esquecidas

Justifica-se a CPI do Senado pelos resultados tenebrosos no enfrentamento da covid. Curiosamente, porém, não há interesse na comparação com procedimentos sanitários adotados em países que tiveram reduzida letalidade; em muitos, os bons resultados vieram antes da vacinação em massa e foram alcançados com medidas intensivas de detecção de doentes/portadores do vírus e isolamento das pessoas acometidas. Uso de álcool e distanciamento social são insuficientes no controle da doença. É preciso olhar o presente e o futuro com precaução, mesmo com a vacinação. A recente redução da letalidade aqui pode ser transitória, dada a ocorrência de novas variantes do vírus. Ainda temos centenas de óbitos/dia, mas agora há a possibilidade de realizar testes diagnósticos. Assim, os órgãos de saúde poderiam focar na redução da transmissão, com medidas de detecção e isolamento.

BERNARDO EJZENBERG, médico BERNARDOEJZENBERG@YAHOO.COM

SÃO PAULO

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STF

Indicação

Não posso deixar de manifestar meu apoio à indicação de José Rogério Cruz e Tucci (Um jurista para o Supremo, 29/6, A2) para o honroso cargo de ministro do STF. É uma oportunidade ímpar de contarmos com um dos maiores processualistas, assim reconhecido no Brasil e no exterior, e, não obstante, cordato e modesto (a modéstia doura o talento), defensor da democracia e de suas instituições. Mas será que o atual presidente o indicaria?

EDMIR NETTO DE ARAUJO, professor sênior da Faculdade de Direito da USP  EDMIR.NETTO@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

IMPORTUNOS

Todas as minhas publicações são comentadas pelos pseudodonos da verdade e que acusam o meu jornal de tudo que é coisa, mas continuam a lê-lo. Força ESTADÃO!


José Roberto Palma palmajoseroberto@yahoo.com.br

São Paulo

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PRESIDENTE, PEÇA PARA SAIR!

Ao comentar com apoiadores a denúncia de irregularidades na compra da vacina Covaxin, o presidente Jair Bolsonaro disse que não tem como saber o que acontece nos Ministérios de seu governo. Bem, então, sendo assim, estamos todos de acordo que é mais que chegada a hora de o presidente pedir para sair, ou não?


Marcelo Gomes Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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NADA SEI


Será que o presidente Bolsonaro dizer não ter como saber o que acontece nos seus Ministérios justifica a demissão de 14 deles até agora?


Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo


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UM MANDA E OUTRO OBEDECE


Esta frase “icônica” agora mudou de mãos. É óbvio que Ricardo Barros manda e Bolsonaro obedece. O presidente pode dizer que “não sabia o que ocorreu no Ministério da Saúde”, mas ele sabe que Ricardo Barros sabe. 


Elisabeth Migliavacca

São Paulo


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ROLO COMPRESSOR

Rolo de 1 bilhão e 600 milhões de reais é de humilhar até ganhador de Mega-Sena da Virada. Digno de líder do Centrão geral da nação. Vacinado contra rolos desta magnitude, o Brasil já é campeão olímpico em todas as modalidades de corrupção. Só faltava essa medalha de ouro, no sofisticado quesito de ultrapassar um bilhão, num só rolo compressor. Um peão atrapalhou na hora do xeque mate e se descobriu que o rei estava nu, sem saber o que se passava em sua corte. De desculpas esfarrapadas o inferno também está cheio, além de boas intenções descumpridas. O grande finale desta tragicomédia de erros ainda está para ser escrito. Além do pano, o próprio teatro pode cair, no último ato desta ópera-bufa, em permanente reprise no Brasil de todos os golpes. 

      

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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SE A MODA PEGA...

A Associação de Vítimas e Familiares da Covid-19 (Avico) protocolou representação criminal na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Jair Bolsonaro pelo pouco-caso no enfrentamento da pandemia. A pergunta que não quer calar é: já pensou se a moda pega?. Afinal, já são mais de 500 mil mortos pela doença. Cuidado Bolsonaro, tá óquei?.    

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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MORTE MORRIDA

Na última semana que fechou no domingo dia 27/6, o número de mortes oriundas da covid caiu 20% no Brasil. Será que vamos poder voltar a morrer de “morte morrida”?

Francisco José Sidoti fransidoti@gmail.com

São Paulo

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 O CRIME E A PGR


Senadores integrantes da CPI da Covid-19, mas não a representando oficialmente, foram até a Suprema Corte postular que a PGR tome conhecimento da ausência de providências pelo presidente da República quanto ao caso da vacina Covaxin, em trâmite na CPI da Covid-19. Sorteada, a ministra Rosa Weber deferiu o pedido e determinou que a PGR fosse informada e se manifestasse sobre o petitório dos senadores, versando, em especial, sobre a possibilidade da ocorrência de crime de prevaricação. Em mãos da PGR, é de aguardar a providência a ser tomada. Pergunta-se: a PGR está isenta do cometimento de crime de prevaricação?


José Carlos de Carvalho Carneiro josecarlosdecarvalhocarneiro@gmail.com

Rio Claro


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VOTO ELETRÔNICO


O  sistema eleitoral vai continuar com o uso da tecnologia. A tentativa de voltar o  voto com cédulas retomaria uma forma de manipulação do eleitorado por parte de determinados  candidatos. Que a tecnologia continue prevalecendo.


Uriel Villas Boas urielvillasbos@yahoo.com.br

Santos


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O EFEITO DO DISTRITÃO


A estrutura de representação em regime democrático é assunto de interesse geral, especialmente em nosso meio, no qual uma reforma política está em andamento. Nesse sentido, o artigo do prof. Carlos Pereira O efeito do distritão (Estadão, 28/6, A6), ao discorrer sobre a estabilidade do sistema americano, no qual cada distrito elege um representante, traz orientações interessantes. O sistema de eleição proporcional, já sabemos, tem sérios problemas, pois os representantes não são claramente vinculados ao eleitor, sem contar as mazelas dos puxadores de votos. Todavia, a proposta do tal de distritão, onde são eleitos os mais votados no Estado, continua com esse mesmo defeito, uma vez que as regiões do Estado acabam não identificando sua representação. O pior é que nossos parlamentares só pensam em buscar um sistema que perpetua a possibilidade de reeleição; e de preferência sem a clara identificação de a quem representam.

É sabido que o sistema distrital é o que mais se mostra representativo. Por que será que ele não está sendo proposto? 


José Elias Laier joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos


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TROCA SINISTRA


Que Jair Bolsonaro pode ter cometido crime de prevaricação ao não tomar providências em relação às imensas irregularidades que envolveram a compra de vacinas da Covaxin não há dúvida alguma, e isso pode sim ensejar um processo de impeachment. Só que é preciso lembrar aos que dizem, segundo a pesquisa Ipec, ter se arrependido de votar em Bolsonaro e que, se a eleição fosse hoje, votariam no ex-presidente Lula, que o líder petista foi acusado, julgado e condenado por crimes que não somente ultrapassaram os limites da prevaricação, como avançaram no obsceno, escandaloso e imoral território da corrupção como nunca antes na história deste país. É bem verdade que a eleição está longe, muita água vai rolar ainda. Mas, só em pensar em trocar seis por meia dúzia, ou, melhor dizendo, o horroroso pelo execrável, é no mínimo sinistro. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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ROSA WEBER E A CONSTITUIÇÃO


Na posse do atual presidente da República a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, num ato descortês na minha opinião, data máxima vênia, presenteou-o com um exemplar da Constituição Federal, insinuando que o recém-eleito iria “descumpri-la”.

Há dias, a ilustre ministra Rosa Weber nos presenteou com essa pérola:

“Emerge, daí, que os Governadores de Estado prestam contas perante a Assembleia Legislativa local (contas de governo ou de gestão estadual) ou perante o Tribunal de Contas da União (recursos federais), jamais perante o Congresso Nacional”.

Parece-me, com todas as vênias, que quem desconhece a Lei Maior é a nobre ministra, já que compete ao Congresso Nacional – titular do controle externo – utilizando-se do TCU como meio, como braço executivo, fiscalizar o uso do dinheiro público federal (artigo 70 da Constituição Federal). 

É o que houve excelência: há um princípio conhecido como accountability que é sagrado nas Democracias. 


Ary Braga Pacheco Filho ary.pacheco.filho@gmail.com

Brasília


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UM BRASIL ‘MILAGREIRO’


Depois das costumeiras medidas esdrúxulas tomadas pelo nosso Judiciário, que passa a incorporar poderes atribuídos a Jesus Cristo, que, entre outros, transformava água em vinho. Pois é, o nosso todo-poderoso Supremo Tribunal Federal passou também a transformar as coisas, mas de modo invertido: conseguiu rebaixar  um  homem  honesto  em desonesto e  proclamou  um desonesto  em honesto. Para um brasileiro do bem,  esse ato é um absurdo, tão absurdo que produziu esse  tipo de milagre. Os poderosos homens da toga da Justiça  já conseguem transformar  o mau  em bom vinho e o bom em água suja.                                                                Pobre do país que tem uma justiça  como a nossa: “Não tente combater a corrupção, que nós destruiremos você”. 

Roberto Ianelli Kirsten r.kirsten@uol.com.br

Amparo

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INDICAÇÃO AO STF

      

Bolsonaro, numa atitude sensata e altruísta, poderia surpreender na sua próxima indicação ao cargo de ministro do STF. Seria a forma de resgatar, de reconhecer o mérito e enorme valor do maior expoente da área jurídica brasileira de todos os tempos. Será a real reedição da fênix satirizada pelo STF. Trata-se de Sérgio Moro, o herói nacional para 99% dos brasileiros, digno do Prêmio Nobel pelo sucesso no combate à corrupção.

 

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

 

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O BRASIL SECOU, A CULPA É DO AGRONEGÓCIO

O Brasil está sem água para a geração de energia hidrelétrica, será preciso racionar o precioso líquido, o preço da energia vai disparar e poderá haver racionamento para o consumo. O agronegócio é duplamente responsável pela seca persistente que o País enfrenta: o agronegócio é responsável pelo desmatamento, que reduz as chuvas, e é responsável também pelo maior consumo de água, cerca de 80% da água usada no Brasil vai para a atividade agropecuária. Não se ouve falar em redução de consumo de água no agronegócio, uma dúzia de grandes fazendeiros não vão reduzir seus lucros, a gigantesca produção de soja brasileira é diretamente responsável pela seca que o País enfrenta. Mas o que importa é alimentar os porcos chineses com a soja barata, mesmo que isso destrua todos os biomas do País e prejudique todas as outras atividades, até mesmo a vida do povo brasileiro. Chega de desmatamento, chega de tratar o agronegócio como se fosse a salvação da pátria. Essa atividade está causando um estrago gigantesco e irreparável e só traz lucro para uma dúzia de grandes fazendeiros. Está mais do que na hora de impor limites para o agronegócio e cobrar muito caro pelo gigantesco volume de água que essa atividade consome, água que está fazendo falta no Brasil inteiro.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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LÁZARO BARBOSA


CONSEGUIU O QUE QUERIA

Em entrevista ao jornalista Roberto Cabrini (TV Record), a esposa do criminoso Lázaro Barbosa afirmou que “eles conseguiram o que queriam”, referindo-se ao desfecho e aos policiais.  

Faltou complementar: Lázaro também.  


Milton Córdova Junior  Milton.cordova@gmail.com

Vicente Pires (DF)


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TRATAMENTO DESIGUAL

Assisti a várias notícias sobre a morte de Lázaro Barbosa. Houve comemoração de pessoas do entorno. Vi policiais vibrando pelo êxito de uma longa e cansativa operação. Muitos pronunciamentos e muitas homenagens aos participantes. O morto era bandido, era cruel e um transtornado, ou por doença ou por pura maldade.

O facínora matou algumas pessoas e até então não se sabe quantas exatamente. Do meu ponto de vista e para meu entendimento do caso eu preferia que ele fosse preso. Nada a lamentar ou criticar pelo desfecho ocorrido.

Minha real perplexidade é a comparação: governantes, funcionários públicos, empresários e empregados que roubaram fortunas e causaram a morte de muita gente. Nada parecido com o caso Lázaro. Não vi manifestação popular. As mídias sérias noticiaram, mas nada de reação.

Grande desalento, também, me causam as atitudes dos negacionistas, terraplanistas e sabotadores de medidas sanitárias que estão matando muita gente e mesmo assim recebendo apoio de uma minoria. Só não sei se apoiam por burrice ou maldade.

Sérgio Barbosa sergiobarbosa19@gmail.com

Batatais

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LIÇÕES DO CASO LÁZARO

O caso Lázaro termina para o público com a eliminação do seu CPF. Mas a organização que estava por trás dele, fornecendo e remunerando seus serviços de execução de desafetos e, posteriormente, dando-lhe pousada, dinheiro, armas, munição e informações para escapar por três semanas da perseguição de 300 agentes, continua por aí. É o caso social de psicopatas tendo sua violência incentivada por criminosos também. Em todo o mundo, os movimentos terroristas mantêm um recrutamento de desequilibrados mentais para realização de atentados. Costumam ser a melhor fonte de homens-bomba, por exemplo. O que o terror e o crime já sabem faz muito tempo, a sociedade ainda ignora. Ou procura ignorar. E, em decorrência disto, deixa os seus Lázaros circulando por aí sem prestar atenção alguma às suas pessoas até que o pior aconteça num nível em que não dá mais para ignorar.


Jorge Alberto Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo


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VEXAME EM SÉRIE


A tradução para nossa língua da expressão serial killer em inglês é assassino em série. Pois bem, surgiu um serial killer tupiniquim em Goiás, que começou a matar diversas pessoas numa localidade de nome Cocalzinho, aterrorizando seus habitantes e escondendo-se habilmente no mato, após cada assassinato. Para impedir a continuidade das ações desse frio assassino, diversas medidas foram tomadas por autoridades de segurança local, todas elas cômicas, senão trágicas, constituindo o que se pode chamar de “vexame em série”, a saber: para prender um único indivíduo foram mobilizados 270 agentes (!!!) que levaram quase um mês (!!!) para encontrá-lo, a um custo de R$ 3 milhões (!!!); quando o acharam, em vez de capturá-lo, o executaram com 125 tiros (???) dos quais 38 (???) atingiram o meliante; após a execução "as tropas" comemoraram o feito efusivamente (!!!), arrastando o corpo do bandido morto e jogando-o como um saco de batatas em uma viatura, seguido de muitos abraços e risos (!!!) entre os executores do assassino, como se tivessem ganho uma batalha numa guerra contra um poderoso inimigo (???). Para culminar o “vexame em série” o feito foi comemorado pelo histriônico governador do Estado que, com sua voz tonitruante, parabenizou os participantes (!!!) pelo sucesso (???) da operação.


José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo


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DESFECHO


Na caçada a Lázaro Barbosa havia certeza única: a do desfecho – ele seria metralhado. A Lázaro sobrariam, como sobraram, as migalhas da mesa do Estado exibicionista, porém despreparado para poupar uma vida humana, por mais bandida que seja.  Seria insuportável para a glória policial goiana Lázaro sobreviver para  entrevistas ao vivo, em cores, explicando como por longos dias escapou e iludiu 300 agentes superarmados, com requintes tecnológicos até. A comemoração dos caçadores lembrou a do fim de Lampião, menos a cabeça decepada a facão, naturalmente.  A ninguém ocorreu que, vivo e tirado de circulação em presídio de segurança inviolável, Lázaro teria muito a ensinar à Polícia. Aprender a não matar não é da índole do Estado.


José Maria Leal Paes tunantamina@gmail.com

Belém


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