Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2021 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Impeachment

Há um novo pedido de impeachment contra o presidente. É o chamado “superpedido”, que tem a assinatura de políticos de esquerda e de direita. Essa comunhão de opostos, no entanto, se confrontará no Congresso com outra forma de comunhão, o Centrão – denominação que, a meu ver, é uma aberração. Na geometria, o centro é o meio de uma figura. Mas no caso do Congresso, o centro é tão amplo a ponto de se tornar a própria figura – um conglomerado conciso e uniforme, infelizmente caracterizado por fisiologismo e oportunismo. Assim, o “superpedido”, que une esquerda e direita, talvez se torne apenas mais um entre os mais de cem já apresentados.

VALTER VICENTE SALES FILHO VALTERSAOPAULO@YAHOO.COM

SÃO PAULO

*

Dois mundos

O que se vê no Brasil são duas realidades imiscíveis. Uma decorre num universo paralelo ao que habitamos, pelo menos fisicamente. Nele, Bolsonaro é um grande salvador, milagreiro e visionário, capaz de curar a covid-19 com medicamentos de ampla circulação, a corrupção inexiste, a máscara e as intervenções não medicamentosas são mera perda de tempo e se vive uma bonança econômica e tecnológica jamais vista. Na outra estão os que reconhecem nas falas presidenciais as suas incontáveis falácias, sofrem os efeitos inflacionários, convivem com aumento da pobreza e da desigualdade, da desesperança entre os jovens, da lenta vacinação e, por fim, da doença e morte. Criativo, o sr. presidente inventa novos crimes de responsabilidade para cometer. Resta-nos esperar pelo fim de seu governo para que retornemos a um mínimo de progresso na construção das reformas e políticas públicas há décadas proteladas e que nos são devidas.

RENAN ZORZATTO RENANZORZATTO@GMAIL.COM

CAMPINAS

*

O cerco se fecha

Investigação criminal foi aberta na Procuradoria da República no Distrito Federal antes que a PGR pudesse impedir, para proteger “seu” presidente. É provável que agora o “salvador-geral da República” impeça o andamento dessa investigação. Não importa, o que podemos ver é que o fim deste governo destruidor está mais próximo. E viva a terceira via que queremos!

ALDO BERTOLUCCI ALDOBERTOLUCCI@GMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Novo Bolsa Família

No governo petista, a imprensa noticiou fartamente o uso de aposentadorias de avós e pais para pagamento de empréstimos consignados oferecidos pelo banco pagador do benefício. Grande parte dos empréstimos era para netos e filhos, reduzindo a renda dos idosos. Agora, o governo Bolsonaro formula um Bolsa Família “turbinado”, permitindo o uso de até 30% do valor recebido para pagamento de empréstimos tomados pelos beneficiários em bancos. À parte a inexistência de exigência de contrapartidas mínimas que estimulem a saída da pobreza, para os dois governantes a “bondade” tinha e tem um só objetivo: a reeleição. E mais: como em 2017, as dívidas dos eventualmente excluídos do programa ficam para todos nós. São os prejuízos do populismo irresponsável.

HONYLDO ROBERTO PEREIRA PINTO  HONYLDO@GMAIL.COM

RIBEIRÃO PRETO

*

Floresta Amazônica

O registro de 2.308 focos de incêndio na Amazônia, com a destruição de milhares de hectares, equivalentes a vários estádios de futebol, mostra sem retoques que a gestão de Bolsonaro contribuiu decisivamente para agravar ainda mais a destruição das nossas matas. As barreiras que existiam, pela ação do Ibama, do Inpe, da Funai, da Polícia Federal, foram cerceadas pela política nociva, suspeita de facilitação a madeireiros e garimpeiros ilegais. Amigo dos que ganham dinheiro ilícito com a exportação de nossas riquezas extraídas irregularmente de áreas de proteção demarcadas, Bolsonaro mostra-se inimigo do povo, do meio ambiente, do que é o certo e lícito.

RAFAEL MOIA FILHO RMOIAF@UOL.COM.BR

BAURU

*

Emendas parlamentares

Distorções

O professor Roberto Macedo mostrou com toda a clareza a inconstitucionalidade das emendas parlamentares incluídas no Orçamento da União, em seu artigo Distorções das emendas parlamentares continuam se agravando (1º/7, A2). Embora a discussão tenha sido mais voltada para as distorções eleitorais causadas e para o mau uso do dinheiro público, ficou de fora o fato de que, com tais emendas, o Legislativo passou a atuar como Executivo, o que distorce o que se entende por repartição de poder numa República. Essa farra com dinheiro público precisa parar o quanto antes.

JOSÉ ELIAS LAIER JOSEELIASLAIER@GMAIL.COM

SÃO CARLOS

*

Crise hídrica

Mitigação

Quando ocorre uma crise hídrica, não vejo solução ou possibilidade de amenizar o problema sem a participação da população. Mas o governo, além das campanhas conhecidas para economizar energia, deveria também incentivar com ênfase a instalação de placas solares de aquecimento de água. Porque elas economizam energia bem na hora crítica: no começo da noite, quando as pessoas chegam em casa e querem tomar banho. Não me conformo que, num país com tantos dias de sol, no meu bairro, com cerca de 300 casas, somente duas tenham aquecimento solar. Falando também em crise de água potável, há em São Paulo muitos prédios comerciais e residenciais antigos. Quanta água se economizaria, por exemplo, se todos trocassem os mecanismos de caixa acoplada ao vaso sanitário por modelos mais novos, com dois níveis? Penso, porém, que enquanto os envolvidos não fizerem “propaganda” permanente dessas ações, mostrando que elas fazem bem ao nosso bolso e ao meio ambiente, não veremos mudança de mentalidade da população.

TOSHIHIKO KUMAMOTO TKUMAMOTO@GMAIL.COM

SÃO BERNARDO DO CAMPO

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

TERCEIRA VIA PARA O QUARTO MUNDO?

Nada de pior para o Brasil, no campo político, após os governos petistas, se em 2022 tivermos de optar entre Lula e Bolsonaro, tendo como terceira via Datena. Aí seríamos rebaixados para país de quarto mundo.


Lincool Waldemar D. Andrea licen2037@gmail.com


*

TERCEIRA VIA

Pensar na terceira via/  É mais  que urgente

O  que está posto não dá/ Tem que ser diferente

Não há tempo a perder/ Comecem logo a articulação

É preciso gente nova/ Chega de decepção

O povo brasileiro/ Anseia por mudança

Chega de conversa fiada/ Chega de desesperança

 Jeovah Ferreira jeovahbf@yahoo.com.br

Taquari (DF)

 *

VOTO

Vamos ter problemas ano que em sem voto impresso. Essa aberração fanática de Bolsonaro é mais uma ameaça ao estado democrático e à democracia, que ele detesta com toda a sua ignorância ditatorial.

 

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

*


ATAQUE ESTRATÉGICO


Existem motivos de sobra para o presidente Bolsonaro ser afastado do cargo, isso não aconteceu até agora porque ele tem sido extremamente generoso com a bancada da corrupção. O líder dos corruptos na Câmara dos Deputados, Arthur Lira, tem o poder de decidir sozinho se aceita ou não os pedidos de impeachment contra o presidente da República. Lira já deixou claro que enquanto o dinheiro da corrupção continuar jorrando livremente não haverá impeachment. O procurador-geral da República também tem poder para afastar o presidente do cargo, mas Augusto Aras também já sinalizou que vai continuar prevaricando. Será preciso buscar soluções heterodoxas para estancar a carnificina que Bolsonaro continua promovendo. Além de as manifestações de rua se agigantarem, será preciso atacar as posições de Augusto Aras e Arthur Lira para livrar o Brasil do pior governo que já houve em sua história.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


*


CUMPLICIDADE


Todos que estão tentando blindar a investigação do possível crime de prevaricação cometido por aquela pessoa que atualmente ocupa a Presidência da República em nada se distinguem daqueles que agiram ocultando Lázaro, o matador de aluguel.  Tudo farinha do mesmo saco. Assim, deixo os qualificativos a cargo de um eventual leitor deste texto.


Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo


*


IMPEACHMENT


Protocolado na Câmara o chamado “super impeachment” pelas diversas forças políticas e sociedade civil, no qual  estão anotados dezenas de crimes de responsabilidade praticados pelo presidente Jair Bolsonaro, o ilustre presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, deve continuar engavetando. Segundo o parlamentar, é preciso mais do que argumentos. É preciso materialidade e a CPI da Covid também está investigando, e nesse momento é preciso muita cautela. Ora, todos sabem que um processo de impedimento é um processo político e até a materialidade muitas vezes é subsidiária. Vamos lembrar o caso Dilma Rousseff. Até hoje não sabemos bem o que são as tais pedaladas fiscais. No caso do presidente Bolsonaro, existem tantos indícios de crimes de responsabilidade que só não os vê quem se beneficia do atual governo. O Brasil que se “exploda”.

Jorge Augusto Morais Da Silva jotaaugustoadv@icloud.com

Ribeirão Preto


*

SOB O GUARDA-CHUVA DO STF


A baixaria na CPI da Covid não tem fim. É um circo de palhaços, conforme manifestação do presidente Aziz e do senador Marcos Rogério . Os depoentes, investigados ou testemunhas, comparecem sob a guarida do STF e permanecem calados. O relator é um notório transgressor da lei, que até usou avião da FAB para fazer transplante capilar, e, agora, quer se transformar em paladino da justiça para permanecer com as benesses do Senado e das propinas  que o cargo lhe oferece.  Se propina movesse as hidrelétricas, não haveria carência energética nem ameaça de racionamento. 


J. A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


*



CARLOS WIZARD


O “depoimento” do sr. Carlos Wizard na CPI da Pandemia foi verdadeiramente surreal e escancarou o cinismo e a hipocrisia daqueles que, vivendo a vociferar as palavras da Bíblia, deixam-nas apenas soltas ao vento e não as refletem. Horas a fio recusando-se a responder às mais comezinhas perguntas, tudo para não se incriminar – e, evidentemente, quem não quer se incriminar é porque sabe que deve, não é? É muito bonito falar em servir ao Senhor, em amor ao próximo, em caridade, em compaixão, em solidariedade; uma pena que tantos e tantos autointitulados crentes não sigam as mais básicas regras, os mais elementares valores cristãos: mentem, apoiam a violência física e moral, disseminam ódio contra minorias, não se comovem com a dor, o sofrimento e a morte do próximo. O Estado abordou brilhantemente a questão em editorial de 15/6 (Uma questão moral); é hora de desmascarar os falsos pastores e os falsos fiéis, gente que abusa da fé e da credulidade alheias para propósitos egoístas, indignos e até escusos; é hora de chamar à razão aqueles que ingenuamente acreditam em suas mentiras.

Flavio Calichman ibracal@uol.com.br

São Paulo


*

O SILÊNCIO


Suspeito de integrar o suposto “gabinete paralelo” do governo federal no mal e condenável aconselhamento ao negacionista presidente Bolsonaro na errática e criminosa condução da pandemia, em contraposição ao ditames da ciência, da medicina e do Ministério da Saúde, o notório empresário Carlos Wizard usou o direito constitucional de se manter calado no depoimento prestado à CPI da Covid, conforme assegurado por decisão do Supremo Tribunal Federal. Em resposta a perguntas feitas pelos senadores, teve o desplante de repetir feito papagaio que permaneceria em silêncio nada menos que 71 vezes. Trata-se do famoso e conhecido ardil da defesa de “entrar mudo e sair calado”, para não se incriminar. Em vez de negar as acusações, optou por ficar de boca fechada.Com efeito, seu silêncio só fez  tornar ainda mais insuspeita a suspeita que há. Vergonha!


J.S. Decol  decoljs@gmail.com

São Paulo


*


UM DÓLAR POR DOSE

A acusação da superpropina de um dólar por cada dose de vacina, a apresentação do superpedido de impeachment de Bolsonaro e o supersilêncio de Carlos Wizard na CPI da Covid, concedido pela Suprema Corte brasileira, transformou a quarta-feira passada num verdadeiro tormento para o presidente da República. Os laboratórios que produzem ivermectina e cloroquina já garantiram lucros exponenciais, desde o primeiro semestre de 2020. Formas diferentes de negociar vacinas diversas ainda não foram esclarecidas pelo governo federal. Os assessores de Bolsonaro já exoneraram Roberto Dias, que era diretor de logística do Ministério da Saúde. Bolsonaro está acuado entre o deputado Ricardo Barros e as negociações impróprias de vacinas.

José Carlos Saraiva da Costa  jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

*

SAÚDE EM ÚLTIMO LUGAR

A  cada audiência a CPI da Covid avança a constatação de que há irregularidades na aquisição de vacinas. E por parte de integrantes do Ministério da Saúde. Ou seja, importa para alguns a possibilidade de auferir vantagens financeiras, deixando a  saúde dos brasileiros  em segundo plano.


Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos


*

DOSE DE REFORÇO


No Brasil negacionista, a imunização ficou assim: dose inicial com cloroquina; reforço com propina...

Ademir Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

*


PLANALTO É CASO POLÍCIA

Soberbo, mentiroso, desagregador, desumano e covarde, e ainda ameaça sair na porrada com seus opositores. Seu nome Jair Bolsonaro! Infelizmente, presidente do Brasil! Arrotava não ser seu governo corrupto,  e hoje é um flagrante caso de polícia, junto com aliados do Centrão.  Articulavam desviar bilhões de reais na compra de vacinas, mas um servidor concursado da Saúde, Luiz Ricardo Miranda, denunciou as graves irregularidades na compra superfaturada da vacina indiana Covaxin, juntamente com seu irmão, deputado Luiz Miranda, na CPI, que outras denúncias e revelações escabrosas estão sendo noticiadas pela nossa imprensa envolvendo esse desgoverno. Estão envolvidos supostamente nestas falcatruas até militares com cargos neste governo.  Se havia um recorde histórico de mais de 100 pedidos de impeachment, agora, um novo foi protocolado na Câmara como “superpedido” de impeachment”, assinado por políticos, ex-bolsonaristas, juristas, artistas, movimentos sociais, etc., atribuindo 23 crimes de responsabilidade a Bolsonaro. Oxalá seja interrompido seu mandato! Já que mais traumático é mantê-lo no poder desta República, porque não respeita as nossas instituições, tampouco os filhos desta Pátria, e ainda flerta com regime de exceção.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


*

BOLSONARO E AS FORÇAS ARMADAS


No momento em que a CPI da Pandemia avança em denúncias de irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin pelo governo brasileiro, o presidente Jair Bolsonaro disse que só tem paz e tranquilidade porque temos as Forças Armadas comprometidas com a democracia. Reiteradamente falacioso, tendencioso e estelionatário ideológico contumaz, temo aqui mais uma demonstração de que o nosso incauto e temerário presidente ousa pronunciar o sagrado nome das Forças Armadas em vão. Parece, mesmo, que a ficha ainda não caiu para Bolsonaro e que ele ainda supõe, levianamente, que as Forças Armadas vão acompanhá-lo em desmandos, golpes publicitários e tentativas, também vãs, de exonerar-se do imenso rol de (ir)responsabilidades que lhe serão cobradas.

Marcelo Gomes Jorge Feres Marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

*

MATA E DESMATA

O negacionista Jair Bolsonaro tem como objetivo as ordens de: “mata e desmata”. Ora “desmata”. porque dizimou as Florestas Amazônica e Pantaneira. Ora “mata” porque negou a vacinação, e potencializou a corrupção no âmbito vacinal. Isso é o que temos para hoje. Pobre Brasil e basta de Bolsonaros!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


*



MANDA OU NÃO MANDA ?

Por diversas vezes, Bolsonaro fez questão de salientar publicamente que ele é quem manda. Salientou, ainda, que não tolera que o seu mando seja desrespeitado ou desconhecido pelos subalternos da República. Como declara, agora, diante dos problemas no Ministério da Saúde relacionados com a Covaxin e outras vacinas, ser impotente? Por acaso sua impotência é determinada pelo Centrão e agregados?

José Carlos de Carvalho Carneiro  carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro


*

EVOLUÇÃO BRASILEIRA

Em 28 de julho de 1938, as volantes fuzilaram Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros. As cabeças cortadas foram expostas na escadaria da igreja de Piranhas, Alagoas. Oitenta e três anos depois, o aprendiz de cangaceiro de nome Lázaro foi fuzilado com 38 tiros, mas sua cabeça não foi exposta em uma estaca ou em lugar público. Definitivamente estamos nos civilizando. Já a motivação de ambos os casos, servindo aos latifundiários, continua na mesma.

Harry Rentel harry@florarome.com.br

Vinhedo

*

A DEMOLIÇÃO DO TOBOGÃ


O último dia do mês junino também foi o de um setor do Pacaembu apelidado de “tobogã”,  aquela construção no fundo do  estádio feita em cima dos destroços da Concha Acústica original, que combinava muito mais com o desenho e desejo do seu criador que a estrutura disforme colocada em seu lugar. Na época, houve muito barulho, mas venceu a desculpa de aumentar sua capacidade, o que resultou em  algo esquisito para o local. A primeira vez que fui ao Pacaembu foi em Dezembro de 1954,para assistir a um jogo do meu time Corinthians, que terminou empatado com o Juventus, que volta e meia “aprontava” contra os grandes, daí seu apelido de Moleque Travesso. O Corinthians que tinha estádio próprio, mas pequeno, usava o Pacaembu como casa sua e quando a prefeitura propôs sua venda, muitos corintianos propuseram que o time firmasse um contrato de uso por 30 anos, com a responsabilidade de manter o estádio para sua função original, porque se engana  quem acredita que a empresa ganhadora pensará no Pacaembu com outras atividades além do seu uso comercial. Quanto ao “tobogã”, esquisito, comparando-o com o resto do estádio, a sugestão dos corintianos era sua demolição, e em seu lugar construir um anel ligando as duas pontas do fundo com as mesmas características, ficaria igual à entrada e, creio, até com aumento da  capacidade de assistentes, mantendo o uso social na parte traseira pós-anel. Pena o Corinthians não ter se interessado. Perdeu a chance e se meteu na ilusão de estádio seu, com a dívida monstruosa da Arena, que ameaça até mesmo seu fechamento.


Laércio Zannini spettro@uol.com.br

São Paulo


*


SOBRE SUSTENTABILIDADE

Foi um respiro de ar fresco ler a crônica de Mônica Nóbrega (Sustentabilidade de Fachada, Estadão, 29/6) sobre sustentabilidade, porque as pessoas têm a péssima mania de vincular o turismo com prazer, alegria, profissão “limpa”, ecológica e de responsabilidade social. As pessoas falam de sustentabilidade, mas não pensam no bem-estar humano e nos residentes locais. As relações são desarmônicas, porque muitas vezes os contrastes são enormes: luxos oferecidos pelos empreendimentos turísticos contra a população em situação de precariedade. Pior ainda são as promessas de empregos que não se efetivam. No turismo, o servilismo é que pauta o trabalho dos residentes locais. Como o turismo é geralmente administrado por empresas multinacionais, além da perda de arrecadação pública, os trabalhadores sofrem, pois mesmo se você for o mais qualificado, os melhores cargos vão para os estrangeiros. Para os trabalhadores locais de baixa qualificação, os problemas são ainda maiores: ausência de direitos legais, baixa inserção na atividade, contratos sazonais, baixíssima remuneração, informalidade, presença de jovens e crianças, elevado número de horas trabalhadas, baixo grau de sindicalização, nítida divisão de gênero pela desvalorização da mão de obra feminina, proletarização (alienando o trabalhador no seu cotidiano e no seu espaço) entre outros. Apesar de sua importância para governos e empresas, o trabalho no turismo apresenta precariedade que traz muitos custos sociais.

Marisa Csordas csordas-ma@hotmail.com

São Vicente


*



A VINGANÇA DA NATUREZA


A bola já estava cantada há muito tempo. Desde antes da saudosa e inoperante Rio 92, que ano que vem aniversaria 30 anos, a Natureza vinha avisando o Predator Hominis das agressões sofridas em quase todos os seus sagrados flancos, a saber: as matas transformando-se em savanas, a Mata Atlântica e Amazônica e do Pantanal deixando saudades, uso indiscriminado de combustíveis fósseis, secas e inundações, aumento da produção de carbono na atmosfera, desmatamento progressivo e criminoso, queimadas em várias partes do planeta, pouco e mau uso de fontes de energia limpa (solar, eólica, biomassa), enfim, dá pra encher um tratado com a maneira burra com que a “humanidade” utiliza seu habitat. O Acordo de Paris? Rendeu pouco, e muitos governos nem se lembram mais do que foi acordado. Pior: esta mesma humanidade não tem um planeta B. É só este mesmo. Vai demorar séculos até que outro planeta – Marte? – seja habitável, se é que será. Triste constatar o degelo contínuo e irreversível das calotas polares, ainda mais com a fornalha que no verão do Hemisfério Norte se instala em várias partes do globo – oeste do Canadá e dos Estados Unidos –, regiões antes intocadas pela fúria das alterações climáticas. A vingança da Mãe Natureza vem inapelável e com toda força. Quem (sobre)viver verá.


Hermann Grinfeld hermann.grinfeld@yahoo.com.br

São Paulo


*

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.