Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2021 | 03h00

Economia e meio ambiente

De ouro e pau-brasil

O editorial Brasil, vendedor de commodities (4/6, A3) resume em poucas linhas o estágio tecnológico do Brasil diante da comunidade global. Somos campeões, com as exceções que confirmam a tese, de vendas de produtos primários, com baixo valor agregado, e do não investimento em educação, tecnologia e inovação, numa espécie de sina colonial da exportação de ouro e pau-brasil. Hoje, como informa o professor José Galizia Tundisi (5/7, A2), o orçamento anual do CNPq é metade do que era em 1995. Sem políticas industriais competitivas de equiparação tecnológica e de investimentos em educação e inovação, o famoso “espírito animal” do empresariado aplica suas reservas no agronegócio, de retorno seguro e de curto prazo. Com essa visão imediatista e falta de descortino sobre aonde pretende chegar, o Brasil continuará com renda média de um terço da dos países do Sudeste Asiático, que investiram fortemente em educação nos últimos 30 anos. E conservando o atual passivo de miséria e calamitosa distribuição de renda. Às vésperas de eleições gerais, quando se deveriam estar discutindo projetos de país, motivados pelo comprometimento, continuamos divididos, a optar entre o atraso e o anacronismo, na esperança vã de que surjam propostas lúcidas e sérias.

ALBERTO MAC DOWELL DE FIGUEIREDO

AMDFIGUEIREDO@TERRA.COM.BR

SÃO CARLOS

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Devastação

O desastre de que trata o editorial Devastação ambiental (5/7, A3) sabidamente é perpetrado por inescrupulosos empresários das trevas em conluio com insaciáveis políticos. E é a modalidade de corrupção mais danosa para o Brasil. Afinal, a apropriação e destruição criminosa do patrimônio natural de todos os brasileiros, mais do que um simples roubo, compromete irreparavelmente o futuro do nosso meio ambiente. As autoridades, em especial o Exército Brasileiro, não estão defendendo com eficiência o País nessa guerra de criminosos contra a natureza.

JOSÉ ELIAS LAIER JOSEELIASLAIER@GMAIL.COM

SÃO CARLOS

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Terra arrasada

Amazônia, cerrado, caatinga, nossos biomas em extinção. Até quando?

ULYSSES FERNANDES NUNES JUNIOR ULYSSESFN@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Desgoverno e eleições

Crime de prevaricação

O instituto do impeachment não pode nem deve ser banalizado, porque sua aplicação precisa resultar de fatos criminais inequívocos e que resultem de má governança ou desrespeito às regras de governar. Assim, no caso de Jair Bolsonaro, além de outros fatos típicos, temos a considerar o delito de prevaricação, quando deixou de comunicar à Polícia Federal (PF) e determinar a apuração dos fatos levados a ele pelos irmãos Miranda sobre a Covaxin, que podem consubstanciar propinas no Ministério da Saúde. O presidente deixou de cumprir sua obrigação ao não passar à PF a denúncia, reclamando providências. E assim procedeu para não desagradar ao Centrão, como ficou claro recentemente. Mas eis que o clamor popular e a tipicidade de delito, na verdade, fundamentam o impeachment, que passa a ser não uma banalidade, mas necessidade urgente.

JOSÉ CARLOS DE CARVALHO CARNEIRO CARNEIROJCC@UOL.COM.BR

RIO CLARO

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Legado democrático

Como será que os valorosos voluntários que lutaram e os muito que tombaram na Revolução Constitucionalista de 32, dando exemplo concreto de amor à Pátria e à democracia, se sentiriam agora ao verem os brasileiros enfrentando a situação trágica de ter como opção de escolha para presidente dois candidatos comprovadamente antidemocráticos, incompetentes e tão nocivos para o nosso país? Não consigo acreditar que os homens de bem da sociedade, do Judiciário, da política, capazes de mudar essa tragédia, deixarão que isso aconteça. Queira Deus que não se omitam e se fortaleçam com o inesquecível exemplo dos voluntários de 32. Que não sejam fracos como os que devolveram os direitos políticos a um ex-presidiário que deixou a Pátria saqueada e tentou cercear a liberdade da imprensa; ou como os que ignoram os pedidos de impeachment feitos pelo povo, saturado da incompetência, da insanidade e da falsidade do presidente atual.

MARIA TOLEDO A. GALVÃO DE FRANÇA MARIATOLEDOARRUDA@GMAIL.COM

JAÚ

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‘O significado do não’

A mudança de hábitos é método eficaz para prevenção de doenças crônicas. Na última eleição fizemos isso ao escolher um novo presidente com a promessa de combate à doença crônica da corrupção. Escapamos de uma e caímos em outra doença grave, agora aguda, infecciosa, acompanhada de uma série de decisões equivocadas e contrárias à ciência na sua condução. Não devemos escolher que tipo de doença queremos, mas lutar por uma solução saudável para o País. Chega de remédios amargos e ineficazes!

FABIO BAPTISTA FABAPTISTA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Voto eletrônico

O sr. J. R. Guzzo, em Golpe de quem? (4/7), afirma que Bolsonaro “disse que houve fraude na apuração de 2018; ele recebeu, com certeza, muito mais votos do que o TSE lhe deu”. Como leitor do Estado, peço que o sr. Guzzo apresente provas de sua declaração. Afinal, o Estado é um jornal que tem o compromisso com a verdade em sua missão. Espero que esta solicitação seja publicada, para conhecimento dos outros leitores.

CESAR ARAUJO CESAR.40.ARAUJO@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Educação

Escola obrigatória

Fundamental a matéria de capa de domingo: escola de educação básica só faz sentido se for para todos os alunos, todos os dias – direito garantido constitucionalmente, como deixa claro o texto de Renata Cafardo.

ARTHUR FONSECA FILHO ARTHUR.FILHO@COLEGIOUIRAPURU.COM.BR

SOROCABA

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

DE VOLTA ÀS RACHADINHAS

Gravações recentemente divulgadas confirmam a atuação do presidente Jair Bolsonaro em crimes de rachadinhas, com o recebimento de parte dos salários de assessores de toda a sua família de parlamentares. E aí, como fica o nosso sistema político dito republicano e democrático, confirma esta tal conceituação definidora ou confirma o que tantos sempre disseram, que o nosso sistema político é estruturado para jamais ser realmente democrático e republicando, mas apenas vestir-se neste estilo? Porque, se não for somente vestimenta, mas verdadeira essência democrática republicana, então que os responsáveis – leia-se Poderes Legislativo e Judiciário – que comecem a se movimentar no sentido de afastar esse nódulo canceroso que ameaça todo o corpo político-social da Nação e do Estado brasileiro. Realmente, ninguém foge ao que é, e as tentativas, agora já frustradas, do presidente Jair Bolsonaro de se esconder por dentre as imensas expectativas do eternamente ingênuo eleitor brasileiro por um governante assaz íntegro, parece, naufragam totalmente com as recentes divulgações dos áudios que o incriminam de modo inconteste nas questões criminosas das chamadas rachadinhas. Não, ninguém foge ao que é, porém o povo brasileiro há de escapar, sim, às garras covardes desse algoz travestido de cordeiro e de bom vigilante das coisas nacionais, mas que, em verdade, jamais deixou de ser o lobo hobbesiano (homo homini lupus) voraz que trucida o semelhante sem dó nem piedade por seus objetivos maquiavélicos de poder.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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NÃO É NOVIDADE

Lá atrás, no início das investigações sobre Flávio Bolsonaro e as rachadinhas, o presidente Jair Bolsonaro disse com todas as letras que “rachadinha todos fazem”, e foi mais longe dizendo “até eu fazia rachadinha quando era deputado federal”. Portanto, além de réu confesso, agora não pode negar a prática ilícita que resultou até na demissão de seu ex-cunhado que se negou a entregar parte dos seus salários. Afinal, Jair Bolsonaro deve responder por suas práticas maliciosas e por improbidade administrativa. O Brasil agradece! 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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BRASIL, O IMPÉRIO DO CRIME

Imagine uma empresa onde cada funcionário pudesse contratar até uma centena de assessores, sem passar por qualquer processo seletivo, cargos de confiança, e que os funcionários se apoderassem do salário desses assessores, numa ação criminosa carinhosamente chamada de rachadinha. Os tais assessores não teriam horário para trabalhar, a maioria nem apareceria sequer para pendurar o paletó. Evidentemente, uma empresa que operasse dessa maneira irá à falência, mas é exatamente assim que “trabalham” todas as Assembleias Legislativas no País inteiro. Uma vez eleito vereador, deputado ou senador, o político terá direito a contratar assessores parlamentares, uma centenas deles, tudo pago com dinheiro público. O parlamentar e seu exército de assessores jamais terão de prestar contas de suas atividades. O dia que alguém quiser entender por que o Brasil não consegue sair da condição de país subdesenvolvido, de Terceiro Mundo e quinta categoria, basta olhar o “trabalho” dos parlamentares brasileiros e seus exércitos de assessores.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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IMPEACHMENT JÁ!

Considerações acerca de um ídolo de barro: aos poucos se desvendam todas as falcatruas e tramoias do maior estelionato eleitoral já visto por estas plagas. Enumerar aqui é bobagem, fazer reportagem é para profissional, e isso temos de sobra. Essas gravações recentes são apenas uma das cerejas do bolo, virão outras. Destaco apenas como uma das piores e mais graves declarações do capitão presidente a mais recente, em que ataca a Coronavac covardemente mais uma vez, motivando o artigo do dr. Dimas Covas no jornal. Isso é de uma irresponsabilidade sem tamanho, pois milhares de brasileiros foram com ela vacinados. Agora entendo o porquê de ele ser chamado de genocida. Impeachment, já!

Elisabeth Migliavacca

São Paulo

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‘GOLPE DE QUEM?’

O articulista do Estadão J. R. Guzzo (4/7, A8) cobra do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso explicações claras ou provas de que a urna eletrônica é segura, e do presidente Bolsonaro provas de que nas eleições de 2018 ocorreram fraudes. É claro que para uma “auditagem” do sistema eletrônico de votação não é necessária a ideia estapafúrdia da impressão de todos os votos e que o eleitor conferiria antes de depositar na urna o seu voto, isso só causaria uma tremenda confusão no processo de eleição, além do custo altíssimo. O que tem de ocorrer são dois tipos de auditagem: uma é através dos especialistas em informática, que já é realizada em todo o processo digital, e a outra é por cidadãos sem especialização em informática, que neste caso seria para verificar numa pequena amostragem das urnas eletrônicas a fidelidade entre o voto eletrônico e o voto impresso. Para possibilitar essa auditagem manual, bastaria imprimir uma amostragem dos votos, de umas 10 mil urnas, que são 2% das 500 mil urnas. O custo dessa operação seria baixíssimo.

José Luiz Abraços octopus1@uol.com.br

São Paulo

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PROVAS

No meio de sua argumentação sem qualquer sentido sobre a polêmica do voto impresso, levantada pelo bolsonarismo golpista, afirma com ar cândido e de passagem o articulista J. R. Guzzo: “(...) Bolsonaro, pouco antes, disse que houve fraude na apuração das eleições de 2018; ele recebeu, com certeza (grifo meu), muitos mais votos do que o TSE lhe deu (...)”. Extraordinário! Então, antes de cobrar explicações do ministro Barroso, do TSE, e de perguntar “quem quer dar o golpe”, o sr. Guzzo deveria divulgar as provas que lhe dão a certeza da fraude nas eleições de 2018, melhorar sua percepção dos fatos e seus argumentos, deixando de reclamar da qualidade do debate, sofrível, para o qual ele não vem trazendo qualquer contribuição.

Jorge Luiz Babadópulos babadopulos.jorge.luiz@gmail.com

São Paulo

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A QUEM INTERESSA?

A luta pela falta de transparência no pleito eleitoral só interessa a quem se beneficia com isso. Sabemos que o voto eletrônico é fraudável, segundo especialistas brasileiros e estrangeiros, mas alguns políticos e entidades descontentes com o governo atual, mesmo sabendo desta posição técnica, insistem em combater o voto auditável, contrariando a lógica de quem busca a vontade soberana das urnas. Foi para isso que vocês foram eleitos, senhores parlamentares, ou para honrar o voto de seus eleitores?

Ricardo Cardoso eskaf@hotmail.com

São Paulo

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CIRCO

A absurda insistência do presidente Jair Bolsonaro em aprovar a questão do voto impresso demonstra o seu desespero no que diz respeito às eleições de 2022. Bolsonaro sabe das dificuldades que terá para se reeleger e já começa a armar um circo para um espetáculo similar ao produzido pelo ex-presidente americano Donald Trump quando fora derrotado na terra do Tio Sam. Voto impresso é voto de cabresto. É a volta do coronelismo que tanto criticam os bolsonaristas mas que, por debaixo dos panos, apoiam a prática, ainda mais perante a evidente derrota nas urnas no próximo ano. A desculpa para o inconformismo de uma derrota será a falta de comprovação do voto do cidadão. Inconformismo nunca demonstrado nas sete vezes em que fora eleito deputado federal, tampouco na eleição de seus filhos para alguma casa legislativa municipal, estadual ou federal.

Leandro Consolin leandroconsolin@gmail.com

São Paulo

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2022

Atenção, Brasil. Estão sendo armados três grandes perigos para as eleições de 2022, sendo que dois deles vêm sendo empurrados goela abaixo de nós todos. O primeiro é o voto impresso, que permitirá confusão e apelações sem fim em todas as zonas eleitorais. O segundo é a crescente liberação de armas e o estímulo que vem sendo dado a seus proprietários, em grande número formados de militares, milicianos e membros de “clubes de caça”, a que vão às ruas contra medidas dos (outros) governantes. O terceiro é a simultaneidade de votação de presidente, governadores e de centenas de congressistas. Com esses fatores se superpondo, o TSE poderá ser “posto em xeque” e nunca saberemos quando as apurações terminarão, se terminarem. Será que mesmo com a tormenta à vista nossos congressistas continuarão dormitando contando tratorzinhos?

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

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‘CUIDADO, PRESIDENTE’

Há anos que sigo as atitudes e manifestações de Fernando Henrique Cardoso, que sempre me pareceram ponderadas e oportunas. Mas algo está mudando (em mim ou nele...). Como o Estado vem noticiando, sua aproximação com Lula foi, a meu ver, exagerada e inoportuna, pois enfraquece a luta por uma terceira via. Agora, no Espaço Aberto de domingo (4/7), esta de aconselhar Jair Bolsonaro a mudar de atitudes o quanto antes, para evitar um impedimento, seria simplesmente inútil. E privaria o Brasil da melhor forma de evitar o terrível dilema Lula/Bolsonaro: o impedimento o quanto antes.

Luiz Ribeiro Pinto brasilcat@uol.com.br

Ribeirão Preto

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CUIDADO, POVO BRASILEIRO

FHC bem que poderia ser um pouco mais assertivo. Confessa erros seus no governo, mas continua a teimar neles. No artigo Cuidado, presidente, diz, mas ao final desdiz. Não parece faltar muito para o impeachment. Ele pode até não vir, por outras razões, mas no momento não parece longínquo, como diz. Parece mais que tudo caminha nesse sentido, com o povo nas ruas, as asneiras cada vez mais patentes, a corrupção evidente, a antidemocracia, o militarismo, o autoritarismo, a incompetência, a família irresponsável, a bajulação exacerbada. Tudo o que não queremos.

Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo

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BRASIL RUMO AO ABISMO

O antipetismo acabou elegendo em 2018 o sofrível presidente Jair. O antibolsonarismo ameaça reeleger o ficha-suja Lula em 2022. Desse jeito, como um cão danado correndo em círculos atrás do próprio rabo, o País não conseguirá emergir do poço sem fundo em que está atolado, seguindo de marcha à ré rumo ao abismo. Muda, Brasil!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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À ESPERA DA TERCEIRA VIA

Onde o brasileiro está com a cabeça ao colocar o ex-presidente Lula na preferência para ser reeleito em 2022? As roubalheiras de Lula e de militantes do PT não foram anuladas, somente mudaram de foro. Embora seja evidente que uma nova condenação poderá demorar anos, os indícios robustos de irregularidades provavelmente levarão à condenação e, se vivos, voltarão a ser presos. O volume de recursos públicos desviados do governo Lula foi estratosférico, atingindo bilhões de reais. Além disso, quebraram fundos de pensões dos Correios, Banco do Brasil, Caixa Econômica e outros, bem como puseram a Petrobrás à beira da falência. Ressalte-se que Lula disse ter amealhado dinheiro com palestras que nunca existiram, a fim de justificar os milhões de reais investidos em previdência e em outras aplicações que foram encontradas e bloqueadas pelo então juiz Sérgio Moro. Os homens de confiança de Lula e Dilma, como Palocci e José Dirceu, envolveram-se em falcatruas, o primeiro quando preso confessou os crimes cometidos e devolveu R$ 100 milhões para a Petrobrás, já o segundo destacou-se como o idealizador do “mensalão”, perito em fazer lobby, no sentido de facilitar a vida de empresas no governo federal em troca de polpudas comissões. É bom lembrar que todos os tesoureiros do PT foram presos. Eram iguais a gafanhoto, onde encostavam promoviam uma devastação. Cabe esclarecer que não sou bolsonarista, estou, sim, à espera de uma terceira via.

Roberto Antonio de Carvalho robertoacarvalho11@gmail.com

Londrina

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PRESIDENCIÁVEIS – TERCEIRA VIA

Já que estão opinando de todos os lados, se for para escolher um nome novo com capacidade de liderança que pudesse ser adequado, que tal uma mulher preparada, muito inteligente e forte com um currículo impecável tipo Silvana Batini?

Jorge A. Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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INOMINÁVEL

O comentário do “excelentíssimo senhor presidente da República do Brasil” (que vergonha, para dizer o mínimo) sobre a fala de Eduardo Leite e sua orientação sexual é mais uma vez, como sempre, de um profundo desrespeito a uma pessoa, a um cidadão, a um ser humano, ao povo, à vida real como ela é. Não digo que seja desrespeitoso ao Brasil porque muitos brasileiros (muitos) acham cabível, normal e apropriado, o que deixa claríssimo a que ponto chegamos. Mais um comentário proferido por uma língua abjeta, que pela mais puritana bondade de vários é comparada a conversa de botequim, passou há muito de qualquer limite aceitável, até para um balcão ensebado com alguns pastéis de vento, coxinhas engorduradas, pamonhas e marias moles na vitrine. A diferença que temos é que mesmo no mais infecto boteco pessoas sem limite, desagradáveis, descontroladas, irracionais, uma hora são colocadas para fora, expulsas, evitadas, esquecidas. Tornam-se inomináveis. Bolsonaro faz por merecer a alcunha. Chamá-lo de inominável é ofender a palavra inominável.

Arturo Alcorta arturoalcorta@uol.com.br

São Paulo

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CINISMO

Bolsonaro comungando (Estado, 2/7, A2)? Que acinte, quanta falta de escrúpulos! Nem um balde de hóstias atenua seus malfeitos. Que azar o deste padre ter de figurar nesta encenação!

Cláudia Sampaio Roni claroni@uol.com.br

Planalto Paulista

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ESTRANHO NO NINHO

É incrível percebermos claramente o desequilíbrio emocional, as teorias da conspiração, as perseguições inexistentes que Bolsonaro joga no ventilador todos os dias. Ele é uma espécie do personagem do filme Um estranho no ninho, mas absolutamente insano.

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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O MÍNIMO

O mínimo a fazer para que nosso país tenha uma vida política mais condizente com suas necessidades é adotar o sistema parlamentarista; tornar o voto não obrigatório; alterar a idade mínima para votar de 16 para 21 anos; e tornar mais rigorosa a legislação que pune partidos e políticos. Mínimo.

Euclides Rossignoli clidesrossi@gmail.com

Ourinhos

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IDOSOS E A VACINAÇÃO

O título da mais recente coluna do biólogo Fernando Reinach resume bem uma questão fundamental que não pode ser postergada por muito mais tempo pelo Ministério da Saúde: o problema dos idosos. Como bem aponta o autor, se um estudo recentemente publicado mostra que a resposta imune de pessoas com mais de 80 anos vacinadas com a Pfizer, cuja eficácia é de 95%, é pior em relação aos mais jovens, tudo indica que o mesmo acontece com a Coronavac (eficácia de 50%), embora não haja dados divulgados a respeito. Outro estudo recente e amplamente divulgado mostra que 72% dos idosos que receberam a Coronavac não estão imunizados e, portanto, continuam vulneráveis. Esses dois dados demonstram claramente que essa população vai precisar ser vacinada novamente e o quanto antes, melhor. É temerária a estratégia do governo de deixar para estudar essa questão somente depois de concluída a vacinação de toda a população, pois é pouquíssimo provável que isso aconteça ainda este ano, e as novas variantes já estão aí. Tamanha demora fatalmente agregará mais complicações a uma situação sanitária já por demais complicada.

Luciano Harary, médico lharary@hotmail.com

São Paulo

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‘BRASIL VENDEDOR DE COMMODITIES’

Apenas um cidadão brasileiro sem PhDs ou doutorados nem poder empresarial, sempre estranhei a posição brasileira de vender sua carne e ossos (minérios) e produtos cultivados num verdadeiro deserto (se uma plantação de soja não for um deserto, eu nunca vi um), servindo, sim, aos interesses econômicos nacionais, mas também e muito mais àqueles dos compradores destes itens, desinteressados em que o Brasil possa se ombrear e concorrer com eles, produzindo bens manufaturados e industrializado para consumo próprio e exportação, porque não. Minério, um dia, acaba; o solo já não tão fértil, que só produz à custa de muito adubo químico, também se esvai, e aí? O que fica para nossos netos? Bom que o Estadão abordou o assunto, ainda de maneira tímida, fazendo uma esperança tênue aparecer quanto a um assunto que parece não interessar ser abordado pelos poderosos de plantão. Pena é que nada vai mudar, que o Estadão e eu estamos a perder tempo com essa coisa, mas...

Ruy Carlos Silveira Crescenti ruycarlos39@uol.com.br

Águas de São Pedro


 

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