Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2021 | 23h50

Estado de Direito

Nuvens sombrias

Populistas autoritários se infiltram em partidos democráticos e se assenhoreiam da democracia, cujos atributos são instituições dentre as quais figura em especial, mas não somente, o voto direto, universal e secreto – é possível haver ditaduras com urnas. Eles ferreteiam principalmente a liberdade de imprensa, a separação dos Poderes (freios e contrapesos), com ênfase no Judiciário, e atacam as universidades, como se tenta no Brasil e já se verifica na Hungria e na Polônia – para nos cingirmos à culta Europa. O alerta de Anne Applebaum, autora de O Crepúsculo da Democracia (4/7, A8), tem de emergir da consciência dos brasileiros lúcidos antes que seja tarde.

AMADEU ROBERTO GARRIDO DE PAULA AMADEUGARRIDOADV@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Ditadura

Jair Bolsonaro está transformando as instituições de Estado em instituições de “governo” – algumas, aliás, já transformadas. E assim vai implantando uma ditadura – que terá um desequilibrado e desqualificado, para dizer o mínimo, como “o ditador”. Um fascismo de fazer inveja a Mussolini.

OSWALDO BAPTISTA PEREIRA FILHO OSWALDOCPS@TERRA.COM.BR

CAMPINAS

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Impeachment

Pelo volume de pessoas saindo às ruas para protestar contra o governo Bolsonaro, acredito estar na hora de ele já ir pondo as suas barbas de molho.

VIRGÍLIO MELHADO PASSONI MMPASSONI@GMAIL.COM

JANDAIA DO SUL (PR)

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A favor e contra

Manifestações são realizadas, mas Lulla é contra o impeachment. Se Bolsonaro não for o adversário, Lulla não ganha de ninguém...

A. FERNANDES STANDYBALL@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Prevaricação

O deputado Arthur Lira que não prevarique, abra a sua gaveta e encaminhe as petições a fim de que a decisão correta possa ser tomada.

WILSON SCARPELLI WISCAR@TERRA.COM.BR

COTIA

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Parlamentarismo

Além das indispensáveis reformas administrativa, tributária e demais, outra se torna imprescindível para o País: a implantação do parlamentarismo. Com um novo plebiscito, agora que o PT não tem mais o domínio dos sindicatos. Na ocasião da última consulta popular, em 1993, o PT tinha na mão a máquina sindical e a usou de todas as maneiras (lícita e ilicitamente), como sempre fez, pois esperava chegar à Presidência – não contava com o Plano Real. Numa assembleia no Sindicato dos Bancários em São Paulo para ver como eles deveriam votar, a direção propunha o presidencialismo. Comentei com uma colega ativista que o parlamentarismo seria melhor, é mais fácil trocar governos incompetentes, e ela me respondeu: “Que é isso, companheiro, agora que vamos conseguir chegar lá?!”. Esse é o PT, sempre pensando apenas nos seus interesses, não no que é melhor para o País.

HERBERT COSTA TAGARELA53@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Corrupção

Covaxin

Militares e os mesmos “políticos” de sempre envolvidos com o “rolo” da Covaxin. E outro presidente que não sabia de nada. Milhões ou bilhões voando de bolso em bolso... Acho que já vi essa novela antes. Quem sabe agora o brasileiro volte a valorizar a destruída e saudosa Lava Jato e o juiz Sergio Moro, que foi execrado pelo STF.

HELEO POHLMANN BRAGA HELEO.BRAGA@HOTMAIL.COM

RIBEIRÃO PRETO

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Ladroagem

O pensador Nicolau Maquiavel preconizou em 1518, em sua obra Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio, que, ao ser instalada a corrupção nas instituições de uma República, as dificuldades para eliminá-la seriam imensas, quase impossíveis. Ele já estava antevendo a realidade brasileira, com o mensalão e o petrolão petista e o chamado vacinão bolsonarista, só considerando os escândalos mais recentes. A corrupção, pelo visto, foi institucionalizada na República brasileira.

J. A. MULLER JOSEALCIDESMULLER@HOTMAIL.COM

AVARÉ

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Justiça seja feita

O Judiciário foi a instituição mais aplaudida e acreditada pela opinião pública nos anos turbulentos em que se combateu a corrupção no Legislativo e no Executivo. Julgamentos monocráticos controversos liberando réus inconfessos a partir da não aceitação de provas confessadas por partícipes de butins, gosto pelos holofotes da mídia em declarações polêmicas, não se isentar em julgamentos de pessoas com as quais se mantêm notórias relações são algumas das atitudes que mudaram tal percepção na cúpula desse Poder. Atos realizados despreocupadamente se tornaram razão para aumentar a descrença na instituição. Dentre todos eles, devem-se destacar os julgamentos que levaram à inversão de valores, fazendo de Sergio Moro um vilão e de Lula da Silva um ícone da probidade. Logicamente, petistas comemoraram a dupla vitória, que mais uma vez é imputada pelo povo a juízes que em julgamentos de viés político avalizaram quem os indicou para o cargo. O descrédito de Moro foi triplamente aplaudido: por petistas, bolsonaristas e todos os corruptos deste país, que viram nisso a leniência com a corrupção. Aliás, corrupção é o que parece não faltar na área da Saúde. Como se comportará agora o Judiciário?

SERGIO HOLL LARA JRMHOLL.IDT@TERRA.COM.BR

INDAIATUBA

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Mudar é preciso

O STF virou um tribunal político. É preciso haver mudança na forma de indicação, porque do jeito atual os ministros ficam a dever o favor aos presidentes e ex-presidentes que os nomearam e se tornam subservientes e servis a eles. Não há imparcialidade em seus votos. Mais parecem advogados das partes.

CARLOS ALBERTO DABUS MALUF CARLOSALBERTODABUSMALUF@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

IMPEACHMENT DE JAIR BOLSONARO

Fernando Collor caiu pelo esquema de corrupção comandado por P.C. Farias; Lula caiu pelo bilionário propinoduto instaurado nas estatais em benefício próprio e do PT; e Dilma caiu pelas “pedaladas fiscais”. Jair Bolsonaro deverá cair pelas vacinas, seja porque evitou comprá-las, provocando a morte de mais de meio milhão de pessoas, seja pelo “vacinagate”, a tentativa (atrasada) de aquisição de 400 milhões de unidades da indiana Covaxin com propina de US$1,00 a dose. Se não for impeachado nos próximos meses, vai continuar sangrando até outubro de 2022,virando presa fácil no ringue eleitoral para o ficha-suja Lula. A conferir nos próximos capítulos.

J. S. Decol decoljs@gmail.com

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‘CUIDADO, PRESIDENTE’


Que me desculpe FHC, mas Bolsonaro não pode ser mais aconselhado a se redimir de seus erros. Sua empáfia, seu descaramento ao ignorar o sofrimento alheio e sua ignorância sem limites não permitem mais conselhos, mesmo porque ele nunca aceitou nenhum. Infelizmente seu destino está traçado e, quando aqueles que ainda lhe dão sustentação perceberem que também estão indo para o brejo, precipitar-se-á no abismo sem que nenhuma mão apareça para salvá-lo.

Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com.br

São Paulo

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REELEIÇÃO

Em que pese já ter sido presidente da República por dois mandatos – destaque-se que a “reeleição” é obra de sua gestão –, FHC fala com ar de ingenuidade: o povo que elegeu, então o Congresso não poderia retirar. O Congresso só dá seguimento ao processo de impeachment por pressão popular.

É um terceiro impeachment em 30 anos, mas não é banalização. O governante tem de saber que pode ser retirado do cargo antes do previsto por não respeitar o compromisso assumido. E não deveria mais ter o direito de voltar a ocupar qualquer cargo público. E, cá entre nós, se não houvesse a possibilidade de reeleição, muitos dos graves problemas nacionais não existiriam: pela reeleição parece que o vale-tudo comanda. Ponha a mão na consciência FHC!

Ana Lucia Amaral anaamaral@uol.com.br

São Paulo

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CÚMPLICES?


A maior materialidade  para que o sr. Arthur Lira (PP-AL) convença que a hora do impeachment é agora é o povo nas ruas, mas conseguiremos isto em breve. Alô eleitores de Arthur Lira (PP-AL) e de Rodrigo Pacheco (DEM-MG ), cobrem deles uma atitude, pois se tornam cúmplices  das mortes por covid-19!

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

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MILITARES E OS 80 ANOS DE CLARICE HERZOG

Clarice Herzog só sabe que seu marido, Vladimir Herzog, entrou vivo no Doi-Codi e saiu morto, com a esfarrapada desculpa dos militares de que ele se matou.

Hoje, com Bolsonaro e seus militares, corremos risco maior, educação arrasada, meio ambiente destruído, queimadas e contrabando de madeiras, cultura acabada.

O Ministério da Saúde é responsável por mais de 522 mil mortes, gerido por militares e pastores que, por obedecer ao instinto assassino do presidente e de olho nos  pixulecos endereçados ao Centrão, não se comovem com as mortes! Ministério da Justiça, Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República, Supremo Tribunal Federal, todos cooptados .

Estão juntando dinheiro para as campanhas? O que pretendem com os bilhões que seriam tirados do povo brasileiro, desempregado e com fome?

Esse homem precisa ser detido sr. Arthur Lira ,você é cúmplice!

Até quando Bolsonaro e seus militares de estimação vão dar rolê de moto nas nossas cabeças?

Cecilia Centurion ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo

MORO X  STF

O Brasil inteiro vai se lembrar. Quando Moro era juiz e cioso de suas obrigações, nenhum, eu disse nenhum, “magistrado” do STF tinha coragem de se pronunciar. O único que se manifestava, mas concordava com 99% de suas ações, era o falecido Teori Zavascki. Os demais não davam nenhum pio. Seus comportamentos vingativos demonstram de forma cabal falta de caráter. Envergonham o País com suas atitudes covardes.


Paulo Henrique Coimbra de Oliveira ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro


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BOLSONARO E O CENTRÃO NA CADEIA

O presidente Bolsonaro é o dono da Polícia Federal, manda e desmanda naquela instituição. Isso torna ainda mais suspeito o fato de Bolsonaro não ter acionado a Polícia Federal no mesmo momento em que tomou conhecimento de supostas irregularidades na compra das vacinas. Bolsonaro sabia do fato, sabia que era assunto do interesse do chamado Centrão, sabia que eram ações praticadas pelo líder do seu governo e sabia que, se acionasse a Polícia, iria “dar merda”, nas palavras do próprio presidente da República. Não é possível relevar a catastrófica gestão da Saúde na pandemia promovida por Jair Bolsonaro. Saber que, além do negacionismo, da incompetência, do desinteresse, do escárnio com a dor alheia houve má-fé criminosa, houve busca por propina, por superfaturamento das vacinas, saber que esse lixo de governo sabia de tudo isso e nada fez para não melindrar o Centrão é demais, não é possível que alguém continue apoiando o governo Bolsonaro. O Brasil espera punição exemplar, cadeia, para todos os envolvidos na tragédia brasileira. Bolsonaro e o Centrão tem de ir brigar pelo poder na cadeia.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

 

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TRÉGUA

Com a variante Delta, Portugal voltou às medidas de recolhimento da população. Esse coronavírus não dá trégua a ninguém. 

Quando pensávamos que já poderíamos voltar à vida normal,  o vírus ressurge através de nova cepa para nos atormentar.

Aí ficamos inseguros quanto à imunização garantida pelas vacinas e até que ponto poderemos ousar ir à praia e ao bar para curtir uma cerveja com os amigos, ao restaurante para saborear um prato que em casa não fazemos, ao teatro para assistir a uma boa peça, ou ao estádio para torcer por nosso time do coração, enfim, sairmos à rua para respirar sem medo de nos inocularmos.

Será que, só quando houver um remédio efetivo que protege de todo e qualquer vírus e suas várias cepas, poderemos nos julgar a salvo?

E quando isso chegará?


Lairton Costa lairton.costa@yahoo.com.br

São Paulo


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NOTÍCIA ALVISSAREIRA


Notícia alvissareira informa que, apesar da lentidão na vacinação dos brasileiros, as internações e mortes se mostram em queda. Ora, a causa se deve em grande parte ao governo de São Paulo, pelo suporte dado ao Ministério da Saúde, com a vacina Coronavac do Instituto Butantan. Mesmo assim, tem negacionista de plantão que continua desdenhando do imunizante, não é mesmo Bolsonaro?

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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‘INVOICES’ DE COVAXIN


O portal G1 apresenta duas das discutidas faturas (“invoices”) de Covaxin recebidas pelo Ministério da Saúde. Sem mesmo considerar os termos do contrato, que não são divulgados, ninguém com o mínimo conhecimento de aritmética poderia aceitar qualquer uma das duas, daí ser absurda a pressão sobre o funcionário. Vejamos: uma das faturas especifica 300 mil doses a US$ 150,00 (??) cada uma, totalizando US$ 45 milhões; um preço absurdo para cada dose. A outra fatura anota que são 3.000.000  de doses a U$ 15,00 cada, totalizando US$ 45 milhões, mas, no detalhamento da mercadoria vendida, especifica que ela vem em 300 mil caixas, cada uma com 16 doses, ou seja, são 4.800.000 doses e não 3.000.000; nesse caso o preço por dose é de US$ 9,375. Por certo, nem os indianos nem os chefes de nosso funcionário souberam examinar os números dos documentos. Comparando as duas faturas, é fácil aceitar que se trata da venda de 300 mil caixas, cada uma com 16 doses da vacina (são 4.800.000 doses), ao preço de US$ 45 milhões. Esse preço representaria US$ 9,375 por dose. De repente, com a confusão feita, US$ 9,375 viraram US$ 15,00. Recomenda-se usar esse preço menor “de partida” numa renegociação dessa vacina.


Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

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O NEGÓCIO DAS VACINAS FANTASMAS


A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a Covid-19 está descobrindo negócio potencialmente bilionário de compra de vacinas fantasmas entre o Ministério da Saúde e intermediários que não têm nada a ver com o ramo médico: um cabo da PM mineira representando uma firma americana de material de construção, e um pastor da Senah. O impressionante é que os representantes do Ministério da Saúde (que foram demitidos às pressas) tiveram tempo para receber e conversar com essas pessoas, dentro e fora do próprio Ministério, mesmo sabendo que os fabricantes das vacinas vendem diretamente a governos, e não por intermédio de atravessadores. Tudo aconteceu debaixo do nariz do capitão, que não fez nada depois de ser alertado para a existência das falcatruas. A melhor frase que descreve tanta malandragem é de Machado de Assis “A ocasião faz o roubo, o ladrão já nasce pronto”.


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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CONFIAR EM QUEM?


O papa Francisco afastou 10 pessoas do Vaticano, entre elas um cardeal, por suspeitas de crimes financeiros, incluindo peculato, lavagem de dinheiro, extorsão, fraude e abuso de poder. Nos anos 80,o Banco Ambrosiano, também do Vaticano foi alvo de desvio de dinheiro. Juízes brasileiros, incluindo os da Suprema Corte, são suspeitos de venda de sentença e votar conforme o viés ideológico. Se não podemos confiar na Igreja e muito menos na Justiça, pergunto: confiar em quem?


J.A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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IPVA

Os nossos deputados e senadores deveriam disciplinar, limitar o Imposto de Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Talvez o teto poderia ser de R$ 5 mil. No geral, os proprietários dos veículos mais caros são mais cuidadosos no trânsito, na manutenção do seu carro e provocam menos danosos à pista, mas são penalizados com alto valor do IPVA. Na verdade, o IPVA deveria ser pouco superior ao valor suficiente para cobrir as despesas da renovação anual, visto que, lá atrás, na compra do veículo zero-quilômetro, quase 50% é só de imposto. A mídia no Espírito Santo divulgou no início do ano o pagamento de R$ 130 mil de IPVA de um McLaren. Um assalto legalizado!

 

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vilha Velha (ES)


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ADIÓS CUBA!

No embalo de um déjà vu, mais um atleta tenta evadir-se do paraíso cubano, ao abandonar a delegação de seu país, desta vez para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Aproveitando a passagem pela Europa, o saltador triplo Jordan Díaz, um dos melhores do mundo na sua modalidade de atletismo, fugiu do grupo destinado a representar a joia socialista do Caribe nas maiores competições do planeta. Não foi divulgado em que local do velho mundo o atleta se encontra e ainda não se sabe o que lhe acontecerá. Oxalá não ocorra com ele algo semelhante ao que se presenciou durante os Jogos Panamericanos do Rio de 2007, quando o então Ministro da Justiça, Tarso Genro, foi inexplicavelmente expedito ao deportar  os boxeadores da delegação daquela ilha da fantasia Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, após eles também terem abandonado a equipe nacional e solicitado asilo no Brasil. O  citado ministro alegou na Comissão de Relações Exteriores do Senado que os referidos atletas estavam sendo enviados de volta tão rapidamente a pedido deles próprios, o que, à época, provocou um “me engana que eu gosto” aqui no Brasil.

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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GERAÇÕES E EXPRESSÕES


Em todas as épocas, as gerações mais jovens viram nas que as antecederam formas de as criticarem, por estarem fora de moda. Essa realidade sociológica atualmente ganha novas expressões tipo “cringe”, que as atuais gerações utilizam para se sentirem atualizadas com seus pares de idade e se diferenciarem da geração que as antecederam. Nem imaginam que dentro de poucos anos os que agora estão nascendo vão igualmente vê-los como ultrapassados, criando novas expressões que servirão para diferenciá-los. Vida que segue.


José de Anchieta Nobre de Almeida josedalmeida@globo.com

Rio de Janeiro


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NOVO CENÁRIO DA AGRICULTURA 4.0


A produção agrícola no Brasil é uma das principais responsáveis pelos valores da nossa balança comercial e pelo PIB. Nosso país nasceu deitado num berço esplêndido, com muita terra bem agricultável, muita água, muito sol e mão de obra barata. A pergunta que temos pela frente é se o futuro de nossa agricultura vai espelhar toda essa grandeza. As coisas estão mudando. Por exemplo: a Holanda, pequena no tamanho, mas gigante no comércio de produtos agrícolas,  exporta muito menos do que o Brasil em volume, mas arrecada muito mais dinheiro, dado o maior valor agregado dos produtos que exporta. As tecnologias agrícolas estão evoluindo rapidamente. Agricultura 4.0 é o nome do novo paradigma. No cardápio: novas espécies, estrutura do solo, aplicação localizada de nutrientes e produtos químicos, micróbios, fungos, estufas, densidade e arquiteturas de semeadura, cultivo vertical, monitoração, remoção de ervas daninhas e controle de pragas, precisão, automação, robótica e Inteligência Artificial, novas técnicas de conservação e embalagens, bem como de processamento, ganham importância na produção. A produção no futuro vai demandar dezenas de vezes menos terra e dezenas de vezes menos água para produzir o mesmo. Saberá aproveitar muito melhor a luz do sol e usará muito mais mecanização que mão de obra. E nossos futuros concorrentes já estão trabalhando assim em 2021. Não dá para enfrentar a concorrência de agricultores 4.0 se permanecermos agricultores 2.0, a geração tecnológica está mudando. E as vantagens competitivas que temos nos garantem cada vez menos. Vide o exemplo que citamos da pequena Holanda, que está ganhando de nós de goleada. Se quisermos que, no futuro, nossos lindos campos não só tenham mais flores, como liderem a produção mundial, nossos bosques tenham mais vida e nossos produtos tenham mais qualidade, urge despertarmos para as novas tecnologias que estão ocupando espaços ao redor de todo o planeta num ritmo acelerado. Ao invés de braço forte, será preciso usar cada vez mais inteligência. Inclusive Inteligência Artificial.


Jorge Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo


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IBRAM ALERTA SOBRE MUDANÇAS NO CÓDIGO DE MINERAÇÃO

“Mais uma vez o Brasil está diante de um movimento político em busca de mudanças na legislação que rege a mineração industrial e, assim como há alguns anos, poderá gerar uma lacuna na tomada de decisão de investimentos bilionários, e de longo prazo, no país.” Foi o que afirmou em comunicado o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) sobre a decisão da Câmara dos Deputados de criar um grupo de trabalho para apresentar uma proposta de novo Código de Mineração em 90 dias, a contar de 18 de junho de 2021. O instituto reúne mineradoras responsáveis por mais de 85% da produção mineral brasileira. 


Para o Ibram, o Código de Mineração pode ser mantido como está. Sua eventual revisão pode ser realizada de forma pontual, sem necessidade de prazos curtos, como este estabelecido pela Câmara. “O que o setor mineral brasileiro precisa é de mais políticas públicas que abram espaço para seu desenvolvimento sustentável, com providências fundamentais, como estimular a pesquisa mineral, criar linhas de financiamento e regras de licenciamento ambiental específicas, compatíveis com a realidade deste setor, entre tantas outras iniciativas. Governo e Parlamento devem unir esforços nesse sentido. Rediscutir o Código de Mineração da forma como está posto não contribui para o desenvolvimento da mineração. Pelo contrário.”


A entidade lembra que por mais de 10 anos o governo federal e setores do Congresso Nacional discutiram mudanças no Código de Mineração, culminando com a Lei Nº 13.575, de 26/12/2017, que criou a Agência Nacional de Mineração (ANM) e revisou parte do mencionado Código. “Como esse debate se prolongou durante muito tempo, e havia sinalização para elevar os custos da produção mineral – o que acabou sendo efetivado por meio de decretos presidenciais em 2017 –, os investidores internacionais frearam severamente aportes bilionários, direcionando-os para nações concorrentes, que ofereceram um cenário mais estável, como Austrália, Peru, Chile, países africanos, entre outros”, afirma o comunicado, acrescentando que “o Brasil perdeu até mesmo protagonismo na produção e nas vendas do carro-chefe das exportações minerais, que é o minério de ferro, para a Austrália, diante do moroso impasse criado pelas perspectivas de alterações no Código de Mineração. Até hoje, mais de dez anos depois, a Austrália segue à frente do Brasil. Esse fato gerou uma cratera gigantesca na geração de divisas e na aplicação de bilhões de dólares no país em todos esses anos, afetando direta e indiretamente a vida da maioria da população brasileira”.


O comunicado alerta que “o setor mineral decide seus investimentos levando em conta um cenário de décadas e, portanto, quanto mais segurança e perenidade nas regras legais e infralegais o país oferecer, melhor. Há minas que produzem minérios durante muitas décadas e, portanto, contar com a mineração industrial é uma vantagem competitiva para qualquer nação”.


Diz, ainda, que depois que as discussões anteriores em torno do Código de Mineração foram encerradas pelas autoridades, em 2017, o setor voltou a recuperar o ritmo de crescimento nas perspectivas de investimentos.  “A partir de 2018, mesmo com custos mais elevados – sem que o setor mineral tivesse oportunidade de apresentar devidamente seus argumentos contrários –, os investimentos passaram a US$ 19,5 bilhões para o período 2018-2022 e segue crescente, inclusive para o período 2021-2025 (US$ 38 bilhões).”


O Ibram lembra que a mineração, seja no Brasil ou em outros países, é um setor cíclico, “ou seja, ora apresenta boas perspectivas de valorização das commodities minerais, ora de redução tanto de preço quanto de demanda internacional. Os empresários do setor não têm controle sobre os preços dos minérios, que são decididos com base nas perspectivas de oferta e demanda em plataformas de negociação bastante complexas. Por isso, é crucial que países mineradores, como o Brasil, um dos principais players tradicionais, tratem a mineração como estratégica para promover seu desenvolvimento socioeconômico, com racionalidade, com políticas públicas que permitam perenidade nos investimentos e nos negócios, realizados, como afirmado, sempre no longo prazo”.


O comunicado finaliza dizendo que “alterações na legislação são bem-vindas quando envolvem a participação democrática de todos os interessados e desde que realizadas em um ambiente em que todos os envolvidos estejam conscientes de que é preciso ter amplo e profundo conhecimento das características específicas do setor mineral. Convém estabelecer o alerta de que qualquer alteração inadequada pode comprometer a competitividade das indústrias minerárias e estão em jogo não apenas essas companhias, mas a geração de divisas para o país, a arrecadação tributária e a movimentação de extensas cadeias produtivas Brasil afora”.


A diretoria do Ibram convida todas as entidades do setor mineral a trabalhar em conjunto, de forma estruturada no combate a qualquer ação que possa comprometer o desenvolvimento do setor, como a atual proposta de um novo Código Mineral brasileiro.


“O Ibram e as mineradoras a ele associadas esperam que as autoridades públicas tenham serenidade para avaliarem cuidadosamente esta proposta de alterações legislativas ora em curso na Câmara e que a base do governo e a oposição, no Congresso Nacional, assegurem espaço adequado para a apresentação dos argumentos do setor mineral, conclui o comunicado.


Carlos Leonel Imenes leonelzucaimenes@gmail.com

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ASSALTO AOS COFRES PÚBLICOS EM MINAS GERAIS


A imprensa tem divulgado vários absurdos praticados contra os cofres públicos! Um relato que é um escândalo foi à contratação pela Câmara Municipal de Belo Horizonte da empresa Estrela Locadora para locação de veículos por cinco milhões e novecentos mil reais!

Este contrato se refere ao aluguel de 72 veículos para uso da Câmara Municipal! Outros abusos vêm sendo praticados pela administração da Cemig! Contratação de uma empresa de tecnologia por um bilhão de reais! Contratação no valor de cento e quarenta e cinco mil reais para aluguel de um imóvel em São Paulo! Contratação de um serviço de recrutamento para preencher cargo de presidente da Cemig por cento e setenta mil reais! Contratação de seis escritórios de advocacia por seis milhões de reais! Emissão de parecer sobre contratações por cento e setenta mil reais! Contratação de serviços de aconselhamento para o presidente da empresa por cento e cinquenta e seis mil reais! Diante destes abusos e escândalos não custa perguntar: onde estão o Ministério Público, o Tribunal de Contas e a Assembleia Legislativa para pôr fim a esses escândalos e desvio de recursos públicos?


Marcos Tito marcostitoadvogados@gmail.com

Belo Horizonte


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SPDM: MAU ATENDIMENTO


Escrevo para reclamar do mau atendimento da Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina/Programa de Atenção Integral à Saúde (SPDM/PAIS), que administra o Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande (SP). No dia 22 de junho, solicitei por e-mail ao Conselho Administrativo daquela entidade para que estudasse a possibilidade de que um médico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Samambaia, naquela cidade, que também é administrado pela SPDM/PAIS, fizesse uma consulta domiciliar para uma avaliação da saúde de minha sogra, Odete Lopes de Carvalho, 91 anos, que mora naquele bairro, mas, até agora, aquela entidade não se dignou a dar uma resposta.

Fiz o pedido por orientação do responsável por aquela unidade, Carlos Lobo, solicitando ainda, se possível, que fosse indicado para fazer a avaliação o médico Marione de Araújo Rocha, que faz parte do corpo clínico daquela unidade. Após essa avaliação, minha mulher pretende trazer sua mãe para a nossa residência, que fica na região metropolitana de Campinas, onde poderemos cuidar melhor dela, já que nesta localidade há vários profissionais especializados em tratamento do mal de Alzheimer. Na mensagem, expliquei ainda que gostaria também de saber se havia possibilidade de aquele Conselho Administrativo autorizar a remoção da paciente por ambulância da SPDM/PAIS. Até agora, infelizmente, não obtive nenhuma resposta.

Adelto Gonçalves marilizadelto@uol.com.br

Indaiatuba

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