Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2021 | 03h00

Corrupção

Os ofendidos

Se um pequeno segmento de uma classe profissional – como a de arquitetos ou veterinários, por exemplo – fosse identificado com tendo participado de tramoias danosas ao bem público, seria inaceitável que os respectivos sindicatos publicassem notas de repúdio em defesa de toda a categoria. No entanto, quando alguns militares são identificados por uma CPI do Senado como tendo participado de condutas criminosas, o supremo comando militar (ministro da Defesa e chefes das três Forças Armadas) reage com uma nota despropositada. A óbvia tentativa de alegada ofensa e indignação desses militares se baseia (como na Venezuela) no fato de se sentirem fiadores do ocupante da Presidência. Ora, ofendida está a maioria dos brasileiros com essa agressão contra o indispensável equilíbrio democrático entre os três Poderes (Legislativo, Judiciário e Executivo).

CLAUDIO JANOWITZER CJANOWITZER@GMAIL.COM

RIO DE JANEIRO

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Corporativismo de novo?

Ouvi com atenção o que disse o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz. E, pelo que ouvi, ele não generalizou nada ao falar dos ditos “malfeitores” na crise das aquisições de vacinas. O senador não culpou o Exército Brasileiro e muito menos as Forças Armadas. Citou alguns nomes de oficiais do Exército que, não se sabe bem por quê, foram colocados no Ministério da Saúde e lá, juntamente com outros servidores, civis, se envolveram com falcatruas. O Ministério da Defesa devia mandar apurar a conduta desses poucos militares, todos nominalmente citados. Não é papel do ministro da Defesa “se meter” em assuntos de outros Poderes legalmente constituídos. O papel de cada Poder está claro na Constituição.

ÉLLIS A. OLIVEIRA ELLISCNH@HOTMAIL.COM

CUNHA

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Farda desrespeitada

Em vez de se sentirem ofendidos, os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, além do ministro da Saúde, deveriam é declarar que esses militares que estão no governo, quando não respeitam a farda, não os representam.

TÂNIA TAVARES TANIATMA@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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De honestidade

Não foram afrontadas as Forças Armadas, mas os militares se irritaram com o senador. Melhor fariam se lembrassem que a farda não faz o soldado e tampouco o posto confere caráter.

A. FERNANDES  STANDYBALL@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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‘Banda podre’

Desastrosa a nota do ministro da Defesa, diria até irresponsável, por tentar proteger maus militares, que não cumpriram os juramentos feitos na Academia Militar das Agulhas Negras. Ao tentar intimidar os senadores da CPI, o general Braga Netto contribui para a impopularidade das Forças Armadas, uma vez que a maioria dos brasileiros apoia os trabalhos da comissão. Melhor faria, de fato, se deixasse claro que as Forças, principalmente o Exército de Caxias, não compactuam com falcatruas e punisse os militares infratores.

FLÁVIO RODRIGUES RODRIGUESFLAVIO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Régua moral

A liderança militar tem uma régua moral peculiar e sempre quis diferenciar conceitos de honra e patriotismo do cidadão comum daqueles que impõe aos seus quadros, sem admitir que, diante de robustas evidências, se verifique que valores militares, assim como do mundo civil, podem sofrer o mesmo desvio. A resposta autoritária ao senador Omar Aziz busca apenas nublar algo que todos vemos: a quantidade de militares, corresponsáveis pelo caos na gestão da pandemia, agora envolvidos em tenebrosas transações.

JOSÉ TADEU GOBBI TADGOBBI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Tráfico

Quando um sargento da FAB foi preso na Espanha levando cocaína em avião de apoio da Presidência da República, esse elemento pertencia à banda podre das Forças Armadas e nenhum ministro da Defesa ou outro oficial-general se pronunciou a esse respeito. Agora, quando aparece um coronel aparentemente envolvido na corrupção de compra de vacinas, os comandantes emitem nota ameaçando a CPI?! Qual a diferença entre os dois casos?

AZOR DE TOLEDO BARROS AZORTB@GLOBO.COM

SÃO PAULO

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Resumo da ópera

O coronel Elcio Franco, pelo relatado até aqui na CPI do Senado, era a eminência parda do Ministério da Saúde.

ROBERT HALLER

SÃO PAULO

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Pela democracia

Não se apropriem de 32

Mais um 9 de Julho melancólico, sob o impacto da pandemia. Aqui e acolá há pessoas que, de modo indevido, evocam os ideais da epopeia de 1932 para pretensamente defenderem a ordem. Em 1964 algo parecido ocorreu quando velhos constitucionalistas, temerosos de que o fantasma de Getúlio Vargas encarnasse em João Goulart, defenderam o mote “32+32=64”, mas ao constatarem que a defesa da democracia pelos militares era uma farsa, logo se arrependeram. Hoje é muito triste ver tradicionais medalhas constitucionalistas sendo outorgadas a quem despreza o regime democrático. Também é angustiante que uma autocracia se classifique como funcional por atender a certos direitos básicos, desrespeitando outros tantos direitos humanos, como a liberdade de expressão e de reunião (a propósito, mostra-se didático o exemplo de Hong Kong, cujo sistema de liberdades democráticas está sendo progressivamente solapado pela ditatorial China). A democracia não deve ter lado, mas, por favor, aqueles que não estiverem do lado da democracia não se apropriem de 32!

JOSÉ D’AMICO BAUAB, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo

JOSEDB02@GMAIL.COM

 SÃO PAULO

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Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br


PREVARICAÇÃO & CORRUPÇÃO

O presidente da República será investigado por omissão em relação à denúncia de corrupção na aquisição da vacina Covaxin indiana, aprovada em tempo recorde e a única aquisição apoiada por Bolsonaro, que chegou a entrar em contato com Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, em 8 de janeiro, para apressar a negociação, e a única também a ser negociada através de uma empresa intermediária, a Precisa, para facilitar um colossal sobrepreço. Todas as vacinas podem e devem ser adquiridas diretamente dos laboratórios. Um baita escândalo sendo agora investigado. Outra tentativa de golpe multimilionário na compra de vacinas, que parecia piada de mitomaníaco, ao englobar 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca, envolve de coronéis do Ministério da Saúde a cabo picareta de Força Pública e um esperto pastor de uma providencial entidade filantrópica. Contos das mil e uma noites sobre Ali Babá e os 40 ladrões. A chinelagem no poder só se entende como vigaristas chinelos! Covaxin via “Precisa” e AstraZeneca via “Davati”! Precisa dizer alguma coisa mais?

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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TUDO PELA SAÚDE

Ninguém pode criticar o capitão Jair Cloroquina Bolsonaro por querer ver a vacina contra a covid-19 “no braço do povo”. Seu governo fez de tudo: atrasou as negociações com a Pfizer e o Instituto Butantan durante meses, para depois apresentar uma emenda específica (117/2021) para facilitar a importação da Covaxin, uma vacina experimental, aos arrepios da Anvisa. Aceitou procedimentos claramente contra as leis vigentes da administração pública: contratos cheios de erros grosseiros, até de inglês, e iria fazer pagamento adiantado, um procedimento que nunca é usado nos contratos governamentais. Concordou em pagar um preço que foi majorado em “apenas” 50%, e a intermediação de sujeitos folclóricos (cabo da PM, pastor, etc.) e firmas do ramo de pizza, associadas a outras em paraísos fiscais. Mesmo assim, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) acha que deve ter algum pixuleco. Pode?

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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REI MIDAS ÀS AVESSAS

Se comprovado o envolvimento do oficialato das Forças Armadas em corrupção envolvendo vacinas, em plena pandemia, com mais de meio milhão de mortos no Brasil, isso fará crer que esta gente vil e incompassiva, numa eventual agressão militar estrangeira ao País, em vez de cumprir seu papel constitucional de “defesa da Pátria”, se reunirá de forma sorrateira e entreguista com o inimigo só para indagar: “Quer pagar quanto?”. Bolsonaro é um rei Midas às avessas, tudo o que ele toca vira escória.

Túllio M. Soares Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte

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SE CORRER, O BICHO PEGA; SE FICAR, COME

A base principal de incriminação de Bolsonaro pela CPI da covid é não ter adquirido as vacinas da Pfizer em julho de 2020. Daí o grande número de vítimas. Acontece que a vacina estava em teste, difícil conservação num Brasil continental (-70º), sem a aprovação da Anvisa e de nenhuma outra entidade e sem a anuência do Congresso. A primeira aprovação da vacina Pfizer foi no Reino Unido em 2/12/2020 e o Brasil iniciou a vacinação em 17/1/2021, quando a demanda mundial por vacinas era enorme e o Brasil era um dos adquirentes. Até hoje os laboratórios não conseguem suprir a procura, mas o Brasil, com estrutura ímpar e eficiente, já vacinou mais de 100 milhões de brasileiros. Caso Bolsonaro adquirisse a vacina um ano atrás, seria incriminado pelos integrantes da CPI pela compra sem aval da Anvisa e do Congresso, mas a prudência do presidente hoje é motivo de incriminação pela compra tardia, responsabilizado por todas as mortes e taxado de genocida. O posicionamento da CPI da covid quanto à não compra e compra tardia das vacinas se encaixa perfeitamente no adágio: se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come.

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

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VAXÍNDIA

Enquanto a paulista “vachina” Coronavac, aprovada pela Anvisa, imuniza grande parte da população do País, a não testada e ainda não aprovada vaxíndia Covaxin contagia o erário com o corruptovírus do desgoverno Bolsonaro. Impeachment já!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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AS FATURAS DA COVAXIN

Sobre as duas faturas expostas pelo portal G1, as duas partiram com dois números que se mantiveram até o final: 300.000 e 45.000.000. Agora, fiquem atentos ao uso de pontos e vírgulas para separar as decimais. O uso em inglês é o oposto ao em Português. Fatura 1: sem especificar o que significaria os “300.000”, quem preencheu a fatura calculou e escreveu que cada uma custava $ 150,00. Faz sentido, mas está errado. Essa fatura foi obviamente recusada por Miranda. Fatura 2: aí já aparece a especificação: são “300,000 boxes/secondary packages w/ 16 vials/bottles each box”, ou seja, 300.000 caixas com 16 vacinas cada. Isso totaliza 4.800.000 vacinas. Atenção, agora, ao valor combinado, de $ 45.000.000 dólares, essas 4.800.000 vacinas teriam o preço de $ 9,375 cada. Mas veio a má-fé. Alguém, possivelmente no Brasil, escreveu “3.000.000” de doses e “15,00” de preço unitário, para concluir em $ 45.000.000. Digo no Brasil pois os dois números têm a divisão decimal como usado em Português, com o ponto em lugar da vírgula, e vice-versa. Ou seja, alguém aproveitou a confusão para aumentar o preço. É lógico que Miranda não iria aceitar. Ou seja, o preço correto parece ser $ 9,375, bem similar aos $ 10,00 constantes do contrato com o Ministério. Como é que as centenas de pessoas que têm examinado o assunto não enxergam isso?

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

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PREÇO

O TCU cobra explicações de Bolsonaro acerca do preço da vacina. Para quem negou a pandemia, deixou de comprar vacinas e morreram mais de 500 mil pessoas, ele queria a sua parte para comprar.

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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CORRUPÇÃO MORTAL

O caso das vacinas no Brasil é mais um folclórico exemplo de como a corrupção é mortal e extermina a população indefesa. Lotes vencidos, demora excessiva, aplicação em gestantes que foram a óbito, sobrepreço, em idosos sem eficácia comprovada. Temos um longo caminho a percorrer, mas todas as vezes que a nossa conduta for presidida pela corrupção levaremos caos à população e mostraremos para o resto do mundo que, infelizmente, na terra brasilis, faltam gestão, honestidade e preocupação em preservar a vida.

Carlos Henrique Abrao abraoc@uol.com.br

São Paulo

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IRRESPONSABILIDADE

Fato: enquanto milhares morriam, os departamentos do Ministério da Saúde (atchim!) brigavam para ver quem era mais irresponsável, feito a depoente de terça-feira na CPI.

Elisabeth Migliavacca

São Paulo

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COLHEITA

Cada país tem o Ministério da Saúde, os senadores, a CPI, as vacinas e as mortes que merece!

Cássio Mascarenhas de R. e Camargos cassiocam@terra.com.br

São Paulo

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CPI IMPRODUTIVA

Está faltando planejamento na condução dos trabalhos da CPI que apura desmandos na pandemia de covid-19. A cada sessão, senadores e deputados ficam puxando fios de novelos intermináveis. Melhor seria fazer acareação dos envolvidos para acabar de vez com o “disse não disse” e o “fez não fez”.

Marcos Abrão m.abrao@terra.com.br

São Paulo

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O BRASIL NA PANDEMIA

Até o momento, a pandemia do novo coronavírus já deixou 184.186.274 de contaminados e 3.985.486 de mortos no mundo. No Brasil são 18.792.511 de contaminados e 525.112 mortos. O número de doses de vacina aplicadas no planeta chegou a 3,22 bilhões e, no Brasil, são 106.308.723 de unidades administradas. Ou seja, temos 10% de contaminados do mundo, porém 30% a mais de mortos, proporcionalmente aos contaminados, que o resto do mundo; e, ainda, com 10% dos contaminados do mundo, o Brasil aplicou cerca de 0,03% das doses aplicadas no mundo, embora tenha cerca de 3% da população mundial, proporcionalmente, então, cem vezes menos. Ou seja, e resumindo: como se vem administrando mal a pandemia e a vacinação no Brasil! E por quê? Com certeza, pelos negacionismos, joguinhos políticos interesseiros, curandeirismos de cloroquinas & Cia., anticientificismos, etc. E, assim como há a culpa do comandante em navio que naufraga por erro seu de cálculos, o nosso enferrujado transatlântico Brasil está fazendo água, e alguns ainda tapam os olhos para não enxergar a necessidade de troca de comando.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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BUTANVAC

Segundo noticiado pelo Estado, o Instituto Butantan iniciará testes com a Butanvac, e pretende prescindir de parte deles para agilizar a aprovação da vacina. A pressa pode não ser o melhor caminho nesta área, onde muitas outras vacinas não tiveram êxito. Possivelmente a vacina poderá ser utilizada como reforço a partir do próximo ano, caso demonstre segurança e eficácia. Os testes deveriam focalizar o imunizante como reforço das vacinas já aplicadas em 2021. Estas doses de reforço já estão sendo avaliadas como necessárias, e para tal a Comunidade Europeia já encomendou vacinas Pfizer para 2022 e 2023, traduzindo o conceito de que a pandemia irá ter continuidade ao menos no próximo ano. Embora com 8 milhões de doses já prontas, não há tempo útil para a Butanvac participar da imunização primária em curso para a covid-19, que está sendo feita com outras vacinas já testadas.

Bernardo Ejzenberg, medico bernardoejzenberg@yahoo.com

São Paulo

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INDICAÇÃO PERIGOSA

Pelo andar da carruagem, Jair Bolsonaro irá indicar para a vaga do decano Marco Aurélio Mello (STF) o “terrivelmente evangélico” e atual advogado-geral da União, André Mendonça. Quem não gostou foi o atual procurador-geral da Republica, Augusto Aras, que se considera íntimo da famiglia Bolsonaro, defendendo-a com unhas e dentes. Aras, que já é conhecido como o “espectador-geral” da República, por não cumprir com sua obrigação constitucional de investigar os devaneios do clã Bolsonaro, pode se tornar um ex “manda e outro obedece”, para infernizar a vida do presidente. Quem viver verá!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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ABSURDOS

Imaginem se o presidente da República anunciasse que irá nomear um pai de santo para o STF. Quem sabe um macumbeiro fosse melhor que um evangélico. O presidente da República deveria ler e conhecer muito bem a Constituição para evitar cometer esses absurdos.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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INDICAÇÃO MINISTRO STF

As últimas cinco indicações para o Supremo Tribunal Federal (STF) têm seguido um curioso padrão: advogados ou procuradores que depois declaram-se impedidos de decidir sobre os planos econômicos. Os últimos cinco ministros, incluindo o que acaba de ser indicado, vão impedir a formação de quórum qualificado (8 de 11 ministros) para julgamento dos planos Bresser, Verão, Collor 1 e Collor 2 pelas próximas duas décadas, o que vai destruir as esperanças dos poupadores. Isso ainda pode piorar muito mais se outros dois ministros forem indicados, com as mesmas características, quando ocorrerem as duas novas aposentadorias compulsórias em 2023.

Luiz Roberto da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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INTERESSES CORPORATIVOS

O cargo de ministro do STF não deveria ser ocupado pelo nome  indicado pelo presidente da República. Essa é uma situação  inadequada. Fica a impressão de que o indicado vai atuar defendendo interesses corporativos.

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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BOM-MOCISMO POLÍTICO

O artigo do ex-presidente FHC Cuidado, presidente, publicado neste jornal em 4/7/2021, é um lamentável exemplo da fuga da maioria da classe política de assumir posições claras – mesmo diante dos crimes cometidos por Lula e Bolsonaro contra o interesse público e contra o erário. O seguinte trecho do artigo é exemplo inequívoco desse suposto bom-mocismo político: “Quem elege o presidente é o povo. Este, às vezes, erra. Paciência. É melhor aguentar o quanto possível do que tentar usar o bisturi do Congresso para ‘acelerar’ a História.”. A dramática conjuntura atual de decrepitude do cenário político brasileiro exige a coragem de serem admitidas (e adotadas) duas medidas indispensáveis para que ocorram mudanças prementes: o impeachment do atual presidente e a ampla mobilização da opinião pública brasileira para a formação de uma frente nacional pela “terceira via”: Fora Lula e Fora Bolsonaro.

Claudio Janowitzer cjanowitzer@gmail.com

Rio de Janeiro

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O PRASIL DESPREPARADO PARA SEUS IDOSOS

Mesmo tendo uma boa parte de sua população idosa (mais de 21%) e outra prestes a entrar nessa faixa etária, o Brasil não está minimamente preparado para lidar com esta realidade. Eu, já considerado idoso, 66 anos, tive hoje de ajudar meu pai de 88 anos que não conseguia marcar seus exames médicos num dos mais conceituados laboratórios do País (A+). Ele tem a audição reduzida e simplesmente não conseguiu acompanhar a rapidez das perguntas das atendentes. Achei que seria mais fácil para ele pelo aplicativo, mas aí quem teve dificuldades fui eu, porque a paginação do aplicativo está formatada para celulares de tela grande, o que faz com que o teclado dos celulares mais antigos ou simples oculte o menu, impossibilitando o preenchimento dos dados. Meu pai estava deprimido achando que era sua a incapacidade, o que não condiz com a realidade. Homem de mente clara e vivaz, que resolve bem todas as suas pendências, é vítima de um erro crasso de uma sociedade que, mais do que não saber olhar sua realidade, a encara com desinteresse. Pessoas com necessidades especiais, quase 20% da população, e os idosos, que são mais que a população infantil, parecem, quando não são, um estorvo. A ladainha que temos no trato digno dos idosos só se faz em imagens para vender remédios ou fazer as propagandas dos mais diversos produtos. Mesmo boas empresas especializadas pecam, e muito, nos conceitos básicos. Falta até treinar seus atendentes para atender um idoso no seu tempo. O mínimo que se espera de uma sociedade é o respeito às capacidades cognitivas dos seus cidadãos, e nesse sentido o problema que temos extrapola e muito a questão dos idosos ou pessoas com necessidades especiais. Pior, o que peço aqui é melhora para um serviço que provavelmente atende a menos de 18% da população, se tanto. O resto, ora o resto...

Arturo Alcorta arturoalcorta@uol.com.br

São Paulo

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REGRAS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

A renovação do contrato da Concessionária Metra foi paralisada pela Justiça, e o secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo afirmou que a suspensão da renovação do mesmo, de R$ 22,6 bilhões com a Metra, pode provocar prejuízo milionário ao Estado, alegando que a prorrogação está baseada na Lei Federal n.º 13.448/2017, que permite a renovação antecipada de concessões para gerar investimentos. Trabalhei, como efetivo, na Prefeitura do Município de São Paulo, inclusive no setor de licitações públicas, e nunca presencie nada igual. Fui consultar e lei citada pelo secretário e vi que ela se aplica apenas à administração federal e que a prorrogação e a relicitação é válida somente para contrato público, prévia e especificamente qualificado para este fim no Programa de Parcerias de Investimento, da Lei n.° 13.334/2016. Ora, a concessão do corredor de trólebus ABD, que liga São Mateus ao bairro do Jabaquara passando pela região do ABC e por Diadema, é de 1997, portanto, antes das leis supracitadas. Portanto, não poderia prever a relicitação. Ademais, cancelou o projeto de uma linha do Metrô, substituindo-a por outra, BRT, a ser construída pela Metra, no novo acordo, que também substituirá os contratos de todas as 85 linhas dos ônibus intermunicipais daquela região. Ora, o secretário procura agir como um particular em um transporte público de uma região do Estado, ligando tudo num único contrato, decidido por ele e pelo governador, como se fossem particulares. Se o governo estadual não fizer uma nova licitação, encampando todas essas prestações de serviços, não poderá ter certeza que está será a melhor proposta para o Estado. O TCE também já havia pedido explicações ao governo e, embora eu não seja advogado, pela minha experiência em licitações públicas, essa decisão foi totalmente equivocada, gerando uma despesa inútil para o governo, uma vez que foi contestada também na Justiça.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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EDGAR MORIN

Integrante das comemorações do centenário de Edgar Morin no Brasil, elogio a excelente matéria de Luiz Zanin Oricchio, Morin, o centenário do pensador, que destaca suas obras mais relevantes e a importância do pensamento complexo para a compreensão da civilização planetária num mundo cada vez mais desigual e contraditório.

Edgard de Assis Carvalho edgardcarvalho@terra.com.br

São Paulo

 

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