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Fórum dos Leitores

Cartas de leitores selecionadas pelo jornal O Estado de S. Paulo

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2021 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Hora do basta

Jair Bolsonaro consegue se superar. Agora delega a seu obediente servidor general Pazuello a responsabilidade pelas irregularidades na quase compra da Covaxin, evitada porque a falcatrua foi descoberta. Não bastasse, pouco governa e muito faz campanha antecipada à custa do dinheiro público. Quem paga as enormes despesas de suas “motociatas”? Nós, o povo, apesar da enorme pobreza e da fome em nosso país. Isso não é corrupção? Mas seu pior malfeito é ter deixado de comprar as vacinas que teriam salvado milhares de vidas, por capricho mesquinho. E nem se sente responsável por isso! Se esse fato, já provado pela CPI, por si não é suficiente para pôr fim a tamanho sofrimento, segundo o deputado Arthur Lira, o que falta? Provocar mortes que poderiam ser evitadas é crime hediondo! O impeachment se faz urgente, a Presidência não pode ser ocupada por pessoa insana, com traços de crueldade. O Brasil não pode mais conviver com este estado de beligerância e instabilidade criado pelo sr. Bolsonaro. Passou da hora de dar um basta! Esperemos que o espírito público e o respeito aos brasileiros sejam levados em conta pelo presidente da Câmara dos Deputados. Em momentos de extrema gravidade conhecemos quem serão os nomes a serem lembrados para o bem ou para o mal.

ELIANA FRANÇA LEME FLEME@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Até tu...?

Em rara coletiva, Bolsonaro diz crer que “prevaricação não se aplica” a ele, “só ao servidor público”. Mesmo aparentemente medicado, ele revela sua concepção messiânica e imperial: acha-se acima de tudo e todos, como em seu lema. Melhor alguém avisá-lo: ele é um servidor público, sim, primus inter pares. Não é o rei dos reis, Dominus nostrum, Tiranossaurus rex ou Napoleão Bonaparte. Nem um mix disso tudo, na alucinação do poder. Talvez ele se imagine um Júlio César cercado no Senado, até por Brutus e Cássio. Por isso frequentemente surta. E desatina.

ROBERTO YOKOTA RKYOKOTA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Corrupção

Com esses integrantes do Ministério da Saúde não há como vermos luz no fim do túnel. Como continuam a comprar produtos de uma empresa que já foi multada e advertida pelo menos 75 vezes? Pois é isso que se verifica na pasta da Saúde, até mesmo com suspeitas de superfaturamento. Nesse caso, vejo falha também da Controladoria-Geral da União: por que não bloqueou a empresa em questão para qualquer negociação com qualquer instituição pública, vistas as constantes irregularidades? Realmente, seria cômico se não fosse trágico.

LUIZ ROBERTO SAVOLDELLI SAVOLDELLI@UOL.COM.BR

SÃO BERNARDO DO CAMPO

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Estado laico

Aquele “ponto” que fica sempre ao lado do presidente Bolsonaro, igualmente sem máscara, durante suas entrevistas coletivas, poderia sugerir-lhe mudar sua fisionomia do “modo ironia chula”. Bolsonaro deixa estampado seu despreparo para conduzir o País durante a crise. Além disso, seus ministros deveriam ajudá-lo na real compreensão do significado de o Estado brasileiro ser laico.

MARIZE CARVALHO VILELA MARIZECARVALHOVILELA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Detalhe preocupante

Se a indicação do novo ministro do STF se baseou em critério religioso, feito em nome de Deus. Aí é que mora o diabo...

A. FERNANDES STANDYBALL@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Reforma tributária

O ministro Paulo Guedes quer cobrar alíquota de 20% de imposto sobre os dividendos de acionistas de empresas. Alega que há 20 mil pessoas que recebem R$ 230 bilhões por ano e não são tributadas. Acontece que há mais 3 milhões de investidores cadastrados na B3, isso significa que a imensa maioria dos aplicadores na bolsa é composta de pequenos acionistas, os quais recebem quantias muitíssimo menores do que os bilhões a que o ministro se refere. O justo seria que a tributação fosse progressiva. Por exemplo: até R$ 100 mil de dividendos por ano, o investidor estaria isento. De R$ 100 mil a R$ 200 mil, pagaria 1% sobre o que excedesse os R$ 100 mil, e assim por diante até atingir os tais 20 mil acionistas que recebem fortunas. Infelizmente, reforma tributária no Brasil é sinônimo de aumento de impostos.

LEÃO MACHADO NETO LNETO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Saúde pública

Santas Casas

Leio no artigo As Santas Casas e as políticas públicas (13/7, A2), de Ruy Altenfelder: “Compreende-se que as Santas Casas de um Estado ou as da periferia sejam penalizadas em relação às existentes nos grandes centros urbanos. Daí a urgente necessidade de uma profunda reforma na direção da subsidiariedade”. De fato, em que pese ser essa uma mudança que afete toda a estrutura desses hospitais, responsáveis por 65% de todo o atendimento da saúde popular no Brasil. Sem exceção, em relação às Santas Casas das capitais ou do interior. Todas têm problemas semelhantes. A raiz do problema está na subsidiariedade (tema infraestrutural) e na cumeeira (tema de superestrutura). Quanto ao primeiro, as Santas Casas precisam superar os limites de seus muros, organizar-se em grupos confederados e federados e atuar como protagonistas e em comitês de pressão sobre o poder, para agir em favor do alinhamento do SUS às suas necessidades orçamentárias. Depois, processar no campo da comunicação social, o que não é apenas uma questão de dinâmica de interação em sistemas internos de sua funcionalidade. Mas mais: a conscientização de que as Santas Casas são uma messe da sociedade civil brasileira. Ruy é um nome para isso liderar e conseguir. Por seu nome, de origem visigótica, já é o senhor da guerra e da paz. Mãos à obra!

LUIZ ANTONIO SAMPAIO GOUVEIA.

SAMPAIOGOUVEIA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

US$ 16.875.000,00

Para auxiliar a CPI da covid-19, uma quantificação do caso Covaxin/Precisa: chegaram três faturas (invoices). A primeira especifica 300 mil caixas com 16 doses cada (o que resulta em 4.800.000 doses), ao preço de US$ 150 cada (caixa), totalizando US$ 45 milhões. Por essa fatura, o preço seria de US$ 9,375 por dose. Por motivo ignorado, a fatura foi alterada. A mais nova fatura especifica 3 milhões de doses a US$ 15 cada (dose), totalizando os mesmos US$ 45 milhões. Entre uma e outra foi diminuído o número de doses, mas não o valor a pagar. Assim, de uma para a outra, o preço por dose aumentou de US$ 9,375 para 15, ou seja, de US$ 5,625 por dose. Para as 3 milhões de doses da nova fatura, o aumento de custo é de US$ 16.875.000,00. Esse é o valor a maior que levou os irmãos Miranda a revelarem o caso. Fica a pergunta: com quem essa diferença iria ficar?

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

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ACORDA, BRASIL!

Como é possível o País seguir com Bolsonaro na Presidência da República com tudo o que já se sabe? Não é segredo para ninguém que Bolsonaro assumiu sozinho a gestão da Saúde na pandemia, demitiu os médicos e fez o que bem entendeu, contrariando todas as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). O resultado foi uma carnificina, o número de mortos no Brasil é 5 vezes maior que a média mundial. Isso, só isso e mais nada deveria ser suficiente para o presidente Bolsonaro reconhecer seus erros, pedir desculpas de joelhos à Nação e se retirar da vida pública. Mas não, Bolsonaro continua dobrando as apostas: Bolsonaro continua promovendo aglomerações sem máscaras, atacando as vacinas e promovendo remédios ineficazes. Como se não bastasse, existem acachapantes evidências de corrupção na compra das vacinas, operação comandada com mão de ferro por Bolsonaro. O Brasil precisa acordar, passar como um trator por cima de Arthur Lira e Augusto Aras, os dois capangas que defendem Bolsonaro, e enxotar o presidente da República do cargo, direto para a cadeia.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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DESGOVERNO

Recentemente, nosso presidente disse claramente: “Caguei para a CPI”. Na realidade, ele vem fazendo isso há muito tempo, para quase tudo o que vê pela frente, ou seja, mais de meio milhão de vítimas, uso de máscaras, vacinas da Pfizer e Coronavac, Congresso (até se aliar ao Centrão), TSE, imprensa, etc. Só não o fez para os aliados, o Centrão, o procurador-geral da República, que provavelmente vai permanecer no cargo, o advogado-geral da União, que será indicado para o STF, e vacina da Covaxin.  Aguardemos o próximo passo.

José Milton Glezer jmglezer@uol.com.br

São Paulo

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‘MUITO MAIS DO QUE APENAS DESGOVERNO’

O editorial do Estado de 12/7/2021 foi feliz em sua definição sobre a política do presidente na pandemia. O governo Bolsonaro realmente transformou “o que já seria uma grave crise sanitária, no maior morticínio já visto por muitas gerações”. Como narra o editorial, a CPI da Pandemia já convidou um grupo de juristas para analisar os crimes a serem imputados a Bolsonaro e, mesmo sendo leigo em Direito, pela lógica e pelo Código Penal, a lista é enorme. Acredito, inclusive, que o Tribunal de Haia seria um bom lugar para julgá-lo. Contudo, só isso não basta. O presidente tem muitos asseclas nesses crimes, que vão dos seus auxiliares diretos e demais escalões do governo federal àqueles que no Parlamento e na Justiça têm lhe dado uma cobertura cúmplice. Todos devem pagar, e bem caro, pelas mortes que já ultrapassam 533 mil brasileiros, sem contar aqueles que morreram em consequência das lotações dos hospitais, sem serem vítimas diretas do vírus. Eu começaria com o deputado Rodrigo Maia, que durante a sua presidência da Câmara dos Deputados engavetou dezenas de pedidos de impeachment do presidente, que poderiam ter salvado milhares de vidas. Também o atual presidente daquela Casa, Arthur Lira, vem tendo o mesmo comportamento e, por consequência, é cúmplice deste morticínio. Podemos também incluir nesse rol o titular da Procuradoria-Geral da República, se não alterar a sua atitude. Não é preciso ser especialista em Medicina para concluir que um número ainda incerto, mas significativo, de mortes pela covid-19 se deve exclusivamente à política de Bolsonaro. Assim como a mortandade continuará enquanto ele permanecer na Presidência da República. Portanto, ele e todos os que, de alguma forma, o ajudaram a cometer tão horrendo crime devem ser julgados também como cúmplices. Inclusive perante o Tribunal de Haia.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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FUX E JAIR

Diante dos fatos inacreditáveis e lamentáveis ocorridos nos últimos dias por obra do já folclórico presidente Odorico Paraguassú Bolsonaro, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, se viu na obrigação de convidá-lo para uma conversa reservada, em que pediu que respeitasse os limites da Constituição. A que ponto chegamos! Pobre Brasil...

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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NOSSO FUTURO NO PASSADO

Leio diariamente o Estadão desde meus 10 anos de idade. São 51 anos de história. O Brasil mudou sua moeda algumas vezes, voltou a ter uma democracia plena, entretanto se desenvolveu muito abaixo de seu gigantesco potencial. A percepção é de que paramos de avançar. Que nosso futuro promissor demora tanto para ser construído, que está ficando no passado. Dizem que nossas instituições de governo estão funcionando bem e garantem nossa democracia. Discordo totalmente desta narrativa. Se nosso enorme e custoso sistema legislativo e judiciário funcionassem bem, as rachadinhas não continuariam e esquemas tipo mensalão, petrolão, superfaturamentos não atingiriam cifras bilionárias, batendo recordes mundiais de corrupção. Se nossas instituições funcionassem bem, políticos de personalidade ambígua e práticas não republicanas como Lula, Bolsonaro, Renan, Aziz, Ricardo Barros e outros, infelizmente tantos, já seriam irrelevantes e sobrariam bilhões de reais para investir em educação e saúde, reduzindo a desigualdade e criando oportunidades de real desenvolvimento social e econômico. Os anos passam e a Constituição concebida para ser defensora dos direitos das pessoas honestas e trabalhadoras acaba sendo mal interpretada para proteger políticos corruptos com muitas instancias e foros que garantem a impunidade. Se as leis que punem corrupção são federais, não deveria fazer nenhuma diferença qual a vara de Justiça que julga os envolvidos em corrupção. O político que se elegeu presidente prometendo honestidade e correção assumiu e logo escancarou sua face obscura, abrindo o cofre nacional aos políticos de sempre para garantir que a prática das rachadinhas continuasse impune. Estamos malparados porque nossa democracia ainda está nas mãos de uma maioria de políticos e carreiristas que, acima de tudo e de todos, legisla em causa própria. Em 2022 temos de nos informar profundamente sobre a história de vida e as atitudes de cada candidato antes de dar nosso voto de confiança.

Pedro Paulo Kovesi ppkovesi@outlook.com

São Paulo

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SLOGANS

Sugestão de textos para faixas nas manifestações de rua. Primeira: Nem ditador nem ladrão! Terceira via é a solução! Segunda: Bolsonaro: renúncia ou impeachment. Lula:cadeia!

Eduardo A. Sickert Peixoto de Melo vovonumero1@hotmail.com

Marília

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GOLPE DE MESTRE?

Não somente procedente, como bastante louvável a sugestão da jornalista Eliane Cantanhêde (Golpe de mestre, 11/7) de que o ex-presidente Lula, num ato de grandeza e “golpe de mestre espetacular”, abra mão de concorrer como cabeça de chapa nas próximas eleições presidenciais para assumir a vaga de vice, num processo de união e pacificação nacional. Faz muito sentido, sem dúvida, mas neste momento pouco provável que aconteça. Após ganhar de bandeja a volta à cena política por uma tecnicalidade jurídica polêmica e liderando com folga as pesquisas de intenção de voto, o autocrático e egocêntrico Lula dificilmente abrirá mão desse protagonismo e, se o fizer, não será sem cobrar um preço político altíssimo para ele e o PT. As bases petistas estão ansiosas por vingança pelo impedimento de Dilma e a condenação e prisão de Lula. Só de imaginar um PT pensando mais no Brasil que em si próprio já exige uma dose generosa de otimismo.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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EIS AÍ BOLSONARO

“Eu acabei com a Lava Jato, porque não tem mais corrupção no governo.” Essas palavras do presidente Bolsonaro já deveriam ser o suficiente para a sua total desaprovação pelos cidadãos eleitores brasileiros, pois ele confessa, despudoradamente, ter agido para dar fim à maior operação de combate à corrupção da história do Brasil. Porém, pior ainda, e a cada dia que passa mostra-se o presidente Bolsonaro ter agido apenas por interesse próprio, dele e de sua família, useiros e vezeiros na prática criminosa de beneficiarem-se das chamadas rachadinhas. E nada como mostrar-se como o paladino da moralidade, da correção e da justiça. Mas, como o mundo dá voltas, eis aí o Bolsonaro das motociatas tentando acelerar para distante dos fatos que vêm a público constantemente, diariamente, demonstrando que raposa que quer tomar conta da porta do galinheiro precisa, antes de tudo, mudar as suas próprias tendências de predador rapaz.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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AZARADO

Decididamente o presidente Jair Bolsonaro não está na sua melhor fase. Ao insistir na realização da Copa América no Brasil, possibilitou aos hermanos argentinos a conquista de um outro maracanazzo em cima da seleção canarinho e, ainda, propiciou a entrada no País de uma nova variante do vírus da covid-19, que está mobilizando e preocupando a Vigilância Sanitária por todo o País.

Jorge de Jesus Longato financeiro@cestadecompras.com.br

Mogi Mirim

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TÁTICA DA POLÍCIA FEDERAL?

O inquérito aberto pela Polícia Federal dá aos convocados pela CPI a oportunidade de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir que podem ficar calados. Como Jair Bolsonaro se dedicou com afinco a controlar a Polícia Federal, devemos concluir que é uma tática para que a CPI não consiga apurar mais nada?

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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PRECISA FALAR?

A gerente da “Precisa”, aquela empresa que os vigaristas do Ministério da Saúde precisavam para dar de mão nos preciosos 600 milhões, que iam embolsar com a Convaxin, não precisa falar, como lhe assegura o Supremo defensor da preciosa bandidagem da nação do roube muito que vale a pena sem precisar pagar pena. Viva a corrupção! 

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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CPI DA PANDEMIA

Incrível como a Justiça tem filigranas para ajudar a impunidade. Dá um desânimo!

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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LONGE DO FIM

A pandemia parece estar longe de acabar. A imunização/defesa via vacinas para os mais jovens ainda nem começou. Desde o primeiro caso no Brasil, em fevereiro de 2020, milhares já morreram e muitos infelizmente vão morrer. Na minha família a maioria teve covid e todos se recuperaram, mas muitos conhecidos morreram. Só neste mês três amigos se foram, dois deles parceiros de trabalho. Todos fisicamente fortes, saudáveis e esportistas. Enfim, triste e agoniante tudo isso. Quem será o próximo? 

Alex Tanner alextanner.sss@hotmail.com

Sumaré

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BRASIL DESIGUAL

A reportagem da primeira página do Estadão na edição de 11 de julho de 2021 (Agronegócio bate recordes e cidades do interior veem salto no consumo de luxo), sobre o “ciclo de bonança” vivido pelo agronegócio no Brasil, se confrontada com o editorial da terceira página com o título A epidemia da pobreza, mostra quão disfuncional é o modelo brasileiro: fomentador da desigualdade social com os efeitos perversos sobre aqueles que, ao perderem a parte ou toda a renda do trabalho que definhou na pandemia, deveriam ter, pelo Estado, um mínimo de recomposição da renda perdida. Confirma-se, assim, a esdrúxula situação em que vivemos no Brasil: o agronegócio a alcançar receitas de quase R$ 800 bilhões em 2021, decorrentes do boom de commodities pela superdemanda da China, potencializado pela excessiva desvalorização do real diante do dólar. O que se vê no outro lado dessa balança tão desigual? A classe de renda baixa e aqueles circunstancialmente sem renda, em função da pandemia, passam a ter seu poder de compra reduzido de forma insólita pelo aumento dos alimentos básicos produzidos internamente, com impactos diretos na já endêmica fome ou nutrição inadequada no Brasil. Não fora essa anomalia, há, ainda, a conversão do preço do petróleo pelo dólar valorizado. Por tudo isso e numa economia excessivamente indexada, chega-se a uma inflação disseminada afetando de maneira desigual os mais vulneráveis da pirâmide social. O que poderia ser feito? (exemplo singelo, dentre tantos) Presume-se que a renda do agro é sub tributada – pelos benefícios fiscais dos estados e da união, ao longo da cadeia produtiva, inclusa a isenção na exportação. Ademais, alguns agentes econômicos têm falado de uma desvalorização excessiva do real – por especulação nos mercados futuros, devido à insegurança na condução da política fiscal com aumento no déficit público. Assim, quando assumimos uma sobrevalorização de 10% (R$5,00/US$1,00 – média recente vs. R$ 4,50/US$1,00 – estimativa para uma taxa economicamente justa), adicionada ao grupo de despesas do agro denominada em reais (não sujeitas à variação cambial, as quais os próprios analistas de mercado, por dever de ofício, saberiam calcular), advém a seguinte questão: Por que não estabelecer um instrumento compensatório (no conceito anticíclico), por tempo determinado, com o Tesouro a recolher o valor relativo a essa variação excessiva da moeda que não se atrele a qualquer variável mercadológica? (Não estamos falando de um tributo transitório sobre as exportações, haja vista o trauma da já excessiva carga tributária). Uma estimativa (abstraída a acurácia numérica), ao se tomar o valor da receita de R$ 800 bilhões, poder-se-ia chegar a R$ 12 bilhões (15% alíquota x 10% da sobrevalorização cambial x R$ 800 bilhões): valor que poderia chegar à mão dos brasileiros vulneráveis no curto prazo e devolvidos aos credores no longo prazo. Outros exemplos, certamente não faltariam, entretanto todos sabemos da rigidez daqueles que mais retiram valores da sociedade do que os criam para sua (sociedade) fruição.    

José Luiz De Poli Siqueira jsiqueira53@yahoo.com.br

Jundiaí

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A INFLAÇÃO E O COFRE DOS ESTADOS

É animadora, apesar de retratar uma lógica perversa, a manchete principal da edição de 12/7/2021 do O Estado de S. Paulo (Com inflação, arrecadação dos Estados cresce R$ 45 bi). Todos sabem que, se a economia aquece, aumenta a arrecadação do ICMS. Só que, como a própria reportagem evidencia, “com os preços em alta, os Estados arrecadam mais porque o ICMS é cobrado a partir de uma base de cálculo maior”. De tudo, o que é mais triste e incompreensível é a posição do sr. secretário da Fazenda, que confirma que “o caixa está altíssimo”, mas descartou aumento de salários para servidores. Até quando, sr. secretário, sr. governador? Os servidores não aguentam mais tanto arrocho salarial.

Jarim Lopes Roseira ipa.saopaulo@ipa-brasil.org.br

São Paulo

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EMBRAPA

Perfeito o artigo de Roberto Rodrigues sobre a importância da Embrapa na transformação do agro brasileiro (Com os avanços científicos, o Brasil passou de importador a grande exportador no agro). Gostaria apenas de acrescentar a importância do programa Globo Rural, que desde 1980 vem divulgando para os agricultores brasileiros as orientações e técnicas desenvolvidas pela Embrapa.

Mário Rubial Monteiro mario.rubial@globo.com

São Paulo

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PROTESTOS EM CUBA

Acabou a paciência do povo cubano! Com crise econômica insustentável e grave situação da pandemia da covid-19, com número assustador de mortes, manifestantes saem às ruas porque consideram o governo negligente para solucionar a pobreza e a crise sanitária no País – como a angustiante falta de produtos básicos como remédios, alimentos, etc. Desde 1994, durante a gestão de Fidel Castro, não havia tamanha manifestação popular.  Porém, assim como ocorreu em 1994, este governo ditatorial usa da violência contra os manifestantes, efetuando dezenas de prisões. Talvez seja este o modelo de governo antidemocrático que Jair Bolsonaro almeja para calar seus críticos.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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A BOLHA SE ROMPE

E finalmente a bolha está começando a se romper. O povo cubano, mesmo arrostando a repressão violenta já desencadeada, bradou mais um “break free” e veio para as ruas expor sua angústia há muito reprimida, para denunciar a inépcia do governo ao tratar a crise sanitária, agravada pela pandemia, e ao se mostrar incapaz de minorar o problema da escassez de medicamentos e alimentos, o que está a resultar em número preocupante de mortes. A presente manifestação é considerada de magnitude maior que a ocorrida ainda durante a chefia de Fidel Castro, em 1994, também rechaçada com truculência. E a ladainha é a mesma, ao ligar as causas do protesto à interferência americana, com o embargo econômico embutido. O verdadeiro câncer, porém, reside no fato de que o país está há mais de 60 anos vivendo um regime ditatorial que não conseguiu promover o progresso de sua gente, em que pesem as famas de paraísos sanitário e educacional, não muito comprovadas ao longo do tempo, vide a péssima qualidade dos médicos para cá enviados pelo programa Mais Médicos, criado pelo governo Dilma, e a negação ao povo da mínima chance de escolher seu destino. Tudo parece indicar que o regime absolutista lá implantado só serviu mesmo para garantir o futuro da prole dos Castro e de seus aderentes mais próximos.

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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‘EXCURSIÓN PEDAGÓGICA’

O Brasil e Cuba vivem momentos políticos diferentes. Em Cuba, a população, depois de 60 anos de ditadura socialista, não aguenta mais e toma coragem para sair nas ruas em massa pedindo por libertad. Chega de petrolons, chega de mensalons, chega de empreiterons, chega de corrupción, chega de dominacion e chega de paredons! No Brasil, ainda há muita gente que acha que ainda não chega e querem mais. Em Cuba, o culto à personalidade dos Castros acabou e, no Brasil, o culto à personalidade de Lula está renascendo. Como dizia Lord Byron, “o homem é um pêndulo entre o sorriso e o pranto”. O Brasil conhece o sorriso até demais e tem muita vontade de vivenciar na prática o socialismo e conhecer melhor as maravilhas que lhe contam a respeito da outra ponta do movimento pendular. Talvez fosse o caso de viajar até Havana, só para matar essa curiosidade.

Jorge Alberto Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

 

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